Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

domingo, 28 de outubro de 2018

Lançamentos e placagens de boas intenções pela memória do Andebol Portista – In Memoriam de um andebolista antigo, em deambulação andebolística


Um destes dias, como autor deste blogue, recebi uma notícia, através dum amigo e antigo praticante duma modalidade do FC Porto, sobre o falecimento dum andebolista do FC Porto de tempos passados. Numa comunicação que agradeço, como portista, para a eventualidade de, por meio deste simples espaço de memória, poder fazer justiça a esse atleta. Tratando-se de Antero de Carvalho, atleta do FC Porto na modalidade de andebol, que ainda jogou na variante de onze e chegou ao tempo da mudança definitiva para o andebol de sete.

(Mudança definitiva, porque antes disso as duas variantes foram coabitando alguns anos, tendo o FC Porto e algumas outras equipas, ainda, jogado quer no andebol de onze como também no de sete).

Antero de Carvalho era filho do também antigo dirigente do FC Porto Dr. Antero de Carvalho, que foi conhecido membro de algumas direções do clube, pelo menos no tempo do Presidente Pinto de Magalhães, conforme me lembro. E tal como o pai (segundo me relata o meu amigo e consócio portista, portador da notícia) era de alta estatura e também de porte portista elevado.

Com ideia de fazer memória tratei de procurar elementos correspondentes, mas… ao pesquisar sobre esse atleta, não se encontra quase nada. Sendo de estranhar que mesmo em livros considerados produtos oficiais nem mesmo o pai, o antigo diretor, seja lembrado.

Ora, o andebolista Antero de Carvalho, do que conseguimos apurar documentalmente, como elemento marcante do andebol portista, ficou registado à posteridade em foto da equipa portista da fase de transição da modalidade. Visto ter feito ainda parte de equipas azuis e brancas dentro do tempo em que no FC Porto o andebol teve superioridade evidente na primeira variante do Andebol de 11, jogado em campos grandes; e depois, pela evolução sucedida, houve opção pelo Andebol de 7 que vingou, jogado em pequenos recintos e posteriormente dentro de pavilhões.

 = Equipa do FC Porto de Andebol de 11 da Época 1974 / 75, na despedida dessa variante. 
Julho de 1975 - Final do último Campeonato Nacional de 11 – vitória do FC Porto sobre o Progresso por 19 - 4.
Em cima da esquerda para a direita - Professor António Cunha (Treinador), Sá Pinto, Juvelino Barbosa, Salvador Massada, Cândido Borges, Antero Carvalho (sem equipamento), José Borges, Francisco Resende, Zorín e Artur Santos (Chefe de Secção); em baixo e pela mesma ordem - Adriano Coutinho, Reis Miranda, Rochinha, Eugénio Cunha, Orlando Sousa, José Pinheiro e Leandro Massada.=

Era o andebol uma modalidade muito querida dentro do FC Porto, olhando a todo um passado grandioso, tal a hegemonia evidente, através de sucessivos títulos ao longo de várias décadas de anos. Tanto que fez com que o FC Porto fosse considerado Campeoníssimo e os andebolistas azuis e brancos também Campeoníssimos, quão ficou assinalado no “bronze” histórico composto por coluna e escultura alusiva que durante largos anos esteve no antigo museu do FC Porto, com as bolas dos muitos campeonatos ganhos em sua volta. De cujo conjunto atualmente se tem podido ver a escultura no Museu do FC Porto BMG.

Com a evolução da modalidade, embora pela redução de elementos em campo, o andebol do FC Porto teve algumas dificuldades de adaptação, sem ter conseguido manter a anterior superioridade sobre a concorrência. Até que posteriormente voltou a andar nos lugares cimeiros, de modo que, embora com altos e baixos, têm sido muitas as vitórias em campeonatos e outras competições.

= Andebolistas do FC Porto (com respetivas faixas de Campeões) desfilando numa parada constante dum festival clubista realizado no estádio doas Antas 

A propósito, recorde-se um artigo de feição memorial que em tempos foi feito pelo autor deste blogue num outro blogue (antigo e entretanto desativado):

«O Andebol (“Hand-ball”, como inicialmente era referido nas crónicas) nasceu como versão de futebol jogado à mão, em campos grandes, desporto colectivo cujo primeiro jogo internacional de que há notícia se desenrolou em 1925.

Não se conhecem, porém, registos dos primeiros tempos do Andebol no nosso país e sobretudo no FC Porto. Apenas há referências de ter começado na cidade do Porto antes de ser divulgado em Portugal, segundo testemunhos escritos dos seus alvores haverem tido origem num jogo que ficou conhecido por Malheiral, nome alusivo ao seu criador, Prof. Malheiro, da secção de ginástica do FC Porto, nesse tempo.

Sendo o Handebol (como se escrevia aportuguesadamente) então praticado em campos de futebol, com marcações próprias e por equipas de onze elementos - mais tarde chamado Andebol de Onze, por tal motivo, para distinção quando surgiu o de Sete.

Entretanto, o início oficial ocorrera em 1932, ano da criação da Associação de Andebol do Porto, num jogo empatado entre equipas do FC Porto e do Sport Club do Porto, aquando da inauguração da Casa do Jornalista, criada pela Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Ora, sabendo-se que foi em 1928 a criação da respectiva Federação Internacional e em 1938 que teve fundação a Federação Portuguesa de Andebol, fácil se verifica que o FC Porto foi pioneiro na modalidade, tendo inclusive sido o primeiro campeão nacional, ao ter conquistado o inicial campeonato disputado em 1938/39.


= Henrique Fabião =

Depressa o FC Porto se tornou a colectividade nº 1 do Andebol português, tal a soma de sete títulos averbados nas sete primeiras épocas de disputa do mesmo campeonato, qual campeão crónico, depois com 12 vitórias máximas ao cabo de 14 anos da prova. Com a curiosidade de ter havido dois atletas que fizeram parte da equipa nas doze primeiras conquistas, Alberto e Fabião. Ídolos desse tempo que se juntavam a antigos nomes vivenciados no afecto clubista, como Gomes dos Santos, Lopes Martins, Teófilo, Bastos, Joaquim e António Mota, além da acção de Arestes Amaro, treinador que era a grande alma nesses primórdios do andebol portista.

De permeio, tal valor de supremacia extravasou além-fronteiras, surgindo algumas vitórias do FCP a nível internacional, a primeira das quais diante da Selecção da Suíça, em 1951, a equipa na altura considerada melhor da Europa, a quem o FCP venceu por 7-6 (na única derrota helvética na digressão em que vencera antes as Selecções de França, Suécia, Espanha, Portugal e Misto de Lisboa). Tal qual em 1953 venceu a Selecção da Suécia por 6-4, em prélio que colocou a formação azul e branca com a equipa ao tempo vice-campeã mundial.


É desse período a equipa que se dá à estampa, perpetuando os campeões da época de 1952/53. No primeiro plano, a contar da esquerda: Reis, Hernâni, Serafim, Luís, Fernando Pires, Rui e Filipe Bastos; de pé, pela mesma ordem: Vareta, Antero, Teixeira, Augusto Costa, Paulo Claro, Armando Campos, Henrique Fabião e Augusto Madureira.



De permeio, a importância do Andebol no clube foi-se traduzindo na participação da grande maioria dos atletas das Antas na selecção portuguesa, onde Henrique Fabião, capitão da equipa da camisola de duas listas azuis e brancas, verdadeira glória do emblema do Dragão, capitaneou também o grupo luso nas prestações desses anos.

E a embalagem foi sendo mantida, depressa chegando a conta de 20 campeonatos ganhos, em 1959/60, Antes já, ao perfazer a conta de dez títulos, fora ocasião em que houve oferta de um galardão alusivo, dedicado aos Campeoníssimos, nome do escultural troféu (em cima).


Continuando o clube, através de suas sucessivas equipas, na aí já vertente conhecida como Andebol de Onze, por averbar depois até o seu 30º título nacional do Onze em 1974/1975, na última época da correspondente prática - concluindo o FCP com 30 títulos em 37 campeonatos disputados.

Chegara entretanto a variante de sete, concorrente que acabou por vingar, passando a jogar-se inicialmente em rinques ao ar livre e depois em pavilhões fechados, com sete jogadores por equipa, cujo primeiro campeonato nacional se disputou em 1951/52 e no qual o FC Porto se inscreveu como vencedor no de 1953/54.

Daí em diante foi-se mantendo acesa a chama de sua representação, havendo conseguido amealhar até agora (ao tempo, 2009) mais 13 títulos, além de outras provas, como a Taça de Portugal, a Supertaça e a mais moderna Taça da Liga, no escalão sénior. 

= Na Festa da Consagração aos Campeões Nacionais de 1967 / 68, em Outubro de 1968, na Quinta da Vinha. Fazendo as honras, o anfitrião Sebastião Ferreira Mendes, Presidente Honorário do FCP, acompanhado pelo  então Presidente Afonso Pinto de Magalhães, e com o vice-presidente Dr. Miguel Pereira também ali perto, posou para a fotografia de recordação entre campeões das diversas modalidades. Estando lá naturalmente andebolistas de diversos escalões.  

Em cujo percurso foram ficando na História celebrizados nomes, ao longo das diversas fases do historial portista, como Henrique Fabião, Armando Campos, Fernando Dias, Augusto Costa, Carlos Teixeira, Joaquim Reis, Teófilo Tuna, Manuel Varela, Paulo Claro, Mário Castro, José Dias Leite, Adalberto, Pacheco, Ferra, Capela, António Cunha, Borges, Leandro Massada, Antero Carvalho, Tavares da Rocha, Maia, Madureira, Coelho, etc… Até aos mais recentes, Carlos Resende, Eduardo Filipe, etc. etc.»

(Armando Pinto, 3 de Junho de 2009)

De uma época ainda da fase de ambientação à variante de sete a nível nacional, mas com superioridade regional, revemos um dos títulos da área zonal, através de alguns recortes de 1970:


 Seguidamente houve então o salto em frente, com vitórias diversas, como faz parte da história.

= Equipa do Andebol de 7 do FC Porto, da conquista da Taça de Portugal na época 1976 / 77

Posto isto, escusado será acrescentar, mas anotamos, o grande salto que o andebol do FC Porto tem dado em direção à baliza do sucesso progressivo. Cuja memorização urge anotar também mais amplamente, algo que compete a quem de direito. Em virtude de se notar a falta que há de registos histórico-documentais publicados em todas das secções, por assim dizer, das modalidades do FC Porto.


Aquando de recente exposição retrospetiva sobre o historial do Andebol do FC Porto, que esteve patente na sala de mostras temporárias do Museu FC Porto by BMG, foi publicada legenda que se anota, para atualização:

«Em 1953, é criado o primeiro plantel de andebol de 7, vertente olhada de forma um pouco cética no início. “Apareceu o andebol de sete, e a princípio as pessoas duvidavam do seu êxito, mas depois o FC Porto conseguiu também impor-se, vencer títulos e ter uma equipa fantástica”, frisa Pinto da Costa. Na época de 1954/55, o clube vence, em simultâneo os campeonatos nacionais de andebol de 11 e de sete.

Desde então várias foram as conquistas. 20 campeonatos nacionais, 7 taças de Portugal, 6 supertaças, 3 taças de liga, entre outros.»

Armando Pinto
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