Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Recordando: Efeméride da eleição de Américo de Sá como Presidente do FC Porto



Voltando atrás nos passos da história, recordamos, «a 29 de janeiro de 1972, Américo de Sá era eleito para o primeiro de cinco mandatos como presidente do FC Porto. A tomada de posse aconteceria a 7 de fevereiro, no Teatro Sá da Bandeira. Seria presidente durante dez anos, tendo sido no seu consulado que o FC Porto pôs fim ao duro período de 19 anos sem ser campeão nacional» conforme bem recorda a newsletter oficial Dragões Diário, nesta data.

Com efeito, parecendo que não foi há muito, nestes devaneios da vida, já foi há 47 anos (conta de agora, quando escrevemos e recordamos) que se deu essa transformação na vida do FC Porto. 

Passada a brilhante fase da consolidação do clube e sobretudo o seu fortalecimento patrimonial, ocorrido nas gerências dos “6 anos de Progresso na Vida Gloriosa do FC Porto” em que Afonso Pinto de Magalhães deu outra vitalidade identificativa ao FC Porto, o clube passava porém por fase aguda de enfraquecimento no futebol. Não fora fácil a perda do campeonato de 1968/69 por razões internas sobretudo, como faz parte da memória portista, e depois da saída forçada de Américo das balizas, por lesão impeditiva, o FC Porto andou então anos à espera de tentar colmatar essa realidade, sucedendo-se jogos de fraca recordação para as hostes portistas. Numa sucessão de que resultou em 1969/70 a pior classificou de sempre, numa época em que foram utilizados 5 guarda-redes na equipa principal. E de seguida em 1970/71, apesar de ter havido outro panorama geral, em pleno esforço do presidente Pinto de Magalhães, com realce para a aquisição do famoso goleador brasileiro Flávio, e outros valores capazes de alterar alguma coisa, como foram as vindas de Abel, Manhiça, Gualter, Armando, etc. e entrada de jovens promessas dos escalões de formação do clube, como Lemos, Ricardo, etc. algo estava a custar mudar. Ainda que com alguns resultados já evidentes, sendo de notar que foi em tempo de despedida de Pinto de Magalhães que se deu o célebre jogo dos 4-0 ao Benfica, a 31 de janeiro de 1971. Consumada que estava, entretanto, a vontade do presidente de dar lugar a outros. Até que em plena assembleia se gerou uma onda de força para que um novo elemento assumisse os destinos do clube. Coube aí ao Dr. Américo de Sá. O resto é da história memorial, como se sabe, importando anotar no íntimo todo o esforço para que o FC Porto tenha sido cada vez maior.

Armando Pinto
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domingo, 27 de janeiro de 2019

No rescaldo da Taça da Liga-2018/19



Passadas a tristeza e desilusão da decisão dos penaltis (sim, porque aqui não há hipocrisias nem falsas desculpas), e embora sabendo que isto pouco vale num universo imenso como é o mundo do FC Porto, tem de se registar também aqui o facto do FC Porto não ter vencido essa taça agora chamada da Liga Allianz, mas vulgarmente conhecida por taça da Liga, como já foi da cerveja, Lucílio Batista, dos tuneis. Etc.

Tudo o que reporta ao caso está narrado e difundido nos mais diversos quadrantes, não valendo a pena bater em teclas gastas. Apenas se regista o caso como marcação de posição, para de uma vez por todas todo o mundo ver como o FC Porto realmente é grande e mete obstáculo aos adversários. Então se uma taça de meio de inverno, que nem dá direito a qualificação para nada, ganha tanta importância só porque o FC Porto perdeu… e na decisão de penaltis… o que não vale o Campeonato Nacional que o FC Porto ostenta em título e os títulos europeus e mundiais que fazem parte do orgulho portista e da história do desporto universal? Senão repare-se e compare-se futuramente quando o FC Porto voltar a ser Campeão, qual vai ser a difusão nacional…! Sendo o FC Porto como é atualmente o único representante português ainda em prova na mais importante competição da Europa. Além de na História ser o único clube de Portugal que tem no seu historial as taças mais importantes disputadas por clubes europeus, a Taça dos Campeões Europeus e Liga dos Campeões, a Taça UEFA e Liga Europa, mais a Taça Intercontinental/Mundial de Clubes.

Claro que o mundo de adeptos do Sporting ficou contente com o resultado final. Embora demonstrando não saberem ganhar, como se viu no comportamento tido na descida da tribuna dos elementos do FC Porto. Contudo entendendo-se para quem está desabituado de vitórias e se contentam com uma taça de meio de época. Porque mesmo na outra Taça, a chamada de Portugal, se perderem voltará a haver molho… enquanto os outros, que já não conseguiam nada por seus próprios meios, ficaram em êxtase com o que os tais outros alcançaram… quase na imagem corriqueira da vida.


Agora, quanto ao mundo portista, o assunto fica como alerta para todo o mar azul se unir em torno do globo do símbolo portista e deixar de haver quem se deixe ir em enxurradas de opiniões dos infiltrados que metem por vezes água de correntes contrárias.

O FC Porto perdeu desta feita nos penaltis, como na época passada idem aspas, na mesma taça, mas já ganhou em penaltis um dos dois Mundiais de Clubes que ostenta e também uma Supertaça nacional, pelo menos. Tal como Oliver Torres teve o azar que teve, mas também ainda nos lembramos dum célebre erro de Herrera que passado pouco tempo já era e bem esquecido. Quem dera, dizemos, que a história se volte a repetir e daqui a algum tempo, tal como Herrera no golo na sala de festas de Lisboa, o batalhador Óliver seja aplaudido nos corações de pulsações portistas.

Ainda falta muito da época e nem sempre se poderá vencer. Mas é preciso não esquecer que o FC Porto é quem vai à frente do campeonato português. E com a união do mar azul isso pode continuar, com atenção evidente do que há que corrigir e a melhorar. Sem perder noção das manobras de bastidores (como ainda agora com a aquisição por parte do Benfica dum jogador atualmente boavisteiro, em vésperas do confronto entre as duas equipas amigas… com a curiosidade agravante de terem levado de paleio o FC Porto com o empréstimo do Bueno quando havia intromissão de mouro na costa… ah, e sobremaneira salta demasiado à vista a troca de treinador a poucas horas do embate, como tem acontecido doutras vezes em casos similares).

Naturalmente que o polvo ainda mexe, com a ajuda dos poderes reinóis, e haverá outros comparsas que continuarão a entrar no jogo. Mas se o FC Porto conseguir fazer uma boa campanha como tem acontecido na primeira volta do Campeonato, terão de haver mais promessas a outros santos, via padrecos encomendados… para impedir a justiça de se concretizar. E então, caso algo assim acontecesse, não faltaria histeria entre quem não se importa de ganhar à batotice.

Armando Pinto

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Congratulação pelo projeto para o edifício da antiga Sede Sócio-desportiva do FC Porto


Correndo ainda Janeiro quase pela metade, o FC Porto consegue fazer brilhar algo no panorama deste mês normalmente pouco atrativo. Tendo, além da superação que está a acontecer no futebol, também conseguido materializar um projeto que há muito estava nos planos, com o início das obras de transformação e salvaguarda do prédio onde durante décadas esteve instalada a histórica Sede do FC Porto.


Esse nobre edifício durante anos meteu respeito na zona central da sala de visitas da cidade do Porto, sito mesmo ao lado da Câmara Municipal, em plena Praça cimeira da Avenida dos Aliados. Sendo com o peito a pulsar que, entrando no nº 325 da então Praça do Município, subíamos as escadas de acesso à secretaria, para tratar pessoalmente de assuntos relacionados com o FC Porto, perante a situação de sócio e mesmo de colaborador-correspondente do jornal O Porto, quando era possível ao autor destas linhas deslocar-se à Invicta (porque normalmente eram mais por correio os respetivos contactos, pagamentos de cotas, pedidos de envio de publicações e remessas de artigos da colaboração gratuita ao órgão oficial do clube).

= Duo de ciclistas do FC Porto que participaram nos Jogos Olímpicos de 1960, José Pacheco e Mário Silva

= Aspetos do antigo Museu do FC Porto -  oficialmente com o nome de Sala-Museu Afonso Pinto de Magalhães

E então, quando lá ia, era de mexer bem cá dentro aquilo, sempre com os olhos rasos a poder ver todos aqueles quadros de grande valor estético e sentimental, por ali expostos nas paredes em volta, desde os campeões da primeira Liga, à equipa da Caravana da Saudade e aos campeões de 1956 e 1959; mais os vencedores da Taça de 1968; como ainda os Olímpicos até então, Valdemar Mota, Mário Silva e José Pacheco; até grandes símbolos como Pinga, Araújo, Hernâni, inclusive Américo com a sua Baliza de Prata e o Troféu Somelos-Helanca de melhor do campeonato português de 68, etc., etc. Bem como acima havia a sala da galeria de fotos dos Internacionais seniores e juniores de futebol e depois a sala-muséu Pinto de Magalhães, onde os sentidos ficavam abarrotados de boas sensações. E tudo o mais…


Ali foram festejadas grandes vitórias, das conquistas das Taças de Portugal e do Campeonato Nacional, bem como dos ciclistas do FC Porto que venceram s Voltas a Portugal em bicicleta. Como recordamos, intercalando por aqui algumas fotos, quer de vitória de taças, de campeonatos, tal como das vitórias da Voltas de Carlos Carvalho e José Pacheco, por exemplo (vendo-se na foto o célebre Rei da Montanha e vencedor da Volta de 1959 acompanhado pelos colegas de equipa Emídio Pinto e Artur Coelho, na ocasião da entrega da taça de vitória coletiva a da equipa na mesma Volta: Bem como os vencedores da Volta de 1962, estando o vencedor individual Pacheco junto com os colegas que triunfaram também na classificação por equipas ).


Agora, com a solução encontrada, parece que vai ser bem salvaguardada a memória desse edifício e respeitada a história do FC Porto. Visto entretanto ter deixado de conter serviços do clube, após a transferência para o estádio das Antas e atualmente todas as secções do clubes estarem sediadas no estádio do Dragão. Concluindo-se por fim o que estava já projetado e entretanto fora anunciado, como aqui também foi referido na devida ocasião, em 2014.

Disso tudo, para não se repetir o que tem sido publicado, respigamos com a devida vénia o texto correspondente vindo na página informática oficial do FC Porto:

« Antiga sede esteve associada ao crescimento do FC Porto e ficou ligada a diversos momentos históricos do clube

A antiga sede do FC Porto na Avenida dos Aliados vai ser reabilitada e convertida num hotel de charme, com preservação da fachada exterior e de outros elementos originais do edifício. É um novo capítulo para um local emblemático no coração da cidade do Porto, um espaço que esteve associado ao crescimento do clube portista e que ficou ligado a diversos momentos históricos do FC Porto.

No dia em que se anunciou o futuro (na segunda-feira, dia 21), com abertura prevista do hotel para o primeiro trimestre de 2020, importa recordar o passado e a importância deste espaço para o FC Porto.

O início da história remonta a 1933, quando o clube alugou ao proprietário César Augusto Bordallo o piso do primeiro andar para ali instalar os serviços de sede e secretaria. As obras de ajustamento do espaço estiveram a cargo de Eduardo Coutinho, arquiteto e antigo sócio do FC Porto.


A sede do FC Porto foi inaugurada em março de 1933, mês em que se realizou igualmente a primeira reunião da Direção presidida por Sebastião Ferreira Mendes naquele espaço, equipado com sala de espera, sala de secretaria/balcão de atendimento, sala de leitura, salão de bilhar, bar, sala da Direção, sala dos chefes de secção, sala de troféus e um ginásio servido por bengaleiro, vestiário e chuveiro.

= "Quadro" que fez parte da decoração da Sede da então Praça do Município. 

Entre as décadas de 1930 e 1970 era frequente as equipas vencedoras ou atletas vencedores serem homenageados na sede localizada na Praça General Humberto Delgado (que se designou anteriormente como Praça Sidónio Pais e depois ainda Praça do Município). Em 1935, por exemplo, os vencedores da primeira edição do campeonato nacional de futebol em formato de Liga foram alvo de uma receção com ‘Porto de Honra’ no espaço.

= Plantel da época da conquista do campeonato Nacional de 1958/1959, cuja foto estava também emoldurada em quadro da sede. 

A varanda da sede do FC Porto foi o palco de consagração de diversos campeões e vencedores, o destino de autênticas romarias azuis e brancas. A Taça Arsenal foi entregue ao clube neste local, em outubro de 1949. O troféu resultou de uma subscrição pública para homenagear os vencedores do célebre jogo contra o Arsenal, disputado no ano anterior, a 6 de maio de 1948, no Campo do Lima.


As conquistas da Taça de Portugal em 1956 e 1958 também foram festejadas à frente da sede do clube, após vitórias frente a Torreense (2-0) e Benfica (1-0), respetivamente. Pedroto e Virgílio eram os capitães dessas duas equipas do FC Porto mas a grande figura das finais foi Hernâni, autor dos golos que garantiram os triunfos no Estádio do Jamor. Em maio de 1966, as ruas do centro do Porto voltaram a encher-se de adeptos, entre a Estação de São Bento e a sede, para saudar os juniores do clube, vencedores do Torneio de Limoges (França), a primeira grande conquista internacional do clube nos escalões de formação de futebol.

= Homenagem a Cristiano, pela sua participação na conquista portuguesa do Europeu de hóquei em Patins de 1971, quando ao fim de muitos anos (depois de Acúrcio Carrelo em 1957) o FC Porto voltou a ter um hoquista internacional sénior. Sessão solene que teve lugar na Sala-museu Afonso Pinto de Magalhães, tendo o mesmo hoquista recebido uma recordação das mãos do presidente do FC Porto cujo nome era também oficialmente do museu.

=  Reconhecimento ao então jovem diretor de modalidades amadoras Jorge Nuno Pinto da Costa, também na Sede do FC Porto da Praça do Município, sob testemunho memorial de alguns grandes nomes do passado patentes em fotos pendentes na parede (do fundo visual). Sendo-lhe colocado na lapela uma distinção, pela mão de Alfredo Borges, ao tempo diretor do Departamento de Futebol, na presença de Artur Peixoto Júnior, então diretor do Atletismo, em tempo inicial da gerência do Dr. Américo Sá.

Outro momento de enorme celebração portista remonta a 5 de maio de 1972, já após a reabertura da Sala-Museu do FC Porto (1967). Uma vitória frente ao Luanda e Benfica por 93-63 permitiu à equipa de basquetebol sagrar-se campeã nacional pela primeira vez desde 1953. A festa começou no Pavilhão Infante de Sagres, palco do jogo e continuou junto à sede do clube, pela noite dentro. Uma das grandes figuras dessa equipa era Dave “Flash” Dover, para muitos o melhor basquetebolista de sempre a jogar em Portugal.


Os serviços administrativos do FC Porto foram transferidos para o Estádio das Antas em 1982, ano em que o edifício na Avenida dos Aliados deixou de ser oficialmente a sede do clube. Porém, a atividade no espaço manteve-se. Em 1990, foi inaugurada a nova Sala de Bilhar do clube, considerada uma das melhores da Europa. Naquele espaço, o FC Porto organizou a Taça da Europa de bilhar em 1994 e 1998, assim como a Taça da Europa de Clubes em 2011, antes da mudança final da Secção para a Academia de Bilhar do Estádio do Dragão, em 2014. »


A propósito, para recordar e enquadrar, reveja-se o que em 2014 neste mesmo blogue ficou registado (clicando) sobre o “futuro da antiga sede do FC Porto”.

Armando Pinto
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Um envelope com história… expedido da Longra para o Porto, com selos sobre o FC Porto


Aqui há tempos foi o autor deste blogue surpreendido com a descoberta num blogue de apreço com uma imagem que de imediato chamou e clama atenção. Tratando-se dum sobrescrito que faz parte da coleção dum dos maiores colecionadores portugueses de artigos vários relacionados com literatura, filatelia, desporto, temas do FC Porto e outras valências.

Ora, no blogue referido, “Dragaodoporto”, no post correspondente consta em título
«Filatelia - Sobrescrito circulado em correio azul, da Vila da Longra para o Porto no dia 13/12/2005
E, a seguir à imagem do envelope, acrescenta:
«Esta peça selada, foi expedida, com dois selos diferentes da temática "Futebol Clube do Porto"


Pois a boa surpresa remete para uma das ocasiões em que houve troca de comunicações escritas, através de correio (como era mais normal até há pouco tempo, ainda) entre aqui o autor deste blogue e um grande senhor da Filatelia, o Dr. Paulo Sá Machado – de quem fiquei a ter algum contacto desde nossos primeiros contactos aquando da 1ª (e única) Mostra Filatélica e Exposição Museológico-Postal da Casa do Povo da Longra, que organizei em 1995, durante o tempo (cerca de 12 anos) em que estive na direção daquela associação local.

Esse envelope agora faz parte da coleção de outro colecionador, portanto. E dos bons! Um grande Portista e dos que mais material têm sobre o FC Porto, pelo menos, também. 

Aqui há tempos já foi publicado no blogue "Longra Histórico-Literária" (também do autor deste "Memória Portista") certas amostras de adereços com o carimbo comemorativo dessa exposição, integrante duma Semana Cultural. Agora regista-se o facto de ter ficado também bem preservado um dos envelopes da correspondência derivada, tratando assuntos em anos seguintes. Sobretudo por constar em tão importante coleção de inteiros postais, havendo já integrado exposições filatélicas e mesmo de outras temáticas.

Armando Pinto
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sábado, 19 de janeiro de 2019

Falecimento de "Flash" Dover - O melhor basquetebolista que jogou em Portugal


Ao findar a semana de meio deste primeiro mês do ano, na sexta-feira dia 18, chega notícia que faleceu Dale Dover, o basquetebolista que muito honrou o sentimento portista em ter jogado no FC Porto, um autêntico malabarista que foi o melhor jogador de basquetebol que jogou em Portugal.
Dele, o Dale Dover, que pela sua espetacularidade e jogo desconcertante era apelidado de "Flash" Dover, já aqui havia ficado algumas considerações, ao longo destes particulares  trabalhos de memorização portista. Mas nesta ocasião de seu desaparecimento, a ocorrência faz hora e honra de o recordar mais e melhor.

Tão importante foi a sua passagem pelo FC Porto que o entusiasmo público gerado pelas suas exibições originou a onda da concretização do pavilhão de jogos das Antas, pois que até aí as equipas das modalidades amadoras do FC Porto, embora preparando-se no pavilhão de treinos Pinto de Magalhães da cidadela desportiva das Antas, tinham de fazer os jogos caseiros nos pavilhões do Académico, do Infante de Sagres ou no Palácio de Cristal.
Ora, para não se repetir o que sobre o mesmo está escrito, respigamos para partilha o apontamento biográfico  descrito pelo grande portista vilarealense Fernando Moreira no blogue "Bibó Porto, carago" e na sua página de facebbook: 


« Dale Dover – O espetáculo dentro do espetáculo

Dale Dover, n. 1-09-1949, Bronx, Nova Iorque – m. 18-01-2019.
Este norte-americano é ainda hoje a maior estrela do basquetebol do FC Porto e, para muitos, o melhor jogador de toda a história da modalidade em Portugal. Dover, em cujo currículo consta a passagem pela Universidade de Harvard, chegou ao FC Porto em 1971 e jogou com, entre outros, Alberto Babo, Fernando Gomes, António Portela, Fernando Assunção, Ivo Leite, Arlindo Cunha e Alfredo Leite.
Inicialmente fora contratado para jogar na equipa do Banco Pinto de Magalhães mas o próprio Afonso Pinto de Magalhães, presidente portista, quando o viu atuar deu imediatamente ordens para ele representar a equipa do FC Porto, tal era o potencial demonstrado. 
Dover, basquetebolista genial, tornou-se jogador/treinador do FC Porto e foi o grande responsável pelo regresso do FC Porto aos títulos, em 1971-72, depois de um longo jejum de 19 anos.


O norte-americano, dotado de extraordinária capacidade técnica e física qual exímio "globetrotter", arrastava multidões. No Pavilhão dos Desportos no Palácio de Cristal (hoje "Pavilhão Rosa Mota"), onde as partidas mais relevantes eram disputadas,verificavam-se enchentes impressionantes.

O basquetebol estava ao nível do futebol, tal era o entusiasmo dos adeptos portistas. Num célebre FC Porto-Benfica, o jogo teve de ser transferido do pavilhão de Gaia para o Palácio de Cristal. 10.000 espectadores encheram o recinto para verem basquetebol e… Dale Dover. E ficaram de fora mais alguns milhares de pessoas! Alguém que viu o jogo, disse: “Era uma loucura”. Eu também vi Dover nesse encontro. Que orgulho, que saudades!

Dale Dover foi a motivação para que a Direção do FC Porto entendesse que devia ser construído um pavilhão gimnodesportivo nas Antas. O Pavilhão Gimnodesportivo das Antas (que mais tarde haveria de chamar-se "Pavilhão Américo de Sá", como homenagem de Pinto da Costa àquele presidente) foi inaugurado em Julho de 1973.

Dale Dover representou o FC Porto durante 3 épocas (1971-72 a 1973-74). Uma lesão grave precipitou a sua partida.

Fernando Moreira – 4 Abril 2012 – Meu post em blogue “Bibó Porto, carago!”

[Ontem, 18 de Janeiro de 2019, tivemos a triste, muito triste notícia: Dover também partiu do mundo dos mortais com 69 anos de idade! A doença maldita vitimou-o. Mas, connosco, ficará para sempre a sua memória.
OBRIGADO, OBRIGADO POR TUDO, CAMPEÃO!] »

»»»»»  * «««««

Posto isto, recordamos também o que aqui havia ficado registado anteriormente, em artigo do autor deste blogue, aquando duma das visitas de romagem do "nosso" Dover ao Porto, em Março de 2016: 


Os deuses são eternos. Como se diz em frases feitas de memória. E como até tem sido tema para filmes e se aplica no desenvolvimento histórico. Tal o que calha a preceito para evocar uma recordação do grande basquetebolista Dale Dover, o valoroso encestador que passou pelo basquete portista e foi o melhor basquetebolista de sempre que jogou nas provas portuguesas por equipas nacionais.

Dover foi um caso à parte, um ídolo endeusado que cativava adeptos. Com ele a jogar os pavilhões enchiam, a pontos de mais ter feito sentir a necessidade do F C Porto ter um pavilhão próprio, levando à construção do primeiro pavilhão para jogos de competições que o F C Porto teve, o Gimnodesportivo das Antas.

Em harmonia à sua maneira de atuar, era conhecido popularmente por "Flash" Dover. Naquele tempo de que guardamos foto coeva, que ainda é do arquivo pessoal do autor.

A propósito, no “Dragões Diário” vem uma forma de recordação que apraz vincar, como forma de mais fazer perdurar sua imagem à posteridade:

«Viu Dale “Flash” Dover jogar? Lembra-se de uma das lendas do basquetebol do FC Porto no início da década de 70 (do século XX), que tinha médias de 40 pontos por jogo e que enchia os pavilhões portugueses? Falamos-lhe dele, da grande figura do título de campeão nacional de 1971/72, porque o norte-americano apareceu cá na cidade do Porto de surpresa para "matar saudades" e conhecer a estátua que o imortaliza no Museu, que visitou, tal como o Estádio do Dragão. Dover recordou, sempre a falar em português, os tempos memoráveis com a camisola azul e branca e, no fim, confessou ter ficado “portista para sempre”. O FC Porto ficou no coração de Dover e Dover também ficou no coração do FC Porto».

Eis então, como aqui fica, umas imagens de vídeo reportando essa recente visita do “Flash” Dover ao Museu F C Porto by BMG:


Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens de cima, para ampliar. E na seta do vídeo, para aceder ao filme )))
A P

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Recordações de janeiro, a evocar o malogrado treinador Orth e algo mais…


Estamos em Janeiro. Tendo passado por nós já muitos janeiros e vivido sucessivamente tantos períodos de Janeiro e janeiro. Desde quando os meses se escreviam com maiúscula na primeira letra, até agora que são totalmente em minúsculas.

Janeiro costuma ser um mês algo amorfo, atendendo a ter ficado para trás o Natal e toda a magia envolvente, além de se tornar evidente ter passado mais um ano e ver-se o tempo a escoar na ampulheta da vida. Acrescendo ser temporada fria, ambientalmente e nas atrações sociais, vulgo ser tempo de saldos e pouco mais, a bem dizer. Enquanto, ao nível pessoal e coletivo, se juntam diversas ocorrências extensivas.

Assim sendo, vem à lembrança (e não mais esquece), ao chegar o meio do mês, quando há trinta e tal anos tivemos no mundo portista uma grande alegria com a conquista da até agora única Supertaça Europeia do futebol português, e, ainda com os jornais desse feito em mãos, vi falecer minha mãe. Tal como pouco antes, quando o FC Porto venceu a Taça Intercontinental na epopeia do nevão de Tóquio, tornando-se Campeão Mundial, tinha eu minha esposa internada no S. João do Porto. Tendo em mim presentes as palavras do presidente Nuno Pinto da Costa sobre então haver pessoas a passar momentos difíceis mas que sentiam algo mais com as vitórias do FC Porto.

Tudo isso se junta a outras ocorrências. Bastando lembrar um caso: Muito antes, andava eu nos meus primeiros tempos de escola primária, soube do falecimento do treinador do FC Porto e fiquei sem apetite de brincar no recreio…

Ora, foi a 11 de janeiro de 1962 que se deu esse infausto acontecimento. Quando faleceu na sua casa na cidade do Porto, aos 60 anos, um dos mais famosos homens do futebol internacional, como técnico de então e antigo jogador, o húngaro GYÔRGY (Jorge) ORTH, que nesse tempo era treinador do FC Porto e de modo inesperado o foi apenas até à 12.ª jornada do Campeonato Nacional. Falecido ao regressar à sua residência no Porto, depois de ter orientado um treino matinal de preparação para o jogo que se seguiria.


Nessa época de 1961/1962 o FC PORTO fazia ainda uma travessia no deserto dado que até então se encontrara numa crise de diversos níveis, estando ao tempo a começar por superar tal período com o aparecimento de bons resultados pela equipa de futebol, graças ao trabalho do treinador contratado, o qual remodelou a equipa dando lugar a alguns dos novos que estavam à espera de oportunidade, numa mescla de reforço com outros bons valares que ainda se mantinham da geração anterior; e através da influência da vinda do ponta de lança brasileiro Azumir, que acabaria o campeonato como o melhor marcador com 21 golos. 

Tendo no início do campeonato a equipa do FC Porto passado por fase irregular, como demonstravam vários empates obtidos, foi-se depois reencontrando, sobretudo com a entrada de Azumir, quando já decorriam algumas jornadas. E mais começou por levantar a cabeça com os numerosos golos marcados e decisivos da tripla de sucesso que se formara entre Azumir, Pinto e Hernâni. Porém, quando estava a crescer o entusiasmo, pela confiança provinda da boa campanha da equipa, após varias vitórias consecutivas, o FC PORTO perdeu em casa da Cuf, no Barreiro, facto que trouxe alguma preocupação nas hostes portistas, embora continuando na luta pelo titulo, pois nada estaria perdido. Na semana em que o FC Porto preparava o jogo seguinte e após o primeiro treino pós jogo do referido desaire, Orth desfaleceu na sua casa e acabou por falecer com um enfarte cardíaco. Cobriu-se de luto todo o mundo portista e o plantel do futebol do clube sentiu o desenlace. O seu funeral, realizado na cidade do Porto, resultou em espontânea manifestação pública de apreço coletivo, sendo sepultado no cemitério portuense de Paranhos, onde depois ficou em mausoléu que faz parte do património do clube.


Associado o tema de Jorge Orth a janeiro, nem só pelo frio ambiental naturalmente prevalece o primeiro mês do ano, estando como está também ligado ao triunfo da Supertaça Europeia, anos volvidos. E o que até pode advir ainda este mês, mais... contando possíveis boas novidades também.

Quanto ao facto de Jorge Orth, voltando atrás, ele foi então e ficou como figura grada no percurso clubista, detendo certa aura devido a não ter tido tempo de levar o seu trabalho mais além, digno de permanecer na memória alvi-anil, entre os que da lei da morte se libertaram na História do F C Porto.

Orth chegara ao Porto em tempos de vacas magras, como se diz normalmente quanto a um sentido de menor fulgor e enfraquecimento. Porque, depois do título alcançado em 1958/59, não houve uma diretriz capaz de manter o ritmo e logo na época seguinte o F C Porto se quedou num modesto 4º lugar, depois da traição de Guttmann (que se passou de armas e bagagens para o Benfica, inclusive desviando para aquele rival lisboeta o barreirense José Augusto, entre outras artimanhas), enquanto em 1960/61 terminou em 3º lugar e ainda perdeu a final da Taça de Portugal, de modo surpreendente e escandalosamente contra o Leixões, no estádio das Antas. Então, a Direção do clube fez um esforço para preparar a época seguinte, entregando para 1961/62 o leme da equipa das Antas ao treinador chamado Gyorgy Orth.

Tratava-se de um técnico de futebol húngaro, com sessenta anos de idade e trinta de carreira. Este foi o homem-chave para a época que se avizinhava, que até nem começou lá muito bem. Nos primeiros cinco jogos, a equipa conquistou apenas 5 pontos. Mas depressa soube dar a volta. Como se costuma dizer que depois da tempestade vem a bonança, e quem porfia sempre alcança, houve frutos do facto de dentro do clube então ter-se sabido esperar; pois, após a série de maus resultados, logo que foi adquirido um avançado de raiz, a equipa treinada por Orth somou seis vitórias seguidas. E passou a haver um clima de quase euforia, de grandes esperanças, em suma.


Orth revolucionou o futebol do F C Porto, com sangue novo. Pôs a jogar uma nova vaga de futebolistas, passando Américo para guarda-redes titular, apostando em Pinto, o jovem Custódio Pinto que viera do Montijo e passou a jogar ao lado do experiente Hernâni, fez Serafim aparecer e começou a substituir antigos astros por jovens promessas, como Jaime, Festa, Paula, etc., bem como, de modo mais vincado, fez vir do Brasil o atacante que faltava, um avançado de jeito, para colmatar a falta de um goleador-matador (nesse tempo chamado avançado-centro), recaindo a escolha em Azumir, cuja eficácia depressa deu resultados.

Efetivamente o futebol do FC Porto estava em fase de transformação e renovação. Por exemplo começava a chegar ao fim a carreira do grande Hernâni, mas ainda em seu grande nível.

= Hernâni =

A propósito recorde-se o que há alguns anos escreveu António Tavares-Telles sobre Hernâni Ferreira da Silva:

«…o Hernâni, um dos maiores jogadores, se não o maior, com Eusébio (e Pinga acrescentamos), que o futebol português produziu: quem viu, viu, quem não viu, não volta a ver!
Era de facto um génio: intermitente, parecendo às vezes alheado do jogo, num ou vários repentes resolvia a questão. Um defesa disse um dia, a seu respeito: “É o avançado mais fácil de marcar de todos: durante oitenta minutos, não se faz nada, que ele também não faz. Durante os restantes dez, também não se faz nada, porque é impossível fazer alguma coisa!”
No final da carreira, a que aliás pôs termo muito cedo, foi (com o grande treinador Jorge Orth) o “patrão” de uma equipa jovem, que fez brilhar a grande altura: entre outros, é claro, Jaime, Custódio Pinto, Azumir e, sobretudo, Serafim…»

Estava a vencer a aposta no húngaro Gyorgy Orth, que já tinha treinado em Itália, França, Argentina, Colômbia, México e Peru. Que ao comando técnico da equipa azul e branca colocou o F C Porto na discussão do título e passou a ser considerado cidadão portuense, pela simpatia granjeada, tendo mesmo passado a ser chamado de Jorge.

Mas os deuses não estavam com o F C Porto e Jorge Orth faleceu repentinamente, interrompendo essa linda caminhada que vinha tendo no F C Porto. Havendo ainda orientado a equipa na 12ª jornada, jogada no Barreiro contra a Cuf. Depois… Foi a 11 de Janeiro de 1962. Nesse dia de inverno aconteceu a tragédia. Findo o treino matinal, Orth foi para casa e, sem que ninguém contasse, morreu de fulminante ataque cardíaco. Apagando-se assim seu fio de vida e já não voltou a treinar. 


A cidade do Porto cobriu-se de luto. E todo o mundo Portista ficou abalado.

Na biografia de Américo, em número coevo da coleção Ídolos do Desporto, ficou narrada a evolução e funesta situação verificada:



O funeral de Jorge Orth foi uma manifestação de pesar impressionante. Toda a estrutura do F C Porto se incorporou no préstito, e a equipa não largou a urna, sendo transportado o apreciado mestre pelas mãos de seus atletas que, à vez, se revezaram a pegar no esquife contendo seus restos mortais, até à última morada.

Foi sepultado no cemitério de Paranhos, em túmulo que ficou como propriedade do F C Porto – a que se reporta a imagem, aqui junta.


Seguiu-se, pouco tempo depois, o tal Sporting-Porto em Lisboa. E os homens das Antas dedicaram esse jogo ao saudoso treinador...


Aí  Azumir marcou um golo, o único do encontro, que, aliado a grande exibição de Américo, Hernâni, Serafim, Pinto, Arcanjo, Virgílio, Festa, Ivan, Paula e Jaime, permitiu importante e marcante vitória. Na linha até do que antes se passara por entre emoções da despedida.

Na verdade, durante o seu funeral, o jogador portista Azumir assumia vingar o sucedido com o título no campeonato. O que não conseguiu, por abaixamento evidente do rendimento da equipa, com o lugar responsável do banco ocupado por Francisco Reboredo. Embora mantendo-se na discussão do primeiro lugar até à última jornada, quando uma derrota do FC Porto em Guimarães, com uma deplorável arbitragem, como era costume, deitou tudo a perder. Apesar disso, como consolação, no final da época o avançado brasileiro Azumir sagrou-se o melhor marcador do campeonato, tendo apontado 23 golos em 20 jogos e o FC Porto ficou-se pelo 2º lugar a 2 pontos do Sporting.

= Azumir =

Do plantel, nessa era de renovação, faziam parte os seguintes jogadores: Américo, Rui, Ivan, Paula, Serafim, Virgílio, Miguel Arcanjo, Custódio Pinto, Hernâni, Azumir, Jaime, Festa, Carlos Duarte, Mesquita, Perdigão, Barbosa, Noé, Teixeira, Juca, Monteiro da Costa e Morais. Mas outros estavam na calha, como aconteceu com Nóbrega, a passar por fase de empréstimo para rodagem.


Ora, Nóbrega, entre outros,  teve com Orth seu batismo nos treinos de pré-época nas Antas, e ficou com sua carreira algo associada ao que resultou depois, conforme se pode também verificar pelo que expressa o livro que lhe dedicou a coleção Ídolos do Desporto:


Muita água correu entretanto e posteriormente por baixo das pontes da Invicta. Tanto tempo se passou, mas a recordação de Jorge Orth permaneceu nos sentimentos nobres dos fieis adeptos do grande F C Porto. Sendo esse venerando personagem um nome histórico nas brumas da memória Portista.

Armando Pinto

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Na senda histórica de empates entre FC Porto e Sporting… uma recordação de janeiro de 1943


Refletindo ideia patente no título desta rememoração, sendo que os empates nos jogos do FC Porto com o Sporting não são muito de admirar, vem a talhe evocar um dos diversos empates nos prélios entre os dois contendores que sempre tiveram algo em comum por serem os principais opositores ao clube do regime, o tradicionalmente mais protegido e beneficiado Benfica.

Quase ao calha, no meio de tantos jogos empatados pelos dois tradicionais contendores representantes de Norte e Sul do País – a propósito do recente jogo, disputado em Lisboa e que não satisfez totalmente os desejos portistas, como melhor da atualidade que é verdadeiramente o FC Porto do século XXI – recorda-se um outro disputado encontro, dessa feita realizado em território portuense, em meados do século XX.


Como tal, proporciona-se ao caso um jogo disputado também ao correr do mês de Janeiro, no já longínquo ano de 1943. Esse decorrido na cidade do Porto, no ao tempo recinto do FC Porto, o célebre campo da Constituição. Estando então a II Grande Guerra mundial ainda no auge, lá ao longe nos intestinos da Europa, sob cujos efeitos Portugal passava temporada de barriga quase vazia, perante o racionamento oficial e tudo o que faz parte da memória histórica, apesar do regime político se intrometer com tentativas de distração.... 

Enquanto isso também, no mesmo Portugal desse tempo, a vida seguia e, nesse mês, houve um jogo de por momentos fazer esquecer os efeitos da guerra. Iniciado uma semana antes que fora o Campeonato Nacional de futebol, disputava-se a 2ª jornada da prova maior portuguesa a meter um jogo dos clássicos Porto-Sporting. Tendo o Campeão do Norte, FC Porto, recebido o lisboeta Sporting em renhido jogo que terminou com igualdade no resultado e consequente divisão de pontos, quais despojos resultantes de dois golos marcados pelo possante Correia Dias, em resposta aos tentos adversos de Peyroteo e Cruz. Com a retaguarda azul e branca ainda sob sequela da mudança verificada na frente da baliza, após a saída do país do guarda-redes Andrasik e sua substituição forçada por Valongo, em período que, depois, também levou a alternarem temporariamente Luís Mota e Soares dos Reis II  como guardiões do reduto portista .


Nesse jogo, disputado a 17 de Janeiro, ao correr do referido ano de 1943, o FC Porto teve como representantes, além do goleador Correia Dias, também o guarda-redes Valongo, mais o grande ídolo Pinga e seu adjuvante Gomes da Costa, mais o emblemático Araújo e ainda uns Guilhar, Baptista, Anjos, A. Nunes, Alvarenga e Florêncio. Alguns dos que se podem rever em imagens da coeva reportagem inserta na revista "Stadium", na edição seguinte à ocorrência do mesmo jogo, como interessante testemunho dos clichés da época.

Armando Pinto
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sábado, 12 de janeiro de 2019

A propósito do Sporting-FC Porto do final da 1ª Volta da Liga Portuguesa: Recordação dum outro “clássico”, de enérgico acompanhamento… também.


Chegado o Campeonato português a meio, ao fim da 1ª volta da prova superior do futebol nacional, desde há alguns anos de novo chamada Liga, o FC Porto segue na frente, com cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado, e seis e oito dos terceiro e quarto, respetivamente. Apesar do empate verificado no jogo do virar do calendário da competição, no clássico Sporting-FC Porto da jornada correspondente.

Empate este de certo modo algo insosso, porque o FC Porto fez mais para tentar ganhar e o valor entre os dois conjuntos assim justificava. E sobretudo porque a dinâmica de vitória da equipa comandada por Sérgio Conceição levava a essa ambição. Mas do mal o menos, como se diz... Sem esquecer que foi perdoada expulsão ao Bruno Fernandes e ficou um penalti por marcar sobre o Marega. Mas com a nomeação daquele árbitro a missa já estava encomendada pelo Benfica....


Contudo, apesar de insípido, é sempre um empate em casa do Sporting, em Lisboa. Assim, o FC Porto continua a longa série de jogos sem perder e com o 1º lugar a boa distância dos competidores. Embora a comunicação do sistema lembre que o FC Porto não vence em Alvalade há muito, esquecendo porém que também o goleador-mor do Sporting continua sem conseguir marcar ao FC Porto, por exemplo. Sendo de lembrar que quer Benfica como Sporting terão de vir ao Porto ainda, na 2ª volta. E para já o FC Porto é o campeão da 1ª volta, coisa que quando acontece com outros costuma ser muito glosada...!.

Além de tudo o mais, é de reter o forte apoio que a equipa principal do FC Porto teve em pleno reino do leão verde, sendo significativa a onda azul que se fez sentir  no apoio à equipa dragoniana.  Mais uma vez... e tal como duma célebre vez (a recordar).


Posto isto, e num espaço de memorização como este, algo também vem a talhe no desenrolar do lance. Dando o tema para recordar um outro empate verificado na deslocação ao antigo estádio do Sporting, há uns anos bons, com diversas curiosidades e situações análogas.


Vem assim à lembrança a deslocação verificada em 1985 ao anterior estádio de Alvalade, no decurso da época de 1984/85. Tendo então a equipa do FC Porto tido apoio duma das mais numerosas falanges de adeptos de que houve memória em viagens a Lisboa. Como, a propósito do tema, aqui se recorda, desta feita, com imagens de arquivo e do próprio álbum fotográfico pessoal.

Assim como se diz que recordar é viver, revive-se aqui e agora essa jornada ainda do tempo de Fernando Gomes, João Pinto, Zé Beto, Vermelhinho, Lima Pereira, Frasco, Quinito, Semedo, Quim, etc., etc. Na calha do encontro desta época. Na ideia que, tal como naquele tempo de reforço celular do clube Dragão, desta feita também a onda que acompanha a equipa azul e branca seja como que verdadeira molécula da energia portista.

Armando Pinto
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