Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Trinta Anos do desaparecimento físico do senhor Fernando Barbot, histórico dirigente do Hóquei associativo e portista


A 21 de agosto de 1989 faleceu o grande dirigente do hóquei em patins senhor Fernando Barbot, então com 65 anos. Faz agora em 2019 precisamente 30 anos desse desaparecimento físico, de seu falecimento.

Nascido em Fevereiro de 1924, Fernando A. Barbot Costa foi um cidadão distinto da cidade do Porto,  de onde era natural e residente, conhecido como farmacêutico e também dirigente desportivo. Tendo sido diretor e proprietário duma farmácia junto do mercado do Bolhão, além de ter sido dirigente representativo da Associação Nacional das Farmácias-Delegação do Norte; e mais ainda diretor na Associação de Patinagem do Porto (APP) e no Futebol Clube do Porto (FCP). Primeiro como Vice-presidente e depois Presidente da APP, e de seguida Chefe de Secção de Hóquei em Patins do FCP. Mais tarde reconhecido como Sócio Honorário da Associação de Patinagem do Porto. E de permeio associado de cotas pagas de diversos clubes portuenses, entre os quais naturalmente se cotou como prestigiado sócio efetivo do FC Porto.


Evocando sua memória, recordámo-lo nas funções de Presidente da Associação de Patinagem do Porto na homenagem prestada pela sua APP aos primeiros hoquistas internacionais juniores da área portucalense, quando Cristiano e Castro bem representaram a Associação e o FC Porto na Seleção Nacional Júnior presente no Europeu de Juniores de Vigo em 1968. Tendo a entidade associativa sido parceira nessa homenagem prestada aos dois jovens internacionais, em festival alusivo realizado no rinque da Constituição, incluindo uma das taças do certame haver tido seu nome, a Taça Barbot que esteve em disputa num dos dois jogos realizados, no caso entre a equipa de Reservas do FC Porto e a equipa principal do Fânzeres (enquanto no outro, entre as equipas principais do FC Porto e do Infante de Sagres, foi entregue ao vencedor a Taça Henrique de Carvalho, ao tempo chefe da Secção de Hóquei do FC Porto. Tendo o Fânzeres levado a Taça com o nome do Presidente da Associação, e a equipa principal do FC Porto ganho a outra, na cifra de vitória por 3-1 sobre a equipa dos irmãos Rendeiros, com 2 golos de Cristiano e 1 de Leite) 


Também, no seguimento deste preito evocativo, é de recordar que, nas mesmas funções como dirigente associativo, esteve presente no jantar de homenagem aos Campeões Metropolitanos de 1969, como a foto anexa documenta (estando ao lado de Jorge Nuno Pinto da Costa, à época Chefe de Secção do hóquei em Patins do FCP, vendo-se também ao fundo alguns dos hoquistas que conquistaram para o FC Porto esse Campeonato Metropolitano).


Por fim, em homenagem merecida, lembrámo-lo como Chefe de Secção, recortando do jornal O Porto uma entrevista de 1971 relacionada com casos desse tempo, em que como dirigente portista soube bem defender os interesses do FC Porto.


O senhor Fernando Barbot Costa, pai dos hoquistas Fernando, Luís e João Paulo Barbot, foi um dos elementos agraciados em 1973 com um distintivo honorífico, aquando da inauguração do Pavilhão Gimnodesportivo das Antas, o pavilhão de jogos mais tarde rebatizado com o nome de Américo Sá (por ter sido durante a sua presidência que foi construído, assim como o de treinos, ao lado, foi chamado Afonso Pinto de Magalhães, sendo como foi edificado durante a presidência do antecessor).

Desaparecido fisicamente em 1989, o senhor Fernando Barbot (pai) continua presente na memória portista, como um grande portista e histórico dirigente do hóquei azul e branco. Mantendo-se vivo como constante recordação, e como tal, enquanto houver quem dele tenha memória, continua presente na recordação viva. Quão poetou Camões dos ilustres "aqueles que por obras valerosas se vão da lei da Morte libertando".  

Armando Pinto
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terça-feira, 22 de março de 2016

Fernando Barbot – hoquista do primeiro lote portista de Campeões Europeus formados no F C Porto


Fernando Barbot é um nome de peso na memória do hóquei portista. Primeiro através do antigo dirigente da secção de hóquei em patins do F C Porto e da Associação de Patinagem do Porto, e depois do filho com o mesmo nome, que calçou os patins e de aléu nas mãos evoluiu em rinque com a camisola do F C Porto, tendo inclusive sido campeão europeu, pela seleção nacional de juniores na conquista do título europeu de 1969. Oriundos de uma família tradicionalmente ligada ao hóquei, pois além do patriarca dedicado à área administrativa e organizativa, jogavam hóquei em patins os filhos, Fernando, Luís e João Paulo, três irmãos Barbots. Havendo anos depois, já após ter guardado os patins e o stique (“stick”), o filho Fernando também desempenhado funções diretivas, na qualidade de dirigente da A.P.P.

Ora o Fernando Barbot campeão europeu é o personagem hoquista que desta vez aqui lembramos, com todo o merecimento pela sua dedicação ao hóquei e, na parte que nos toca mais, pela afeição ao nosso comum clube Dragão.


Pois o então jovem Fernando tinha assim nome próprio como seu pai, que foi Vice-Presidente da Direção da Associação de Patinagem do Porto, organismo ainda com a sua sede numa das salas do Clube Fenianos do Porto (era o Sr. Armando Ribeiro o Presidente, como figura grada do hóquei, de que mais tarde chegou a ser selecionador nacional), assim como depois foi mesmo Presidente, o sr. Fernando Barbot, tido então com grande respeito, tal o renome obtido no mais alto cargo representativo da Associação portuense. E como hoquista, o filho Fernando mereceu a honra de ter sido chamado à seleção nacional de juniores, havendo integrado a primeira fornada da patinagem da Constituição que obteve o título europeu nessa equipa representativa de Portugal, como hoquistas formados no F C Porto.  Honra sobretudo para o clube, pois esses três, que eram Cristiano, Fernando Barbot e António Júlio, tornaram-se aí os primeiros atletas campeões da Europa formados nas Escolas do F C Porto em todas as modalidades. Saídos que foram da formação iniciada no antigo rinque da Constituição, cuja criação dava então frutos, a pontos de Cristiano, nesse tempo ainda com idade de júnior, já ser figura principal da equipa sénior. Num lote de campeões europeus juniores que, com honra e glória para o clube e para o país, era ainda reforçado com Castro, guarda-redes que viera da ilha da Madeira e de idade júnior também já ajudava na equipa sénior do F C Porto.


Ora, Fernando Barbot, filho, é o mais velho dos três herdeiros de senhor Fernando Barbot pai, que ao tempo era um associado já antigo do F C Porto. Fernando A. Barbot Costa, distinguido com a categoria de Sócio Honorário individual da Associação de Patinagem do Porto (enquanto o F C Porto é Sócio de Mérito coletivo). Sendo o filho de nome completo Fernando Manuel Fernandes Barbot Costa. Rapaz que foi para o hóquei praticamente pela mão de seu pai – como referiu ao jornal O Porto, na ocasião (em entrevista conjunta ao quinteto portista que dignificou o F C Porto através da representação portuguesa em Vigo). Era o então jovem Fernando estudante do Colégio João de Deus, no Porto, descrito como “um moço aprumado e de maneiras pouco modernistas", estando à época com 18 anos, logo ainda com mais tempo na categoria júnior (jogando com seu irmão Luís, mais Jorge Câmara e outros prometedores hoquistas desse tempo). Acrescentando o próprio, naquela entrevista: «Quando pequeno, aí com uns três anos de idade, era ele (o pai) quem me levava a ver os jogos. Como adorava patinar de “stic” nas mãos, não demorou a fazer-me jogador…»

= Quarteto dos hoquistas que foram os primeiros campeões europeus do F C Porto (em pose no antigo espaço do campo da Constituição - a partir da esquerda:)  António Júlio, José Castro, Fernando Barbot e Cristiano  =

Campeão Europeu com a camisola da seleção portuguesa que venceu o Campeonato da Europa de juniores, disputado em Vigo entre 10 e 14 de Setembro de 1969, Fernando Barbot faz parte da galeria de internacionais de hóquei do F C Porto. De cuja equipa, em que esteve incluído, há apenas uma fotografia de conjunto, numa pose coletiva feita durante a viagem rumo à Galiza, na paragem para almoço, motivo porque estão todos de fato de treino. Isso porque naquele tempo para cada jogo só eram escalados oito elementos, dos dez do lote escolhido, originando assim que só se equipavam os que constavam na ficha do encontro.

= Seleção Nacional de Juniores que se sagrou Campeã Europeia de 1969, da qual faziam parte quatro hoquistas e um massagista do F. C. do Porto. Além de alguns mais que depois também vieram para o F C Porto. Em pé, da esquerda para a direita: José Fernandes (então da CUF, mas que depois ingressou no F C Porto), Dinis, Leitão (ambos do Parede), António Júlio (F C Porto), Fernando Barbot (F C Porto), Rui Monteiro (guarda-redes, Paço d´Arcos) e Joaquim Lopes (massagista e também do F C Porto). À frente, de cócoras: Vítor Orênsio (Parede), António Vale (Valongo) - estes dois, mais tarde transferidos para o F C Porto, Cristiano (F C Porto) e José Castro (guarda-redes, F C Porto).=

Dessa campanha, entre curiosidades e recordações, Fernando Barbot guardou o regulamento (que era entregue a todos os selecionados, com diretrizes de comportamento). Outros tempos, outras regras…


A participação da equipa portuguesa nessa prova foi seguida com grande entusiasmo e natural esperança, em virtude de na época anterior a seleção junior, já com Cristiano e Castro, do F C Porto, ter feito um brilharete no Europeu de 1968 também disputado em Espanha, tendo ficado com os mesmos pontos da seleção anfitriã, que venceu por diferença de golos. A ponto que, na jornada decisiva de Setembro de 1969, foram diversas personalidades do hóquei nortenho até Vigo, devido à proximidade, mas também ao interesse entusiasta, com saliência para alguns dirigentes do F C Porto e para o capitão da equipa principal do F C Porto, Alexandre Magalhães, entre pessoas que foram levar um abraço de estímulo aos jovens hoquistas portugueses.

Desse campeonato junta-se aqui também o frontispício do livro, devidamente autografado por todos os membros da comitiva. Sendo interessante anotar a respetiva identificação das assinaturas:
- Do lado esquerdo e de cima para baixo – Rui Monteiro, António Vale, Victor Orêncio e António Júlio; do lado direito e no mesmo sentido: Amílcar Fernandes (diretor da Federação), Welson Marques (Adjunto do selecionador), Guilhermino Rodrigues (Selecionador nacional), José Manuel Castro, Fernando Barbot, Joaquim Pedro Dinis, José Fernandes, Cristiano e Leitão.

= Capa do livro oficial do Campeonato Europeu de Juniores – 1969 (IX campeonato de europa de hockey sobre patines junior)

No regresso sucederam-se algumas justas homenagens, a nível oficial e também particular. De uma dessas ocasiões é a captação fotográfica que se junta, a seguir, reportando a homenagem da Associação de Patinagem e do próprio F C Porto em cerimónia realizada no rinque da Constituição. Vendo-se, no instantâneo desta foto, Cristiano, Barbot e Castro, no momento em que era entregue a Fernando Barbot uma placa alusiva com que a APP homenageou os Campeões Europeus de sua jurisdição. Na imagem está, à direita, o então diretor Dr. José Eduardo Pinto da Costa (ainda sem as  barbas brancas que tornam hoje mais conhecido o Doutor Pinto da Costa). 


Havendo continuado no escalão júnior, junto com seu irmão Luís Barbot, Armindo, Jorge e demais dessa época, Fernando ajudou a formação júnior do F C Porto a classificar-se para a fase final do "Nacional", facto inédito até então. (Enquanto o irmão mais novo era peça importante da equipa do escalão a seguir, sagrando-se campeão nacional como integrante da equipa que venceu o Campeonato Nacional de Juvenis, também ocorrência conseguida pela primeira vez nessa categoria em tal grau dos jovens portistas.)

= Equipa de Juniores do F. C. do Porto que pela 1.ª vez se classificou para o Campeonato Nacional, decorria o ano de 1970. Em pé: Tavares (massagista) Fernando Barbot, Luís Barbot, Armindo, Feliciano, Adriano Ferreira e Lopes. De cócoras: Vítor Freitas, Vítor Machado, Jorge Câmara, José Manuel Coelho e Joel (roupeiro).=

Fernando Barbot subiu depois à categoria sénior em 1971, tendo feito parte da equipa portista que venceu a fase Norte do Campeonato Metropolitano. Havendo então alinhado ao lado de Cristiano, que durante anos foi referência do hóquei portista, de José Ricardo, possivelmente o melhor hoquista português nascido na Madeira, de Joaquim Leite, grande valor do hóquei patinado e que entretanto foi internacional de hóquei em campo, mais do guarda-redes internacional sénior João Brito, do Hernâni que era nome certo nas seleções do Norte e da Associação de Patinagem do Porto e, como outros, só não foi à seleção A da FPP por ser de onde era… etc. e tal.


Entretanto Fernando Barbot havia recebido um convite para jogar pelo Boavista, mas não chegou sequer a equacionar essa possibilidade, preferindo manter-se entre os seus amigos de longa data, em vez de ir representar o clube do Bessa, que nesse tempo também tinha equipa de hóquei e com diversos contactos mútuos através de jogos da equipa B do FC Porto, como em jogos de torneios de reservas - a que se reporta o exemplo de uma imagem coeva (vendo-se na apresentação dum encontro Fernando Barbot a capitanear a equipa portista, enquanto os hoquistas da zona da Boavista pareciam muito descontraídos, em sinal do seu clube não ter grandes aspirações na modalidade, ao tempo).


Intrometendo-se a chamada para a tropa, como nesse tempo era e de longa duração o serviço militar obrigatório, acrescido à situação da equipa senior do F C Porto ter recebido alguns reforços vindos de outras equipas, Fernando Barbot solicitou a Jorge Nuno Pinto da Costa (ao tempo responsável desse setor no clube) que lhe fosse permitida a saída para um outro clube da cidade, para se manter a jogar com regularidade. Porque tinha contrato assinado com o F C Porto por mais tempo (sendo os contratos de três anos, à época), apesar de não ganhar dinheiro algum, como aliás nunca recebeu qualquer vencimento enquanto atleta. Tendo então passado a jogar no pavilhão do Lima, pelo Académico do Porto, oficialmente como emprestado pelo F C Porto, mas com a carta na mão, já. Carta essa, como era chamada, que consistia no documento de filiação clubista e inscrição associativa e federativa, efetivamente. Fez então parte da última equipa da camisola branca academista que esteve presente numa fase final do Campeonato Nacional, em 1974/75. Nessa altura tirou o primeiro grau do curso de treinadores, junto com Cristiano e outros, numa interessante experiência (pois esse curso era abrangente em diversas áreas de técnica e tática, tendo por mestres nomes sonantes do desporto nesse tempo, desde o conhecido treinador e jornalista Correia de Brito, o Prof. Manuel Puga, que era grande preparador físico em várias modalidades, além de ter sido conceituado treinador de voleibol e representante na cidade do Porto da Direção Geral dos Desportos, até ao árbitro internacional Afonso Cardoso e ao especialista de medicina desportiva Dr. Sousa Nunes, incluindo mesmo parte de dirigismo desportivo com um federativo como Vaz da Silva, etc.).  Passado então um período de três anos no clube alvi-negro, recebeu convite para representar o Candal, ainda.

Fernando Barbot, depois, representou então o Candal, de 1976 a 1978, numa equipa formada por hoquistas oriundos do F C Porto, especialmente porque o treinador havia sido pessoa importante do hóquei portista, o senhor Alfredo Sampaio Mota, antigo chefe de secção do hóquei em patins das Antas. Tendo então Fernando Barbot, junto com Jorge Câmara, Rui Caetano, Januário, Domingos Ferreira, José Manuel e seu irmão João Paulo Barbot (todos ex-F.C. do Porto), levado essa equipa de equipamento azul a ter subido de divisão, ingressando na 1ª Divisão nessa altura. Tendo Fernando Barbot ficado também assinalado nesse plantel histórico daquela zona de Gaia, tanto que ainda constam quadros emoldurados dessa equipa em cafés e outros locais públicos da localidade.

= Irmãos Barbots, junto com Cristiano, num convívio recente de Gente do Hóquei Portista.

= ... E com o autor destas linhas, simples adepto do hóquei portista e amigo também !

Para a história, com o nome de Fernando Barbot na memória portista, permanece nos anais do hóquei em patins aquela grande vitória que foi o Europeu conquistado em Espanha, na Galiza, corria o ano de 1969. Cujo acontecimento foi assinalado entretanto quando perfez 45 anos, em 2014, através dum jantar de convívio entre alguns desses campeões europeus que puderam estar presentes. Como neste blogue demos nota, conforme se pode rever (clicando sobre os links) em

e

ARMANDO PINTO
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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Hóquei em Patins: 45º aniversário do 1º Europeu de Juniores conquistado por Portugal em Espanha !


Faz  agora 45 anos que, em Vigo, no noroeste espanhol, Portugal venceu o Campeonato da Europa de Juniores em hóquei patinado. Feito inédito até então, a ser alcançado por uma seleção portuguesa desse escalão.

Foi o 9º Campeonato da Europa de Juniores em Hóquei em Patins, decorrido de 10 a 14 de Setembro de 1969, em Vigo/Espanha. Tendo Portugal, finalmente, conseguido aí vencer pela primeira vez essa prova em Espanha, na pátria dos rivais ibéricos dessa modalidade-princesa na Península Ibérica. Competição que nesse ano Portugal alcançava pela terceira vez, em nove edições, mas  finalmente conseguia vencer fora do país, e sobremaneira em Espanha. Onde no ano anterior, com os mesmos pontos do vencedor, com quem empatara no duelo ibérico tradicional, Portugal perdera apenas na classificação pela diferença mínima de golos. Sendo assim algo que então, o tão desejado triunfo, era obtido por fim em 1969.

Nesse Europeu, em que os jovens hoquistas portugueses se superiorizaram a tudo e todos, Portugal ficou no lugar cimeiro, numa classificação final que para a história ficou ordenada pela seguinte ordem: 1º Portugal; 2º Espanha; 3º Itália; 4º Alemanha;  5º Suíça e 6º França. Através duma carreira decorrida só com vitórias lusas, tais foram os resultados: com a Suíça....9-2; Alemanha....4-1; França....8-0; Itália.....4-0 e Espanha....4-2.

Presentes a apoiar a selecção estava Alexandre Magalhães, capitão da equipa sénior do F C Porto, mais Pinto da Costa, Arlindo de Sousa e Prof. Aires Miranda, nessa data dirigentes da secção de hóquei em patins portista.

Cristiano, António Júlio e Fernando Barbot tornaram-se os primeiros atletas campeões da Europa formados nas escolas do FC Porto em todas as modalidades.

No lote escolhido pelo selecionador Guilhermino Rodrigues, foram então campeões os hoquistas Rui Monteiro (guarda-redes, do Paço d´Arcos); José Castro (guarda-redes do F C Porto); António Júlio,  Fernando Barbot e Cristiano Pereira (também todos estes do F C Porto); António Vale (do Valongo); Carlos Leitão, Victor Orêncio e Pedro Dinis (do Parede); e José Fernandes (da Cuf, do Barreiro). Cristiano (na imagem ao lado, em gravura amarelecida pelos quarenta e cinco anos já passados...) sagrou-se rei dos marcadores, numa lista em que  inscreveram seus nomes, entre os portugueses: Cristiano - com 13 golos; José Fernandes-8; Orêncio e Leitão-3; Vale e  Júlio-2; e Dinis-1.

Por nessas eras normalmente as seleções ditas nacionais serem quase só formadas por atletas de Lisboa e arredores, ou seja sem nortenhos, especialmente, houve ineditismo de nessa seleção o sul e norte do país terem estado representados a meias, com metade de cada lado do mapa retangular lusitano. O que mereceu destaque e grande atenção dos adeptos. Tanto como a nível Portista, a pontos do jornal O Porto ter feito uma entrevista, sobre essa glória para Portugal e honra para o F C Porto. Como elucidamos, aqui e agora, com recortes guardados no arquivo particular do autor destas linhas. De onde respigamos igualmente a imagem cimeira.

(Reportagem que continua e se conclui no fim, ao fundo deste artigo)

Relacionado com algumas passagens da reportagem jornalística acima reproduzida (parcialmente em imagens digitalizadas) e como curiosidade, assinasse-se um outro facto: Guilhermino Rodrigues, já falecido, era assumido sportinguista; mas, como homem de carácter, sem olhar a clubismos ou regionalismos, soube escolher a melhor equipa de hoquistas existentes nesse ano, dentro da idade normal da categoria. Num lote que veio a possuir futuros astros da modalidade, com Cristiano em lugar de destaque, como um dos melhores hoquistas de sempre, como foi. 

Além disso, diversos outros chegaram a ter carreiras de destaque e a merecerem interesse da parte de clubes de topo. Acrescendo assim, por exemplo, que depois o avançado Zé Fernandes logo se transferiu para o F C Porto (como damos nota numa imagem recortada duma caixa do jornal O Norte Desportivo, da época); bem como, mais tarde, o mesmo aconteceu com Vale e Orêncio.

Ora, esse valioso naipe de bons jogadores de hóquei, formando grupo valioso, qual ala dos namorados cantada por Camões, escreveram uma das mais ternas páginas da história do hóquei português, em rinque, na Galiza - com hábil uso de seus aléus e em deambulações sobre patins, conquistando o 3º título ganho por Portugal e o 1º conquistado em Espanha. Há 45 anos. Como já decorreu o tempo …

Note-se que realçamos o caso da participação Portista, através de hoquistas que nesse tempo vestiam a camisola azul e branca, por o material alusivo que possuímos ser naturalmente relacionado ao caso, sem menosprezo aos restantes elementos, todos dignos de apreço.

Em vista disso, para comemorar tão inesquecível façanha, vai realizar-se este próximo sábado um convívio, a decorrer na cidade do Porto (metrópole mais perto de Vigo, ao norte peninsular), entre os sobreviventes dessa conquista célebre. De cujo acontecimento contamos proximamente registar algo, como ilustração que tão feliz ocorrência merece.

Entretanto, recordamos aqui, de seguida, a conversa que foi publicada à guiza de entrevista, depois, nesse ano, no jornal O Porto:

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Armando Pinto

domingo, 23 de dezembro de 2012

Encontro com Amigos do Hóquei do F. C. Porto


Na proximidade do Natal, qual reencontro que sempre paira nos corações abertos ao espírito natalício, estivemos no nosso pavilhão Dragão Caixa a assistir à vitória do F. C. Porto em hóquei em patins (por 9-2!) diante do Turquel, este sábado passado. Um encontro que teve a particularidade de havermos então estado na companhia de dois amigos e por sinal dois grandes valores da história do Hóquei do F. C. Porto, o famoso Cristiano, nosso ídolo do Hóquei Portista de outrora e seu contemporâneo colega hoquista Fernando Barbot - cujos nomes e carreiras estão devidamente referenciados em diversos artigos deste (Memória Portista) e do nosso anterior blogue ("Lôngara"), dentro da temática memorial do nosso hóquei patinado. Facto e ocasião, que tivemos agora, dignos de registo pessoal, dentro do espírito Portista.


Armando Pinto

terça-feira, 9 de outubro de 2012

João Paulo Barbot – Um Valor do Hóquei Portista d’ outrora…!


O Hóquei em Patins do F. C. Porto foi sempre uma modalidade das meninas de nossos olhos, entre o ecletismo azul e branco capaz de despertar mais entusiasmo ao adepto que, fisicamente longe do mundo das Antas, já acompanhava a par e passo tudo o que pulsasse Portismo. Como o autor destas linhas ia podendo vivenciar toda essa envolvência, qual ardência consumida sem queimar nem apagar… 

Ora, o hóquei em patins do FCP, apesar de ter esperado anos por um título nacional de seniores, teve  muito antes disso um título nacional nas camadas jovens, o que muito orgulhou todo o universo interligado à respetiva secção. Tal foi o caso do Campeonato Nacional de Juvenis conquistado em 1971. Com uma equipa onde evoluíam alguns jovens promissores e pontificava, como capitão e uma das principais figuras do conjunto, o habilidoso João Paulo Barbot - um autêntico hoquista puro sangue, no sentido de destaque, como valor que se adivinhava com grande futuro à sua frente. 

Assim sendo, bem como aqui já evocamos o historial, mais internacionais e campeões do hóquei Portista, chega a vez de algo mais.


João Paulo, jovem que se distinguia ainda por um caraterístico sinal na cara, era o mais novo de três irmãos hoquistas, o Fernando (que foi internacional júnior, ao lado de Cristiano, Castro, Júlio, Zé Fernandes, etc.) e o Luís Barbot (cuja fisionomia se parecia com o também hoquista Hernâni, pela barba no queixo de ambos, exibida quase a par por chegarem a ser colegas de equipa). Dinastia essa detentora de carreiras prometedoras nos rinques do hóquei, nessas eras. Acrescendo o pormenor de estarem ligados à modalidade também por vínculos familiares, sendo filhos do sr. Fernando Barbot, antigo dirigente da Associação de Patinagem do Porto e da secção de Hóquei em Patins do F. C. Porto. 

Colega e amigo de muitos rapazes das camadas jovens do hóquei patinado Portista de então, João Paulo Barbot comandava, por assim dizer, as hostes azuis e brancas sobre patins que se completavam com jovens valores como Carlos Reis, Rui, Maia, Álvaro, Aureliano, Brito, Fernando, Cardoso, Delmar, Correia de Brito filho, Elídio (assim escrito, mesmo) e outros (tendo ainda alinhado também com o Reis mais novo, David, que já patinava nessas épocas), ao tempo orientados por Manuel Correia de Brito, treinador que acumulava com função de jornalista d’ O Comércio do Porto e fora antigo hoquista internacional (pelo Académico do Porto). Sem esquecer que a secção do Hóquei em Patins do F. C. Porto estava nessa era superiormente dirigida pelo sr. Alfredo Sampaio Mota, dirigente que marcou tal importante fase de afirmação da modalidade no seio da coletividade detentora do nome da Invicta.


Chegamos a ter o João Paulo como amigo (inclusive esteve como convidado na boda do casamento do autor, tal como o seu irmão Fernando e o comum amigo Jorge Câmara). Depois, intrometeram-se determinadas ocorrências, num período de transição da formação da equipa do F. C. Porto, perante entrada de diversos elementos provindos de outras paragens. Tal qual já acontecera até noutro setor, ao nível da seleção da Associação de Patinagem do Porto, por exemplo. E o certo é que quando chegou o tempo de ascensão no hóquei, o João Paulo Barbot enveredou pelos estudos; e a partir daí perdemos-lhe o rasto e o contacto. Mas ficou sempre nas memórias pessoais como um grande valor, que poderia ter atingido plano elevado. Conforme ficou registado nas notas dos apontamentos do autor, então também nos verdes anos… mas muito azuis, em idade e fervor. 

Como lembrança desse nome de prestígio dentro do Hóquei em Patins do F. C. Porto, deixamos aqui uma simples recordação (por meio de recurso a recortes do antigo jornal O Porto), relembrando um episódio ocorrido na já referida chamada à selecção da Associação, como mero exemplo. De como sempre aconteceram peripécias estranhas com atletas do F. C. Porto em participações representativas. Do que sente também quem é boa gente… Pois sempre damos valor ao que tem valor.


Armando Pinto 
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Nota: Sobre tema relacionado, confira-se anterior artigo em

A. P.