Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Falecimento de Naftal (1941/2026) - o artilheiro que em dois jogos de 1965 marcou golos que derrotaram o Benfica de Eusébio e C.ª

 

Faleceu Naftal, esta quinta-feira dia 9 de abril, no Canadá, onde residia, em Edmonton. Desaparece assim um senhor que como jogador foi deveras marcante no pouco tempo em que de, 1963 a 1966, esteve a jogar no FC Porto. Tendo então sido popularmente admirado e pessoalmente foi algo especial aqui para o autor desta lembrança. 

Então Naftal foi figura de nosso encantamento em tempo de minha idade infanto-juvenil, nesse tempo da metade e meio da década dos anos 60! Sim, pois ficou ligado a duas vitórias inesquecíveis do FC Porto sobre o Benfica de Eusébio e demais, dentro do mesmo ano mas em épocas diferentes e consecutivas, ao derrotar o Benfica, duas vezes seguidas. Primeiro com um golo seu na vitória de 1-0, em março de 1965, dentro ainda da época futebolística de 1964/65; e depois com mais um golo, o primeiro da vitória por 2-0 em setembro de 1965, já na época de 1965/66.

Foi mesmo esse primeiro, então, muito apreciado por ser em tal fase que o Benfica andava nos píncaros do sistema. E o outro numa tarde domingueira, em que a mesma equipa foi derrotada por 2-0 (sendo o outro golo de Nóbrega, nesse jogo também assinalável pela estreia de Pavão na equipa principal portista). Isso num resultado bem saboroso com Naftal a ter iniciado a contagem dessa bela vitória por dois tentos sem resposta. E em ambos os jogos perante portentosas exibições do guarda-redes Américo, que fechou autenticamente a baliza a Eusébio e seus pares, secundado pela forte defesa e lá na frente Naftal a concretizar o poderio ofensivo.

= Foto da equipa do FC Porto em 1965/66, com Naftal !

De tudo isso depois registei em casa, no meu arquivo que já ia fazendo (em páginas de caderno escolar furadas para meter numa pasta), qual resenha dos encontros... em letra infantil, naturalmente, e  em narrativa com olhos de pequeno mas apaixonado adepto. Mais ilustrações de imagens recortadas de jornais. Como se pode recordar, na memorização guardada.

Do 1-0 de MARÇO de 1965:

Teve então esse momento alto de seu aparecimento na ribalta, pelo lance inesquecível, surgido de um cruzamento de Nóbrega, seguido de sua parte pelo domínio da bola com o peito, sem deixar o esférico sequer tocar no relvado e concluído num potente remate à entrada da área, fazendo um golo de belo efeito, como ficou registado no bocado de jornal guardado aqui pelo autor destas linhas.


E do 2-0 de SETEMBRO de 1965 também:


Ora Naftal faleceu agora, dia 9 de abril, com 84 anos.

Naftal, de nome completo Domingos Lucas Naftal, nasceu a 23 de Abril de 1941, em Moçambique. E faleceu agora a 9 de abril de 2026, no Canadá.

Iniciado seu percurso de futebolista no Clube de Manjacaze, foi daí que o FC Porto descobriu o então jovem avançado, através de portistas radicados na linda terra moçambicana.

Em 1963 passou a jogar no FC Porto, fazendo então já parte do plantel da época de 1963/64. Havendo entretanto feito sua estreia em jogos oficiais pela equipa principal do Futebol Clube do Porto no domingo 26 de Abril de 1964, em pleno no Estádio das Antas, em jogo que a equipa portista venceu a do Vitória de Guimarães por 3-1. Tendo Naftal logo deixado sua marca, com uma boa estreia, ao ter marcado o primeiro golo do FC Porto nesse jogo a contar para a 1ª mão dos quartos-de-final da Taça de Portugal, da temporada. Havendo, contudo, nesse tempo jogado mais pela equipa B do FC Porto (ao tempo chamada de Reservas, dos jogadores que iam alternando com os da primeira equipa), por na avançada portista haver outros competidores, como Azumir, Hernâni, Valdir, Romeu, no centro de ataque (à época dos chamados avançados-centros) e extemos como Carlos Duarte, Jaime, Rico, etc. Até que na época de 1964/65 já passou a jogar mais e a partir de meio da mesma jogou a titular, como demonstra sua prestação de marcador de 7 golos no Campeonato, um dos quais o tal ao Benfica. Na época seguinte começou bem, com mais um golo ao Benfica, à 3.ª Jornada do Campeonato Nacional, contudo depois com a vinda do brasileiro Amaury já não teve tantas hipóteses de jogar pela equipa de honra. Sabendo-se que nesse tempo ainda não havia substituições, jogando por isso apenas os onze que entravam em campo e dos quais apenas poderia haver substituição do guarda-redes em caso de lesão. Como tal, pela equipa B, Naftal foi contribuindo para a conquista da Taça Associação de Futebol do Porto por três vezes, nas três épocas em que incorporou o futebol profissional do FC Porto.

Então, em jogos oficiais pela equipa principal, com a camisola azul e branca, o avançado moçambicano Naftal, durante três temporadas, atuou em 18 jogos oficiais e marcou 9 golos. Com saliência para alguns bem muito importantes porque valeram vitórias assinaláveis, como por exemplo no jogo da 21.ª jornada do Campeonato Nacional de 1964/65 em que o FC Porto foi a Lisboa ao Estádio do Restelo vencer o Belenenses por 1-0, bem como jornada seguinte a fazer com que o Benfica saísse do Estádio das Antas derrotado por 1-0. Ao passo que depois, meses volvidos, deu início à conta do resultado que fez o Benfica sair vergado das Antas por 2-0, deixando desolado o Eusébio que dizia que não perderia no Porto…

Após isso, Naftal, como entretanto havia chegado ao FC Porto outro avançado brasileiro, o Djalma, transferiu-se na seguinte época de 1966/67 para o Vitória de Guimarães. E dali de seguida passou a jogar no Tirsense, onde durante duas épocas foi artilheiro-mor. Seguindo depois outros rumos, pois ainda envergaria as camisolas do Sporting da Covilhã, Sporting de Espinho e Marinhense nas divisões nacionais. Na Marinha Grande jogou num período de três temporadas pelo Marinhense, até 1971/72. Seguindo-se passagens pelo Vilanovense, Aliados de Lordelo e, ainda, uma ida ao Canadá para, na edição de 1975 da Canadian National Soccer League, representar os Ottawa Tigers. Viria por fim a ficar radicado na grande nação canadiana até ao final de seus dias. 

Ficou então a viver no Canadá e nesse país norte-americano que o acolheu veio a falecer agora - segundo informação recebida e transmitida por um amigo de cá dos nossos. Conforme chegou por informação pessoal do amigo Paulo Jorge Oliveira, que a teve por via de um seu amigo residente no Canadá, Armando Semblano, por sinal um antigo atleta de Yoseikan Budo do FC Porto. Sempre com o FC Porto dentro de si, como comprova o facto de ter querido ter uma camisola do FC Porto, já de tempo posterior ao de sua carreira, bem guardada num quadro em que a teve emoldurada.

Descanse em paz Naftal.

Armando Pinto

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quarta-feira, 8 de abril de 2026

FC PORTO LANÇA CAMISOLA RETRO DA FINAL DA LIGA EUROPA 2010-2011 - Oportunidade de recordar essa época por uma caderneta alusiva…

O FC Porto anunciou esta quarta-feira o lançamento da camisola retro da final da Liga Europa de 2011:

« O FC Porto lança a camisola retro da Final da Liga Europa 2011, uma peça que transporta todos os Portistas para uma das épocas mais vitoriosas e marcantes da história do Clube.

Já disponível nas FC Porto Stores e Online

Esta edição permite a estampagem de nomes e números dos jogadores que fizeram parte dessa temporada, utilizando o lettering oficial de 2010/11. Um detalhe que reforça a autenticidade da peça e a ligação a uma conquista inesquecível.

No ano em que se assinalam 15 anos do sétimo título internacional do palmarés azul e branco, esta camisola celebra uma equipa que marcou uma era. A 18 de maio de 2011, em Dublin, Guarín cruzou, Falcao finalizou e a história ficou escrita: o FC Porto conquistava a sua segunda Liga Europa.

Uma campanha que muito nos orgulha, sublinhada por 12 triunfos, 37 golos e momentos que permanecem na memória de todos os Portistas.

Agora, nasce uma peça que permite reviver essas emoções.

Disponível em exclusivo nas FC Porto Stores e FC Porto Online Store, esta camisola inclui o badge oficial da Liga Europa 2010/11, bem como detalhes que reforçam a autenticidade de uma peça pensada ao pormenor.»

Na oportunidade desta lembrança especial, recorda-se esse feito e toda essa época através de uma caderneta editada pela QuidNovi e pelo jornal O Jogo, distribuída por esse diário desportivo O Jogo em 2011, com páginas alusivas aos intervenientes diretos e estatísticas, incluindo imagens de autocolantes colecionados. No caso particular e pessoal enriquecida com mensagem autografada também especial.

(Mensagem autografada na página azul, à direita) 

Da mesma, como amostra, publicam-se algumas das diversas páginas, no formato da camisola.




Armando Pinto

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domingo, 5 de abril de 2026

Lembrando Hernâni - na passagem de 25 anos de seu falecimento (a 5 de abril de 2001) - em dia de Páscoa de 2026, celebrando a vida sobre a morte!

 

Cinco de ABRIL-2001/2026: Passam este ano 25 anos do falecimento de Hernâni, o grande futebolista Hernâni do Futebol Clube do Porto, o senhor Hernâni Silva do futebol português, desaparecido do número dos vivos a 5 de abril de 2001, mas sempre recordado como presença histórica assinalável. Lembrança esta que calha assim neste ano de 2026 em pleno Dia de Páscoa, quando se celebra a ressurreição evangélica de Cristo e como tal se comemora piamente a vitória da vida sobre a morte.

Hernâni foi um grande jogador de futebol mas sem ter sido tão reconhecido como devia ser, a nível do sistema futebolístico, obviamente por ter jogado pelo FC Porto. Tanto que ele dizia que um campeonato ganho pelo Porto valia por dez dos ganhos pelos clubes do regime. Como se viu pelo caso-Calabote, em que foi por um triz que se não deu mais um “roubo de igreja”, como referia Pedroto. E depois como dirigente representativo do FC Porto sentiu ainda na pele essa animosidade, com o FC Porto a ser prejudicado e os desonestos ainda ficarem à vontade para continuarem a fazer batota. Como continua, e esta época tem sido à descarada, mais parecendo na continuação dos célebres casos que passam entre os pingos da falsa justiça…

Vem assim a propósito mais uma rememoração sobre esse senhor Hernâni Ferreira da Silva. Ao qual aqui neste blogue têm sido dedicados diversos artigos, por variados motivos, desde aniversários de nascimento, efemérides de estreias, recordações de vitórias e também por causa de assinalar outras datas, entre as quais também a de seu falecimento. Como desta vez se volta a registar, mas de modo diferente. Dando-se desta feita lugar a rememorar sua imagem histórica por uma biografia curricular que foi publicada numa antiga revista de Lisboa, na “Crónica Desportiva”, em 1957, referente à respetiva ficha desportiva até esse ano. Assim sendo, com sua carreira futebolística quase a menos de meio, ainda. Quando já tinha sido Campeão Nacional e ganho a Taça de Portugal pelo FC Porto, um ano antes, mas ainda sem ter conseguido os outros títulos que veio a conseguir, desde mais uma Taça em 1958, e outro Campeonato em 1959, até à vitória no Torneio Internacional Militar, em 1958, mais as sucessivas internacionalizações posteriores pelas seleções militar e civil, e ainda sua passagem pelo dirigismo desportivo depois de ter acabado a carreira de futebolista. Contudo dando para ver como já era apreciável seu percurso, embora percebendo-se como nem tudo o que ali aparece escrito possa ser completamente fiável, porque tem de se dar um desconto ao autor do texto, como jornalista de Lisboa, deixando certas dúvidas a quem lê. Fica porém o que até aí estava escrito e sobretudo as imagens históricas, que falam melhor que tudo o mais.






Armando Pinto

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sábado, 4 de abril de 2026

Feliz Páscoa!

 

Estamos na Páscoa, com o semblante pascal colorido pela flor da Páscoa, as glicínias azuladas que emprestam seus tons primaveris a animar o aspeto da época. Enquanto no ambiente comunitário a cruz tem primazia no Compasso que virá às casas fazer a tradicional visita de Aleluia. De permeio com ambiente doméstico em que algo relacionado tem sempre lugar. Sendo agora, na chegada à nossa Páscoa, tempo de reunião de família, quer à mesa em convívio e depois a receber a Cruz Paroquial na visita do Compasso Pascal, de desejar os melhores votos próprios da quadra:

– A todos os amigos e amigas, seguidores e seguidoras, mais leitores e leitoras deste meu blogue “MEMÓRIA PORTISTA”, desejo uma feliz e santa Páscoa, com um abraço de Aleluia!

Páscoa de 2026 - Armando Pinto

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Objeto do Mês" de ABRIL: Caldeirão R C Celta de Vigo – oferta recebida pelo FC Porto num amigável FC Porto-Celta, em 1958 – com associação a algo pessoal de ligação portista…!

Na já habitual colocação pública de um objeto das reservas do Museu do FC Porto em exposição mensal, no espaço livre de passagem entre o museu e a loja do Dragão, está este mês de ABRIL de 2026 exposto no mesmo átrio, vulgarmente conhecido por Hall do Museu, um simbólico objeto típico da Galiza, representando o caldeirão da cultura galega-céltica. Tratando-se do “Caldeirão RC Celta de Vigo”, de oferta recebida pelo FC Porto num amigável FC Porto-Celta de Vigo realizado no princípio do ano de 1958. 

Houve então, logo a 1 de janeiro desse ano, a disputa de um encontro particular de cariz festivo no estádio das Antas, em pleno Dia de Ano Novo, entre as equipas principais do Futebol Clube do Porto e do Real Club Celta de Vigo, terminado com um empate simpático de 1-1. Tendo no final desse jogo havido um convívio entre as representações dos dois clubes, celebrado também com trocas de lembranças, havendo sido oferecido pelo presidente daquele clube da região irmã da Galiza um pequeno caldeirão de ferro, com o emblema do clube galego e em letras gravadas o respetivo nome do mesmo clube. Ficando assim como lembrança, na troca de gestos de cortesia, do Presidente António Herrero ao homólogo portista Dr. Paulo Pombo, essa peça que assinala o momento, com tal simbólico objeto.

Ora, esse caldeirão típico da região galega, em materiais diversos, é extensivamente um objeto algo simbólico que em tempos, pelo menos, costumava servir de recordação de visitas à região circundante de Vigo até Santiago de Compostela. Como pessoalmente ficou um exemplo, duma visita excursionista a Compostela em 1973, em que eu trouxe como recordação um caldeirão desses, de material mais leve, obviamente, e com decoração algo folclórica. 

Cuja função decorativa, do artefacto singelo, ficou a assinalar a lembrança desse passeio em tal momento de carácter particular. Com extensivo significado, no caso, por ter sido em 1973, no ano em que entrei para sócio do FC Porto.


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O caldeirão celta remete ao típico caldeirão ou pote da "queimada galega", um ritual mágico centenário profundamente enraizado na cultura da Galiza e com certa presença no Norte de Portugal. Como pote de preparação duma forte bebida tradicional feita num caldeirão, representando uma ligação aos costumes celtas, localizado numa “noite meiga”… Cuja queimada liberta dos males da alma os espíritos malignos, purificando quem a bebe, numa atmosfera noturna, como que a criar uma atmosfera mística com o fogo azulado do álcool saído da bebida, numa roda de integrantes imbuídos pelo natural encantamento.

Armando Pinto

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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Efeméride: 1.º jogo da Seleção Nacional de Juniores de futebol - com representantes do FC Porto: 2 titulares e 2 suplentes, sendo do FC Porto ambos os guarda-redes e o marcador do golo do empate final - em 1954!

A 2 de abril de 1954 deu-se a estreia da Seleção Nacional de Juniores de futebol em jogos oficiais. Cujo jogo inicial foi então disputado na Alemanha, para o Torneio Internacional de Juniores da FIFA, diante da Irlanda, terminado com um empate de 2-2.

Nessa Seleção o FC Porto esteve representado pelos dois guarda-redes, o titular e o que ficou a suplente, Roldão e Norberto, respetivamente. Mais pelo defesa Amorim, que não alinhou nesse primeiro jogo, e por Fernando Ferreira (conhecido por “Ferreirinha”), que foi titular e marcou 1 golo na estreia.

= Os dois guarda-redes: à esquerda da imagem, Roldão; e à direita, Norberto.

Antes, quando a Seleção se preparava para esse Europeu da categoria, foi no destacável “Desportos do Cavaleiro Andante”, suplemento do jornal Mundo Desportivo, feita uma apresentação da mesma Seleção, contendo na capa os dois guarda-redes, como caso raro, e numa página do seu interior a referência ao facto dos 2 guarda-redes serem do mesmo clube, FC Porto, informando mais a constituição de todo o plantel da Seleção que esteve nos treinos de preparação - conforme se dá à estampa, como amostra.

Curioso o caso de no destaque dado a um jogador da CUF ser referido, na publicação, que tal defesa da equipa do Barreiro seria bem visto no Sporting… Tendo então a Seleção sido formada por 4 jogadores do FC Porto, 4 do Belenenses, 3 do Benfica, 2 do Sporting, 1 da CUF, 1 da Ovarense, 1 do Atlético, 1 do Olhanense e 1 do Vialonga.

Essa estreia ocorreu em Solingen, na Alemanha Ocidental, diante da congénere equipa júnior da Irlanda. Para a história completa eis a equipa com que a Seleção Portuguesa alinhou, e entre parênteses os clubes a que pertenciam, ao tempo: Roldão (FC Porto), Paz (Belenenses), Tito (Belenenses), Hélder (Benfica) Palma (CUF), Poeira (Olhanense), Palmeiro Antunes (Benfica), Fernando Ferreira “Ferreirinha” (FC Porto), Isidro (Benfica), Inácio (Belenenses) e Angeja (Belenenses). Foi capitão de equipa o avançado do Belenenses Inácio. Sendo os golos marcados um pelo mesmo Inácio, e o outro por Ferreirinha, do FC Porto. Havendo Portugal chegado a estar a perder por 2-0, recuperando depois com um primeiro golo apontado por Inácio e o do empate por Ferreirinha.

= Ferreirinha

Foi selecionador Adriano Peixoto, jornalista e escritor de livros sobre desporto (curiosamente não se conhecem referências de quem foi o treinador, havendo ao tempo os dois lugares), dessa equipa Nacional de Juniores que se estreou em competições internacionais, em 1954.

O tema dessa estreia da Seleção foi versado mais tarde na revista Crónica Desportiva, três anos depois, como curiosidade incluída na edição de 5 de Maio de 1957.

Enquanto a mesma Seleção, que alinhou aí nessa estreia, teve direito a fotografia também na revista Crónica Desportiva, em seu número de 23 de junho seguinte.

Durante a mesma prova, do Torneio Internacional de Juniores, na Alemanha, Portugal averbou 3 empates (com Irlanda, Jugoslávia e Alemanha Ocidental) 3 derrotas (com Espanha, Holanda e Itália) e 1 vitória (contra a Inglaterra). Durante a mesma prova já o defesa portista Amorim chegou a alinhar e como tal também sido internacional júnior. 

Portugal competiu no Grupo 2, terminando em 3.º lugar no seu grupo, com empates contra a Irlanda e Jugoslávia e uma derrota contra a Espanha. Na classificação final, Portugal ficou em 11.º lugar após vencer a Inglaterra por 2-0. Tendo a Espanha sido vencedora do Torneio, após empate (2-2) na final com a seleção anfitriã (Alemanha Ocidental), vencendo o título com base na melhor média de golos na fase de grupos. Curiosamente Portugal tinha empatado com a  equipa alemã.


= Seleção Portuguesa de Juniores de 1954 - num outro jogo, no decorrer do Torneio Internacional da FIFA.

Ao tempo essa prova era chamada de Torneio Intrernacional de Juniores da FIFA, como Mundial Júnior, e só no ano seguinte a UEFA passou a organizar o torneio como europeu (passando em 1955 a ser Torneio Internacional da UEFA, vulgo Europeu de Juniores).

Outra curiosidade, esta da publicação da Crónica, passados três anos, foi de ser ainda referido que dos selecionados de 1954 a maioria havia atingido a equipa sénior de suas equipas, aludindo entre duas exceções o Roldão não ter ascendido ainda ao plantel principal do FC Porto. Pois nessa altura, em 1957, o Ferreirinha tinha sido emprestado pelo FC Porto ao Braga, mas depois ainda regressou e esteve no plantel sénior do FC Porto em 1959/1960, seguindo por fim por outras equipas. Enquanto Roldão foi para o Guimarães, onde durante anos foi titular e um dos melhores da história do clube vimaranense.

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Então, muitos anos depois de Portugal ter tido estreia na Seleção A, de seniores, como foi em 1921, só em 1954 teve o primeiro jogo de uma equipa de Juniores - quando Portugal participou pela primeira vez numa prova oficial de seleções de juniores. Na diferença comparativa de em Portugal ter começado a haver uma prova oficial de equipas principais em 1921, como foi a Primeira Liga (ou Liga Experimental, como anos volvidos passou também a ser conhecida), enquanto em Juniores só em 1939 teve início o respetivo campeonato, com apuramento do campeão numa final. E a Seleção de Juniores então em 1954 fez seu primeiro jogo. Assim sendo, os futebolistas que jogaram como juniores antes de 1954 não tiveram possibilidade de ser internacionais na seleção nacional dessa categoria.

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Portugal veio mais tarde a ser vencedor do Torneio da UEFA de Juniores, o Campeonato da Europa respetivo, em 1961 - no Europeu realizado em Lisboa, sendo Pedroto o treinador, com David Sequerra a Selecionador, e o FC Porto estado representado pelo guarda-redes Rui e pelo avançado Serafim, como titulares, mais Faria a suplente. Tendo Serafim sido o goleador-mor da equipa portuguesa e da prova.

Armando Pinto

NOTA: Sobre o tema dos primeiros internacionais juniores, foi anteriormente publicado um artigo, incidindo numa homenagem aos que depois também foram em 1964 - conforme se pode rever (clicando) em 

https://memoriaporto.blogspot.com/2024/04/memoria-dos-primeiros-futebolistas.html

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sábado, 28 de março de 2026

Efeméride da homenagem a Pedroto na entrega das faixas aos Campeões de 1959 - a 29 de MARÇO, dia de Páscoa desse ano!

Em 1959 a Páscoa foi a 29 de março.

Então, na tarde do domingo 29 de MARÇO de 1959, em pleno Dia de Páscoa desse ano, enquanto nas ruas da cidade do Porto e pelas terras do Norte do país, sobretudo, decorriam as visitas domiciliárias dos trajetos do tradicional Compasso, os jogadores, dirigentes e bom número de adeptos do FC Porto apressaram as suas tradições pascais para estarem presentes no estádio das Antas. Onde então, na mesma tarde desse domingo pascal, teve lugar a entrega das faixas de campeões aos elementos do FC Porto que, no domingo anterior, venceram o Campeonato da 1.ª Divisão Nacional de 1958/59, mais intensamente vivido por ter sido conquistado contra a batota do caso-Calabote... Havendo aí, na ocasião, sido entregue a cada um a respetiva faixa de Campeão Nacional e correspondente medalha, mais uma coluna prateada contendo impressos os nomes de todos os campeões. Com acrescento de dois dos jogadores campeões terem ainda sido homenageados de modo particular: Pedroto e Teixeira. De forma que por isso, na foto de conjunto, os mesmos dois ficaram na fotografia com camisolas de jogo. Tendo António Teixeira recebido uma pequena bola de ouro, ofertada pelo FC Porto, como desagravo por o jornal A Bola não lhe ter atribuído o trofeu Bola de Prata de melhor marcador do campeonato (por alguns jornalistas desse periódico de Lisboa, com o seu habitual faciosismo, não lhe terem considerado oficialmente alguns golos que ele marcara e com os quais teria tido o maior número de golos entre todos os goleadores da prova, sendo o trofeu da responsabilidade do jornal...). E, por fim, José Maria Pedroto recebeu uma homenagem como reconhecimento na despedida de sua carreira, que terminava ali dentro da equipa principal (apenas se mantendo no plantel mais uns meses para jogos particulares, até frequentar o curso internacional de treinador e enveredar pela carreira que o fez "Mestre").

Ora, como em artigos de anos anteriores aqui já ficou historiada essa festiva entrega das faixas e homenagens, mais o jogo de cartaz com que culminou o programa, desta feita dedica-se um artigo a ilustrar por imagens a referida homenagem prestada a Pedroto - conforme permanece na fixação fotográfica de um álbum que, com muito gosto pessoal, faz parte da biblioteca portista aqui do autor desta lembrança.









Armando Pinto

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