Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Vítor Hugo I – Antigo Hoquista do FC Porto e um dos Grandes Internacionais do Hóquei Português


O hóquei em patins é uma modalidade atrativa, com um ambiente especial no eco dos rolamentos, travangens, rodopios e sticadas, no chiar dos patins e bater dos setiques no interior dos pavilhões, perante o entusiasmo da assistência e vozearia de dentro e fora do rinque. Qual movimento elegante, do carrocel das jogadas e deslizamento festivo, até na vista desde o cimo das bancadas, à destreza entre as quatro linhas da pista. Sendo contudo jogo mais chamativo de atenções aquando da realização de grandes encontros e disputa de campeonatos mais mediáticos.

Assim sendo, sempre que se disputa mais um campeonato internacional, especialmente quando é tempo da realização de Mundiais ou Europeus da modalidade, normalmente são mais falados assuntos sobre o hóquei. Vindo mais à ponta dos aléus a bola pequena, dando para recordar grandes nomes e feitos célebres. Tal qual se lembra, entre comentários e apreciações, os nomes de uns Fernando Adrião, Livramento, Cristiano, Chana, Jesus Correia, Serpas, Velasco, Bouçós, etc. etc. até a um mais recente Vítor Hugo – hoquista formado na Associação Académica de Espinho, que se tornou famoso depois que passou a representar o FC Porto e, além de campeão nacional, europeu e mundial, foi um dos atletas olímpicos nos jogos de Espanha /1992, quando o hóquei em patins teve única experiência em Olimpíadas.


É pois Vítor Hugo um dos hoquistas históricos. Que, para diferenciação e enquadramento, pode ser nomeado como Vítor Hugo I, ou indicado com acrescento do seu último apelido, Silva, devido a haver agora outro Vítor Hugo, de apelido Pinto, hoquista goleador do FC Porto no presente.

VÍTOR HUGO Barbosa Carvalho Silva, nascido em Espinho no ano de 1963, mais precisamente a 4 de Abril, começou cedo a exercitar-se dentro de pavilhões gimnodesportivos, tendo sido praticante desportivo desde cerca dos cinco anos, pois começou nessa fase sua atividade pela ginástica e também na patinagem das escolas de formação da Académica de Espinho. Entretanto, já em idade escolar, começando a revelar aptidão para o hóquei, enveredou pelo jogo dos patins. Após isso, na agremiação espinhense sagrou-se Campeão Regional de Infantis e de Iniciados, Campeão Nacional de Juniores e Campeão Nacional da 3.ª Divisão. Começou de permeio a jogar ao lado dos mais velhos e foi então colega de equipa de José Fernandes, que jogara anteriormente no FC Porto e se transferira para o clube do equipamento preto de Espinho (tendo mais tarde regressado ao FC Porto). Até que o virtuosismo do jovem Vítor Hugo Silva despertou as atenções dos responsáveis do Hóquei portista.


Assim, ainda jovem e com grande margem de progressão, Vítor Hugo ingressou no FC Porto, onde viria a confirmar todas as qualidades e se afirmou como jogador bem cotado entre seus pares. 

Então, ao despontar para o estrelato, foi um dos mais categorizados jogadores do Europeu de Juniores de 1980, disputado em Barcelos. Depois, logo em 1981 entrava pela primeira vez na seleção de seniores. Volvidos anos, no Campeonato Europeu de 1987, em Oviedo, já como “capitão” da equipa nacional, Vítor Hugo foi o herói da seleção de Portugal. Com excelentes exibições, marcou 25 golos, quase metade do “score” da equipa nacional que aí obteve mais um título europeu.

Seguiu-se depois todo um percurso digno de seu valor, recheado de títulos e com momentos marcantes. 


Durante a sua carreira, Vítor Hugo Silva obteve 151 internacionalizações (29 pelos juniores e 122 pela equipa sénior) tendo marcado um total de 261 golos (66 e 195, respetivamente, em cada uma das categorias). Ao serviço da Seleção Nacional foi: 1 vez Campeão Europeu de Juniores, 2 vezes Campeão Europeu de Seniores, 1 vez Campeão do Mundo, 2 vezes Campeão dos Jogos Mundiais, 2 vezes melhor marcador no Campeonato Europeu de Juniores, 1 vez melhor marcador do Campeonato Europeu de Seniores (marcou golos em todos os jogos!), 1 vez melhor marcador do Campeonato do Mundo. Averbou diversos primeiros lugares em torneios tão importantes como o de Montreux, o de Paris, o de Madrid, o de Oliveras de La Riba, o das Nações e o dos Campeões. 


Entretanto, Vítor Hugo esteve no período de maior afirmação do estatuto vitorioso do hóquei em patins portista. No FC Porto contabilizou como jogador 8 títulos no Campeonato Nacional, 5 Taças de Portugal e 8 Supertaças Nacionais, tendo sido por três vezes o melhor marcador da principal competição. De referir que numa das edições do Campeonato, além de ser o “rei” dos marcadores, apontou golos em todos os jogos. Com a camisola azul-e-branca conquistou ainda 2 Taças dos Campeões Europeus (1985-86 e 1989-90), 2 Taças das Taças Europeias (1981-82 e 1982-83) e 1 Supertaça Europeia (1985-86). Ninguém esquece a épica jornada da segunda-mão da final da Taça dos Campeões, com o Novara, em 1986: Em casa do adversário o FC Porto perdia ao intervalo por 1-5; mas numa inolvidável reviravolta, a equipa orientada por Cristiano Pereira venceu por 7-5! Vítor Hugo contribuiu com 2 golos. No banco, ao lado de Cristiano, o Presidente Nuno Pinto da Costa marcou presença de forte incentivo, quão no fim deu para todos beberem champanhe pela taça.

Tendo essa jornada heroica sido disputada em Novara, Itália, depois disso o clube Novara conseguiu atrair Hugo e contratou-o para lá jogar durante a época de 1987-1988. Ali foi Vítor Hugo Campeão e venceu uma Taça de Itália, sendo considerado o melhor jogador do ano. Na época seguinte regressou ao FC Porto para prosseguir a sua carreira de sucesso.



Vítor Hugo logrou um palmarés riquíssimo. Porém muito cedo decidiu abandonar a carreira de jogador. Fê-lo no fim da época 1991-1992 e enveredou quase de seguida pela carreira de treinador, enquanto abraçava a profissão de médico dentista. Como treinador juntou mais alguns títulos ao seu brilhante currículo no FC Porto: 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça e 1 Taça CERS. Nas funções de Selecionador Nacional, foi: Campeão do Mundo (2003), vencedor dos Jogos Mundiais (Japão), Torneio das Nações e Taça Latina, vencedor de 2 Torneios Internacionais RTP e Vice-Campeão Europeu.

Vítor Hugo foi agraciado com 2 “Dragões de Ouro” no FC Porto. E, pelo governo português, com a “Medalha de Mérito Desportivo e a “Medalha de Honra ao Mérito”. O Comité Olímpico Português atribuiu-lhe a “Medalha Nobre Guedes”.

Portista efetivo, foi um dos fundadores da Casa do FC Porto de Espinho e o seu primeiro Presidente. Sendo atualmente elemento diretivo dos órgãos sociais do FC Porto, como um dos vice-presidentes da Direção de Jorge Nuno Pinto da Costa para o exercício de 2016 a 2020, por ora.

Em suma, além de brilhante hoquista e prestigiado treinador de hóquei em patins, bem como dirigente atualmente, Vítor Hugo é uma glória do FC Porto. Tendo sido um dos homenageados como tal aquando da inauguração do novo e atual pavilhão desportivo do FC Porto, constando seu nome também entre as Estrelas do FC Porto com uma placa circular no passeio da fama fronteiro ao Dragão Caixa. Além de estar incluído entre as estátuas que figuram presentemente no espaço de entrada no Museu FC Porto BY BMG.

O seu Curriculum Vitae desportivo consta no livro “FC Porto figuras & factos 1893-2005” (de J. Tamagnini Barbosa e Manuel Duas, edição d’ O Comércio do Porto e produto oficial FCP), do qual publicamos acima a respetiva ficha alongada em parte de duas páginas.

Como ilustração final, juntamos abaixo uma elucidativa entrevista publicada na revista “Mundo Azul”, do Conselho Cultural do FC Porto, em seu número de Dezembro de 2009.


ARMANDO PINTO

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2 comentários:

  1. Vitor Hugo está conetado com a mascote do Euro de Azemeis de 2016. Porque foi o treinador que esteve à frente da seleção poirtuguesa na vitória do último Mundial. Embora Cristiano Pereira seja o treinador do último Europeu ganho por Portugal, Hugo foi o treinador do Campeonato Mundial antes disputado em Oliveira de Azemeis.

    Nesse sentido, Hugo regressa 13 anos depois. Chama-se Hugo e é a mascote do Europeu de Hóquei em Patins.

    Aquele que foi, há 13 anos, um dos cunhos de promoção do Campeonato do Mundo realizado em 2003 em Oliveira de Azeméis regressou ao pavilhão Dr. Salvador Machado para ser de novo a marca de uma grande competição.

    Admirada pelos mais pequenos que, logo no primeiro dia do Europeu marcaram forte presença no pavilhão, a mascote tem animado os intervalos dos jogos reunindo no centro do rinque crianças para participarem em passatempos.

    A figura carismática do Hugo, uma referência ao selecionador Vitor Hugo com o qual Portugal se sagrou campeão mundial pela última vez, recorda a saga da seleção nacional que no início deste século viveu em Oliveira de Azeméis uma das páginas mais brilhantes de sempre do hóquei nacional.

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  2. A certos comentários que circulam e certas opiniões que por vezes aparecem, reafimo: Entenda ou não outras posições e interesses: - Eu sempre disse que gosto de futebol e do desporto de alta competição porque existe o FC Porto, se o Porto-clube deixasse de existir eu desinteressava-me do futebol e do desporto em geral. Pão, pão, queijo, queijo!
    ARMANDO PINTO

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