Estava-se em 1968, quando no primeiro domingo do calorento mês oitavo do calendário, a 4 de Agosto, decorreu a cerimónia da inauguração oficial do Mausoléu do FC Porto, a sepultura onde desde aí passaram a repousar Glórias do Futebol Clube do Porto, no cemitério de Agramonte, junto à rotunda da Boavista, na cidade do Porto. Numa obra edificada na presidência de Afonso Pinto de Magalhães, que, ele próprio, após ter sido retirada a bandeira que cobria a estátua e benzido o mausoléu, sobre a tampa do mesmo ali depositou uma coroa de flores em nome do FC Porto.
Desse cerimonial, recorda-se o acontecimento por ilustração de alguns momentos marcantes do ato oficial da inauguração. Através de sequência de fotografias ilustrativas, desde a marcha de atletas do clube em direção ao cemitério, com a tocha olímpica acesa nas Antas e de seguida levada em mãos por desportistas de várias modalidades; até à deposição de terra dos campos da história do clube, lançada por relicário das mãos do então futebolista Alberto Festa, que jogara na saga dos Magriços.
A estátua que engrandece a arquitetura simbólica da
sepultura, através de um anjo, simbolizando a vitória sobre a morte, foi da
autoria do escultor Charters de Almeida.
(Na preparação da obra, o escultor fez primeiro uma pequena estatueta; cujo original foi depois oferecido pelo escultor ao Presidente Afonso Pinto de Magalhães. Atualmente essa estatueta, que deu origem à estátua grande do mausoléu do clube, está na posse da família do antigo Presidente Honorário Pinto de Magalhães.)
Desde então o Mausoléu de Agramonte do FC Porto está
referenciado na História do FC Porto - como é descrito no livro "F. C. Porto
100 anos de história 1893-1993", de Álvaro Magalhães e Manuel Dias.
(Indica-se como Mausoléu de Agramonte do FC Porto, porque o FC Porto tem no cemitério de Paranhos um outro mausoléu, mais antigo e mais pequeno, onde repousa o antigo treinador Jorge Orth, mais sua esposa, erigido para esse fim com subscrição dos sócios do clube, em 1962/1963.)
A cerimónia da inauguração do Mausoléu de Agramonte, em 1968, decorreu então no âmbito das comemorações do clube, no tempo em que o aniversário era assinalado em agosto. Em cujo programa, nesse domingo, houve também na antiga sede do Clube uma homenagem aos campeões de 1921/22, com entrega de medalhas aos 5 ainda vivos, na ocasião; bem como foi inaugurada a Galeria dos Internacionais do FC Porto, em exposição de quadros fotográficos referentes aos futebolistas seniores e juniores que até esse tempo tinham jogado na Seleção Nacional A e B, mais na de Juniores. Sendo desta vez lembrado o caso do Mausoléu, porque sobre a Galeria dos Internacionais já foi feito anteriormente um artigo alusivo (assim como a galeria deixou de existir, como mostra pública, desde a transferência da antiga sede para o Museu das Antas). Incidindo agora sobre a parte do Mausoléu alguns recortes da página dedicada ao acontecimento no Jornal de Notícias de 5 de agosto de 1968.

Com o impacto que teve, numa jornada de saudade e reconhecimento, a inauguração do mausoléu do FC Porto foi uma dotação singular, que mais nenhum clube desportivo possui em Portugal.
Como recordar é viver, já nesse tempo se deu assim uma boa maneira de recordar as glórias do passado, com forte desejo de fortalecimento do futuro. O FC Porto tem História e recomenda-se!
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Atualmente, como lembrança eterna, existe assim o Mausoléu do Futebol Clube do Porto. Algo sublime a honrar o sentimento clubista, denotando que os que serviram e valorizaram o F C Porto jamais serão esquecidos. Embora em número reduzido, até agora, já que na maioria dos casos as famílias preferem ter seus defuntos junto a outros familiares, mesmo assim ali repousam alguns valores do passado como exemplos referenciais em qualidade significativa. Aí estão notáveis atletas, treinadores e dirigentes, lado a lado: Acácio Mesquita, atleta de futebol e outras modalidades; Avelino Martins, futebolista “cara de aço”; João Lopes Martins, atleta mais eclético (tendo praticado sete modalidades) do clube; João Augusto Silva, dirigente; Pinga e Pavão, futebolistas carismáticos; Soares dos Reis, grande guarda-redes internacional e dirigente; Joaquim Pereira Lopes (o sr. Lopinhos), massagista; mais José Maria Pedroto, futebolista e treinador Mestre. (Tendo os primeiros a ficar ali sepultados sido por trasladação, como aconteceu com os restos mortais de Pinga, que havia falecido em 1963 e foi então trasladado em 1968 para o mausoleu do clube. Os mais recentes, sepultados aquando de suas exéquias fúnebres, até agora, foram José Maria Pedroto, em 1985, Manuel Soares dos Reis, em 1990 e João Lopes Martins, em 1995.)
Armando Pinto



















































