sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Américo: Um senhor octogenário da ultra centenária História do F C Porto



Faz hoje anos o Américo, o antigo guarda-redes internacional que foi uma referência do F C Porto, considerado mesmo um dos mais emblemáticos futebolistas que passaram pelo clube. Tanto que ele quase carregava toda a equipa, com sua trovante voz de comando, e por quanto todos tinham confiança nele, cientes que a bola acabava em suas mãos. Em seu tempo era conhecido por Américo do Porto e estava tudo dito.

Pois é mesmo hoje o dia de aniversário do senhor Américo Lopes. Abrindo-se aqui uma das exceções (que só nalguns casos costumamos assinalar estas datas, aqui em nosso blogue), em primeiro lugar por Américo ser o ídolo de nossa infância, de quando o que é o Porto nos começou a apaixonar; e em segunda fila por sabermos que quase toda a gente associa a efeméride de seu nascimento com a data que ficou a constar no registo civil, enquanto a data efetiva é a 27 de Fevereiro, quando em 1934 nasceu em Santa Maria de Lamas. Há 81 anos, como hoje festeja em São Paio de Oleiros.

Toda a gente que o viu jogar ainda recorda o seu estilo elegante e elástico, voando para a bola como íman atraído pelo que tinha de agarrar, a pontos de num livro ter ficado registado, sobre ele, que nem só os pássaros voam...

A sua influência era tal que, apesar de nesse tempo a equipa do F C Porto não ter obtido resultados de grande monta (e, além de um campeonato, na montra só ficou uma Taça de Portugal), Américo era o o mais temido pelos adversários e com sua razão. Como num Sporting-Porto, cuja ocorrência principal ficou narrada num caixilho da colecção Ídolos do Desporto, como se recorda aqui (à direita)....
...e, com contornos mais pitorescos, para o que gastava a casa portuguesa, e outro desfecho, também num outro jogo em casa do Sporting, anos depois, em Abril de 1966 (no qual o Sporting também não queria perder pontos por estar com a mira centrada na conquista do campeonato, como depois conseguiu, assim), em que, como os avançados leoninos não conseguiam bater Américo, e o nulo no marcador teimava em manter-se quase ao expirar do 1º tempo, o árbitro tratou de expulsar Américo - e, como nesse tempo não havia substituições, teve de ir para a baliza um médio-avançado, Carlos Manuel. Então já os sportinguistas ganharam à vontade, apontado quatro golos e nem se sabe como não foram mais. O árbitro era um tal João Calado, do Entroncamento, conterrâneo e conhecido de Virgílio Mendes. E o nosso Leão de Génova no fim do encontro não calou a verdade diante da imprensa, afirmando que esse Calado era sportinguista ferrenho desde pequeno, mas disso só o jornal O Porto deu maior destaque.

Desses tempos, em que Américo era chefe de equipa, por assim dizer, temos aqui ao lado uma curiosa foto, em momento de descontração fora do campo, acompanhado por três elementos da área de defesa da equipa, como representantes das sucessivas gerações que passaram pelo setor recuado - como o então jovem Almeida, que não chegou a atingir um plano como a sua altura; o simpatico Miguel Arcanjo, grande valor que integrou a geração dourada dos anos cinquentas e ainda se impôs até meados dos anos sessentas, tendo até integrado na seleção a campanha de apuramento para o Mundial de Inglaterra; e Alberto Festa, que foi Mundialista Magriço, único Portista utilizado em 1966 pelo selecionador benfiquista Luz Afonso...

Agora Américo, como futebolista de grande estirpe, é uma constante recordação, no mundo Portista.

Na oportunidade, desejando que esta data se repita por muitos e bons anos, aqui estamos a assinalar a efeméride, aproveitando para mais uma vez se recordar algo mais de sua brilhante carreira – desta feita com uma página duma publicação da Agência Portuguesa de Revistas, reportando à conquista da Baliza de Prata.

Armando Pinto

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1 comentário:

  1. Sem dúvida um nome marcante da História do nosso glorioso Clube.

    DRAGÃO, SEMPRE!

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