Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Américo sempre!


Quando eu era pequeno (em idade, na infância, entenda-se), sendo Portista por intuição de bom gosto, como sempre julgo que tive, e paixão por encantamento do que me entusiasma, tinha na cabeça, quase por entre os livros e cadernos escolares, os nomes dos jogadores do Porto, imaginando-os de cara pelo que via nos populares cromos da bola, que circulavam entre nós, moços da escola. Sendo desse tempo a imagem cimeira de "cromo dos rebuçados" (como vinham embrulhados), para as coleções de cadernetas dos ases do futebol. E o Américo era o que mais admirávamos, o que nos seduzia ao ouvir pelo barulho radiofónico os relatos domingueiros dos jogos, pelas suas defesas… 

- Américo voa para a bola, blocando o esférico…! - Américo, entre vários jogadores, afasta o perigo… - Américo segura a redondinha, espetacularmente! (ouvíamos nos emissores do Norte Reunidos, porque as emissoras de Lisboa pouco davam do Porto) – Nem só os pássaros voam, Américo quase dá com as costas na trave, lançado em voo elegante…”

Foi dos tempos de sua entrada na equipa principal do F C Porto, por volta de 1961, a imagem da equipa com que ilustramos a descrição. Cujas fisionomias ficamos a conhecer logo pelos cromos que guardamos, juntando aqueles ídolos da geração de ouro que ganhara campeonatos e taças de que ouvíasmos falar, com outros que estavam em inícios de carreira. Num naipe em que Américo já brilhava, ao lado de Virgílio, Miguel Arcanjo, Monteiro da Costa, Ivan, Barbosa, Acúrcio, Carlos Duarte, Hernâni, Noé, Serafim e Perdigão... 


Até que… Depois, quando pela primeira vez entrei num campo em que jogava o Porto, foi com os olhos no Américo que senti melhor como gostava daquele Porto… já em tempos de Américo, Festa, Pinto, Nóbrega e por ali adiante.

Ora o Américo nesta data está de parabéns. Que eu quero mais uma vez lhe dar. Deixando narrativas no plural, como é dos cânones literários, para de modo personalizado lhe dirigir mais algumas palavras, por este meio, em ocasião assim.

Esta é uma efeméride que dá gosto assinalar, por um lado sabendo que muita gente não associa como tal, e por outro pelo que é. Pois, se ele, o Américo que foi grande guarda-redes do F C Porto, se tivesse facebook, iria receber parabéns só daqui a dias, mas não de quem sabe da história. Porque o sr. Américo Ferreira Lopes faz anos hoje, sendo nesta data que é o dia verdadeiro do seu aniversário natalício. A 27 de Fevereiro, que foi o dia em que nasceu, afinal, e não no 6 de Março, data do registo civil e que consta oficialmente.

Já muito escrevemos sobre ele nestes espaços informáticos, e muitas imagens publicamos, ao longo dos anos em que temos este blogue, como outros também, por gosto de escrita e história, em apreço pela memória portista, no caso. Mas nunca será demasiado lembrar Américo, por quanto ele foi referência e representa na história do F C Porto e do desporto nacional. Américo que foi o grande injustiçado do futebol português, quanto a internacionalizações pela seleção dita portuguesa, como ficou para a história. Mas, apesar de tudo, foi o melhor guarda-redes português da década dos anos sessentas - incluindo também lote de respeito nas equipas valorosas de que fez parte no F C Porto, como a da imagem seguinte. 


Assim sendo, como reforço de memorização, para que nunca possa ser esquecido o que lhe fizeram os senhores do futebol do sistema lisboeta BSB (do sistema antigo das presidências federativas circunscritas a serem comandadas por homens de Benfica, Sporting e Belenenses), reavivamos aqui histórias sobre isso.

Américo era o melhor guarda-redes português, mas no Mundial de 1966 ficou a ver os jogos no banco de suplentes, porque tinham que jogar os dos clubes dos dirigentes federativos. Motivo porque do lote dos 22 “Magriços” (como foram chamados os futebolistas dessa campanha), do F C Porto só o defesa Alberto Festa pôde jogar e apenas em metade dos jogos dessa fase final. Ficando Américo e Custódio Pinto a suplentes, enquanto Nóbrega, que até chegou a ter fato oficial pronto para o efeito, ficou de fora a ver os jogos pela televisão, preterido quase nos últimos dias, indo em sua vez um que jogava num clube pequeno mas que estava já comprometido com um dos clubes grandes de Lisboa.


Ora, para recordar essa injustiça, com o guarda-redes do F C Porto de então, respigamos uma entrevista de Américo a contar histórias relacionadas, como veio a público há uns anos no jornal O Jogo.


Posto isto, segue esta lembrança, por esta via, com votos de feliz aniversário, mais sinceros parabéns ao Américo, o guarda-redes do F C Porto que Di Stefano considerou um dos melhores que viu jogar. Consideração que em Portugal obviamente não teve tanto impacto, como se fosse referente a alguém dos clubes de Lisboa, teria… mas em Espanha foi bem considerada. A pontos que ainda no início da época presente, quando Casillas veio para o F C Porto e ao Porto aportaram muitos jornalistas estrangeiros para cobrirem o acontecimento, então chegaram espanhóis a perguntar pelo antigo guarda-redes que Di Stefano disse que foi dos melhores que defrontou…  

A propósito, recorde-se que em anterior artigo, aqui já publicamos um recorte com caixa do também antigo jornal Norte Desportivo, mostrando destaque alusivo a essa afirmação.

Parabéns então ao "Américo do Porto"!

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

10 comentários:

  1. PARABÉNS AMÉRICO. Grande guarda-redes. Um dos maiores de sempre. Revejo-me no seu texto, pois devemos ter uma idade muito parecida.Se tivesse jogado num dos 3 de Lisboa, não tenho dúvidas teria jogado em 66.

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  2. Compreendo, melhor, sinto tudo o que acima está (bem) dito sobre Américo, um dos grandes guarda-redes da história do FC do Porto! Para além do mais, Américo fez parte de uma época cujo plantel era constituído por uma plêiade de excecionais jogadores, aqui da mesma forma lembrados. Também fui colecionador dos cromos de rebuçados, porém, não pude conservá-los como deveria ter acontecido.
    Já aqui uma vez manifestei a minha opinião sobre a "sacanice" de que foi vítima o grande Américo no campeonato do mundo de 1966 na Inglaterra, ao ser preterido por um guarda-redes vulgar, só porque estava ao serviço do clube do regime e Manuel da Luz Afonso ser vermelho lampião.

    Parabéns, grande Américo.

    DR4AGÃO, SEMPRE!

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    1. Acrescentar algo ao que disseram (escreveram) A. Correia e Remigio Costa seria desnecessário. E
      muito mesmo (mais ainda...) ao AP.

      Uma foto (o da equipa) que nunca vimos nem tivemos; histórica até tendo em conta que quase pela certa se refere ao jogo-final da Taça de Portugal de 1961, perdida frente ao Leixões (0-2) em pleno nosso saudoso Estádio da Antas, em 09.07.1961.

      É certo que seis dias anteriores ate tinhamos, com esta mesma equipa, ganho ao Sporting, e no mesmo Estádio (2ª mão da m/ final dessa Taça), por 4-1 com golos de Serafim (2), Hernâni e Noé.

      AMERICO, para nós o melhor guarda-redes que vimos na História Futebolistica do FC Porto (Vitor Baia seria o mais titulado "usufruindo" de uma conjuntura que não dá para explanar aqui... por agora).

      Lembramo-nos sobretudo, entre inúmeras, de AMERICO, duas EXCEPCIONAIS e EXTRAORDINÁRIAS exibições:

      - Em Alvalade, em 04.02.1962, na vitória do FC Porto sobre o Sporting por 1-0, com golo de Azumir; e

      - Nas Antas, em 26.09.1965, na vitoria do FC Porto sobre o Benfica por 2 . 0, exactamente no jogo da estreia do nosso malogrado PAVAO,com golos de Carlos Batista e Nobrega, de baixo de uma chuva diluviana.

      Da equipa *aqui ilustrada*, que se saiba, so Barbosa e Carlos Duarte serao ainda vivos ja que do Ivan, um jogador brasileiro fino, que iria depois para a Sanjoanense, nada naturalmente se sabe.

      AMERICO que seria contemplado com inumeros premios, cujo mais valioso foi... o Trofeu PINGA, nome de gloria portista e nao de animal, mitico ou nao...


      O seu antigo e fiel leitor de O Porto,

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  3. Viva. Gostei de ver estes comentários, com que afinal nos revemos todos. Vendo que a idade será mesmo próxima uns dos outros (eu sou nativo de 1954...). Além disso, só uma correção, que já tive oportunidade de referir de vezes anteriores. Nesse 2-0 ao Benfica, da estreia de Pavão na equipa principal do F C Porto, em que Américo fez mais uma grande exibição, a 26 de Setembro de 1965 (data que fixei bem, pois faz parte da minha história pessoal... à mistura com a vivência portista)os golos foram de Nóbrega e Naftal.
    Quanto ao caso do galardão do clube, o nome do dragão está bem. Aliás era uma coisa que me lixava em tempos antigos era ler e ouvir na comunicação social referirem-se a Benfica e Sporting por nomes de animais ou feras, mais ou menos, ou seja por leões e águia (de rapina, embora) e ao F C Porto pelos tais Andrades... quando o F C Porto tinha um dragão no emblema. Recordo-me que num artigo no O Porto, por volta aí de 1976, referi isso mesmo. Felizmente passados anos vingou a ideia e hoje já somos mesmo Dragões.
    Armando Pinto

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    1. Acabamos de chegar do nosso Pavilhão ("Dragão Caixa" que para nós deveria chamar-se "Américo de Sá Caixa
      ") e por motivos óbvios a disposição não é muita, ou mesmo... nada.

      Voltaremos para opinar e esclarecer dúvidas, sobretudo a questão de "Dragões" (jogada de markting) e "Andrades" (apesar de tudo com... história).

      O antigo leitor e assinante de "O Porto",

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    2. Cá estamos como prometemos e para humildemente reconhecer o lapso.

      De facto no referido FC Porto-Benfica da estreia do nosso saudoso PAVÃO os marcadores dos golos (2-0) foram NAFTAL e NÓBREGA e não Carlos Batista.

      Um parêntesis para dizer que esse CARLOS BATISTA, um bracarense,era um jogador muito discreto e educado destacando-se pela sua humildade mesmo quando marcava um golo lembra-se?

      Ainda não muito(4/5 anos?)fomos a Braga assistir, no antigo campo da ponte, a um jogo de iniciados que o FC Porto ao vencer se sagrou campeão e perguntamos por ele, mas, azar nosso, não estava porque andava adoentado.

      E a confusão desfizemo-la recorrenddo à memória para um ano antes... 1964 (04 de Outubro) no FC Porto-Benfica (1-1) com golos de... CARLOS BATISTA e Eusébio (que seria expulso), esse sim, o da grande exibição do AMÉRICO, lembrando-nos que saiu do campo todo elameado e abraçado a Eusébio (foto que ilustra um "Idolos do Desporto" a si dedicado).


      Por coincidência ou curiosidade, três dias antes tinhamo-nos inscrito (01.10.1964) associado do Clube, tendo direito a um emblema (que por vezes utilizamos) e Estatutos, assim nos mantendo, de forma ininterrupta desde essa altura, vai para... 52 anos (aguardamos entrega da respectiva roseta que faremos seja entrega por... dirigente não remunerado).

      Já agora sobre... "Andrades". O que me ensinaram foi que esse epiteto(que nada tinha de prejorativo
      ) nasceu nos anos 30/40 quando, na altura, haviam as 1ªs, 2ªs e 3ªs. categorias de futebol do Clube e numa delas(as 3ªs.)jogavam os "irmãos andrades" sendo um deles aquele que viria mais tarde a ser, talvez, o melhor presidente da direcção do Clube, de sempre, de nome DR. CESÁRIO (ANDRADE) BONITO.

      Dragões para também termos um "animal ou fera"? Foi
      o que surgiu na cabeça de PC de facto; faz-nos lembrar o "ajustamento" da data da fundação do Clube só para sermos mais antigos que as águias, os leões e, até, as panteras...

      Ridiculo!!! Com o devido respeito.

      O FC Porto foi,efectivamente,fundado em 02.08.1906 e não em 28.09.1893, pelo que, não podiamos vencer
      desde 1893 mas sim desde... 1922 quando fomos os PRIMEIROS CAMPEÕES DE PORTUGAL.

      Qual "velho do restelo" qual quê...


      O fiel leitor do saudoso "O Porto" (que promovia os galardões "Troféus Pinga"),



      PS. - Por se falar (escrever) Restelo, não estamos a gostar muito do que no momento lá se está a passar, mas já nos vamos habituando...

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    3. Só uma dica, de como a refundação em 1906 foi sim refundsação: a tal data de 2 de Agosto foi inventada, não se sabe com que intuito, pois o dia nem corresponde ao que diziam os que se lhe referiram historicamente.E se até Portugal é o mesmo país desde a fundação por D. Afonso Henriques e não apenas desde a restauração, por D. João IV, após a dependência durante 60 anos dos espanhois na dinastia estrangeira dos 3 reis Filipes... porque haveria de haver separação de cerca de 13 anos, no F C Porto, depois da fundação por Nicolau de Almeida, até à revitalização por José Monteiro da Costa?!

      Armando Pinto

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  4. Era eu um miúdo, bem miúdo ainda, e já o meu pai me levava às Antas. Enquanto criança, no, período de férias, tive o privilégio de estar com o Américo na praia e Espinho, em que ele chutava a bola para o alto, eu apanhava-a e dizia: grande defesa de Américo! Fui à sua festa de despedida nas Antas e a minha mãe, algum temo depois, levou-me à Casa Magriço e oferece-me a minha primeira camisola azul e branca.

    Um forte abraço para o grande “Américo do Porto” e para o grande Portista Armando Pinto.

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  5. Bem, caro sr. Armando Pinto, em 54 estava eu a 3 anos de "assentar praça" na Póvoa de Varzim...mas, enfim, da cabeça ainda não me posso lamentar...

    Estamos, mais uma vez, em sintonia quanto à feliz escolha do Dragão para identificar o nosso poderoso Clube. Não é que me incomodasse por aí além ser "andrade" e, muito menos, "tripeiro", mas ser Dragão soa melhor e...assusta só de ouvir!

    Abraço.
    Remígio Costa

    DRAGÃO, SEMPRE!

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  6. Grande Américo que me trás grandes recordações. Muitos Parabéns.Atualmente precisávamos de muitos Americos.

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