Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Camisola de Pavão emoldurada


Sem necessidade de muitas palavras, aqui fica um post de atualização: 

- Entre recordações contidas em relíquias e objetos de afeto e estimação, eis a camisola do "Pavão do Porto" que há muito o autor deste blogue tem e se orgulha naturalmente de possuir. Agora devidamente emoldurada, como se pode ver nas imagens juntas, conforme temos no nosso remanso, em recanto particular, do escritório doméstico. 


Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

F C Porto-Sporting para a “Taça”… em fase de arranque.


Na contagem decrescente de tempo para o jogo que coloca os leões lisboetas frente ao Invicto Dragão, a ter lugar neste já muito próximo sábado outonal, no estádio do Dragão, coloca-se perante o interesse derivado desse confronto, de estatuto clássico, algumas curiosidades relativas à dimensão histórica dessa rivalidade sempre acirrada. Desta feita mais ainda instigada pelas declarações e comportamento do atual presidente leonino.

Para o efeito, de molde a recordar-se alguns dados relacionados ao rol histórico do próprio encontro, respigamos uma pequena caixa publicada no jornal O Jogo, na edição desta sexta-feira, dando conta de particularidades e factos.

Embora o mesmo texto relacione outros casos, quanto ao futuro, interessa agora mais o presente, ainda que o desafio aconteça muito cedo, quanto ao decorrer da competição. Importando assim mais continuar em frente, pois atrás virá gente… Até porque cada jogo e correspondente época têm sua história.

= Djalma - avançado reinante, no tempo =

De realce, quanto aos jogos em si, entre o F C Porto e o Sporting para a Taça, como popularmente é chamada a Taça de Portugal, há sobremaneira o facto do F C Porto estar em vantagem. O que também não significa muito mais que o que é, mas sim dá mais força e razão, pois o que conta é que o F C Porto ganhe e siga em frente. Como da última vez que tal sucedeu, com a Taça ainda no seu início, do decurso das eliminatórias, quando um golo de Bernardo da Velha apurou o F C Porto e eliminou a sua anterior equipa. Sim, porque Bernardo da Velha veio para o Porto depois de não ter tido oportunidades em Alvalade e acabou por singrar, detentor como era de apreciável polivalência, primeiro como avançado e depois na retaguarda, sempre na defesa das cores azuis e brancas que abraçou.

(((CLICAR sobre o recorte jornalístico, para ampliar)))

Dando uma ajuda ao que é descrito na publicação do referido diário desportivo, juntamos aqui também algumas imagens ilustrativas, do tempo dessa mesma eliminatória, tal como a nota de reportagem d’ O Jogo refere - em que eram especiais cabeças de cartaz da equipa do F C Porto, entre outros, o valoroso guarda-redes Américo, o médio distribuidor de jogo (centro-campista) Pavão e o avançado-centro brasileiro Djalma.

E, com estas e outras, venha daí mais este Porto-Sporting a contar para a Taça de Portugal e para o nosso ego Portista. 

O tal ..... De Carvalho está a precisar duma boa resposta, que lhe sirva de lição, dentro do campo e com justiça, qual justa eliminação da equipa viscondal.


Armando Pinto

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ao perfazer 40 anos da morte de Pavão...



Por estes dias, perfaz-se a conta de quarenta anos desde que, a 16 de Dezembro de 1973, Pavão faleceu em pleno relvado do Estádio das Antas, com a sagrada camisola do F C Porto vestida.

A propósito, o “Mais futebol” publica hoje (por lapso de data, referindo o dia 13), dias antes da efeméride, um texto evocativo desse triste acontecimento, como enquadramento retrospetivo - cuja crónica, com a devida vénia, respigamos, na oportunidade:

« 40 anos da morte de Pavão: se fosse hoje, sobrevivia?

- Domingos Gomes dá respostas surpreendentes; Rodolfo Reis e Tibi recordam um dos dias mais negros na memória azul e branca (Por Pedro Jorge da Cunha)

(...) Dezembro de 1973. Uma tarde cinzenta, a anunciar a tormenta, sobrevoava o Estádio das Antas. As bancadas rebentavam pelas costuras, como de costume. Foliões de jornal no braço, bandeiras mil, azul e branco de cima a baixo. Nesse dia, um dominava as parangonas na imprensa: Teófilo Cubillas, craque peruano que os dragões apresentariam no dia seguinte como reforço. O FC Porto estava bem no campeonato e o entusiasmo era, por isso, mais do que justificado antes do que viria a ser um jogo negro.

Tudo preparado, cumprimento entre os capitães. De um lado, Fernando Pascoal das Neves, o inesquecível Pavão. Do outro, Carlos Cardoso, o homem da braçadeira no Vitória Setúbal. Sorrisos, abraços, nada a indiciar o que viria a suceder 13 minutos depois do apito inicial.

Diabólico, arrasador, sombria conjugação. Ao minuto 13, na jornada 13 e naquele dia... Pavão cairia desamparado no relvado. Para nunca mais se levantar. Por uma vez na vida, o 13 foi mesmo um número maldito.

(Pavão na equipa do F C Porto da final vitoriosa da Taça de Portugal de 1968!)

40 anos depois, o Maisfutebol recorda esta figura mítica na história do FC Porto e lança uma questão relevante: se o colapso tivesse sucedido nesta sexta-feira, 13 de dezembro de 2013, a medicina moderna teria dado mais hipóteses a Pavão para resistir e sobreviver?

«Levei um desfibrilhador para o FC Porto em 1977»

Domingos Gomes chefiou o departamento médico do FC Porto durante várias décadas. Naquele fatídico (dia...) de dezembro estava no camarote 14 das Antas. Em conversa com o Maisfutebol deixa, de imediato, uma informação surpreendente. E que ajuda a responder à nossa pergunta. «Se o nosso querido Pavão fosse acometido daquela paragem cardíaca em 1977, quatro anos depois, teria uma probabilidade maior de enganar a morte», diz o clínico. E conclui de imediato o raciocínio. «Nesse ano eu já tinha adquirido um desfibrilhador para o clube. Aliás, quem visitar o museu pode vê-lo. Era, e é, um objeto enorme, nada a ver com os atuais», explica Domingos Gomes. «Na tarde em que Pavão caiu, infelizmente, a assistência médica estava privada desse elemento fundamental».

O primeiro a socorrê-lo foi Rodolfo Reis. Era lateral e jogava atrás de Pavão. Nunca mais olvidará o que viu e sentiu. «Vi-o mandar avançar a equipa, a passar a bola ao Oliveira e a cair de bruços na relva. Quando cheguei ao pé dele, tinha os olhos a revirar, estava todo encolhido e percebi que era muito grave».

O guarda-redes Tibi era outro dos jogadores em campo. «O Pavão foi para o hospital e o jogo continuou. Ao intervalo mentiram-nos. Disseram que ele estava a melhorar. Só a dez minutos do fim é que soube que ele tinha morrido. Um miúdo apanha-bolas veio ter comigo e disse-me», recorda.

Pela instalação sonora do estádio, os adeptos ficaram a saber da morte de Pavão, no final do jogo. Sob um pesado silêncio sepulcral, insuportável, as Antas esvaziaram-se.

(Pavão no plantel do F C Porto em 1971)

Até hoje, eterniza-se a dúvida sobre a origem da vil paragem cardíaca…
 (Nota do autor deste blogue: Saltamos aqui uma parte, porque o articulista do Maisfutebol a dado passo refere opinião de más-línguas quanto a boatos surgidos, na ocasião, enquanto o relatório nada confirmou!)

Rodolfo Reis: «O Pavão era um homem diferente»

Pavão, Fernando Pascoal das Neves, nasceu em Chaves. A alcunha surgiu por correr sempre de braços abertos. Sob indicação de António Feliciano, velha glória do FC Porto, chegou aos juniores dos dragões em 1964. Dotado de impressionante visão de jogo, assumiu-se rapidamente líder do balneário dos azuis e brancos. Nos seniores esteve entre 1965 e 1973. Quando morreu, levava no braço a braçadeira de capitão. Rodolfo Reis, à época seu colega de equipa, considerava-o «um homem diferente». «Quando subi aos seniores, os meus colegas mais velhos obrigavam-me a tratá-los por você. Mesmo dentro do campo, era assim. Com o Pavão não. Era o único que me pedia que o tratasse por tu. Dava-me muitos conselhos, talvez por ser de longe o melhor da equipa e por não ter medo de perder o lugar», atira, bem disposto.»

Pavão faleceu com 26 anos. Foi sete vezes internacional na seleção A de Portugal, além de outras internacionalizações pelas equipas das seleções de Esperanças e Militar, tendo feito 179 jogos (16 golos) ao serviço do FC Porto na I Divisão. Não havendo somado maior número de internacionalizações, fora os motivos que nesses tempos levavam ao esquecimento de jogadores do F C Porto, porque chegou a estar olvidado propositadamente (pelas cúpulas federativas) de representar a seleção A, devido a num determinado dia não ter aceite entrar num jogo a escassos minutos do fim e noutra ocasião ter mostrado sua insatisfação por ter sido substituído quando estava a ser o melhor em campo, como a própria comunicação social reconheceu.


O seu corpo jaz no Mausoléu das Glórias do Futebol Clube do Porto, no cemitério de Agramonte. Enquanto no Museu F C Porto by BMG está preservado o equipamento azul e branco com que Pavão tombou na defesa do F C Porto. 

Porque qualquer dia é dia, na verdade, como se diz, recordamos um artigo que há já algum tempo publicamos, na glorificação referente… (clicando) em


AP

domingo, 23 de junho de 2013

Desportistas falecidos em atividade Portista


O F C Porto é um mundo. Na verdade só assim, com tamanha abrangência se poderá abarcar uma definição do F C Porto, um grande clube desportivo e um colosso social, algo que ultrapassa quaisquer limitações e se transforma num bem comunitário, tal a ligação a significativo número e qualidade de pessoas e ações. 

Numa grande instituição, assim, como é o F C Porto, o presente e o futuro solidificam-se com pedras do passado, em obras e factos que foram construindo este edifício grandioso, não esquecendo a gesta que elevou o clube aos melhores momentos, mas também a epopeia que transportou o mesmo clube em conjunturas diferentes. Sendo, por conseguinte, de enaltecer o que entretanto passou, dignificando o passado, por quanto não se perde nada em recordar, por vezes, o que foi vivido entre o que possui valor de consciencialização clubista. Levando, por isso, a um reconhecimento dignificante, como tem havido e há, afinal, num sentimento de gratidão atinente à devida recordação, por valores alevantados no universo Portista.


Nessa constatação insere-se o facto de já ter havido casos de personagens Portistas a quem só a morte impediu a continuidade do serviço a esta nobre causa, tal o sucedido com atletas falecidos ao serviço do F C Porto. Mais se evidenciado a eterna paixão que um símbolo destes encerra.


Assim sendo, embora as lágrimas também sequem, perdurando mais a saudade em constante presença memorial, recordamos agora alguns exemplos já verificados, de pessoas que tombaram em pleno exercício de atividade desportiva e outros durante período de ligação ao clube, entre casos de desportistas que morreram com a causa Portista no coração, como se verificou com Jorge Orth, falecido quando era treinador efetivo do futebol principal do F C Porto; e atletas falecidos quando envergavam a sagrada camisola azul e branca, como aconteceu no futebol com Pavão e no ciclismo com Veiga da Mota e mais tarde com José Zeferino; além dos futebolistas Vidal Pinheiro, Velez Carneiro, Zé Beto e Rui Filipe enquanto desportistas do clube, embora esses em peripécias e desastres fora da atividade clubista, bem como o treinador Pedroto a quem uma malfadada doença incurável acabou por afastar do seio da grande coletividade Portista.

= Ciclista Manuel Veiga da Mota = 

Feito o preâmbulo de apresentação, vamos por partes.  Abrindo a evocação com Nomes representativos, que à época em que pereceram representavam as cores do F C Porto e acabaram por sucumbir precisamente com essa função no próprio momento da saída da vida de seu corpo e consequente partida para o além.

Assim começamos por lembrar um jovem ceifado na flor da idade, o ciclista Veiga da Mota, falecido em resultado duma aparatosa queda, corria o ano de 1959, quando seguia de bicicleta e devidamente equipado em treinos das equipas de ciclismo do F C Porto.


Ora, Veiga da Mota, era então considerado uma das grandes esperanças do ciclismo português até ao seu desaparecimento, aos 20 anos de idade. Tendo falecido num trágico acidente, quando fazia a sua preparação para os campeonatos de Fundo. O infortunado atleta, representante do F. C. Porto, seguia em treino de estrada, integrado na equipa, num percurso que chegara até Penafiel. No regresso, entre Valongo e Ermesinde, Veiga da Mota perdeu o controlo da sua bicicleta, devido a avaria no eixo da roda dianteira, embatendo com muita violência, numa árvore colocada no separador central, na descida junto á Igreja de Santa Rita. Gravemente ferido na cabeça, foi socorrido e transportado de urgência em ambulância dos bombeiros voluntários de Ermesinde para o Hospital Geral de Santo António, no Porto. Mas, apesar de todos os esforços, acabaria por não resistir aos ferimentos, vindo a falecer horas depois.


Mário Manuel Veiga da Mota, como era seu nome completo, nascido em Gueifães-Maia, a 5 de Janeiro de 1939, desde cedo se interessara pelas bicicletas e pelo ciclismo. Em 1956 ingressou no F.C. Porto e correu pela 1ª vez na categoria de Populares. Em 1957, nesta mesma equipa de ciclismo, passou à imediata categoria de iniciados. Até que em 1958 subiu à categoria sénior, situação que manteve até a sua morte, ocorrida em Fevereiro de 1959, quando muito se augurava de um futuro auspicioso. 

Veiga da Mota era já uma cara conhecida das corridas de ciclismo. Iniciara sua carreira em 1956 na Volta a Valongo, na categoria de Populares. No ano seguinte de 1957 disputou a sua primeira corrida oficial, denominada Porto-Santo Tirso-Porto, para Iniciados. Nesse ano sagrou-se Campeão Regional de Velocidade. Depois, em 1958, entre outros êxitos, alcançou os títulos de Campeão Regional e Campeão Nacional de Velocidade.


...E já em 1959, na categoria de Amadores Seniores, venceu todas as provas oficiais de Ciclo-Cross: Campeonato Regional e Nacional, sendo este último disputado em Lisboa. Na derradeira prova em que participou, em Fevereiro de 1959, a Prova de Preparação da Associação Ciclismo do Norte, sendo então treinado por Onofre Tavares, alcançou novamente o 1º lugar da categoria de Seniores. Estava, entretanto, a preparar-se para a seguinte participação no Campeonato Nacional de Fundo, quando ocorreu o desastre que o vitimou.


Ele, inclusive, treinava com os componentes da equipa principal, tendo chegado a alinhar nalgumas corridas ao lado de grandes nomes da modalidade, como eram os ciclistas do F C Porto Carlos Carvalho e Sousa Cardoso (que se vêm na imagem da equipa do F C Porto desses tempos, sendo Carlos Carvalho o 3º a partir da esquerda, Veiga da Mota o 5º e Sousa Cardoso o 6ª), numa rara captação histórica de conjunto.


Devido ao inesperado e súbito desaparecimento deste atleta, quatro das medalhas que conquistara anteriormente foram entregues em cerimónia póstuma a seu pai, pelo então presidente do F. C. Porto, Luís Ferreira Alves, num ambiente de profunda consternação, tendo o muito publico presente irrompido numa ovação espontânea de reconhecimento e pesar. 

Após isso, conforme noticiou o jornal O Porto em Fevereiro de 1960, foi assinalado o 1º aniversário de seu falecimento com uma missa de sufrágio, em homenagem prestada pelo F C Porto, seguindo depois todos os presentes em romagem ao túmulo do falecido ciclista.




Não sabemos se, de permeio, houve mais algum caso do género, dentro das atividades Portistas em tempos passados, já que este tema do ciclista Veiga da Mota até nos era desconhecido, tendo dele tomado conhecimento há pouco, apenas, nas constantes pesquisas de tudo o que nos entusiasma na dignificação do F C Porto, clube da nossa vida. 

Atendendo às característica do ciclismo, cuja prática pode ser atrita a esses desastres quando uma queda leva um ciclista a cair desamparado, esta modalidade sempre foi especial na consideração dos seus heróis. Acontecendo, por via disso, se dar a curiosidade do ciclismo ter uma divindade oficialmente nomeada, havendo como Padroeira dos ciclistas a Nossa Senhora de Gisalho (Madonna di Ghisallo ), desde que foi consagrada oficialmente como Padroeira dos Ciclistas no dia 13 de Outubro de 1945 pelo Papa Pio XII.

Relaciona-se o caso mediante uma ocorrência com um tal Conde Ghisallo, que estava viajando perto da vila de Magréglio (Itália) quando foi atacado por bandidos da estrada. Ora esse Conde medieval correu então para um pequeno santuário ao cimo duma montanha, em cujo refúgio se deparou com uma imagem da Virgem Maria, em vista da qual acabou por não ser roubado. A aparição de Nossa Senhora tornou-se conhecida como a Madonna di Ghisallo”. Tal história propagou-se e como Madonna di Ghisallo é uma colina perto do Lago de Como na Itália, e o santuário situa-se no topo desta montanha, começou ali a ser um lugar de descanso para muitos ciclistas, depois de subir esta montanha tão íngreme. Após a 2ª Guerra Mundial, um padre local, Ermelindo Vigano, propôs que Madonna di Ghisallo fosse declarada a padroeira dos ciclistas. Assim com a consagração oficial do Papa em 1945, o santuário recebeu cada vez mais visitas e nos dias de hoje há um pequeno museu com fotos, equipamentos de ciclismo e também algumas bicicletas de grandes campeões do ciclismo internacional, entre diverso lote de promessas, como presentes ofertados em ação de graças. Em torno do templo há ainda alguns monumentos evocativos de ciclista famosos desaparecidos, enquanto o santuário também possui uma Chama Eterna, pelos ciclistas já falecidos.

= Nossa Senhora do Gisalho – Padroeira dos Ciclistas =

Passados poucos anos aconteceu o falecimento dum treinador de futebol em atividade no clube, o húngaro Jorge Orth,  falecido no decurso do campeonato de 1961/62, estando a fazer uma época prometedora, a pontos de proporcionar um ambiente de entusiasmo nas hostes azuis e brancas. Decorria o campeonato nacional à 12ª jornada quando se deu tal desaparecimento, num repentino desenlace, a interromper a boa carreira que vinha desempenhando à frente da equipa principal de futebol do F C Porto. Sendo por isso  deveras tocante seu acompanhamento final, levado no adeus pelos seus futebolistas, que fizeram questão de pegar na urna pelas próprias mãos. Passados dias, no primeiro jogo realizado, a equipa conseguiu superar o desalento, indo vencer o Sporting em Alvalade por 0-1, para as nossas cores, graças a um golo de Azumir, a culminar uma portentosa exibição do guarda-redes Américo e conjuntamente um bom desempenho de toda a equipa, para no final homenagearem seu Mister com dedicatória dessa vitória a Jorge Horth.

= Jorge Orth =

Por quanto este tema merece maior desenvolvimento, iremos dedicar um artigo a narrar com mais pormenor esse marcante acontecimento, que teve repercussão em depois não ter havido uma continuidade da boa carreira que a equipa estava a conseguir.

Mais tarde, no início dos anos 70’s, do século XX, já nas proximidades aos tempos da mudança político-social que alterou o ambiente nacional, deu-se um outro desenlace, quando Pavão, o futebolista Fernando Pascoal das Neves, mais conhecido por “Pavão”, caiu em pleno relvado do estádio das Antas, onde disputava um jogo pelo F C Porto, para não mais se levantar e passar a ser um representante espiritual do que consubstancia a luz eterna do F C Porto. 

Estava-se em Dezembro de 1973. Sendo por muito tempo contado, além de até cantado num disco duma cantora portuense.


Desse infeliz acontecimento, o segundo (por ordem cronológica) de que temos conhecimento quanto a desportistas Portistas falecidos quando praticavam sua função ao serviço do F C Porto, restam diversos testemunhos e recordações sentidas. Como se pode evocar a mágoa vertida, através de imagens e um recorte documental da época, além de alusivas fotos sobre o monumento que foi erigido em sua memória, ao tempo colocado junto à entrada para o Departamento de futebol, no exterior do estádio das Antas.




Sobre o Pavão desnecessário se torna enumerar o seu currículo, a não ser o realce curioso que há quanto às internacionalizações que teve em escasso número, naturalmente por ser do F C Porto (algo nesse tempo determinante nas escolhas)... e nomeadamente por ser merecedor de atenção o facto de ter pertencido à equipa do F C Porto que venceu a Taça de Portugal de 1968, por nesse tempo de aridez desportiva isso ser raro.

Volvidos anos, ultrapassadas no tempo mágoas de tal perda do futebol Portista, novo desastre veio a vitimar um outro representante do F C Porto, desta vez e novamente do ciclismo, com a morte em plena estrada do jovem José Zeferino. Uma promessa do panorama ciclista português, tal era considerado esse irmão de Manuel Zeferino, destinado que se prestava o José a vitórias como a que seu irmão já obtivera, por exemplo.


Zé Zeferino, vitimado então no decurso da Volta ao Algarve, à saída de Castro Verde, quando seguia na dianteira dessa corrida, incorporando um grupo de fugitivos ao pelotão, foi roubado ao grosso da coluna do ciclismo. Chegou depois a ser aventada possibilidade de construção dum memorial alusivo no local onde caíra. Perdurando porem algo tenuemente na voragem dos tempos.


Do ocorrido há devidas referências publicadas no jornal O Porto, de cujas colunas fixamos aqui o que então foi registado na edição de 12 a 25 de Maio de 1982, do órgão oficial do clube.




Posto isto, passamos a exemplos acontecidos fora das pugnas desportivas, com elementos ligados ao F C Porto. O primeiro caso passou-se com Vidal Pinheiro, então Tenente e depois Capitão, caído morto em pleno ato de bravura numa batalha durante a 1ª Grande Guerra Mundial de 1914/1918 (a que proximamente aqui dedicaremos espaço mais alargado, num artigo sobre tema da participação do F C Porto em casos militares); depois foi Velez Carneiro, em Maio de 1925, tendo sido morto em condições estranhas, baleado numa rua da cidade do Porto. Dando azo, como figura pública e pessoa muito estimada, que o caso fosse deveras expandido na comunicação social, como se nota por cópia que anexamos, junto com uma imagem ilustrativa de seu acompanhamento fúnebre.



« Velez Carneiro fez parte da equipa que venceu pela primeira vez o S.L. Benfica em Lisboa por 3-2. O primeiro Campeonato de Portugal emergiu na época de 1921/22 e Velez Carneiro, que jogava a meio-campo e, conforme as crónicas da altura, era um jogador de elevada qualidade, foi um dos loureados pela conquista do F.C. Porto. 
De 17 para 18 de Maio de 1925 foi morto a tiro por um tal Carmindo Ferreira Duarte na Travessa dos Congregados, depois de uma discussão entre os dois. Era na altura um dos ídolos dos Dragões, e isso espelhou-se no seu funeral que foi imponente. Desde a Constituição até ao cemitério de Paranhos, foram muitas as pessoas que se acotovelaram para o ultimo adeus. No dia 22 de Maio, o “Jornal de Noticias” escrevia: “Muito antes da hora marcada para a saída do féretro já o Campo de Jogos da Constituição regurgitava de pessoas. Depois de dar a volta ao campo, o féretro, conduzido pelos jogadores do team de que o finado fazia parte, foi colocado ao centro do campo, mantendo-se o público em silêncio durante cinco minutos, que foram observados religiosamente. Findo este recolhimento que impressionou, a Direção do F. C. Porto procedeu à colocação da bandeira do seu clube sobre o féretro. O capitão da equipa, Hall, conduzia sobre uma almofada de cetim preto as medalhas oferecidas ao falecido jogador.»

Muito mais tarde, mas por motivos de doença, outro importante personagem da História do F C Porto teve um grande reconhecimento público na despedida, conforme recordamos do falecimento de Pedroto, em 1985. 

Ligado como estava ao clube, como treinador que operou a mudança de rumo para a senda dos êxitos que então iam já sendo obtidos, Pedroto era como que Treinador Honorário do F C Porto, em virtude de apenas não estar no cargo derivado aos tratamentos médicos a que estava sujeito. Como se sabe e não mais esquece. Bastando aqui e agora uma outra reposição documental, através de recortes jornalísticos, constantes da edição especial d’ O Porto de 9 de Janeiro de 1985.






Até que, anos passados, novos tristes acontecimentos tiraram a vida a dois futebolistas do F C Porto, no caso em desastres de viação, tal o sucedido com o guarda-redes de futebol, Zé Beto, em 1 de Fevereiro de 1990, e depois com o prometedor médio da equipa principal de futebol, Rui Filipe, a 27 de Agosto de 1993. 

De tais vivências, ainda presentes no subconsciente Portista, atemo-nos à vista de testemunhos escritos, por quanto duram momentos desses na memória coletiva. Deixemos algumas passagens escritas transmitir o que ia na alma coletiva, por esses motivos.






Em sinal desse sentimento de resplandor da luz perpétua, estão nas instalações do estádio do Dragão os monumentos antes erigidos no exterior do extinto estádio das Antas, de homenagem a Pavão e Rui Filipe. Enquanto de Pedroto há a dedicação da sala de conferências com seu nome, também no Dragão, além de placas relativas a alguns factos.

Extravasando o plano competitivo, também o F C Porto tem heróis falecidos noutras áreas de serviço do clube, tal o caso, por exemplo, de massagistas (como já lembramos o massagista Lopinhos num artigo anterior) e dirigentes, a quem havemos de dedicar também, proximamente, algumas referências memoriais numas linhas articuladas, por aqui.

Num rol assim, não exageramos em pensar, justamente, ser do mais elementar tributo que no próximo futuro Museu do F C Porto também devam repousar memórias mais a estes e outros dos Homens que faleceram quando eram representantes do F C Porto. Porque as lágrimas secam, mas a memória perdura, qual grato reconhecimento e eloquente recordação.


Armando Pinto 

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