Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Recordações do Hóquei em Patins Portista: Estreia de Jorge Câmara na equipa principal do FC Porto


O Hóquei em Patins no FC Porto, depois da fase de crescimento de estatuto e ampliação de objetivos, viu-se a passar por um período de dificuldade de recursos humanos, devido à idade de incorporação no serviço militar obrigatório por diversos elementos, sendo tempo de recrutamento de tropas para a guerra colonial. Então, depois da acensão culminada na conquista do Campeonato Metropolitano e segundo lugar no Nacional após disputa da finalíssima em pleno continente africano, em 1969, seguindo-se em 1970 quase idêntica situação de ter fugido o primeiro lugar por pormenores, chegou 1971 com conclusiva vitória na Zona Norte do Metropolitano e disputa da fase final do mesmo título continental sob ambiente de enfraquecimento condicional do plantel. Tendo aí, já sido necessário recorrer à subida de gente mais jovem, para reforço do plantel em competição, como foi o caso de Jorge Câmara, requisitado e promovido da equipa júnior.


Então, depois de tão brilhante comportamento da equipa principal do clube na Zona Norte, da 2ª fase da prova metropolitana (fase zonal), chegou a parte final na continuidade da situação do FC Porto não poder contar a cem por cento com alguns hoquistas principais, tal como sucedia com interferência da vida militar de Castro, Hernâni e Zé Fernandes, sem rotinas e com natural deficiente preparação devido à estada em seus quarteis. Juntando isso à ausência momentânea mas forçada de Ricardo, que não podia jogar por impossibilidade física. Assim começou o Campeonato Metropolitano dessa época, qual rampa de lançamento e de apuramento para o Nacional. Sendo então necessário ir ao escalão jovem buscar alguém.


Estava-se então em 1971. Tendo recaído a escolha em Jorge, jovem madeirense que viera reforçar a formação de juniores (em cuja equipa ajudou a alcançar o apuramento para o Nacional pela primeira vez alcançado pelo FC Porto nesse escalão). Levando que o mesmo esperançoso hoquista não terminasse a época de juniores em curso, para reforçar a equipa sénior com vista à classificação no Metropolitano e Campeonato Nacional. Tendo Jorge Câmara iniciado andanças com os mais velhos fazendo seu primeiro jogo como sênior na finalíssima do Campeonato de Reservas frente ao Valongo no Pavilhão do Lima, logo conquistando o Título Distrital de Reservas. Para o qual contribuiu decisivamente com três golos no jogo de tira-teimas.


E, mantendo o ritmo, logo Jorge Pestana Câmara estava incorporado na primeira equipa portista à segunda jornada do Metropolitano. Teve então sua estreia como integrante da primeira equipa diante da Cuf, um dos expoentes do hóquei nacional nesse tempo e também um dos representantes do sul na prova continental.

Essa estreia ficou registada em aquivo pessoal do autor deste blogue. Através de cuja descrição, feita em género de diário de adepto, se pode recordar a preceito. Deixando que tal narrativa manuscrita e ilustrada documentalmente com recortes alusivos (de crónicas do jornal O Porto), expresse a permanência da memória hoquista, na letra de jovem entusiasta portista…


Recorde-se também que já neste blogue consta a biografia desportiva de Jorge Câmara, conforme se pode rever (clicando) em 

Armando Pinto
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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Recordando: Ascensão do Hóquei em Patins do FC Porto no panorama nacional


O hóquei patinado entrou já tarde no FC Porto, muito depois de fazer parte de outros clubes de nomeada, embora na maioria dos casos fosse praticado por clubes de menor dimensão eclética, sobretudo por emblemas mais dedicados às modalidades amadoras. Tendo mesmo o FC Porto passado a ter hóquei patinado quase a pedido, pelo menos depois de certo movimento nesse sentido, para que a modalidade evoluísse no Norte, onde as melhores equipas eram de clubes não ligados ao futebol, logo sem despertar atenções do grande público. E, à segunda tentativa (depois duma episódica primeira experiência em 1944), com definitiva implantação em 1955/56, após um início quase a tentear-se sobre os patins, em 1956, a partir que entrou Acúrsio na equipa azul e branca foi sentida rápida melhoria (cativando o então guarda-redes da equipa principal de futebol do clube também para o hóquei, que já praticara anteriormente). Situação contudo ainda passageira  em virtude do mesmo Acúrcio Carrelo, entretanto selecionado para a seleção portuguesa em 1957 e assim tornado o primeiro hoquista internacional do FC Porto, ter depois enveredo a tempo inteiro pelo futebol, na chegada do profissionalismo ao desporto-rei português. 

Evoluindo assim o hóquei em patins algo lentamente, andou anos ao nível da disputa do Campeonato Regional. Até que já em finais da década de sessenta saltou de vez para a ribalta. Tendo sido, com efeito, em 1968 que houve um significativo pulo na escala de valores, ao ser alcançado o 2º lugar no Campeonato Metropolitano (nesse tempo a prova maior da Metrópole, sendo o Nacional em fase final com os clubes das províncias ultramarinas).


Nesse surpreendente comportamento da equipa sénior do FC Porto, incluindo alguns elementos com idade júnior, sobressaía o jovem Cristiano, que junto com outros prometedores valores reforçava a equipa em que pontificavam Alexandre Magalhães, Joaquim Leite, Hernâni Martins e Branco, nomeadamente. Além de então terem entrado dois madeirense valorosos, Ricardo e Castro, cujas aquisições animaram as hostes. E, perante algum espanto, o FC Porto goleou mesmo o campeão nacional da temporada, tendo vencido surpreendentemente o Benfica por 6-0, no encontro disputado no Porto entre os contendores que terminaram em 1º e 2 na classificação final. Era praticamente a “sticada” que faltava, passando o hóquei a ser visto como modalidade em que o FC Porto podia andar em cima, também. Deixando para trás clubes que anteriormente andavam por cima na tabela, tendo ficado abaixo o Valongo, em 3º e seguidamente Campo de Ourique, Carvalhos, Cuf, Académica de Espinho e Parede.


Desse célebre encontro ficou guardado em arquivo pessoal, do autor destas linhas, uma crónica de análise pessoal, segundo o que então fora ouvindo pelos relatos radiofónicos do “Norte Reunidos” (como popularmente era simplificado o nome dos Emissores do Norte Reunidos) e respetivos registos.

(Arquivo esse só agora recuperado, final e felizmente – em devolução que me foi feita por um amigo dos tempos de colaboração no jornal O Porto, aquando do recente Dia do Clube – pois emprestara essas páginas para a elaboração da biografia do Cristiano para a coleção Ídolos, publicada em 1980, e não mais lhe pusera a vista, pensando até estar isso perdido. Por de permeio ter deixado essa colaboração gratuita, após o verão quente das Antas... Podendo agora, enfim, haver futuramente mais assuntos e documentação para partilhar, neste cantinho de memória portista.)

Ora, então desses apontamentos, eis o que consta desse arquivo manuscrito do então jovem entusiasta do hóquei portista, aí ainda com 14 anos e muitos já de Portista…


Alcançado esse estatuto, estando então a ombrear já com os melhores no panorama do hóquei nacional, e dentro do que ficara acordado na aquisição dos dois hoquistas madeirenses, o FC Porto entretanto deslocou-se também à Madeira, tendo ali vencido o Torneio Quadrangular que assinalou essa visita festiva.

De tal caravana de amizade ficou essa mesma ida à Pérola do Atlântico também devidamente anotado no dito arquivo pessoal:


Recorde-se que desta digressão à Madeira já aqui foi lembrada tal deslocação, com artigo evocativo no ano da passagem de cinquenta anos dessa primeira ida duma embaixada hoquista do FC Porto à ilha jardim portuguesa. Como se pode relembrar (clicando) em


Armando Pinto
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terça-feira, 18 de junho de 2019

Provas da idade do FC Porto, de testemunho direto sobre 1893… ainda em 1956. Antes da reposição histórica de 1987/1988!


Dentro do período comemorativo ainda dos 125 anos do FC Porto e no âmbito da grandiosidade que o FC Porto tem até por ser um clube verdadeiro em todos os aspetos, sem necessidade de invenções, é com elevado apreço clubístico que se pode afirmar mesmo que o FC Porto é verdadeiramente o clube mais antigo a praticar futebol de alto nível em Portugal.


Ora, como se está então no espaço cronológico dos 125 anos de vida do FC Porto, temporada em que se esperava que algo de impacto assinalasse tal época – fosse a prometida ampliação do Museu do FC Porto com a tal cava do Dragão para albergar tudo o que está guardado em armazém, pois todos os troféus conquistados têm história também, representam esforço, como dedicação, mais reconhecimento e quaisquer outros adereços terão representatividade evidente; fosse um monumento também que simbolize exteriormente a grandiosidade do clube Dragão, por exemplo; e embora ainda haja esperança que qualquer coisa fique em imponência visível, sabendo como o Presidente-Dragão sabe elevar a moral das hostes em momentos certos – é pois este um tempo de vincar e atestar que o FC Porto tem mesmo 125 anos, agora. Por mais que custe a alguns adversários o facto do FC Porto ser dos grandes o mais antigo clube português, e não só, também o mais idoso dos que praticam futebol a sério.


Para o efeito até nem é preciso ir muito longe (além do que é do conhecimento geral de constar nas páginas do Diário Ilustrado e do Jornal de Notícias de 1893), bastando recuar na cronologia do antigo órgão informativo e historiador do FC Porto, o jornal O Porto. Órgão criado em 1949, tendo existido desde Maio de 1949 até setembro de 1986 (substituído pela revista Dragões, entretanto iniciada em Abril de 1985) e que, pelo meio, em 1956 publicou alguns artigos com provas de que o Futebol Clube do Porto já existia em 1893. Curiosamente numa época em que entre os redatores principais do jornal O Porto estavam uns Delfim Pinto da Costa, autor do célebre livro Caravana da Saudade, e Fernando Sardoeira Pinto, mais tarde histórico Presidente da Assembleia do FC Porto já do tempo da recolocação histórica.


Pois então, nesse ano de 1956, estando no Brasil o articulista d’ O Porto que seria transmissor público da novidade, apareceu um ilustre compatriota diante desse alguém que depois escreveu, então integrado naturalmente na representação do clube que havia ido ao outro lado do Atlântico. Tendo na ocasião sido entregue alguma documentação que estava na posse do referido portista, por sinal um contemporâneo da fundação do FC Porto. Por dedução aqui do autor destas linhas, isso deve ter acontecido à época da digressão que a equipa principal de futebol do FC Porto efetuou pela América do Sul, iniciada no Brasil em Junho de 1956. Referindo-se esta possibilidade por quanto no que se pode ler (pelo menos nos jornais a que tivemos acesso) apenas ser apontado ter sido no Brasil, ao correr desse ano em que foi depois publicada a afirmação. Havendo, com efeito, sido «o Brasil o ponto de partida de uma digressão sul-americana do FC Porto.» (Em que) «no primeiro jogo, os Dragões goleiam o Fluminense (6-3) e pulverizam o recorde de receitas do bem conhecido Maracanã: 2.899.258 cruzeiros, 300.000 acima do máximo anterior, curiosamente num jogo em que participou o Benfica.»


Assim, decorrido bom tempo, saíram no jornal do clube uns quantos artigos bem escritos a narrar o que aparecera, assim. Entendendo-se que deve ter havido muita celeuma de prós e contras analisados e discutidos, para ter demorado ainda esse tempo todo até o tema ter sido levado à publicação no jornal O Porto, em Novembro seguinte. Passado já quase meio ano. O que, por outro lado, até nem terá sido demasiado, para os anos que antes e depois levou ao conhecimento efetivo e ao reconhecimento público e oficial.

Atente-se então nisto – Eis os comprovativos documentais, do que foi publicado no jornal O Poto, em suas edições de 14 e 28 de Novembro de 1956 (aqui em recortes digitalizados, para facilitar a leitura):


Posto isto, que dizer mais? As provas são muitas. Não há dúvidas. Tal como dizia Pedro Homem de Melo em seu poema Aleluia: - Dúvida? Não. Mas luz, realidade...!

Ora, não se entende, agora à posteriori, como pode ter sido isto, afinal. Saírem tais artigos no jornal do clube e… como é que com tanto material, com tão vincado testemunho vivo, enfim, no clube não tenha sido feito nada para repor a verdade dos factos, nesse tempo. Assim como não se entende que anteriormente tenha havido descrições que oficializaram o ano de 1906, quando a data de 2 de Agosto nem correspondia ao dia de semana que foi avançado. Era escusado as gentes ligadas à refundação terem esquecido que o clube vinha de 1893. Tendo depois, como foi sendo escrito e redito remontar a 1906 (curiosamente, ano que inicialmente não constava nos cartões dos associados, mas apenas foi aposto já com tudo em evolução), e especialmente por entretanto haver livros escritos, faltou coragem e sinceridade para definir historicamente o enquadramento correto.


Até que houve um grande portista e sobretudo historiador atento e disciplinado, muito mais tarde, que procurou chamar à razão. Graças à Fotobiografia do FC Porto, por Rui Guedes, foi finalmente em 1987 dado conhecimento mais alargado de tal facto, com o impacto que teve no caso desse livro ter sido lançado aquando da ida à Final de Viena. E finalmente em 1988, à segunda tentativa, foi reconhecido e aprovado em Assembleia Geral do FC Porto que a fundação do FC Porto era a que constava na imprensa da época, mais documentação guardada na Biblioteca Nacional em Lisboa, desde setembro de 1893.


Assim sendo, podemos afirmar e confirmar mesmo que o FC Porto foi fundado em 1893. Sendo falso mas é que que não possamos proclamar isso, como certa gente ainda pretende. Aliás fala por tudo e todos o testemunho em boa hora transmitido por esse bendito Kendall, através de seu testemunho em 1956. Sem menosprezar evidentemente o que foi escrito nas histórias dedicadas ao clube, sabendo-se da dificuldade dos pioneiros em desbravarem terreno. Pois, apesar da distância referente a 1893, ainda no século XIX, se não fosse os diversos volumes escritos e publicados de Rodrigues Teles, quer o primeiro de 1933 como os seguintes de 1955, não haveria hoje tanta informação e sobretudo fotografias e documentação dos primeiros anos e seguintes do século XX.


Naturalmente para a incúria verificada anos a fio, como acontece quantas vezes ao longo dos séculos, contribuiu por certo algo de diversas ocorrências. Quão pode ter acontecido mesmo depois. Como com as sucessivas mudanças de instalações, desde sedes sociais, arquivos, até campos e estádios do clube, falando-se em testemunhos de boca sobre diversos acasos.

= Página da História do FC Porto, de Rodrigues Teles...

Em suma, com tão importante testemunho direto por base, de Alfredo Kendall, e divulgação dum redator do jornal O Porto de 1956, fica aqui, assim, algo mais. Para que não aconteça como ainda vai sucedendo, quando em cada sócio conhecedor que morre podem morrer histórias destas. Valendo a pena sempre haver quem tente manter a história deste clube intacta e imorredoura.


O FC Porto tem 125 anos. Conta que está ainda a comemorar desde setembro de 2018, para proximamente em setembro deste ano de 2019 passar a ter 126. E por aí adiante, no decorrer dos tempos. A vencer desde 1893!


Armando Pinto
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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Curiosidades Portistas: Emblemas grandes nas camisolas de guarda-redes do futebol do FC Porto


A história tem curiosidades interessantes, quanto a descobrir-se algumas particularidades nem sempre lembradas ou parcamente conhecidas. Tal o caso dos emblemas nas camisolas de guarda-redes dentro das equipas de futebol do Futebol Clube do Porto.

Assim, sem esmiuçar muito, mas apenas pela simples raridade, vem ao caso lembrar esse facto, através de três exemplos, como ocorria então pelas décadas de quarenta e cinquenta, por exemplo.

Então, conforme se pode ver, entre diversos casos, por uma foto da revista Stadium, em 1946, pelo menos, Barrigana ostentava já um emblema grande pregado na camisola (conforme capa da revista Stadium de Outubro desse ano).


O mesmo se passou com Américo, quando ainda júnior, em plena época de 1950/51 – conforme foto do arquivo pessoal.


Também Pinho igualmente chegou a usar assim um emblema cosido na camisola ainda em 1952, conforme vem em foto desse tempo na revista sobre o FC Porto da Colecção Figuras do Futebol Nacional, de 1952/53.


Ficam aqui assim, através de imagens coevas, essas vistas do distintivo do clube  à imagem, que vem de longe, da grandiosidade do FC Porto.

Armando Pinto
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domingo, 16 de junho de 2019

Na efeméride da Inesquecível Taça de 1968: Recordando três vencedores ainda sobreviventes – Américo, Valdemar e Rolando !


A Taça de Portugal da época de 1967/1968 conquistada pelo FC Porto foi algo especial. Tão importante, nos acontecimentos grandes da vida portista no período futebolístico do regime BSB, que a sua memorização é das poucas conquistas de antes do 25 de Abril com lugar em vitrinas do atual Museu do FC Porto.


É da história toda a envolvência dessa grande vitória, cuja data de 16 de Junho de 1968, da final dessa vitoriosa jornada, ficou nos anais da História Gloriosa do FC Porto. E puxando ao caso pessoal, nessas eras em que o ciclismo ia compensando o deserto de títulos do futebol sénior no mundo azul e branco, foi na verdade essa obtenção da Taça de Portugal a vitória que conheci em futebol nos meus tempos juvenis de Portismo, qual lança metida na áfrica do regime, após anos de espera por algo desde a infância até à puberdade. Tendo sido também a vitória do tempo dos meus grandes ídolos de infância, com Américo a cotar-se com um dos grandes heróis, em autêntica tarde de glória.


Ora, como sobre esta Taça de 1968 já aqui publicamos diversas recordações, havendo a mesma merecido outras evocações, desta feita, na pertinência da passagem da respetiva efeméride, fazemos um justo tributo memorial a três sobreviventes, dos que jogaram na final, estando ainda vivos felizmente três antigos jogadores desse naipe de grandes vencedores – Américo, Rolando e Valdemar.


Américo Lopes, aquele valoroso guarda-redes Américo que o famoso Di Stefano disse publicamente que foi um dos melhores guarda-redes que viu jogar… mais Rolando, Rolando Gonçalves, o louro do Porto que tanto entusiasmava ver jogar de pernas arqueadas a dominar e distribuir jogo… e Valdemar Pacheco, o do pontapé canhão do livre que deu o empate que viria a tornar possível a reviravolta no resultado (quando o Porto estava a perder desde os primeiros minutos, até Valdemar ter disparado aquela bola de grande distância, que só parou no fundo da redes da baliza). Para depois Nóbrega, o já falecido Francisco Nóbrega, ter marcado o golo da vitória na conclusão dum canto apontado pelo brasileiro Djalma também já falecido, e por fim, na apoteose, Custódio Pinto, o capitão desse tempo e entretanto igualmente falecido, ter beijado a taça; e, enquanto tudo ainda parecia um sonho, a ter levantado bem alto, agarrando-a com a força de milhares de adeptos que então a viam em mãos do Porto, além de quem à distância parecia também estar a ver aquilo perante o que se ouvia pelo relato radiofónico (já que a RTP, única televisão desse tempo, contrariamente aos anos em que na final estiveram clubes de Lisboa e sobretudo não estivera o Porto, nesse ano preferiu transmitir uma tourada)!

Contou aí que o FC Porto venceu, triunfando sobre o Vitória de Setúbal por 2-1. Perdendo o Setúbal a segunda das suas  quatro finais consecutivas em que esteve presente no Jamor. 


Na amplitude do que foi essa vitória, recorda-se ainda toda a campanha que levou a essa final, e toda a galeria memorável correspondente ao sucedido, através de apontamentos ao tempo coligidos por um jovem de cerca de 13 anos… conforme se pode rever pelas anotações manuscritas, em letra pessoal, nesse tempo.


Foi pois uma grande alegria conseguida, finalmente, a ocorrida a 16 de Junho de 1968. Ficando associados a essa final vitoriosa os onze que alinharam: Américo, Atraca, Valdemar, Rolando, Bernardo da Velha, Pavão, Eduardo Gomes, Jaime Silva, Custódio Pinto, Djalma e Nóbrega. Recordando-se aqui todos, agora na presença ainda viva de Américo, Valdemar e Rolando, os sobreviventes, por ora.


Nunca será demasiado recordar estes e outros nomes eternos da vida do FC Porto. Embora isso da eternidade seja relativa e mesmo a posteridade não seja muito longa na memória habitual. Bastando ver como hoje grandes nomes como Pinga, Valdemar Mota, Soares dos Reis, Araújo, Hernâni, Virgílio e uns quantos mais já vão sendo pouco recordados, dos grandes vultos do passado, por exemplo. E doutras gerações poucos saberem também do valor duns Américo, Valdemar e José Rolando. Assim como daqui a anos gerações mais novas dirão que nos melhores porventura não caberão alguns dos nomes dos campeões europeus e mundiais de 1987 e 2004, vencedores da Supertaça Europeia, como da Taça Uefa e Liga Europa, sabe-se lá.


Pois a Taça de 1968, sensivelmente quase a meio do século XX, foi algo que para o tempo, mediante as muito piores condições em que o FC Porto competia perante os rivais de Lisboa, foi algo como uma competição internacional de épocas posteriores. O que dirá muito, a quem também sentiu e viveu o áureo período final do século XX e início do século XXI.


Honra então a Américo, Rolando e Valdemar, personificando nesses ídolos de sempre toda a geração portista que jogou e lutou pelo FC Porto nos anos da grande vigília. Tendo a Taça de 68 compensado muito todo esse muito tempo de demorada espera. E a Taça foi finalmente nossa, ali na alegre tarde desse domingo 16 de Junho de 1968. Precisamente num domingo, em Junho de 1968, como no dia da passagem desta efeméride ao correr de 2019. Quando sabemos estarem vivos, dos que nos deram tamanha alegria, Américo, Valdemar e Rolando. Para eles: um abraço de parabéns e agradecimento portista!


Armando Pinto
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