No verão de 2000, a 19 de julho, já durante a pré-epoca da
temporada que se seguiria, despediu-se Rui Barros do público do estádio das
Antas, sendo muito aplaudido pelos presentes numa sentida e emocionante homenagem que
a família portista prestou então ao simpático quão histórico futebolista. O Rui Barros das grandes
e rápidas jogadas de contra-ataques, em velozes avançadas direcionadas às
balizas adversárias, que levaram a que ficasse conhecido por “Speedy González” (“popularmente
“Spid Gonzales”) - à imagem do figurante personagem de desenhos animados assim chamado,
esperto e muito veloz, conhecido pelas suas frases antes de sair de sua
correria, disparando: "Arriba, arriba!". Figura que o pequeno-grande
Rui Barros parecia transmitir quando suas jogadas tinham sucesso e saltava para
junto dos colegas, de sorriso abertamente malandro e satisfação humilde, de
alegria.
Rui Barros era normalmente referido por pequeno-grande jogador e essa feição ajustava-se por ele ser de pequena estatura física mas muito grande em valor futebolístico. Ficando célebre por suas arrancadas, correspondendo aos passes de colegas a “rasgar” defesas adversárias, como aconteceu no primeiro golo da final a duas mãos da Supertaça Europeia, em 1987, quando no jogo da 1.ª mão, em casa do Ajax, a passe de Fernando Gomes desde o meio campo e a ultrapassar os defesas da equipa campeã holandesa, Rui Barros fez o golo com que o FC Porto venceu por 1-0, ficando em vantagem para a conquista dessa super competição entre os vencedores da duas competições mais importantes da Europa.
Seguiu-se, nesse primeiro ano na equipa principal do FC Porto, uma muito rápida ascensão e repentina atenção, que depressa fez ser cobiçado pela Juventus, grande equipa italiana para a qual se transferiu surpreendentemente em rápido acordo de conversações entre os clubes envolvidos. E assim como foi, também volvidos anos voltou, quase de surpresa, terminando a carreira no FC Porto, sempre como um dos mais admirados artistas da bola no mundo do FC Porto.
Ora, Rui Barros, de nome completo Rui Gil Soares de Barros,
nascido a 24 de Novembro de 1965, em Lordelo, do concelho de Paredes e distrito
do Porto, havia começado a jogar no clube de sua terra, Aliados de Lordelo, aos
12 anos; e seguidamente ainda passou pelo Rebordosa, clube de terra vizinha, como depois também pelo Paços de Ferreira já como júnior. Em cuja idade de escalão foi
então contratado pelo Futebol Clube do Porto e aí foi Campeão Nacional de
juniores. Quando saiu dos Juniores, segundo se dizia, esteve em vias de ser
definitivamente dispensado, o que só não aconteceu por Feliciano, mestre dos
escalões de formação nesse tempo, ter interferido afirmando-se contra a dispensa dum
jogador de sua qualidade e possível futuro auspicioso.
Após isso, na época de 1984/85 Rui Barros passou a sénior
mas, por o plantel ter muitos já consagrados à sua frente, foi emprestado ao Sporting
da Covilhã. Continuando assim nas temporadas de 1985/86 e 1986/87, de novo emprestado
mas desta vez ao Varzim, clube onde foi Campeão da Zona Norte da 2.ª Divisão
Nacional. Até que em 1987/88 foi integrado no plantel do F.C. Porto e passou a
fazer parte da equipa principal, que pouco tempo antes havia conquistado a Taça
dos Campeões Europeus. E logo Rui Barros na pré-época se exibiu a ponto de
agarrar o lugar durante os jogos realizados (tendo feito primeiro jogo a 6 de junho num particular ganho por 1-0 ao Flamengo, em Paris). Dando nas vistas sobretudo em prestigiados torneios europeus,
com destaque para o “Trofeo Joan Gampar”, de Barcelona, em agosto de 1987, que
o FC Porto venceu derrotando na final o Bayern de Munique por 2-0, depois de na
meia-final ter eliminado o anfitrião Barcelona por 2-1, marcando posição nessa
pré-época de estreia de Rui Barros na equipa principal do FC Porto.
Iniciando depois o Campeonato Nacional como titular, a
estreia de Rui Barros em jogos oficiais aconteceu no mesmo mês, envergando a
camisola dos Dragões no dia 26 de Agosto de 1987 no Estádio das Antas, em jogo
que o FC Porto como visitado venceu o Belenenses por 7-1, na 1.ª Jornada do
Campeonato Nacional de 1987/88. Continuando firme na primeira equipa, de modo
que à chegada do outono também alinhou nas competições europeias, fazendo sua
estreia internacional com o primeiro jogo oficial europeu a 16 de setembro
desse ano de 1987 no estádio das Antas, a contar para a 1.ª mão da 1.ª
eliminatória da Taça dos Campeões Europeus de 1987/88, vencendo por 3-0 o
Vardar. E em novembro seguinte teve momento alto da sua então ainda curta
carreira no F.C. Porto, quando na 1.ª mão da Supertaça Europeia marcou o golo da
vitória com que a equipa azul e branca foi a Amesterdão vencer o Ajax por 1-0,
deveras importante para a conquista dessa taça europeia (consumada posteriormente
no jogo da 2.ª mão, no estádio das Antas, com nova vitória dos Dragões por 1-0).
E, mantendo o ritmo, ele e a equipa, em Dezembro também de 1987, esteve em campo na final de Tóquio da Taça Intercontinental/Mundial de Clubes que
os portistas ganharam, no célebre jogo sobre relvado coberto de neve, vencendo
diante do Peñarol do Uruguai por 2-1. Tudo isso e mais num período repleto de
títulos, culminando a época de 1987/1988, nesse seu ano de estreia ao mais alto
nível, a sagrar-se Campeão Nacional pelo FC Porto e, por fim, contribuindo
para a vitória do FC Porto na Taça de Portugal, ao derrotar no estádio do Jamor
o Vitória de Guimarães por 1-0.
Então, esse seu primeiro ano com a camisola azul e branca despertou
o interesse da Juventus, acabando por antes ainda do começo da época seguinte
ter ido para a Itália vestir a camisola listada de azul e preto de Turim. Aí
ficou durante duas temporadas e venceu a Taça UEFA e a Taça de Itália. Continuando um périplo europeu depois, no verão de 1990 passou a jogar no Mónaco, no qual
conquistou a Taça de França e foi finalista da Taça dos Vencedores das Taças em
1992 (que perdeu frente ao Werder Bremen). Seguindo-se na época de 1993/94 ter
sido transferido para o Olympique de Marselha (clube francês em que teve Paulo
Futre como companheiro de equipa). Até que em 1994/95 regressou ao Futebol
Clube do Porto. Passando mais uns bons tempos no clube do coração, tanto que nas
6 temporadas seguintes no FC Porto foi Penta-Campeão Nacional, venceu mais 2
Taças de Portugal e 5 Supertaças Cândido de Oliveira. Terminando depois a
carreira na época de 1999/2000, despedindo-se em beleza dos relvados, com a
camisola do FC Porto vestida, na final da Taça de Portugal em que Deco e
Clayton marcaram os golos da vitória frente ao Sporting por 2-0.
Ao serviço do F.C. Porto, Rui Barros, segundo dados
conhecidos, em jogos oficiais pela equipa principal, jogou durante 7 temporadas,
conquistou 16 Títulos (seis Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal,
cinco Supertaças, uma Taça Intercontinental/Mundial de Clubes e uma Supertaça
Europeia), ao longo de 244 jogos oficiais e contando 56 golos marcados. Enquanto,
de permeio pela Seleção Nacional foi internacional por 36 vezes e marcou 4
golos com a camisola das quinas (num palmarés a que se juntam mais 1 Supertaça
Europeia, 1 Taça UEFA, 1 Taça de Itália, e 1 Taça de França, pelos outros
clubes que representou. E mais tarde, como treinador episódico, somou no palmarés
1 Supertaça Cândido de Oliveira, no FC Porto, ainda).
Em 2006/07 passou a integrar a equipa técnica do F.C. Porto,
ano em que treinou temporariamente a equipa principal portista na Supertaça
Cândido de Oliveira, que o FC Porto venceu trunfando sobre o Vitória de Setúbal
por 3-0, e assim ficou Rui Barros a ser o primeiro técnico portista vencedor
dessa prova como treinador e jogador. Continuou entretanto a fazer parte das
várias equipas técnicas que passaram pelos Dragões e em Janeiro de 2016 foi de
novo chamado a comandar a equipa principal em cinco partidas. Na temporada de
2018/19 assumiu o comando técnico da equipa B do FC Porto, cargo que ocupou até
Fevereiro de 2021. Continuando depois no Clube em funções de “Scouting” e de representatividade
clubista.
Pois, entre tudo isso, Rui Barros havia-se despedido publicamente nas Antas a 19 de Julho, ao correr do verão de 2000, num dos encontros de pré-época nas Antas, recebendo da família portista justa e significativa homenagem. Dois meses depois de ter pendurado as chuteiras na final da Taça de Portugal conquistada frente ao Sporting (2-0). Passando aí o testemunho como antigo camisola 8 do FC Porto. Facto de que deu conta a revista Dragões numa entrevista a dizer: “Rui Barros Obrigado”!
Armando Pinto
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