Faleceu Naftal, esta quinta-feira dia 9 de abril, no Canadá, onde residia, em Edmonton. Desaparece assim um senhor que como jogador foi deveras marcante no pouco tempo em que de, 1963 a 1966, esteve a jogar no FC Porto. Tendo então sido popularmente admirado e pessoalmente foi algo especial aqui para o autor desta lembrança.
Então Naftal foi figura de nosso encantamento em tempo de minha
idade infanto-juvenil, nesse tempo da metade e meio da década dos anos 60! Sim,
pois ficou ligado a duas vitórias inesquecíveis do FC Porto sobre o Benfica de
Eusébio e demais, dentro do mesmo ano mas em épocas diferentes e consecutivas,
ao derrotar o Benfica, duas vezes seguidas. Primeiro com um golo seu na vitória de 1-0, em março de
1965, dentro ainda da época futebolística de 1964/65; e depois com mais um golo,
o primeiro da vitória por 2-0 em setembro de 1965, já na época de 1965/66.
Foi mesmo esse primeiro, então, muito apreciado por ser em tal fase
que o Benfica andava nos píncaros do sistema. E o outro numa tarde domingueira, em
que a mesma equipa foi derrotada por 2-0 (sendo o outro golo de Nóbrega, nesse
jogo também assinalável pela estreia de Pavão na equipa principal portista). Isso
num resultado bem saboroso com Naftal a ter iniciado a contagem dessa bela
vitória por dois tentos sem resposta. E em ambos os jogos perante portentosas
exibições do guarda-redes Américo, que fechou autenticamente a baliza a Eusébio
e seus pares, secundado pela forte defesa e lá na frente Naftal a concretizar o poderio ofensivo.
De tudo isso depois registei em casa, no meu arquivo que já ia fazendo (em páginas de caderno escolar furadas para meter numa pasta), qual resenha dos encontros... em letra infantil, naturalmente, e em narrativa com olhos de pequeno mas apaixonado adepto. Mais ilustrações de imagens recortadas de jornais. Como se pode recordar, na memorização guardada.
Do 1-0 de MARÇO de 1965:
Teve então esse momento alto de seu aparecimento na ribalta, pelo lance inesquecível, surgido de um cruzamento de Nóbrega, seguido de sua parte pelo domínio da bola com o peito, sem deixar o esférico sequer tocar no relvado e concluído num potente remate à entrada da área, fazendo um golo de belo efeito, como ficou registado no bocado de jornal guardado aqui pelo autor destas linhas.
Ora Naftal faleceu agora, dia 9 de abril, com 84 anos.
Naftal, de nome completo Domingos Lucas Naftal, nasceu a 23
de Abril de 1941, em Moçambique. E faleceu agora a 9 de abril de 2026, no
Canadá.
Iniciado seu percurso de futebolista no Clube de Manjacaze,
foi daí que o FC Porto descobriu o então jovem avançado, através de portistas
radicados na linda terra moçambicana.
Em 1963 passou a jogar no FC Porto, fazendo então já parte
do plantel da época de 1963/64. Havendo entretanto feito sua estreia em jogos oficiais
pela equipa principal do Futebol Clube do Porto no domingo 26 de Abril de 1964,
em pleno no Estádio das Antas, em jogo que a equipa portista venceu a do Vitória
de Guimarães por 3-1. Tendo Naftal logo deixado sua marca, com uma boa
estreia, ao ter marcado o primeiro golo do FC Porto nesse jogo a contar para a
1ª mão dos quartos-de-final da Taça de Portugal, da temporada. Havendo, contudo, nesse
tempo jogado mais pela equipa B do FC Porto (ao tempo chamada de Reservas, dos
jogadores que iam alternando com os da primeira equipa), por na avançada
portista haver outros competidores, como Azumir, Hernâni, Valdir, Romeu, no centro
de ataque (à época dos chamados avançados-centros) e extemos como Carlos Duarte,
Jaime, Rico, etc. Até que na época de 1964/65 já passou a jogar mais e a partir
de meio da mesma jogou a titular, como demonstra sua prestação de marcador de
7 golos no Campeonato, um dos quais o tal ao Benfica. Na época seguinte começou
bem, com mais um golo ao Benfica, à 3.ª Jornada do Campeonato Nacional, contudo
depois com a vinda do brasileiro Amaury já não teve tantas hipóteses de jogar
pela equipa de honra. Sabendo-se que nesse tempo ainda não havia substituições,
jogando por isso apenas os onze que entravam em campo e dos quais apenas
poderia haver substituição do guarda-redes em caso de lesão. Como tal, pela
equipa B, Naftal foi contribuindo para a conquista da Taça Associação de
Futebol do Porto por três vezes, nas três épocas em que incorporou o futebol
profissional do FC Porto.
Então, em jogos oficiais pela equipa principal, com a
camisola azul e branca, o avançado moçambicano Naftal, durante três temporadas, atuou
em 18 jogos oficiais e marcou 9 golos. Com saliência para alguns bem muito importantes
porque valeram vitórias assinaláveis, como por exemplo no jogo da 21.ª jornada
do Campeonato Nacional de 1964/65 em que o FC Porto foi a Lisboa ao Estádio do
Restelo vencer o Belenenses por 1-0, bem como jornada seguinte a fazer com que o Benfica
saísse do Estádio das Antas derrotado por 1-0. Ao passo que depois, meses
volvidos, deu início à conta do resultado que fez o Benfica sair vergado das
Antas por 2-0, deixando desolado o Eusébio que dizia que não perderia no Porto…
Após isso, Naftal, como entretanto havia chegado ao FC Porto outro avançado brasileiro, o Djalma, transferiu-se na seguinte época de 1966/67 para o Vitória de Guimarães. E dali de seguida passou a jogar no Tirsense, onde durante duas épocas foi artilheiro-mor. Seguindo depois outros rumos, pois ainda envergaria as camisolas do Sporting da Covilhã, Sporting de Espinho e Marinhense nas divisões nacionais. Na Marinha Grande jogou num período de três temporadas pelo Marinhense, até 1971/72. Seguindo-se passagens pelo Vilanovense, Aliados de Lordelo e, ainda, uma ida ao Canadá para, na edição de 1975 da Canadian National Soccer League, representar os Ottawa Tigers. Viria por fim a ficar radicado na grande nação canadiana até ao final de seus dias.
Ficou então a viver no Canadá e nesse país norte-americano
que o acolheu veio a falecer agora - segundo informação recebida e transmitida por
um amigo de cá dos nossos. Conforme chegou por informação pessoal do amigo
Paulo Jorge Oliveira, que a teve por via de um seu amigo residente no Canadá, Armando
Semblano, por sinal um antigo atleta de Yoseikan Budo do FC Porto. Sempre
com o FC Porto dentro de si, como comprova o facto de ter querido ter uma camisola do
FC Porto, já de tempo posterior ao de sua carreira, bem guardada num quadro em
que a teve emoldurada.
Descanse em paz Naftal.
Armando Pinto
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