Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

domingo, 8 de março de 2026

No Dia da Mulher - Homenagem à Esposa do Presidente do FC Porto!

 

Em pleno dia 8 de MARÇO, dedicado às mulheres, como Dia Internacional da Mulher, toda a gente de uma maneira ou de outra lembra as mulheres de sua vida e outras de suas atenções. Tal como na comunicação social e por tudo quanto é sítio informático há referências a mulheres de destaque. Tanto como a nível clubístico-desportivo são lembradas as mulheres atletas do clube de cada um. Quão no caso portista costumam ser lembradas mulheres que fazem parte da história do FC Porto, desde o passado ao presente. E este ano o FC Porto surpreendeu as companheiras dos jogadores no Dia da Mulher, tendo o Clube oferecido o pequeno-almoço, acompanhado de uma carta personalizada, às esposas dos futebolistas mesmo na manhã do dia do clássico Benfica-Porto. 


Então na caixa em que seguiram as refeições foi ainda colocada uma carta personalizada, onde se lê: «Na Famiglia Portista, todos fazem parte do nosso caminho.»

Contudo há sempre algo mais a poder ser acrescentado. Pois por vezes, na profusão de publicações, pode haver casos pouco ou nada lembrados. Sendo então oportunidade de fazer plena justiça a alguém, entre as mulheres do FC Porto, que bem merece lembrança, também neste dia. Quão lembro a esposa do nosso presidente do FC Porto, senhora que sabe e aprova que o marido possa dedicar muito de sua vida a zelar pelo FC Porto. Sendo assim de lhe reconhecer o quanto o FC Porto lhe deve estar grato - referindo o FC Porto, o Clube, pelo Mundo do FC Porto, tomando a parte pelo todo. De modo que, pessoalmente, em jeito de melhor celebrar este dia como portista, agradeço em nome pessoal e pelo meu Portismo, exarando aqui uma homenagem à excelentíssima senhora esposa do Presidente André Villas-Boas!   

Armando Pinto

sábado, 7 de março de 2026

Uma efeméride particular: O jogo do domingo do nascimento da minha filha (FC Porto-Braga, a 7 de MARÇO de 1982)


Se há jogos marcantes da vivência clubista, dos que marcam a nossa história portista, outros há que ficam marcados na memória mais particular, ainda que a nível clubístico possam não ser de grande impacto, numa visão fora do normal. Tal o que aconteceu com um desses, um Porto-Braga, jogado no Porto a 7 de março de 1982, que o FC Porto venceu de modo quase natural e sem grandes parangonas. Mesmo que nem sequer haja sido uma vitória transcendente e muito importante a nível classificativo, como estava a situação, ao tempo. Visto nessa época o FC Porto não ter ganho o campeonato, sequer, tendo até ficado no 3.º lugar do pódio da prova.

De véspera eu tinha ido para o Porto-cidade por via do internamento hospitalar de minha esposa, em vias de ter a nossa filha. E depois de sairmos do hospital, eu e meu filho, em virtude de irmos passar a noite a casa da madrinha de minha esposa, passamos pelo estádio das Antas para mostrar ao meu filho o que pudéssemos ver. Então, andando pela cidadela desportiva das Antas, por acaso vimos o treino da equipa principal de futebol, nesse sábado, a decorrer no campo n.º 2 das Antas (campo de treinos junto aos pavilhões), em preparação para o jogo do dia seguinte. Momentos que registei na maquinazita fotográfica que tinha, como faz parte do álbum de família desse período. Sem que as fotos tenham ficado lá muito bem, pois obviamente tive de pedir a alguém, para o efeito, dos que andavam por ali, e certamente as pessoas que clicaram sem conhecerem a máquina devem ter tremido um bocado. (Eram tempos de rolos fotográficos e só depois de se mandar revelar se sabia se tinham ou não ficado bem.) Mas ficaram os registos.

Ora, então no dia seguinte o Porto jogava em casa, mas eu rumei ao hospital logo pela manhã, e de tarde desenrolava-se então o jogo, que não era afinal mais que um jogo quase para cumprir calendário do campeonato. Mas esse foi o que o FC Porto disputou no domingo em que nasceu a minha filha, logo foi algo especial. Estando eu na cidade do Porto mas sem ter ido ao futebol às Antas, pois nesse mesmo dia nascera a minha filha, no Hospital de São João, pela manhã soalheira em que pela primeira vez vi a cara da minha menina que veio completar o meu casal de filhos. E naturalmente de tarde para lá foram novamente as minhas atenções. Sabendo apenas o que se passava no estádio das Antas pelo relato que se ia ouvindo por uns rádios transístores de pessoas que por lá andavam em visitas a seus familiares. O FC Porto ganhou esse jogo por 3-1 ao Braga, graças aos golos marcados por Frasco, Lima Pereira e Sousa. Tendo alinhado com Fonseca, Gabriel, Fernando, Freitas, Lima Pereira, Sousa, Jaime Pacheco, Frasco (depois Jaime Magalhães), Romeu; Jacques e Costa. Estava um domingo lindo de sol, e eu nesse domingo também tinha o sol dentro de mim.

= Plantel dessa época de 1981/82.

Armando Pinto

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sexta-feira, 6 de março de 2026

"Objeto do Mês" no átrio do Museu do FC Porto - Objeto de MARÇO dedicado ao teatro azul e branco

 

Na já habitual mostra mensal de um diferente objeto de cada mês, em expositor patente ao público na área de circulação livre do átrio entre o Museu e a loja do Dragão, este mês o correspondente objeto exposto relaciona algo da história portista com atividades passadas com a área de teatro. Através de duas figuras de marionetas que fizeram parte em 2016 de um espetáculo de marionetas, em que figuraram tais personagens, a evocar o fundador Nicolau d’Almeida e Romualdo Torres, este um antigo jogador dos primórdios do clube e que fez parte da equipa do primeiro jogo internacional entre clubes, efetuado em Portugal, opondo o FC Porto e o Real Fortuna de Vigo, disputado no Campo da Rainha, no Porto. Sendo que o objeto neste mês tem cabimento por no mesmo mês haver uns dias próprios, primeiro o Dia Mundial da Marioneta, a 21, e depois a 27 o Dia Mundial do Teatro.

𝑶𝑩𝑱𝑬𝑻𝑶 𝑫𝑶 𝑴𝑬̂𝑺 Marionetas Nicolau d’Almeida e Romualdo – 2016 💙

👉 Nicolau d’Almeida e Romualdo são personagens da peça de teatro de marionetas “O Porto é uma Lição – História do clube, da cidade e, afinal, o planeta é azul”

No mesmo expositor, e em complemento de ligação, é referenciado e recordado que o FC Porto teve nos anos 60 uma Secção de Teatro, cuja estreia ocorreu em 1963 (caso entretanto já lembrado aqui neste blogue, em mais que um artigo próprio). 

É de recordar, também, que nessa secção e atividade participou, como ator, o portista Amílcar Mendes, depois elemento do basquetebol do FC Porto e mais tarde colaborador do jornal O Porto, tal como atualmente é um dos membros do Grupo de Encontro de Colaboradores do mesmo antigo jornal do Clube.  

A propósito, relembre-se essa memoração (clicando) em

https://memoriaporto.blogspot.com/2023/03/a-proposito-do-dia-mundial-do-teatro.html

Armando Pinto

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Morreu António Lobo Antunes - grande escritor e literato admirador de Barrigana…

 

Este dia 5 de março de 2026 fica assinalado com a morte do grande escritor António Lobo Antunes, um dos melhores da língua portuguesa e até possivelmente o melhor da parte final do século XX e princípios do XXl. Pelo menos para mim um dos poucos escritores contemporâneos que aprecio ler.

Ora, para lá de tudo que se diga e escreva sobre ele - que se torna desnecessário repetir, por hoje andar por toda a comunicação social tudo e mais alguma coisa sobre o mesmo - há aqui um facto a registar, por Lobo Antunes haver em tempos assumido ter sido admirador do antigo guarda-redes do FC Porto Frederico Barrigana. Sem Lobo Antunes ser Portista, entenda-se. Não interessando saber de que lado ele é, se é dos que só veem vermelho à frente dos olhos e da barriga ou dos que pensam que são viscondes e nem sabem a triste figura que fazem, só porque sabem que têm o sistema a amparar e branquear as atrocidades e má-criadices. Embora julgando saber-se que ele pendia para o lado dos vermelhos. Mas interessando aqui, no caso de Lobo Antunes, que ele sabia ver as coisas e não ia em cantigas de regimes e sistemas. Bem como, honesto que era, dava valor ao que via ter valor. Como o Barrigana. 

Pois o Lobo Antunes que dá gosto ler, escreveu uma crónica inesquecível, sobre sua admiração por Barrigana. Dizia-se popularmente que Barrigana era um guarda-redes "maluco", no sentido de destemido e desinibido, não apenas dentro do campo. Sendo certo que deixou obviamente a sua marca na história do futebol português. Também Lobo Antunes deixou marca profunda, com seu feitio sobreposto à arte de escrever. Tanto que ao seu ídolo da bola dedicou uma crónica, que ficou famosa e tem sido citada em diversos locais de diversos modos e feitios. 


Faz parte esse texto do livro de Crónicas daquele clássico escritor, admirador do grande guarda-redes do FC Porto. Sendo tal crónica apreciável no cunho literato desse escritor de renome, ainda que algo difícil de ler nalgumas das suas narrativas, enquanto noutras tem partes encantadoras e que fazem escorregar a leitura para lembranças a condizer com coisas de quem estiver a ler. 

Atente-se então na crónica intitulada “O Grande Barrigana”, por Lobo Antunes. Um naco de prosa admirável.

«De há quarenta anos para cá, com entusiasmo, fervor e admiração, vi jogar quase todos os grandes guarda-redes portugueses, do inesquecível Azevedo, "Hércules do Barreiro", a José Pereira, o "Pássaro Azul". Vi o gigantesco Ernesto, do Atlético, o terror dos extremos, vi Abraão, do Olhanense, vi Cesário, do Sporting de Braga, na tarde de glória, no pelado do Benfica, em que defendeu todos os remates de Palmeiro, Arsénio, Águas e Rogério, vi Capela, da Académica, e Sebastião, o loiro Nero do Estoril Praia, célebres pelos seus voos acrobáticos, vi o fantástico Aníbal, de poupa trabalhada a brilhantina, vi o caprichoso Carlos Gomes pontapear fotógrafos antes de se transferir para Espanha e de ameaçar o presidente do clube, quando não lhe pagavam, com a irónica frase 'no hay dinero no hay portero', acompanhei o Vital, do Lusitano de Évora, que sulcava a relva com o calcanhar pensativo da bota, para marcar o centro da baliza….»


(Claro que António Lobo Antunes, como benfiquista e adepto de futebol mais de outros tempos, não conheceu o valor de Américo, por ter sido espetador mais de jogos em campos da zona de Lisboa e Vale do Tejo, onde os do Norte também calhassem de ir em dias dele lá ir… Tendo conhecido Frederico Barrigana melhor já em África, quando esteve na tropa e o Barrigana treinava a miudagem lá onde Lobo Antunes cumpria tempo de serviço militar por sítios da guerra colonial.)


«E todavia, para meu desgosto e frustração, nunca assisti a nenhum jogo do meu ídolo Frederico Barrigana, o 'Mãos de Ferro', keeper do FC Porto. No intuito de compensar tal desdita, recortava, embevecido, do jornal, os instantâneos que o mostravam a saltar com um avançado, apertando-lhe contra as partes o joelho dissuasor (porquê partes se não inteiras?), a fim de esfriar os ímpetos assassinos do adversário; admirava-lhe a calvície e o boné que a cobria numa exatidão de cápsula; colecionava-lhe as entrevistas e escutava, boquiaberto, na telefonia do meu pai, de dedos em concha na orelha, os relatos de Artur Agostinho, que, aos domingos, às 3 da tarde, narrava em tom épico, as proezas do grande Frederico Barrigana num estádio a rebentar de público. Aos 12 anos, se eu não desejasse, com tanta paixão, tornar-me escritor, quereria ter sido o "Mãos de Ferro". Mas, claro, possuía o sentido das limitações suficiente para compreender que não se pode querer ser o grande Frederico Barrigana: é-se, por dom divino, perfeito como ele só, desde o início. (…)»


(Então, quando estava no serviço militar no Ultramar português, ao tempo, o Lobo Antunes, que nunca tinha visto, nem a jogar, o seu ídolo guarda-redes do Futebol Clube do Porto, Frederico Barrigana, quando o viu foi num lugar nada comum, onde ele nunca desconfiou que o encontraria, como foi num campo de futebol em Africa enquanto Barrigana ensinava crianças a jogar. Aí, Lobo Antunes, se em criança já o admirava, a partir desse dia ficou mais fã dele.)

Ora, António Lobo Antunes foi um senhor na escrita, tal como o Barrigana era diante das balizas a lançar-se para agarrar a bola. Ambos artistas em seus misteres, que dava gosto ver e ler.   

Armando Pinto

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quarta-feira, 4 de março de 2026

De vez em quando: uma recordação num postal colecionável



= Bilhete Postal posto pelos CTT em circulação em 1988, no âmbito da LUBRAPEX 88, como homenagem ao F C Porto por em 1987/88 ter vencido as três maiores provas internacionais, a Taça Intercontinental, a Taça dos Clubes Campeões Europeus e Supertaça Europeia.  

Postal com mensagem autógrafa, no verso, e naturalmente rubricado.

Armando Pinto


terça-feira, 3 de março de 2026

Evocação de um Porto-Sporting disputado em Coimbra no ano de 1937 (final do Campeonato de Portugal de 1936/37) numa crónica de um Lousadense desse tempo - publicada em 1953 no Jornal de Lousada e hoje na página on-line do jornal O Louzadense

Com grande apreço, dá-se notícia de um relato literário de teor memorial-futebolístico referente à jornada vivida em 1937 por um literato natural de Lousada, como assistente que foi entre a multidão presente ao Porto-Sporting disputado em Coimbra no ano de 1937, na final do Campeonato de Portugal de 1936/37. Cujo resultado de 3-2 então verificado, a favor da equipa azul e branca, atribuiu ao FC Porto o título de Campeão de Portugal nesse ano.  

O autor da crónica era pessoa da cultura da vila e do concelho de Lousada, e chegou a trabalhar como escriturário no concelho de Felgueiras, na então povoação da Longra, hoje vila, na fábrica do Largo da Longra, a Móveis de Ferro-MIT de Américo Martins (antecessora da Metalúrgica da Longra), inclusive com intervenção local como ensaiador responsável do Grupo de Teatro José Xavier, da Associação Pró-Longra, pelos anos 30 do passado século XX. Havendo, por outro lado mais recente, ainda também ligação pessoal aqui do autor destas linhas, por ter estudado algum tempo em Lousada, no histórico Externato Eça de Queirós e em Lousada ter tido um dos meus melhores amigos, o Zé Vieira, mais tarde advogado e personagem histórico da cidadania lousadense, assim como mais alguns outros, conforme lembro o Jorge Magalhães, o Teles, o Zé Alberto, etc. e profissionalmente também o médico Dr. Afonso Magalhães. Tal como muitos anos depois também acabei o percurso profissional por lá, quando o agrupamento dos centros de saúde de Sousa e Tâmega teve sede em Lousada. Com tantas afinidades, juntando ao sentimento portista, a narrativa memoranda vem a propósito. Tendo essa crónica sido entretanto publicada no Jornal de Lousada, em 1953, e agora (03-3-2026) dada a público no sítio informático do atual jornal O Louzadense. De cuja página, com a devida vénia, aqui se partilha: 

Crónica de António Gorgel sobre um jogo entre estes dois clubes portugueses em Coimbra, ocorrida em 1937. Um grupo de Lousadenses assistiu a esse jogo e disso deu conta o célebre cronista do antigo Jornal de Lousada:

Um jogo da bola na Coimbra dos doutores 

por António Augusto de Castro Gorgel (1902-1979)

( Crónica do Jornal de Lousada de 12-03-1953, sobre factos de 04-07-1937)

«Com umas dúzias de fixes Lousadenses, éramos dos ferrenhos do grupo azul e branco. Jogava-se uma final do campeonato em Coimbra, entre o Sporting e o nosso Porto. Eu, o Dr. Magalhães [notário do Cartório de Lousada, Dr António José de Sousa Magalhães], seu filho Afonso [à época dos factos jogador do Lousada Foot-Ball Club], Heitor Cunha e Manuel Mota, para lá abalamos, no carro do Ambrósio [de Oliveira, taxista.].

Fervilhava em nós o regionalismo. Viagem óptima e, por horas do almoço estávamos na Lusa Atenas [Coimbra]. Compramos os bilhetes e toca a arranjar restaurante para almoçar. Começou então o nosso calvário. Multidão imensa, de Lisboa e do Porto, ida em comboios especiais, carros e camionetas, deambulando pelas ruas da princesa do Mondego, antes do desafio a realizar no velho Campo do Arnado. Lá encontramos vaga num restaurante. Sala cheia. Sentamo-nos a uma mesa, junto da janela e ao lado de outra onde estava um casal. Cansados de esperar que fossemos servidos, vimos que o tal casal da mesa ao lado saiu deixando uma travessa quase cheia de arroz de frango. Num abrir e fechar d’olhos transferimos o pitéu para a nossa mesa. Lançamos os ossos pela janela fora para não haver vestígios. Mal nos tínhamos servido do cozinhado entretanto pedido, quando inesperadamente entram pela sala meia dúzia de indivíduos, em mangas de camisa, chefiados por um brutamontes de bigodes grandes, pêlo retorcido nos queixos, de guardanapo ao peito e talheres nas mãos. Este diz para o ar: “Quem foi o malandro que nos estragou a refeição, deitando-nos em cima dos pratos ossos de frango e restos de comida?” Era gente que comia pelo lado de baixo da nossa janela. Gera-se grande burburinho e no meio da confusão mudamo-nos para a outra mesa, mais afastada da janela… Lá passamos despercebidos.

Fomos para o campo. Ganhou o Porto e, por consequência, o campeonato de Portugal. Nas ruas era um delírio. Desde o “Santa Cruz” até uma tasca onde encontramos vinho verde, fomos nós e os outros, ao colo dos entusiastas, numa multidão louca e delirante, aos vivas ao Porto e abaixo o Sporting. Em dado momento, o nosso carro ultrapassa um dos muitos grupos no qual topamos com o tal brutamontes dos bigodes, o qual, colérico, dava vivas ao Sporting e morras ao Porto. Então, ágil, o Heitor abre a porta e, de pé no estribo do carro, assenta dois valentes “cachaços” no peludo alfacinha, dizendo: “Já que não almoças-te, come agora, seu bigodeira d’arame!” O Ambrósio acelerou, raspando pela estrada fora.

Jantou-se no Porto e, de madrugada, de regresso a Lousada, parou de repente o carro, junto ao Luís Cantoneiro. Acabou a gasolina. A pé, sonolentos e cansados, dizia sarcasticamente o Mota: “Castigo de Deus pelos ossos e pelos ‘cachaços’ no homem!”.» 

«Esta imagem, da equipa do FC do Porto desse jogo, é de uma fotografia original que nos enviou Armando Pinto, da Vila da Longra, leitor do jornal O Louzadense .»

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Efeméride do jogo FC Porto-Anderlecht disputado em dois dias a 1 e 2 de MARÇO de 1978…

Foi na época quaresmal de 1978, em tempo invernoso da transição do inverno para a primavera, que no estádio das Antas e sob chuva torrencial se iniciou, na quarta-feira 1 de março de 1978, o jogo entre as equipas do FC Porto e dos belgas do Anderlecht, da 1.ª mão dos quartos-de-final da então existente Taça das Taças, na época de 1977/78 (prova precursora da unificação com a também antiga Taça das Cidades com Feira, depois transformada numa só como Taça UEFA e atual Liga Europa). Jogo que devido a tanta chuva que caiu durante o tempo de jogo decorrido, com o campo completamente encharcado de água, a pontos de a bola nem correr, só se disputou em meio tempo. A chuva, caía então quanto Deus a dava… e lá estava também o autor daqui desta lembrança, todo encharcado, a tiritar, não de frio mas com a humidade ambiental misturada aos nervos de ver que a bola não entrava na baliza dos belgas, apesar dos jogadores portistas fazerem grande pressão no meio campo dos adversários e sobre a baliza deles, com bolas pelo ar porque de modo rasteiro a bola ficava presa no relvado alagado de água. E assim ficamos à espera que o jogo recomeçasse, depois da ida para o descanso. Contudo, após o tempo do intervalo, já ninguém regressou dos balneários, ficando adiada para o dia seguinte a respetiva continuação, que foi de reptição do jogo.

Foi então na quinta-feira, dia 2 de março, repetido o jogo. Durante o dia foram lançadas pazadas de areia sobre o relvado, na tentativa de o secar e fazer com que a bola rolasse, ante o seu estado enlameado. E então, jogou-se em fracas condições, de modo que os jogadores do FC Porto nem conseguiram desenvolver as jogadas de forma normal, tendo mesmo assim ainda conseguido marcar um golo, com o jogo a terminar com a vitória do FC Porto por 1-0, perante o golo apontado pelo goleador Fernando Gomes, aos 36 minutos.  

O FC Porto, sob o comando de José Maria Pedroto, estava ao tempo bem encaminhado para a conquista do Campeonato Nacional de futebol que faltava há muitos anos (e que finalmente foi alcançado, em junho seguinte), enquanto na campanha europeia haviam sido ultrapassados nas eliminatórias anteriores o Colónia da Alemanha e o Manchester United da Inglaterra. Aparecendo nos quartos-de-final o Anderlechet, ao tempo uma autêntica multinacional com jogadores de muitos países, enquanto o FC Porto jogava só com portugueses e alguns brasileiros, que nessa noite até foi só um, por acaso um que nem era costume jogar, mas dado o estado do terreno foi mandado lá para dentro quase no fim do jogo, ainda para se tentar alguma sorte… como foi o caso do Metralha, entrado aos 86 minutos, já - na tentativa de aumentar a vantagem para a 2.ª mão (que, como se sabe, um só golo não bastava e não foi suficiente, diante dos 3 que a equipa belga marcaria em casa, depois).

Dessa inesquecível jornada ficou guardado o bilhete do jogo, tal como ficou aí, rasgado como eram todos os bilhetes usados e assim validados à entrada.

Armando Pinto

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