Já temos de novo museu! - É o que mais sobressai em nossos
pensamentos Portistas. E não um museu qualquer, de simples exposição, mas um
espaço memorial, onde nos revemos todos nós adeptos e associados, novos e
veteranos, qual mundo de historias e memórias, de glórias Portistas e Portismo
sentido, num ambiente cronológico desportivo e social. Obra grandiosa, depois dos sucessos desportivos, da frutuosa gerência de Pinto da Costa, ao 31º ano de seu exercício presidencial.
Sendo esse um local de valor real e estimativo, apraz sobre
o mesmo, desde já, manifestar uma apreciação que o possa tornar ainda mais
estimado e sobretudo valorizado. Para que, enquanto é tempo, possa ficar mais
completo e corretamente digno da mensagem histórica que lhe está subjacente.
Isto porque, apesar do autor ainda não ter tido oportunidade de ali entrar, por
ora, nos chegou entretanto ao conhecimento algumas situações que urge
corrigir e completar, do que se sabe através de grupos restritos de amigos
confrades da paixão clubista, entre outros casos. E como não se sabe outro modo
de direta transmissão, aqui vai e fica uma tentativa de achega construtiva, apenas
como tal.
= Figuração imaginária de estatuária representando o fundador António Nicolau de Almeida, a escrever a histórica carta que deu notícia da criação do clube, em repto ao congénere grupo lisboeta para um jogo amigável... =
Ora bem, o nosso museu é mesmo o nosso grande Memorial do F
C Porto, mas um espaço memorável onde se prende as atenções, não apenas pelos
objetos expostos e imagens fixadas à posteridade, mas também e especialmente
pela mensagem que acompanha tudo, o que
diz muito à compreensão do que ali se pode ver e sentir. Daí que, quem vir com
olhos de ver, notará algumas “coisas” que ainda poderão ser melhoradas, no
atual estado em fase de apreciação. Dizem-nos que estão representados no museu, em estátuas bem concebidas,
alguns figurantes da história do clube, tais como, num corredor de acesso ao museu
propriamente, uns André Villas-Boas, Mourinho, Bobby Robson, Vitor Hugo, Dover, Cubillas, Guttman, Pavão, Yustrich, Valdemar
Mota, Barrigana, Pinga, Norman Hall e José Monteiro da Costa; e, depois já
dentro, além do Onze eleito, onde estão Baía, João Pinto, Gomes e restantes escolhidos publicamente, temos mais e só, em estátuas representativas, o Pedroto, e o Madjer. Quer dizer, repara-se logo numa falha grave,
atendendo ao valor da História, que é não estar o Hernâni... também -
sabendo-se de como ele, Hernâni Ferreira da Silva - o Senhor Hernâni, como lhe chamava o Eusébio, em sentido de respeito - era considerado o General do F C Porto!

= Hernâni - vitoriado e levado em ombros, no emotivo final do jogo do campeonato de 1958/59, depois da celebérrima espera pela paragem do relógio do benfiquista Calabote...! =
É preciso que a memória conte para alguma coisa, que não se deixem
diluir as realidades de sempre, que sejam valorizadas as recordações de
outrora, em vez de prevalecer só os conhecimentos de memórias de agora.
= Cristiano – único representante de hóquei em patins do F C
Porto na seleção nacional durante muitos anos. Numa classe que mereceu lugar na coleção “Ídolos” dos Desportos. Envergando uma camisola, á época, como a que ofereceu ao autor destas linhas,
por quem a mesma foi cedida também para o museu do F C Porto; tal como o stick que ele usou num campeonato do mundo em Espanha... =
Mas há mais, à consideração de quem de direito. Assim, temos ideia, que a estar lá representado na
estatuária memorial o Vitor Hugo, antigo jogador de hóquei patinado, devia estar também o Cristiano, que foi o
principal hoquista do Clube, e aliás durante muitos anos único do F C Porto com lugar na seleção nacional senior. Tal
qual do futebol merecia figurar nessa galeria, por exemplo, Virgílio - também
por ter chegado a ser durante algum tempo o mais internacional de Portugal, cujo emblema na sua camisola deve ser revisto (do exemplar exposto); antes do qual enfileirou com grande fulgor nas hostes azul-brancas também o Siska, de quem se dizia maravilhas; e até
um António Araújo e um José Rolando, nomes que serviram de bandeira do clube em
épocas distantes e distintas. Bem como do ciclismo, por exemplo, um Fernando
Moreira, que foi expoente dessa modalidade que mais adeptos conquistou nos anos
50, 60 e 70, especialmente quando o futebol estava em baixo... e um Mário
Silva, ídolo maior da família portista nos idos de 60, pelo menos... além de alguns mais, como Sousa Cardoso, entre outros. Mesmo de outras modalidades,
naturalmente, não podendo ser esquecido o Fabião, andebolista de renome, num exemplo mais. Bem sabemos que não podem estar todos, mas convém que pelo menos
não estejam poucos… para a dimensão do nosso património humano.

Por falar nisto, vem também à mente outros personagens que
muito representaram importância na imagem do clube, no acompanhamento da vida
clubista. Assim, não sabemos se lá estará representado, mas se não estiver deveria
estar, o famoso Homem da bandeira gigante do F C Porto. Um senhor que, residindo
no sul do país, era um Portista conhecido, embora quase no anonimato: o sr.
Pina, que salvo erro vivia na Cova da Piedade, ou por essas bandas. Um
simpático portador duma grande bandeira do F C Porto, com a qual assistia aos
jogos do clube sempre que podia. Ficou célebre a sua presença no peão do
estádio do Jamor em plena final da Taça de Portugal ganha ao Benfica com um
golo do Hernâni, em 1958, pelas imagens que correram o país e chegaram a nossos
dias – como aqui damos nota, através duma foto do blogue Memória Azul (com a
devida vénia ao amigo Helder Russo).

Personagem esse, o célebre Homem da
bandeira, Manuel Pina, a que contamos proximamente dedicar um artigo, neste nosso
espaço de Memória Portista. Sendo figura pública que mereceu ser entrevistado
no famoso programa televisivo Zip Zip do Raúl Solnado, em 1969, no palco do Vilaret (Vilaré) de Lisboa, onde contou
peripécias engraçadas e profundas. A pontos que, volvidos meses, numa vinda
desse programa à cidade do Porto, em homenagem popular ao clubismo local, o
Solnado apresentou uma rábula extensiva, criando a figura dum homem do emblema…
dando vivas ao Rolando, por ser a figura máxima do clube por esses tempos.
= Rolando =
Vem a propósito, precisamente, recordar o Rolando, José Rolando Gonçalves, que
também merecia figurar no museu, como referimos, tal qual Araújo. Porque,
curiosamente como proclamava a arenga teatral do Solnado, houve um longo período,
pelos anos sessentas, em que poucos eram os representantes do F C Porto nos
meios mais salientes do desporto nacional. E no desporto-rei, depois que Américo
teve de abandonar o futebol, ficou praticamente só o Rolando a ir à seleção e a
ter lugar nas capas das cadernetas de cromos e a emparceirar nos ídolos das
revistas, em nome do F C Porto. Tal qual umas décadas antes, pelos anos quarentas
especialmente, houve o António Araújo, do qual basta dizer que em seu tempo a
seleção nacional era considerada Sport Lisboa e Araújo e o no clube se dizia Futebol
Clube Araújo do Porto. Assim como Américo Lopes, em meados da década de sessenta, foi o grande embaixador da mística Portista pelos campos onde esvoaçavam bandeiras do F C Porto, em tempos de dificuldade e escassez da glorificação azul e branca...

= Américo - o "Baliza de Prata" do F C Porto e do futebol português - na imagem com o monumental Trofeu Somelos-Helanca de melhor futebolista português de 1967/68 =
Obviamente que aquilo tudo, o que é o Museu F C Porto by BMG
se revela grandioso. Mas se ainda for possível representar melhor toda uma Nação
Portista seria mais excelente.
Daí algumas das fotos aqui colocadas, de nosso espólio umas,
outras de partilhas informáticas, como quem entra para mostrar uma visão do que
se poderá ver ainda… na comunicação emanada pelos séculos já vividos, na existência institucional do F C Porto.
Como ilustração a esta visão duma mais ampla viagem
histórica, recordamos a rábula de Solnado – Homem do Emblema - a falar do
símbolo que era o Rolando naqueles idos de finais dos anos sessentas, como
exemplo de que até com boa disposição se faz história!
Armando Pinto
= Raúl Solnado figurando a sua charla do "Homem do Emblema".=
~»»» Clicar na seta central, para aceder ao vídeo «««~
= Na eventualidade de ausência temporária de permissão,
pode buscar-se no local próprio o acesso directo, clicando (no link )
em
A. P.