Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

A apresentar mensagens correspondentes à consulta Acúrcio ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Os Inícios do Hóquei no F C Porto e o 1º Internacional do Hóquei em Patins Portista - Acúrcio Carrelo.


Acúrcio foi um atleta do F C Porto que se distinguiu no posto de guarda-redes de futebol e como avançado em hóquei em patins. Curiosamente, atendendo às regras da escrita portuguesa, o seu nome era então escrito Acúrsio (assim mesmo, com “s”, como aparecia nos seus tempos de desportista, dando ideia que era a forma com que estava nos documentos oficiais). Tendo sido conhecido pelos anos cinquentas, do século XX, sobretudo como um guarda-redes importante no FC Porto, titular na equipa principal de futebol durante alguns anos, havendo então sido campeão nacional por duas vezes e feito parte do plantel azul e branco que conquistou para o F C Porto também duas Taças de Portugal (em cujas finais Acúrcio não jogou, impossibilitado por lesão). Entre essa atividade, Acúrcio foi ainda hoquista, tendo jogado pela equipa do F C Porto também de patins e stique, chegando mesmo a vestir igualmente a camisola da seleção portuguesa de hóquei enquanto hoquista azul e branco.


O hóquei em patins portista dava ainda pioneiras patinadelas e Acúrcio foi então o primeiro hoquista do F C Porto a ser escolhido para fazer parte duma seleção representativa do hóquei patinado nacional.

Assim sendo, a ligação de Acúrcio ao hóquei mistura com a história dos inícios do hóquei em patins no F C Porto.


Ora, o Hóquei em Patins havia entrado no FC Porto na década de quarenta, tendo sido em 1944 que o clube «tomou parte em provas oficiais, inscrevendo-se em todos os torneios regionais…» Constituíam a “equipa da fundação” os hoquistas António Castro Lacerda, Álvaro Almeida, António Joaquim Costa, António Brandão, Gualdino Leite, José Arches Carvalho, Delmiro Silva e Alberto Lima Ruella». Contudo, a sua existência sofreu, de permeio, uma interrupção nas atividades, tendo a secção sido depois reativada já a meio da década de cinquenta, por exigência dos sócios, «a pedido do público e até dos clubes adversários», devido ao fascínio que sua prática despertava no país a nível da seleção nacional e por reconhecimento de necessidade «da presença duma equipa portista nas competições, com vista a poder ser desenvolvida a modalidade…»


A equipa de hóquei em patins do Futebol Clube do Porto estreou-se em competições oficiais na 2ª Divisão Regional da Associação de Patinagem do Porto a 05/07/1956, no rinque das Cavadas (cedido pelo Estrela e Vigorosa), num jogo diante do CDUP, com vitória portista por 9-1. Sendo de acrescentar que os restantes jogos do FC Porto para o campeonato foram disputados no rinque do Lima (cedido pelo Académico), de modo a albergar o grande número de espectadores interessados. Como tal só na década de cinquenta foram obtidos os primeiros títulos, tendo nessa época o FC Porto vencido o Regional do Porto da 2ª Divisão correspondente à temporada desportiva de 1955 / 56 e então ascendeu a 1ª Divisão Regional em 1956/57.

= António Morais em seus primeiros tempos hoquistas =

Constituíam a equipa da época, entre outros, Campos (que veio do Paço de Rei), Luís Sousa Mota (do Paredes), Acúrcio Carrelo, Ruben Lopez, Morais e Abílio Moreira. 
Com a curiosidade de então estarem incluídos dois hoquistas-futebolistas, Acúrcio Carrelo e António Morais, os quais acumulavam a prática hoquista com o futebol (sendo então Acúrcio guarda-redes da equipa principal e Morais reservista também da formação futebolística do FC Porto), mais um aderente hoquista-basquetebolista, Ruben Lopez (este por sinal até jogador-treinador do basquetebol portista, nesse tempo). Tal como Morais, além do hóquei, também jogou no F C Porto pela equipa júnior de Andebol (que à época era escrito Handebol).

Entretanto, quando se davam esses iniciais momentos, e perante a estada de Acúrcio no futebol do F C Porto, vindo de Moçambique em 1955, e como ele praticara hóquei sobre patins enquanto vivera naquela então província ultramarina portuguesa, foi seduzido a também ajudar ao fortalecimento da existência do hóquei no Porto. Tendo sido assim que em Maio de 1957 se integrou na equipa de hóquei do F C Porto. Tanto ajudando a um maior impacto que a sua integração hoquista ficou registada na imprensa, motivando que se ficasse a saber à posteridade ter sido a 8 de maio de 1957, quando centenas de pessoas acorreram à apresentação de Acúrsio como avançado da equipa de hóquei em patins do FC Porto. E a verdade é que o excelente guarda-redes de futebol, que foi internacional pela seleção nacional de futebol, era igualmente bom no hóquei, pois também chegou a internacional na modalidade jogada a correr em patins de rodas.


Acúrcio Carrelo foi, então, o 1º internacional do clube nesta modalidade, tendo em 1957 feito parte da seleção portuguesa presente no Torneio de Montreux, marcando inclusive 6 golos; e depois no Europeu, nesse mesmo ano em Barcelona, onde fez 2 golos; sendo por fim selecionado para a Equipa da Europa que defrontou a Espanha, em cujo prélio contribuiu com 3 dos cinco golos dessa turma do chamado “Resto da Europa”.

A carreira do avançado Carrelo do hóquei não foi mais além, porém, por entretanto ter acabado essa dupla função com a chegada do profissionalismo ao futebol, enveredando Acúrcio apenas pela sua prestação como guarda-redes do futebol portista, entre outras situações, como aconteceu também com Morais (e ainda Pinho, igualmente “nosso” guardião de futebol, que ao tempo também acumulara na defesa da baliza do Andebol azul e branco).

Estava implantado o hóquei em patins no F C Porto. Até que evoluiu mais no clube com reforço da equipa já nos inícios da década de sessenta, ingressando na modalidade Joaquim Leite, oriundo do hóquei em campo do clube e durante algum tempo também atleta que acumulou as duas modalidades, mais Alexandre Magalhães, Brito, e outros, enquanto a meio da mesma década apareceram jovens valores como Hernâni e Cristiano. Começava finalmente a afirmar-se o hóquei portista no panorama nacional.
Cristiano era então já o maior representante do hóquei portista, a partir que seu valor começou a despertar o público azul e branco para o hóquei em patins.
Ao passo que depois houve primeiros internacionais juniores, integrantes da equipa principal mas com idades de juniores, Cristiano e Castro, que jogaram pela seleção portuguesa dessa categoria em 1968, e o hóquei portista atingia alto patamar com a conquista do “Metropolitano” da 1ª Divisão em 1969 – quando Jorge Nuno Pinto da Costa era dirigente na secção. Ano este em que quatro hoquistas do clube foram campeões europeus com a seleção de juniores: Cristiano, Castro, Fernando Barbot e António Júlio - dos quais três formados no próprio clube e todos eles os primeiros campeões europeus portistas.
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= Equipa dos Campeões Metropolitanos de 1969 =

A partir daí o hóquei foi crescendo dentro do clube, sempre na disputa dos primeiros lugares, até que, depois de sucessivos anos em que o título nacional fugira por “uma unha negra”, em 1981/82 houve conquista da europeia Taça dos Vencedores das Taças e em 1982/83 foi obtido o 1º lugar no Campeonato Nacional, acrescentando nesse ano mais outra Taça das Taças da Europa. Desde então o clube habituou-se a ser Campeão Nacional, com forte hegemonia (quantos os demais títulos nacionais…). Juntando mesmo títulos de Campeão Europeu (1985/86 e 89/90), Taça CERS (1993/94 e 95/96), Supertaça Europeia/Taça Continental (1985/86), mais Taças de Portugal, Supertaça Nacional, etc.

Feito um resumo do trajeto do hóquei, e como a parte mais saliente desses tempos de outrora se junta com a passagem de Acúrcio pelos rinques onde o F C Porto jogava hóquei, ilustramos este artigo narrativo com algumas imagens de Acúrcio e dos seus tempos de hoquista, embora juntando fotos dele como guarda-redes de futebol também. Mais algumas relacionadas com o historial do hóquei portista.

Ao género de parêntese, acrescente-se sobre Acúrcio: 

Desportista multifacetado, Acúrcio foi campeão nacional de futebol pelo F.C. Porto em 1955/56 como suplente utilizado, tendo ainda feito um jogo nesse campeonato; e já como guarda-redes titular em 1958/59. Tal como venceu duas Taças de Portugal, utilizado durante as respetivas eliminatórias. E também teve oito chamadas à Seleção Nacional A de futebol, além de ter sido internacional no Hóquei em Patins (como acima é descrito). Ficou ainda celebrizado como primeiro guarda-redes marcador dum golo de baliza a baliza, no célebre golo que marcou a José Pereira do Belenenses, no Restelo, estando em campo com um braço partido (sacrificando-se devido a não haver substituições na altura), em Março de 1958. Depois, em 1961 regressou a Moçambique para jogar pelo Ferroviário de Lourenço Marques, onde se sagrou Campeão Colonial nesse mesmo ano. E ali treinou também sua equipa de hóquei. De seguida viveu na África do Sul, onde treinou uma equipa de hóquei (Bez Valey). Regressado a Portugal, em 1979 treinou o Gil Vicente de Barcelos, em futebol e o seu Oeiras em hóquei. Faleceu no dia 9 de Janeiro de 2010.

Vem a talhe, como encerramento, rever uma página da revista Seleções Desportivas de Dezembro de 1978, onde Acúrcio foi recordado em duas peças jornalísticas, de cujo conteúdo (referente a uma história contada pelo antigo futebolista António Teixeira) se reproduz cópia da parte referente ao Acúrcio propriamente: 


Como retrospetiva, contada na primeira pessoa, repare-se numa passagem relembrada por Acúrcio à revista Bola Magazine, onde, fora alguma confusão de datas (sabendo-se que em 1958 já ele estava só dedicado ao futebol e inclusive fora internacional de hóquei em 1957), naturalmente por lapsos de memória derivado ao tempo passado, ele próprio deu mais algumas informações relacionadas:


Acúrcio Carrelo veio a falecer a 9 de janeiro de 2010. Na ocasião, em anterior blogue, "Lôngara" (que depois desapareceu da internet, por violação de alguém...), havia sido publicado pelo autor deste blogue, também, um artigo alusivo. Do qual guardamos em registo a imagem dum recorte jornalístico evocativo, que aqui voltamos a lembrar, por fim.


Armando Pinto
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quarta-feira, 23 de março de 2022

Acúrcio: Autor do 1º golo de baliza a baliza na história do futebol português

A 23 de março de 1958 o guarda-redes Acúrsio, então titular da baliza do FC Porto, fez história como primeiro guarda-redes de futebol a marcar um golo em provas oficiais em Portugal.  Ganhando aí estatuto de protagonista mais saliente ao fazer um golo de baliza a baliza. Foi no estádio do Restelo, frente ao Belenenses, como marcador do golo que colocou o resultado em 2-0 na vitória do FC Porto por 3-1. Golo esse que se somou a um Pedroto, pelo FC Porto, contra um outro de Paz na própria baliza, a totalizar os tentos dos dragões.

Com efeito, nessa tarde, enquanto no ambiente da paisagem portuguesa, como país de clima geralmente ameno, começava a despertar tempo primaveril, no panorama do futebol português algo aconteceu fora do normal e logo com alguém do clube maior de fora da capital da nação. Sabendo-se que no chamado cantinho à beira mar plantado por interesses poderosos tem sido lei sobretudo contar Lisboa e o resto ser apenas paisagem.

Ora, então nessa data, em 1958, em tempo de aproximação às célebres eleições que abanaram a modorra nacional com a candidatura de Humberto Delgado, numa tarde de futebol domingueiro e em jogo decorrido em Lisboa, o guarda-redes do FC Porto foi figura de destaque.

Então, «Acúrcio assumia-se como a grande figura do FC Porto na vitória sobre o Belenenses, por 3-1, no Estádio do Restelo. O guarda-redes marcou um golo de baliza a baliza e ainda aguentou uns bons minutos entre os postes com o braço partido, pois na altura não havia substituições.» (Só meses depois daí começou a haver guarda-redes suplente com lugar no banco, para essa eventualidade de lesão do titular, única substituição que foi permitida ainda durante mais alguns anos).

= A equipa do FC Porto que na época  de 1957/58 alinhou no jogo do Restelo celebrizado pelo golo de Acúrcio. Campeonato Nacional da 1ª Divisão da Época 1957/1958, à 26ª última jornada, a 23/03/1958. Estádio do Restelo, CF Os Belenenses, 1 - FC Porto, 3. Golos do FC Porto obtidos por Acúrcio (no remate de baliza a baliza), Pedroto e Mário Paz (em autogolo, ao tentar anular  lance enviado com um enviesado efeito dado à bola por Osvaldo), sendo o golo do Belenenses através de Vicente Lucas. Na foto da pose: em cima e da esquerda para a direita - José Pedroto, Barbosa, Miguel Arcanjo, Ângelo Sarmento, Virgílio Mendes e Acúrcio; em baixo, pela mesma ordem - Carlos Duarte, Gastão, Jaburu, Osvaldo Silva e Hernâni. 

Foi ao minuto 18 da 1ª parte que Acúrcio, ao lançar a equipa para o ataque, em remate para longe, atingiu a baliza adversária com esse longo pontapé, batendo o guarda-redes José Pereira, do Belenenses, que viu a bola ir pelo ar e ultrapassá-lo surpreendentemente, acabando anichada no fundo das redes e a fazer baloiçar o “véu da noiva” – como se dizia em linguagem dos relatos radiofónicos.

Imagens e crónica resumida desse jogo Belenenses - FC Porto na revista Sport Ilustrado, nº de 25 de março de 1958, sob título “Um golo raro ...” !

Era e foi isso ao tempo um caso inédito nos registos dos anais futebolísticos lusos. Tornando-se pois Acúrcio, na época guarda-redes efetivo da equipa principal portista, o autor do 1º golo de baliza a baliza em Portugal. 


Esse é um dos históricos factos que ficaram impressos no pequeno livro “300 FACTOS FC PORTO PARA OS MAIS APAIXONADOS”, editado em 2012 como “© Produto oficial licenciado FCP” com registos da memória azul e branca até esse ano.

Armando Pinto

Nota: Sobre Acúrcio, guarda-redes de futebol e avançado de hóquei em patins do FC Porto, recorde-se mais (clicando) aqui.

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segunda-feira, 23 de março de 2020

Acúrcio: Guarda-redes portista autor do 1º golo de baliza a baliza em Portugal


A 23 de março de 1958, enquanto no ambiente da paisagem portuguesa, como país de clima geralmente ameno, começava a despertar tempo primaveril, no panorama do futebol português algo aconteceu fora do normal e logo com alguém do clube maior de fora da capital da nação. Sabendo-se que no chamado cantinho à beira mar plantado por interesses poderosos tem sido lei sobretudo contar Lisboa e o resto ser apenas paisagem.

Ora, então nessa data, em 1958, em tempo de aproximação às célebres eleições que abanaram a modorra nacional com a candidatura de Humberto Delgado, numa tarde de futebol domingueiro e em jogo decorrido em Lisboa, o guarda-redes do FC Porto foi figura de destaque.

Então, «Acúrcio assumia-se como a grande figura do FC Porto na vitória sobre o Belenenses, por 3-1, no Estádio do Restelo. O guarda-redes marcou um golo de baliza a baliza e ainda aguentou uns bons minutos entre os postes com o braço partido, pois na altura não havia substituições.» (Só meses depois daí começou a haver guarda-redes suplente com lugar no banco, para essa eventualidade de lesão do titular, única substituição que foi permitida ainda durante mais alguns anos).

= A equipa do FC Porto que na época  de 1957/58 alinhou no jogo do Restelo celebrizado pelo golo de Acúrcio. Campeonato Nacional da 1ª Divisão da Época 1957/1958, à 26ª última jornada, a 23/03/1958. Estádio do Restelo, CF Os Belenenses, 1 - FC Porto, 3. Golos do FC Porto obtidos por Acúrcio (no remate de baliza a baliza), Pedroto e Mário Paz (em autogolo, ao tentar anular  lance enviado com um enviesado efeito dado à bola por Osvaldo), sendo o golo do Belenenses através de Vicente Lucas. Na foto da pose: em cima e da esquerda para a direita - José Pedroto, Barbosa, Miguel Arcanjo, Ângelo Sarmento, Virgílio Mendes e Acúrcio; em baixo, pela mesma ordem - Carlos Duarte, Gastão, Jaburu, Osvaldo Silva e Hernâni. 

Foi ao minuto 18 da 1ª parte que Acúrcio, ao lançar a equipa para o ataque, em remate para longe, atingiu a baliza adversária com esse longo pontapé, batendo o guarda-redes José Pereira, do Belenenses, que viu a bola ir pelo ar e ultrapassá-lo surpreendentemente, acabando anichada no fundo das redes e a fazer baloiçar o “véu da noiva” – como se dizia em linguagem dos relatos radiofónicos.

Imagens e crónica resumida desse jogo Belenenses - FC Porto na revista Sport Ilustrado, nº de 25 de março de 1958, sob título “Um golo raro ...” !

Era e foi isso ao tempo um caso inédito nos registos dos anais futebolísticos lusos. Tornando-se pois Acúrcio, na época guarda-redes efetivo da equipa principal portista, o autor do 1º golo de baliza a baliza em Portugal. 


Esse é um dos históricos factos que ficaram impressos no pequeno livro “300 FACTOS FC PORTO PARA OS MAIS APAIXONADOS”, editado em 2012 como “© Produto oficial licenciado FCP” com registos da memória azul e branca até esse ano.

Armando Pinto

Nota: Sobre Acúrcio, guarda-redes de futebol e avançado de hóquei em patins do FC Porto, recorde-se mais (clicando) aqui.

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sábado, 17 de janeiro de 2026

Esforço heroico de Martim Fernandes no exemplo de João Pinto e Acúrcio!

No já inesquecível jogo Porto-Benfica da marcante noite do dia 14 de janeiro de 2026, em que o FC Porto eliminou o Benfica da Taça de Portugal desta época futebolística de 2025/2026, derrotando a sobranceria e arrogância de Rui Costa & Mourinho, ficou para a história também o facto do portista Martim Fernandes ter jogado com o nariz partido quase até ao fim do jogo. Numa boa prova de profissionalismo, mas sobretudo de alma portista e superação do jovem que teve seu sangue a cair sobre a camisola, a pontos de ter mudado várias vezes de camisola… a sua, do FC Porto.

O jovem defesa lateral-direito logo nos momentos iniciais do jogo sofreu forte choque com o benfiquista Lopes Cabral, resultando que ele, o jogador do FC Porto, fraturou o nariz, sangrando abundantemente. Contudo, após ter recebido assistência da equipa médica dos Dragões, em pleno relvado durante cerca duns cinco minutos, Martim decidiu prosseguir em campo. Sendo depois necessário trocar de camisola por diversas vezes, levando à ação rápida do roupeiro Jardel, sempre atento às situações e com camisolas prontas para as necessárias mudanças.

O caso levou até que após a partida e através das redes sociais, foi pelos meios informáticos do FC Porto destacada a resiliência do jogador de 19 anos: «Quando é pelo FC Porto, um nariz partido não passa de um mero detalhe.»

Com efeito, Martim Fernandes foi o herói mais recente do futebol do FC Porto, ao ter jogado grande parte do jogo entre o FC Porto e o SL Benfica com o nariz partido, tendo-se mantido em campo até perto do final do encontro, sendo substituído apenas na reta final por Alberto Costa. Na sequência do choque e consequente fratura, Martim Fernandes foi obrigado a trocar de camisola pela primeira vez ao reentrar em jogo, seguindo-se, ao longo da primeira parte, ter utilizado um total de quatro camisolas diferentes, devido às sucessivas manchas de sangue, pois voltou a mudar de equipamento ao minuto 26 e novamente aos 40 minutos, aproveitando uma interrupção do jogo.

Ora, o caso de Martim Fernandes fez avivar um anterior exemplo do João Pinto, o capitão portista de Viena que, ainda tempos antes de se ter tornado o lendário capitão do FC Porto, jogou com um dedo do pé partido, num dos episódios mais icónicos da sua carreira, tendo feito um buraco na chuteira para aguentar a dor e pintar a meia de preto para disfarçar, mostrando uma enorme superação e dedicação ao clube. Como ele próprio já contou e é um facto conhecido das histórias significativas do futebol portista.

Assim sendo, na pertinência do ocorrido no Porto-Benfica que fez o Estádio do Dragão viver uma grande noite de gala, o exemplo de João Pinto foi lembrado e bem.

Mas, além desses casos, também houve um outro anterior, que por ser mais antigo não tem sido tão lembrado. Tal o que se passou em 1958 quando o guarda-redes Acúrcio jogou com um braço partido num jogo em casa do Belenenses, curiosamente no mesmo jogo em que antes havia marcado um golo de baliza a baliza.

Efetivamente, a 23 de março de 1958 o guarda-redes Acúrcio, então titular da baliza do FC Porto, fez história como primeiro guarda-redes de futebol a marcar um golo em provas oficiais em Portugal.  Ganhando aí estatuto de protagonista mais saliente e por mais que uma razão.

Pois então: «Acúrcio assumiu-se como a grande figura do FC Porto na vitória sobre o Belenenses, por 3-1, no Estádio do Restelo. O guarda-redes marcou um golo de baliza a baliza e ainda aguentou uns bons minutos entre os postes com o braço partido, pois na altura não havia substituições.» (Só meses depois daí começou a haver guarda-redes suplente com lugar no banco, para essa eventualidade de lesão do titular, única substituição que foi permitida ainda durante mais alguns anos). E, dessa vez, ainda, em vez de ir para a baliza um outro colega de equipa, enquanto a própria equipa ficaria com menos um, ele aguentou entre os postes até ao fim. 

= A equipa do FC Porto que na época  de 1957/58 alinhou no jogo do Restelo celebrizado pelo golo de baliza a baliza e pela célebre lesão de Acúrcio. Campeonato Nacional da 1ª Divisão da Época 1957/1958, à 26ª última jornada, a 23/03/1958. Estádio do Restelo, CF Os Belenenses, 1 - FC Porto, 3. Golos do FC Porto obtidos por Acúrcio (no remate de baliza a baliza), Pedroto e Mário Paz (em autogolo, ao tentar anular  lance enviado com um enviesado efeito dado à bola por Osvaldo), sendo o golo do Belenenses através de Vicente Lucas. Na foto da pose: em cima e da esquerda para a direita - José Pedroto, Barbosa, Miguel Arcanjo, Ângelo Sarmento, Virgílio Mendes e Acúrcio; em baixo, pela mesma ordem - Carlos Duarte, Gastão, Jaburu, Osvaldo Silva e Hernâni. 

Com exemplos destes, assim, desde o nariz, passando pelo braço e indo até ao dedo do pé, é de corpo inteiro a mística portista.

Armando Pinto
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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Inícios e consolidação do Hóquei em Patins do FC Porto (resumo histórico)


"O Hóquei em Patins entrou no FC Porto na década de quarenta, tendo sido em 1944 que o clube «tomou parte em provas oficiais, inscrevendo-se em todos os torneios regionais…». Constituíam a “equipa da fundação” os hoquistas António Castro Lacerda, Álvaro Almeida, António Joaquim Costa, António Brandão, Gualdino Leite, José Arches Carvalho, Delmiro Silva e Alberto Lima Ruella».

Viria então, em 1944/45 a pioneira equipa portista a classificar-se em último lugar do Campeonato Regional, também disputado por poucas equipas, «o que “não foi de estranhar” dada a falta de recinto para treinar e de orientador capaz», como se pode ler na revista “Vida do Grande Clube Nortenho (2)”, segunda brochura da coleção Seleções Desportivas (editada em 1978).

Como testemunho dessa antiga realidade, juntamos um exemplo de notícia coeva, dada à estampa na revista Stadium em seu número de 29 de Maio de 1946, aludindo a anterior experiência, quanto à participação duma equipa do FC Porto na época anterior (1944/45).


Contudo, a sua existência sofreu, de permeio, uma interrupção nas atividades, após um curto período de competição entre 1944/45 até 1946. 

O hóquei estava a desenvolver-se com maior força no Sul do país, enquanto a Norte poucos eram os clubes que ainda se dedicavam a esta modalidade jogada sobre patins, sendo mais na área do Porto que se encontravam equipas de hóquei patinado, entre clubes que praticavam modalidades de rinque, normalmente ao ar livre. Então, o FC Porto aparecera com uma equipa sénior, mas por pouco tempo, à falta de recinto próprio, pois que mesmo as outras modalidades no clube, como o basquetebol, por exemplo, andavam por diversos rinques, enquanto o campo da Constituição era usado pelo futebol e andebol de onze.

Assim sendo, só mais tarde, e com a construção de um rinque de cimento na Constituição, o hóquei em patins reapareceu no FC Porto. Tendo a secção sido depois reativada já a meio da década de cinquenta, mais concretamente em 1955, por exigência dos sócios, «a pedido do público e até dos clubes adversários», devido ao fascínio que sua prática despertava no país a nível da seleção nacional e por reconhecimento de necessidade «da presença duma equipa portista nas competições, com vista a poder ser desenvolvida a modalidade…»

Após isso o reenício, ou mais propriamente o início definitivo,  depois de tempos de atempada preparação, foi já na primavera de 1956, aquando da disputa do Mundial de seleções no Porto, dando-se de seguida a entrada oficial do FC Porto em competição.



Então, só na década de cinquenta foram obtidos os primeiros títulos, tendo em 1955/56 sido conquistado o Metropolitano da 2ª Divisão, fase Norte, mais conhecido ao tempo por Campeonato Regional (mas que dava título de Campeão do Norte), ascendendo por isso o FC Porto à 1ª Divisão. Constituíam a equipa da época (do Campeonato da II Divisão), entre outros, Campos (que veio do Paço de Rei), Luís Sousa Mota (do Paredes), Acúrcio Carrelo, Ruben Lopez, Lito Gomes de Almeida e Abílio Moreira. Era chefe de secção o então dirigente Melo Cruz e treinador o Dr. Mário Aragão, no regresso do FC Porto à modalidade.

= Equipa do F C Porto aquando do 1º jogo e depois já com o clube campeão da 2 ª Divisão Regional do norte em 1955/1956. No retorno à competição (sendo este o primeiro ano de competição após curto período entre 1944/45 até 1946). 


A formação da equipa por esses tempos era acrescida da curiosidade de então estar incluído um hoquista-futebolista, Acúrcio Carrelo, o qual acumulava a prática hoquista com o futebol (sendo então Acúrcio guarda-redes de futebol da equipa principal do FC Porto), mais um aderente hoquista-basquetebolista, Ruben Lopez (este por sinal até jogador-treinador do basquetebol portista, nesse tempo).



Acúrcio Carrelo foi, ainda, o 1º internacional do clube nesta modalidade, tendo em 1957 feito parte da seleção portuguesa presente no Torneio de Montreux, marcando inclusive 6 golos; e depois no Europeu, nesse mesmo ano em Barcelona, onde fez 2 golos; sendo por fim selecionado para a Equipa da Europa que defrontou a Espanha, em cujo prélio contribuiu com 3 dos cinco golos dessa turma do chamado “Resto da Europa”.

= Seleção Portuguesa, em 1957, Taça das Nações de Montreux - com Acúrcio ao centro, em primeiro plano (na fila de baixo) =

A carreira desse avançado Carrelo do hóquei não foi mais além, porém, por entretanto ter acabado essa dupla função com a chegada do profissionalismo ao futebol, enveredando Acúrcio apenas pela sua prestação como guarda-redes do futebol portista, entre outras situações, como aconteceu à mesma com Morais, que também jogava hóquei (e ainda Pinho, igualmente “nosso” guardião de futebol, que ao tempo também acumulara na defesa da baliza do Andebol azul e branco).


Evoluiu a modalidade no clube com reforço da equipa já nos inícios da década de sessenta, havendo em 1960 sido atingido ponto de realce na conquista do Campeonato Regional da 1ª Divisão, de permeio com o ingresso de Joaquim Leite, oriundo do hóquei em campo do clube e durante algum tempo também atleta que acumulou as duas modalidades, mais Alexandre Magalhães, histórico "capitão" da equipa durante anos, e outros.

= Equipa do F C Porto, Campeão do Norte de Portugal em 1960


O rinque da Constituição enchia-se então já de entusiastas adeptos do hóquei, como mais uma modalidade engrandecedora do ecletismo do FC Porto.

Começara por esse tempo a haver resultados da formação de jovens que se tornaram revelações…
  

Até que a meio da mesma década de sessenta apareceram jovens valores como Hernâni e Cristiano, e vieram Ricardo e Castro, mais João Brito (que fizera parte da equipa da transição dos anos cinquenta até ao título de 1960 e, depois de alguns anos fora do clube, regressava entretanto). Começando a afirmar-se o hóquei portista no panorama nacional, sobremaneira ao atingir alto patamar com a conquista do “Metropolitano” da 1ª Divisão em 1969, sendo diretor da secção Jorge Nuno Pinto da Costa e treinador Laurentino Soares.

= Campeões Metropolitanos - 1969 =

Eram então tempos em que a categoria de Cristiano dava expressão ao conjunto de valores que se foi juntando no grupo azul e branco. Havendo de permeio o hóquei do FC Porto sido honrado em 1968 com a escolha de dois jovens hoquistas para a seleção portuguesa de juniores, Cristiano e Castro, tornados então os primeiros internacionais desse escalão da modalidade do clube. Glória acrescida de em 1969 os mesmos, junto com os colegas de equipa António Júlio e Fernando Barbot, se terem sagrado campeões europeus de juniores com a seleção portuguesa, em Vigo (e, volvido um ano, Cristiano de novo repetiu a proeza, juntando em 1970 a função de capitão da equipa que levantou o trofeu europeu).


É dessa fornada a formação perpetuada na imagem que se junta, de 1970, quando pela segunda vez consecutiva a equipa do FC Porto alcançava o lugar de vice-campeão nacional (em cujo verso da mesma foto ficaram impressos os respetivos autógrafos). Equipa que posou à posteridade aquando da disputa do Metropolitano, vendo-se no 1º plano, a contar da esquerda: J. Leite, João de Brito, Cristiano, Castro e Ricardo. Em pé, a partir da esquerda: Hernâni, Zé Fernandes e António Júlio.


Entretanto, em 1969/70, mas já com a primavera de 1970 a florir, o FC Porto entrou nas competições europeias de hóquei, em estreia internacional, como representante oficial português na então Taça dos Campeões Europeus. Havendo iniciado a participação eliminando o campeão alemão (de cujo encontro se anexa foto de conjunto das duas equipas) e por fim discutiu as meias-finais taco a taco com os espanhois do Reus.


Na continuidade da prática hoquística no FC Porto, Cristiano foi chamado à seleção nacional de seniores, acrescendo em 1971 ter feito parte da seleção vencedora do Europeu, para cujo alcance contribuiu com golos decisivos, para gaudio de seus admiradores e enriquecimento dos pergaminhos da secção de hóquei em patins do FC Porto.


E daí em diante Cristiano Pereira passou a ser presença assídua nas seleções representativas de Portugal, sendo durante muitos anos o único do FC Porto a ser escolhido para essas equipas de seniores, com exceção de um ano em que Brito foi também incluído na seleção para os jogos mundiais e noutro Castro foi ao Europeu, conquistando o título correspondente com a camisola das quinas

= Cristiano recebendo uma prenda do clube, das mãos do Presidente Afonso Pinto de Magalhães, pela sua participação na seleção portuguesa que venceu o Europeu de 1971 =

 A partir daí o hóquei foi crescendo dentro do clube, sempre na disputa dos primeiros lugares. Tempos em que as camadas jovens alcançaram primeiros títulos nacionais, com a obtenção do título nacional de juvenis em 1971 e o de Juniores em 1973/74. Contando no plano diretivo também com grandes dedicações, como aconteceu com Fernando Barbot (pai de tres hoquistas que fizeram história no clube), Sampaio Mota, César e Dinis Brites, etc. Enquanto como treinadores tiveram trabalho de marca Alexandre Magalhães, António Henriques, João Brito e outros. Ficando na memória diversas lavas de hoquistas, desde uns Joel, Prezas, Nora, Beleza, Campos, Augusto, Orêncio, Jorge Câmara, Luís Caetano, Soares Pereira, irmãos Reis, Chalupa, Fanan, Vale, etc, etc. Sem esquecer o carisma da arte e engenho do "mecânico" sr. Óscar Amaral.


Até que também nos seniores, depois de sucessivos anos em que o título nacional fugira por “uma unha negra”, em 1981/82, adveio primeiro a conquista da europeia Taça dos Vencedores das Taças, entre diversas provas, em vários níveis.


E finalmente em 1982/83 foi obtido o 1º lugar no Campeonato Nacional, acrescentando nesse ano mais outra Taça das Taças da Europa, estava Vladimiro Brandão no comando da equipa, bem como Ilídio Pinto e João Baldaia na gerência. Com a nova vaga de hoquistas que foram engrossando a galeria de Internacionais, passando depois a serem selecionados já vários hoquistas do FC Porto, sucessivamente. Apareceu aí a geração de Vitor Bruno e depois Vitor Hugo, um novo expoente da modalidade em seu tempo, mais os Alves, Domingos, Realista, Franklim, Tó Neves, Filipe Santos, Allende, Reinaldo Ventura, Edo Bosch, etc, etc, etc. 


Desde então o clube habituou-se a ser Campeão Nacional, com forte hegemonia durante largos anos e entretanto mantendo-se normalmente entre a dianteira das classificações (quantos os demais títulos nacionais). Juntando mesmo títulos de Campeão Europeu (1985/86 e 89/90), Taça CERS (1993/94 e 95/96), Supertaça Europeia/Taça Continental (1985/86), mais Taças de Portugal, Supertaça Nacional, (em números sempre a crescer, ano a ano) etc. e tal…!. Com Cristiano, Zé Fernandes, António Vale, Vítor Hugo Silva e Franklim no comando das sucessivas equipas portistas.


Tudo isto e mais, em longo percurso que teve muitas e boas mãos a levarem a bola nos setiques, tendo passado pelas fileiras de Campeões grandes nomes da modalidade, atletas que de Dragão ao peito deram grandioso contributo para tal galeria de troféus. Até aos atuais Helder Nunes, Gonçalo Alves, Reinaldo Garcia, Vitor Hugo Pinto, Ton Baliu, Nélson Filipe, Carles Grau, Jorge Silva, Rafa, Telmo, mais o treinador Guillem, o dirigente Eurico Pinto e sua equipa de retaguarda, incluindo o "mecânico" Carlos, o roupeiro, o massagista, o médico, etc. etc. 
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Armando Pinto
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