Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Vitórias de Fernando Moreira e Artur Coelho do FC Porto na Clássica 9 de Julho – Volta a S. Paulo, no Brasil


A data de 9 de julho, por motivos da memória histórica brasileira, há muitíssimos anos que é assinalada com a realização da corrida de ciclismo que tem esse nome, a Clássica “9 de Julho”, como é conhecida a Volta a São Paulo. Circuito em torno da grande metrópole paulista, de grandes tradições internacionais no mundo do ciclismo. Prova que ao longo dos anos foi contendo inscrição na lista de honra de muitos e bons estrangeiros, além de brasileiros, tendo também alguns vencedores portugueses, entre os quais dois portistas. Como foi o caso primeiro do triunfo de Fernando Moreira e, alguns anos depois de Artur Coelho, em 1949 e 1957, respetivamente (sendo as restantes vitórias portuguesas através do sangalhense Alves Barbosa, por duas vezes, em 1952 e 1955, de permeio em espaço cronológico. Enquanto uma outra prova chamada Volta a S. Paulo, mas não incluída na clássica 9 de julho, teve alguns outros portugueses vencedores, mais tarde).

Fernando Moreira em seu tempo foi ídolo das multidões pelas estradas portuguesas e não só. Tendo vencido uma Volta a Portugal, uma clássica Porto-Lisboa e diversas provas enquanto esteve em Portugal, tendo depois andado mais pelo estrangeiro (até regressar a Portugal, por fim, já em fim de carreira).  Artur Coelho era conhecido por "papa etapas", por vencer muitas corridas e etapas de grandes provas, tendo a nível de clássicas a brasileira de São Paulo sido sua maior glória.

= Artur Coelho em troca de gentilezas com Alves Barbosa, recebendo um galhardete com o símbolo de Portugal e entregando um do FC Porto, conforme ficou registado em reportagem do jornal O Porto)

Ora, passa assim nesta data a efeméride desses trunfos de ciclistas do FC Porto na grande nação irmã. Tendo sido em 1949 a vitória de Fernando Jorge Moreira e em 1957 de Artur Guimarães Coelho – como consta do quadro de triunfadores da Volta ao Estado de São Paulo (Brasil).


Pois então, a ida de Fernando Moreira ao Brasil revestiu-se de inusitado interesse nacional, ao tempo, a pontos de ter merecido referência na revista Stadium a sua partida (vendo-se que essa revista sediada em Lisboa dava particular espaço a tudo o que fosse da área de Lisboa mais vale do Tejo e das restantes partes do país simples anotações de passagem). Como se pode constatar pela coluna inserta na Stadium de 6 de julho de 1949.


Já após a vitória de Fernando Moreira, mas porque à época havia grande distanciamento na chegada e consequente publicação de notícias de longe, a mesma revista anunciava o feito do ciclista nortenho com uma coluna pequena, sem grandes pormenores, na edição mais próxima, de 13 de julho.


Até que depois, no respetivo número de 20 de julho era dado conta da chegada do vitoriado ciclista a Portugal.


Volvidos anos, a vitória de Artur Coelho em 1957 foi noticiada no jornal O Porto e ainda pelo menos no Diário de Lisboa, cuja nota de reportagem foi transposta pelo autor destas linhas para o livro historiador dos ciclistas naturais de Felgueiras que andaram na alta roda do ciclismo.



Assim sendo, como no referido livro (publicado e apresentado já estre ano, em março, antes do confinamento social provocado pelo Covid-19), dispensa-se mais anotações agora, bastando vislumbre de algumas páginas do mesmo livro do autor, também. Onde consta a biografia e currículo de Artur Coelho (assim como também de Joaquim Costa e Albino Mendes que correram pelo Académico, tendo estes participado em duas Voltas a Portugal, igualados em número mais tarde por Miguel Magalhães ao serviço do Paredes, bem como ainda representou a equipa Zala).

Para o caso, então, conta o que sobre a vitória internacional de Artur Coelho está nessas páginas.


Na pertinência do tema, recorde-se ainda o que sobre Artur Coelho foi escrito também pelo autor destas linhas em artigo publicado em 2009 na revista Mundo Azul, do Conselho Cultural do FC Porto.


Armando Pinto
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terça-feira, 7 de julho de 2020

Meu dia de aniversário


Mais um belo dia de anos junto à minha conta, com o aniversário festejado agora, no dia de meu mês, em 2020. Assim passei feliz e contente mais um dia de festejo aniversariante, junto à minha família, com minha esposa, filhos, genro e netos, ao meu gosto.

Logo pela manhã recebi dois desenhos que me enterneceram, feitos pelos meus netos mais velhos, um que já anda na escola e outro que ainda vai entrar no ensino primário, mas com identificação simbólica de mais outro que ainda nem saiu de casa dos pais e avós. Havendo ainda lembrança de mais alguém que virá, na mesma linha hereditária. Guardando então nessa oferta enternecedora mais o que os desenhos refletem.


Entretanto fui tomando conhecimento das mensagens recebidas de amigos, conhecidos e seguidores, a quem agradeço sensibilizado tais comunicações de provas de apreço enviadas. Incluindo até pela tarde a visita de meu amigo sr. Gabriel Azevedo, antigo ciclista do FC Porto e um dos meus ídolos de juventude no acompanhamento ao mundo desportivo alvi-anil, em surpresa muito agradável.

Depois foi o culminar de mais um ano bem passado e a pedir meças ao futuro, com simbologia patente. De cujo festejo não junto imagens visuais, por motivos óbvios de privacidade e proteção de menores, mas apenas uma amostra simbolicamente pessoal. (Acrescendo que o par infantil da moldura familiar respeita aos filhos, hoje já pais de família também.)


Passou assim mais um dia de aniversário. Algo que sempre gostei de festejar, desde pequeno. Agora mais porque cada ano que passa é mais uma temporada vivida entre quem gosto e a par do que gosto, bem como por continuar a poder estar com os que me amam e em sintonia com quem gosta de mim, além de poder acompanhar ainda tudo o que me atrai. Coisa genérica que há muito aprecio, lembrando-me de festejos pelo menos desde meus seis anos, quando foram colocadas seis velas, que eu disse que queria azuis, sobre o bolo que minha mãe com grande enlevo mandou fazer… Até que agora esse número passou a 66…!

Agradecendo a toda a gente que me proporcionou um dia assim especial, agradeço sinceramente. E guardarei no meu álbum afetivo tudo o resto. A vida é mesmo assim, para ser vivida a nosso gosto e envolvida com o que nos liga à vida.

Armando Pinto

domingo, 5 de julho de 2020

Falecimento de Seninho (1949 - 2020)


Faleceu o SENINHO, inesquecível futebolista o FC Porto e que depois nos Estados Unidos da América chegou a ser colega de Pelé no Cosmos, onde foi um dos ídolos também.

Sucumbiu assim aos efeitos de doença, após internamento hospitalar, aos 71 anos, completados dias antes, o Seninho do Porto, Arsénio Rodrigues Jardim, mas mais conhecido por seu nome do mundo do futebol. Nascido a 01/07/1949 e falecido na madrugada de sábado 04/07/2020.


Como refere o meu amigo portista Paulo Jorge Oliveira, que foi seu vizinho e era, além de grande admirador, seu amigo também, ele «tinha sido diagnosticado há 5 anos com uma fibrose pulmonar e nestes últimos dias teve que ser internado. Não resistiu à doença. Perdeu-se um grande ser humano, pai, marido, amigo, vizinho etc. etc. Um grande valor histórico do FC Porto como jogador, brilhante que pelas suas arrancadas, pela sua velocidade, era chamado o “Expresso do Norte” e “Fórmula 1”).»



Ora, Seninho, avançado luso-angolano que veio para o FC Porto em 1969, conquistou em Portugal uma Taça de Portugal, na época de 1976/77 e um Campeonato Nacional, o célebre de 1977/78, pelo FC Porto, antes de ter sido transferido para representar o New York Cosmos, onde foi campeão 3 vezes em três épocas, assim como ainda uma outra vez pelo Chicago Sting, que representou na sua última época nos Estados Unidos.


Pois Seninho faz parte da História do F C Porto e tem lugar especial nas recordações Portistas. Tendo 
sido protagonista duma das mais mediáticas mudanças acontecidas, como foi a ida de Seninho para os Estados Unidos da América.


Seninho fora um dos célebres componentes da formação azul e branca que em 1977/78 conquistou finalmente o título nacional que há muito fugia ao F C Porto, depois de na época anterior também ter participado em vitoriosa campanha na Taça de Portugal.



Após ter festejado a grande alegria de ser Campeão Nacional, em 1978 rumou até terras americanas, para o Cosmos de Nova Iorque, por tentadora oferta que o levou a ganhar uma avultada remuneração, à época.


Dessa realidade, recordamos o que publicou a revista Selecções Desportivas em sua edição de Dezembro de 1978.


Como já aqui referi, lembro-me bem do tempo em que Séninho chegou ao FC Porto, vindo de Angola juntar-se com Chico Gordo, tal como antes, ainda está aqui bem na ideia, vimos pelo jornal O Porto que chegaram outros, tais os casos de Ricardo, Lemos, Ratinho e Ribeiro. 


Depois meteu-se o serviço militar obrigatório, do tempo, e Séninho foi para África novamente, mas no quadro ambiental da guerra do Ultramar. Aí teve oportunidade de continuar a jogar futebol, felizmente, e assim foi ídolo da massa adepta do FC Moxico, Filial do FC Porto. Onde ele, o Chico, e outros, foram campeões e deram grandes alegrias à comunidade continental, por assim dizer. Dando-se o caso até de, passados anos, após a independência angolana e retorno forçado de tantos portugueses desalojados, umas minhas primas, de quem gostava muito, terem ficado admiradas quando se aperceberam que eu apreciava muito o Séninho, que elas conheceram lá nos seus tempos do Moxico. Assim como mais tarde jogou em Felgueiras um dos colegas de Séninho do FC Moxico, o Valença, que era de Fafe mas pertenceu à equipa do FC Felgueiras que em 1982 subiu de divisão, e lembro-me de o ouvir contar peripécias desses tempos. Tudo coisas que fui armazenando na caixa da memória pessoal, como tudo o que guardo no coração portista.

(Foto que faz parte de diversos livros referentes a essa época de ouro de 1977/1978 e publicações de 1979/80. Tendo Séninho recebido sua faixa de campeão individualmente, numa das visitas ao Porto durante a estada já nos Estados Unidos da América, jogando no Cosmos de Nova York.)

Ora, Séninho é aquele nome que ainda nos ocorre no subconsciente do que ficou retido dos relatos do Amaro no Quadrante Norte, pelas transmissões do “Norte Reunidos”, dos golos marcados ao Manchester United e daquela sua entrada no último jogo do Campeonato de 1978 a servir de gazua furadora, quão foi chave mestra de abrir caminho aos golos que culminaram no título alcançado.


Como tal, quando foi dedicado ao Séninho um livro daqueles livrinhos de bolso da coleção Ídolos, depressa adquiri um que depois guardei, como quem abraça algo nosso, ficando esse documento a fazer parte da minha biblioteca de estimação, fruto da recolha possível de acervo documental portista.


Jogou 7 épocas no FC Porto, durante dez anos em que pertenceu aos quadros do grande clube azul e branco das Antas, de permeio com interrupção por ter sido chamado  para comissão militar na guerra do Ultramar no FC Porto. Sendo como foi espécie duma arma secreta na tática portista, entrando em jogo quando a equipa precisava de velocidade para dar volta a resultados, Seninho fez 150 jogos oficiais com a sagrada camisola alvi-anil identificativa das duas listas tradicionais do clube dragão.

Continuando assim Séninho como algo especial em nossas afeições, sentimos este desaparecimento, mas não como um adeus, pois permanecerá sempre na memória portista e será uma constante presença memorial.


Seninho fica sepultado no cemítério da Lapa, no Porto  no mesmo campo santo onde também se encontra Hernâni, o senhor General do futebol portista e português; e ainda jazem grandes personagens como o grande escritor Camilo Castelo Branco, o célebre musicólogo e mestre de música sacra Padre Luís Rodrigues, o mais admirado Reitor da Lapa, mais o escritor Ramalho Ortigão, o poeta Soares de Passos, o polítivo do Sinédrio Ferreira Borges, pintor Silva Porto, arquiteto Marques da Silva,  e tantos e tantos mais.

 Descanse em paz, Seninho.

Armando Pinto
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sexta-feira, 3 de julho de 2020

Recordando a antiga revista CHUTO


Por entre existências de outrora do mundo editorial desportivo, uma revista que deixou saudades foi a Chuto-Revista Desportiva, publicação de que era diretor Adelino Ferreira, com sede em Oliveira do Douro-Vila Nova de Gaia, e na qual havia dois bons elementos também do jornal O Porto, como chefe de redação Carvalho Brochado e um dos redatores Telmo Esteves. De cuja publicação foi aquela célebre capa de fundo azul celeste com o emblema do FC Porto e foto do plantel de futebol do FC Porto Campeão Nacional de 1977/78, que consta no museu do FC Porto, no painel de publicações com capas históricas, entre publicações marcantes.


Ora, entre os seus números publicados, também, faz parte das revistas mais apreciadas outra edição (essa de capa verde) que contém reportagem da vitória do FC Porto na Taça de Portugal de 1976 / 77.


Tendo sido uma publicação colecionada pelo autor destas linhas nesses idos de 1977 e 1978, pelo menos, e depois de por acidentes de percurso haver sido perdido o rasto de algumas revistas, tive agora a agradável sensação de reaver algo disso, através duma graciosa gentileza do amigo Telmo Esteves, antigo redator da revista Chuto e do jornal O Porto. Um Portista e “colega de vício”, como ele bem diz.




Pois, numa primeira vista, a matar saudades, por assim dizer, mostra-se aqui algumas páginas como amostra, de como era interessante o seu conteúdo e foi apreciada sua existência. Em captações fotográficas, agora.


Armando Pinto
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quinta-feira, 2 de julho de 2020

No Centenário de Amália Rodrigues


Amália Rodrigues, a mais famosa fadista de sempre, nasceu no mês de Julho de 1920, faz agora 100 anos em 2020. Nascida em dia dos princípios do mês juliano de verão, que por ela foi assumido ser no dia 1 de julho, como festejava seu aniversário, apesar de ter sido registada no dia 23 do mesmo mês, “como era antigamente”, e conforme se diz de muitos casos idênticos. Mas festejando então assim por saber que tinha sido antes, embora sem certeza do próprio dia. Coisas de antigamente, quando se pagava multa se o registo fosse feito passados dias do nascimento, e por isso quantas vezes era efetivado na data da ida à Conservatória do Registo Civil, para o efeito. Algo que depois foi mais notado por se tratar de Amália Rodrigues, mais tarde tornada conhecida como fadista de renome. Amália da Piedade Rebordão Rodrigues, de nome completo no registo e batismo. Amália Rodrigues ou Amália, só, tal como ficou celebrizada. Que se celebra sempre e cujo centenário se comemora este ano.

Na ocasião em que se assinala o seu centenário com diversas organizações públicas, vem a talhe evocá-la também como figura nacional, mas não só, relembrando sua ligação ao sentimento portista.

Assim sendo, presta-se pública memorização de sua figura através de como está descrita sua aura na coleção de Biografias de Grandes Figuras Portuguesas (edição Diário de Notícias, em 2001) e reposição de anterior artigo duma lembrança do autor deste blogue.



Como tal, em sua dimensão planetária no mundo das artes sonoras e imagem marcante na representatividade portuguesa a partir do século XX, tem maior ênfase quando se celebram 100 anos do nascimento. E continuará certamente pelos tempos adiante. Havendo particularidades especiais, como a que colhe as flores do ramo evocativo que aqui se lhe dedca.

Pode não ser muito badalado nem entoado de garganta ao alto, mas houve e há uma relação azul e branca na raridade da ligação de Amália Rodrigues ao F C Porto.


Jaz no espaço honorífico de repouso eterno de alguns personagens simbólicos nacionais também Amália Rodrigues, a fadista considerada voz de Portugal e primeira mulher a ser colocada no salão da igreja de Santa Engrácia, que serve de panteão nacional na capital política do país. E permanece no sentimento dos que a admiram e, mais, se honram em ela ter sido "uma doente pelo FC Porto".

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Desaparecida do número dos vivos, a 6 de outubro de 1999, permanece na memória comum portuguesa, a Amália Rodrigues que cantou a célebre Casa Portuguesa (“É uma casa portuguesa com certeza…”) e também "Povo que lavas no rio" (que Pedro Homem de Melo poetou e ela entoou)!
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Amália da Piedade Rebordão Rodrigues, «foi uma cantora, actriz e fadista, portuguesa, geralmente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX (como está nos compêndios). Jaz sepultada no Panteão Nacional, entre portugueses ilustres. Tornou-se conhecida mundialmente como a Rainha do Fado e, por consequência, devido ao simbolismo que este género musical tem na cultura portuguesa, foi considerada por muitos como uma das suas melhores embaixadoras no mundo. Aparecia em vários programas de televisão pelo mundo fora, onde não só cantava fados e outras músicas de tradição popular portuguesa, como ainda canções contemporâneas (iniciando o chamado fado-canção) e mesmo alguma música de origem estrangeira (francesa, americana, espanhola, italiana, mexicana e brasileira). Marcante contribuição sua para a história do Fado, foi a novidade que introduziu de cantar poemas de grandes autores portugueses consagrados, depois de musicados, de que é exemplo a lírica de Luís de Camões ou as cantigas e trovas de D. Dinis». Mais (é de dizer) os poemas de Pedro Homem de Melo, a que deu vida musical. Sendo ele até o poeta do "Aleluia" que define poeticamente a Alma do FC Porto.

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Vem então a talhe, assim, trazer a público esse relacionamento portista conhecido parcialmente, sobretudo a partir que, através de Amélia Canossa, a famosa Amália colaborou com o F C Porto, nos inícios da década dos anos cinquenta, aquando da campanha de angariação de receitas para a construção do estádio das Antas.


Conta Amélia Canossa na sua Fotobiografia:


Pois, já há muito que é conhecida a afetividade Portista de Amélia Canossa, a histórica Voz do Hino do F C Porto. Mas o caso de Amália Rodrigues não tem sido referido publicamente. Contudo na "Data Base" da revista Dragões, de Junho de 2014, veio a lembrança:


Desse acontecimento, em 1951, naturalmente houve antecipadamente uma devida divulgação, embora quase sem ser necessário, por assim dizer. Como se pode rever por uma nota das notícias ao tempo saídas na imprensa, no caso através do jornal O Porto:

= Caixa noticiosa sobre o Concerto de Amália Rodrigues no Coliseu do Porto no dia 21 de junho de 1951. O FC Porto agradeceu o concerto com a presença dos seus jogadores. =

Ora, a 21 de Junho de 1951, coincidindo com o dia da abertura do Hotel Infante de Sagres, na cidade do Porto, foi também dia especial para o FC Porto. Então no Coliseu do Porto, realizava-se um concerto a favor das obras de construção do Estádio das Antas, que seria inaugurado no ano seguinte. Amália Rodrigues, por muitos considerada a maior intérprete de Fado de todos os tempos, era a protagonista do espectáculo e, no final, descansou no Infante de Sagres. Foi a primeira hóspede especial do Hotel.

= Caricatura de Amália Rodrigues, da autoria de Mário Norton, aquando do concerto no Coliseu do Porto em Junho de 1951 =

Nesse dia, 21 de Junho de 1951, Amália Rodrigues cantou no Coliseu "graciosamente", num espetáculo de angariação de fundos para a construção do Estádio das Antas. Maria Amélia Canossa e a Orquestra de Vasco Resende Silva completavam um cartaz que esgotou a sala. A diva, rezam as crónicas, deu um espetáculo inesquecível.

Ora, como em contas à maneira do Porto, de honestidade e transparência, desse espetáculo de 21 de junho de 1951, em que participou a rainha do fado AMÁLIA RODRIGUES e outros artistas de variedades no Coliseu do Porto, houve depois comunicado público da soma conseguida: Ficando-se a saber que o total da receita foi de 40.737$50 escudos, num bom resultado atinente à campanha pró-Estádio das Antas, no caso através dessa realização concretizada pela Comissão Executiva Pró-Estádio. Conforme posteriormente veio publicado no jornal O Porto de 31 de agosto de 1951.


Mas não se ficou por aí essa interação, entre Amália e o FC Porto.

Como testemunho da colaboração de Amália Rodrigues com o FC Porto, tendo mais tarde participado na Festa do jornal O Porto, no Coliseu, atente-se no que foi publicado a propósito no próprio jornal O Porto em Janeiro de 1955 (ficando patente ser seguidora da vida do clube, inclusive interessando-se em saber quando um dos seus ídolos, Carlos Duarte, lesionado há algum tempo e a fazer falta à equipa, voltaria então a jogar...):



Dessa ocasião, foi uma foto deveras focada nalgumas publicações, esta:


Na foto - em instantâneo histórico de aplauso conjunto dos futebolistas da equipa principal do FC Porto, como agradecimento e homenagem em nome do clube: Amália rodeada por alguns dos craques portistas desse tempo, Virgílio, Barrigana, Carvalho, Albasini, Carlos Duarte, Pedroto, Osvaldo Cambalacho e Miguel Arcanjo.

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Sempre admiramos essa senhora expoente do fado nacional e sempre a tivemos como sincera. Daí estranhar-se, sabendo como a vida de Amália tem sido narrada e gravada, de diversos meios e suportes de órgãos nacionais: Porque não tem sido mencionado, a nível histórico-literário, esse facto curioso…? - Pois... ela era "doente pelo Futebol Clube do Porto"!

Armando Pinto
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