Olhando de baixo...
Armando Pinto
Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis
Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.
A. P.
De tempos distantes, já, e distante do ambiente vivido na
Luz com lançamentos de isqueiros e pedras, de arremesso a representantes do FC
Porto, como se viu no clássico Benfica-FC Porto disputado em Lisboa no Dia da
Mulher de 2026… vem a calhar remexer em coisas de tempos em que até ainda podia
haver homenagens particulares conjuntas a jogadores do FC Porto e do Benfica.
Como foi o caso, agora e rememorar, ocorrido em 1995, numa organização dum
agente de futebol que ao tempo ainda se não mostrara como era, verdadeiramente,
também. Vindo então à lembrança um evento patrocinado pelos dois clubes, ocorrido
em Vila do Conde, que serviu para uma despedida festiva de dois craques dos
anos 80, como foram André e Veloso. Algo que está descrito em recorte jornalístico
da época, cuja legenda descreve o que então se passou e dispensa mais comentários.
Armando Pinto
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Em pleno dia 8 de MARÇO, dedicado
às mulheres, como Dia Internacional da Mulher, toda a gente de uma maneira ou de
outra lembra as mulheres de sua vida e outras de suas atenções. Tal como na
comunicação social e por tudo quanto é sítio informático há referências a
mulheres de destaque. Tanto como a nível clubístico-desportivo são lembradas as
mulheres atletas do clube de cada um. Quão no caso portista costumam ser lembradas
mulheres que fazem parte da história do FC Porto, desde o passado ao presente. E
este ano o FC Porto surpreendeu as companheiras dos jogadores no Dia da Mulher,
tendo o Clube oferecido o pequeno-almoço, acompanhado de uma carta
personalizada, às esposas dos futebolistas mesmo na manhã do dia do clássico
Benfica-Porto.
Contudo há sempre algo mais a
poder ser acrescentado. Pois por vezes, na profusão de publicações, pode haver
casos pouco ou nada lembrados. Sendo então oportunidade de fazer plena justiça
a alguém, entre as mulheres do FC Porto, que bem merece lembrança, também neste
dia. Quão lembro a esposa do nosso presidente do FC Porto, senhora que sabe e
aprova que o marido possa dedicar muito de sua vida a zelar pelo FC Porto.
Sendo assim de lhe reconhecer o quanto o FC Porto lhe deve estar grato - referindo
o FC Porto, o Clube, pelo Mundo do FC Porto, tomando a parte pelo todo. De modo
que, pessoalmente, em jeito de melhor celebrar este dia como portista, agradeço em nome pessoal e pelo meu Portismo, exarando aqui
uma homenagem à excelentíssima senhora esposa do Presidente André Villas-Boas!
Armando Pinto
Se há jogos marcantes da vivência clubista, dos que marcam a
nossa história portista, outros há que ficam marcados na memória mais
particular, ainda que a nível clubístico possam não ser de grande impacto, numa
visão fora do normal. Tal o que aconteceu com um desses, um Porto-Braga, jogado
no Porto a 7 de março de 1982, que o FC Porto venceu de modo quase natural e
sem grandes parangonas. Mesmo que nem sequer haja sido uma vitória transcendente e
muito importante a nível classificativo, como estava a situação, ao tempo. Visto nessa época o FC Porto não ter
ganho o campeonato, sequer, tendo até ficado no 3.º lugar do pódio da prova.
De véspera eu tinha ido para o Porto-cidade por via do internamento hospitalar de minha esposa, em vias de ter a nossa filha. E depois de sairmos do hospital, eu e meu filho, em virtude de irmos passar a noite a casa da madrinha de minha esposa, passamos pelo estádio das Antas para mostrar ao meu filho o que pudéssemos ver. Então, andando pela cidadela desportiva das Antas, por acaso vimos o treino da equipa principal de futebol, nesse sábado, a decorrer no campo n.º 2 das Antas (campo de treinos junto aos pavilhões), em preparação para o jogo do dia seguinte. Momentos que registei na maquinazita fotográfica que tinha, como faz parte do álbum de família desse período. Sem que as fotos tenham ficado lá muito bem, pois obviamente tive de pedir a alguém, para o efeito, dos que andavam por ali, e certamente as pessoas que clicaram sem conhecerem a máquina devem ter tremido um bocado. (Eram tempos de rolos fotográficos e só depois de se mandar revelar se sabia se tinham ou não ficado bem.) Mas ficaram os registos.
Ora, então no dia seguinte o Porto jogava em casa, mas eu rumei
ao hospital logo pela manhã, e de tarde desenrolava-se então o jogo, que não
era afinal mais que um jogo quase para cumprir calendário do campeonato. Mas
esse foi o que o FC Porto disputou no domingo em que nasceu a minha filha, logo
foi algo especial. Estando eu na cidade do Porto mas sem ter ido ao futebol às
Antas, pois nesse mesmo dia nascera a minha filha, no Hospital de São João, pela
manhã soalheira em que pela primeira vez vi a cara da minha menina que veio
completar o meu casal de filhos. E naturalmente de tarde para lá foram novamente
as minhas atenções. Sabendo apenas o que se passava no estádio das Antas pelo
relato que se ia ouvindo por uns rádios transístores de pessoas que por lá andavam
em visitas a seus familiares. O FC Porto ganhou esse jogo por 3-1 ao Braga,
graças aos golos marcados por Frasco, Lima Pereira e Sousa. Tendo alinhado com Fonseca,
Gabriel, Fernando, Freitas, Lima Pereira, Sousa, Jaime Pacheco, Frasco (depois
Jaime Magalhães), Romeu; Jacques e Costa. Estava um domingo lindo de sol, e eu
nesse domingo também tinha o sol dentro de mim.
= Plantel dessa época de 1981/82.
Armando Pinto
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Na já habitual mostra mensal de um diferente objeto de cada mês, em expositor patente ao público na área de circulação livre do átrio
entre o Museu e a loja do Dragão, este mês o correspondente objeto exposto relaciona
algo da história portista com atividades passadas com a área de teatro. Através
de duas figuras de marionetas que fizeram parte em 2016 de um espetáculo de
marionetas, em que figuraram tais personagens, a evocar o fundador Nicolau d’Almeida
e Romualdo Torres, este um antigo jogador dos primórdios do clube e que fez
parte da equipa do primeiro jogo internacional entre clubes, efetuado em
Portugal, opondo o FC Porto e o Real Fortuna de Vigo, disputado no Campo da
Rainha, no Porto. Sendo que o objeto neste mês tem cabimento por no mesmo mês haver uns dias próprios, primeiro o Dia Mundial da Marioneta, a 21, e depois a 27 o Dia Mundial do Teatro.
𝑶𝑩𝑱𝑬𝑻𝑶 𝑫𝑶
𝑴𝑬̂𝑺 ✨ Marionetas Nicolau d’Almeida e
Romualdo – 2016 💙
👉 Nicolau d’Almeida e
Romualdo são personagens da peça de teatro de marionetas “O Porto é uma Lição –
História do clube, da cidade e, afinal, o planeta é azul”
No mesmo expositor, e em complemento de ligação, é referenciado e recordado que o FC Porto teve nos anos 60 uma Secção de Teatro, cuja estreia ocorreu em 1963 (caso entretanto já lembrado aqui neste blogue, em mais que um artigo próprio).
É de recordar, também, que nessa secção e
atividade participou, como ator, o portista Amílcar Mendes, depois elemento do basquetebol do FC Porto e mais tarde colaborador do
jornal O Porto, tal como atualmente é um dos membros do Grupo de Encontro
de Colaboradores do mesmo antigo jornal do Clube.
A propósito, relembre-se essa memoração (clicando) em
https://memoriaporto.blogspot.com/2023/03/a-proposito-do-dia-mundial-do-teatro.html
Armando Pinto
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Este dia 5 de março de 2026 fica assinalado com a morte do grande escritor António Lobo Antunes, um dos melhores da língua portuguesa e até possivelmente o melhor da parte final do século XX e princípios do XXl. Pelo menos para mim um dos poucos escritores contemporâneos que aprecio ler.
Ora, para lá de tudo que se diga e escreva sobre ele - que se
torna desnecessário repetir, por hoje andar por toda a comunicação social tudo
e mais alguma coisa sobre o mesmo - há aqui um facto a registar, por Lobo Antunes haver em
tempos assumido ter sido admirador do antigo guarda-redes do FC Porto Frederico
Barrigana. Sem Lobo Antunes ser Portista, entenda-se. Não interessando saber de
que lado ele é, se é dos que só veem vermelho à frente dos olhos e da barriga ou dos que pensam que
são viscondes e nem sabem a triste figura que fazem, só porque sabem que têm o
sistema a amparar e branquear as atrocidades e má-criadices. Embora julgando saber-se que ele pendia para o lado dos vermelhos. Mas interessando aqui, no caso de Lobo Antunes, que ele sabia ver as coisas e não ia em cantigas de
regimes e sistemas. Bem como, honesto que era, dava valor ao que via ter valor. Como o Barrigana.
Pois o Lobo Antunes que dá gosto ler, escreveu uma crónica inesquecível, sobre sua admiração por Barrigana. Dizia-se popularmente que Barrigana era um guarda-redes "maluco", no sentido de destemido e desinibido, não apenas dentro do campo. Sendo certo que deixou obviamente a sua marca na história do futebol português. Também Lobo Antunes deixou marca profunda, com seu feitio sobreposto à arte de escrever. Tanto que ao seu ídolo da bola dedicou uma crónica, que ficou famosa e tem sido citada em diversos locais de diversos modos e feitios.
Ora, António Lobo Antunes foi um senhor na escrita, tal como
o Barrigana era diante das balizas a lançar-se para agarrar a bola.
Ambos artistas em seus misteres, que dava gosto ver e ler.
Armando Pinto
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