O F C Porto sempre teve bons guarda-redes, como é da
tradição. Uns formados no próprio clube e outros adquiridos, mas em grande
parte ainda no início de carreira no escalão senior e numa boa maioria de
grande qualidade, formando um escol de marca registada – desde Miguel Siska,
até a Iker Casillas, passando por uns Soares dos Reis, Barrigana, Acúrcio, Américo (que o “monstro sagrado
madridista” Di Stefano considerou o melhor guarda-redes que defrontou), Tibi,
Fonseca, Zé Beto, Mlynarckzic, Vitor Baía, Helton… (para só referir alguns dos
que defenderam também a baliza da seleção A portuguesa ou de seus países), na
linha de prestígio dos guarda-redes do Porto.
Ora, entre essa elite de bons guarda-redes, um houve que
ficou celebrizado pelos relatos de futebol, como eram seguidos pela rádio os jogos,
em tempos que as pessoas acompanhavam maioritariamente as suas equipas à
distância, através das descrições dos locutores radiofónicos. Como foi o caso
de Tibi.
Tibi, Tibi... foi nome gritado nos relatos pelo Amaro, pelas
ondas hertzianas difundidas através do Quadrante Norte, dos Emissores do Norte
Reunidos – por ser o emissor ouvido normalmente pelos Portistas em tardes e
noites de futebol, já que as emissoras das rádios de âmbito nacional costumavam
relatar em direto mais os clubes de Lisboa, enquanto do Porto somente chegavam
informações momentâneas. Isso contando com a atração da pronúncia brasileira do
relatador de serviço Gomes Amaro, que ao descrever as ocasiões em que o F C
Porto sofria um golo dizia “E agora Tibi, está lá dentro (a bola). Vai buscar,
no fundo do gôol (baliza)…” Sendo assim Tibi o alvo de tais relatos ouvidos
todas as semanas, enquanto os outros guarda-redes só eram assim entoados uma ou duas vezes por
ano, quando defrontavam o F C Porto.
Tibi, veio do Leixões para as Antas em tempo
que Rui e Armando se alternavam com a camisola nº 1 do F C Porto (quando o
titular tinha sempre o nº1 nas costas e a equipa de entrada era numerada de 1 a 11). Seguidamente alcançou o posto principal depois de Armando ter
regressado ao Braga e entretanto Rui não se ter conseguido afirmar (após muitos
anos como suplente de Américo e nos seguintes ter tido fases de entradas e
saídas da equipa). Sendo desse tempo a ficha ao lado, de Tibi, constante do
livro “Equipa Especial 2 - F C PORTO O “ANO DE OURO?”, com textos de Luís
César.
Depois, o jovem Motosinhense preencheu épocas de grande
desempenho, ao tempo da estada de Cubillas no Porto, mas teve entretanto outros rumos, aquando da vinda de Torres, primeiro, e Fonseca,
depois, até que regressou e voltou a agarrar o lugar principal entre os guarda-redes do clube, chegando então a ser detentor do recorde de mais tempo imbatível no
campeonato e voltou a ser internacional A (quando antes já jogara pela seleção
nacional de Esperanças e senior, também).
O seu currículo, do mesmo António José Oliveira Meireles (“Tibi”),
está resumido em nota que aqui reproduzimos, respigado do volume 14 da Enciclopédia
do Desporto, edição Quidnovi :
Pois Tibi, mesmo depois de pendurar as luvas e as chuteiras,
ainda é conhecido. A pontos que há alguns anos atrás fez parte promocional de
um catálogo duma firma industrial da zona interior do distrito do Porto, com cheiro a pão de ló, mas de laboração voltada a fábricas de calçado e metalurgia. Sendo a empresa dessa iniciativa chamada IMO, um fábrica de móveis metálicos e
material hospitalar, com sede na Longra, no concelho de Felgueiras (mais escritórios e armazéns no Porto e em Lisboa).
Com efeito, em princípios do século XXI, a IMO editou um
catálogo sobre uma sua cama hospitalar, de cuidados continuados, mais diverso
material de enfermaria e afins, numa brochura ilustrada. Catálogo esse que
chamou a atenção por ter como figura de chamariz publicitário o referido antigo
futebolista, muito conhecido, mas entretanto retirado – o famoso guarda-redes
Tibi. Sim, o “Tibi do Porto”, como era e ficou mais conhecido, além de sempre
recordado pelos relatos radiofónicos do Amaro.
Tibi havia terminado a sua carreira desportiva há anos, já,
contudo a sua aura permanece pelos tempos adiante e, como tal, esse catálogo
saltou à vista, mesmo que a fisionomia de Tibi já fosse algo diferente do
guarda-redes de cabelo farto que se vira em tempos a defender a baliza do F C
Porto.
Assim sendo, essa foi uma publicação interessante e, afinal,
histórica também. Que aqui e agora recordamos, pela referência do Tibi
(ilustrando com imagens da capa e, como simples amostra, de uma das suas
diversas páginas). Algo que deste modo registamos, atendendo à popularidade que
tiveram e têm sempre os grandes nomes do F C Porto. Sendo honrosamente o Tibi um dos
antigos futebolistas do F C Porto de quem temos fotografias devidamente autografadas.
Tibi: E agora...? Continua a ser o Tibi do Porto, que fez parte
de coleções de cromos e gravuras jornalísticas guardadas, como as que neste
artigo mostramos, da coleção do autor destas linhas.
Armando Pinto
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