No dia 26 de Março de 1950 Júlio Ribeiro de Campos tomou
posse como presidente do FC Porto pela segunda vez (após eleição dos Corpos Gerentes a 13 de março).
= Foto do ato de posse do Presidente Júlio Ribeiro Campos em 1950, cuja gerência durou um ano sensivelmente. Na frente e primeira linha, a contar da esquerda para a direita: Carlos Mesquita, Dr. Urgel Horta, Júlio Ribeiro Campos, Dias Ferreira, Dr. Aureliano Braga, António Sousa, José Moreira, Eng.º. Alberto Mendonça e José Donas.

Júlio Ribeiro Campos era então já o 24º Presidente do Futebol
Clube do Porto. Pois ocupara pela primeira vez o cargo maior do clube em Maio
de 1948, logo após a fantástica vitória do FC Porto sobre o Arsenal de Londres,
por 3-2. Tendo aí Júlio Ribeiro Campos sucedido ao Dr. Cesário Bonito, que se
havia demitido com toda a sua Direção em bloco por questão de dignidade contra
os poderes de Lisboa useiros a perseguir o FC Porto, ao cair avolumado de mais
uma gota de água persistente, perante um injusto castigo movido federativamente
ao futebolista Ângelo de Carvalho, no culminar da base dessa posição. E o
sucessor Ribeiro de Campos, na sequência ainda da revolta que havia, também inicialmente
esteve no lugar por uma curta duração, visto se ter demitido quase logo de seguida, devido a mais manobras de bastidores contra o clube, que estiveram na
origem da eliminação precoce do FC Porto da Taça de Portugal. Mas então os
sócios, depois, aplaudindo a sua atitude de denunciar esses processos, voltaram
a reconduzi-lo e ele lá continuou a remar contra a maré, mantendo-se no posto
até 1949. De permeio, no decurso dessa gerência, em setembro de 1948, por deliberação da Federação Portuguesa de Futebol, passaram as camisolas dos futebolistas a serem numeradas (com estreia de números nas camisolas portistas no jogo que o FC Porto venceu por 3-0 o Famalicão, a 05-9-1948). Em cujo mandato de Júlio Campos, ainda em 1948 o FC Porto no ciclismo conquistou pela primeira vez
a Volta a Portugal, coletivamente na classificação por equipas e
individualmente através do célebre Fernando Moreira, ciclista que comandava
forte equipa em que também se distinguiam Dias dos Santos e Barrendero, entre
outros; além naturalmente da continuidade de títulos somados no andebol de
onze. Bem como em 1949 foi criado o jornal O Porto, tendo como diretor Leite Maia. Estando o clube ainda em
tempos de confinamento ao velhinho Campo da Constituição, o que levava em jogos
mais importantes a alugar-se o Lima.

= Aspeto do Campo da Constituição em finais de 1948
(conforme aparece na revista Stadium de 5 de Janeiro de 1949)
Mais tarde, então em Março de 1950, Júlio Ribeiro Campos voltou
a ocupar a cadeira presidencial, desta vez para suceder ao Dr. Miguel Pereira,
tendo estado à frente do clube até 1951. Tendo de permeio, em 1950 sido emitido pela primeira vez o programa radiofónico A Voz do FC Porto, através do grupo Os Portistas, sob a direção de João Manuel Antão.
= Notícia da tomada de posse na revista Stadium de 29 de
março de 1950
Foi durante seu último mandato na presidência dos destinos
do clube que, através de ação direta de seu diretor Soares dos Reis, o F.C.
Porto contratou o futebolista Hernâni, que viria a ser um dos grandes ícones do
clube, assim como outros mais jovens que se revelariam anos depois autênticos
nomes históricos, como Américo, por exemplo.
Desse tempo, entre diversos jogos internacionais em visitas
de equipas estrangeiras, houve a registar a interessante vitória sobre a equipa
do Brasil “Portuguesa de Santos” (de que se junta imagens da revista Stadium de
14 Junho de 1950), por essa derrota imposta à turma brasileira ter sido mal
digerida pelos visitantes que não contavam perder, depois de terem vencido facilmente
em Braga, dias antes.
Ainda nesse período, enquanto presidente portista, arrancaram
durante o último ano da presidência de Júlio Ribeiro de Campos as obras para a
construção do Estádio das Antas. Depois já da inauguração do estádio, foi eleito
Socio Honorário em Assembleia Geral de 23 de dezembro de 1952.
= Entre os Nomes que fizeram erguer a obra do mítico Estádio das
Antas: Dr. Cesário Bonito, Júlio Ribeiro Campos e Dr. Miguel Pereira, mais Sebastião Ferreira Mendes, Dr. Urgel Horta, etc..
Sucedeu-lhe o Dr. Urgel Horta, em cujo mandato seria por fim inaugurado festivamente o estádio.
Júlio Ribeiro de Campos (embora por vezes esquecido, inclusive
sem estar na figuração de fotos dos presidentes na obra oficial de 16 pequenos volumes intitulada “Dragão Ano 111”, produto licenciado FCP e edição d' O Comércio do Porto, por Alfredo Barbosa), figura naturalmente na galeria dos Presidentes no museu do
FC Porto.
Armando Pinto
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