Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

domingo, 28 de outubro de 2018

Lançamentos e placagens de boas intenções pela memória do Andebol Portista – In Memoriam de um andebolista antigo, em deambulação andebolística


Um destes dias, como autor deste blogue, recebi uma notícia, através dum amigo e antigo praticante duma modalidade do FC Porto, sobre o falecimento dum andebolista do FC Porto de tempos passados. Numa comunicação que agradeço, como portista, para a eventualidade de, por meio deste simples espaço de memória, poder fazer justiça a esse atleta. Tratando-se de Antero de Carvalho, atleta do FC Porto na modalidade de andebol, que ainda jogou na variante de onze e chegou ao tempo da mudança definitiva para o andebol de sete.

(Mudança definitiva, porque antes disso as duas variantes foram coabitando alguns anos, tendo o FC Porto e algumas outras equipas, ainda, jogado quer no andebol de onze como também no de sete).

Antero de Carvalho era filho do também antigo dirigente do FC Porto Dr. Antero de Carvalho, que foi conhecido membro de algumas direções do clube, pelo menos no tempo do Presidente Pinto de Magalhães, conforme me lembro. E tal como o pai (segundo me relata o meu amigo e consócio portista, portador da notícia) era de alta estatura e também de porte portista elevado.

Com ideia de fazer memória tratei de procurar elementos correspondentes, mas… ao pesquisar sobre esse atleta, não se encontra quase nada. Sendo de estranhar que mesmo em livros considerados produtos oficiais nem mesmo o pai, o antigo diretor, seja lembrado.

Ora, o andebolista Antero de Carvalho, do que conseguimos apurar documentalmente, como elemento marcante do andebol portista, ficou registado à posteridade em foto da equipa portista da fase de transição da modalidade. Visto ter feito ainda parte de equipas azuis e brancas dentro do tempo em que no FC Porto o andebol teve superioridade evidente na primeira variante do Andebol de 11, jogado em campos grandes; e depois, pela evolução sucedida, houve opção pelo Andebol de 7 que vingou, jogado em pequenos recintos e posteriormente dentro de pavilhões.

 = Equipa do FC Porto de Andebol de 11 da Época 1974 / 75, na despedida dessa variante. 
Julho de 1975 - Final do último Campeonato Nacional de 11 – vitória do FC Porto sobre o Progresso por 19 - 4.
Em cima da esquerda para a direita - Professor António Cunha (Treinador), Sá Pinto, Juvelino Barbosa, Salvador Massada, Cândido Borges, Antero Carvalho (sem equipamento), José Borges, Francisco Resende, Zorín e Artur Santos (Chefe de Secção); em baixo e pela mesma ordem - Adriano Coutinho, Reis Miranda, Rochinha, Eugénio Cunha, Orlando Sousa, José Pinheiro e Leandro Massada.=

Era o andebol uma modalidade muito querida dentro do FC Porto, olhando a todo um passado grandioso, tal a hegemonia evidente, através de sucessivos títulos ao longo de várias décadas de anos. Tanto que fez com que o FC Porto fosse considerado Campeoníssimo e os andebolistas azuis e brancos também Campeoníssimos, quão ficou assinalado no “bronze” histórico composto por coluna e escultura alusiva que durante largos anos esteve no antigo museu do FC Porto, com as bolas dos muitos campeonatos ganhos em sua volta. De cujo conjunto atualmente se tem podido ver a escultura no Museu do FC Porto BMG.

Com a evolução da modalidade, embora pela redução de elementos em campo, o andebol do FC Porto teve algumas dificuldades de adaptação, sem ter conseguido manter a anterior superioridade sobre a concorrência. Até que posteriormente voltou a andar nos lugares cimeiros, de modo que, embora com altos e baixos, têm sido muitas as vitórias em campeonatos e outras competições.

= Andebolistas do FC Porto (com respetivas faixas de Campeões) desfilando numa parada constante dum festival clubista realizado no estádio doas Antas 

A propósito, recorde-se um artigo de feição memorial que em tempos foi feito pelo autor deste blogue num outro blogue (antigo e entretanto desativado):

«O Andebol (“Hand-ball”, como inicialmente era referido nas crónicas) nasceu como versão de futebol jogado à mão, em campos grandes, desporto colectivo cujo primeiro jogo internacional de que há notícia se desenrolou em 1925.

Não se conhecem, porém, registos dos primeiros tempos do Andebol no nosso país e sobretudo no FC Porto. Apenas há referências de ter começado na cidade do Porto antes de ser divulgado em Portugal, segundo testemunhos escritos dos seus alvores haverem tido origem num jogo que ficou conhecido por Malheiral, nome alusivo ao seu criador, Prof. Malheiro, da secção de ginástica do FC Porto, nesse tempo.

Sendo o Handebol (como se escrevia aportuguesadamente) então praticado em campos de futebol, com marcações próprias e por equipas de onze elementos - mais tarde chamado Andebol de Onze, por tal motivo, para distinção quando surgiu o de Sete.

Entretanto, o início oficial ocorrera em 1932, ano da criação da Associação de Andebol do Porto, num jogo empatado entre equipas do FC Porto e do Sport Club do Porto, aquando da inauguração da Casa do Jornalista, criada pela Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Ora, sabendo-se que foi em 1928 a criação da respectiva Federação Internacional e em 1938 que teve fundação a Federação Portuguesa de Andebol, fácil se verifica que o FC Porto foi pioneiro na modalidade, tendo inclusive sido o primeiro campeão nacional, ao ter conquistado o inicial campeonato disputado em 1938/39.


= Henrique Fabião =

Depressa o FC Porto se tornou a colectividade nº 1 do Andebol português, tal a soma de sete títulos averbados nas sete primeiras épocas de disputa do mesmo campeonato, qual campeão crónico, depois com 12 vitórias máximas ao cabo de 14 anos da prova. Com a curiosidade de ter havido dois atletas que fizeram parte da equipa nas doze primeiras conquistas, Alberto e Fabião. Ídolos desse tempo que se juntavam a antigos nomes vivenciados no afecto clubista, como Gomes dos Santos, Lopes Martins, Teófilo, Bastos, Joaquim e António Mota, além da acção de Arestes Amaro, treinador que era a grande alma nesses primórdios do andebol portista.

De permeio, tal valor de supremacia extravasou além-fronteiras, surgindo algumas vitórias do FCP a nível internacional, a primeira das quais diante da Selecção da Suíça, em 1951, a equipa na altura considerada melhor da Europa, a quem o FCP venceu por 7-6 (na única derrota helvética na digressão em que vencera antes as Selecções de França, Suécia, Espanha, Portugal e Misto de Lisboa). Tal qual em 1953 venceu a Selecção da Suécia por 6-4, em prélio que colocou a formação azul e branca com a equipa ao tempo vice-campeã mundial.


É desse período a equipa que se dá à estampa, perpetuando os campeões da época de 1952/53. No primeiro plano, a contar da esquerda: Reis, Hernâni, Serafim, Luís, Fernando Pires, Rui e Filipe Bastos; de pé, pela mesma ordem: Vareta, Antero, Teixeira, Augusto Costa, Paulo Claro, Armando Campos, Henrique Fabião e Augusto Madureira.



De permeio, a importância do Andebol no clube foi-se traduzindo na participação da grande maioria dos atletas das Antas na selecção portuguesa, onde Henrique Fabião, capitão da equipa da camisola de duas listas azuis e brancas, verdadeira glória do emblema do Dragão, capitaneou também o grupo luso nas prestações desses anos.

E a embalagem foi sendo mantida, depressa chegando a conta de 20 campeonatos ganhos, em 1959/60, Antes já, ao perfazer a conta de dez títulos, fora ocasião em que houve oferta de um galardão alusivo, dedicado aos Campeoníssimos, nome do escultural troféu (em cima).


Continuando o clube, através de suas sucessivas equipas, na aí já vertente conhecida como Andebol de Onze, por averbar depois até o seu 30º título nacional do Onze em 1974/1975, na última época da correspondente prática - concluindo o FCP com 30 títulos em 37 campeonatos disputados.

Chegara entretanto a variante de sete, concorrente que acabou por vingar, passando a jogar-se inicialmente em rinques ao ar livre e depois em pavilhões fechados, com sete jogadores por equipa, cujo primeiro campeonato nacional se disputou em 1951/52 e no qual o FC Porto se inscreveu como vencedor no de 1953/54.

Daí em diante foi-se mantendo acesa a chama de sua representação, havendo conseguido amealhar até agora (ao tempo, 2009) mais 13 títulos, além de outras provas, como a Taça de Portugal, a Supertaça e a mais moderna Taça da Liga, no escalão sénior. 

= Na Festa da Consagração aos Campeões Nacionais de 1967 / 68, em Outubro de 1968, na Quinta da Vinha. Fazendo as honras, o anfitrião Sebastião Ferreira Mendes, Presidente Honorário do FCP, acompanhado pelo  então Presidente Afonso Pinto de Magalhães, e com o vice-presidente Dr. Miguel Pereira também ali perto, posou para a fotografia de recordação entre campeões das diversas modalidades. Estando lá naturalmente andebolistas de diversos escalões.  

Em cujo percurso foram ficando na História celebrizados nomes, ao longo das diversas fases do historial portista, como Henrique Fabião, Armando Campos, Fernando Dias, Augusto Costa, Carlos Teixeira, Joaquim Reis, Teófilo Tuna, Manuel Varela, Paulo Claro, Mário Castro, José Dias Leite, Adalberto, Pacheco, Ferra, Capela, António Cunha, Borges, Leandro Massada, Antero Carvalho, Tavares da Rocha, Maia, Madureira, Coelho, etc… Até aos mais recentes, Carlos Resende, Eduardo Filipe, etc. etc.»

(Armando Pinto, 3 de Junho de 2009)

De uma época ainda da fase de ambientação à variante de sete a nível nacional, mas com superioridade regional, revemos um dos títulos da área zonal, através de alguns recortes de 1970:


 Seguidamente houve então o salto em frente, com vitórias diversas, como faz parte da história.

= Equipa do Andebol de 7 do FC Porto, da conquista da Taça de Portugal na época 1976 / 77

Posto isto, escusado será acrescentar, mas anotamos, o grande salto que o andebol do FC Porto tem dado em direção à baliza do sucesso progressivo. Cuja memorização urge anotar também mais amplamente, algo que compete a quem de direito. Em virtude de se notar a falta que há de registos histórico-documentais publicados em todas das secções, por assim dizer, das modalidades do FC Porto.


Aquando de recente exposição retrospetiva sobre o historial do Andebol do FC Porto, que esteve patente na sala de mostras temporárias do Museu FC Porto by BMG, foi publicada legenda que se anota, para atualização:

«Em 1953, é criado o primeiro plantel de andebol de 7, vertente olhada de forma um pouco cética no início. “Apareceu o andebol de sete, e a princípio as pessoas duvidavam do seu êxito, mas depois o FC Porto conseguiu também impor-se, vencer títulos e ter uma equipa fantástica”, frisa Pinto da Costa. Na época de 1954/55, o clube vence, em simultâneo os campeonatos nacionais de andebol de 11 e de sete.

Desde então várias foram as conquistas. 20 campeonatos nacionais, 7 taças de Portugal, 6 supertaças, 3 taças de liga, entre outros.»

Armando Pinto
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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Uma das antigas e interessantes participações do FC Porto na Europa do futebol… e um feito de Hélder Ernesto !


Quando o FC Porto entra em competição na alta-roda do futebol europeu vem sempre à memória as mais diversas apreciações e lembranças de anteriores participações portistas nas diversas provas de âmbito internacional e, no caso, mais particularmente da esfera da Europa. Num plano de comparação e também análise, entre outros parâmetros.

Ora, se desde há algumas décadas o FC Porto consegue ter estatuto de clube grande do futebol internacional, tal como o futebol português vai já estando cotado a bom nível europeu, sobretudo, tempos houve de diferente ambiente e conjeturas. Tal como as provas tinham diferente impacto e algumas acabaram mesmo substituídas em formatos e até nos nomes. De modo que, desde que passou a haver jogos oficiais de nível internacional, a partir sensivelmente do meio da década de cinquenta, só em plena década de oitenta o FC Porto se alcandorou a um plano maior. Embora já na década de sessenta e mais ainda na de setenta tivesse começado a ombrear com os clubes de nomeada do futebol europeu. Com boa memória, por exemplo, da eliminatória diante do Lyon para a antiga e extinta Taça das Taças em 1964; e, entre outros casos, também uma eliminatória para outra taça entretanto extinta, já no final da mesma década. Como foi o facto, que vem ao caso recordar, duma eliminatória a contar para a também antiga e já desaparecida Taça das Cidades com Feira, pela boa memória do jogo disputado na Dinamarca, contra o Hvidovre, seguido de confirmação vitoriosa nas Antas, já no outono de 1969.


Como exemplo desses tempos de outrora e pelas curiosidades adjacentes, recordamos aqui e agora o jogo da 1ª mão dessa eliminatória da Taça das Cidades com Feira, prova mais tarde substituída pela Taça UEFA, que por sua vez teve depois continuidade na atual Liga Europa.

O tema dá para recordar, pois, um jogador cujo valor nesse tempo era prometedor e tinha boa imagem entre a família portista, como ao tempo era considerado Hélder Ernesto. Então jovem que dera nas vistas na equipa portista de juniores, ao lado de outros como Araújo, Vítor Gomes, Lemos, Chico Gordo, Vitorino, etc. E de seguida ascendera aos seniores, em cujo escalão maior, ainda como aspirante, por assim dizer, entrou de forma saliente. Tendo então acontecido que na equipa principal, nesse tal jogo da Taça das Feiras (como era mais conhecida a prova) e seu primeiro jogo internacional de alta competição, marcou os dois golos, os que deram a vitória ao FC Porto.

= Equipa de Juniores com Hélder Ernesto entre aquela linha de grandes promessas…

Vem assim a talhe a lembrança do facto, que para aqui se traz através duma página de arquivo pessoal, do que um jovem desse tempo anotou e arquivou…


Após isso o FC Porto, nesses inícios da época futebolística de 1969/70, defrontou o Newcastle, calhando então essa equipa que vencera na época anterior a mesma prova. Tal como Hélder Ernesto se manteve no plantel ainda mais algum tempo, embora pouco utilizado...

= Plantel Senior do FC Porto em 1970/71

Chegou ainda a fazer parte da equipa que contou com Flávio, Pavão, Armando, Rui, Guedes, Rolando, Abel, Oliveira, Valdemar, Manhiça e outros, como se recorda por outra imagem coeva (aqui ao lado). Até ter seguido sua carreira no Guimarães e tudo o que se sabe mais. Enquanto ficou, no que de melhor importa na memória portista, esse seu feito de ter bisado nesse jogo internacional que se recorda, entre exemplos memorandos.

Armando Pinto
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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Nóbrega: O Transmontano extremo esquerdo portista que trocava os olhos aos defesas…


Não fosse a História, por haver informações e conhecimentos historiográficos, e não se saberia ter havido grandes heróis do passado, fossem eles como fossem, quão de uma forma ou de outra deram ser à sua faina. Tanto que se valoriza a sua existência e preza-se a ação. Assim como se elogia ainda publicamente o que foram grandes desportistas, por exemplo, mesmo sem terem sido vistos atuar aos olhos do tempo presente, mas dos quais ficaram testemunhos de variados modos. Como se passa com os grandes valores do FC Porto, dos quais nada é demasiado para que sejam lembrados e reconhecidos.


Então, tal como se louva grandes personagens da memória da nação e do mundo, merecedores são de eternidade os grandes nomes do FC Porto, desde o fundador António Nicolau de Almeida e o refundador José Monteiro da Costa, o primeiro atleta olímpico do clube, Valdemar Mota, mais os grandes ídolos do futebol antepassado, como foram Pinga, Araújo, Hernâni, Virgílio, Barrigana, Américo, Pavão, Rolando, Cubillas, Gomes, Madjer, Baía, Jorge Costa, etc. Mas também outros, entre tantos dos que em cada geração foram expoentes da admiração clubista. Tal qual Nóbrega. Vindo à ideia, desta feita, na sua vez de rememoração neste espaço de memória portista, esse extremo esquerdo que foi Francisco Nóbrega, esquerdino saliente que ainda chegou a jogar algum tempo com Hernâni e outros dos anteriores grandes jogadores, e sobretudo foi já dos tempos de Azumir, Custódio Pinto, Festa, Américo, Djalma, Jaime, Pavão, Valdemar; Rolando, Rui, Armando Silva, Lemos e Cª.


Ora, como em tantos casos idênticos, Nóbrega naturalmente é mais lembrado entre adeptos de gerações de seu tempo, mas é de convir ser exemplo a avivar, por quanto tudo e todos os que merecem devem ser valorizados.


Nóbrega, chegado ao estrelato do panorama futebolístico nacional, tendo andado nas coleções de cromos das tão populares cadernetas que fizeram memória romântica do futebol de outros tempos, era um Transmontano de Vila Real um dia ido para o Porto. E que na Invicta fez carreira, ganhando raízes extensivas às de sua  naturalidade.


Pois o valoroso avançado Francisco Nóbrega, recorde-se, foi um futebolista iniciado no Vila Real mas que ainda menino rumou para o Porto, onde fez a formação futebolística nos juniores (única categoria de formação, nesse tempo) e de seguida passou aos seniores, tendo jogado no grande FC Porto durante 12 épocas, até ter ainda por fim representado oficialmente o Vila Real no fim de sua carreira de jogador. Havendo posteriormente sido treinador em diversas equipas. Ostentando no currículo de jogador a célebre vitória na Taça de Portugal de 1968, algo especial na época por ser uma intromissão no poderio federativo sulista e elitista do regime vigente.


Nóbrega, de nome completo Francisco Laje Pereira Nóbrega, nascido em Vila Real a 14 de Abril de 1942, foi um antigo jogador de futebol do FC Porto que chegou a representar também a seleção portuguesa. Jogava na posição de avançado, normalmente a extremo esquerdo. Representou o Sport Clube de Vila Real, o FC Porto, de permeio o Tirsense por empréstimo do FC Porto (envolvido na vinda de Alberto Festa para o FC Porto), de novo o FC Porto e por fim o Vila Real outra vez. Tendo conquistado uma Taça de Portugal pelo FC Porto, em 1968. Alcançou quatro internacionalizações pela Seleção Militar, uma pela Seleção B e mais quatro pela Seleção A. Nóbrega fez a sua estreia na principal equipa nacional a 15 de Novembro de 1964, no Porto, contra a Espanha, com vitória portuguesa por 2-1; e despediu-se a 12 de Novembro de 1967, no Porto, com a Noruega, também com vitória portuguesa por 2-1. Esteve selecionado para ir ao Mundial de 1966 no lote dos 22 Magriços, mas depois foi substituído por um futebolista que ao tempo havia ingressado num clube de Lisboa.

Pormenorizando: Nóbrega jogou nas camadas jovens do Futebol Clube do Porto e quando foi promovido a sénior, na temporada de 1961/62, foi emprestado ao F.C. Tirsense em acordo incluído na transferência de Alberto Festa, para depois ter regressado em definitivo aos Dragões na temporada seguinte.


Entrou na equipa principal do FC Porto como titular em Setembro de 1962 e a partir daí foi dos elementos mais assíduos a jogar com a camisola do FC Porto.

 = Vitória no Trofeu Luís Otero, em Espanha 

A sua primeira temporada de sénior azul e branco foi bastante promissora, já que Nóbrega, com apenas 21 anos, acabou o campeonato nacional com 10 golos apontados e com a conquista da Taça Associação de Futebol do Porto. Depois, na seguinte temporada com a camisola do FC Porto teve plena afirmação, sendo então que confirmou estatuto saliente como um dos titulares indiscutíveis. Enquanto isso, à falta de títulos nacionais que a equipa não conseguia vencer, foi protagonizando vitórias na Taça Associação de Futebol do Porto, em repetições sucessivas.

= Nóbrega na equipa da primeira vitória do FC Porto em competições europeias. 

De particular destaque o facto de Nóbrega, no dia 16 de Setembro de 1964, ter sido também um dos titulares da formação portista que venceu o Olimpique Lyonnais por 3-0 no Estádio das antas, em jogo a contar para a 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça dos Vencedores das Taças e que marcou a primeira vitória dos portistas nas competições europeias.


Nesse percurso, entretanto, Nóbrega teve enfim oportunidade de vestir a camisola da seleção nacional. Inicialmente, como “tropa”, foi escalado para jogar pela Seleção Militar no Torneio Europeu de Seleções Militares ao tempo existente, tendo então alinhado ao lado dos colegas Rui, Pinto e Jaime, assim como de Eusébio e Simões do Benfica, José Carlos e Pedro Gomes do Sporting, Ribeiro do Belenenses, Jaime Graça do Setúbal, entre diversos outros mais. 


Mais tarde foi escolhido ainda para a Seleção B. E por fim em 1964 teve vez a chamada à Seleção A, tendo na estreia, diante da Espanha em jogo disputado no estádio das Antas, sido considerado o melhor em campo. A ponto que a sua exibição entusiasmou a assistência, de tal forma que no final foi levantado em triunfo, levado em ombros por admiradores.


Apesar disso, sofrendo os efeitos dos jogadores do FC Porto não terem quem os pudesse defender na Federação, Nóbrega poucas mais vezes pôde jogar na seleção principal representativa de Portugal, visto nas instâncias superiores então imperar o sistema BSB das presidências federativas destinadas apenas a representantes de Benfica, Sporting e Belenenses. E, como tal, serem futebolistas desses clubes normalmente os escolhidos. De modo tão escandaloso que aquando da campanha do Campeonato Mundial de 1966 então Nóbrega, apesar de ter sido incluído no lote destinado à ida a Inglaterra, foi deixado em terra (apesar de até ter tido o fato oficial pronto!), para entrada dum outro que na época tinha sido adquirido pelo Sporting… (Assim, tal e qual, na fase final na velha Albion, o melhor guarda-redes, Américo, ficou no banco para jogar o Carvalho do Sporting no primeiro jogo e por fim José Pereira do Belenenses, nos restantes jogos, mesmo até no último de atribuição do 3º lugar, mau grado ter tido grandes culpas no cartório da derrota na meia final; enquanto Pinto, apesar de considerado dos melhores portugueses, viu jogarem diversos outros de seu lugar porque eram do Benfica…)

= Nóbrega na equipa da Festa de Despedida do grande guarda-redes Américo. 

Após o Mundial de 1966 Nóbrega voltou ainda a ser selecionado, tendo vestido a camisola das quinas em mais três ocasiões, havendo-se despedido no dia 12 de Novembro de 1967 numa partida em que foi o extremo esquerdo da seleção que venceu a Noruega, em jogo disputado no estádio das Antas, com resultado favorável a Portugal por 2-1.


Na temporada de 1967/68 viveu o ponto alto da sua carreira ao conquistar a Taça de Portugal. Os portistas foram à Final do Jamor vencer o Vitória de Setúbal por 2-1, com Nóbrega a ser o autor do segundo e vitorioso golo do FC Porto.


Francisco Nóbrega esteve também presente noutros momentos importantes para o clube azul e branco. Em Janeiro de 1970 fez parte da comitiva que se deslocou ao Brasil a convite do São Paulo F.C. para a festa de inauguração do Estádio Cícero Pompeu de Toledo. E especialmente, no dia 31 de Janeiro de 1971 foi um dos titulares da equipa que derrotou o S.L. Benfica por 4-0, no célebre jogo em que Lemos marcou todos os golos.

= Equipa que alinhou de início no jogo dos 4-0 ao Benfica em Janeiro de 1971: Em pé e da esquerda para a direita: Rolando, Gualter, Pavão, Valdemar, Armando Manhiça e Rui. Em baixo, pela mesma ordem: Abel, Custódio Pinto, Bené, Lemos e Nóbrega.


No final da temporada de 1973/74 deixou finalmente de jogar no F.C. Porto. Depois de Dragão ao peito Nóbrega ter disputado 277 partidas oficiais e marcado 44 golos, nas 12 épocas em que representou o F.C. Porto. Ficando na memória de quem o viu jogar como o extremo esquerdo portista que trocava os olhos aos defesas… conforme entre admiradores e comentadores era publicamente dito sobre ele, nesse tempo. Tal era a sua finta estonteante, driblando pelo lado esquerdo, a trocar as voltas e os sentidos aos defensores adversários.

= Imagem do tempo de Cubillas e do último ano de Nóbrega no FC Porto: Equipa do futebol portista na época 1973/74. Em pé e da esquerda para a direita: Rolando, Rodolfo, Guedes, Tibi, Ronaldo e Cubillas. Em baixo, pela mesma ordem:  Abel, Oliveira, Celso, Bené e Nóbrega.

Sintomático do apreço com que Nóbrega ficou visto à luz da história é que foi incluído entre os melhores jogadores nacionais na coleção "Onze +", em 2008 publicada pela editora Quidnova, de parceria com o jornal O Jogo  através de livros dedicados a cada posição de futebolistas em campo, desde guarda-redes até aos extremos-esquerdos, integrando o lote dos melhores extremos esquerdos de sempre. Num grupo composto (em ordem alfabética) por Albano, do Seixal e depois do Sporting; Bentes, da Académica; Chalana, do Benfica, Bordeus (França), Belenenses e Amadora; Dinis, do Sporting e do FC Porto; Fernando Peres, do Belenenses, Académica, Sporting, FC Porto e Vasco da Gama (Brasil); Futre, do Sporting, FC Porto, Atlético de Madrid, Benfica, Marselha (França), Regiana e Milan (Itália), West Ham (Inglaterra) e Yokohama (Japão); João Cruz, do Sporting; José Alberto Costa, do Vila Real, Académica, FC Porto e Rochester Lancers (USA); Nóbrega, do FC Porto; Simão Sabrosa, do Sporting, Barcelona (Espanha), Benfica e Atlético de Madrid (Espanha); e (António) Simões, do Benfica, Tomar, Estoril, etc (diversas equipas dos Estados Unidos da América). Com indicação dos respetivos clubes de passagem durante a carreira, como seniores e fases relevantes.


Entretanto, ainda, na época de 1974/75 Nóbrega, em final de carreira, ingressou no clube da sua terra, o S C Vila Real. Então aí, em 1975/76 ajudou os vila-realenses a subirem para a 2ª Divisão Nacional. Na temporada seguinte passou ali a ser treinado pelo seu amigo e ex-colega do FC Porto Custódio Pinto, que assumira o comando da turma transmontana. Com o qual passou e estava a viver bons momentos, novamente, até que num jogo em Chaves aconteceu um desentendimento entre o treinador e o presidente, Taveira da Mota, cuja ocorrência ditou o afastamento de Custódio Pinto do comando técnico da equipa de Vila Real. Francisco Nóbrega em solidariedade com o seu amigo e por discordar do que acontecera, na sua retidão natural, abandonou também o clube e regressou à cidade do Porto.


Passou mais tarde a treinador, tendo orientado clubes como o CD Feirense (que então esteve quase a alcançar subida de divisão), FC Lixa, FC Felgueiras, Avanca, Atlético de Rio Tinto, entre outras equipas ao tempo participantes em divisões secundárias nacionais e algumas distritais.


Faleceu no dia 28 de Abril de 2012, no Porto, quando contava 70 anos.

Palmarés:

1 Taça de Portugal
4 Taças Associação de Futebol do Porto

Internacional 4 vezes pela Seleção Militar, 1 pela Seleção B e 4 pela Seleção A de Portugal.

ARMANDO PINTO
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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Recentes “Aquisições”...


Na ideia que não há melhor que termos onde nos sentir bem, recebemos por estes dias reforços no nosso local de passatempo… com novas aquisições, de boa dotação particular. Porque o melhor é rodear a vida de algo que queremos e nos faz sentir bem.

Armando Pinto


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