
Neste dia, de julho ainda sem futebol a sério com as
sagradas camisolas do FC Porto em campo, é dia propício para recordar um valor
do futebol portista de outros tempos, a propósito de ser data correspondente como
efeméride de seu nascimento - tal o caso de Atraca, antigo futebolista do FC
Porto nos anos 60, nascido em 1940 a 10 de julho. Um futebolista que era tido verdadeiramente
como “jogador à Porto”, tal a forma como jogava, com raça a marcar em cima os
opositores, a ponto de, apesar da sua pequena estatura física, se elevar bem
alto sobre quaisquer adversários altos que lhe aparecessem pela frente na
proximidade ou dentro das áreas do FC Porto. Como ficou célebre por seus duelos
com o bom gigante Torres do Benfica, que Atraca suplantava normalmente (e por
isso originava que esse alto avançado benfiquista se via muitas vezes a tentar fugir
por outros lados onde Atraca não estivesse).


Como ponto alto de sua carreira, Atraca foi um dos futebolistas da
inesquecível vitória da Taça de Portugal de 1968.

E, apesar de ter falecido
novo, em 1973, esse raçudo Atraca é dos jogadores desse tempo mais recordado nas boas memórias
desses futebolistas que passaram com a camisola do FC Porto a fase mais
acirrada do sistema BSB.

De nome completo João Eleutério Luísa Atraca, com nome de ficha futebolística como Atraca, conforme era e ficou mais conhecido, nasceu no
dia 10 de Julho de 1940 no Algarve, em Faro. Iniciado nas lides da bola de
futebol na sua região, em plena juventude de sua carreira desportiva começou por ser
conhecido no futebol, verdadeiramente, quando em 1961/62 abandonou o SC
Farense e ingressou no Futebol Clube do Porto. Tendo passado a evoluir na equipa
de Reservas (atualmente Equipa B), em adaptação e integração no plantel,
contando que por esse tempo apenas jogavam os 11 que entravam de início nos
jogos, sem haver substituições de jogadores de campo (apenas podendo ser
substituído o guarda-redes em caso de lesão). Depois Atraca teve estreia oficial na equipa
principal com a camisola dos Dragões a 26 de Maio de 1963, no Campo de Santana
em Matosinhos, em jogo que o FC Porto venceu em casa do rival Leixões por 2-0, a
contar para a 2.ª mão da 3.ª eliminatória da Taça de Portugal da época de
1962/63. E, após sucessivos anos que contam na memória dos anais azuis e
brancos, como resistência às manobras de bastidores que iam sendo feitas pelo
mandão regime facioso do sistema BSB, em 1968 Atraca fez parte da histórica equipa
do FC Porto que conquistou a Taça de Portugal de 1967/68, vencendo na final do Jamor o
Vitória de Setúbal por 2-1. Enquanto, de permeio, conquistou ainda também a Taça
Associação de Futebol do Porto por quatro ocasiões, de 1962/63 até 1965/66.

Atraca esteve incluído nos trabalhos de preparação da
Seleção dita nacional para a ida ao Mundial de 1966, como um dos 7 do FC Porto
que estiveram no estágio de pré-convocatória (Atraca, Almeida, Jaime, Nóbrega,
Festa, Pinto e Américo, mas dos quais apenas os 3 últimos foram na caravana dos
22 escolhidos e depois simplesmente Festa jogou… Como na memória ficou, por
exemplo, que com Américo na baliza Portugal teria feito muito melhor que o 3.º lugar
alcançado… qual sina que teima de acontecer com a dita Seleção Portuguesa ao
longo dos tempos). Enquanto, com essas e outras, Atraca apenas chegou a ser Internacional pela Seleção Militar (existente pelos anos 50 e 60 com torneios internacionais, sobretudo entre países da NATO), pois, apesar de ter por diversas vezes estado nos treinos dos trabalhos da Seleção principal, nunca teve chances de jogar oficialmente pela tal Seleção Nacional A.

No fim de contas, conforme consta dos números conhecidos, em jogos da equipa
principal do FC Porto, nos oito anos que Atraca esteve no FC Porto, disputou
170 jogos oficiais pela equipa principal, marcou 3 golos e venceu 5 Títulos (1 nacional, a Taça de Portugal, e 4 regionais da Associação de Futebol do Porto). Tendo por fim em 1969/70
voltado ao Farense, passando depois ao Odemirense, clube que representava
quando em 1973 faleceu, vítima dum acidente de viação.
Armando Pinto
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