terça-feira, 28 de julho de 2026

60.º aniversário do final da participação portuguesa no Mundial de futebol de 1966 - do 3.º lugar em Inglaterra contra a URSS - Com FESTA a titular e AMÉRICO e PINTO não utilizados… entre os "Magriços"!

A 28 de JULHO de 1966 a Seleção Portuguesa disputou o último jogo da participação no Campeonato Mundial de futebol, diante da Rússia para atribuição do 3.º e 4º lugares. Defrontando então a URSS, a União Soviética (que era mais conhecida por Rússia, embora essa fosse a mais conhecida das repúblicas que compunham ao tempo a chamada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Depois de no anterior dia 26 a Seleção Portuguesa ter sido afastada da final ao ter perdido na meia-final com a Inglaterra, por 2-1, por fim jogou também no estádio do Wembley o chamado jogo de consolação, com a URSS, tendo vencido por 2-1 e desse modo ficado com o 3.º lugar da classificação final. Com Festa em campo, tendo sido mesmo dele o centro de que resultou o 1.º golo do jogo, marcado por Torres (sendo o 2.º de penalti, apontado por Eusébio). Encerrando-se assim a campanha dos "Magriços" de 1966, como foram chamados os componentes da embaixada portuguesa dessa fase final do Campeonato do Mundo de Seleções.

Recorde-se que o nome Magriços dado então aos jogadores integrantes do lote dos 22 elementos da seleção A de Portugal, que disputou o Campeonato do Mundo de Futebol de 1966, se baseou no episódio d’ Os Doze de Inglaterra, descrito por Camões no canto VI d’ Os Lusíadas. E, mais concretamente no apelido do chamado Magriço (Álvaro Gonçalves Coutinho, mais conhecido como Grão Magriço ou simplesmente o Magriço), o mais famoso desses 12 cavaleiros da era do rei D. João I, fidalgos guerreiros que viajaram até Inglaterra para participarem num torneio em defesa de 12 damas… como é da história romântica. Associando-se oficialmente aquela “ideia na medida daquilo que o Grão Magriço representa, o belo episódio que Luís de Camões canta n’Os Lusíadas”, quão aquele antepassado significava para a ocasião, por assimilação dum autêntico desportista ido a Inglaterra... “

= "Magriços de 1966" em Inglaterra - estando Festa à direita, em pé; e, em baixo, Américo (o mais próximo da frente) e Pinto (em penúltimo da segunda fila da imagem) respetivamente, também à direita, do primeiro plano.

Então nesse Mundial/66 Alberto Festa foi o único que jogou do FC Porto, entre os Magriços, como jogador utilizado, enquanto Américo e Custódio Pinto, que também integraram a caravana portuguesa, não jogaram, injustiçados pelo poder do sistema reinol desse tempo, quão exemplos paradigmáticos do que acontecia por esse tempo do sistema BSB, das presidências federativas circunscritas aos 3 clubes de Lisboa – Benfica, Sporting e Belenenses… dos quais foi a molhada dos jogadores utilizados na velha Albion.


Enquanto isso o FC Porto apenas teve mais um representante além do trio dos jogadores, porque na comitiva oficial, entre os dirigentes, também foi o Eng.º Paulo Tavares, que era um dos vice-presidentes da Federação, único lugar destinado a representantes de clubes de fora da capital, na FPF. 


Alinhou então nesse último jogo Alberto Festa, o defesa-direito único portista a jogar na fase final, intrometido entre os protegidos do regime, nesse tempo do sistema BSB... 

= Equipa do jogo de atribuição do 3.º lugar no Mundial de 1966, obtido por Portugal após vitória por 2-1 com a Rússia, tendo Festa feito assistência para um dos golos portugueses, centrando para a cabeça de Torres (tendo o outro sido de penalti, com que Eusébio marcou a Lev Yashin)

Festa fez 3 jogos dos 6 que a seleção da camisola das quinas disputou nesse Mundial, ao passo que o guarda-redes Américo, que até tinha a camisola n.º1 dos 22 Magriços, e durante a época havia recebido prémios oficiais por seu valor, foi posto de lado para jogar José Pereira do Belenenses, de modo a que a presidência do Belenenses tivesse melhor representação por junto com Vicente... E Custódio Pinto idem aspas, ele que até era polivalente, também ficou no banco para jogarem médios e atacantes de Sporting e Benfica... Tudo na linha BSB. Com o cúmulo do único utilizado sem ser do sistema, ou seja de Benfica, Sporting e Belenenses, de Lisboa, e além do único do FC Porto que teve essa possibilidade, haver sido um do Vitória de Setúbal, Jaime Graça, porque então estava já adquirido pelo Benfica).

(Festa foi agraciado com uma medalha por ter jogado, como os restantes utilizados, e depois também outra com que foram agraciados todos os que incluíram o lote dos 22 Magriços, mais os que haviam participado em jogos da fase de apuramento, entre os quais esteve também o defesa portista Miguel Arcanjo, que entretanto já terminara a carreira.)

Curiosamente, no último jogo de preparação, antecedente à ida para Inglaterra, tinham jogado os 3 do FC Porto no Portugal-Roménia que a Seleção portuguesa venceu por 1-0, com Américo em destaque, a pontos de lhe terem atribuído o n.º1 das camisolas. Só que depois outros interesses contaram mais.

Eram os três de tal modo distintos que conseguiram ter lugar nos livros da famosa "Coleção Ídolos do Desporto", em grande maioria dedicados a atletas de Benfica, Sporting e Belenenses, não só de futebol mas também de várias modalidades, enquanto do FC Porto poucos futebolistas foram incluídos e de outros desportos só 2 ciclistas constaram na coleção. Mas a Américo e Pinto foram dedicados 2 livros, com intervalos de alguns anos entre um e outro... o que foi sintomático.

Foi assim Alberto Festa, como único que teve possibilidades de jogar, o Grão Magriço do FC Porto nessa saga duma das lanças portistas no tempo do sistema BSB...!  

= Américo e Pinto, na caravama dos 22 selecionados...

Faz agora 60 anos, em 2026, que isso se passou em 1966.

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

2 comentários:

  1. Só mesmo aqui se vê isto. Felizmente acompanho este blogue. Da FPF certamente com a descoberta das escutas do Proença demostrativas da corrupção com tantos casos pró Benfica, é claro que se esquecem destas coisas. Contudo de jornais e programas de televisão nem vê-los com coisas de interesse destes.

    ResponderEliminar
  2. Para um comentário que circulou algures (do qual me foi dado conhecimento por pessoa amiga, pois quem dedilha pensando estar escondido pelo teclado pessoal, tem de perceber que tudo se sabe, nada fica escondido na Internet e nos grupos de amigos): Os livros - mais propriamente pequenos livros de bolso - referidos e mostrados no artigo, são da coleção pessoal do autor, pois tenho toda a coleção completa referente aos do FC Porto.
    AP

    ResponderEliminar