Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Monteiro da Costa – Recordando a aquisição contratual do “Torpedo do FC Porto”


Em tempo decisivo do período de transferências de verão do futebol profissional, nos dias que correm, nada mais propício que recordar aquisições noutros tempos incisivas para o futuro do clube, no passado histórico do FC Porto. Vindo a talhe, depois de se ter relembrado (no artigo anterior) a vinda de Pedroto em finais de agosto de 1952, com a repercussão que faz parte da história sempre presente, também outra muito importante, como foi, ainda antes, a entrada de Monteiro da Costa no grande clube portuense. Sendo o FC Porto por esses tempos já a coletividade mais representativa do Norte do Portugal, com nome da capital do Norte, como se dizia nesse tempo, à  época com casa de jogos no campo da Constituição, na parte urbana tradicional da Invicta. E esse mesmo António Henrique Monteiro da Costa, junto com Hernâni, Virgílio, Pedroto e tantos mais da geração de diamante da década de cinquenta, ficaria com nome associado a esse período dourado do futebol portista e nacional.


Ora, conforme um dito popular, para se ser lembrado é preciso ser visto; devendo assim, por outras palavras, haver algo que faça por isso. Tendo calhado a preceito, para o efeito, o que é lembrado, desta vez e neste dia, na newsletter "Dragões Diário:

Com efeito, então… «Há 69 anos, o FC Porto contratava Monteiro da Costa à Oliveirense, com a receita de dois jogos particulares a acrescer ao valor da transferência». Tendo, no decurso da sua carreira e pelo que perdura nos anais do futebol portista, ficado esse mesmo, conhecido por «o “torpedo” de São Paio de Oleiros», em posição assinalável, como comprova o caso de haver transposto «a barreira mítica dos 300 jogos com a camisola azul e branca, fazendo 97 golos e distinguindo-se como o terceiro melhor marcador dos Dragões em clássicos com o Benfica (com 10 golos), tabela em que só é superado por Pinga e Gomes (com 12 cada um). Jogou em várias posições, ganhou dois campeonatos e duas Taças de Portugal, lia Agatha Christie e sofria com as saudades da família geradas por estágios e digressões.» Juntando caso especial de ainda ser o detentor da marca de mais golos nos clássicos Porto-Benfica disputados no Porto, com oito golos com o FC Porto como anfitrião.

= Campeões de 1955/1956

Esse célebre Monteiro da Costa, que não descendia do refundador e segundo presidente do clube (José Monteiro da Coata) mas tinha o mesmo apelido familiar, embora provindo dos últimos nomes de seus pais, é pois merecedor desta evocação, na pertinência da efeméride, provocando achega de afinidade ao momento que passa…



Monteiro da Costa inicialmente fora um ponta-de-lança temível e depois distinguiu-se como médio, só lhe faltando praticamente ter sido guarda-redes, havendo jogado em algumas das melhores equipas de sempre do FC Porto, ao lado de Pedroto, Hernâni, Virgílio, Perdigão, Miguel Arcanjo ou Jaburu. Com diversas curiosidades associadas, entre as quais permancece ainda a de goleador-mor portista  contra o Benfica nos jogos em casa do FC Porto.

A sua biografia foi inicialmente descrita em pequeno livro que lhe foi dedicado pela coleção Ídolos do Desporto, de E. Carradinha, em 1956. Através de cuja brochura se sabe melhor antigos pormenores particulares, neste como em tantos casos, sendo que nesse tempo, com tais edições publicadas sobre figuras públicas do desporto, foi dado conhecimento interessante que certamente se teria perdido. Algo que hoje em dia infelizmente anda arredio das publicações, de ideias responsáveis mais viradas ao imediatismo.

Do mesmo, anos volvidos, há uma biografia superiormente descrita pelo grande portista Fernando Moreira em trabalho rotulado de “Dragões de Azul Forte”, incluído entre os dossiers do blogue “Bibó Porto carago”. Que engloba praticamente o que ficou para dizer sobre esse grande valor portista, nascido em São Paio de Oleiros, do concelho de Santa Maria da Feira, terra que mais tarde passou a ser residência do grande guarda-redes Américo e é torrão natal do ciclista António Carvalho, neto de Alberto Carvalho. Sendo assim António Monteiro da Costa deveras ligado a meios comuns portistas com auras superiores, sendo que posteriormente viveu em Arcozelo, do concelho de Gaia, onde ficou em descanso eterno, sepultado que está na terra de Santa Maria Adelaide, em cuja capela-museu se encontra a camisola com que Juary jogou na final de Viena.


«Monteiro da Costa – António Henrique Monteiro da Costa (n. São Paio de Oleiros, Santa Maria da Feira, 20 Ago.1928 / m. Arcozelo, V. N. Gaia, 2 Out.1984), representou o Sp. Espinho (1946-48) e a Oliveirense (1948-49) antes de ingressar no FC Porto, em 1949. Um dos chamados "pau para toda a obra", jogador polivalente, ocupou todas as posições exceto de guarda-redes.
• Para se aquilatar do seu valor e polivalência, veja-se o que se escreveu numa edição da revista “Cavaleiro Andante” dedicada a este extraordinário jogador do FC Porto: “Monteiro da Costa é a energia personificada. De temperamento combativo, sempre em ação, lutador destemido, o excelente “crack” do FC Porto derrama vigor em cada lance em que intervém. E de tal maneira se afirma a sua garra que, algumas vezes, dizem que ele chega a ser violento. Tem conhecido todos os lugares dentro da equipa do FC Porto. Foi avançado-centro, interior, extremo, defesa lateral e central, e hoje, graças à insistência do seu treinador, é médio. E foi neste último lugar que mais se puderam vincar as qualidades que o distinguem”.
• De facto, dando crédito ao que acima se leu, alinhou frequentemente como defesa-central, evidenciando segurança e qualidade. Outras posições em que tinha alto rendimento eram as de médio-ofensivo ou avançado. Concretizava inúmeros tentos nas balizas adversárias e, nos treze anos em que serviu o FC Porto (1949 a 1962), só no campeonato fez 72 golos em 270 jogos (enquanto no total das diversas provas marcou 97 golos em 328 jogos). Em Janeiro de 1951 foi o herói da extraordinária vitória por 2-0, sobre o Benfica, no Campo Grande em Lisboa, pois marcou ambos os golos.
• Atuou nas equipas excecionais que, nos anos 50, ganharam 2 Campeonatos e 2 Taças de Portugal. Colaborou com vários treinadores entre os quais os campeões Yustrich e Guttmann, jogou com excelentes futebolistas como Barrigana, Virgílio, Miguel Arcanjo, Osvaldo Cambalacho, Pedroto, Carlos Duarte, Jaburu, Carlos Vieira e Hernâni.

= Campeões de 1958/1959!

• O seu nome figura na lista dos "capitães" mais carismáticos da história do FC Porto, onde jogou ao longo de 12 épocas! Percorreu três décadas a jogar de camisola azul-e-branca vestida, pois ingressou no Clube em 1949 e acabou a carreira de jogador em 1962!

= Na função de capitão de equipa, na fase de transição da geração de cinquenta para a de sessenta.

• Jogador voluntarioso foi de uma entrega e dedicação inexcedíveis, nada regateando ao seu amado clube. Após a carreira de futebolista, nele perdurou a disponibilidade para ajudar o FC Porto. Em momentos difíceis da equipa aceitou comandá-la, como treinador (em parte das épocas 1974-75 e 1975-76).
• Internacional 6 vezes (duas na Seleção B e quatro pela A), tal como no seu clube usou de extraordinária abnegação com a "camisola das quinas" vestida. Nos “AA” estreou-se em jogo disputado no Estádio das Antas, ante a Áustria (1-1), em 23 Nov.1952, com os também portistas Barrigana e Ângelo Carvalho a fazerem parte da equipa. A última partida foi contra a Irlanda do Norte (1-1), em 16 Jan.1957, no Estádio José Alvalade (Lisboa). Nesse jogo alinharam pela Seleção Nacional cinco jogadores do FC Porto: além de Monteiro da Costa, também Virgílio, Pedroto, Hernâni e Fernando Perdigão.

= Num Festival noturno no estádio das Antas, empunhando a fâmula do futebol sénior, na frente, como capitão de equipa. Ladeado nas filas por Barbosa e Virgílio, reconhecendo-se ainda (e pouco mais, pela fraca visibilidade) entre outros, também Américo. =

• Depois de terminada a carreira de futebolista, Monteiro da Costa foi treinador. Eis o que, atestando o carácter e integridade moral de um grande Homem e desportista, diz dele um ex-pupilo: “Monteiro da Costa para além de jogador íntegro do FC Porto, foi um HOMEM que passou pelo Salgueiros e que para além de treinar os seniores, treinava com muito orgulho os juniores. Os treinos dos juniores começavam às 7 horas (da manhã) e ele esperava por nós, equipado, a correr à volta do velho campo Eng.º Vidal Pinheiro. Como Homem transmitiu valores que ainda hoje guardo e revelo a honra de lhe ter chamado “Mister”. Obrigado Sr. Monteiro da Costa”.
• Monteiro da Costa, o mais versátil futebolista de sempre do FC Porto, um grande exemplo de "amor à camisola", um coração azul-e-branco, um Homem de integridade perfilhada, uma grande glória do Clube!

Carreira no FC Porto ( como jogador)
1949-50 a 1961-62

Palmarés
2 Campeonatos Nacionais (1955-56, 1958-59)
2 Taças de Portugal (1955-56, 1957-58)»

Como treinador, passou por alguns clubes e chegou mesmo a ser treinador adjunto e principal do FC Porto, neste caso interinamente – tendo, em momentos difíceis da equipa sénior do FC Porto, aceitado o comando como treinador responsável, em parte das épocas 1974/75 e 1975/76.


Ressalta por entre tão importante carreira, em suma, o facto assinalável de Monteiro da Costa ser o melhor marcador da história dos jogos entre FC Porto e Benfica com os Dragões na qualidade de visitados.

Efetivamente, entre os jogos entretanto realizados dos FC Porto-Benfica para a Liga portuguesa (contabilizando apenas os jogos com os Dragões como anfitriões), aflorando uma questão sobre quem quem é o maior goleador de sempre deste clássico – podendo pensar-se em mais recentes grandes goleadores, como Fernando Gomes, Jardel ou até Domingos – há que recuar na história e trazer à memória o nome  de Monteiro da Costa.


Tratando-se de António Henrique Monteiro da Costa, médio/avançado que entre as épocas 1949/50 e 1961/62 jogou por 328 vezes marcou 97 golos com a camisola do FC Porto. Chamavam-lhe Homem Canhão e participou nas conquistas de dois Campeonatos Nacionais (1955/56 e 1958/59) e duas Taças de Portugal (1955/56 e 1957/58).


Em 11 jogos em que participou dos classicos FC Porto-Benfica marcou oito golos, dos quais lhe advém o título de maior goleador nesse confronto em jogos disputados com o FC Porto como clube visitado do rival vermelho, para a mais importante prova do futebol nacional. Bisou no duelo de 1950/51 e depois, já nas Antas, apontou mais seis golos aos lisboetas, entre as temporadas 1952/53 e 1957/58.


“Atleta pundonoroso, enérgico e esforçado. António Henrique Monteiro da Costa é, incontestavelmente, um dos elementos mais representativos do futebol – no nosso Clube e no Desporto Nacional”, lê-se, numa publicação datada de 1960. O Homem Canhão jogava em qualquer posição (só lhe terá faltado a baliza) e é uma espécie de protótipo do chamado jogador à Porto. Foi capitão durante vários anos e ainda treinador interino e treinador adjunto nos anos 1970. Faleceu em agosto de 1984» (na terra da considerada santa Maria Adelaide, em Arcozelo, onde está a camisola com que Juary marcou o golo da vitória de Viena).

«Monteiro da Costa, que foi por quatro vezes internacional português pela seleção principal – num tempo em que os jogos de seleções eram muito mais raros – foi contemporâneo do guarda-redes Barrigana, de Miguel Arcanjo, Hernâni, Jaburu, José Maria Pedroto e Virgílio, o leão de Génova.»


Ora, Monteiro da Costa, que em parte da sua carreira foi médio e distribuidor de jogo, como se diz em linguagaem desportiva, além de ter ainda sido defesa, começou por ser avançado e, na posição dianteira do campo, foi pois o futebolista que até hoje mais golos marcou ao Benfica. Depois de em 1949 ter aportado ao FC Porto, em chegada que se revelou feliz, após sua aquisiçaão confirmada em finais de agosto desse ano.

ARMANDO PINTO
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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Efeméride: Contrato de Pedroto como jogador portista - Um dia com repercussão no FC Porto


Assinala a página informática do Museu do FC Porto que «neste dia, há 66 anos, iniciava-se uma ligação eterna: Pedroto assinava o seu primeiro contrato com o FC Porto, ainda como jogador. Depois veio a fase de treinador, que o tornou Mestre e imortal...»

Foi pois ao findar agosto de 1952 que Pedroto regressou ao Porto para jogar no FC Porto, depois de ter sido infantil no FC Porto, ao tempo da escola de Gutkas. Tendo a sua primeira camisola sido a do FC Porto, com a zona do campo da Constituição nas imediações do colégio onde estudava. Contudo, com a mudança de residência familiar para Pedras Rubras passou depois pelo Leixões, até ir para a tropa. Iniciado o serviço militar no Algarve, rumou então seus passos futebolísticos pelo Lusitano de Vila Real de Santo António. Havendo de seguida surgido diversos convites de clubes de topo, escolheu então o Belenenses para a continuação de sua ascensão em Lisboa, até que em 1952 o FC Porto voltou a tentar e conseguiu a aquisição de Pedroto, numa transferência que passou a ser a mais cara até essa época.


E Pedroto para sempre ficou na História do FC Porto, com diversas saídas e entradas, vicissitudes várias, mas sempre ligado ao FC Porto, de tal modo que, assim como começou entre gente do FC Porto, também terminou e ficou a repousar, por fim, no local sagrado do mausoléu do FC Porto, lado a lado com ourtros grandiosos nomes da vida portista, onde “Repousam Glórias do FC Porto”.

José Maria de Carvalho Pedroto nasceu no dia 21 de Outubro de 1928 em Lamego. Ainda criança, quando tinha sete anos, o seu pai que era militar foi colocado num quartel na cidade do Porto e levou toda a família consigo. Entretanto o pai morreu e então Pedroto foi para o Colégio Araújo Lima, perto do Campo da Constituição e por ali começou a dar os primeiros pontapés na bola, tentando imitar o seu ídolo desse tempo, o famoso Pinga, jogador do Futebol Clube do Porto de nome Artur de Sousa e cognome de guerra Pinga, de apelido familiar de seu remanso madeirense. De permeio, quando tinha 10 anos a família de Pedroto mudou-se para Pedras Rubras e aí depois, jovem em crescimento, ele ajudou a fundar, juntamente com um grupo de amigos, o F.C. Pedras Rubras, no qual o próprio era o presidente e também o capitão da equipa de futebol.


Passada essa fase, com 18 anos de idade começou a jogar nos juniores do Leixões, atuando já a meio-campo, posição de visão de jogo em que começou a demonstrar talento. De permeio intrometeu-se a chegada do serviço militar obrigatório, que o levou de abalada até ao Algarve, aquartelado em Tavira, na Escola de Sargentos Milicianos. Aproveitou então oportunidade para jogar no Lusitano de Vila Real de Santo António, à época na 1ª divisão nacional. No decurso dessa prestação, tendo Pedroto atraído as atenções de clubes de maior nomeada, sobretudo e primeiramente do Belenenses que lhe ofereceu 25.000 escudos (25 contos) e mais 25.000 ao Lusitano, acabou por seguir o destino do clube lisboeta da cruz de Cristo. Apesar de entretanto ter aparecido também um convite do FC Porto, antes ainda de assinar contrato com os azuis de Belém, tendo da parte do Futebol Clube do Porto havido proposta de 80.000 escudos. Mas como Pedroto já tinha dado a sua palavra aos homens do Belenenses, não voltou atrás. Evoluiu  assim com a camisola azul do Restelo, até que em 1952 de novo o F.C. Porto insistiu e ele acabou por assinar com o FC Porto para a época de 1952/53, mediante as condições pedidas por Pedroto e aceites pela direção portista, numa soma de 150.000 escudos, algo que foi a mais cara transferência até então no futebol português.


Eis que assim ficou a jogar pelo FC Porto, numa contribuição de muita importância. Cuja carreira é sintetizada em sua ficha biográfico-desportiva, como bem é narrado no blogue “Estrelas do FCP”:

«A sua estreia com a camisola dos Dragões aconteceu no dia 28 de Setembro de 1952 no Campo da Amorosa em Guimarães onde os portistas visitaram o Vitória S.C. e venceram por 1-0, num jogo que contou para a 1ª jornada do Campeonato Nacional de 1952/53.


Na época de 1955/56 o F.C. Porto, sob o comando técnico de Dorival Yustrich, terminou com um jejum de 15 anos sem vencer o campeonato sangrando-se Campeão Nacional e também conquistou a Taça de Portugal ao vencer na final o S.C. União Torreense. Pedroto alinhou em 24 jogos e marcou 2 golos.
Na época de 1956/57 os portistas disputaram a Taça dos Clubes Campeões Europeus, na primeira presença do clube azul e branco nas provas europeias. Pedroto foi um dos jogadores titulares da equipa que defrontou os espanhóis do Athletic Club Bilbao na 1ª eliminatória que os bascos venceram.
Em 1958/59 repetiu a conquista no campeonato nacional, já com Bela Guttman a treinador tendo José Maria Pedroto alinhado em apenas 5 partidas.
No final da temporada de 1959/60, pôs um ponto final na sua carreira de jogador.
Esteve no Futebol Clube do Porto oito temporadas onde foi Campeão Nacional por duas vezes e venceu uma Taça de Portugal.
Passou imediatamente a treinador tendo assumido o comando técnico das camadas jovens do F.C. Porto e também dos juniores da Seleção Nacional onde conquistou o Torneio Internacional da UEFA. Passa depois para treinador da Académica de Coimbra onde esteve duas épocas, seguindo-se depois o Leixões S.C. e o Varzim S.C. em 1965/66.
Na temporada de 1966/67 realizou o seu sonho ao tornar-se treinador da equipa principal do Futebol Clube do Porto. Esteve três épocas nas Antas onde conquistou uma Taça de Portugal em 1967/68 ao derrotar na final o Vitória de Setúbal por 2-1.
Logo depois da saída algo atribulada do F.C. Porto, Pedroto ingressou no Vitória de Setúbal onde permaneceu no comando técnico da equipa por 5 épocas. Sob o seu comando, os sadinos não conquistaram nenhum título, mas ficaram por uma vez em segundo lugar, três terceiros lugares e um quarto lugar, e atingiu por duas vezes os quartos de final da Taça UEFA.
Na época de 1974/75 mudou-se para o Boavista F.C. onde permaneceu duas épocas. Nessas duas épocas acumulou o cargo de treinador da Seleção Nacional.
Na temporada de 1976/77 Pedroto regressa ao Futebol Clube do Porto e vence a Taça de Portugal ao derrotar o S.C. Braga na final.
Na época seguinte sagrou-se Campeão Nacional e o F.C. Porto quebrou o longo jejum de 19 anos sem ganhar o campeonato.
Em 1978/79 levou o F.C. Porto ao título de Bicampeão.
Na época seguinte ficou em segundo lugar a escassos dois pontos do Sporting C.P. que ganhou o campeonato. No final dessa temporada, Pedroto foi afastado do comando técnico dos portistas pelo então Presidente Américo Sá.
Em 1980/81 ingressou no Vitória de Guimarães já com o campeonato na 9ª jornada mas ainda assim levou a equipa ao 5º lugar no final da época.
Na temporada seguinte continuou ao serviço dos vimaranenses e terminou o campeonato com um quarto lugar.
Para a época de 1982/83 e já com Jorge Nuno Pinto da Costa na presidência do Futebol Clube do Porto, Pedroto regressa ao clube das Antas.


Adicionar legenda
Na época seguinte conquista a Taça de Portugal ao vencer na final o Rio Ave F.C. por 4-1. No entanto à 10ª jornada do Campeonato Nacional, Pedroto foi obrigado a deixar de orientar os portistas por causa de lhe ter sido diagnosticado um cancro. Em Janeiro de 1984 foi para Londres onde viria a ser internado, e deixa o comando dos Dragões a António Morais. Em Maio e já em casa, assistiu à final da Taça dos Vencedores das Taças entre o F.C. Porto e a Juventus F.C. de Itália, onde os transalpinos foram mais felizes.
No dia 7 de Janeiro de 1985 e com 56 anos de idade, José Maria Pedroto acabou por não conseguir vencer a doença que o levou do mundo dos vivos. Ficou sepultado no cemitério de Agramonte, no mausoléu do Futebol Clube do Porto.

Palmarés como jogador
2 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão de Portugal
1 Taça de Portugal
3 Taças Associação de Futebol do Porto

Palmarés como treinador
2 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão  de Portugal
5 Taças de Portugal»


É esse e este Pedroto que para sempre fica na História do FC Porto. Como está em livros, cromos e recortes de peças guardadas nos arquivos do autor deste blogue e, de modo especial, no afeto dos Portistas.

Armando Pinto
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domingo, 26 de agosto de 2018

Freitas: Protótipo de Jogador Portista, qual 115 de outros tempos, perante imagem 112 recente…


Quando algo não corre bem, como no caso de jogadores que se empenham menos, para não dizer de outra forma, há sempre qualquer exemplo que vem à tona das lembranças, de outras ocasiões melhor conseguidas com atletas mais esforçados, sem descurar chefias mais sincronizadas e orientações atentamente discernidas.


Ora, falando na primeira pessoa – porque sou adepto do FC Porto que sente e quando apresento qualquer razão é para meu bem estar portista, a bem dizer o mesmo quanto ao bem da coletividade – não vi jogar os maiores valores de tempos antigos do futebol do clube, obviamente, mas por conhecer a história do FC Porto, aprecio terem existido uns Pinga, Valdemar Mota, Acácio Mesquita, Siska, Gomes da Costa, Soares dos Reis, Araújo, Hernâni, Barrigana, Virgílio, Carlos Duarte, etc. Como vi jogar e admirei imenso o Américo, o Custódio Pinto, o Festa, o Jaime Silva, mais uns Nóbrega, Pavão, Rolando, Armando, Rui, Lemos, Manhiça, Cubillas, Rodolfo, Gomes, Fonseca, Duda, Oliveira, etc. etc. e tenho como protótipo de jogadores de tempos áureos mais recentes uns modelos tipo padrão à João Pinto, Paulinho Santos, Jorge Costa, Bruno Alves, Vítor Baía, Deco, Aloísio, Lucho, Lisandro, Adriano e por aí adiante. Logo vindo à ideia a necessidade paradigmática que urge voltar a existir. Como existiu em tempos idos um Freitas, que dispensa grandes apresentações explicativas, a não ser que é dos futebolistas que vestiram a camisola do FC Porto eternamente lembrados por quem sente o FC Porto.

Convém avivar, porque tem realidade, que jogadores houve e alguns mesmo andam por aí, que não marcam, nem jamais merecerão, a eternidade portista, por culpas próprias, apesar de em seu tempo de representação do FC Porto terem feito coisas agradáveis, mas que deixaram marcas desagradáveis pelo tempo posterior. Qual o caso dum tal Tozé que, primeiro num penalti inventado, quando jogava no Estoril, e posteriormente num golo caído do céu ao serviço do Guimarães, se tornou detestável com suas atitudes sempre que tem conseguido marcar golos contra o FC Porto, do pouquíssimo que consegue fazer... tal como um André André, que apesar de ter posto ao quadrado o nome de seu pai não lhe chega aos calcanhares da história... o qual, depois de há anos ter forçado um penalti contra o FC Porto quando jogava primeiramente no Guimarães (algo que foi atenuado posteriormente com o golo que marcou ao Benfica no único jogo de jeito que fez depois na equipa principal do FCP), agora corre a apanhar a bola logo após o seu golo no regresso ao Guimarães, depois de ter querido sair do FC Porto, quando antes andava a passo enquanto jogou no Dragão... 

Como tal evocamos desta feita uma recordação que vem a propósito – porque para bons entendedores não será necessário dizer mais…  

Na pertinência, junta-se aqui e agora uma crónica que há dias o Jornal de Notícias incluiu na rubrica Património Nacional, sobre o possante e dedicado defensor Freitas – antigo 112 do FC Porto (número de emergência antigamente, anterior ao telefónico 112 de agora):

Armando Pinto
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sábado, 25 de agosto de 2018

Crónica de Memória Portista na Revista DRAGÕES


Como está a ser noticiado, já se pode «ler a mais recente edição da Dragões, que foi ontem disponibilizada online. Os maiores destaques são as conquistas da Supertaça de futebol e da Volta a Portugal, mas há muito mais…»

Ora, no número 380 da revista Dragões, agora colocada em versão informática, para dentro de algum tempo aparecer normalmente na edição impressa, disponível nas lojas do FC Porto (“FC Porto Stores”) e que entretanto chegará aos assinantes, vem publicada desta vez, junto ao conteúdo do ciclismo, uma crónica alusiva a uma curiosidade relacionada com a modalidade que leva o FC Porto de bicicleta pelo país além. Tratando esse artigo escrito sobre um carro com história, relativo a um antigo automóvel descapotável de apoio do ciclismo do FC Porto. Assunto inserto na revista num espaço Do Leitor, sob título AS VOLTAS QUE UM CARRO DÁ…

Ora, na verdade, e desde já respondendo a interrogações indagando se era ou não… é mesmo: o referido artigo tem assinatura com nome que é efetivamente o do autor deste blogue. Sim, na primeira vez de publicação de algo próprio na revista Dragões, embora como colaboração de simples leitor, naturalmente. Numa colaboração episódica, depois de há muitos anos, entre 1974 a 1980, ter sido colaborador normal do antigo jornal O Porto (numa correspondência terminada aquando do chamado "verão quente das Antas"); bem como anos mais tarde, em 2009 e 2010, haver sido também colaborador da revista Mundo Azul, ao tempo do Conselho Cultural do clube.

Pois esse tema, do antigo descapotável carro de apoio do FC Porto, deparou-se através de mensagem de um atento amigo leitor deste espaço de Memória Portista. Há já algum tempo. Tendo depois havido ideia do interessante assunto poder ter espaço físico mais ligado à vida pública do FC Porto. E assim terá lugar mais amplo, em modo publicista oficial. Como se poderá para já ir vendo na edição online (a cuja página se reporta a imagem) que depois se pode ler na revista publicada em papel.

Armando Pinto
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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Luís Roberto – Um dos “Artistas” Campeões de 1959 pelo FC Porto


Não há coisa mais bonita que ver as camisolas azuis e brancas do FC Porto a fluírem em jogo, vendo-se essas lindas camisolas com aquelas duas listas azuis apreciáveis, bem sintonizadas ao branco restante, mexendo-se na linha da bola, a dar corpo ao que isso motiva e produz. Tal como, já desde inícios dos anos sessentas, o encanto portista começou a tomar conta dos pensamentos de alguém, quando em criança começou a despertar esse sentimento único aqui no íntimo do autor destas linhas. E já nessa fase do campeonato da vida começaram a tornar-se apreciáveis diversos jogadores do Porto, aos olhos de quem foi memorizando tudo. Passando assim diante dos olhos da recordação alguns futebolistas marcantes, quais Hernâni, Arcanjo, Carlos Duarte, Virgílio, Perdigão, Américo, Azumir, Pinto, Jaime, etc, etc. e… Luís Roberto.

Estava-se em tempo de ainda estar de fresco a conquista do Campeonato Nacional de futebol em 1959, de modo épico, como ficou para a história. E os nomes de Luís Roberto, Hernâni, Virgílio, Arcanjo, Acúrcio, Monteiro da Costa, Teixeira, Noé, Carlos Duarte, Barbosa, Osvaldo Silva, Perdigão, Pedroto, Gastão, Américo, Morais, irmãos Sarmento, etc, ainda estavam bem nas recordações passadas em conversas, que os mais pequenos ouviam aos amigos e familiares maiores.


Ora nos alvores da década de sessenta, por esses tempos de princípio dos anos românticos da música lançada por artistas de cabelos compridos e roupas largueironas, o futebol em Portugal era algo em expansão, mas à imagem do regime político deveras restringido, ante o poder reinol dependente dos clubes de Lisboa. Eram épocas atrás de épocas com o sistema BSB a dominar tudo, na linha do regime mantido à lei da rolha. Havendo, tal como no tempo da Romanização em que os historiadores romanos referiam que na Ibéria havia um povo que não se deixava dominar, os Lusitanos, também nesse período do Estado Novo português se sabia que, a Norte de Portugal, havia um clube, o Futebol Clube do Porto, que não se deixava ir na torrente do obscurantismo e fazia das fraquezas forças para lutar contra a situação. Não admirando que, então, os jogadores dos clubes lisboetas fossem propagandeados por tudo quanto era sítio, quão já a televisão e jornais só promoviam nomes do Benfica, Sporting e Belenenses. De modo que grandes astros que jogavam no FC Porto eram mais conhecidos e reconhecidos entre os adeptos portistas. Mas mesmo assim, em sinal de sua valia, passando sua imagem além fronteiras e, de modo especial, pelos tempos além. Como ocorreu com um dos brasileiros que em finais dos anos cinquentas, até princípios dos anos sessentas, ficou na memória portista, sendo um dos paradigmas memoriais do século XX no seio da nação azul e branca das Antas. Como foi e é o caso de Luís Roberto, que jogou no FC Porto nessas eras, figurando nas memórias do mundo afeto ao clube Dragão.


Pois no princípio da década dos anos 60 começava eu a sentir-me portista. E entre os jogadores que comecei a saber que eram do Porto lá estava Luís Roberto – de porte firme e simpático, quão nos cromos que vinham com rebuçados, que eu começava também a colecionar, aparecia diante dos meus olhos com cara de artista de cinema, como eu ia vendo em filmes o artista a fazer olhos a quaisquer raparigas, irradiando atração.


Luís Roberto, vindo do Brasil, firmou-se assim como um verdadeiro nome do FC Porto para sempre ser recordado.


De seu nome completo Luís Roberto Alves da Silva, nasceu no dia 4 de Março de 1934 na cidade de Alegre, no Estado do Espírito Santo, no Brasil.

Lá na sua região do Brasil foi juvenil do Botafogo (Belo Horizonte), como do “Sete de Setembro” também de Belo Horizonte e ainda no América Mineiro. Depois também nos Juvenis e Juniores do Flamengo, do Rio de Janeiro. Passando de seguida à categoria de aspirantes, já com contrato. E por fim à categoria de Honra, no carioca Clube de Regatas Flamengo. E do Flamengo, com a fama entretanto granjeada, como médio (centro campista) de grande valor, veio para o FC Porto.

Representou o Futebol Clube do Porto durante três épocas, entre 1958/59, 1959/60 até 1960/61. Tendo-se mantido ainda na cidade do Porto mais tempo, de modo que teve uma homenagem, através de festa de despedida em pleno estádio das Antas, em Março de 1962.


Da correspondente ficha identificativa sobre Luís Roberto, anotamos, com a devida vénia, do blogue “Estrelas do FCP” de Paulo Moreira:

«A sua estreia com a camisola dos Dragões aconteceu no dia 21 de Setembro de 1959 no Campo Estrela onde os portistas venceram o Lusitano Ginásio Clube de Évora por 2-1, numa partida a contar para a 2ª jornada do Campeonato Nacional da época de 1958/59.

Logo na sua primeira temporada ao serviço dos portistas Luís Roberto sagrou-se Campeão Nacional. Os Dragões venceram o último jogo do campeonato em Torres Vedras contra o S.C. União Torreense por 3-0 mas tiveram ainda que esperar mais 8 minutos para que o árbitro da partida entre o S.L. Benfica e o G.D. Cuf, Inocêncio Calabote, terminasse o encontro para assim poderem festejar a conquista do título. Um título que teve apenas um golo de Luís Roberto, foi na 21ª jornada quando o F.C. Porto recebeu e venceu o S.C. Covilhã por 5-2. Em 1959/60 e 1960/61 o médio portista conquistou a Taça Associação de Futebol do Porto. Nas três épocas em que esteve ao serviço do F.C. Porto, Luís Roberto disputou 56 partidas e marcou 3 golos.

Palmarés
1 Campeonato Nacional 1ª Divisão (Portugal)
3 Taças Associação de Futebol do Porto»

De seu livro biográfico, que lhe foi dedicado em Portugal pela coleção “Ídolos do Desporto”, em Janeiro de 1961, retemos algumas passagens e imagens, como ilustração a preceito.


Complementa-se esta evocação com imagens dos Campeões de 1958/59, respeitantes a duas equipas usadas durante a época – uma (a seguir, abaixo) publicada numa revista estrangeira e a outra (mais acima) em poster publicado nesse tempo (de arquivo físico do próprio autor deste blogue, tal como o livro da coleção Ídolos do Desporto).


Luís Roberto, o “Roberto do Porto”, acabou a carreira prematuramente devido a uma lesão grave, sofrida num jogo FC Porto-Académica em pleno relvado das Antas, em Março de 1961. Da qual não recuperou de modo a poder continuar a jogar. 


Teve depois, por fim, em reconhecimento de quanto representou sua participação no FC Porto, uma festa de homenagem, como despedida, a 6 de Março de 1962. Incluindo programa festivo, que meteu provas de ciclismo (na pista então existente em volta do relvado do estádio das Antas), e como prato de cartaz um jogo entre o FC Porto e o Benfica, terminado com o resultado de 1-0 a favor do FC Porto.


Como curiosidade, esse festival de homenagem e despedida a Luís Roberto realizou-se a uma terça-feira, que não foi dia de trabalho normal, pois era Dia de Carnaval. Ocorrência a calhar devidamente, atendendo ao homenageado ser natural da cidade brasileira de Alegre, e por o carnaval ser deveras alegre no Brasil, até parecendo que a linha da vida se tornava contagiante nos melhores sentidos.


Desse acontecimento, juntamos também alguns recortes correspondentes (através de mediação do portista amigo Paulo Jorge Oliveira, graças a seus contactos com um filho de Luís Roberto, por meio de boa partilha informática).

= Bilhete da Festa de Homenagem a Luís Roberto. Com jogo de resultado: FC Porto, 1 - SLB, 0 =

= Na despedida, com as chuteiras na mão, saudando o público presente nas Antas (rodeado por Cavém, do Benfica, e Perdigão, Virgílio e Hernãni, colegas do FC Porto).

Depois de acabar a carreira como futebolista e haver regressado ao Brasil, tornou-se empresário no comércio.

Luís Roberto faleceu em fevereiro de 2003, aos 68 anos, em Belo Horizonte.

ARMANDO PINTO
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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Soares dos Reis – Uma dinastia real de guarda-redes e não só… numa linha desportiva do futebol até ao ciclismo!


É sabido que a nação portuguesa começou no norte do país, mais precisamente na área do noroeste, pela zona de transição de Douro e Minho, sendo que a fidalguia que ajudou à criação da nacionalidade era da zona do baixo Minho e Douro Litoral. Havendo, pelas circunscrições alastradas pelo Vale do Sousa, os Sousãos que governaram parcelas importantes do Condado Portucalense. Para não recuar a tempos de trilobites, como se sabe por fósseis como réstias de antiga maresia nos vales circundados pelas serras das zonas do Paiva e do Sousa, desde as serras de Arouca a Valongo, passando por Penafiel, Lousada e áreas do genuíno vale do sousa alongado até Felgueiras, onde nasce o rio Sousa nos corredios de S. Vicente de Sousa. Quão importante foi sempre essa parcela do país profundo, onde a nação brotou. Não admirando que do alegre e viçoso Vale do Sousa haja surgido castas de gente como os Soares dos Reis, a que dedicamos aqui atenção devida, desta feita.


Soares dos Reis foi nome que começou a ser do conhecimento pessoal, do autor destas linhas, por leituras de reportagens, dando conta que tinha sido um guarda-redes valoroso do Futebol Clube do Porto. Mais tarde também por associação ao escultor duma figura que aparecia no livro de leitura escolar. Embora sabendo depois que nada tinha a ver uma coisa com outra, nem um com o outro, a não ser na excelência de cada qual em seu mister. Passando a considerar o próprio apelido famoso como tal, sendo assim esse um nome grande em Portugal, quer na área da arte escultórica, quer no campo desportivo do futebol e não só… mas também. Podendo assim considerar-se um nome de marca, a nível artístico pelo famoso escultor da obra-prima “ O Desterrado”, título da escultura mais célebre desse mestre cujo nome perdura no museu artístico da cidade do Porto. E, embora sem ligação familiar, também tanto ou mais famoso, de modo especial como nome conhecido da história desportiva nacional, através do famoso guarda-redes de futebol Soares dos Reis, que se tornou figura portuense e nacional como guardião do FC Porto e da seleção nacional em seu tempo. Tal como ainda por via de seus continuadores futebolistas na linha familiar, tendo um seu irmão e um sobrinho-afilhado sido igualmente guarda-redes que chegaram a defender a baliza do FC Porto, entre outras curiosidades de percurso, incluindo o facto de ter havido sequência extensiva ao ciclismo.

É assim essa linhagem digna de menção honrosa, no caso dos Soares dos Reis salientes no panorama histórico de desporto português.  

A sua importância como nome do futebol, torna o clã como que doutorado na amplitude de sua dimensão. 

Soares dos Reis, o primeiro, que fez história na baliza do FC Porto e da seleção portuguesa, além de ter sido mais tarde dirigente do FC Porto, foi também o primeiro guarda-redes internacional do FC Porto. Bem como deu início a uma dinastia de guarda-redes que vestiram a camisola do FC Porto. Seguindo suas pisadas Soares dos Reis II, seu irmão, mais novo seis anos e que antecedeu na baliza portista o “Mãos de ferro” Barrigana, e posteriormente o sobrinho e afilhado, Neca Soares dos Reis, que foi júnior e sénior pelo FC Porto, tendo sido titular da equipa de reservas ao início da década de sessenta, e companheiro de plantel com Américo e Rui, entre outros. Até que, cedido pelo clube, representou durante anos outros emblemas e, mais tarde, se dedicou também ao ciclismo, sendo atualmente considerado o maior colecionador de artigos relacionados com a modalidade das bicicletas.

= O mais novo (Neca) Soares dos Reis, junto ao Soares dos Reis II...

Um interessante caso que dá pano para mangas, que aqui e agora se procura alinhavar pela escrita possível, em artigo com lugar há muito planeado neste blogue…

Mas... Comecemos então pelo princípio: 
~~~~ ***** ~~~~ 
(Manuel) Soares dos Reis

Manuel Soares dos Reis, nascido a 11 de Março de 1910, em Penafiel, e falecido no dia 15 de Abril de 1990, na cidade do Porto, teve um percurso desportivo anterior a ter ingressado no FC Porto.


Então, ainda jovem, pela época 1925/26 Soares dos Reis começou a jogar no Egas Moniz Foot-ball Club, em Penafiel. Em tempos ainda de brincadeiras e jogatanas de bola com amigos, além de idas aos ninhos com colegas de infância. Contava ele que sua família não queria nem uma coisa nem outra. Seu pai chamava ao “foot-ball” uma doidice e à história dos ninhos um pecado. Por vezes escondia-lhe a roupa, mas ele não se importava e ia, nem que fosse como foi algumas vezes, em ceroulas. Depois sofria as consequências, pois o pai, com um grande bengalão, esperava-o à porta de casa e ele tinha que descobrir mil processos para não apanhar fortes tareias. Fugia até seu pai se esquecer e cada dia seguinte renovava as suas idas para o campo, para o meio da equipa. (Curiosamente, enquanto nesses primeiros tempos o pai não via com bons olhos o entusiasmo do filho, já mais tarde, quando na década de 30 Soares dos Reis passou a defender a baliza do F. C. do Porto, até se deslocava de Penafiel ao Porto só para o ver jogar.)


Entretanto, havia sido criado na terra natal um clube, o Sport Club de Penafiel, fundado em 1923. Ao qual pouco depois o jovem Manuel Soares dos Reis passou a dar seu contributo pelas épocas de 1926/27 a 1927/28. Com exibições que foram passando além fronteiras de sua área geográfica. Como aconteceu num jogo que o projetou a nível mais vasto, tendo tido algum destaque no jornal "Os Sports de Lisboa". Reportando isso a um jogo disputado contra o Guimarães Sport Club, prélio que o Sport Club de Penafiel venceu por concludente 3-0 tal valoroso adversário, ao tempo 2.º classificado do Campeonato da Associação de Braga. Seguindo-se encontros vários, nas compitas realizadas ao tempo, com saliência, conforme o próprio recordava, para a conquista em 1927 da taça "Festas da Cidade", disputada em Penafiel com o Sport Club Lixense, através de vitória por 4-1 diante desse antigo grupo da Lixa (do concelho de Felgueiras). Enquanto na época seguinte, perante o bom desempenho que a equipa fizera, além de jogos com equipas da mesma igualha, por assim dizer (tendo inclusive vencido de permeio no Dia de Natal a "Taça Cidade de Penafiel”, diante do Egas Moniz Sport Club, seu antigo clube também de Penafiel), o mesmo seu clube Sport Club de Penafiel participou também no Campeonato da Associação de Futebol do Porto, durante alguns meses, sem ter podido depois continuar em virtude de não ter campo com as condições regulamentares exigidas pela mesma Associação.

Enquanto isso, resultante duma grande exibição em 1927 do jovem guarda-redes penafidelense num jogo a contar para o Campeonato da Promoção, realizado em Leça da Palmeira contra o clube local, na época seguinte Soares dos Reis passou a defender a baliza do Leça Foot-Ball Club. Aí entrou Soares dos Reis a disputar o Campeonato de Portugal, no qual, com o mesmo guardião, o Leça foi a única equipa do norte de Portugal a chegar aos quartos da final.


Chegada a idade do serviço militar obrigatório, Soares dos Reis foi para Lisboa cumprir a vida de tropa e, perante essa realidade, aceitou convite de jogar no clube dum seu oficial superior, transferindo-se assim na época de 1931/32 para o Club Foot-Ball "Os Belenenses". Tendo sido já com Soares dos Reis na baliza que o Belenenses venceu em Coimbra a "Taça União", derrotando o União de Coimbra. Até que em Dezembro de 1931, também, o Belenenses disputou a final do Campeonato de Portugal com o Futebol Club do Porto, na qual houve primeiro um empate a 4 bolas, tendo no dia seguinte em Coimbra se realizado o jogo de desempate que o Futebol Clube do Porto venceu por 2-1. Apesar disso, o Belenenses e extensivamente Soares dos Reis foram campeões do Campeonato de Lisboa Acontecendo, como tal, que Soares dos Reis, embora sendo homem do norte, como representava "Os Belenenses", era o guarda-redes da Seleção do Sul.

Após isso, na seguinte época de 1932/33 regressava ao Norte, para defender as balizas do Boavista, e, como tal, também, deixou de fazer parte da Seleção de Lisboa, para ingressar na Seleção do Porto.


Continuando a dar nas vistas, Soares dos Reis na época seguinte rumou ao Futebol Clube do Porto.


A estreia com a camisola do Futebol Clube do Porto aconteceu no dia 12 de Novembro de 1933 no Campo do Bessa onde os portistas e o Leça F.C. empataram 1-1, numa partida a contar para a 1ª jornada do Campeonato do Porto (como era popularmente chamado da Associação de Futebol de Porto) da época de 1933/34. Prova também conhecida por Campeonato do Norte, levando que o vencedor fosse apelidado de Campeão do Norte. 

= Primeiros tempos no FC Porto. Separata da revista "Stadium", de 1 de Agosto de 1934. "Equipa do Foot-Ball Club do Porto".


Dono da baliza dos dragões, durante sete épocas, desde 1933/34 a 1939/40, distinguiu-se de tal forma no plantel portista que foi o primeiro guarda-redes internacional do Futebol Clube do Porto.

Soares dos Reis tinha então uma faceta curiosa, de ser conhecido por se treinar de forma caricata, tendo durante algum tempo aprimorado a rapidez e instinto de se lançar às bolas com treinos a atirar-se a agarrar um coelho, que lhe havia sido oferecido por uma admiradora – com o qual foi fotografado, cuja foto é histórica diante de sua fama de grandes reflexos.


Soares dos Reis jogava então de camisola de gola alta, bordada com as suas iniciais «SR» bem visíveis. Uma das camisolas usadas, como depois usou outra com iniciais FCP e ainda outras lisas.

No FC Porto, na segunda época ao serviço do FC Porto logo ajudou à conquista do título nacional, no que foi o primeiro Campeonato Nacional (Liga) que venceu com a camisola do FCP, disputado em 1934-35.

Dessa temporada, fica à posteridade uma pose da equipa campeã do FC Porto em 1934/35. Com toda a equipa usando blusão com as iniciais FCP (embora o guarda-redes também tenha usado camisola de equipamento de jogo com as mesmas iniciais).

= Foto de página inteira da revista "Stadium" de 26 de Dezembro de 1934. Equipa do Foot-Ball Club do Porto, "Campeão Vitalício" da Capital do Norte.= 

De tal proeza, nesse tempo, houve mesmo versos que foram publicados em panfletos e daí andaram de boca em boca em cantiga popularmente entoada – como na época era usual em cantos de heróis do povo, através de folhetos que se vendiam em feiras e em quiosques nas publicações de cordel (por estarem expostos ao público pendurados em fios de corda fina, cordel). Cujos versos fazem parte dos arquivos de Soares dos Reis, dos quais se anotam algumas partes:
...
Com o seu altivo porte
O nosso onze do Porto
Trouxe do Sul para o Norte
A glória para o desporto

O nosso onze valente,
P'ra honra deste torrão,
Deve julgar-se contente
Do Porto ser campeão.

Jogaram em tarde boa,
Delira o norte franco,
Esta semana, em Lisboa
Há beiça com feijão branco.
Soares dos Reis, Avelino,
Carlos Pereira e Valdemar
Trabalharam com destino
Para o seu grupo honrar.

= Revista "O Notícias Ilustrado", de 19 de Maio de 1935. Equipa do F.C do Porto que alcançou, em Coimbra, o título de Campeão Nacional da 1ª Liga 1934/35. Na outra página, a receção de milhares de portugueses aos Campeões Nacionais, na estação de S. Bento, no Porto; e em círculos instantâneos do jogo, com Soares dos Reis como interveniente = 

Com o título de Campeão, o FC Porto naturalmente passou ainda a ser mais desejado em jogos amigáveis, de convívios e homenagens, mais festivais desportivos. Como aconteceu numa tarde em plena cidade berço da nação, tendo o FC Porto sido convidado para ir a Guimarães. Onde o FC Porto foi, acedendo jogar, como ficou registado à posteridade em postal ilustrado.

= Postal ilustrado. Na foto: As equipas principais do F. C. Porto e do Vitória de Guimarães num jogo amigável realizado em Guimarães, no campo de "Benlhevai", ano de 1935.
(Na equipa do F. C. Porto, podemos ver de pé da esquerda para a direita os seguintes portistas: Szabo (treinador), Lopes Carneiro, António Santos, Carlos Mesquita, Valdemar Mota, Avelino Martins, João Nova, Zeferino e Castro. Agachados: Rosado, Soares dos Reis, Jerónimo, Assis, Acácio Mesquita, Carlos Nunes, Arnaldo Borges e Álvaro Pereira.) 

Como curiosidade interessante há a reter um pormenor, em reflexo como Soares dos Reis se sentia à vontade em frente às balizas. Tendo sido referenciado também como Guarda-redes do guarda-chuva. Ora, como nesses tempos os guarda-redes vestiam camisolas de lã grossa, que com chuva ficavam pesadonas, não admira que em certas ocasiões, mais quando chovia torrencialmente, Soares dos Reis não tivesse nenhum problema em levar por vezes um guarda-chuva para a baliza. A pontos dessa curiosa atitude ter sido retratada em versos no "Jornal de Sports", de autoria de um tal Jota Eme:

Nessas terras do estrangeiro
Ou cá no país da uva,
Já viram algum porteiro
Em campo, com guarda-chuva?

Eu não sei se já sabeis,
Mas crede que foi verdade,
O senhor Soares dos Reis
Deu-nos esta novidade...

Como ilustração, junta-se cliché da época. Reportando a um jogo Porto-Aveiro, disputado em Espinho, em cujo decurso, enquanto a bola anda por longe, Soares dos Reis sempre atento ao desenrolar do desafio, se abriga no guarda-chuva de Lopes Carneiro, seu colega de equipa, que não alinhou neste encontro.

= Imagem da contra-capa da revista "Stadium" de 18 de Dezembro de 1935. Na imagem uma composição de "Hermann", a equipa do Foot-Ball Club do Porto, que mais uma vez foi Campeão. =

Como importante curiosidade, há a registar que em 1935, logo em Janeiro, Soares dos Reis se cotou com uma defesa que fez história. Tendo então sido o primeiro guarda redes português a defender um penalti em jogos oficiais do calendário desportivo português. Havendo defendido um penalti que foi o primeiro a ser defendido e por curiosidade precisamente contra um seu anterior clube, Belenenses. Ou seja, porque é mesmo de vincar, Soares dos Reis foi o autor da primeira defesa da marca de grande penalidade, em jogo disputado no dia 20 de Janeiro de 1935, no Belenenses-F. C. do Porto que terminou empatado a uma bola. O penalti foi rematado por Bernardo (que tinha partilhado consigo o balneário, na temporada em que Soares dos Reis jogava no Belenenses).

 = Separata da "Stadium". “Equipa do F. C. Porto que arrebatou o primeiro Campeonato das Ligas". Época 1934/35 = 

Entretanto em 1937 o FC Porto venceu o Campeonato de Portugal, com Soares dos Reis a grande altura na baliza. Nessa que foi a penúltima edição do Campeonato de Portugal (1936-37). Esta competição viria a ser substituída, na época 1938/1939 pela Taça de Portugal.

= Imagem (revista "Stadium" de 1 de Abril de 1936) Na imagem: Os atletas Campeões, homenageados pela Direção do Futebol Clube do Porto na cerimónia da entrega das medalhas aos vencedores da 1ª Liga de Futebol, no ano de 1936. Soares dos Reis está na frente, no primeiro plano e do lado esquerdo da fotografia =

Com efeito, na temporada de 1936-37, em simultâneo com o Campeonato da Liga, decorreu o Campeonato de Portugal em moldes habituais de bota-fora, com final em campo neutro.

Sob a orientação técnica do austríaco François Gutka, o FC Porto dominou os «leões», numa final disputada no Campo do Arnado em Coimbra. Despique rijo e emotivo com os portistas a vencer por 3-2, com golos de Lopes Carneiro, Carlos Nunes e Vianinha. Era o 4º título no Campeonato de Portugal.

= Reboredo numa manifestação de júbilo beija a bola no fim do jogo. O polícia não resistiu à emoção!

Num sistema clássico de dois defesas, três médios e cinco avançados, o FC Porto fez alinhar nesse jogo, Soares dos Reis; Ernesto e Vianinha; Pocas, Carlos Pereira e Francisco Ferreira; Lopes Carneiro, António Santos, Reboredo, Pinga e Carlos Nunes.

= Separata da"História do Futebol Clube do Porto", de Rodrigues Teles. Equipa do F. C. Porto, que alinhou na final do Campeonato Nacional em Coimbra e venceu o Sporting C. P. na época 1936/37. 

= Revista "Stadium", de 7 de Julho de 1937, na tiragem seguinte ao dia do jogo, disputado no dia 4. Equipa do Foot-Ball Club do Porto, Campeão Nacional de Futebol em Coimbra. Em cima da esquerda para a direita: Anjos, Carlos Pereira, Francisco Ferreira, Ernesto Santos, Vianinha, Soares dos Reis e o treinador Goutkas. Agachados: Lopes Carneiro, António Santos, Roboredo, Pinga, e Nunes.= 

Após mais algumas temporadas, Soares dos Reis voltou a ser campeão pelo FC Porto e logo de duas vezes seguidas. Tendo acontecido o primeiro Bicampeonato portista, em 1938-39 e 1939-40.

Indo por partes, anote-se descrição referente ao primeiro desses títulos, no caso o de Campeão Nacional da 1.ª divisão de 1938-39.

Conforme o próprio deixou registado em seus apontamentos: Extintas a Liga e o Campeonato de Portugal, decidiu a Federação organizar Campeonatos Nacionais da primeira e segunda divisões. Oito clubes pertencentes a quatro Associações participam no designado Campeonato Nacional da Primeira Divisão. O apuramento era obtido com base nas classificações dos respetivos Campeonatos Regionais, convencionando-se, nesse ano de abertura, que Lisboa teria direito a quatro representantes, o Porto a dois e Coimbra e Setúbal a um cada. Benfica, Sporting, Belenenses, Casa Pia, Barreirense, Académica de Coimbra, Académico do Porto e FC Porto partiram para a disputa da prova maior da época de 1938/1939. Com críticas relacionadas. Tanto que, mais uma vez, se murmurava nos bastidores o tema da maioria ser engrossada pelo bloco sulista; na linha da tradição antiga de o sul ser beneficiado, facto que no norte começou a se motivo de fazer das fraquezas forças, ou seja “ao invés de injetar fraquezas, contribuía para um agigantamento saudável só à força da mística catapultado”.


Logo de início, os portistas levaram de vencida o Sporting, ultrapassado com vitória azul e branca por 2-1, que foi prenúncio de uma campanha ascendente, de que resultou chegada a bom porto com 23 pontos, dez vitórias, três empates e apenas um desaire, que havia sido em Lisboa com o Benfica.

Na segunda volta, “no popular cá-te-espero”, e jogo final, o FC Porto não podia perder novamente. Então, para tão importante jogo com o Benfica no campo da Constituição, toda a equipa do Futebol Clube do Porto se concentrou durante algum tempo em sítio relativamente distante da Invicta. Em ocasiões do género era costume fazer-se um retiro na Quinta da Vinha, um remanso do antigo presidente, dirigente outras vezes e sempre colaborador Sebastião Ferreira Mendes, numa das margens do rio Douro, para os lados de Oliveira do Douro. Mas dessa vez foi a equipa estagiar para a Vila da Lixa, no interior do distrito, dentro do concelho de Felgueiras, recaindo escolha na Pensão Silva

= F.C. do Porto em estágio na Lixa, em frente à Pensão Silva. Soares dos Reis, na ocasião, estava muito bem sentado no parapeito do janelão, enquanto o treinador Siska saboreava um cigarro e todo o pessoal descansava ao sol da terra da Senhora das Vitórias. Com esse atributo subjacente, a ser paradigmático.

E o certo é que, diante dum emotivo jogo, o encontro terminou empatado a três golos para cada lado, sagrando-se o FC Porto campeão. Manteve assim o primeiro lugar, com um ponto de vantagem sobre o Sporting e dois do Benfica (diferenças, para enquadramento, que correspondiam à melhor prestação pontuada. Sendo nesse tempo e por muitos anos as vitórias com atribuição de 2 pontos e 1 por empate). No segundo lugar ficaria o Sporting, com 22 pontos e em terceiro o Benfica, 21 pontos.

Duas horas antes do início do jogo, não cabia mais ninguém na Constituição. Com o empate a três golos, o FC Porto juntou à vitória no primeiro Campeonato de Portugal e à vitória no primeiro Campeonato Nacional da 1.ª Liga, a conquista do primeiro Campeonato Nacional da I Divisão. Com números que não deixavam enganar. Conforme registou nos seus apontamentos: Ataque produtivo (57 golos marcados - média ligeiramente superior a quatro golos por jogo), goleadas a denunciarem desníveis acentuados entre planteis (12-1 ao Académico e 10-0 ao Casa Pia) eis os aspetos mais notórios dessa época, da máquina imparável azul e branca orientada pelo treinador Miguel Siska, antigo guarda-redes portista. Pertenceu aos azuis e brancos os dois melhores artilheiros: Costuras (18 golos) e Carlos Nunes (15).


Na época seguinte, que seria a última de Manuel Soares dos Reis I na baliza do FC Porto, repetiu a dose, que daria para sair em beleza. Embora não fosse tanto assim, em virtude de um desentendimento e consequente castigo interno, que apressou o abandono da carreira.

Apesar disso, contou que o FC Porto foi campeão. Tendo no decisivo jogo, disputado no antigo campo das Amoreiras ido vencer a Lisboa o Benfica, com três golos azuis e brancos, dos quais 2 apontados por Pinga e 1 por kordnya.


Os nomes dos Campeões Nacionais de 1939-40. Soares dos Reis, Andrasik (seu sucessor), A. Baptista, J. Baptista, Carlos Nunes, C. Pereira, Castro, Gomes Costa, Guilhar, Kordnya, Lopes, Pacheco, Pereira Silva, Petrak, Pinga, Pocas, Rosado, Sacadura, Santos, Sarrea, e Zeca. Treinador: Mihaly Siska.

Contudo, o caso do seu afastamento, com o tempo acabou por ser ultrapassado. Tanto que Soares dos Reis voltou a servir o seu clube de coração, depois nas funções diretivas.


Efetivamente, após deixar o futebol como praticante, Soares dos Reis continuou ligado ao Futebol Clube do Porto na qualidade de dirigente, integrando os Corpos Gerentes do FC Porto. Tendo durante alguns anos acompanhado o ciclismo, como representante do FC Porto, servindo como elo de ligação aos ciclistas do FC Porto nas Voltas a Portugal e outras provas. Assim como no futebol teve ação de prospeção e negociação com futuros ases, havendo sido por sua interferência que, graças a si, alguns nomes mais tarde tornados lendas do clube chegaram às Antas, nomeadamente Virgílio, Hernâni e Américo, entre outros.

= Como diretor responsável pela equipa de ciclismo do FC Porto, em momento decorrente durante uma dasVoltas a Portugal ganhas por Dias dos Santos. 

= Soares dos Reis na função de diretor representante do ciclismo do FC Porto (no caso reportando à sessão em que recebeu o troféu da vitória coletiva do FC Porto na Volta a Portugal de 1950, a segunda ganha por Dias dos Santos.) =

= Soares dos Reis no exercício de diretor do futebol do FC Porto, quer numa deslocação da equipa portista aos Açores, como também à ilha da Madeira =

Entretanto, já em tempo de colaboração ao clube como diretor e mesmo depois, Soares dos Reis voltou a defender a baliza em representação do FC Porto, tendo participado também na equipa das Velhas Guardas por diversas ocasiões.


Muitos anos volvidos, em entrevista de recordação, corria já 1986, quando contava 76 anos de vida, contou sobre seu tempo de futebolista: “A maior parte dos jogadores não aparecia aos treinos. Uns porque trabalhavam, outros porque se alimentavam mal e não podiam esbanjar as energias que guardavam para os jogos oficiais”. Assim como... “Para mim era terrível jogar fora de casa. O público estava junto de nós e tratava-nos do piorio. Tínhamos de jogar em duas frentes, defendendo os remates dos avançados e os do público. E os destes eram, muitas vezes, bem mais dolorosos”. Mais, confirmando por sua experiência, que... “O lugar de guarda-redes foi sempre ingrato. Depois dele, só há a baliza, o golo. Uma coisa posso dizer: não havia «frangos» nem «chapéus». O guarda-redes saía mais da baliza do que sai hoje. Eu era decidido: ou ia ou não ia”.

Dessa entrevista, publicada no Suplemento do Jornal de Notícias "Que futuro para este presente?", em 19 de Dezembro de 1986 (quatro anos antes de falecer), junta-se digitalização das suas recordações expostas em duas páginas (que aqui, para melhor leitura, se recortam em parcelas):


(De tão interessante testemunho impresso, além de visualização da imagem principal estar ao contrário, conforme se repara pelas letras da camisola, nota-se também que nesse tempo Soares dos Reis planeava publicar suas memórias. O que não chegou a acontecer, apesar de ele ter tudo registado em álbuns com recortes de tudo o que "falava" de sua carreira, em precioso acervo que ficou à posteridade.)  

Soares dos Reis nas sete épocas em que esteve ao serviço do F.C. Porto conquistou 10 Títulos e disputou 128 jogos oficiais.

= Soares dos Reis e seu suplente Rosado - cromos da página da "Equipa do Football C. do Pôrto", da coleção de cromos "Futebolistas de Portugal", 1939 (De onde se retiraram estes dos dois guarda-redes do FC Porto, nesse tempo). 

Palmarés
- 3 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (1934-35, 1938-39, 1939-40)
- 1 Campeonato de Portugal (1936-37)
- 6 Campeonatos do Porto
- Foi Internacional 4 vezes, tantas as que envergou a camisola da Seleção Nacional em jogos oficiais.


Por fim, há o sempre referencial facto de ter sido Internacional português.

Facto que merece um à parte – Tendo sido Soares dos Reis guarda-redes da Seleção Portuguesa de Futebol, e particularmente o primeiro guarda-redes internacional do Futebol Clube do Porto. Isto é, sabendo-se que já aquando do primeiro jogo disputado por uma seleção representativa de Portugal houve forte celeuma por não ter jogado o então guarda-redes do FC Porto, Lino Moreira, em 1921, só em 1934 um guarda-redes do FC Porto jogou na Seleção dita Portuguesa, e esse foi Soares dos reis. Verificando-se finalmente, então, que um guarda-redes do FC Porto conseguiu superar o habitual esquema sulista e elitista… dos jogadores do Porto para irem à seleção não basta ser tão bons ou melhores que os outros, dos clubes de Lisboa, pois têm de ser mesmo muitíssimos superiores. E, por isso, está diante dos olhos a valia de Soares dos Reis

Assim, Soares dos Reis vestiu em quatro jogos a camisola da Seleção de Portugal.


Isso num tempo de muitíssimo poucos jogos entre seleções.

Para um alcance de enquadramento quanto ao panorama de jogos internacionais desse tempo, ao nível de seleções representativas de países, através das equipas selecionadas pelas respetivas federações, basta referir que poucos se realizaram nas primeiras décadas do século XX, tendo na década dos anos trinta também pouco melhorado essa tendência. E assim entre 1934 e 1936 apenas se realizaram cinco jogos, tendo Soares dos Reis alinhado em quatro.


A estreia deu-se num célebre Espanha-Portugal em que Portugal saiu copiosamente derrotado por 9-0, como reflexo da fraca organização do futebol português, evidenciando-se grande diferença para o futebol espanhol.

Ora, nesse tal jogo, dos 9-0 do Espanha-Portugal de 1934, em que a Seleção jogava pela primeira vez uma qualificação para o Campeonato do Mundo, a estreia de Soares dos Reis como guarda-redes da Seleção portuguesa ficou marcada por três golos sofridos e lesão que o impediu de continuar em campo.

Curiosamente, esse encontro ibérico, realizado em Madrid, no estádio de Chamartin a 11 de Março de 1934, foi precisamente no dia do seu 24.º aniversário. Aí o guardião portista sofreu uma lesão durante esse jogo e foi substituído pelo benfiquista Augusto Amaro que «encaixou» os restantes seis golos.


Nessa mesma partida, também, se estreou como massagista um outro elemento do FC Porto, Abel Aquino. Esse que era e é uma das grandes figuras da história do FC Porto, tendo sido jogador de futebol, treinador, seccionista, dirigente e tudo o que fosse preciso durante a primeira metade do século XX. Foi ele que formou muitos campeões, como criador das escolas de jogadores do clube. E então, como mestre dos sete ofícios, em março de 1934 estreou-se pela seleção nacional de futebol como massagista (como se vê na foto, de mala na mão e calças desportivas presas nas meias).


De tal jogo junta-se imagens do início protocolar, mais uma página respeitante a uma crónica manuscrita (dos apontamentos de Soares dos Reis) sobre o mesmo encontro; e, por fim, a pose de conjunto da equipa, onde se vê Abel Aquino à esquerda, em pé, assim como no mesmo plano está Soares dos Reis em penúltima posição da direita. Sendo que, entre os selecionados desse tempo, na mesma equipa também estão os portistas Acácio Mesquita e Valdemar Mota, em pé (na 6ª e 7ª posição, a partir da esquerda), o Nova (na 9ª posição do mesmo lado, ou seja em 4º a contar do lado direito, perto de Soares dos Reis), Álvaro Pereira, Avelino Martins (em baixo, 2º e 3º elementos a contar da esquerda) e Pinga na extrema, do lado direito), em primeiro plano.


Depois na semana seguinte ainda houve novo jogo, já sem interesse para o apuramento, mas mesmo assim num género de tentativa de desforra, entre as mesmas seleções, então em Lisboa, e com Amaro na baliza (porque Soares dos Reis estava lesionado), tendo  Portugal voltado a perder, embora pela diferença de 1-2 de quase consolação… Após isso, já em 1935, Portugal, com Soares dos Reis de novo a titular da baliza, conseguiu empatar, tendo-se verificado o resultado de 3-3.


Jogo do qual se ilustra a história com pose da equipa portuguesa, incluindo os guarda-redes titular e suplente (que voltou a entrar no decorrer do jogo, por outra lesão de Soares dos Reis, fruto dos ossos do ofício...). Em modo de recordação ficou à posteridade fixada foto dos representantes da Seleção de Portugal de futebol que, no Lumiar, em Lisboa, no dia 5 de Maio de 1935, souberam corresponder às esperanças do país desportivo, impondo ao seu mais tradicional competidor, a Espanha, esse famoso empate.

 = x =

A Soares dos Reis I sucedeu Andrasik e a este, depois, seguiu-se Soares dos Reis II, que adiante segue também nesta evocação.

= Manuel Soares dos Reis de visita à terra natal e em convívio familiar, com os pais e irmãos num evento penafidelense, de afluência das gentes do concelho. Ali, na ocasião, comendo o tradicional farnel na festa de Bustelo (Senhora da Saúde), como era antigamente de uso e costume anual nas segundas-feiras a seguir à Páscoa". =

Alguém, jovem pelos anos sessentas, que conheceu pessoalmente Soares dos Reis e como tal mirava o antigo ídolo com olhos de admiração (o amigo e grande portista Fernando Machado, que foi atleta de pugilismo e de bilhar do FC Porto), descreve o antigo guarda-redes do FC Porto pela retina apreciativa da recordação, em curiosa descrição:

«O Sr. Soares dos Reis era uma figura imponente. Impecavelmente vestido de fato e gravata, cabelo com brilhantina penteado para trás, com uns largos quilinhos a mais e com um tremendo distintivo a ouro e brilhantes do F C PORTO na lapela. Era mesmo uma figura imponente e com um sorriso largo. Camisa branca e botões de punho. Como tinha uma largura de peito considerável, o colarinho era largo e as gravatas de malha que invariavelmente usava, distinguiam-no de qualquer um

Manuel Soares dos Reis, o antigo guarda-redes internacional e dirigente do FC Porto, falecido em 1990, a 15 de abril, jaz honrosamente no portuense cemitério de Agramonte, sepultado no Mausoléu do FC Porto onde “Repousam Glórias do Futebol Clube do Porto». Lado a lado com outros ilustres portistas como o mítico Artur de Sousa “Pinga”, o senhor Lopinhos, célebre massagista Joaquim Lopes, mais o grande craque Pavão, o Mestre Pedroto, o notável atleta Acácio Mesquita, o também notável futebolista Avelino Martins, o carismático dirigente João Augusto Silva, o atleta mais eclético do clube João Lopes Martins.


Com uma vida intensa e memorável, sendo um dos ícones portistas e daqueles que, como cantou em verso o épico Camões, da lei da morte se libertaram... Soares dos Reis, grande entre os melhores guarda-redes portugueses, continua presente na memória portista, enquanto houver portistas que conheçam a história do FC Porto e portugueses apreciadores do futebol nacional.

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Como figura pública e referência do desporto, Soares dos Reis consta da Enciclioédia do Desporto, numa edição Quidnovi de 2003 (editora que fez então parceria com o JN, para distribuição com o Jornal de Notícias). Em cujo volume 12 está a respetiva entrada sobre o guarda-redes portista  Soares dos Reis (com uma incorreção que anotamos em indicação manuscrita), conforme transpomos para aqui.



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Soares dos Reis II


Soares dos Reis II (Segundo), também conhecido por José Soares dos Reis, irmão do internacional Manuel Soares dos Reis, esteve no F.C. Porto duas épocas, entre 1942 e 1944, tendo por 16 vezes defendido as balizas do clube dragão.


De nome completo José Augusto Soares dos Reis, era mais novo seis anos que o irmão, tendo nascido a 5 de Março de 1916 e falecido em 28 de Abril de 1996.

Natural também da cidade de Penafiel, onde a família Reis era tradicional, através da dedicação livreira provinda do avô para o pai dos irmãos Soares dos Reis. Sendo que era de herança familiar uma antiga livraria, que dera conhecida fama de apreço como Reis Livreiro ao avoengo antepassado.

= No União Desportivo Penafidelense, o guarda-redes "Zéca" Soares dos Reis, com o irmão António a seu lado esquerdo)  de três irmãos futebolistas, o que não era guarda-redes, mas viria a ter um filho guarda-redes, também.

Começou José Soares dos Reis por jogar no União Desportivo Penafidelense, onde jogava com outro seu irmão, até ter ingressado depois no F C do Porto. Aí, passando a enfileirar no clube da Constituição (como genericamente era referido o campo de jogo nesse tempo do FC Porto), para não haver confusões identificativas com o anterior guarda-redes seu irmão, passou ele, como mais novo, a ter nome de artista desportivo como Soares dos Reis II.


Foi então para o lugar que anteriormente fora do irmão, sem contudo ter sido diretamente a passagem de um Soares dos Reis para outro, na defesa da baliza do FC Porto. O mais velho dos Soares dos Reis, o grande guarda-redes campeão nacional pelo FC Porto, que representou durante sete épocas, a partir de 1932 e foi internacional pela seleção portuguesa entre 1934 a 1936, quase a meio de sua carreira de guardião ao serviço do FC Porto, deixara de ser guarda-redes titular do clube no decurso da época de 1939/40, derivado a castigo interno, devido a problemas acontecidos num treino entre Soares dos Reis com o colega de muitos anos Carlos Nunes. Tendo a meio dessa época o guarda-redes sido substituído pelo húngaro Bela Andrasik, que acabou a época a defender a baliza portista (e como tal ambos contribuíram para a conquista do Campeonato Nacional de 1939/1940, ficando no rol dos campeões).

= Soares dos Reis II em equipa do seu tempo de guarda-redes do FC Porto.

Ora no final da mesma temporada, por não concordar com o castigo aplicado, Manuel Soares dos Reis deixou de ser jogador do F. C. do Porto. Embora tempos depois o caso tenha sido entendido e sanado, acabando Soares dos Reis mais tarde por fazer parte da equipa diretiva do clube, assim como Carlos Nunes também. Mas entretanto, Bela Andrasik, que estava a confirmar sua fama de estrangeiro valoroso, desapareceu sem deixar rasto. Tendo posteriormente constado «que mantinha ligações antinazis e que se viu obrigado a deixar Portugal antes que as forças comandadas por Salazar lhe deitassem a mão.»


Ficando o clube sem esse guarda-redes, subiu de posto Soares dos Reis II que, assim, durante algum tempo foi o guarda-redes principal do clube, alternando com Valongo na defesa da baliza portista, até ter chegado ao Porto o então jovem Frederico Barrigana, vindo do Sporting (onde só não era titular por lá estar o guarda-redes Azevedo, que nesse tempo costumava ser o guarda-redes da seleção nacional).

= Soares dos Reis II a titular da equipa principal do FC Porto =

Foi assim curta a passagem de Soares dos Reis II pela equipa principal do FC Porto, tendo-lhe sucedido Barrigana, depois famoso com o cognome de “mãos de ferro” (como lhe chamou um jornalista francês após um jogo da seleção nacional), com aura que pelo tempo adiante deu razão a essa substituição, tal o que representou para o FC Porto.

Mas Soares dos Reis II, de permeio, fez história e ficou na memória portista, como comprova o facto de ter feito parte do lote dos jogadores incluídos na equipa do FC Porto inserta na caderneta de cromos da coleção de caramelos de 1943/44.


De sua titularidade no FC Porto também se juntam imagens com o mesmo Soares dos Reis II em ação, à frente da baliza do FC Porto.


Quando ainda era guarda-redes do FC Porto, nasceu em 1943 seu sobrinho, mais tarde conhecido por Neca Reis, que igualmente foi guarda-redes e em seu tempo de futebolista também conhecido por Soares dos Reis, seguindo as pisadas dos tios, quer deste mais novo, como do tio mais velho e padrinho, antecedente. O qual, Soares dos Reis III na linha de sucessão, depois também alinhou no FC Porto, tendo sido elemento da equipa junior e de seguida ainda fez parte do plantel senior como guardião da equipa de Reservas (como ao tempo se chamava às equipas B) e esteve entre os suplentes da equipa senior do FC Porto, até por fim ter feito carreira em diversos clubes, facto que levou a que se tenha fixado na vila das Aves, entre diversas particularidades.


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Neca Soares dos Reis


Com grande salto cronológico, à maneira de guarda-redes a voar para alcançar a bola, decorrido o tempo dos anos quarentas aos sessentas, dentro do século XX, foi a vez de passar a defender as balizas novo Manuel Soares dos Reis, sobrinho e afilhado do primeiro, bem como também sobrinho de Soares dos Reis II.


Neca Reis, de nome Manuel Soares dos Reis, nasceu em Penafiel a 1 de Dezembro de 1943, dia da Restauração da Independência Portuguesa. Quase em prenúncio de linhagem, de quão assim como os conjurados de 1640 defenderam a nacionalidade da Pátria, tirando do trono de Portugal os reis espanhóis, também ele defenderia, como defendeu, a hereditariedade da linha familiar de guarda às balizas do desporto rei.

Assim, dos três irmãos Soares dos Reis, todos apaixonados por futebol, só um não havia sido guarda-redes, mas foi desse que nasceu o descendente continuador da dinastia familiar. Sendo Neca Reis, o Soares dos Reis da geração seguinte, filho de António Soares dos Reis.


Com raízes familiares profundas, tendo dois tios que foram guarda-redes inicialmente na terra natal, Penafiel, e depois ganharam nome no panorama futebolístico do país ao terem integrado a equipa do FC Porto, assim como o pai também jogou num antigo clube de Penafiel, mas como jogador de campo, o descendente Manuel Soares dos Reis acabou por também ter enveredado pelo futebol. Embora dividindo atenções e paixões por duas modalidades desportivas, o futebol e o ciclismo.

= Neca Reis em dia de Circuito de Paços Ferreira. Fotografado junto de um outro tio (de outro ramo familiar, Jaime da Costa), mais de seu  amigo Carlos Pinheiro  (por esses tempos ciclista do FC Porto e que o influenciou para o ciclismo), junto com seu pai António Soares dos Reis.

Efetivamente, Soares dos Reis, a nível desportivo tinha e tem dois amores, o futebol e o ciclismo. O futebol, na posição de guarda-redes, porque se sobrepôs a atração derivada da influência familiar, pois que seus tios, também como ele Soares dos Reis, defenderam as cores do F.C. do Porto e o mais velho também foi internacional pela Seleção Nacional. Enquanto, quanto  ao ciclismo, por na evolução dos anos de juventude ter começado a despontar atenção pelas corridas de bicicletas, na convivência com um amigo e vizinho penafidelense, que entretanto chegou a ser ciclista do FC Porto, Carlos Pinheiro.

= Vitória no circuito de Lousada !

Segundo o próprio, já Neca Reis aos 15 anos tinha uma sua bicicleta de corrida e percorria boas distâncias pelas estradas e caminhos da região, ganhando resistência para o seu gosto. Tendo de seguida começado a entrar em corridas organizadas nos concelhos vizinhos, quando havia nesse tempo circuitos dentro dos programas das festas regionais mais importantes. Acontecendo assim seu primeiro triunfo em cima da bicicleta de corrida em Lousada, na festa “grandiosa” do Senhor dos Aflitos.

Porém, nessa altura o futebol prevaleceu no horizonte do jovem desportista e o desporto dos pedais ficou em banho maria, à espera de vez. Tendo aí esse mais novo de todos os Soares de Reis entrado a defender as balizas do clube da terra, jogando em 1959/1960 no FC Penafiel. De tal modo despertando atenções que seguidamente rumou ao F C Porto, assentando o nome entre os guarda-redes dos juniores do clube azul e branco que em 1960/1961 eram treinados por José Pedroto.


Esteve então este novo Soares dos Reis como integrante da equipa de juniores do FC Porto em tempo de boa formação, saindo dessa fase bons valores, ao ter alinhado na equipa junto, entre diversos outros, com o louro Rolando, por exemplo, mais o já possante Valdemar, o alto Almeida, e ainda Vieira Nunes, Acácio (que mais tarde integraram a equipa principal dos seniores), etc.


Esteve contudo pouco tempo nesse escalão logo sendo promovido a sénior, tendo ainda na época de 1961/62 já feito parte da equipa de Reservas do FC Porto, integrado em grupo mesclado de jogadores em fim de carreira com novos valores em ascensão, como se pode ver na imagem junta. Estando lado a lado com antigos ases, tais eram Monteiro da Costa, Carlos Duarte, Perdigão, Noé e António Teixeira, mais jogadores ainda esperanças e que também fizeram carreira noutros clubes, como Coimbra e Morais (depois idos para o Braga) e ainda outros mais tarde integrantes do plantel principal, como Alípio Vasconcelos e Joaquim Jorge.


Na altura, estando a precisar de rodar para ganhar experiência, Soares dos Reis foi prometido ao Académico de Viseu. Contudo, num volte face que foi importante em sua vida, acabou por ir para outro lado. Então o presidente do FC Porto, nesse tempo Nascimento Cordeiro, empresário do ramo da eletricidade e com contactos com industriais do vale do Ave e particularmente na vila das Aves, avisou Soares dos Reis que ia ser emprestado ao Desportivo das Aves. Como foi. Tendo ido para lá sem conhecer nada nem ninguém desses lados, inclusive até desconhecendo onde ficava. Mas depressa se afeiçoando à terra e gente de lá. Com tal sucesso que em 1962/63 foi o guarda-redes titular da subida de divisão, tendo então contribuído bem para que o Aves tenha sido Campeão da 2ª Divisão Regional. E, de permeio, conheceu a mulher da sua vida, com quem casou depois e é feliz.


Entretanto, sempre em ascensão e não tendo faltado pretendentes à sua contribuição futebolística, foi defendendo outras cores, havendo assim passado pelo Chaves, pelo Salgueiros e pelo Riopele. Sendo do tempo em que jogou na equipa salgueirista o cromo (da gravura ao lado), que era de colar na caderneta de coleção, saída dos rebuçados de lata, em voga nesse tempo. Até que recebeu convite de ir para França, como representante português duma instituição bancária que se instalou em terra gaulesa, como funcionário superior do Banco Português do Atlântico Paris.

Aí, a par da sua vida profissional, também praticou futebol, até que resolveu dedicar-se mais ao ciclismo. Assim sendo, quando deixou a prática do futebol logo regressou ao primeiro desporto que havia praticado, o Ciclismo. Onde chegou a Amador Sénior de Primeira, lá em França. Havendo representado o St. Etienne-les-Remiremont, na cidade geminada com a Vila das Aves, no Thiot, nos Vogues e mais tarde em Pau, no sul de França. Fez parte da Union Cycliste em St. Etienne-les-Remiremont, e formou a secção de ciclismo na Associação Portuguesa em Thiot, ao tempo representante em França da comunidade portuguesa, incluindo participação em diversas provas grandes e circuitos. Por tal facto, perante a sua atividade e credenciais, recebeu um Diploma de Honra da Federação Francesa da Ciclismo.


Durante sua permanência em França teve oportunidade de colaborar com instituições portuguesas, em ajuda patriota, com realce para o apoio que prestou a uma delegação do FC Porto em digressão efetuada em 1991. Tal havendo sucedido na deslocação da equipa portista de juniores, aquando da participação no Primeiro Torneio de Pau, com brilhante vitória portuguesa dos jovens da camisola azul e branca. Algo deveras apreciado no seio do clube dragão, tanto que foi assinalado em reportagem que teve lugar na revista Dragões de Maio desse ano de 1991 – conforme se anota, através da página a descrever toda essa passagem da representação do FC Porto por França, com respetiva imagem ilustrativa (estando Soares dos Reis em pé, em terceiro a contar da direita), mais recorte de ampliação à devida referência ao facto.


Regressado a Portugal, pôde passar a dedicar-se a outros ofícios de lazer, ficando a fazer parte dum agrupamento chamado Grupo Ases do Pedal de S. Miguel Arcanjo da Vila das Aves, através de cujas pedaladas foi mantendo a forma e inserindo-se no meio do desporto das bicicletas da região nortenha, pelo menos.

= Soares dos Reis com os netos (quando eram pequenos), todos portistas - em dia de os levar a “ver o Porto jogar”.

Nessa envolvência, mais tarde aceitou convite amigo e passou a integrar o staff da equipa do Boavista Ciclismo Clube, que acompanha na Volta a Portugal e noutras competições que a mesma disputa, em funções de apoio.


Enquanto isso e durante suas andanças a pedalar, Soares dos Reis foi colecionando muito material da modalidade, de modo que tem um autêntico muséu de ciclismo em casa. Sendo detentor de um espólio que se espalha por muitas bicicletas de corrida, camisolas, bidões, bonés e até sacos de abastecimento, mais imensos livros de história ciclista e revistas respeitantes ao ciclismo competitivo, miniaturas dedicadas ao Tour de France, inúmeras fotografias, postais, medalhas, troféus, agrupando valioso e interessante acervo demostrativo duma grande dedicação e entusiasmante paixão por tudo que reporte ao ciclismo. De tão eloquente modo que é normalmente considerado o maior colecionador português de material de ciclismo, pelo menos, conforme tem aparecido por vezes em diversas publicações.


Mais recentemente tem dividido o tempo com outras ocupações de distração, como membro do Grupo Coral Arva de Vila das Aves, do qual faz parte desde 2007 e atualmente é solista principal com seu bandolim elétrico. Enquanto sempre que possível assiste aos jogos do Aves, como adepto, e outras vezes vai ao estádio do Dragão ver o nosso FC Porto.


ARMANDO PINTO
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