Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Antigo ciclista Amândio Cardoso: um senhor quase centenário!

Um destes dias, numa interessante peça jornalística assinada pelo jornalista Pedro Cadima, o jornal O Jogo deu à lembrança pública uma entrevista evocativa do antigo ciclista Amândio Cardoso, um campeão do ciclismo do FC Porto que em 1951 venceu o Porto-Lisboa e em 1952 foi Campeão Nacional de Ciclocross. Sendo que o mesmo histórico ciclista, em seu tempo exímio trepador e rolador em terrenos difíceis, corre depressa agora para dentro de poucos meses completar a bonita idade de 100 anos de vida, vem a propósito registar esse facto com uma memorização de sua carreira, através de partilha da mesma entrevista do jornal; para de seguida se relembrar uma memória de seu título nacional, conforme já foi há tempos publicado neste blogue; e por fim regista-se alguns de seus títulos conquistados.

Assim sendo, eis o trabalho jornalístico, desde o título até ao corpo do mesmo texto:

O relojoeiro que trepou pelo FC Porto e vai para o centenário

(O JOGO - Pedro Cadima - 25 março 2026)

- «Amândio Cardoso ainda abre o livro da vida com quase 100 anos. Não descola do lugar de trabalho e mantém bem vivas as recordações das suas conquistas nos anos 40 e 50.»

(imagem O Jogo - Amândio Cardoso Créditos:D.R.)

« Amândio Cardoso caminha para o centenário, maratonista da vida, trepador noutros tempos, inesgotável motor das bicicletas, sendo campeão nacional de Ciclocross em 1952, participando em quatro voltas a Portugal, de 1949 a 1952. Amândio vive a contar histórias, acertando ideias e horas, inseparável dos relógios, pontual na sua lei laboral, tendo assinatura de três ourivesarias no grande Porto. É um resistente, homem de aço, como era a correr nas estradas e nos terrenos mais agrestes, sendo um embaixador competitivo do FC Porto por anos de filiação aos dragões no ciclismo.

Em São Mamede de Infesta, contam-se os dias para 28 de junho, quando abraçar os 100 anos com um legado invejável, não deixando de ser visto pelos clientes do seu espaço, consertando algo, acenando ao longe, prestável para qualquer tipo de conversa. Aos oito, via o seu FC Porto ser campeão pela primeira vez, estávamos na época 1934/35. Hoje orgulha-se de ter sido testemunha viva de todo o percurso triunfante azul e branco, com um total de 30 títulos de campeão nacional no futebol e um herói que supera Pavão, Cubillas, Madjer e Futre. O primeiro encanto prevalece. "Sempre fui portista de ver jogos a partir dos meus oito anos, depois fico portista mais a sério aos 19, quando passo a ser atleta de ciclismo do clube. O Pinga é o herói desse tempo, um jogador impressionante que também morava no Carvalhido. Era um espetáculo, muito forte, nem que lhe batessem, ele passava por todos", atira em conversa com O JOGO, aceitando mergulhar às profundezas da história, de um craque que já habita em poucas memórias.

O atleta também se forjava, duro no pelotão. "Andava de bicicleta, mas também fazia corridas a pé. Depois fiz provas como principiante e fui ganhando, inclusive uma na Avenida dos Combatentes. O FC Porto interessou-se por mim, já tinha o Moreira de Sá. Tentaram também levar-me para o Boavista, mas quis o FC Porto", lembra, dignificando a partir daí esse manto especial pelas estradas do país, sem nada temer, trepando desejos. "Corri vários anos e só defendi o FC Porto. Ganhei prémios de montanha, subia bem e ganhei uma etapa de Bragança à Covilhã, dentro da Serra da Estrela. Treinei muito para uma chegada numa viela a pique. Ganhei a uma série de espanhóis", conta Amândio Cardoso, não deixando fugir um título nacional de Ciclocross. "Participava em algumas provas aqui no Porto, em tudo o que eram terrenos duros. Andava com a bicicleta às costas", rebobina, não largando essa cassete de feitos inestimáveis. Um prazeroso baú construído com muita resiliência e ferocidade e um desafio constante aos limites. "Trabalhava e os outros não. Os meus colegas e adversários apenas corriam, eu sustentava a casa, ao mínimo contratempo, não treinava. Eles treinavam sempre que queriam, eu tratava dos relógios", observa.

Viu a glória em Gelsenkirchen e Sevilha

Amândio Cardoso abre o livro na mesa, de pé sem ajuda, inquieto na falta de mais uma fotografia, impondo destreza nos cantos da loja e oficina de trabalho. Cartões acumulam-se com significado apropriado, dentro de uma melodia de afetos por uma camisola que lhe fez a vida. "Vi os maiores de sempre como Cubillas, Pavão, Madjer e Futre, mas continuo a ficar com Pinga. Não esqueço Viena, o que vivi ali, a festa que foi. Não esqueço os meus encontros com o Zé do Boné [Pedroto] e o amigo Pinto da Costa. Mais do que meu presidente, foi sempre um amigo, aparecia muito no ciclismo. O FC Porto ganhava muito e ele era presente", sublinha o afamado relojoeiro, ciente dos belos brindes da fama para a prosperidade alcançada.

"Como atletas do FC Porto, éramos reconhecidos e eu, por vezes, queria passar despercebido. Como corria e trabalhava, essa situação fez muito bem ao negócio, ganhei clientes", relata Amândio, munido de outras efemérides preciosas. "Carreguei a maior das bandeiras na inauguração das Antas em 1952 e estive em 1948 no Campo do Lima, na vitória de 3-2 sobre o Arsenal, que rendeu a grande Taça em prata, que está no nosso museu. Também vi a equipa argentina do San Lorenzo na sua digressão espetacular. Ganhou aqui por muitos [4-9]. Eram formidáveis, faziam tudo bem e ainda ganharam por maior margem a Portugal", conta o antigo ciclista, que ostentava créditos de campeão nacional quando o recinto das Antas se engrandeceu na Invicta.

Não sobram dúvidas de uma vida cheia. "Também pude estar nas finais europeias do FC Porto, de Viena, Gelsenkirchen e Sevilha. Só não fui à última de André Villas-Boas", junta Amândio Cardoso, sócio 129, seguindo como indefetível portista às portas do centenário: "Sempre fui doido pelo clube. Mas hoje preservo-me e não vejo tanto os jogos. Acredito muito que vai voltar a ser campeão". »

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Entretanto, relembra-se a evocativa narração do título de Campeão de Ciclocross, aqui neste blogue “Memória Portista”, em “Efeméride: Vitória de Amândio Cardoso no Campeonato de Ciclocross em 1952” - artigo publicado a 13 de janeiro de 2020:


A 13 de janeiro de 1952 disputou-se o “Campeonato de Ciclismo-Pedestre” da Associação de Ciclismo do Norte de Portugal. Tratando-se da prova nortenha das corridas de ciclismo de inverno, o chamado Ciclocross. Variante velocipédica do desporto das bicicletas de corrida que durante muito tempo, ao longo de muitas épocas de antanho, teve primazia no início de cada época, disputado ao jeito de preparação enquanto não entravam no calendário as corridas de estrada.

Ora, segundo o blogue “Asociación Ibérica de Historiadores y Escritores de Ciclismo”, através da página de facebook “Memorabilia do Ciclismo Português”, é recordado nesta data ter havido em 1952 tal prova disputada no Norte de Portugal. Sendo depois disputada uma faze final com os ciclistas do sul.

Então em Independentes (ao fim de circuito de 5 voltas) venceu Amândio Cardoso, do F. C. Porto, que concluiu esse trajeto de obstáculos, tipo todo o terreno, em 29 minutos e 50 segundos.

Em Amadores Seniores (4 voltas) triunfou José Couto, também do F. C. Porto, em 24 m 10 s.

Essa variante do ciclismo de competição não era, porém, do agrado de muitos ciclistas e mesmo de dirigentes, tendo ainda perdurado no Porto até aos anos setentas, pelo menos, nas categorias de Profissionais e Amadores, até que passou a ser mais concorrida de camadas jovens e ciclistas em princípios de carreira adulta. 

= Foto de 1952, alinhando à partida duma prova, os portistas da classe de Independentes (da esquerda para a direita) Onofre Tavares, Alberto Moreira e Amândio Cardoso.

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E, por fim, numa listagem de vitórias, a sua 
Folha curricular:

Amândio Cardoso, entre diversos títulos nas classificações coletivas (“por equipas”), foi Campeão no Campeonato Nacional de Contra-relógio por equipas em Independentes, no ano de 1950 (FC Porto Campeão com Aniceto Bruno, Amândio Cardoso e Joaquim Costa); e fez parte em 1950 e 1951 da equipa do FC Porto que triunfou coletivamente nos 1.º e 2.º Circuito de Felgueiras, bem como nas vitórias por equipas na Volta a Portugal de 1949, 1950 e 1952. Ao passo que individualmente foi o vencedor do Porto-Lisboa em 1951, entrando assim na lista dos grandes vencedores dessa clássica.

Armando Pinto

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quarta-feira, 25 de março de 2026

Assinalando a comemoração dos 100 anos da AFP - em 2013…

 

Em 2013, no dia 25 de MARÇO, a Associação de Futebol do Porto celebrou 100 anos de existência oficial com uma gala que teve o FC Porto em destaque. Além do Clube, várias personalidades do universo azul e branco foram homenageadas, a propósito, na ocasião.

Essa comemoração foi depois registada honrosamente em livro alusivo e comemorativo, que consta honrosamente na biblioteca pessoal aqui do autor deste blogue.

Sobre essa comemoração festiva, já foi anteriormente assinalada a respetiva efeméride, como se pode rever (clicando) em

Efeméride: A Gala do Centenário da AFP – em 2013!

Armando Pinto

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segunda-feira, 23 de março de 2026

Mais uma vitória em Braga, das que têm sido talismãs das "arrancadas" para o título Nacional para o FC Porto...!

 

O F C Porto arrancou em Braga uma vitória importantíssima, no atual momento que se revela de grande forma da equipa azul e branca, na caminhada que pode levar à conquista do Título Nacional de futebol. Quando o sistema SB do futebol português tudo tem feito para prejudicar o FC Porto e beneficiar os seus Sporting e Benfica, sem olhar a meios para atingir fins. 

Além da importância de que se reveste este triunfo, contra uma escandalosa roubalheira da arbitragem e acólitos do VAR, acresce o facto marcante de se manter a distância e pressão sobre os adversários mais diretos!

Pese tudo isso e o mais subjacente, este triunfo em Braga faz avivar também quão marcantes têm sido muitos momentos vitoriosos diante do Braga, ao longo dos tempos. Normalmente revelados como talismãs em arrancadas decisivas e inesquecíveis gloriosas jornadas, quer através de triunfos em finais de taças nacionais e internacionais, quer, sobremaneira, em ocasiões de arrancadas decisivas rumo a outras vitórias inesquecíveis.  Como – facto que recordamos desta feita – uma célebre vitória que teve papel decisivo na conquista do célebre campeonato de fim de jejum, em 1977/78.


É desse jogo, com pose da equipa que alinhou de início, a foto cimeira, acompanhada dum épico verso alusivo ao momento grandioso que essa formação nos fez viver. Encerrando-se a peça, mais abaixo, com a ficha do jogo: um encontro que parecia ser mais um a correr mal, então (pois o Braga, marcara contra a corrente do jogo…) mas num ápice teve outro desfecho, primeiro saído dos pés de Oliveira o golo do empate, e, depois, a consumar a reviravolta, apareceu um golo à Gomes…  um golo decisivo de Fernando Gomes – que não jogara de início porque estava em período de afastamento regular dos trabalhos da equipa, cumprindo serviço militar, mas sempre que necessário entrava para responder à chamada…


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Tal qual em 1978, em que houve a reviravolta relembrada, agora em 2026 também foi assim, com os golos de William e Fofana a darem a volta ao resultado e fazerem justiça, contra a roubalheira que estava a acontecer.  Tendo então o "Líder" FC Porto virado o resultado e vencido em casa do Braga por 2-1, neste domingo 22 de março, depois de ter estado a perder, na 27.ª jornada. Enquanto deste  modo se mantém o FC Porto com os pontos que tinha de vantagem sobre Sporting e Benfica, na liderança da I Liga.

Para a história: o FC Porto alinhou com Diogo Costa, Martim Fernandes, Kiwior, Bednarek, Zaidu, Gabri Veiga, Varela, Froholdt, Pepê, Oscar Pietuszewski, Denis Gül; mais os reforços, entrados no decorrer do jogo, Fofana, Rosario, Borja Sainz, William e Moffi.

Neste jogo enervante mas ganho com a força da mística à Porto, uma grande penalidade inventada pelo árbitro e pelos do VAR (comparativamente com o penalti que não foi marcado contra o Benfica, sobre o Gül) colocou a equipa da casa em vantagem, mas os Dragões viraram o resultado com golos de William Gomes e Fofana, aos 69 e 80 minutos, respetivamente. Tendo sido considerado oficialmente, mais uma vez, como homem do jogo Victor Froholdt, autor da assistência para o golo decisivo no triunfo. E o FC Porto ganhou à Campeão!

Então cá estamos, com fé na atual arrancada, embora na dúvida e esperança que os clubes do regime SB deixem de ser tão protegidos e a justiça ainda venha acima como o azeite, da verdade!

Armando Pinto

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domingo, 22 de março de 2026

Efeméride de uma das goleadas históricas do futebol português: FC Porto, 10- Sporting, 1 - a 22 de março - em 1936.

Em 1936, a 22 de MARÇO, a 2ª edição do Campeonato da 1ª Liga ficou assinalada por uma das maiores goleadas em jogos clássicos de clubes grandes e rivais, no caso entre o FC Porto e o Sporting. Quando, nesse dia 22 de Março de 1936, o FC Porto recebeu a equipa do Sporting no campo do Ameal, na cidade Invicta, em jogo a contar para a 1.ª jornada da 2.ª volta daquela competição, da qual os portistas eram campeões em título (por ter sido o FC Porto o primeiro vencedor da então chamada 1ª Liga, em 1934/1935, tal como havia sido do Campeonato de Portugal em 1921/1922). Tendo então, nesse início da Primavera, em 1936, o FC Porto infligido uma pesada derrota à equipa do Sporting.

Com efeito, o FC Porto já ganhou ao Sporting por... 10-1. Sendo esse o resultado mais desnivelado nos jogos do clássico FC Porto-Sporting, quão aconteceu a meio da época 1935/36. Cuja vitória dos dragões na Liga, por 10-1, teve como marcadores com mais golos o avançado Carlos Nunes, autor de um “póquer” (quatro golos), e Artur Pinga, com um “hat-trick” (três golos). Enquanto, além desses grandes protagonistas da goleada, também contribuíram para o engrossar do resultado Carlos Pereira, Valdemar Mota e António Santos, com um golo cada. Pelos leões marcou o romeno Possak.

Naturalmente houve outras goleadas ao longo da história dos jogos de equipas principais de futebol Porto-Sporting, de um lado e do outro, mas esta foi a maior de todas entre os dois contendores. Havendo esta de 1936 superado tudo, porque os dragões golearam os leões por 10-1, resultando que não mais se repetiu em futebol entre os dois emblemas.

Desse jogo ilustra-se a contenda futebolística com a capa da revista Stadium, publicação de Lisboa que colocou como gravura de destaque uma jogada do setor atacante do Sporting… mesmo referindo “embora batido por uma contagem avultada, o Sporting nunca deixou de atacar…!

Armando Pinto

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Histórias de ciclismo sobre os irmãos Moreira de Sá: contadas pelo Dr. Silva Peneda (antigo Ministro do Governo Português) com muita honra partilhadas neste espaço de Memória Portista!

Na sequência do artigo sobre o antigo ciclista Luciano Moreira de Sá, na celebração de seus 96 anos de vida, vem a calhar bem partilhar um feixe de memórias conhecidas por um senhor ilustre como é o Dr. Silva Peneda, que foi Ministro Português. Alguém que desportiva e familiarmente é conhecedor do fenómeno do ciclismo, como genro do grande ciclista Fernando Moreira de Sá, vencedor da Volta a Portugal de 1952 e Campeão Nacional, assim como sobrinho por sua mulher do outro grande ciclista da família, que foi Luciano Moreira de Sá, bi-campeão da clássica Porto-Lisboa e também Campeão Nacional. Em ambos os casos ciclistas do Futebol Clube do Porto, nos tempos áureos do ciclismo. Histórias essas muito interessantes, que merecem ser conhecidas e por isso mesmo aqui contadas, com muita honra. Sentindo-se o autor deste blogue muito honrado por as poder partilhar neste espaço de Memória Portista, com a devida aprovação de quem de direito. Sendo assim um grande gosto pessoal, como apreciador da história portista e das memórias do ciclismo azul e branco, além de grande admirador dos dois irmãos Moreiras de Sá. E extensivamente à família do vencedor da Volta de 1952 Fernando Moreira de Sá, da filha D. Fernanda Moreira de Sá Peneda, e seu marido Dr. José Silva Peneda, mais a filha destes e neta do ciclista campeão, Dr.ª Marta Moreira de Sá Peneda.

Eis então esse belo naco de prosa memoranda, como pedaço grande apresentado em boas fatias de memórias dignas de ficarem guardadas pelo seu valor histórico e sentimental.

«HISTÓRIAS DE FERNANDO E LUCIANO MOREIRA DE SÁ

O meu nome é José Silva Peneda, casado com uma das filhas de Fernando Moreira de Sá, de nome Maria Fernanda e sobrinha do Luciano Moreira de Sá.

Ouvi muitas histórias de ciclismo dos tempos deles e convivi com algumas glórias da época, tais como Onofre Tavares, Alves Barbosa, Sousa Santos, Sousa Cardoso, Carlos Carvalho, Joaquim Sá, Emídio Pinto, Amândio Cardoso e Alberto Cerqueda, entre outros, e ouvi cenas relatadas por eles e com muita piada. 

Vou contar algumas:

O Luciano venceu dois Porto-Lisboa e, numa das vitórias, o pelotão circulava compacto até à chegada da temível Calçada da Carriche que antecedia a chegada ao Estádio José Alvalade. Foi então que Luciano pegou no bidão da água, molhou o cabelo, e começou a pentear-se, dizendo bem alto, para todos ouvirem: “É para a fotografia na meta". E não é que venceu a prova! O Luciano para além de ser um grande atleta sempre teve, e ainda tem, um sentido de humor muito apurado.

= Luciano Moreira de Sá

Outra história envolve um ciclista do Benfica que andava de relações cortadas com Fernando Moreira de Sá. Foi no ano em que ele ganhou a Volta. Numa das etapas teve um furo, o carro de apoio vinha longe e o benfiquista tirou a roda da sua bicicleta e deu-a a Moreia de Sá. Na altura, esta atitude era penalizada e foi, embora o F.C. do Porto tivesse assumido tal encargo. Mas como o benfiquista não era parvo e como a notícia correu, numa chegada ao Estádio do Lima ele, de propósito, atrasou-se em relação ao pelotão e acabou por ter, segundo disse, a maior ovação da sua carreira. Chamava-se Império dos Santos, pai do treinador do Boavista José Santos. Nós, portistas, sabemos ser gratos.

A terceira história passou-se em pleno Alentejo, na etapa Setúbal-Loulé em estradas de macadame e com temperaturas a rondar os 40º. Em qualquer equipa havia os chamados aguadeiros, que enchiam os bidões nas fontes na berma das estradas para distribuir pelos colegas de equipa. Na equipa do Porto um deles era um jovem, também maiato, de nome Joaquim Cerqueda, que só teve coragem de contar esta cena dezenas de anos depois, o que revela de respeito pelo então chefe de equipa, Fernando Moreira de Sá. A fonte em causa só vertia umas pinguinhas e o nosso aguadeiro pensou que nunca mais encheria os bidões e provavelmente não chegaria ao pelotão. Estavam umas cabeças de gado a beber do tanque para onde a fonte brotava escassas gotas de água. Então, o nosso aguadeiro resolveu o problema: deu um berro ao gado, que se afastou. Mergulhou os bidões na água e, num ápice, estava de regresso ao pelotão. Fernando Moreira de Sá, muito sabido, achou estranha tanta rapidez e perguntou-lhe: “Já estás aqui? Encheste tudo”? Ao que o Alberto respondeu: "estou a andar muito bem".

A quarta história passa-se na serra da Arrábida, numa etapa que ligava Setúbal a Lisboa incluída na Volta a Portugal, que Fernando Moreira venceu, em 1952. Os restaurantes de Setúbal para homenagear Fernando Moreira de Sá confecionaram bacalhau, não à Gomes de Sá, mas sim à Moreira de Sá. Na subida para o alto da Arrábida o nosso Fernando começou a sentir- se mal, a vomitar e chegou a pôr a hipótese de desistir. A acompanhá-lo ficou o Amândio Cardoso que, qual psicólogo procurava estimular por todas as formas o doente, dizendo para respirar fundo, não forçar a pedalada, andamentos lentos na subida e teve a frase certa para dizer a um campeão. E atirou-lhe: “Fernando, se chegares lá acima na Serra tens todas as qualidades para apanhar o pelotão, antes da chegada à meta, em Lisboa”. E assim foi. Fernando Moreira de Sá descia muito bem e o contrarrelógio era uma das suas especialidades, a ponto de vários jornalistas espanhóis e portugueses o considerarem o maior contrarrelogista da Península Ibérica.

= Fernando Moreira de Sá

A quinta história foi-me contada por Onofre Tavares, um dos maiores sprinters de todos os tempos. Numa etapa da Volta a Portugal, Onofre sentiu-se mal e foi ter com Fernando Moreira de Sá dizendo que ia abandonar. Fernando, com ar sério, lembrou-lhe que, nesse dia, era o primeiro aniversário do falecimento do pai do Onofre que era um grande adepto do filho. E disse-lhe: “Lembra-te que o teu pai está na meta à espera que ganhes a etapa”. O Onofre contou-me que sentiu os cabelos dos braços a eriçarem-se, foi para a frente do pelotão, partiu tudo e ganhou a etapa. A lição aqui fica. A palavra dita no momento certo remove montanhas. 

A sexta história envolve o Presidente Pinto da Costa. Quando Moreira de Sá faleceu a nossa família não esquece a permanência contínua no velório do nosso Presidente, na Igreja da Maia. A certa altura, abeira-se de mim dizendo que gostava de ter no Museu do Futebol Clube do Porto qualquer coisa que perpetuasse a memória de Fernando Moreira de Sá. Lembrei-me logo da bicicleta com que ele tinha ganho a Volta de 1952, que me ofereceu para dar umas pedaladas na sua companhia e que tinha gravado no quadro o seu nome. Consultei a minha mulher que de pronto anuiu à ideia. Pedi ao Joaquim Leite, também antigo ciclista do F.C. do Porto, que reparasse a bicicleta para ficar exatamente como era em 1952. Com alguma dificuldade ele fez um trabalho excelente e a bicicleta lá está num local de destaque do nosso Museu. Depois, Pinto da Costa disse-me que quando o F.C do Porto tinha equipa de ciclismo ela fazia questão de ir ao local onde estava a dita bicicleta e fazia uma preleção recordando Moreira de Sá que nunca envergou outra camisola que não fosse a do F. C. do Porto.

A sétima e última história passou-se no final de uma prova que ligava Madrid ao Porto, em que participavam os melhores dez ciclistas de Portugal e de Espanha. Na última etapa, com chegada ao Porto, Moreira de Sá estava, na classificação geral, em segundo lugar, a escassos segundos do primeiro. Alguns adeptos do Porto tiveram a ideia de, na subida da Rua João IV, derrubarem o espanhol. Isso chegou aos ouvidos de Moreira de Sá e, de imediato, fez saber que se isso acontecesse ele ficaria apeado ao lado do ciclista espanhol. Chama-se a isto grandeza de carácter.

 Março 2026»

Histórias interessantes que merecem mesmo ser conhecidas e como tal com muito gosto aqui ficam partilhadas.

Armando Pinto


quinta-feira, 19 de março de 2026

No tradicional, histórico e terno Dia do Pai - uma passagem da figura paternal no sentimento portista... a lembrar também o pai do Presidente do FC Porto!

Dia 19 de MARÇO é o Dia do Pai, numa data comemorativa que homenageia anualmente os pais. Cuja tradição está enraizada e tem contornos deveras afetivos nos laços familiares. Ocasião em que a descendência mostra ao progenitor sua afeição, de variados modos naturalmente, enquanto um pai sente que vive plenamente a paternidade, na história sentimental da família. Ora, transpondo ao caso do Futebol Clube do Porto, no sentimento de ligação ao grande clube desportivo que faz parte de nossa vida e da vida de muita gente, há certas afinidades relacionadas com a história portista, desde o fundador e o refundador. Sendo naturalmente a figura paternal associada ao fundador, António Nicolau de Almeida, o criador da existência portista...

... e também ao refundador, José Monteiro da Costa, como o segundo pai na mesma existência, pela ação que possibilitou continuidade. 

Mas também mais, dentro do prisma da figura paternal, como são vistos os pais dos atletas, jogadores e jogadoras (neste momento especial em que o futebol feminino, no seu segundo ano, se apura para a final da Taça de Portugal!), mais grandes homens que  foram gerindo o FC Porto ao longo dos tempos. E como tal, na atualidade, neste dia o portismo que anda no sangue azul portista lembra o pai do Presidente André Villas-Boas, na ocasião do Dia do Pai.  

É assim aqui o tema deste dia, nesta ocasião. Tal como pessoalmente, na vida particular, tenho o meu pai como meu herói, desde que me lembro e continuarei a lembrar pelos tempos fora. Tanto que desde pequeno me recordo de ficar orgulhoso quando ouvia dizer que ele criara uma sirene melhor e muito diferente de quaisquer outras, para a empresa em que trabalhava, quão (a sirene da Metalúrgica da Longra, em Felgueiras) era uma referência para toda a vasta região onde chegava a longa distância, a pontos que servia inclusive como sinal de previsão meteorológica, conforme fosse ouvida. E extensivamente ainda me orgulho dele ter sido distinguido com o Prémio da Associação Industrial Portuense, galardão com que foi o único felgueirense assim reconhecido. Tal como sou pai e sei como é ser visto pelos meus filhos. Num sentimento que transportando para aqui, como espaço de memorização portista, tem outro sentido, na amplitude do significado ser Porto, de ser pelo FC Porto. Vindo a talhe, com justiça, na visão pessoal, uma homenagem ao pai do Presidente do FC Porto.

Para o caso, não é necessário muito mais palavreado escrito, pois desde que vi o pai de André Villas-Boas na apresentação da sua candidatura para as eleições do FC Porto, como entretanto numa das conversas em que estive presente na sede da mesma candidatura, e depois na tomada de posse de Villas-Boas como 32.º Presidente do FC Porto, senti simpatia por esse senhor, humilde na sua grandiosidade de pessoa culta e bem formada, mas simples a ponto de quase passar despercebido, em modo de ser discreto. Mas sendo dele que descende o grande timoneiro do FC Porto, o Presidente que tem conseguido levar o FC Porto para o bom caminho.

Ora o pai de André Villas-Boas é um senhor de boas famílias, como se diz popularmente. Descendente dos Viscondes de Guilhomil. De cuja linhagem vem obviamente a família Villas-Boas do Porto. Engenheiro licenciado que até já foi Professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, além de ter tido sociedades em diversas firmas industriais, é assim a figura pública que merece homenagem portista, neste caso, pelo menos de um Portista que escreve esta transmissão de sentimento portista. E no orgulho de pai e filho, aqui se regista o pai, no dia do pai, dirigindo as atenções da Memória Portista para o senhor Engenheiro Luís Filipe do Vale Peixoto de Sousa e Villas-Boas. Cidadão nascido a 29 de fevereiro de 1952 (pouco mais velho que eu, que sou do ano em que o FC Porto foi vencer a Lisboa na inauguração do anterior estádio da Luz…). Natural da freguesia de Ramalde, da cidade do Porto. Portuense ilustre, com a honra maior de ser dele que veio ao mundo André Villas-Boas, o atual Presidente do Futebol Clube do Porto. Lembrança que vem a propósito no dia do Pai. E, eu que sempre pensei que não há pai como o meu pai, no dizer popular de que "não há pai pró meu pai", também dou apreço aos pais de quem admiro e fazem parte de sentimentos mútuos e comuns. Como com cada coisa em seu lugar, aqui é sítio do sentimento Portista.

Armando Pinto 

quarta-feira, 18 de março de 2026

LUCIANO MOREIRA DE SÁ - Ciclista bicampeão da histórica clássica Porto-Lisboa!

 

Nascido a 18 de março de 1930, na Maia, em Friães-Silva Escura, Luciano Moreira de Sá, antigo ciclista do F C Porto, perfaz agora 96 anos de vida!

Luciano Moreira de Sá formou com o irmão, Fernando Moreira de Sá, uma dupla destacável no pelotão do ciclismo nacional, em parte dos anos 40 e 50 do século XX. Dos dois, naturalmente Fernando distinguiu-se ao ter sido vencedor de uma Volta a Portugal, a prova mais importante do ciclismo português que ele, Moreira de Sá mais velho, venceu em 1952. Mas igualmente Luciano Moreira de Sá foi também um ciclista da melhor categoria, tendo sido Campeão Nacional de Fundo e por duas vezes venceu a grande prova clássica Porto-Lisboa, enquanto na Volta a Portugal sempre alcançou lugares classificativos entre os melhores.

Sobre Luciano de Sá e sua carreira muito há que contar, tal a importância de seu excelente currículo. Contudo, porque sobre ele, como também sobre o irmão, haverá proximamente um trabalho já escrito, para uma publicação que aparecerá a público daqui a tempos, para já e para não repetir, aqui apenas queremos assinalar, na pertinência do aniversário em apreço, a longevidade do aniversariante, na robustez de sua existência, como ele corria com energia de vencer. À imagem como em 1952 Luciano Moreira de Sá venceu a grande clássica portuguesa Porto-Lisboa; feito que depois repetiu em 1953, ao bisar a vitória na mesma grande ligação, num só dia, entre a capital do Norte e a capital do País.

Nascido em 1930, Luciano Moreira de Sá está então a festejar 96 anos de vida, neste dia 18 de março de 2026, como que a dar continuidade no tempo à sua genica de ciclista. Merecendo bem os parabéns de um Portista, aqui do autor destas  linhas - que nunca o vi correr, naturalmente, mas conheço e aprecio a sua história de ciclista, como do ciclismo do FC Porto, a modalidade desportiva que pelos anos 50 e 60, e até mais, dava mais alegrias ao mundo azul e branco.

Abraço de Parabéns senhor Luciano Moreira de Sá!

Armando Pinto

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