A 20 de JULHO de 1983 o FC Porto e a Revigrés assinaram o
primeiro contrato que levou a que essa empresa passasse a ser o primeiro
patrocinador do futebol sénior portista e como tal a ter o nome nas camisolas
de futebol da equipa principal (equipa A) e das reservas (equipa B) do FC Porto,
passando a haver ligação com essa empresa de cerâmica, sediada no concelho de
Águeda. Tendo sido obreiro desse acordo o então Vice-presidente Alexandre
Magalhães, que contactou diretamente com o dono da empresa, Eng.º Adolfo Roque,
com quem nesse tempo tinha contactos por via de negócios entre as empresas de ambos.
Embora obviamente o contrato depois tivesse sido assinado pelo presidente e
pelo tesoureiro do FC Porto com a gerência da Revigrés, empresa patrocinadora representada pelo Eng.º Adolfo Roque, na presença de Alexandre Magalhães e de um dos sócios da empresa, o sr. Augusto Gonçalves, ainda vivo.
Até esse tempo a publicidade que ia havendo no desporto e em
equipas era nas camisolas de algumas da modalidades ditas amadoras, mas não no
futebol. Até que nos inícios da presidência de Pinto da Costa no FC Porto saiu legislação
oficial a permitir o começo da publicidade nas camisolas do futebol
profissional em Portugal. Tendo logo no início desse exercício presidencial
Pinto da Costa nomeado Alexandre Magalhães como Vice-presidente substituto do
Presidente, bem como Presidente do Conselho Cultural e Responsável pelos
contratos. Então, como o FC Porto estava em má situação financeira, foi logo
essa uma possibilidade vista de poder ajudar a melhorar a situação. Sendo na fase
em que o FC Porto tinha dívidas com o antigo Banco Pinto de Magalhães e
Alexandre Magalhães empreendeu a renegociação da dívida, ao tempo com a União
de Bancos detentora da sucessão dessa firma. Tendo depois, correspondendo a pedido
do Presidente da Direção para tentar arranjar um patrocinador para o futebol, Alexandre
Magalhães se lembrado da Revigrés, empresa cliente da sua em certos negócios, pois
que sua firma era fornecedora de materiais, como pigmentos e outros,
necessários à indústria da cerâmica. E se bem pensou melhor o fez, ligando a
seu amigo e num belo dia lá o conseguiu convencer, apesar da inicial
relutância do Engenheiro Roque, que apesar de não ligar grande coisa ao futebol
nessa altura, sabia porém que o FC Porto não ganhara nada ainda no futebol
por esses tempos, retorquindo o amigo fornecedor que o Porto não ganhara ainda mas
ia ganhar e seria mesmo conhecido internacionalmente. Tendo com essas e outras
conseguido o que queria, inclusive com a proposta que apresentou achada muito
elevada, mas por fim aceite. Tanto que quando Alexandre Magalhães telefonou ao
seu compadre Pinto da Costa (sendo padrinho de batismo do seu filho) a dar a
novidade de que conseguira onze mil contos (11.000... no conhecimento popular de dinheiro da
época do escudo, correspondendo a 11.000.000 escudos), houve espanto do seu amigo Jorge, como ele tratava Pinto da Costa. E
foi assim, mesmo. Isso tempos antes da assinatura do contrato, visto o dono da empresa se
ter de ausentar do país em viagem de negócios na ocasião, ficando a assinatura
legal para depois, mas ficando o acordo selado com palavra e aperto de mãos, e
a pedido de Alexandre Magalhães, pela necessidade premente da tesouraria no
clube, o dinheiro foi para a conta do FC Porto muito antes de terem sido
colocadas as assinaturas no papel.
Esse acordo do FC Porto com a Revigrés, mediado e conseguido
obter por Alexandre Magalhães, teve porém uma condição do responsável pelo
acordo, que foi de a partir daí, embora mantendo naturalmente a amizade,
deixaria de haver negócios de Alexandre Magalhães com a empresa de Adolfo Roque,
para não haver misturas, coisa que o dono da Revigrés não queria mas acabou por
entender. Isso então em 1983. E em 1984 Alexandre Magalhães conseguiu ainda um
acréscimo para o FC Porto, aquando da ida à final da Taça das Taças em 1984, demonstrando
ao amigo que o que dizia saiu certo e o Porto passava a andar na alta-roda
europeia, tendo o Eng.º Roque prometido e depois dado um prémio chorudo de 5.000 contos de
aumento da soma publicitária.
Tudo isto mesmo também afirmou e confirmou o Eng.º Adolfo
Roque numa entrevista à revista Dragões, no número especial antecedente à final
da Taça dos Campeões Europeus de futebol em 1987.
Histórias da história do FC Porto, que como nem sempre tem
sido contada, verdadeiramente, deve ser reposta. Sendo de fixar na memória a
ação do histórico dirigente Alexandre Magalhães, antigo atleta do Hóquei em Patins
do FC Porto, desde os primeiros tempos mesmo capitão da equipa, entre 1958 até
1970, no tempo em que Jorge Nuno Pinto da Costa foi seccionista e depois diretor das
modalidades. Seguindo-se Alexandre Magalhães ser Vice-presidente da Direção entre 1982 até 1988, com especial
responsabilidades em melhoramentos, como no caso dos painéis eletrónicos e dos
torniquetes no estádio das Antas. Assim como foi quem, em Lisboa conseguiu
convencer o Futre a vir para o FC Porto, fazendo acordo com o jogador, na
presença de seu irmão e seu pai, numas caves em frente ao Bingo do Belenenses. Tal como, quando era Presidente do Conselho Cultural criou o galardão Dragão de Ouro. Sendo
hoje ainda um dos Sócios Honorários vivos, nos seus oitenta e tal anos pujantes
e de grande portismo.
Assim sendo, o primeiro contrato do FC Porto com a Revigrés
foi assinado a 20 de julho de 1983, tornando-se a Revigrés na primeira empresa
portuguesa a patrocinar um clube de futebol na Primeira Divisão. Esta parceria
deu origem ao primeiro equipamento do clube com publicidade na camisola, em
plena temporada de 1983/84.
Graças a essa ação iniciada e concretizada em 1983, a
publicidade ainda inédita até então, passou a ser exibida nas camisolas, à
época com uma faixa a meio sobre as listas azuis e brancas, tornando-se um
ícone dos equipamentos históricos da primeira parceria e da realidade das últimas
décadas na vida do FC Porto. Tanto que hoje em dia vendem-se réplicas dessas
camisolas na loja do FC Porto, FC Porto Store.
Armando Pinto
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