Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Nóbrega: O Transmontano extremo esquerdo portista que trocava os olhos aos defesas…


Não fosse a História, por haver informações e conhecimentos historiográficos, e não se saberia ter havido grandes heróis do passado, fossem eles como fossem, quão de uma forma ou de outra deram ser à sua faina. Tanto que se valoriza a sua existência e preza-se a ação. Assim como se elogia ainda publicamente o que foram grandes desportistas, por exemplo, mesmo sem terem sido vistos atuar aos olhos do tempo presente, mas dos quais ficaram testemunhos de variados modos. Como se passa com os grandes valores do FC Porto, dos quais nada é demasiado para que sejam lembrados e reconhecidos.


Então, tal como se louva grandes personagens da memória da nação e do mundo, merecedores são de eternidade os grandes nomes do FC Porto, desde o fundador António Nicolau de Almeida e o refundador José Monteiro da Costa, o primeiro atleta olímpico do clube, Valdemar Mota, mais os grandes ídolos do futebol antepassado, como foram Pinga, Araújo, Hernâni, Virgílio, Barrigana, Américo, Pavão, Rolando, Cubillas, Gomes, Madjer, Baía, Jorge Costa, etc. Mas também outros, entre tantos dos que em cada geração foram expoentes da admiração clubista. Tal qual Nóbrega. Vindo à ideia, desta feita, na sua vez de rememoração neste espaço de memória portista, esse extremo esquerdo que foi Francisco Nóbrega, esquerdino saliente que ainda chegou a jogar algum tempo com Hernâni e outros dos anteriores grandes jogadores, e sobretudo foi já dos tempos de Azumir, Custódio Pinto, Festa, Américo, Djalma, Jaime, Pavão, Valdemar; Rolando, Rui, Armando Silva, Lemos e Cª.


Ora, como em tantos casos idênticos, Nóbrega naturalmente é mais lembrado entre adeptos de gerações de seu tempo, mas é de convir ser exemplo a avivar, por quanto tudo e todos os que merecem devem ser valorizados.


Nóbrega, chegado ao estrelato do panorama futebolístico nacional, tendo andado nas coleções de cromos das tão populares cadernetas que fizeram memória romântica do futebol de outros tempos, era um Transmontano de Vila Real um dia ido para o Porto. E que na Invicta fez carreira, ganhando raízes extensivas às de sua  naturalidade.


Pois o valoroso avançado Francisco Nóbrega, recorde-se, foi um futebolista iniciado no Vila Real mas que ainda menino rumou para o Porto, onde fez a formação futebolística nos juniores (única categoria de formação, nesse tempo) e de seguida passou aos seniores, tendo jogado no grande FC Porto durante 12 épocas, até ter ainda por fim representado oficialmente o Vila Real no fim de sua carreira de jogador. Havendo posteriormente sido treinador em diversas equipas. Ostentando no currículo de jogador a célebre vitória na Taça de Portugal de 1968, algo especial na época por ser uma intromissão no poderio federativo sulista e elitista do regime vigente.


Nóbrega, de nome completo Francisco Laje Pereira Nóbrega, nascido em Vila Real a 14 de Abril de 1942, foi um antigo jogador de futebol do FC Porto que chegou a representar também a seleção portuguesa. Jogava na posição de avançado, normalmente a extremo esquerdo. Representou o Sport Clube de Vila Real, o FC Porto, de permeio o Tirsense por empréstimo do FC Porto (envolvido na vinda de Alberto Festa para o FC Porto), de novo o FC Porto e por fim o Vila Real outra vez. Tendo conquistado uma Taça de Portugal pelo FC Porto, em 1968. Alcançou quatro internacionalizações pela Seleção Militar, uma pela Seleção B e mais quatro pela Seleção A. Nóbrega fez a sua estreia na principal equipa nacional a 15 de Novembro de 1964, no Porto, contra a Espanha, com vitória portuguesa por 2-1; e despediu-se a 12 de Novembro de 1967, no Porto, com a Noruega, também com vitória portuguesa por 2-1. Esteve selecionado para ir ao Mundial de 1966 no lote dos 22 Magriços, mas depois foi substituído por um futebolista que ao tempo havia ingressado num clube de Lisboa.

Pormenorizando: Nóbrega jogou nas camadas jovens do Futebol Clube do Porto e quando foi promovido a sénior, na temporada de 1961/62, foi emprestado ao F.C. Tirsense em acordo incluído na transferência de Alberto Festa, para depois ter regressado em definitivo aos Dragões na temporada seguinte.


Entrou na equipa principal do FC Porto como titular em Setembro de 1962 e a partir daí foi dos elementos mais assíduos a jogar com a camisola do FC Porto.

 = Vitória no Trofeu Luís Otero, em Espanha 

A sua primeira temporada de sénior azul e branco foi bastante promissora, já que Nóbrega, com apenas 21 anos, acabou o campeonato nacional com 10 golos apontados e com a conquista da Taça Associação de Futebol do Porto. Depois, na seguinte temporada com a camisola do FC Porto teve plena afirmação, sendo então que confirmou estatuto saliente como um dos titulares indiscutíveis. Enquanto isso, à falta de títulos nacionais que a equipa não conseguia vencer, foi protagonizando vitórias na Taça Associação de Futebol do Porto, em repetições sucessivas.

= Nóbrega na equipa da primeira vitória do FC Porto em competições europeias. 

De particular destaque o facto de Nóbrega, no dia 16 de Setembro de 1964, ter sido também um dos titulares da formação portista que venceu o Olimpique Lyonnais por 3-0 no Estádio das antas, em jogo a contar para a 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça dos Vencedores das Taças e que marcou a primeira vitória dos portistas nas competições europeias.


Nesse percurso, entretanto, Nóbrega teve enfim oportunidade de vestir a camisola da seleção nacional. Inicialmente, como “tropa”, foi escalado para jogar pela Seleção Militar no Torneio Europeu de Seleções Militares ao tempo existente, tendo então alinhado ao lado dos colegas Rui, Pinto e Jaime, assim como de Eusébio e Simões do Benfica, José Carlos e Pedro Gomes do Sporting, Ribeiro do Belenenses, Jaime Graça do Setúbal, entre diversos outros mais. 


Mais tarde foi escolhido ainda para a Seleção B. E por fim em 1964 teve vez a chamada à Seleção A, tendo na estreia, diante da Espanha em jogo disputado no estádio das Antas, sido considerado o melhor em campo. A ponto que a sua exibição entusiasmou a assistência, de tal forma que no final foi levantado em triunfo, levado em ombros por admiradores.


Apesar disso, sofrendo os efeitos dos jogadores do FC Porto não terem quem os pudesse defender na Federação, Nóbrega poucas mais vezes pôde jogar na seleção principal representativa de Portugal, visto nas instâncias superiores então imperar o sistema BSB das presidências federativas destinadas apenas a representantes de Benfica, Sporting e Belenenses. E, como tal, serem futebolistas desses clubes normalmente os escolhidos. De modo tão escandaloso que aquando da campanha do Campeonato Mundial de 1966 então Nóbrega, apesar de ter sido incluído no lote destinado à ida a Inglaterra, foi deixado em terra (apesar de até ter tido o fato oficial pronto!), para entrada dum outro que na época tinha sido adquirido pelo Sporting… (Assim, tal e qual, na fase final na velha Albion, o melhor guarda-redes, Américo, ficou no banco para jogar o Carvalho do Sporting no primeiro jogo e por fim José Pereira do Belenenses, nos restantes jogos, mesmo até no último de atribuição do 3º lugar, mau grado ter tido grandes culpas no cartório da derrota na meia final; enquanto Pinto, apesar de considerado dos melhores portugueses, viu jogarem diversos outros de seu lugar porque eram do Benfica…)

= Nóbrega na equipa da Festa de Despedida do grande guarda-redes Américo. 

Após o Mundial de 1966 Nóbrega voltou ainda a ser selecionado, tendo vestido a camisola das quinas em mais três ocasiões, havendo-se despedido no dia 12 de Novembro de 1967 numa partida em que foi o extremo esquerdo da seleção que venceu a Noruega, em jogo disputado no estádio das Antas, com resultado favorável a Portugal por 2-1.


Na temporada de 1967/68 viveu o ponto alto da sua carreira ao conquistar a Taça de Portugal. Os portistas foram à Final do Jamor vencer o Vitória de Setúbal por 2-1, com Nóbrega a ser o autor do segundo e vitorioso golo do FC Porto.


Francisco Nóbrega esteve também presente noutros momentos importantes para o clube azul e branco. Em Janeiro de 1970 fez parte da comitiva que se deslocou ao Brasil a convite do São Paulo F.C. para a festa de inauguração do Estádio Cícero Pompeu de Toledo. E especialmente, no dia 31 de Janeiro de 1971 foi um dos titulares da equipa que derrotou o S.L. Benfica por 4-0, no célebre jogo em que Lemos marcou todos os golos.

= Equipa que alinhou de início no jogo dos 4-0 ao Benfica em Janeiro de 1971: Em pé e da esquerda para a direita: Rolando, Gualter, Pavão, Valdemar, Armando Manhiça e Rui. Em baixo, pela mesma ordem: Abel, Custódio Pinto, Bené, Lemos e Nóbrega.


No final da temporada de 1973/74 deixou finalmente de jogar no F.C. Porto. Depois de Dragão ao peito Nóbrega ter disputado 277 partidas oficiais e marcado 44 golos, nas 12 épocas em que representou o F.C. Porto. Ficando na memória de quem o viu jogar como o extremo esquerdo portista que trocava os olhos aos defesas… conforme entre admiradores e comentadores era publicamente dito sobre ele, nesse tempo. Tal era a sua finta estonteante, driblando pelo lado esquerdo, a trocar as voltas e os sentidos aos defensores adversários.

= Imagem do tempo de Cubillas e do último ano de Nóbrega no FC Porto: Equipa do futebol portista na época 1973/74. Em pé e da esquerda para a direita: Rolando, Rodolfo, Guedes, Tibi, Ronaldo e Cubillas. Em baixo, pela mesma ordem:  Abel, Oliveira, Celso, Bené e Nóbrega.

Sintomático do apreço com que Nóbrega ficou visto à luz da história é que foi incluído entre os melhores jogadores nacionais na coleção "Onze +", em 2008 publicada pela editora Quidnova, de parceria com o jornal O Jogo  através de livros dedicados a cada posição de futebolistas em campo, desde guarda-redes até aos extremos-esquerdos, integrando o lote dos melhores extremos esquerdos de sempre. Num grupo composto (em ordem alfabética) por Albano, do Seixal e depois do Sporting; Bentes, da Académica; Chalana, do Benfica, Bordeus (França), Belenenses e Amadora; Dinis, do Sporting e do FC Porto; Fernando Peres, do Belenenses, Académica, Sporting, FC Porto e Vasco da Gama (Brasil); Futre, do Sporting, FC Porto, Atlético de Madrid, Benfica, Marselha (França), Regiana e Milan (Itália), West Ham (Inglaterra) e Yokohama (Japão); João Cruz, do Sporting; José Alberto Costa, do Vila Real, Académica, FC Porto e Rochester Lancers (USA); Nóbrega, do FC Porto; Simão Sabrosa, do Sporting, Barcelona (Espanha), Benfica e Atlético de Madrid (Espanha); e (António) Simões, do Benfica, Tomar, Estoril, etc (diversas equipas dos Estados Unidos da América). Com indicação dos respetivos clubes de passagem durante a carreira, como seniores e fases relevantes.


Entretanto, ainda, na época de 1974/75 Nóbrega, em final de carreira, ingressou no clube da sua terra, o S C Vila Real. Então aí, em 1975/76 ajudou os vila-realenses a subirem para a 2ª Divisão Nacional. Na temporada seguinte passou ali a ser treinado pelo seu amigo e ex-colega do FC Porto Custódio Pinto, que assumira o comando da turma transmontana. Com o qual passou e estava a viver bons momentos, novamente, até que num jogo em Chaves aconteceu um desentendimento entre o treinador e o presidente, Taveira da Mota, cuja ocorrência ditou o afastamento de Custódio Pinto do comando técnico da equipa de Vila Real. Francisco Nóbrega em solidariedade com o seu amigo e por discordar do que acontecera, na sua retidão natural, abandonou também o clube e regressou à cidade do Porto.


Passou mais tarde a treinador, tendo orientado clubes como o CD Feirense (que então esteve quase a alcançar subida de divisão), FC Lixa, FC Felgueiras, Avanca, Atlético de Rio Tinto, entre outras equipas ao tempo participantes em divisões secundárias nacionais e algumas distritais.


Faleceu no dia 28 de Abril de 2012, no Porto, quando contava 70 anos.

Palmarés:

1 Taça de Portugal
4 Taças Associação de Futebol do Porto

Internacional 4 vezes pela Seleção Militar, 1 pela Seleção B e 4 pela Seleção A de Portugal.

ARMANDO PINTO
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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Recentes “Aquisições”...


Na ideia que não há melhor que termos onde nos sentir bem, recebemos por estes dias reforços no nosso local de passatempo… com novas aquisições, de boa dotação particular. Porque o melhor é rodear a vida de algo que queremos e nos faz sentir bem.

Armando Pinto


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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A talhe do jogo Vila Real-FC Porto para a Taça de Portugal 2018/2019: Encontros históricos do clube da Capital Transmontana com o grande FC Porto da Capital Nortenha…


Nas diversas ligações do FC Porto com regiões e afinidades telúricas, como grande clube desportivo português que é o clube Dragão, está a afetividade marcante em diversos aspetos de interligação. Como é o caso portista com o clube que saiu no sorteio da Taça de Portugal, calhando o FC Porto defrontar o Sport Clube de Vila Real e como tal rumando à terra transmontana da capital do Nordeste, para a entrada em cena na segunda maior prova portuguesa nesta temporada futebolística de 2018/19 em curso.

Assim volta o FC Porto a encontrar-se com o Vila Real, desta vez para a 3ª eliminatória da Taça de 2018/2019, à inicial eliminatória com clubes da Primeira Liga.


Ora o Vila real, atualmente equipa da Divisão de Honra da AF Vila Real, é de antigo conhecimento dos Dragões, pois entre 1926 e 1991 enfrentaram-se em seis ocasiões para provas oficiais de equipas principais, quer para o antigo Campeonato de Portugal como para a sucessora e atual Taça de Portugal, além de outra experiência em equipas de reservas, com os azuis e brancos a saírem sempre vitoriosos.

Então, em jogos a doer para provas de alta competição o próximo embate será o sexto encontro, sendo este de sexta-feira 19 de outubro o quarto para a Taça de Portugal entre as duas equipas. Havendo até agora o saldo sido totalmente favorável para os azuis e brancos: seis vitórias, 35 golos marcados e apenas dois sofridos.

Como primeiro encontro da Taça, entrada em ação neste outono de 2018, o prélio da visita do FC Porto a Trás-os-Montes merece especial atenção. Primeiro pela particularidade de ser como que um abraço de amizade entre o maior clube português digno representante do Norte do País à capital transmontana, atravessando o mítico Marão como embaixada nortenha. Depois pelos muitos e bons portistas existentes nessa região e particularmente na cidade, sendo essa famosa e terna “Bila” a terra de grandes portistas como Pedro Cardona e Fernando Moreira, entre tantos outros. E também por ser a terra que viu nascer o grande futebolista Francisco Nóbrega, um dos expoentes do futebol de gala do F C Porto, que representou durante as décadas de sessenta e setenta. Com acréscimo de haver já um bom histórico de jogos entre os dois clubes, tendo o primeiro acontecido no longínquo ano de 1926 e último jogo entre Vila Real e FC Porto já na época 1991/1992.

HISTÓRICO DE CONFRONTOS

1926-05-09    FC Porto    10-0    Vila Real      1ª E      Campeonato de Portugal  1925/1926     
1928-03-04    FC Porto    13-1    Vila Real      1ª E      Campeonato de Portugal  1927/1928     
1959-05-24    Vila Real      0-1     FC Porto     1/8        Taça de Portugal  1958/1959       
1959-05-28    FC Porto     6-1     Vila Real      1/8        Taça de Portugal  1958/1959       
1991-02-27    Vila Real      0-1     FC Porto     1/16      Taça de Portugal  1990/1991
1991-12-15    Vila Real      0-4     FC Porto      4ª E      Taça de Portugal 1991/1992

Desses embates deixa-se aqui, em resumo, umas anotações de tal rol de jogos.

Recuando no tempo, a estreia dos jogos entre o FC Porto e o Vila Real remonta à década dos anos vinte, no século XX.


Segundo registo de Fernando Moreira no blogue “Bibó Porto carago”, em seu trabalho “Dragões de Azul Forte”, o princípio decorreu conforme os seguintes elementos conhecidos:

FC PORTO – VILA REAL, 10-0 (a 9-5-1926 - Campo do Covelo, no Porto)
Marcadores: Norman Hall (8 golos), Balbino da Silva (2 golos)
FC Porto – Treinador: Akos Teszler (húngaro)
Miguel Siska; Pedro Temudo e Júlio Cardoso; Coelho da Costa, Gama Lobo e Flávio Laranjeira; Álvaro Sequeira, Augusto Freire, Balbino da Silva, Norman Hall (cap.) e Oliveira.
Vila Real – Treinador: ...
Álvaro; Silva e Nascimento; Aranha, Militão e Nunes; Victor, Figueiredo, Américo, J. Alonso e Lelo.


= Ficha do jogo da 1ª Eliminatória do Campeonato de Portugal de 1925/1926  Maio de 1926 (conf. ALMANAQUE DO FCPORTO 1893-2011).   

Volvidos cerca de dois anos, deu-se o segundo encontro. Que se regista também, assim (conforme “Recordes da Bola"):

No Porto, em sessão no emblemático Campo do Bessa, o FC Porto defrontou o Vila Real e presenteou os transmontanos com uma goleada por 13-1. Freire, Acácio Mesquita e Valdemar Mota marcaram três golos cada um, Noise e Hall bisaram.

FC PORTO – VILA REAL, 13-1 (a 4-3-1928, no Campo do Bessa)
Árbitro: Armando Silva (Viana do castelo)
Marcadores: Freire (3 golos), Noise (2), Hall (2), Coelho (1), Mesquita (3), Valdemar (3)

= Ficha do jogo da 1ª Eliminatória do Campeonato de Portugal de 1927/1928  Março de 1928 (conf. ALMANAQUE DO FCPORTO 1893-2011).   

Mais tarde, no tempo da geração dourada da década de cinquenta, o FC Porto voltou a defrontar o Vila Real em 1959…

= Ficha dos jogos da 1ª e 2ª mão dos 1/8 (Oitavos de final) da Taça de Portugal de 1958/1959  Maio de 1959 (conf. ALMANAQUE DO FCPORTO 1893-2011).   

= Fotografia histórica do jogo Vila Real-FC Porto de 1959: Momentos protocolares, de boas vindas à embaixada azul e branca, nos cumprimentos oficiais dos dirigentes vila-realenses aos congéneres representantes portistas, com os jogadores de ambas as equipas no centro do terreno.
(Foto gentilmente enviada por outro dos bons portistas da região, Paulo Teixeira - com marca indicativa do respetivo colecionador.)

= Os marcadores dos golos do FC Porto diante do Vila Real, em 1959 (imagens de cromos populares): Virgílio, no jogo do Campo do Calvário, e Hernâni, Carlos Duarte e António Teixeira no estádio das Antas.

Posteriormente, e pelo meio dos restantes jogos, houve ainda outro encontro para a antiga Taça Ribeiro dos Reis, entre equipas consideradas de Reservas, na época de 1964/1965. Facto que não é incluído por essa prova não ser considerada de primeira, nem tendo merecido grande atenção dos clubes. A Taça Ribeiro dos Reis foi uma competição organizada pela Federação Portuguesa de Futebol começada na época 1961/62 e existente até à época 1970/71, por costume decorrendo no final de cada época, mais para manter por algum tempo uma lista de jogos a contar para o também antigo Totobola. Normalmente as equipas da 1ª Divisão Nacional preferiam não disputar a competição ou simplesmente não usavam as suas primeiras equipas. Acabando por desaparecer, sem grande importância.

Seguiram-se os embates mais recentes, em plenos anos noventas. Dos quais há já notícias mais frescas e a cores.

= Reportagem sobre o Vila-Real, 0 - FC Porto, 1  1/16 avos da Taça de Portugal da época de 1990/1991  Fevereiro de 1991 / Revista Dragões, edição de Março de 1991 =

= Reportagem sobre o Vila-Real, 0 - FC Porto, 4   4ª Eliminatória da Taça de Portugal da época de 1991/1992  Dezembro de 1991 / Revista Dragões, edição de Fevereiro de 1992 =

Assim sendo, o FC Porto joga agora como visitante frente ao SC Vila Real na 3.ª eliminatória. Com os pés bem assentes no chão, ao pisar o relvado do atual estádio vila-realense. E tal qual proferiu o representante portista logo no dia em que se soube do emparceiramento do clube Dragão com o Vila Real, «o FC Porto tem grande tradição na competição, já venceu 16 vezes a Taça de Portugal e é um clube habituado às finais. Queremos recuperar este troféu», conforme referiu Fernando Gomes, no sorteio realizado em Oeiras, no auditório principal da Cidade do Futebol.


Por fim, registe-se o facto de haver de comum entre ambos os emblemas o valoroso avançado Francisco Nóbrega. Futebolista iniciado no Vila Real mas cedo tendo rumado para o Porto, onde fez a formação futebolística nos juniores e de seguida passou aos seniores, até ter ainda voltado a representar o Vila Real no fim de sua carreira de jogador. Havendo por fim sido treinador de futebol em diversas equipas.

Nóbrega, de nome completo Francisco Laje Pereira da Nóbrega, nascido em Vila Real a 14 de Abril de 1942, foi um antigo jogador de futebol do FC Porto que chegou a representar também a seleção portuguesa. Jogava na posição de avançado, normalmente a extremo esquerdo. Representou o Sport Clube de Vila Real, o FC Porto, o Tirsense por empréstimo, de novo o FC Porto e por fim o Vila Real outra vez. Conquistou uma Taça de Portugal pelo FC Porto, em 1968. Alcançou quatro internacionalizações pela Seleção Militar, uma pela Seleção B e mais quatro pela Seleção A. Nóbrega fez a sua estreia na principal equipa nacional a 15 de Novembro de 1964, no Porto, contra a Espanha, com vitória portuguesa por 2-1; e despediu-se a 12 de Novembro de 1967, no Porto, com a Noruega, também com vitória portuguesa por 2-1. Esteve selecionado para ir ao Mundial de 1966 no lote dos 22 Magriços, mas depois foi substituído por um futebolista que ao tempo havia ingressado num clube de Lisboa.
Faleceu a 27 de Abril de 2012, no Porto.

Ora sendo certo que há um ditado popular a ditar que para lá do Marão mandam os que lá estão, certo é que lá estão profundos laços portistas.

Armando Pinto
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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Rememorando: Inícios do FC Porto


Há 125 anos...

No dia 8 de Outubro de 1893

... o FC Porto realizou o primeiro treino, entre 22 sócios alinhados em duas equipas do mesmo clube,  e de seguida o primeiro jogo da sua história: o treino no Campo Prado, em Matosinhos, e o jogo logo depois, no hipódromo da mesma cidade. O adversário foi uma equipa de Aveiro capitaneada pelo histórico Mário Duarte.



(In Tábua Biográfica da Fotobiografia do Futebol Clube do Porto)

Efeméride esta assim rememorada no dia seguinte à data em apreço, à imagem de como as notícias eram por esses tempos dadas a público um dia depois. 

Evocado fica também assim esse facto histórico digno de registo e que apraz frisar, por quanto faz o FC Porto o clube de alta competição desportiva mais antigo em Portugal  por muito que isso custe a adversários maldizentes, por a história não estar dependente de árbitros nem de manobras de bastidores do sistema nacional!

ARMANDO PINTO
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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

22.ª “Supertaça António Livramento” de hóquei em patins do FC Porto e Boxe portista em destaque no “Golden Gloves 2018”


Entrado o outono com sensações de transição das réstias de verão, o domingo 7 de outubro de 2018 ficou assinalado nos anais desportivos e no historial portista com mais um triunfo do Hóquei do FC Porto, desta vez na SUPERTAÇA ANTÓNIO LIVRAMENTO, a Super Nacional, e com um destacável desempenho de dois dos pugilistas do FC Porto numa importante competição do calendário do boxe, como é o GOLDEN GLOVES 2018.

Continuou pois a senda do FC Porto, como sempre que seus representantes conseguem juntar empenho com valor na vontade de vencer, quão é apanágio tradicional no seio do FC Porto.


Assim sendo, no hóquei os Dragões venceram o Sporting por 4-1 na Mealhada, no jogo de atribuição de mais uma Supertaça portuguesa. Somando a 22ª Supertaça para o FC Porto, na conquista de sete competições nos três anos recentes, desde que se iniciou o projeto hoquístico azul e branco com a supervisão de Cabestany e núcleo duro de hoquistas dos quais se mantêm Hélder Nunes, Gonçalo Alves, Rafa, Reinaldo Garcia, Telmo Pinto e Nelson Filipe.


Então o FC Porto Fidelidade conquistou neste domingo a 22.ª Supertaça (terceira consecutiva) da história do clube. Tendo os Dragões vencido concludentemente o Sporting por 4-1 no jogo realizado no Pavilhão Municipal da Mealhada.


A formação orientada por Guillem Cabestany, vencedora da última edição da Taça de Portugal, superiorizou-se ao campeão nacional em título com golos de Rafa, Hélder Nunes (2) e Gonçalo Alves. (Ferran Font marcou o único golo do Sporting).


FICHA DE JOGO
SPORTING CP-FC PORTO FIDELIDADE, 1-4
Supertaça António Livramento-2018
Pavilhão Municipal da Mealhada
FC PORTO FIDELIDADE: Carles Grau e Nélson Filipe (guarda-redes), Telmo Pinto, Giullio Cocco, Rafa, Hugo Santos, Poka, Reinaldo García, Gonçalo Alves e Hélder Nunes.
Treinador: Guillem Cabestany
Ao intervalo: 0-1
Marcadores: 0-1 por Rafa (8 m), 1-1 por Ferran Font (27 m), 1-2 e 1-4 por Hélder Nunes (aos 32 m e 47 m) e 1-3 por Gonçalo Alves (35 m)

BOXE - PORTISTAS EM DESTAQUE NO GOLDEN GLOVES 2018, tendo ganho os cinturões de suas categorias de pesos respetivos. 

Assim, dois atletas do FC Porto conquistaram no primeiro domingo de outubro os cinturões nas categorias de 60 kg e 64 kg no torneio Golden Gloves 2018, realizado no Complexo Municipal de Ténis da Maia.


Destaque para Bertinho Júnior (de 18 anos), o mais jovem na história do torneio a ganhar o cinturão na categoria de 60 kg. Por sua vez Pedro Ribeiro, de 22 anos, conquistou o cinturão na categoria de 64 kg.


O Golden Gloves foi criado em 1923, em Chicago, e tornou-se o mais prestigiado torneio de boxe amador dos Estados Unidos da América, sendo a rampa de lançamento para nomes icónicos como Muhamed Ali, Mike Tyson, Evander Holyfield ou Oscar de la Hoya.

O Boxe do FC Porto ainda há pouco tempo tinha tido destaque com a vitória na Taça de Portugal em masculinos e segundo lugar na mesma taça em femininos.


Com efeito, a equipa masculina do FC Porto venceu recentemente a Taça de Portugal de boxe, no Centro Social Luso Venezolano, em Nogueira da Regedoura. Enquanto na competição feminina, a equipa portista terminou honrosamente no 2.º lugar da competição. Tendo então a decisão da Taça de Portugal de boxe contado com a presença de atletas das Associações de Boxe de Porto, Aveiro, Setúbal, Lisboa e Algarve.

Desta vez, o Boxe do FC Porto voltou a fazer história no Torneio Golden Gloves 2018, com dois grandes triunfadores:
-Bertinho Júnior sagrou-se o campeão mais jovem da história do torneio na categoria 60 kg
-Pedro Ribeiro sagrou-se pela segunda vez campeão do torneio Golden Gloves na categoria 64 kg.

ARMANDO PINTO
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