domingo, 26 de agosto de 2012

Artur Coelho - Antigo Ídolo do Ciclismo Português, Portista, Felgueirense e Vizelense…


= Artigo que está em espera para incluir um livro, quando houver possibilidades de publicação, sobre o Concelho de Felgueiras. Como tal com mensagem textual incidindo mais nesse âmbito. Porém abrangente a toda a envolvência inerente ao tema e ao personagem.
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Pelo natural sentido de interesse por tudo o que respeite a Felgueiras e à autoestima Felgueirense, interessará perpetuar todos quantos honraram o nome desta terra. Nesse aspeto, alimentando o gene Felgueirista, será de vincar que Felgueiras, além de personagens importantes da história local e da vida nacional, também teve um campeão do desporto dos pedais, nome sonante de décadas atrás, o qual (ainda que lembrado em pelo menos um livro de registo Memorial Histórico... abrangente a Alfozes de Felgueiras) não tem sido incluído na literatura monográfica municipal, nem foi ainda homenageado, por enquanto, na toponímia urbana de Felgueiras e, como tal, esteve algo desconhecido entre conterrâneos.

Efetivamente, Felgueiras deve orgulhar-se de ser natural do concelho o antigo ciclista Artur Coelho, atleta famoso que se alcandorou a lugar de destaque no panorama velocipédico nacional na década de cinquenta, com carreira desportiva de alto nível entre 1955 até 1961.

Com efeito, o ciclismo no passado teve um filho do concelho de Felgueiras entre os seus maiores expoentes, nome que passou desse modo as barreiras da interioridade, tendo sido Artur Coelho na realidade um Ás do pedal, vencendo mesmo provas importantes ao serviço do F. C. Porto, do qual o referido Felgueirense foi exímio ciclista como grande “sprinter”, especialista nas chegadas em pelotão dos finais de etapas e de circuitos, como até de contra-relógios (provas cronometradas). Tendo sido camisola amarela na Volta a Portugal algumas vezes e em mais que uma edição, além de ter vencido provas internacionais e ter feito parte de seleções nacionais participantes na Volta a Espanha.

= Artur Coelho junto com dois grandes nomes do ciclismo português e portista:
Com Carlos Carvalho e Sousa Santos, em pose na Volta que ajudou o colega carvalho a conquistar, corria o ano de 1959.

Neto de Roberto da Lixa, como era popularmente conhecido o patriarca da família, e filho de José Luís Coelho, “garagista” muito popular dos tempos românticos da vila de Felgueiras de meio do século XX, em que o ambiente era propício a que toda a gente se sentisse familiar no remanso da então pacata sede concelhia, Artur Coelho, filho mais velho de prole de doze filhos dados à luz por D. Clara Rosa, nasceu aos quatro de Julho de 1934, nos subúrbios da vila dessa era, no então lugar dos Carvalhinhos, de Margaride. Mas passava os dias no centro da vila de Felgueiras, onde seu progenitor possuía uma oficina, vulgo garagem de bicicletas, vindo-lhe daí no seio da própria família a vocação de ciclista.

Dele conta-se que, nesses tempos de sua juventude, conseguiu fazer célebre escalada, a subida antiga para o cemitério de Margaride a pedalar em marcha-atrás, façanha que na época foi muito badalada pela demonstração de tal habilidade em cima da bicicleta: Tendo subido de costas voltadas, ou seja andando às avessas, a íngreme via da encosta desde a então vila até ao cemitério municipal de Felgueiras, naquela empedrada rua a direito, como é vulgarmente referenciada a Rua da Alegria, de ligação antiga para o monte de Santa Quitéria (desde o encontro das Rua de Samoça e Rua Francisco Sarmento Pimentel até à bifurcação da Rua da Saudade e da primeira capela da Santa).

As suas aptidões levaram a que tivesse ingressado na equipa principal do Porto e passado a competir oficialmente ao lado dos nomes mais sonantes que corriam pelas estradas. Apesar da notoriedade atingida como ciclista federado, para que seu nome tivesse ficado mais célebre ainda, faltou-lhe no país uma vitória na classificação geral individual duma grande prova de etapas, como a Volta a Portugal (que, afinal, é a que mais populariza os nomes dos vencedores e os perdura à posteridade). Não tendo, enfim, conseguido essa vitória individual, devido à sua faceta de especialista em percursos rápidos ou provas com menor duração, pois que na Volta e competições desse género trabalhava mais no especto coletivo dos interesses da equipa. Foi essencialmente perito em provas de pista, circuitos (tendo ficado célebre uma espetacular vitória no circuito particular de Vila do Conde, batendo por larga margem “sprinters” famosos desse tempo, como o seu colega de equipa Onofre Tavares e Américo Raposo do Sporting); bem como de Grandes Prémios, provas disputadas em séries de alguns dias, mas especialmente em “fugas” de etapas longas, nas quais muitas vezes se distanciou do grosso da coluna do pelotão.

Contudo, superando o facto, teve brilhante palmarés a nível internacional, com destaque para importante vitória na Volta a São Paulo, prova mais conhecida por “9 de Julho” daquela cidade do Brasil, em que Artur Coelho, envergando a camisola azul e branca do F. C. Porto e ostentando o dístico de Portugal ao peito, foi no fim levado em ombros por multidão de compatriotas e brasileiros radiantes – a que se reporta a imagem junta, captando a apoteose do triunfo, vitoriado como foi no final dessa corrida (com a curiosidade da foto conter autografada dedicatória aos Felgueirenses).

= Artur Coelho (com a camisola do F.C.Porto e ostentando dístico de Portugal), no final da clássica 9 de Julho-Volta a São Paulo, a receber apoteose popular, vitoriado em ombros, como vencedor da grande prova brasileira, corria o ano de 1957 – em cuja foto consta legenda autografada, com uma dedicatória personalizada.=

Participou então em muitas provas do calendário de ciclismo nacional e além-fronteiras, das quais se salientaram prestações brilhantes nalgumas Voltas a Portugal, como noutras provas federadas nacionais e “clássicas” internacionais. Será bom recordar fases marcantes do seu currículo:

Logo no ano do seu aparecimento, em 1955, incluiu a equipa do FCP que venceu coletivamente a clássica Porto-Lisboa, na “classificação por equipas” (prova a nível individual vencida também por um atleta das Antas, Sousa Santos) e, depois, na sua “Volta” de estreia, também em 1955, Coelho teve vitória em célebre etapa Tomar-Figueira da 18ª edição da “Volta” (em tempo do célebre duelo entre Alves Barbosa, do Sangalhos, e Ribeiro da Silva, do Académico, com os Portistas Dias dos Santos e Moreira de Sá como diretos adversários e todos eles alternadamente vencedores de edições da maior prova nacional), obtendo Artur Coelho, nessa Volta/55 ainda dois terceiros lugares noutras duas etapas, na segunda entre Porto e Vila do Conde e na sétima entre Viseu e Porto, alcançando por fim, na classificação geral final o 4º lugar (atrás do vencedor Ribeiro da Silva, do Académico, e dos 2º e 3º, respetivamente, Sousa Santos do Porto e Alves Barbosa do Sangalhos), tal qual ainda foi 4º na classificação especial do Prémio da Montanha. Além de se ter sagrado vencedor coletivamente, pois que o conjunto do F. C. Porto venceu na classificação por equipas, como venceu a Taça A Bola.

= Artur Coelho na equipa do F. C. Porto que alinhou na Volta a Portugal de 1955, em cuja participação ajudou ao triunfo coletivo da formação azul e branca. Entre companheiros de fila famosos, entre os quais se pode rever Carlos Carvalho (grande trepador em provas de montanha e vencedor de uma “Volta”) e o famoso “sprinter” Onofre Tavares, mais Sousa Santos (vencedor no mesmo ano da “clássica” Porto-Lisboa), Emídio Pinto, etc.=

No ano seguinte, alcançou também a quarta posição no Campeonato Nacional de Fundo e, na “Volta” de 1956 foi Artur Coelho o primeiro dono da camisola amarela, mediante vitória no circuito portuense da etapa inicial (na pista do Estádio do Lima), envergando aquele símbolo da liderança logo à partida do Porto. Posição de primeiro classificado que manteve até à 3ª etapa, tendo nos correspondentes percursos, das ligações em que envergonhou o “maiot” amarelo, sido quinto na chegada à meta. E, nessa 19ª edição da Volta, Artur Coelho teve mesmo um ativo papel, posicionando-se sempre entre os melhores, tanto aconteceu por duas vezes em que fez o 2º lugar noutras duas etapas, mais um 3º lugar em quatro etapas, foi 4º numa outra e 5º por duas vezes em igual número de etapas (numa das quais de contra-relógio), terminando essa Volta na 9ª posição geral. Ainda em 1956, foi selecionado para a equipa de portugueses que, em género de seleção de “sprinters”, esteve em Lisboa na inauguração da pista de ciclismo do Estádio Alvalade (juntamente com o colega de equipa Onofre Tavares, do F C Porto, mais Alves Barbosa e Simões Louro, do Sangalhos, Américo Raposo e Pedro Polainas, do Sporting), participando em festivo festival alusivo, à compita com equipas de outros países.


Aumentando a pedalada, obteve depois a brilhante vitória no Brasil, em 1957, na clássica chamada “9 de Julho” de São Paulo, a Volta ao Estado de São Paulo, terminada vitoriosamente a 11 de Julho de 1957. Tal como, no mesmo ano, em França, conquistou honroso 2º lugar, a 6 segundos do triunfador, no “Paris-Evreux”. Tendo assim dado nas vistas, no mesmo ano integrou a seleção nacional que participou na Volta a Espanha de 1957 (formando equipa com Ribeiro da Silva, Alves Barbosa, Agostinho Ferreira, João Marcelino, Manuel Graça, José Firmino, Carlos Carvalho, Sousa Santos e Joaquim Carvalho, tendo apenas chegado ao fim os referidos três primeiros). E, nessa época de 1957 foi ainda o triunfador do Circuito dos Campeões, disputado na Figueira da Foz. Depois, em 1958 foi vencedor da Volta ao Porto (prova que então era famosa, e noutros anos mais recentes teve denominação de Grande Prémio do Porto, com edições desde 1926 até 1994, por ora). Ano esse de 1958 que foi até deveras frutuoso, perante vitórias sucessivas, sendo vencedor do Circuito de Garcia, do Circuito de Grândola e do Grande Prémio Vilar. Como voltou a participar na Volta a Espanha, integrado na seleção portuguesa que alinhou em 1958 na importante prova do calendário internacional (sendo a equipa portuguesa composta nesse ano por Alves Barbosa, Carlos Carvalho, Antonino Baptista, o trio que concluiu essa travessia, mais Sousa Cardoso, Emídio Pinto, Artur Coelho, José Firmino, Sousa Santos, Joaquim Carvalho e Henriques da Silva). Tal como em 1959, repetiu vitória na seguinte edição anual do Grande Prémio Vilar (à frente de Alves Barbosa, a quem superou depois de duelo renhido, tendo vencido duas etapas, às quais o bairradino respondeu com quatro, entre as nove etapas da prova, porém triunfando Artur Coelho pelo melhor tempo na geral final). Ombreava então Artur Coelho com os melhores, continuando nos lugares cimeiros durante a mesma época, mediante um 2º lugar no Grande Prémio Cidla de 59. Ao passo que, na Volta a Portugal desse ano 1959, somou saborosas vitórias em duas etapas (enquanto contribuía no trabalho de equipa, estando seu colega José Sousa Cardoso em posição de camisola amarela), tendo Artur Coelho triunfado na meta da etapa Estremoz-Castelo Branco e na de contra-relógio individual entre Covilhã-Guarda, obtendo ainda por duas vezes o 3º lugar noutras tantas etapas e o 2º posto numa; com a curiosidade de nessa etapa saída de Pedras Salgadas e chegada a Braga, durante o correspondente percurso com passagem por Felgueiras e Vizela, Coelho ter “forçado” para se mostrar na terra onde nascera, vila de Felgueiras, e também na de Vizela onde então já residia – tendo nessa escapada a companhia do colega de equipa Carlos Carvalho, o qual através do esforço conjunto verificado na mesma etapa conquistou tempo suficiente de vantagem aos demais, acabando por C. Carvalho ser vencedor dessa tirada e, depois no final também da “Volta”, que o F. C. Porto venceu igualmente na classificação coletiva.


Mantendo a pedalada ainda em bom ritmo, em 1960 Artur Coelho venceu uma etapa do Grande Prémio Vilar, enquanto na Volta/60 conseguiu ser 4º à segunda etapa, tendo depois servido mais a equipa, ajudando Sousa Cardoso a manter a amarela de primeiro desde a 5ª até à 15ª etapas, chegando ao final esse sorridente ciclista azul e branco, colega de Coelho, como destacado vencedor. Por fim, em final de trajeto, Artur Coelho deu bem um ar de sua graça na Volta a Portugal de 1961, vencendo uma etapa, ao segundo dia de corrida, na etapa disputada em circuito à volta de Espinho, nessa Volta de que foi vencedor final seu colega de equipa Mário Silva (e primeira em que o também Felgueirense Joaquim Costa alinhou, como o Vizelense Ernesto Coelho). Além da colaboração referida, durante essas vistosas participações, Artur Coelho teve também sua quota-parte no trabalho de equipa contributivo para outros triunfos individuais de colegas, bem como coletivos do F. C. Porto alcançados nas classificações de equipas nas Voltas de 1955, 58 e 59, tendo ao longo da carreira por companheiros, entre outros, diversos ciclistas famosos como Sousa Cardoso, Sousa Santos, Emídio Pinto, Azevedo Maia, Agostinho Brás, Alberto Cerqueira, Onofre Tavares, Joaquim Carvalho, Mário Sá, Carlos Santos, Mário Silva, José Pacheco, Ernesto Coelho, etc.

= Artur Coelho a chegar primeiro à meta, vitoriado pela multidão assistente, como vencedor de uma etapa da Volta a Portugal…=

Como recordação especial guardou a bicicleta que usou, a qual de momento ainda existe na família, como relíquia sentimental, tendo estado muito tempo guardada pelo irmão Joaquim (dono da atual Garagem Coelho, em Vizela) e depois ficado para o filho Óscar Coelho, residente no Porto.

Nesse tempo foi tal a projeção alcançada por Artur Coelho nos jornais e rádio (já que a sua carreira abarcou tempos em que não havia ainda TV em Portugal e depois atingiu os primeiros passos da televisão portuguesa), que o seu nome se tornou algo lendário, tornado ídolo de muita gente e mais ainda na terra de que era oriundo. Facto que no concelho natal teve repercussão, sendo responsável por muito do entusiasmo surgido pelas corridas de ciclismo na região, com a organização de populares competições ciclistas realizadas em festas tradicionais, através de circuitos percorridos em dias de feira de Felgueiras, pela Feira de Maio, e festas anuais como nos 23 de S. Jorge de Várzea, no S. João da Longra, no Espírito Santo de Barrosas e na Senhora da Aparecida, entre outras. O cartel que Artur Coelho granjeou teve ainda consequência de ter havido uma equipa de ciclismo da Metalúrgica da Longra, nos finais da década de cinquenta, a qual esteve inscrita na FNAT participando em provas de desporto corporativo e competiu em circuitos locais. Assim como, de permeio, a admiração que o povo teve pelo conterrâneo famoso teve alguma influência sequencial em um outro ciclista Felgueirense, Joaquim Costa, passados anos, já no princípio dos anos sessenta, ter participado também na Volta a Portugal em bicicleta, ao serviço do Académico do Porto, tendo esse Joaquim Luís Costa seu nome nos jornais durante as Voltas de 1961 e 62, em que alinhou.


Artur Coelho explorara, de permeio, por conta própria o negócio da garagem de bicicletas que fora do pai, na vila de Felgueiras, onde a sua fama ajudava a que esse estabelecimento tivesse boa afluência, para venda de material ciclista e consertos de bicicletas ou como reunião de amigos e conhecidos, funcionando como que ponto de encontro de tertúlia de entusiastas do desporto dos pedais e de adeptos do F. C. Porto. Casa essa situada quase em frente de uma então conhecida Tasca do Pilo, loja de vinhos ao tempo existente ao lado da fonte do mesmo nome, da qual o famoso ciclista era cliente apreciado. O pai, com a ajuda do filho mais velho, Joaquim, tinha entretanto aberto outra casa de consertos de bicicletas em Vizela, com a particularidade de nela também haver serviço público de aluguer desses veículos, mantendo-se durante mais de um ano ainda a residir em Felgueiras, pelo que eles iam e vinham, de bicicleta, no trajeto Felgueiras-Vizela-Felgueiras que Artur Coelho acompanhava quando lhe era possível ajudar. Mais tarde passou toda a família a viver em Vizela, por mor de nas Caldas de Vizela ter ficado em definitivo o ramo comercial familiar. Por fim, visando melhoria de vida, Artur Coelho emigrou para França, de onde retornava anualmente para períodos de férias, aproveitando então para assistir na região a finais de etapas da prova-rainha estival do seu desporto e rever amigos que acompanhavam de perto a Volta a Portugal, fixando raízes ao criar uma empresa imobiliária. Tendo entretanto falecido em terra gaulesa a 17 de Fevereiro de 1983 – motivo de ter tido homenagens noticiosas nos maiores jornais franceses da especialidade aquando do seu desaparecimento, inclusive no famoso “L’Equipe” que lhe tributou merecido destaque de grande vedeta, que foi na verdade, glória do F. C. Porto e do desporto português, para orgulho de Felgueiras, berço natal, e honra de Vizela, sua segunda terra.

A mudança de Artur Coelho para Vizela, ainda novo (mas já quando era ciclista do Porto há alguns anos), originou que em Felgueiras, com o decorrer do tempo, aquele ilustre Felgueirense tivesse ficado algo esquecido, pois tal como diz o povo quem não é visto não é lembrado. No entanto ele tinha orgulho em ser natural desta terra, passando por Felgueiras sempre que podia, em visita aos amigos e mesmo a familiares que por cá deixou, pois que embora a família ficasse em maioria a viver na cidade do sopé de S. Bento das Pêras, onde granjeou posição estável, continuou com ramificações em Felgueiras, quer na sede do concelho como na Lixa.

= Excerto de crónica, do autor, com foto da coleção do autor também, publicada no Semanário de Felgueiras de 23 de Fevereiro de 2001.=

O facto da ausência física provocou assim que sobre sua figura houvesse certo desconhecimento das gerações que o não chegaram a conhecer pessoalmente ou a ouvir dele falar contemporaneamente, como aconteceu com o autor destas linhas que, sabendo da sua existência pelo que dele ouviu dizer (especialmente como grande ídolo do F. C. do Porto) e tendo conhecimento da sua proveniência Felgueirense, teve dificuldades em certificar-se da naturalidade como em obter outros dados precisos quando começou a escrever visando redescoberta conterrânea de tal perfil - conforme espalhados textos escritos quase no escuro, em especial no jornal Notícias de Felgueiras, artigos esses elaborados ainda nos primeiros anos da década de oitenta, mas mesmo assim enviados para a imprensa concelhia onde tiveram lugar os iniciais passos da tentativa de fazer justiça, neste como noutros casos similares. Ideia que foi avançando e, após tempos de curiosidade amassada em pesquisas, qual aproximação do fim em vista, mais tarde foi então dado à estampa estudo levado a público no Semanário de Felgueiras, onde foi publicado artigo que despoletou toda uma série de situações proporcionadoras de melhor divulgação. Enquanto constantes pesquisas, através de livros e jornais, foram possibilitando, ao longo de anos, obtenção de dados que estavam praticamente esquecidos do conhecimento geral.

= Artur Coelho, numa fisionomia de seus últimos tempos, segundo reportagem inserta no nº de 09-3-2001 do jornal Notícias de Vizela, fazendo referências e transcrições sobre artigo, do autor, anteriormente com lugar no Semanário de Felgueiras em Fevereiro anterior…=

Por tudo e mais alguma coisa a que a recordação faz jus, justifica-se plenamente, pela notoriedade atingida a nível nacional e sobretudo internacional, que como preito a este expoente personagem do desporto Felgueirense haja, finalmente, atribuição do nome de Artur Coelho a uma rua da cidade-sede do concelho de Felgueiras...!
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Em Vizela, entretanto, houve lembrança mas ainda também não chegou oportunidade da devida homenagem toponímica (segundo informes à época destes escritos), na terra que abraçou e de que, afinal, foi um grande embaixador, contribuindo inclusive para o ingresso de Ernesto Coelho, ciclista Vizelense, na formação do F. C. Porto (em cuja equipa principal o mesmo participou desde 1961 e ajudou sobremaneira na Volta a Portugal de 1964 ao triunfo coletivo e à vitória individual de um ciclista da equipa, nesse ano o portista Joaquim Leão).

A proposta toponímica, do nome de Artur Coelho para uma rua de Vizela, nasceu de comunhão de opinião publicamente expressa, através do então vereador municipal de Vizela Manuel Campelos, destacado ativista no processo de autonomia de sua terra, o qual afirmou planear propor em reunião da Comissão Administrativa do novel concelho a atribuição do nome de Artur Coelho para uma artéria daquela cidade-sede do jovem município, vizinho de Felgueiras, segundo revelação inserta no jornal Notícias de Vizela do dia nove de Março de 2001.

Serviu de mote, para a causa, recorde-se, uma peça inserida na rubrica “Curiosidades Felgueirenses” de colaboração habitual do autor destas linhas no jornal Semanário de Felgueiras, dedicada na ocasião à evocação do Felgueirense em apreço – num reavivar de memória, vincando ideia de que o recordado conterrâneo deveria figurar na toponímia da cidade de Felgueiras, a propósito de apresentação do respetivo currículo. Conforme foi então registado em desenvolvida reportagem da lavra de Manuel Marques, Diretor-adjunto do referido semanário Vizelense, transcrevendo passagens e até fotografia de tal artigo publicado anteriormente no aludido periódico Felgueirense a 23 de Fevereiro. Esteve inclusive uma rua destinada ao caso - segundo informação transmitida por aquele publicista Vizelense – a qual, para o efeito, terá sido a antiga Travessa Latino Coelho (que confina com a Rua Latino Coelho), onde o antigo ciclista residiu em Vizela. Mas, conforme informação prestada depois pela Câmara Municipal de Vizela (por ofício 002-07-CT, de 16/03/2007), por ora «a proposta apresentada não reuniu consenso» ainda...


E em Felgueiras, sua terra-mãe, quando haverá uma artéria para essa finalidade, entre os novos arruamentos? Enquanto, também neste caso, continua a faltar sentido de gratidão e reconhecimento!?

Entretanto, outras ocorrências têm servido para reavivar a memória deste valoroso desportista do passado. Assim, ainda em Vizela, já no ano de 2008, numa iniciativa da Associação Cultural e Desportiva Os Vizelenses, aconteceu que a realização da anual corrida de cicloturismo organizada por aquela coletividade, ao quarto ano da respetiva edição de tal prova, teve denominação de “Prémio Artur Coelho”, em homenagem ao célebre ciclista, quão recordado antigo habitante vizelense…

Como outros acontecimentos mais poderão ocorrer no porvir…

Enquanto nada aconteceu ainda em Felgueiras... Onde, além de diversas provas de ciclismo de prestígio nacional e internacional, houve já três etapas da Volta a Portugal aqui finalizadas, em espaçados outros tantos anos, por ora; e inclusive em 2008 finalizou a mesma Volta com a etapa final de consagração a acabar no alto de Santa Quitéria. Pois em Felgueiras, além de corridas de cicloturismo também, através de coletividades do sector e do poder instituído, foram-se então perdendo soberanas oportunidades de homenagear devidamente esse filho e conterrâneo que foi Artur Coelho e, primordialmente, de justificar a ligação efetiva de Felgueiras ao mundo do ciclismo e à visibilidade que proporciona…

= Respigo das páginas da "Mundo Azul", nº 7, Ano 1, Setembro 09. =

Por fim, ou por enquanto, depois disso tudo, ainda houve oportunidade de o fazer relembrar através de crónica que escrevemos, sobre o mesmo conterrâneo, na revista Mundo Azul, no número de Setembro de 2009 dessa publicação do Conselho Cultural do F. C. Porto.

(Material ainda em espera para incluir um livro sobre curiosidades, personalidades e factos do concelho de Felgueiras, entretanto concluído mas ainda a aguardar possibilidades de publicação…) 

Armando Pinto

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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Na proximidade do F. C. Porto-Guimarães e incertezas atuais: Rapsódia temporal, em memória de nomes e factos… Portistas.


Tal qual o semblante do tempo por estes dias, nem fazendo sol nem vindo chuva, também na indefinição do panorama desportivo paira alguma incerteza perante a duração do período das transferências, no aperto gerado pela extensão do mercado futebolístico. Enquanto isso, nesta época em que nem se pode sequer fazer ideia dumas coisas nem doutras, das possibilidades naturais, cingimo-nos a umas quantas rememorações, para atalhar ao constante labor a que aqui nos propomos, em prol desta causa azul, focando o que vai ou está na alma perene Portista. 

Nisto, porque nem só o que é (ou está) conta atualmente, vamos atrás a anteriores situações, ante as alterações verificadas. Como nos primórdios da civilização, aproximada à era de Cristo, tudo que reluzia não era ainda ouro, na medida em que não havia medalhas para heróis e o feito de Fidípides, em 490 a.C. estava longe de se imaginar que originasse a prova mais clássica das Olimpíadas - quando correu de Maratona a Atenas para anunciar aos Atenienses a vitória do seu exército sobre os Persas; e a arfar, pelo cansaço, desfaleceu… Também em tempos mais de agora, embora noutras eras dos nossos tempos, se estaria longe de supor a evolução do futebol português, de forma que chegasse Agosto ao fim com tudo ainda a cambalear…


Então, para não se andar às voltas com o que possa ou não ser à medida de nossos anseios na atualidade, do ambiente do futebol azul e branco, entretanto (que é o que nos interessa), ficamos por uma vista de olhos por alguns jogos do F. C. Porto de outros tempos. Em cuja oportunidade, diante da proximidade do F. C. Porto-Vitória de Guimarães a ter lugar no Estádio do Dragão, neste último sábado de Agosto, lembramos temas relacionados. 

Nesse sentido, damos uma olhadela por um jogo disputado no Porto pelos mesmos contendores, muitos anos antes. Retrocedendo a 1946, para recordarmos um emocionante desafio realizado já no Inverno desse ano, em Dezembro, entre o F. C. Porto e o Guimarães, para o campeonato de 1946/47 e concluído num resultado tangencial de 3-2. Sendo os golos Portistas apontados por Araújo (2) e Correia Dias. De cujo desenrolar vemos algumas imagens publicadas na revista Stadium, em sua edição de 1 de Janeiro de 1947. 

Posto isso, para variar e ir mais além, fazemos uma ronda por outros tempos, mais, numa rapsódia de jogos de diferentes anos. Sendo a partir daqui da frente para trás, ou então de modo baralhado, para melhor diversificação. E, para não incidir atenções só em adversários atuais, vamos deter apontamentos sobre jogos com equipas de menor nomeada, mas que costumavam e fazem sempre a vida difícil aos maiores; tal como, também, outras que já não militam hoje no escalão superior do futebol português, nalguns casos até fazendo recordar clubes cuja passagem pelas divisões superiores até é muito longínqua no tempo. Bem como outras de escalões inferiores, mas que na Taça de Portugal já defrontaram o F. C. Porto.


Para não recuar muito de rajada, para já, começamos esta sequência por certo jogo com um clube dos que tanto têm estado junto dos grandes como intervalam em presenças na divisão secundária imediata. Lembrando, por isso, um desafio com o Belenenses, corria o Outono da época de 1979/80 - terminado com uma concludente vitória da equipa do F. C. Porto, que (por o adversário equipar de azul), nesse jogo jogou com a então camisola alternativa das Antas, branca como foi tradicional durante longos anos. Mostrando-se aqui fotos dos golos, três, em cima o primeiro (correspondente à imagem do cabeçalho deste artigo) e os outros seguintes, conforme dá para ver na fixação anexa, de gravuras d' O Porto, em seu número de 28 de Novembro de 1979, sob legendagem de seguimento documentado: «…em cima, Duda oportuno, abre o activo; (depois) Albertino atira e Costa encerra».


De seguida, recuando muito mais na cronologia, este percurso retrospetivo demanda remotas paragens do campo da Constituição, para reconstituir memória duma receção ao Atlético, o clube de Alcântara que nessa vinda à Invicta, em Outubro de 1950, levou que contar, derrotado sem apelo nem agravo também por 3-0, através de dois golos de Vital e um de Monteiro da Costa. Podendo vislumbrar-se algumas cenas dessa peça por meio de algumas imagens da revista Stadium, que, em seu número de 26 de Outubro seguinte, deu conta do embate à maneira duma publicação sulista, como se pode constatar…


Passando a uma outra oportunidade, continuamos esta viagem no tempo por uma eliminatória da segunda prova de maior importância de sempre no calendário luso, incidindo outra vista de olhos, agora por um prélio disputado para a Taça de Portugal, no campo do Almada, ainda antes de expirar a década de quarenta, desenrolado que foi em Abril de 1949. Numa tarde de futebol que levou grande moldura humana ao terreno da outra banda do Tejo, resultando numa vitória tangencial do F. C. Porto que, apesar de ter estado a perder, acabou por dar a volta ao marcador com golos de Carlos Vieira e Gastão. Ilustra-se essa saborosa vitória por 1-2 mediante gravuras que vieram publicadas na revista Stadium de 20 de Abril de 1949, vendo-se alguns jogadores desse tempo, como Diogenes, Fandiño, Sanfins, Carvalho e alguns outros.


Mais para trás ainda, também do ano de 1949 mas em Fevereiro, pelas páginas que conseguimos ter da mesma referida revista Stadium, visualizamos alguns lances de um Porto-Covilhã, em jogo para o Campeonato que findou com um dilatado 4-1 no marcador a favor das hostes azuis e brancas. Numa tarde de bola que, além de um golo de Gastão a ajudar à festa, ficou marcada por três golaços de Vital (o marcador do primeiro golo do F. C. Porto no estádio das Antas, recorde-se, e pai do igualmente atacante que, anos mais tarde, na década de oitenta, também representou o F. C. Porto). 

Na pertinência, e a propósito também da indicação explicativa quanto à hereditariedade referente aos dois Vitais, pai e filho, pode-se acrescentar ainda que o Gastão referido, que então marcou um golo e atuava no F. C. Porto nesses idos de finais dos anos quarentas, não era o mesmo Gastão, brasileiro, que alinhou com a camisola azul e branca depois na década de cinquenta e foi campeão pelo F. C. Porto inclusivamente. Do primeiro Gastão, luso-africano, por sinal, apareceu na mesma publicação da Stadium, na respetiva edição de 16 de Fevereiro de 1949, uma caixa a louvar a sua abnegada atitude, na ocasião…

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Até que, nesta deambulação memorial, paramos mais nos confins da memória, recuando a 1948, para possibilitar uma visão dum outro prélio entre o F. C. Porto e o Guimarães, este para o campeonato de 1947/48. E para alternar geograficamente no tempo, recordamos, para o efeito, um confronto havido em Guimarães, quando o campo da Amorosa estava em pleno como casa dos vitorianos. Onde, dessa vez, o F. C. Porto venceu por três golos sem resposta, apontados por António Araújo (2) e Sanfins. Vencendo e convencendo, sem apelo nem agravo, tal o resultado. Ficou dele para a história as imagens existentes, insertas na Stadium de 14 de Janeiro de 1948, aí sem mais delongas nem parangonas.


© Armando Pinto 

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

“Sticada” Hoquista, na apresentação atual… e relançamento memorial: Relembrando a Taça Amizade – entre factos do Hóquei em Patins Portista.


Estamos com Agosto a caminhar apressadamente para dias de afrouxamento ambiental, mais de aproximação ao Outono, nestes finais do tempo soalheiro. Quando o desporto volta à ribalta do interesse geral, não só pela bola de futebol já estar a rolar oficialmente, mas pelas modalidades cuja atividade já faz eco nos pavilhões. 

Assim, decorreu esta passada terça-feira, dia 21, a apresentação da equipa sénior do hóquei em patins do F. C. Porto. Num início para nova época desde logo apontada com objetivo de recuperar o título máximo nacional e, dentro do possível, lutar pela ambicionada conquista de mais um título europeu. Pois, como Tó Neves foi dizendo no Porto Canal, a vida faz-se a olhar para a frente. Contudo, acrescentamos, sem descurar como visão lateral o que se passou anteriormente, refletindo a lição da época passada.


Ora, a atualidade da secção de hóquei patinado Portista passa por situação de alterações significativas: Quanto a permanências, continuam no clube Edo Bosh, Nélson Magalhães, Reinaldo Ventura, Caio, Tiago Santos e Pedro Moreira. Havendo nas entradas a vinda de Ricardo Barreiros (ex-Liceo da Corunha - Galiza), Jorge Silva (ex-Candelária, dos Açores), regressado; Vítor Hugo (ex-Oliveirense) e Hélder Nunes (ex-H.C. Braga). Enquanto se deu afastamento pelo fim de carreira do Filipe Santos e se verificaram as saídas de Nélson Pereira (para a Oliveirense), Gonçalo Suíssas (Candelária), Pedro Gil (Valdagno, Itália), além dos jovens Telmo Pinto (Valongo) e Tomás Castanheira (H.A. Cambra). 

Na situação presente, acresce que Caio não poderá ajudar a equipa quando começar a época. O avançado foi suspenso pelas instâncias federativas, derivado a motivos burocráticos, e só poderá jogar a partir de Janeiro. Porém, poderá participar nos treinos.


Entretanto, a pré-época decorrerá sob limitação evidente, visto o F. C. Porto ter quatro dos seus hoquistas ao serviço da seleção nacional que, de momento, prepara a próxima participação de Portugal no Europeu da modalidade ao nível de nações. 

Assim sendo, a equipa orientada por Tó Neves começou a trabalhar no Dragão Caixa, com muitos planos para 2012/13. O técnico portista recordou os objetivos falhados em 2011/12 e virou-se para o futuro: «A equipa está com vontade de formular objetivos que passam pelo campeonato, final da Taça de Portugal e “final-four” da Liga Europeia. Será uma pré-época complicada, mas tudo faremos para tornear as situações e chegar ao início do campeonato na máxima força». Assegurando que esta é «uma equipa diferente», enquanto sublinha: «quero um FC Porto mais competitivo, os adversários são todos iguais».


Enquanto isso, na espera pelo início da época de competição de clubes (já que antes haverá ainda a seleção lusa a entrar em rinque), virá a talhe de foice, metida em nossa própria seara, um relance por tempos em que havia provas oficiais de preparação, como a Taça Preparação e o Torneio Abertura, com as melhores equipas da área da Associação de Patinagem do Porto, antes do início das competições de maior envergadura. E no encerramento de cada época a Taça Amizade, com as melhores equipas também, como que num apogeu de epílogo das hostilidades. Calhando então um olhar para trás, remirando memórias desses outros tempos, até para relembrar títulos conquistados outrora, que estão quase completamente esquecidos em certos setores.

Com efeito lemos há tempos uma afirmação, algures, que o F. C. Porto só venceu competições oficiais a partir dos anos oitenta, com exceção do Metropolitano, em finais dos anos sessentas. Com efeito o F. C. Porto ostenta esse título Metropolitano, conquistado em 1968/1969 - o campeonato das equipas metropolitanas (porque nesse tempo do Estado Novo, havia uma fase final com equipas das províncias ultramarinas). Mas, para haver rigor verdadeiro, alguns outros títulos mais foram obtidos, entretanto, não com a importância dos campeonatos nacionais que tardaram a ser conseguidos, efetivamente, mas outras provas oficiais.

Cristiano, desbaratando a defesa da equipa do Académico, do Porto...

Desse modo, convirá recordar uma dessas conquistas, entre diversos exemplos, como era a Taça Amizade. Uma das provas que serviam de preparação ou encerramento da época, disputando-se precisamente no início ou ao chegar o final das épocas, nesse caso antes da entrada no defeso. Trazendo-se, para o efeito, como vislumbre recordatório - da Taça Amizade - um recorte do jornal O Porto de 22 de Junho de 1968, dando conta do torneio com esse fim. Quando no panorama hoquístico ainda sobressaiam as camisolas brancas sobre calções pretos academistas, que haviam feito história no desporto do aléu. Em ano em que o F. C. Porto eliminou outro histórico, nesse tempo grande candidato aos lugares cimeiros e eterno rival, o Valongo, derrotado nas meias-finais; e, por fim, o Académico do Porto acabou por também soçobrar na final, dessa prova oficial.


Dessas eras passadas aguçam a curiosidade as imagens contemporâneas, tal qual as expostas mais acima, de jogos antigos com o Valongo e o Académico. Servindo ainda de lenitivo, como farol avistado nestas horas de bruma, na neblina que começa a alcançar o semblante do mistério ambiental, tal a sensação do ocaso estival. Guiando-nos pelas estrelas… Não as do horizonte em noites de céu limpo, mas as das constelações do universo Portista, incluindo hoquistas como Cristiano, o nosso ídolo hoquista desses tempos. Mais: o único jogador de hóquei em patins do F. C. Porto com lugar na seleção portuguesa até aos anos setentas, mesmo o atleta mais emblemático no prestígio do F. C. Porto através dos stiques, qual bandeira do clube a nível do jogo disputado sobre patins.


© Armando Pinto 

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Futebol ou Râguebi...? E se não fosse o F. C. Porto...?!


Ah, se aquela placagem, tipo râguebi, do fulano do Gil Vicente ao Kléber, se fosse a um qualquer dos mouros, o que não ia por aí na comunicação social... Como haveria já uma campanha enervantemente contínua de lavagem ao cérebro da opinião pública... Assim, como foi um penalti descarado mas não marcado a favor do F. C. Porto... nem tugem nem mugem... Estão todos calados, a ver se passa...e não faz mossa!

(Imagem, com a devida vénia, retirada da página de facebook do amigo Manuel J P Macedo.)  

= Placagem... O tal agarrão, que durou um tempinho e durante uns metritos, terminando com o inevitável derrube, que só mentes perversas e mal intencionadas não viram nem querem ver...!

Começou assim, com sabor quase a fel, o campeonato da Liga 2012/2013...


Se o F. C. Porto tivesse marcado um golo, bastando converter um dos 3 (três) penaltis existentes e que o árbitro e seus auxiliares escamotearam, para ser verdadeiro em pensamento, direi mesmo nos "roubaram" - trazendo injustiça ao resultado - tudo seria diferente. Não haveria outro panorama...

Já dizia o Hernâni, e está a voltar a ver-se, que o F. C. Porto não pode só ser melhor que os outros, tem que ser muitíssimo melhor, para superar tudo o resto...! 

Armando Pinto

sábado, 18 de agosto de 2012

Artigo d’ O Porto, em Homenagem a Joaquim Sousa Santos - no conhecimento de sua morte…


Morreu Joaquim Sousa Santos, antigo ciclista vencedor da Volta a Portugal em bicicleta de 1979, ao serviço do F. C. Porto. Falecido na sequência de doença prolongada, com 58 anos, ao princípio da noite de sexta-feira, dia 17, esse que foi antigo desportista e era médico de profissão.

Por um comentário entrado na caixa deste nosso blogue, ao artigo sobre o antigo ciclista Mário Silva, soube o autor do sucedido com o também antigo ciclista Sousa Santos filho. Volvido pouco tempo, apareciam notícias relacionadas com o infausto acontecimento, através de postagens de amigos no facebook, segundo nota informativa da Federação Portuguesa de Ciclismo, difundida pela comunicação social. 

Em tempo mediático de ciclismo, junta-se um tema muito diferente, infelizmente, logo andando pelo País a corrida de bicicletas mais tradicional, embora sem o antigo fulgor popular, nem coisa que se pareça, desde que os grandes clubes desportivos deixaram de competir também nos pedais.


Desaparecendo assim e tão cedo esse nome que foi uma referência do panorama do ciclismo luso, um inesquecível atleta que soube dignificar o nome do F. C. Porto, vem a talhe justo tributo em sua memória: 

Joaquim Sousa Santos nasceu em 13 de Outubro de 1953 na freguesia de São João de Ver, concelho de Santa Maria da Feira. Era filho de um outro ex-ciclista com o mesmo nome - o famoso Sousa Santos que integrou equipas célebres do F. C. Porto na década dos anos cinquenta, dos tempos de Sousa Cardoso, Carlos Carvalho, Artur Coelho, Emídio Pinto, Agostinho Brás, Azevedo Maia, Mário Sá, Mário Silva e cª . 

Joaquim Sousa Santos (filho) representou o Sangalhos, o União de Coimbra, o Bombarralense e o F.C. Porto, tendo a sua carreira durado desde 1972 até 1980. Ganhou a Volta a Portugal de 1979, como representante do F. C. Porto, tendo ainda obtido um 2º, 5º e 8º lugares na Volta. Competição essa, a prova-rainha do ciclismo português, em que ganhou várias etapas, além de ter envergado, também, a camisola amarela por outras vezes. Foi ainda Campeão Nacional de Pista (Perseguição). No estrangeiro, foi 3º classificado e vencedor de 2 etapas na Volta a Málaga e 9º classificado na Semana Catalã.


Como homenagem memoranda à sua ligação ao desporto dos pedais e ao F. C. Porto, trazemos até aqui, para partilhar, um artigo escrito pelo autor há já muitos anos, no jornal O Porto, dos tempos em que tivemos oportunidade de colaborar no antigo órgão de comunicação do F. C. Porto. Por se tratar dum memorando sobre o historial do ciclismo do FC Porto, até então, quando a vitória de Joaquim Sousa Santos na Volta a Portugal estava ainda de fresco, nesse tempo. Sendo o artigo coincidente com a apresentação da equipa Portista para a nova época, a que decorreria em 1980 - daí o título: UM POUCO DE HISTÓRIA – NA APRESENTAÇÃO DO CICLISMO FAZ BEM LEMBRAR!

Para o efeito, retiramos dos arcanos essa crónica publicada n’ O Porto de 28 / 11 / 1979 – da qual digitalizamos o artigo em parcelas, para melhor visualização. Primeiramente numa vista de meia página (postada aí acima), a dar uma visão mais ampla, e de seguida, mais abaixo, todo o texto repartido em retalhos, para proporcionar melhor leitura.





(Como se pode ver, aparecem umas correções manuscritas, apostas pelo autor. Derivado a gralhas tipográficas que surgiam involuntariamente na publicação. Porque nesse tempo enviávamos o texto datilografado em papel e lá na redação tinham depois de o passar novamente, revertendo-o através dos carateres metálicos com que era feita a composição nas páginas. Processo esse que levava ao surgimento de erros, não raras vezes até com linhas alteradas, inclusive letras e números ao contrário, de forma inversa ou até de pernas para o ar.)

Armando Pinto 

»»»»» Clicar sobre as digitalizações, para ampliar. 
Podendo ser ainda aumentado o zoom. ««««««


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Mário Silva: Um “Ás dos Pedais” dos Anos de Ouro do Ciclismo do F. C. Porto


Está na estrada, nesta época, percorrendo o país, embora aos esticões, a Volta a Portugal em bicicleta. A prova rainha do ciclismo português e uma tradicional manifestação desportiva que costuma prender atenções. 

Aproveitando a maré, neste tempo de férias de veraneio, calha a preceito evocar uma figura expoente da modalidade que muito se distinguiu ao serviço do F. C. Porto, nesse desporto que marcou gerações em captação de simpatias e entusiasmos. Havendo sido força motriz no surgimento de Portismo em muitos corações desde então apaixonados pelo clube azul e branco da Invicta.

Daí que advenha nestas alturas sempre ao pensamento alguns ciclistas laureados com a coroa de louros da vitória, conforme por exemplo o ciclista Mário Silva. O qual nos anos sessentas, do século XX, era como que um embaixador Portista de alta patente, num plano superior em que o víamos, quase como se sua bicicleta fosse um trono, de onde dava asas a sonhos de o ver cruzar a linha de chegada de braço levantado, em sinal de vitória Portista.


Ora o ciclismo sempre foi em Portugal, também, um espetáculo de multidões, passando às terras quase todas e de todos, por assim dizer. Tendo sido, especialmente entre as décadas de quarenta a oitenta, durante o período áureo que contou com equipas de clubes, e extensivas atenções dos adeptos pelas afeições clubistas, um desporto detentor de grande entusiasmo popular, recebidos como eram os ciclistas como autênticos heróis por entre fileiras de entusiastas delirantes, ladeando as estradas.

Enquanto, nesses tempos, como o futebol vivia então de modo acentuado no regime de domínio feudal dos clubes da capital política, o famoso BSB, sob presidências federativas exclusivamente permitidas a representantes de Benfica, Sporting e Belenenses, era no ciclismo que os Portistas podiam competir abertamente, de peito feito ao vento e através do esforço dos músculos, por não haver árbitros. Apesar de, mesmo assim, os clubes do costume conseguirem de vez em quando intrometer artimanhas de bastidores… desde hábitos advindos de eras recuadas, sabendo-se que até aos anos quarenta os clubes do Norte tinham um limite fixado para a constituição das equipas concorrentes à Volta, muito inferior aos clubes de lá mais para sul, tendo sido o F. C. Porto que lutou contra esse estado, até conseguir poder competir em igualdade com os clubes do sul…

= Recorte da revista Stadium, na aproximação (em tempo de inscrições) à Volta de 1947.= 

Sentiu-se bem, por esses lustros, o que era andar na frente das corridas, de como a vida tinha sentido no fervor provocado em cada pedalada na dianteira. E vibrávamos com o esforço que apreciávamos, nos ciclistas levantados do selim a dar aos pedais. Então nas etapas de montanha era um hino clubista ver as camisolas azuis e brancas, como se as sentíssemos transpiradas, acompanhando pelas comunicações das emissoras de rádio a evolução, quanto o esforço dos corredores do Porto se sobrepunha em luta renhida contra o ar e espaço que outros ocupassem. Nas subidas e descidas. Numa constatação de que para cima não há santo que empurre, mas ao baixo todos os santos ajudam


Pois, como o ciclismo teve todo um passado heroico e glorioso dentro da Vida do F. C. Porto, convém não esquecer que o F.C. Porto é ainda o Clube com mais triunfos individuais na Volta a Portugal, apesar de há muito ter sido suspensa a atividade ciclista no Clube. Tendo acontecido, então, que o Porto conseguiu o maior número de sucessos, entre 1948 até 1982, através de 11 corredores triunfantes, dos quais Dias dos Santos até bisou, acrescendo que em 1949 o FCP conseguiu meter cinco dos seus ciclistas nos cinco primeiros Lugares, entre outras curiosidades de relevo.

Segundo dados oficiais, o F.C. Porto participou em 36 Voltas a Portugal, a primeira das quais em 1934, e com duas equipas, de Fortes e Fracos (como ao tempo eram considerados os de primeira e segunda categoria ou reservas), ao passo que a primeira vitoria de um ciclista do Porto em etapas da Volta foi em 1946, através do ciclista Onofre Tavares (que antes já havia sido 3º da Geral), o qual foi também o primeiro Camisola Amarela da História do F.C. Porto, na 1ª etapa entre a Cova da Piedade e Setúbal. Já a última vitoria do F. C. Porto numa meta final de etapa foi por Alexandre Ruas em 1983 (na 11ª etapa, entre Covilhã e Mangualde, de 144 km), enquanto a última oportunidade de um ciclista azul e branco ter andado vestido com a camisola amarela foi por meio de Marco Chagas em 1982.


Entretanto, a nível coletivo o F.C. Porto venceu a Volta na classificação de equipas por 13 vezes, em 1948, 1949, 1950, 1952, 1955, 1958, 1959, 1962, 1964, 1969, 1979, 1980 e 1981. E individualmente os ciclistas do F. C. Porto venceram a Volta por 12 vezes, incluindo o quadro de honra: Fernando Moreira - em 1948, Dias dos Santos - 1949 e 1950, Moreira de Sá - 1952, Carlos Carvalho - 1959, Sousa Cardoso - 1960, Mário Silva - 1961, José Pacheco - 1962, Joaquim Leão - 1964, Joaquim Sousa Santos - 1979, Manuel Zeferino - 1981, e Marco Chagas em 1982. 

Dentre todos esses e tantos mais, avultava então Mário Silva, simpático ciclista de semblante retraído pela concentração semeada em esforço pelos percursos percorridos. Um dos nossos ídolos da infância e tempos iniciais de adolescência, um nome que nos despertava as melhores venturas da meta sempre desejada. Era um Ás dos pedais, como se dizia dos melhores valores na disputa dos lugares da frente das corridas de bicicletas.


Mário Silva Pereira, como era seu nome completo, nasceu a 5 de Outubro de 1939, não numa viagem medieval como nos dias que correm são por essas bandas recriadas épocas remotas, mas num dia feriado, em Caldas de S. Jorge, na área da então Vila da Feira, hoje terras de Santa Maria da Feira – a talhe de guerreiro que veio a revelar-se nas estradas nacionais e internacionais, feito um vencedor. Tornado depois, em sua juventude, um desportista valoroso, como ciclista de Portugal. Em cujo currículo, além de muitas provas e títulos diversificados, houve um feito histórico marcante no palmarés deste ciclista de excelência: o triunfo na Volta a Portugal em 1961.

Aparentemente frágil, Mário Silva era um corredor de fibra, estóico e com enorme capacidade de liderança. Intransigente na defesa da equipa e da modalidade, foi um dos mais emblemáticos representantes do ciclismo no F.C. Porto. Tendo aparecido à visibilidade nacional mediante uma estreia vitoriosa na maior prova portuguesa por etapas.

= Mário Silva com o equipamento da seleção portuguesa, que levou a Itália nos Jogos Olímpicos de Roma 1960.= 

Com efeito, depois de auspicioso início de carreira, perante vitórias em provas da Associação de Ciclismo do Porto, começou a dar nas vistas como ridente promessa do ciclismo luso, a pontos de em 1960 ter sido escolhido para fazer parte da seleção nacional que foi aos Jogos Olímpicos de Roma. Mas foi no ano seguinte que pela primeira vez alinhou à partida da Volta a Portugal, integrando a equipa do F C Porto. E não podia ter tido melhor batismo de corrida grande, pois logo no começo como sénior principiou a vencer a Volta a Portugal, em 1961, cotando-se como supremo representante do F. C. Porto. Foi tamanha a conquista, que esse triunfo merece um destaque especial, nestas recordações.


Ao entrar logo na equipa principal já queria dizer muito, pois a formação do F. C. Porto era poderosa, por esses tempos, composta como era por valores quase de nível idêntico entre eles, a pontos de haver então um verdadeiro jogo de equipa, fraternal e taticamente preparado no âmbito interno, de modos que numas provas ganhavam uns, noutras outros, dando para todos. Diziam os adversários que os corredores do Porto eram tão fortes que qualquer lugar posicionado no meio deles já era muito bom…


Nesse ano, antes da Volta a Portugal, haviam estado em representação do País dois ciclistas do F. C. Porto na Volta a Espanha, Sousa Cardoso e Carlos Carvalho. Tal como nos anos anteriores haviam incluído a seleção nacional na mesma “Vuelta” os Portistas Sousa Cardoso, Artur Coelho, Sousa Santos e Emídio Pinto. E em 1959 Sousa Cardoso andou na Vota a França; enquanto Artur Coelho e Emídio Pinto disputaram algumas clássicas francesas, inclusive Artur Coelho fez um bom 2º lugar no Paris- Evreux (na linha da sua anterior vitória na clássica brasileira do 9 de Julho –Volta a São Paulo, em 1957), tal como outro 2º lugar da classificação obteve Emídio na Volta a Leon. O que mostra bem o valor da equipa, naquele tempo.


Curiosamente, iniciada a Volta portuguesa desse ano de 1961, após as primeiras pedaladas e durante sucessivas etapas em que a camisola amarela andou por diversos dorsos, surgiu um dia, à 11ª tirada da “Volta”, em que o F. C. Porto foi preterido à partida, vítima das invejas dos adversários. Acontecera que a equipa sofreu um surto gástrico, num facto à época tido em surdina como uma espécie de boicote… embora publicamente encapotado como ocorrência diferente. Uma gastroenterite diagnosticada pelo médico, «fosse pelo bacalhau que os ciclistas da equipa comeram ao almoço, ou água inquinada, vinho gelado ou por qualquer outra razão, a verdade é que os corredores do F.C. Porto chegaram tarde ao local da partida da 11ª etapa Tavira-Beja já com a largada dada. O diretor da corrida não esperou e dera ordem de saída. Então o conjunto fragilizado do clube das Antas teve de iniciar a etapa com substancial atraso. Isso depois de uma noite em que ninguém da comitiva do clube nortenho pregara olho. Os que estiveram em piores condições, com diarreias, vómitos, tonturas e febre, foram Mário Sá, Sousa Santos e Júlio Abreu, mas destes, nesta “etapa maldita”, só os dois últimos vieram a desistir, juntamente com José Pinto e Artur Coelho.»


«Porém, os que restaram da equipa não se deixaram vencer pelo desespero e quatro dias depois, no final da etapa de Covilhã para Guarda, Mário Silva conquistou a camisola amarela. Este caso da intoxicação dos corredores Portistas teve, no entanto, repercussões disciplinares devido ao facto do diretor da equipa do F.C. Porto, Franklin Cardoso, ter insultado em público o diretor da corrida, pela indiferença que revelou perante o drama vivido pelos seus corredores, o que, em sua opinião, justificava perfeitamente que a partida tivesse sido atrasada. Os insultos valeram-lhe um severo castigo.» Porque era do F. C. Porto, como é fácil perceber… comparativamente a ocorrências passadas com pessoas de outras equipas. Mas, aí, a vingança foi servida a frio e na hora… «Resistindo a todas as adversidades e a todos os ataques, Mário Silva (FC Porto) ganhou a Volta, com 57segundos de vantagem sobre o italiano Marcoletti (Ignis). Sousa Cardoso, o principal favorito até ter adoecido, acabou por se classificar em 12º, à frente até de Alves Barbosa.» 


«Andaram os homens do Académico a comandar a corrida até à Serra da Estrela, para no contra-relógio para a Guarda, despontar na ribalta da Volta a figura de Mário Silva, que a partir daí se manteve na frente… também pelo enquadramento que os seus colegas de equipa lhe proporcionaram.»


Dessa façanha, com toda a envolvência e consequências emotivas, mais sensações delirantes, dão testemunho as anexas imagens coevas, quer por gravuras de recortes dos jornais da época, como em desenhos insertos num álbum de banda desenhada, editado mais tarde, historiando a competição, sob título d' Os Heróis da Estrada.


«Foi, pois, Mário Silva no já referido contra-relógio, quem salvaria o FC Porto, garantindo-lhe a sequência de vitórias... Essa Volta de 1961 teve ainda a particularidade de ter sido a mais rápida das que até aí se realizaram, pois Mário Silva realizou a média de 36,755 Kms/h. Acrescendo à sua vitória, nesta edição, um reforço de também ter sido valorizada pela forte oposição que encontrou nos italianos e espanhóis, nomeadamente de Marcoletti, o segundo classificado que ficou a escassos 57 segundos. Se acrescentarmos que em terceiro lugar se classificou Alberto Carvalho (do Académico) a 23m 25s, ter-se-á uma ideia mais concreta do que foi o renhido duelo que teve de travar com o italiano.»

= Mário Silva do F.C.Porto, com a coroa de louros de grande vencedor da Volta de 1961! Envergou a camisola amarela durante 11 etapas, desde a 14ª etapa até a ultima, com chegada à pista do Estádio José de Alvalade, em Lisboa, a 16 de Agosto de 1961. Esta Volta teve a particularidade de ter sido a mais rápida das que até então se realizaram, perante a marca do “Mário Silva do Porto”, 
 fazendo como conseguiu a corrida à média de 36,755 km/h. 

Na evolução da carreira Mário Silva passou a demandar também outras paragens, sempre com a camisola azul e branca colada ao corpo. Numa dessas vezes sucedeu que em 1962, na Volta à França do Futuro, Mário Silva foi vítima duma atitude antidesportiva praticada pelo suíço Binguelli, que atirou ao chão o ciclista português a fim de permitir que o seu compatriota Heeb vencesse o Prémio da Montanha. O ciclista helvético foi penalizado com 5 minutos, mas mesmo assim, tanto os ciclistas como os clubes não calaram a sua indignação, pois Mário Silva viu-se relegado para o segundo lugar na classificação dos Trepadores. Época esta em que Mário Silva na Volta a Portugal triunfou na montanha, além de, no tal trabalho de equipa, ter ajudado o colega José Pacheco a sair vencedor da Volta.

Continuando em recordações mais voltadas à Volta a Portugal, já no ano seguinte uma infelicidade bateu-lhe à porta, ou pior na roda da bicicleta, vítima que foi de queda… não tendo podido completar essa Volta.


Depois disso, a carreira foi decorrendo dentro que possível, sempre em lugares da frente do pelotão. Participou na Volta à Espanha, em 1962 e 1963, 1965 e 1966, onde obteve um 23.º e 34.º lugar como posições de maior destaque, e na Volta à França do Futuro, já referida, onde obteve o tal 2.º lugar no Prémio da Montanha. 

Bom trepador e contra–relogista, além da sua vitória na Volta de 1961, conseguiu, durante as dez participações que teve na Volta a Portugal, ainda mais dois 3.º lugares da Geral (nas Voltas de 1965 e 1969), dois 4.º, dois 6.º, um 7.º lugares (todos pelo F. C. Porto) e por fim um 10.º lugar (na última participação na Volta, quando correu como individual). Fora uma desistência por impedimento físico, após a queda que teve em 1963. Enquanto ciclista do F. C. Porto venceu três etapas, no decurso das participações a que juntou ter obtido um 1.º lugar de direito à camisola azul de trepador (sendo “Rei da Montanha” da Volta de 1962) e um 3.º lugar no Prémio da Montanha. Em cuja longevidade participativa andou com a camisola amarela num total de 18 dias, constando assim em posição destacável entre os ciclistas que envergaram a camisola amarela da liderança da caravana voltista.


Somando a isso tudo, em seu palmarés, no percurso em que representou o F.C. Porto, Mário Silva venceu mesmo várias provas mais, entre as quais: em 1962 o 2ª Grande Prémio do F. C. Porto (prova oficial do calendário da Federação Portuguesa de Ciclismo, com aval de patrocínio do F. C. Porto), em cuja época o popular “cara de menino”, como carinhosamente muitos admiradores identificavam este seu ídolo, conquistou ainda outra honra: a “Roda de Ouro”. Depois, em 1965 o 2º Grande Prémio Robbialac; e em 1966 o Circuito de Rio Maior; havendo também alcançando ainda um 3.º lugar no Porto – Lisboa em 1967. 

De permeio, ao nível internacional e nas solicitações pátrias, esteve nos Jogos Olímpicos de 1960, em Roma; e no Mundial de Ciclismo, fazendo parte das seleções portuguesas que estiveram presentes no Mundial de Estrada de 1965 e 1966.


Ainda dentro da interajuda coletiva, Mário Silva teve algumas participações mais vistosas nalgumas edições das Voltas que se foram sucedendo, tais como em 1965, quando disputou palmo a palmo a vitória, que se escapou depois de renhida disputa, apesar de ainda ter vencido de forma categórica o respetivo contra-relógio. Bem como em 1966, envergando a amarela numa tarde manifesta de grande fervor clubista, seguido de dias de grande empenho. Tendo então vencido a 11ª etapa da Volta / 66, num contra-relógio de 46 km entre o Fundão e Castelo Branco, e nessa Volta de 66, durante 7 etapas manteve a camisola Amarela.


Tal qual em 1967, quando vestiu a amarela durante dias e, depois de a ter perdido, ainda esteve prestes a conseguir a sua recuperação. Como naquele ano em que ajudou ao máximo Cosme de Oliveira a manter a camisola amarela que o mesmo conseguira, durante dias de acesa luta contra outras equipas deveras apetrechadas… Como depois, em 1969, de forma épica subiu a Estrela quase rebocando J. Luís Pacheco, que assim manteve a amarela e acabou por vencer o Grande Prémio Philips.


…E ainda em 1969 teve mais uma brilhante atuação na etapa da Volta a Portugal que passou pelas montanhas da serra da Estrela, dessa vez após descida com meta final em Seia, que venceu e então chegou a morder os calcanhares a Agostinho e Andrade (no ano em que Joaquim Andrade beneficiou do doping acusado pelo organismo de Joaquim Agostinho).

= Mário Silva recebe um efusivo abraço do então Vice-presidente Dr. Miguel Pereira (e antigo Presidente da Direção do F C Porto), no final da 3ª etapa da Volta de 1966, entre Vila do Conde e Fafe, de 213 km, quando passou a envergar a camisola amarela, nesse ano, em mais uma liderança da prova-rainha 
do ciclismo português.

= Mário Silva incluído numa formação do F C Porto de meio da década de 60, composta por (a partir da esquerda): Joaquim Freitas, Mário Silva, Cosme Oliveira, Joaquim Leão, Mário Sá, José Pacheco e o massagista Joaquim Lopes (Lopinhos).


= “Mário Silva do Porto”, vence a 19ª etapa da Volta de 1967, entre Covilhã e Viseu de 132 km.

= Volta de 1967, Mário Silva do Porto, na frente do pelotão, para responder a um eventual ataque, em defesa do seu colega de equipa o camisola Amarela Cosme de Oliveira, (indo na sua roda Fernando Mendes do Benfica, e os Sportinguistas João Roque e Leonel Miranda).





= Mário Silva em plenas subidas da Estrela… Conforme páginas de arquivo pessoal do autor, de apontamentos quando muito jovem acompanhava a par e passo tudo o que fosse do Mundo Portista e, no caso, particularmente do ciclismo do F C Porto…

= 1969 - Mário Silva do Porto, vence a 23ª etapa entre Alcains e Seia de 107 km, e Joaquim Andrade do Sangalhos nesta etapa arrebata a camisola Amarela a Fernando Mendes do Benfica. Enquanto Agostinho aparecia em 4º lugar a 33segundos.


Em finais de 1969, não chegando a acordo com o F C Porto, e inclusive entrando em rutura com elementos da Direção do clube e diretores da secção, como afirmou numa entrevista à RTP, Mário Silva aceitou um convite da equipa moçambicana da Fagor, ficando a correr como individual durante a que viria a ser a última época de sua carreira de ciclista.

= 1970 - A equipa de Ciclismo Brasileira da Caloi, que participou na Volta de 70, e à direita vê-se Mário Silva (junto ao trio brasileiro, na apresentação ao público) alinhando na Volta como individual, ao serviço da Fagor.


Terminada a carreira, passados muitos anos, entretanto, em 2007 Mário Silva foi alvo de uma homenagem na sua terra, em Caldas de S. Jorge, Santa Maria da Feira, por meio duma iniciativa do grupo “Vá lá, vá lá, podia ser pior”, de S. Jorge. Num tributo prestado por aquela entidade que organizou essa sessão de homenagem ao seu conterrâneo antigo vencedor da Volta a Portugal. Uma festa “há muito merecida”, como foi afirmado nessa ocasião. Contando também com a presença do presidente do F.C. Porto, numa surpresa justificada por Pinto da Costa dizendo que não poderia faltar ao reconhecimento público prestado a tal antigo atleta do F.C. Porto.


Volvidos tempos, em 2009, Mário Silva foi também alvo duma homenagem coletiva no F. C. Porto, tendo estado inserido entre Figuras do F. C. Porto dignas de reconhecimento perene e nesse sentido, numa parada de estrelas presentes à inauguração do novo pavilhão gimnodesportivo, o Dragão Caixa. Em cujo âmbito, o mesmo (junto com Américo, antigo grande guarda-redes de futebol; o bi-Bota Gomes; o capitão de Viena João Pinto; os hoquistas Cristiano, Joaquim Leite e Victor Hugo; as medalhadas Aurora Cunha e Fernanda Ribeiro; e diversos outros, num total de 22 nomes célebres do Historial do F.C. Porto) Mário Silva fez então parte do grupo de Lendas do F C Porto, por entre atletas vivos, ao tempo, que ali receberam pública homenagem, no culminar do programa festivo de tanto impacto Portista.


Armando Pinto 

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