Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Efeméride da baixa mortal do portista Vidal Pinheiro na Batalha de La Lys


No dia 9 de Abril de 1918 Vidal Pinheiro, histórico jogador do FC Porto, tombou em combate nas trincheiras da Flandres, já perto do final da primeira guerra mundial.

Ficou na memória histórica esse recontro como a célebre Batalha de La Lys. Uma das tristes páginas do grosso historial da I Grande Guerra Mundial, com o CEP-Corpo Expedicionário Português como interveniente, martirizado nas trincheiras e por fim no campo de batalha, como é dos livros pelo menos. E nessa grande razia mundial também o Futebol Clube do Porto teve heróis. Salientando-se em tal epopeia sangrenta da Primeira Guerra Mundial esse então jovem Joaquim Vidal Pinheiro, ao tempo reconhecido jogador de futebol, tendo antes até ajudado a conquistar para o FC Porto a Taça José Monteiro da Costa, o primeiro título da história do clube azul e branco da Invicta..


Curiosamente esse herói foi atingido e tombou em combate quando fazia sete anos que, em 1911, alinhara no jogo em que o FC Porto conquistou aquela Taça José Monteiro da Costa, ao bater o Leixões na última jornada dessa prova, a 9 de abril daquele ano seguinte à implantação da República em Portugal..

Vidal Pinheiro como militar foi Tenente de Artilharia, e fora mobilizado para a frente na 1ª Guerra,  e consequentemente viria a ser uma das vítimas mortais da Batalha de La Lys. Repousa em seu túmulo no Cemitério do Prado do Repouso, na Cidade do Porto (como neste blogue está registado em anterior artigo, sob título "Périplo por onde jaz Gente do FC Porto…"). Entre honras devidas, a Câmara Municipal do Porto atribuiu seu nome a uma rua na freguesia de Campanhã.


Antes, ainda no princípio desse ano de 1918, a 2 de janeiro, «a Assembleia-geral do FC Porto aprovara massivamente a criação e implementação de um Quadro de Honra na sua sede, em homenagem aos associados mártires da Primeira Guerra Mundial». (Ainda antes do falecimento do popular futebolista Vidal Pinheiro). Pois, já então o FC Porto tinha perdido "mais de duas dezenas" de sócios nos campos de batalha.


A propósito desta efeméride e sua envolvência, acrescente-se que anteriores crónicas relativas ao tema, neste cantinho de  memória portista, tiveram certo eco até bem distante, havendo sido motivo do caso do referido heroi-mártir do FC Porto na Grande Guerra de 1914-1918 ter constado num livro publicado em Itália. Volume esse de que se junta de seguida imagem da própria capa.


Com efeito, no final do ano de 2015, mais precisamente em novembro, quando perfazia sensivelmente um século da entrada da Itália na I Grande Guerra, foi dado à estampa em Itália um livro sobre a ligação do futebol à memória dessa guerra mundial travada nas valas de terrenos entrincheirados da Europa. Tratando-se de um bom trabalho histórico-literário a memorizar tão importante protagonismo no curso da humanidade, mais particularmente com histórias de jovens, ao tempo, que então passaram dos campos de futebol para as trincheiras da Grande Guerra. Através de cuja paixão pelo jogo da bola, o futebol regressou vivo, graças à força bélica de homens atléticos. Entre atletas que também não puderam voltar, permanecendo contudo a sua memória.

Um livro, esse, sobre os jogadores que participaram na Primeira Guerra Mundial, contendo um capítulo referente a Joaquim Vidal Pinheiro, um dos homens que vestiram a camisola do F C Porto e foram chamados ao corpo expedicionário português que rumou aos campos de batalha onde se travaram as lutas dessa guerra. Tendo ali morrido no campo de batalha. Enquanto os outros representantes do F C Porto regressaram, como felizmente aconteceu com Floriano Pereira e Harrison. Havendo depois o corpo de Vidal Pinheiro regressado, enfim, aquando da vinda também do corpo do soldado desconhecido, para a homenagem honorífica com que ficou perenemente imortalizado o Peito Lusitano.

= Imagem da Contra-capa =

Esse volume historiador é efetivamente um livro italiano com histórias de futebolistas tornados heróis na 1ª Grande Guerra mundial, obra da autoria de Giorgio “Acerbis” Ciriachi, em publicação da editora Urbone Publishing, sob título e subtítulo “Foot-ballers al frente – storie di calciatori (e di un tifoso) nella grande guerra”. (Traduzindo:) “Futebolistas na Frente /  histórias de jogadores (e de um apoiante) na Grande Guerra”.

De particular atenção, mencionamos o facto por havermos tomado conhecimento da respetiva publicação por um curioso pormenor: No livro, que de Portugal refere a representatividade do F C Porto, é feita menção ao blogue Memória Portista na parte da “Bibliografia”. Bem como, na página dos agradecimentos (“Ringraziamenti”), tem referência ao autor deste blogue, por «…senza di lui il capitolo su Joaquim Vidal Pinheiro non avrebbe mai visto la luce…» («…sem ele o capítulo sobre Joaquim Vidal Pinheiro nunca veria a luz»).


É sempre um orgulho quando podemos dignificar o nome e representatividade do F C Porto, como neste caso e àquele nível. Sendo um livro, este, que honra o F C Porto, o desporto português e a memória portista e portuguesa. Como, de todo o modo, pese o contraste, é também honroso o FC Porto estar ligado à heroicidade de representantes seus em serviço da Pátria, como foi no caso de Joaquim Vidal Pinheiro e outros. Com orgulho de isso ser reconhecido além-fronteiras.

Armando Pinto
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quarta-feira, 8 de abril de 2020

Recordação do célebre jogo com o campeão russo Kiev nas Antas


Há uns anos bons, mas que parece ainda ter sido há pouco… pois foi já em tempo de televisão a cores e, mais, em que as cores da televisão eram normais… que, na primavera de 1987 víamos no mítico estádio das Antas o FC Porto obter um resultado que dava esperanças para ser possível a ansiada passagem à final europeia. Sendo então dado um decisivo passo para o sonho dessa ida a Viena. Foi então a 8 de abril de 1987 que começou a ser carimbado o passaporte para a festa do futebol que ia ter lugar depois no Prater de Viena, na Áustria..

Acontecendo aí que o FC Porto recebeu então «a temível equipa do Dynamo de Kiev, tida à altura como uma das melhores do mundo, em jogo da primeira mão das meias-finais da Taça dos Campeões Europeus», que agora recordamos. «Os golos só chegaram na segunda parte, com Futre a colocar os Dragões em vantagem, pouco depois ampliada desde a marca de penálti por André, mas a reação de Yakovenko, que reduziu para 2-1, acabaria por tornar mais difícil a missão soviética dos azuis e brancos. No final, Artur Jorge não era um treinador propriamente satisfeito, assumindo mesmo que “o resultado não foi grande coisa” e traçando, logo ali, o objetivo, cumprido duas semanas depois, de marcar em Kiev, onde o FC Porto voltou a ganhar.»

= Frente do bilhete do jogo, guardado como recordação pessoal.

Ora, esse jogo está ainda na nossa retina, nem valendo a pena estar a colocar imagens demasiadas. Bastando, para ilustrar o tema, juntarmos imagem do bilhete guardado aqui pelo autor destas linhas, depois de ter estado na também célebre superior sul, onde gostava de assistir aos jogos no enfiamento da linha de canto, do lado da central (perto da divisória da superior com a antiga bancada central).

= Verso do bilhete, com imagem do plantel portista…

Começava-se então a magicar como era bonita aquela cantiga com letra de Pedro Homem de Melo, na voz da Amália, a entoar: “Havemos de ir a Viana”  pois era nome parecido, com que antes nem se sonhava.

Armando Pinto
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Bibliografia do Autor (atualização - 2020)


Obras publicadas:

- Livro (volume monográfico) «Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras»; publicado em Novembro de 1997. Edição patrocinada pelo Semanário de Felgueiras.
- Livro «Associação Casa do Povo da Longra – 60 Anos ao Serviço do Povo» (alusivo ao respetivo sexagenário, contendo a História da instituição - Abril de 1999). Edição da Casa do Povo da Longra.
- Livro (de contos realistas) «Sorrisos de Pensamento – Colectânea de Lembranças Dispersas»; publicado em Outubro de 2001Edição do autor.
- Livro (alusivo da) «Elevação da Longra a Vila» - Julho de 2003Edição do autor.
- Livro (cronista do) «Monumento do Nicho Nas Mais-Valias de Rande» – Dezembro de 2003 (oferecido à Comissão Fabriqueira paroquial, destinando receita a reverter para obras na igreja). Edição do autor.
- Livro «Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa» – Na passagem de 25 anos de seu falecimento; publicado em Novembro de 2004Edição do autor.
- Livro «S. Jorge de Várzea-História e Devoção», publicado em Abril de 2006Edição da Paróquia de Várzea.
- Livro «Futebol de Felgueiras – Nas Fintas do Tempo» (sobre Relance Histórico do F. C. Felgueiras e Panorâmica Memorial do Futebol Concelhio, mais Primeiros Passos e Êxitos do Clube Académico de Felgueiras) – Edição do autor, pub. Setembro de 2007.
- Livro "Destino de Menino" - dedicado ao 1º neto - Dezembro de 2012, em edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.
- Livro "Luís Gonçalves: Amanuense - Engenheiro da Casa das Torres", edição patrocinada pela fábrica IMO da Longra - biografia de homenagem ao Arquiteto do palacete das Torres, de Felgueiras - Janeiro de 2014.
- Livro "História de Coração" - dedicado ao 2º neto - Novembro de 2015, em edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.
- Livro “Torrente Escrita – em Contagem Pessoal”, ao género autobiográfico – Dezembro de 2016 - edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente (apenas para partilha familiar).
- Livro “História dum Brinquedo que não se pode estragar”, dedicado ao 3º neto - em Fevereiro de 2019, em edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.
- Livro “Luís de Sousa Gonçalves O SENHOR SOUSA DA IMO”, edição patrocinada pelo IESF-Instituto de Estudos Superiores de Fafe – biografia de homenagem ao fundador da fábrica de metalurgia IMO da Longra – novembro de 2019.
- Livro "Ciclistas de Felgueiras", publicado em Janeiro de 2020, através da editora Bubok Publishing, A. L. , e apresentado publicamente em Março seguinte. Edição do autor. Sobre os cicilstas naturais de Felgueiras que correram ao mais alto nível desportivo, tendo participado na Volta a Portugal em bicicleta e no caso do mais famoso também em importantes provas no estrangeiro. 


E
Livros oficiais (alusivos a realizações de eventos), entretanto também publicados:

- «1ª Mostra Filatélica e Exposição Museológico-Postal da Casa do Povo da Longra» (relativa a Semana Cultural de abrangência comemorativa do centenário do aviador Francisco Sarmento Pimentel e octogenário do Correio da Longra - Julho de 1995).
- "FREGUESIA de RANDE (S. Tiago) e POVOAÇÃO da LONGRA - Rande" - Coordenação geral e autoria de alguns textos - Publicação patrocinada pela Junta de Freguesia de Rande, a reverter para obras da igreja paroquial de Rande - Março de 1996.
- «1º Festival Nacional de Folclore “Longra/97”» (englobando partes historiadoras e galeria diretiva da Associação Casa do Povo da Longra - Maio de 1997).
- «2º Festival de Folclore do Rancho da Casa do Povo da Longra» (contendo Lendas e Narrações das freguesias da área da instituição - Setembro de 1998).
- «3º Festival de Folclore da Longra – Memória etnográfica do sul Felgueirense e afinidades concelhias» (Julho de 1999).
- «4º Festival de Folclore da Longra – Celebração Folclórica do sul Felgueirense» (Julho de 2000).
- «Evocações da Festa Paroquial de S. Tiago de Rande» (Julho de 2000 - de promoção à festa desse ano, por solicitação (e edição) da respetiva comissão organizadora, traçando panorâmica das festas antigas.)
- «Rancho da Casa do Povo da Longra-Sete anos depois... em idade de razões» (Maio de 2001 – livro comemorativo do 7º aniversário do mesmo agrupamento e também alusivo ao 5º Festival de Folclore da Longra, de Julho seguinte – incluindo texto de fundo narrativo do “Conto de um Rancho Amoroso”, sobre a história do grupo em questão.)
- «6.º Festival do Rancho da Casa do Povo da Longra – Desfile de Oito Anos de Vida» (Junho de 2002).
- «7.º Festival da Associação Casa do Povo da Longra – Danças Mil em Nove Anos de Folclore» (Junho de 2003).
- «Grupo de Teatro da Casa do Povo da Longra – Sete Anos na Arte de Talma Associativa» (Outubro de 2003 – Livro historiador do respetivo agrupamento, em tempo do seu sétimo aniversário). A pedido (e edição) do Grupo de Teatro da CP Longra
- «8.º Festival da Associação Casa do Povo da Longra – Alcance duma Década Etno-partilhada» (Junho de 2004).
- «9.º Festival da Associação Casa do Povo da Longra – Comunhão de Tradição Associativa» (Junho de 2005).


Mais participação em revistas de teor local e clubístico...


Assim como (além de jornais, com colaboração ao longo de muitos anos, em episódicas participações em jornais diversos e mais regularmente quer no jornal O Porto entre 1974 a 1980, no Mensageiro da Longra em 1978, no Notícias de Felgueiras enre 1985 a 1995 e no Semanário de Felgueiras desde 1996 até à atualidade), ainda, algumas participações em livros literários e publicações diversas …


ARMANDO PINTO
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terça-feira, 7 de abril de 2020

Recordando: Uma goleada das antigas... com 13-0 ao Sporting de Braga.


Em 1929, a sete de abril, Valdemar Mota marcou oito golos numa vitória gorda sobre o SC Braga, tamanho foi o resultado fixado em 13-0, a contar para o então chamado Campeonato de Portugal. Tendo os restantes golos sido apontados por Hall, dois, mais Álvaro Pereira, Acácio Mesquita e Neto, um cada, para o FC Porto. Sem resposta dos arsenalistas do Minho, que dessa vez nem um tento de honra conseguiram nesse encontro disputado no Campo do Ameal, no Porto.

À época ainda o nome desse que foi o primeiro olímpico do FC Porto se escrevia Waldemar, como ficou nos registos. E o FC Porto usou então o recinto do Progresso, como ao tempo acontecia por vezes, na condição de visitado, por razões que são do conhecimento histórico. Num tempo em que as camisolas do FC Porto ostentavam já o emblema do clube, atualizado anos antes - como se pode ver na imagem.


Desse jogo e de tal façanha, como ilustração juntam-se gravuras constantes do "Livro de Ouro-Futebol Clube do Porto-A História, os triunfos e as imagens de todos os tempos", editado em 2000 pelo Dário de Notícias. 

Armando Pinto
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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Relance pela estante… em tempo de “retiro”


Em período de isolamento social, na proteção necessária devido ao surto epidémico do Covid-19, como é sabido, estando no remanso doméstico, tal retiro faz com que ao revermos algo mais guardado, se deite olhos a imagens que ainda não tiveram vez em anteriores rememorações.


Assim sendo, desta feita, ao calha, sem qualquer ordenamento, reabre-se o baú consignatário de fotos de alguns dos representantes do FC Porto, entre tantos que nos estão guardados no íntimo dos sentidos mais apurados de afeição portista, de modalidades diversas.



Armando Pinto
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domingo, 5 de abril de 2020

Recordando: Vitória do FC Porto diante dos alemães do Furth… a 5 de abril de 1926


Interessante duelo de campeões, entre os então titulares de Portugal e da Alemnha, no dia 5 de Abril de 1926. Com o FC Porto a alcançar uma grande vitória internacional ao derrotar, por 3-2, o Verein Razenspiele Furth, campeão da Baviera.

Nesses tempos naturalmente era tudo ainda novidade e faziam-se sentir as distâncias e fronteiras. Sempre que havia oportunidade de encontro com equipas de outras nações era acontecimento grande. E o FC Porto tinha tarimba de ser já um habitué em vitórias assinaláveis diante de fortes conjuntos vindos de outras paragens do globo. Curiosamente contrastando com certa irregularidade nas provas internas, em que tanto havia vitórias importantes como surpreendentes desaires, possivelmente pela motivação ou descontração, conforme as circunstâncias, nessas eras de amadorismo e convivência desportiva.

Assim na primavera de 1926, a 5 de abril, o FC Porto recebeu o clube campeão da Baviera, que antes vencera em Lisboa todos os jogos disputados com equipas da capital portuguesa. Tendo o jogo na Invicta tido lugar no campo do Covelo, onde se encontraram os dois conjuntos, servindo então um bom relacionamento entre portugueses e alemães em período pós-guerra, enquanto no país se notava a instabilidade política que pouco depois resultou no golpe de Gomes da Costa e Mendes Cabeçadas com que foi instaurado o regime de início à ditadura e pela Europa ainda se viviam resquícios da I Grande Guerra mundial.


Desse sucesso luso, entre os representantes nortenhos de Portugal através do FC Porto e os Alemães do Furth, falam as crónicas coevas. Das quais foi feito um bom relato descritivo na volumosa obra historiadora dos 3 grandes clubes de Portugal, sob título “Glória e Vida de 3 Gigantes” edição em fascículos do jornal A Bola. De onde se reproduz a parte de texto correspondente e a imagem respetiva, desse livro que faz parte da coleção do autor destas linhas.  


Armando Pinto
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Vítor Hugo, sucessor de Cristiano no areópago do hóquei patinado portista


É dos livros, quanto ao que perdura na memória registada, que o hóquei em patins do FC Porto nos seus inícios teve como figura de impacto o avançado Acúrcio Carrelo, que era guarda-redes internacional da equipa principal do futebol das Antas e também foi o primeiro internacional dessa modalidade dos patins no clube azul e branco (da qual depois pousou os patins, por ter optado continuar apenas como futebolista aquando da chegada do profissionalismo ao desporto-rei em Portugal). Só muitos anos depois disso o FC Porto voltou a ter um internacional na Seleção A portuguesa de hóquei com Cristiano (após ter sido também o primeiro internacional junior do FC Porto e inclusive um dos 3 primeiros campeões europeus formados no clube, também); tal qual como senior até durante largo tempo Cristiano foi o único hoquista do FC Porto e inclusive de equipas nortenhas a integrar a seleção anualmente composta por hoquistas do sul e das províncias ultramarinas (até à era do 25 de abril de 74, continuando depois mais uns anos com a área associativa de Lisboa em maioria em quase tudo). Havendo sido Cristiano, que ao entrar na equipa principal do FC Porto ainda com idade de júnior deu outro nível competitivo à mesma coletividade ainda do rinque da Constituição, e na evolução tornou-se autêntica bandeira do hóquei em patins portista. Tanto que foi com ele e mais uns Alexandre Magalhães, José Ricardo, Leite, Hernâni, Castro, Brito, Zé Fernandes, etc. que o hóquei do FC Porto ganhou estatuto de modalidade de grande predileção no seio da família portista.

Após esses tempos, foi com a nova vaga protagonizada no virtuosismo e capacidades de Vítor Hugo, Vítor Bruno, Carlos Realista, Domingos, António, Pedro e Paulo Alves, Franklim, Tó Neves, Filipe Santos, etc, etc. que o hóquei rolou numa cadência mais vistosa. Ficando então Vítor Hugo como um hoquista muito admirado entre os apoiantes, assim podendo ser considerado sucessor de Cristiano – quase como no futebol, depois de Pinga e Hernâni, emergiu Fernando Gomes no imaginário memorial da coletividade que da Constituição, passou às Antas e está agora no moderno Dragão.

Pois, em vista dessa representatividade, Vítor Hugo passou recentemente a constar também no site ZeroZero com devido espaço nas Lendas do hóquei em patins nacional, como já acontecia com Livramento, Cristiano, Fernando Adrião e Chana. Desse artigo, com a devida vénia, regista-se a crónica correspondente (incluindo algumas fotos, em disposição de texto e imagens à maneira da blogosfera).

A. P.
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JOGADORES

Vítor Hugo: O verdadeiro artista

Texto por Humberto Ferreira

Vítor Hugo foi o avançado dos tempos modernos que mais despoletou para a fama na modalidade. Aos 16 anos, já era internacional português e já tinha jogado na equipa principal do FC Porto. Seguiram-se 13 épocas de grande nível até travar com os patins com 29 anos, logo depois dos Jogos Olímpicos de 1992.

Podia ter sido ginasta, mas foi o hóquei em patins que chamou por ele, pela qualidade, mas também pela perseverança e o estilo combativo.

Arranque experimental

Natural de Espinho, cresceu mesmo ao lado do velhinho rinque da Académica, junto à praia da Baía. Por ali, ficar em casa era algo impensável e desde muito novo que Vítor Hugo começou a demonstrar ter uma capacidade invulgar para a multidisciplinaridade de desportos. Experimentou a ginástica e até chegou a ser atleta federado, ao mesmo tempo andava na patinagem.

Naquele tempo, finais dos anos 60, antes de se praticar hóquei em patins, saber patinar e ter uma patinagem eximia era fundamental para singrar naquele desporto.

Por isso, e sem surpresas, quando teve de escolher, optou pela modalidade que o eternizou como um dos melhores de sempre. Baixinho, mas rápido. Irrequieto, mas com uma visão sublime e letal na decisão. A forma inteligente como pautava o jogo era o ponto forte do ‘eterno’ 4 português.

Com 11 anos, era daqueles que levava o saco com o equipamento para um treino de seniores para ver se faltava alguém e, caso isso acontecesse, Vítor Hugo entrava no esquema.

Já ali Vladimiro Brandão, aquele que anos mais tarde viria a ser seu treinador no FC Porto, via nele um elemento diferenciador e único.

Triunfar como ninguém tão cedo

Livramento estava na parte final da carreira e a grande dúvida era se algum dia ia aparecer alguém tão predestinado como ele. Na sombra e com grande afirmação, tal como a maior característica que tinha enquanto jogador, vinha Vítor Hugo.

Com 16 anos, saltou vários patamares no seu crescimento e de uma assentada chegou ao FC Porto e à seleção nacional. O representar Portugal fê-lo ter o primeiro contacto com Livramento, bem como as primeiras aprendizagens o ‘astro’ português, mas a inspiração estava no Américo de Sá: António Vale.


Vítor Hugo tinha o defesa portista como um dos primeiros jogadores que o fez apaixonar-se pela modalidade, o que o ajudou a aprimorar ainda mais essas capacidades.

A concentração começou a ganhar contornos cerebrais para o jogo com o evoluir da idade. Ver Vítor Hugo com a bola era saber que dali ia sair perigo, mas o mais difícil era saber para onde ia sair.

Estávamos perante o arranque de títulos portista. Com Vítor Hugo à cabeça, os dragões ganharam oito campeonatos, sete supertaças, cinco taças de Portugal, duas taças das taças, uma taça continental e as duas taças dos campeões europeus.


Na seleção nacional, foram dois europeus e dois mundiais.

A aventura italiana

No meio do sucesso portista, na época 87/88, quis experimentar o hóquei italiano, tão na berra na altura. Com tantos pretendentes, escolheu o melhor: o Novara. Esteve apenas um ano. Protagonizou uma das mais incríveis movimentações do mercado na altura. Assinou pelo Novara apenas por um ano, pois já tinha assinado pelo FC Porto para regressar na temporada seguinte.

Quando terminou a época em Itália, com o título transalpino conquistado, tinha um cheque em branco para renovar pelo valor que quisesse, mas palavra é palavra e Vítor Hugo voltou à Invicta para continuar a ganhar.


A despedida Olímpica

Corria o ano de 1992 e Vítor Hugo, aos 29 anos, sentia que tinha de terminar o curso de médico dentista, pelo que terminou a carreira num evento icónico: Os Jogos Olímpicos de Barcelona.

A modalidade foi experimental e Portugal surgia como o grande favorito do torneio, já que o título de campeão do mundo conquistado no ano anterior em Portugal assim classificava a seleção nacional, para além de que a qualidade do plantel estava na máxima força. Vítor Hugo era a maior figura da equipa de António Livramento, só que o resultado foi bastante abaixo do esperado: quarto lugar. O ‘eterno 4’ do hóquei em patins via uma carreira recheada de sucesso terminar de forma inglória.


As saudades das oito todas fizeram-no regressar às pistas já em pleno novo milénio. Fez poucos jogos ao serviço da Ac. Espinho, mas foi essencial para que os ‘mochos’ da Costa Verde conseguissem uma subida de divisão.

Um treinador ainda mais fugaz

A carreira de treinador de Vítor Hugo acabou por ser ainda mais curta do que a de jogador, mas igualmente impactante e triunfante.

Após terminar o curso de médico dentista, e com o curso de treinador completo, Vítor Hugo foi chamado de urgência para render Cristiano Pereira no comando técnico do FC Porto na parte final da época de 95/96. Chegou a tempo de ganhar três títulos, um deles Europeu: Taça CERS, Taça de Portugal e Supertaça.


No ano seguinte, não foi ele quem arrancou a época, só que Vítor Bruno não ficou muito tempo e Vítor Hugo foi chamado ao comando novamente. Dessa vez, não ganhou nenhum título, mas jogou a final da Taça dos Campeões Europeus frente ao Barcelona. A final em que não pôde contar com Filipe Santos, que dias antes tinha sido agredido no pavilhão da Luz e nem acompanhou a equipa na viagem à Catalunha.

Dessa vez, mesmo assim, não saiu do comando técnico, só que em 97/98 não terminaria a época. Um castigo já perto do fim da fase regular fê-lo ficar com um processo de inquérito e, como ia ser longo, resolveu demitir-se para os dragões não ficarem sem treinador no banco, sendo substituído por Franklim Pais.

Portugal e Adeus

Após uma paragem de um par de anos, surgiu o convite da Federação. O desafio era imenso, voltar a colocar Portugal na rota dos títulos, e a entrada foi quase perfeita, mas a final do Mundial de 2001 estava destinada à Argentina, ou não fosse a prova realizada no Estádio Aldo Cantoni, em San Juan.

No entanto, dois anos depois (pelo meio, derrota também na final do Europeu, contra a Espanha), veio Oliveira de Azeméis e aquele golo de Pedro Alves, que colocou Vítor Hugo no patamar dos únicos, invulgares e ainda mais icónicos. Para sempre. Depois daquilo, mais nada.

DADOS PESSOAIS
NOMEVítor Hugo Barbosa Carvalho da Silva
NASCIMENTO1963-04-04

NACIONALIDADE
Portugal
Portugal
NATURALIDADEEspinho
POSIÇÃOMédio
INTERNACIONALIZAÇÕES A122 Jogos / 195 Golos


SITUAÇÃORetirado das competições oficiais
HISTÓRICO   c / jogador


EQUIPAS
ÉPOCAEQUIPA

2003/04 [Hóquei]

1991/92 [Hóquei]

1990/91 [Hóquei]

1989/90 [Andebol]

1988/89 [Hóquei]

1987/88 [Hóquei]

1986/87 [Hóquei]

1985/86 [Hóquei]

1984/85 [Hóquei]

1983/84 [Hóquei]

1982/83 [Hóquei]
1981/82 [Hóquei]
1980/81 [Hóquei]
1979/80 [Hóquei]
1978/79 [Hóquei Sub-20]
1977/78 [Hóquei Sub-20]
1976/77 [Hóquei Sub-17]
1975/76 [Hóquei Sub-17]
1974/75 [Hóquei Sub-15]
1973/74 [Hóquei Sub-15]
1972/73 [Hóquei Sub-13]
 COMO TREINADOR

EQUIPAS
ÉPOCAEQUIPA

2003
Portugal
Portugal[Hóquei]


2002
Portugal
Portugal[Hóquei]


2001
Portugal
Portugal[Hóquei]


1997/98
Portugal
FC Porto[Andebol]


1996/97
Portugal
FC Porto[Hóquei]


1995/96
Portugal
FC Porto[Hóquei]