sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Mário Silva: Um “Ás dos Pedais” dos Anos de Ouro do Ciclismo do F. C. Porto


Está na estrada, nesta época, percorrendo o país, embora aos esticões, a Volta a Portugal em bicicleta. A prova rainha do ciclismo português e uma tradicional manifestação desportiva que costuma prender atenções. 

Aproveitando a maré, neste tempo de férias de veraneio, calha a preceito evocar uma figura expoente da modalidade que muito se distinguiu ao serviço do F. C. Porto, nesse desporto que marcou gerações em captação de simpatias e entusiasmos. Havendo sido força motriz no surgimento de Portismo em muitos corações desde então apaixonados pelo clube azul e branco da Invicta.

Daí que advenha nestas alturas sempre ao pensamento alguns ciclistas laureados com a coroa de louros da vitória, conforme por exemplo o ciclista Mário Silva. O qual nos anos sessentas, do século XX, era como que um embaixador Portista de alta patente, num plano superior em que o víamos, quase como se sua bicicleta fosse um trono, de onde dava asas a sonhos de o ver cruzar a linha de chegada de braço levantado, em sinal de vitória Portista.


Ora o ciclismo sempre foi em Portugal, também, um espetáculo de multidões, passando às terras quase todas e de todos, por assim dizer. Tendo sido, especialmente entre as décadas de quarenta a oitenta, durante o período áureo que contou com equipas de clubes, e extensivas atenções dos adeptos pelas afeições clubistas, um desporto detentor de grande entusiasmo popular, recebidos como eram os ciclistas como autênticos heróis por entre fileiras de entusiastas delirantes, ladeando as estradas.

Enquanto, nesses tempos, como o futebol vivia então de modo acentuado no regime de domínio feudal dos clubes da capital política, o famoso BSB, sob presidências federativas exclusivamente permitidas a representantes de Benfica, Sporting e Belenenses, era no ciclismo que os Portistas podiam competir abertamente, de peito feito ao vento e através do esforço dos músculos, por não haver árbitros. Apesar de, mesmo assim, os clubes do costume conseguirem de vez em quando intrometer artimanhas de bastidores… desde hábitos advindos de eras recuadas, sabendo-se que até aos anos quarenta os clubes do Norte tinham um limite fixado para a constituição das equipas concorrentes à Volta, muito inferior aos clubes de lá mais para sul, tendo sido o F. C. Porto que lutou contra esse estado, até conseguir poder competir em igualdade com os clubes do sul…

= Recorte da revista Stadium, na aproximação (em tempo de inscrições) à Volta de 1947.= 

Sentiu-se bem, por esses lustros, o que era andar na frente das corridas, de como a vida tinha sentido no fervor provocado em cada pedalada na dianteira. E vibrávamos com o esforço que apreciávamos, nos ciclistas levantados do selim a dar aos pedais. Então nas etapas de montanha era um hino clubista ver as camisolas azuis e brancas, como se as sentíssemos transpiradas, acompanhando pelas comunicações das emissoras de rádio a evolução, quanto o esforço dos corredores do Porto se sobrepunha em luta renhida contra o ar e espaço que outros ocupassem. Nas subidas e descidas. Numa constatação de que para cima não há santo que empurre, mas ao baixo todos os santos ajudam


Pois, como o ciclismo teve todo um passado heroico e glorioso dentro da Vida do F. C. Porto, convém não esquecer que o F.C. Porto é ainda o Clube com mais triunfos individuais na Volta a Portugal, apesar de há muito ter sido suspensa a atividade ciclista no Clube. Tendo acontecido, então, que o Porto conseguiu o maior número de sucessos, entre 1948 até 1982, através de 11 corredores triunfantes, dos quais Dias dos Santos até bisou, acrescendo que em 1949 o FCP conseguiu meter cinco dos seus ciclistas nos cinco primeiros Lugares, entre outras curiosidades de relevo.

Segundo dados oficiais, o F.C. Porto participou em 36 Voltas a Portugal, a primeira das quais em 1934, e com duas equipas, de Fortes e Fracos (como ao tempo eram considerados os de primeira e segunda categoria ou reservas), ao passo que a primeira vitoria de um ciclista do Porto em etapas da Volta foi em 1946, através do ciclista Onofre Tavares (que antes já havia sido 3º da Geral), o qual foi também o primeiro Camisola Amarela da História do F.C. Porto, na 1ª etapa entre a Cova da Piedade e Setúbal. Já a última vitoria do F. C. Porto numa meta final de etapa foi por Alexandre Ruas em 1983 (na 11ª etapa, entre Covilhã e Mangualde, de 144 km), enquanto a última oportunidade de um ciclista azul e branco ter andado vestido com a camisola amarela foi por meio de Marco Chagas em 1982.


Entretanto, a nível coletivo o F.C. Porto venceu a Volta na classificação de equipas por 13 vezes, em 1948, 1949, 1950, 1952, 1955, 1958, 1959, 1962, 1964, 1969, 1979, 1980 e 1981. E individualmente os ciclistas do F. C. Porto venceram a Volta por 12 vezes, incluindo o quadro de honra: Fernando Moreira - em 1948, Dias dos Santos - 1949 e 1950, Moreira de Sá - 1952, Carlos Carvalho - 1959, Sousa Cardoso - 1960, Mário Silva - 1961, José Pacheco - 1962, Joaquim Leão - 1964, Joaquim Sousa Santos - 1979, Manuel Zeferino - 1981, e Marco Chagas em 1982. 

Dentre todos esses e tantos mais, avultava então Mário Silva, simpático ciclista de semblante retraído pela concentração semeada em esforço pelos percursos percorridos. Um dos nossos ídolos da infância e tempos iniciais de adolescência, um nome que nos despertava as melhores venturas da meta sempre desejada. Era um Ás dos pedais, como se dizia dos melhores valores na disputa dos lugares da frente das corridas de bicicletas.


Mário Silva Pereira, como era seu nome completo, nasceu a 5 de Outubro de 1939, não numa viagem medieval como nos dias que correm são por essas bandas recriadas épocas remotas, mas num dia feriado, em Caldas de S. Jorge, na área da então Vila da Feira, hoje terras de Santa Maria da Feira – a talhe de guerreiro que veio a revelar-se nas estradas nacionais e internacionais, feito um vencedor. Tornado depois, em sua juventude, um desportista valoroso, como ciclista de Portugal. Em cujo currículo, além de muitas provas e títulos diversificados, houve um feito histórico marcante no palmarés deste ciclista de excelência: o triunfo na Volta a Portugal em 1961.

Aparentemente frágil, Mário Silva era um corredor de fibra, estóico e com enorme capacidade de liderança. Intransigente na defesa da equipa e da modalidade, foi um dos mais emblemáticos representantes do ciclismo no F.C. Porto. Tendo aparecido à visibilidade nacional mediante uma estreia vitoriosa na maior prova portuguesa por etapas.

= Mário Silva com o equipamento da seleção portuguesa, que levou a Itália nos Jogos Olímpicos de Roma 1960.= 

Com efeito, depois de auspicioso início de carreira, perante vitórias em provas da Associação de Ciclismo do Porto, começou a dar nas vistas como ridente promessa do ciclismo luso, a pontos de em 1960 ter sido escolhido para fazer parte da seleção nacional que foi aos Jogos Olímpicos de Roma. Mas foi no ano seguinte que pela primeira vez alinhou à partida da Volta a Portugal, integrando a equipa do F C Porto. E não podia ter tido melhor batismo de corrida grande, pois logo no começo como sénior principiou a vencer a Volta a Portugal, em 1961, cotando-se como supremo representante do F. C. Porto. Foi tamanha a conquista, que esse triunfo merece um destaque especial, nestas recordações.


Ao entrar logo na equipa principal já queria dizer muito, pois a formação do F. C. Porto era poderosa, por esses tempos, composta como era por valores quase de nível idêntico entre eles, a pontos de haver então um verdadeiro jogo de equipa, fraternal e taticamente preparado no âmbito interno, de modos que numas provas ganhavam uns, noutras outros, dando para todos. Diziam os adversários que os corredores do Porto eram tão fortes que qualquer lugar posicionado no meio deles já era muito bom…


Nesse ano, antes da Volta a Portugal, haviam estado em representação do País dois ciclistas do F. C. Porto na Volta a Espanha, Sousa Cardoso e Carlos Carvalho. Tal como nos anos anteriores haviam incluído a seleção nacional na mesma “Vuelta” os Portistas Sousa Cardoso, Artur Coelho, Sousa Santos e Emídio Pinto. E em 1959 Sousa Cardoso andou na Vota a França; enquanto Artur Coelho e Emídio Pinto disputaram algumas clássicas francesas, inclusive Artur Coelho fez um bom 2º lugar no Paris- Evreux (na linha da sua anterior vitória na clássica brasileira do 9 de Julho –Volta a São Paulo, em 1957), tal como outro 2º lugar da classificação obteve Emídio na Volta a Leon. O que mostra bem o valor da equipa, naquele tempo.


Curiosamente, iniciada a Volta portuguesa desse ano de 1961, após as primeiras pedaladas e durante sucessivas etapas em que a camisola amarela andou por diversos dorsos, surgiu um dia, à 11ª tirada da “Volta”, em que o F. C. Porto foi preterido à partida, vítima das invejas dos adversários. Acontecera que a equipa sofreu um surto gástrico, num facto à época tido em surdina como uma espécie de boicote… embora publicamente encapotado como ocorrência diferente. Uma gastroenterite diagnosticada pelo médico, «fosse pelo bacalhau que os ciclistas da equipa comeram ao almoço, ou água inquinada, vinho gelado ou por qualquer outra razão, a verdade é que os corredores do F.C. Porto chegaram tarde ao local da partida da 11ª etapa Tavira-Beja já com a largada dada. O diretor da corrida não esperou e dera ordem de saída. Então o conjunto fragilizado do clube das Antas teve de iniciar a etapa com substancial atraso. Isso depois de uma noite em que ninguém da comitiva do clube nortenho pregara olho. Os que estiveram em piores condições, com diarreias, vómitos, tonturas e febre, foram Mário Sá, Sousa Santos e Júlio Abreu, mas destes, nesta “etapa maldita”, só os dois últimos vieram a desistir, juntamente com José Pinto e Artur Coelho.»


«Porém, os que restaram da equipa não se deixaram vencer pelo desespero e quatro dias depois, no final da etapa de Covilhã para Guarda, Mário Silva conquistou a camisola amarela. Este caso da intoxicação dos corredores Portistas teve, no entanto, repercussões disciplinares devido ao facto do diretor da equipa do F.C. Porto, Franklin Cardoso, ter insultado em público o diretor da corrida, pela indiferença que revelou perante o drama vivido pelos seus corredores, o que, em sua opinião, justificava perfeitamente que a partida tivesse sido atrasada. Os insultos valeram-lhe um severo castigo.» Porque era do F. C. Porto, como é fácil perceber… comparativamente a ocorrências passadas com pessoas de outras equipas. Mas, aí, a vingança foi servida a frio e na hora… «Resistindo a todas as adversidades e a todos os ataques, Mário Silva (FC Porto) ganhou a Volta, com 57segundos de vantagem sobre o italiano Marcoletti (Ignis). Sousa Cardoso, o principal favorito até ter adoecido, acabou por se classificar em 12º, à frente até de Alves Barbosa.» 


«Andaram os homens do Académico a comandar a corrida até à Serra da Estrela, para no contra-relógio para a Guarda, despontar na ribalta da Volta a figura de Mário Silva, que a partir daí se manteve na frente… também pelo enquadramento que os seus colegas de equipa lhe proporcionaram.»


Dessa façanha, com toda a envolvência e consequências emotivas, mais sensações delirantes, dão testemunho as anexas imagens coevas, quer por gravuras de recortes dos jornais da época, como em desenhos insertos num álbum de banda desenhada, editado mais tarde, historiando a competição, sob título d' Os Heróis da Estrada.


«Foi, pois, Mário Silva no já referido contra-relógio, quem salvaria o FC Porto, garantindo-lhe a sequência de vitórias... Essa Volta de 1961 teve ainda a particularidade de ter sido a mais rápida das que até aí se realizaram, pois Mário Silva realizou a média de 36,755 Kms/h. Acrescendo à sua vitória, nesta edição, um reforço de também ter sido valorizada pela forte oposição que encontrou nos italianos e espanhóis, nomeadamente de Marcoletti, o segundo classificado que ficou a escassos 57 segundos. Se acrescentarmos que em terceiro lugar se classificou Alberto Carvalho (do Académico) a 23m 25s, ter-se-á uma ideia mais concreta do que foi o renhido duelo que teve de travar com o italiano.»

= Mário Silva do F.C.Porto, com a coroa de louros de grande vencedor da Volta de 1961! Envergou a camisola amarela durante 11 etapas, desde a 14ª etapa até a ultima, com chegada à pista do Estádio José de Alvalade, em Lisboa, a 16 de Agosto de 1961. Esta Volta teve a particularidade de ter sido a mais rápida das que até então se realizaram, perante a marca do “Mário Silva do Porto”, 
 fazendo como conseguiu a corrida à média de 36,755 km/h. 

Na evolução da carreira Mário Silva passou a demandar também outras paragens, sempre com a camisola azul e branca colada ao corpo. Numa dessas vezes sucedeu que em 1962, na Volta à França do Futuro, Mário Silva foi vítima duma atitude antidesportiva praticada pelo suíço Binguelli, que atirou ao chão o ciclista português a fim de permitir que o seu compatriota Heeb vencesse o Prémio da Montanha. O ciclista helvético foi penalizado com 5 minutos, mas mesmo assim, tanto os ciclistas como os clubes não calaram a sua indignação, pois Mário Silva viu-se relegado para o segundo lugar na classificação dos Trepadores. Época esta em que Mário Silva na Volta a Portugal triunfou na montanha, além de, no tal trabalho de equipa, ter ajudado o colega José Pacheco a sair vencedor da Volta.

Continuando em recordações mais voltadas à Volta a Portugal, já no ano seguinte uma infelicidade bateu-lhe à porta, ou pior na roda da bicicleta, vítima que foi de queda… não tendo podido completar essa Volta.


Depois disso, a carreira foi decorrendo dentro que possível, sempre em lugares da frente do pelotão. Participou na Volta à Espanha, em 1962 e 1963, 1965 e 1966, onde obteve um 23.º e 34.º lugar como posições de maior destaque, e na Volta à França do Futuro, já referida, onde obteve o tal 2.º lugar no Prémio da Montanha. 

Bom trepador e contra–relogista, além da sua vitória na Volta de 1961, conseguiu, durante as dez participações que teve na Volta a Portugal, ainda mais dois 3.º lugares da Geral (nas Voltas de 1965 e 1969), dois 4.º, dois 6.º, um 7.º lugares (todos pelo F. C. Porto) e por fim um 10.º lugar (na última participação na Volta, quando correu como individual). Fora uma desistência por impedimento físico, após a queda que teve em 1963. Enquanto ciclista do F. C. Porto venceu três etapas, no decurso das participações a que juntou ter obtido um 1.º lugar de direito à camisola azul de trepador (sendo “Rei da Montanha” da Volta de 1962) e um 3.º lugar no Prémio da Montanha. Em cuja longevidade participativa andou com a camisola amarela num total de 18 dias, constando assim em posição destacável entre os ciclistas que envergaram a camisola amarela da liderança da caravana voltista.


Somando a isso tudo, em seu palmarés, no percurso em que representou o F.C. Porto, Mário Silva venceu mesmo várias provas mais, entre as quais: em 1962 o 2ª Grande Prémio do F. C. Porto (prova oficial do calendário da Federação Portuguesa de Ciclismo, com aval de patrocínio do F. C. Porto), em cuja época o popular “cara de menino”, como carinhosamente muitos admiradores identificavam este seu ídolo, conquistou ainda outra honra: a “Roda de Ouro”. Depois, em 1965 o 2º Grande Prémio Robbialac; e em 1966 o Circuito de Rio Maior; havendo também alcançando ainda um 3.º lugar no Porto – Lisboa em 1967. 

De permeio, ao nível internacional e nas solicitações pátrias, esteve nos Jogos Olímpicos de 1960, em Roma; e no Mundial de Ciclismo, fazendo parte das seleções portuguesas que estiveram presentes no Mundial de Estrada de 1965 e 1966.


Ainda dentro da interajuda coletiva, Mário Silva teve algumas participações mais vistosas nalgumas edições das Voltas que se foram sucedendo, tais como em 1965, quando disputou palmo a palmo a vitória, que se escapou depois de renhida disputa, apesar de ainda ter vencido de forma categórica o respetivo contra-relógio. Bem como em 1966, envergando a amarela numa tarde manifesta de grande fervor clubista, seguido de dias de grande empenho. Tendo então vencido a 11ª etapa da Volta / 66, num contra-relógio de 46 km entre o Fundão e Castelo Branco, e nessa Volta de 66, durante 7 etapas manteve a camisola Amarela.


Tal qual em 1967, quando vestiu a amarela durante dias e, depois de a ter perdido, ainda esteve prestes a conseguir a sua recuperação. Como naquele ano em que ajudou ao máximo Cosme de Oliveira a manter a camisola amarela que o mesmo conseguira, durante dias de acesa luta contra outras equipas deveras apetrechadas… Como depois, em 1969, de forma épica subiu a Estrela quase rebocando J. Luís Pacheco, que assim manteve a amarela e acabou por vencer o Grande Prémio Philips.


…E ainda em 1969 teve mais uma brilhante atuação na etapa da Volta a Portugal que passou pelas montanhas da serra da Estrela, dessa vez após descida com meta final em Seia, que venceu e então chegou a morder os calcanhares a Agostinho e Andrade (no ano em que Joaquim Andrade beneficiou do doping acusado pelo organismo de Joaquim Agostinho).

= Mário Silva recebe um efusivo abraço do então Vice-presidente Dr. Miguel Pereira (e antigo Presidente da Direção do F C Porto), no final da 3ª etapa da Volta de 1966, entre Vila do Conde e Fafe, de 213 km, quando passou a envergar a camisola amarela, nesse ano, em mais uma liderança da prova-rainha 
do ciclismo português.

= Mário Silva incluído numa formação do F C Porto de meio da década de 60, composta por (a partir da esquerda): Joaquim Freitas, Mário Silva, Cosme Oliveira, Joaquim Leão, Mário Sá, José Pacheco e o massagista Joaquim Lopes (Lopinhos).


= “Mário Silva do Porto”, vence a 19ª etapa da Volta de 1967, entre Covilhã e Viseu de 132 km.

= Volta de 1967, Mário Silva do Porto, na frente do pelotão, para responder a um eventual ataque, em defesa do seu colega de equipa o camisola Amarela Cosme de Oliveira, (indo na sua roda Fernando Mendes do Benfica, e os Sportinguistas João Roque e Leonel Miranda).





= Mário Silva em plenas subidas da Estrela… Conforme páginas de arquivo pessoal do autor, de apontamentos quando muito jovem acompanhava a par e passo tudo o que fosse do Mundo Portista e, no caso, particularmente do ciclismo do F C Porto…

= 1969 - Mário Silva do Porto, vence a 23ª etapa entre Alcains e Seia de 107 km, e Joaquim Andrade do Sangalhos nesta etapa arrebata a camisola Amarela a Fernando Mendes do Benfica. Enquanto Agostinho aparecia em 4º lugar a 33segundos.


Em finais de 1969, não chegando a acordo com o F C Porto, e inclusive entrando em rutura com elementos da Direção do clube e diretores da secção, como afirmou numa entrevista à RTP, Mário Silva aceitou um convite da equipa moçambicana da Fagor, ficando a correr como individual durante a que viria a ser a última época de sua carreira de ciclista.

= 1970 - A equipa de Ciclismo Brasileira da Caloi, que participou na Volta de 70, e à direita vê-se Mário Silva (junto ao trio brasileiro, na apresentação ao público) alinhando na Volta como individual, ao serviço da Fagor.


Terminada a carreira, passados muitos anos, entretanto, em 2007 Mário Silva foi alvo de uma homenagem na sua terra, em Caldas de S. Jorge, Santa Maria da Feira, por meio duma iniciativa do grupo “Vá lá, vá lá, podia ser pior”, de S. Jorge. Num tributo prestado por aquela entidade que organizou essa sessão de homenagem ao seu conterrâneo antigo vencedor da Volta a Portugal. Uma festa “há muito merecida”, como foi afirmado nessa ocasião. Contando também com a presença do presidente do F.C. Porto, numa surpresa justificada por Pinto da Costa dizendo que não poderia faltar ao reconhecimento público prestado a tal antigo atleta do F.C. Porto.


Volvidos tempos, em 2009, Mário Silva foi também alvo duma homenagem coletiva no F. C. Porto, tendo estado inserido entre Figuras do F. C. Porto dignas de reconhecimento perene e nesse sentido, numa parada de estrelas presentes à inauguração do novo pavilhão gimnodesportivo, o Dragão Caixa. Em cujo âmbito, o mesmo (junto com Américo, antigo grande guarda-redes de futebol; o bi-Bota Gomes; o capitão de Viena João Pinto; os hoquistas Cristiano, Joaquim Leite e Victor Hugo; as medalhadas Aurora Cunha e Fernanda Ribeiro; e diversos outros, num total de 22 nomes célebres do Historial do F.C. Porto) Mário Silva fez então parte do grupo de Lendas do F C Porto, por entre atletas vivos, ao tempo, que ali receberam pública homenagem, no culminar do programa festivo de tanto impacto Portista.


Armando Pinto 

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6 comentários:

  1. O meu primeiro ídolo no ciclismo. Recordo uma etapa da Volta Portugal em que estava na berma da estrada, junto à ponte de D.Luís, a ver passar os ciclistas. O Mário Silva era o camisola amarela, mas a caminho das Antas iam três fugitivos, com uma vantagem que dava a amarela a um deles. Era puto, o meu pai e o meu avô, animaram-me, não fiques triste, até à meta o pelotão vou recuperar e a Mário Silva vai continuar de amarelo. Força Mário Silva, gritavam as pessoas quando ele passou... e recuperou, perdeu tempo, mas manteve a amarela. Obviamente, fiquei contente e a partir daí o MS passou a ser o meu ídolo no ciclismo.

    Depois de um post tão completo, só podia contar uma peripécia...

    Abraço

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  2. Quero mais uma vez mostrar-lhe o meu reconhecimento pela autoria desta valiosíssima e completa viagem pela magnífica história do ciclismo do Futebol Clube do Porto, e o destaque merecido que dá ao papel de Mário Silva nos êxitos alcançados na modalidade, os quais, no tempo em que eles ocorreram, muito contribuíam para elevar a nossa auto-estima em contraponto com o futebol.

    Ao ganhar a volta a Portugal com apenas 18 anos, Mário Silva tornou-se um verdadeiro ídolo para os portistas e um dos que mais contribuiu para a glória do nosso clube daqueles tempos.

    Gostei imenso do ciclismo, mas, com o passar dos anos e o abandono da modalidade pelo FC Porto, o meu interesse pela modalidade quase desapareceu, limitando-me agora a acompanhar os maiores acontecimentos pelos noticiários e uma rápida vista de olhos pela imprensa.

    Renovo os meus sinceros agradecimentos por nos ter oferecido tão belo quanto precioso passeio pelos caminhos daqueles que fizeram grande este clube ímpar.

    Um abraço.

    Remígio Costa.

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  3. O antigo ciclista Joaquim Sousa Santos, médico de profissão, morreu na sequência de doença prolongada.
    Joaquim Sousa Santos, vencedor da Volta a Portugal em bicicleta de 1979, morreu hoje aos 58 anos, informou a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC).

    O antigo ciclista, morreu vítima de doença prolongada.

    Natural da São João de Ver, Joaquim Sousa Santos venceu a Volta de 1979 ao serviço do FC Porto.

    Paz à sua alma.


    Com esta noticia triste, comunico também que hoje foi transcrito este extraordinário post do seu blogue num site Caldas de S. Jorge, pois vi-o publicado.

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  4. Boa tarde,

    Depois de ter visitado o seu blog, imprimi e mostrei ao meu pai.

    Ele ficou admirado como conseguiu juntar esse material.

    Depois de ele ler darei a conhecer o seu comentário.

    Mário Jorge

    Filho de Mário Silva

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  5. 2013

    A 22ª edição da Volta às Terras de Santa Maria, este ano integrada no 5º Grande Prémio Liberty Seguros, trouxe algumas novidades comparativamente a anos anteriores. Para além de ter crescido no número de dias, alargando-se também a outros concelhos, nos quais se inclui, claro, Vale de Cambra, introduziu-se ainda o prestar de homenagem a grandes figuras da modalidade.

    "Hoje em dia fala-se muito daqueles que já faleceram e esquece-se, muitas vezes, daqueles que ainda estão vivos e podem, precisamente, junto dos mais novos, partilhar alguma da sua experiência", afirmou o presidente do Sport Ciclismo São João de Ver. Fernando Vasco Costa referiu, também, que encara o recordar de 'velhas' glórias, "como um grande passo".

    No município valecambrense, e à semelhança das outras etapas, recordou-se com carinho e saudade os feitos de mais uma grande individualidade velocipédica. No Parque da Cidade, o homenageado foi Mário Silva, natural das terras de Santa Maria. Entre diversos triunfos e títulos, destaca-se uma vitória que inscreveu o seu nome, para sempre, no panteão da história do ciclismo nacional, - a conquista da Volta a Portugal, em 1961, com as vestes do FC Porto ao peito. No currículo do ex-ciclista, contam-se ainda participações na Volta a Espanha, na Volta a França do Futuro e uma presença nos Jogos Olímpicos de Roma (em 1960).
    "Sinto-me honrado e agradecido pela organização ter-se lembrado dos tempos antigos. Estou muito sensibilizado com isso.", revelou Mário Silva. A antiga glória confessou, ainda, que "gostava que as pessoas voltassem à estrada", e para isso "devia haver o FC Porto, o Benfica e o Sporting no ciclismo nacional." Segundo o vencedor da Volta, a ausência dos Três Grandes "faz falta para que o povo se aproxime do ciclismo, porque há os seus adeptos, entusiamo pelo clube e pelas camisolas, o que também influencia."

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  6. Recebi hoje, domingo dia 11 de Agosto, um comentário que não publico porque sinceramente não entendo ao que se propunha. Contudo adianto que as gravuras que aqui tenho, tenho-as guardadas em meu arquivo pessoal, do que juntei ao longo dos anos. Aliás basta reparar nas anotações manuscritas que fiz então,sobre algumas delas, em meus tempos de jovem adepto - que é o que sou ainda e sempre, adepto e admirador dos que me entusiasmaram nos tempos áureos do ciclismo, uma modalidade de heróis... Entretanto, fora do âmbito clubista, mas mais no sentido bairrista, tenho ainda outros posts no meu outro blogue, Longra Histórico-Liteária, sobre ciclistas felgueirenses, também... em
    http://longrahistorico.blogspot.pt/

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