Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Na calha do aniversário de Pinga: Uma taça desaparecida mas que existiu... a Taça Ibérica de 1935 - a primeira das duas realizadas competições não oficiais entre os campeões de Portugal e Espanha.

Por estes dias quentes de finais de JULHO, em que no calor do interesse portista vem à lembrança o aniversário natalício do primeiro fenónemo da Madeira, como foi Artur de Sousa "Pinga"; e como anda na ordem do dia o tema do FC Porto ser o clube com mais títulos oficiais de futebol sénior, contra a campanha dos que querem associar ao Benfica títulos não oficiais; acrescido do facto de por estes dias haver um artigo publicado sobre uma taça não oficial do FC Porto, cujo trofeu está invisível às gerações presentes, não se podendo ver na atualidade, por assim dizer (porque em tempos desapareceu do museu e do património portista, fosse quando e como fosse)... convém frisar que, embora não contando entre títulos oficiais, esse título e a taça respetiva existiram mesmo e constam dos dados históricos conhecidos. Isto porque a imagem do FC Porto tem de sempre ser salvaguardada e entre nós portistas não há invenções, nem taças de cartões. Muito menos se juntam taças não oficiais, tanto desta primeira Taça Ibérica, de 1935, como da segunda de 1947 (havendo desta mesmo o troféu correspondente e patente no Museu do FC Porto). Vindo a propósito relembrar a existência dessa 1.ª Taça Ibérica porque foi ganha no tempo do Pinga e porque a imagem do FC Porto tem de ser defendida justificadamente. Como, por exemplo, está referido até num livro publicado pelo jornal A Bola e mais recentemente também na revista Dragões. 

Assim sendo, na pertinência da ocasião, reforça-se o facto.


Ora, foi isso no ano de 1935 – em que no dia 7 de Julho o FC Porto, então também campeão nacional, venceu o Bétis de Sevilha, campeão espanhol, num amigável considerado como "Taça Ibérica". Tinha o FC Porto uma equipa de grandes valores, como Pinga, Carlos Nunes, António Santos, Valdemar Mota, Soares dos Reis, Avelino, Pocas, Carlos Pereira, Jerónimo, Carlos Mesquita, João Nova, Castro e C.ª, em que praticamente quase todos foram à seleção nacional, o que era e é caso raro; porque como é sabido, para um portista ser chamado à equipa da Federação Portuguesa de Futebol tem de ser mesmo muito bom, não bastando mais, mas sim ter de ser muitíssimo superior aos outros.


Pois esse facto e tal feito ocorreu então nesse dia que em 1935 foi a um domingo. O caso tem sido ainda bem lembrado pela efeméride do dia 7 de julho, na rubrica Aconteceu, em "Dragões Diário”, relatando isso: «Domingo, 7 de julho de 1935: o Porto é hoje a capital do futebol da Península. No Campo do Ameal estão 15 mil espectadores, autoridades civis, militares e consulares, para assistir à primeira edição da Taça Ibérica, a prova que opõe o campeão de Portugal ao de Espanha. O FC Porto joga com o Bétis e chega ao intervalo a ganhar por 1-0, com um golo de Pocas, médio em estreia absoluta na equipa de Szabo. No reatamento, Pinga eleva rapidamente a marca para 3-0, os andaluzes ainda reduzem, com dois golos em dois minutos, mas não conseguem parar Pinga nem evitar que ele estabeleça o 4-2 final. Aplausos para o primeiro campeão ibérico, recém-consagrado campeão da I Liga, que também era o primeiro vencedor do Campeonato de Portugal e que depois conquistaria o primeiro Campeonato Nacional da I Divisão e ainda a primeira edição oficial da Supertaça. Sempre o primeiro.»


Tamanha ocorrência, para o tempo, merece mesmo ser relembrada, de modo a que seja conhecida. Como noutros tempos até era, mas não na comunicação social comandada pelo clube do regime... Embora num livro editado há anos pelo jornal A Bola, pela pena do grande jornalista e igualmente investigador António Simões, haja referência a isso mesmo - como recortamos para aqui, a dar efeito da justa rememoração.

Assim, ilustra-se o tema com esta lembrança alusiva, através de recorte da parte respeitante ao FC Porto na obra publicada pelo jornal A Bola, "Glória e Vida de 3 Gigantes".


Também, igualmente sobre o mesmo assunto foi publicado em 2014 um texto muito completo na rubrica “Os Imortais”, da edição de abril desse ano da Revista “Dragões”, publicação mensal oficial do FC Porto. De onde para aqui transpomos o mesmo artigo, em reforço desta jornada gloriosa do FC Porto:


« TRÊS GOLOS DE PINGA, UMA GOLEADA E A PRIMEIRA TAÇA IBÉRICA

A 7 de julho de 1935, o FC Porto venceu o Bétis e a primeira prova que opôs os campeões de Portugal e de Espanha

Por Victor Queirós

O imortal FC Porto de Szabo acumulou registos impressionante através da bravura de equipas preparadas para atacar: O Real Bétis Balompié e outros campeões espanhóis acabaram vergados ao poder de linhas atacantes constantemente renovadas e com uma capacidade ímpar para marcar. Só Pinga fez três dos quatro golos da vitória na primeira edição da Taça Ibérica, disputada em 1935.

Historicamente, foi o FC Porto quem desbravou os caminhos de todas as principais competições regionais e nacionais. Desbravou-as e conquistou-as. Essa queda especialíssima para vencer todas as primeiras edições das provas prioritárias criadas em Portugal estendeu-se à Taça Ibérica, prova de referência em que a capacidade dinamizadora do FC Porto do século XX esteve sempre presente.


É com um orgulho natural que o FC Porto olha para a História e se revê vencedor do primeiro Campeonato de Portugal (1922), do primeiro Campeonato da I Liga (1935), do primeiro Campeonato Nacional da I Divisão (1939) e da primeira edição oficial da Supertaça (1980/81). E, ao alargar das fronteiras, da primeira edição da Taça Ibérica, a 7 de Julho de 1935.

A vocação para fazer história resume essa rara qualidade do FC Porto, capaz de se impor em qualquer circunstância, mesmo desconhecendo em rigor o real valor dos adversários, como era o caso do Real Bétis Balompié, o campeão espanhol que defrontou o campeão português na primeira edição da Taça Ibérica, sendo de notar que, por esses tempos, Espanha era vista como uma das maiores potências europeias e “sovava”, regularmente, a selecção portuguesa em goleadas que chegaram a atingir os 9-0…

Um dos grandes méritos do FC Porto ao longo de mais de um século de existência foi essa invulgar capacidade de rasgar fronteiras, como voltou a ficar provado no triunfo sobre o poderoso Bétis, com os temíveis goleadores Simon Lecue e Victorino Unamuno. O último transferiu-se, mais tarde, para o Atlético Aviación (hoje Atlético de Madrid), marcando golos atrás de golos no campeonato espanhol.


Mas o FC Porto de Szabo, o primeiro campeão da I Liga, já era uma equipa do mundo. Desde 1930, adquirira a boa prática de abater os melhores conjuntos europeus e mundiais e, na coleção particular de vítimas de primeira grandeza, estavam os campeões da Hungria, da Checoslováquia, da Áustria, ou o invencível Vasco da Gama de 1931.

Entre 1930, após a entrada de Pinga, e 1935, com a fusão do trio Waldemar-Pinga-Acácio, ninguém escapou ao poder de fogo deste trio infernal e a primeira edição da Taça Ibérica seria, com alguma naturalidade, marcada por mais uma poderosa demonstração de superioridade do FC Porto e, em particular, de Pinga, autor de três dos quatro golos que derrotaram o campeão espanhol.

Num Ameal superlotado de público e de autoridades civis, militares e consulares, o FC Porto chegou ao intervalo a vencer por 1-0, com um golo fortuito, raro e feliz, de área a área, obtido por Pocas, médio transmontano em estreia absoluta. No reatamento, Pinga elevou rapidamente a marca para 3-0.

Um breve lapso de evasão, associado à qualidade da equipa espanhola, permitiu que Caballero e Unamuno, no espaço de apenas dois minutos, reduzissem para 3-2. Sentindo o perigo, Pinga sacou do seu inesgotável arsenal mais uma diabrura e bateu Urquiaga para estabelecer o 4-2 final, muito mais concordante com a realidade do jogo e, ainda assim, vagamente lisonjeiro para o Bétis.

Estava encontrado o primeiro campeão ibérico. Pena que a eclosão da Guerra Civil espanhola tenha congelado a prova e perturbado a realização dos campeonatos espanhóis, cujos vencedores não foram reconhecidos durante o período (1936-1939) em que o conflito não deu tréguas.

O facto de as autoridades desportivas espanholas não terem atribuído oficialmente o título nesses três anos impediu que se colasse ao jogo o rótulo formal de segunda Taça Ibérica. Mas que houve taça, lá isso houve… E mesmo sem Taça Ibérica oficial (só reatada em 1984), a tradição ainda se manteve por alguns anos.


O FC Porto era o alvo preferido dos campeões espanhóis e, além de derrotar várias vezes o orgulhoso Real Madrid nos anos 1940 e 1950, seria uma vez mais a primeira equipa portuguesa a bater, em Espanha, um campeão espanhol: o Valência, em Outubro de 1947.

Este Valência, que dominou a década de 1940 (três títulos e duas Taças do Rei) era um brutal ministério de atacantes comandado pelos imortais Edmundo Suárez e Epifanio Fernández, dupla de área que ganhou o apelido de “ataque eléctrico”, ainda assim incapaz de eletrocutar o FC Porto do argentino Eladio Vaschetto, também ele um colossal ex-avançado da escola do River Plate, com centenas de golos espalhados pelo Rive, pelo Colo-Colo (Chile) e pelo Puebla (México), três dos grandes sul-americanos do século XX.

FC Porto-Bétis, 4-2
Campo do Ameal, no Porto
7 de Julho de 1935 (15h00)
Assistência: 15.000 espectadores
Árbitro: José Pereira (Coimbra)

FC PORTO: Soares dos Reis; Avelino Martins, Jerónimo; Nova, Pocas, Carlos Pereira; Waldemar Mota, Pinga, António Santos, Carlos Nunes, Carlos Mesquita
Jogaram ainda: Álvaro Pereira, Raul e Castro
Treinador: Joseph Szabo

BÉTIS: Urquiaga; Arego, Aêdo; Peral, Gomez, Lecue; Saro, Adolfo, Unamuno, Caballero, Valera.
Jogaram ainda: Timimi, Espinosa e Fernandez
Treinador: Joseph O’Connell

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Pocas, Pinga (3); Caballero e Unamuno

Quando Jerónimo pagou a viagem a Szabo

Nos oito excecionais primeiros anos em que comandou o FC Porto (1 Campeonato de Portugal, 1 Campeonato da I Liga, 7 Campeonatos do Porto), Szabo, médio internacional húngaro que foi jogador e treinador do FC Porto nos dois primeiros anos (1928 e 1929), viveu muitas vezes longe da família, já que a esposa preferia ter os filhos na Hungria. Mas, à altura, nem os mais reputados técnicos de então ganhavam o suficiente para se permitirem ao luxo de viagens regulares aos países de origem. Sem fundos para ir conhecer o último filho, que nascera seis meses antes em Budapeste, a prenda de Szabo pela conquista da Taça Ibérica foi o mais singelo acto de amizade: Jerónimo, defesa internacional portista gerado no seio de numa família de posses, pagou a viagem ao treinador em nome da equipa.

985 golos com Szabo no banco

O primeiro período de Joseph Szabo no FC Porto (1928 a 1935) foi o mais produtivo da história do FC Porto. Golo era o credo de Szabo e, nesses oito anos, a sua equipa marcou 509 golos! Uma barbaridade que se explica de forma objetiva: dispunha de atacantes como Pinga, Waldemar Mota, Acácio Mesquita, Norman Hall, Simplício, Balbino, Lopes Carneiro, Carlos Mesquita, Carlos Nunes e António Santos, jogadores com lugar em qualquer passeio da fama de qualquer grande clube mundial. Noventa anos depois, Szabo ainda é o treinador com mais golos na história do FC Porto: 985, em 306 jogos oficiais. Contabilizados os jogos particulares (790 golos), a conta atinge os 1775 golos. Brutal. »

Armando Pinto
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Aniversário do nascimento de Pinga, o célebre Artur de Sousa “Pinga”…!

30 de julho - data que foi e é do aniversário natalício de Artur de Sousa “PINGA”, nascido em 1909 nesse dia que foi numa sexta-feira. Sendo desde então esse o dia celebrativo de seu nascimento, acontecido na ilha da Madeira, na cidade do Funchal, onde tem uma rua com seu nome. Esse astro do mundo do futebol dos anos 30 e 40, que (como lembra o jornalista António Simões) «Cândido de Oliveira considerou-o o melhor jogador português da primeira metade do século 20 e só a custo companheiro pôs Eusébio a seu nível…»

(«...Algures por 1945 (com ele a caminho do adeus), numa das primeiras edições de A BOLA, Cândido de Oliveira escreveu artigo a vacilar na dúvida sobre se o Melhor Jogador Português de Todos os Tempos era Artur José Pereira ou era Pinga – e escolheu Pinga. E, estando-se já em 1984, Carlos Nunes (seu companheiro no FC Porto) afiançou-o a Carlos Pinhão (numa entrevista em A BOLA):

— Nunca houve outro jogador como Pinga!

Pinhão, intrigado, retorquiu-lhe:

— Nem Eusébio?

e Carlos Nunes condescendeu (mas só um pouquinho…):

— Bom, na verdade, comparável ao Pinga só mesmo o Eusébio. Houve e há outros grandes jogadores, como o Tamanqueiro e o Carlos Alves, dos meus tempos, como agora o Chalana, mas o Pinga e o Eusébio foram apenas foras-de-série. Eu jogava ao lado dele, mas, às vezes, até me dava vontade de parar a admirá-lo. Nunca vi um jogador assim, a dominar a bola em velocidade, a dominar para a frente e sempre com a bola controlada. Era esse o seu segredo, a sua técnica. Quando arrancava assim ou passava mesmo ou era falta, só em falta podia ser parado

e, depois, sobre tudo isso, Pinga ainda tinha um drible que era magia, um remate que era pólvora. E tinha mais, também, fora das quatro linhas – e foi à conversa com Carlos Pinhão que Carlos Nunes soltou de si outra confidência:

— Era uma personagem fantástica, o senhor Cândido. Quando esteve preso pela PIDE, antes de o mandarem para o Tarrafal, eu e o Pinga chegámos a ir vê-lo a Caxias, por influência do capitão Maia Loureiro. Ficámos muito impressionados, estava numa cela miserável. Depois, quando o senhor Cândido veio treinar o FC Porto, já nos anos 50, foi buscar o Pinga para seu adjunto, por aquele sentimentalismo que nunca perdia. Quis fazer-lhe bem, talvez lhe fizesse mal, o Pinga tinha pouco jeito, bebia muita cerveja e morreu novo, daquela terrível doença no fígado…

… morreu a 12 de julho de 1963, quando o FC Porto o tinha posto a tratar da sua Escola de Jogadores.»)

= Pinga na equipa do FC Porto - em 1938

Mais conhecido por Pinga, o cidadão Artur de Sousa, madeirense que depois faleceu no Porto no dia 12 de Julho de 1963, com 56 anos e a poucos dias de completar 57 no mesmo mês, estando sepultado no Mausoléu do Futebol Cube do Porto, no cemitério de Agramonte, campo santo junto à rotunda da Boavista, na cidade do Porto, é assim um dos símbolos portistas e grande nome do futebol português que é constante recordação.

Tal como aqui, neste blogue, se têm sucedido artigos em sua memória, como se pode recordar por alguns dos diversos exemplos (clicando) em:

- https://memoriaporto.blogspot.com/2021/07/112-anos-do-nascimento-de-artur-pinga.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2015/11/recordando-pinga-proposito-da-efemeride.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2025/12/efemeride-do-golo-200-de-pinga-em.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2022/12/quando-pinga-foi-tentado-com-um.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2020/06/selo-do-pinga-no-porto-nos-museus-do-fc.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2023/07/efemeride-despedida-de-pinga-como.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2023/07/homenagem-pinga-na-passagem-de-60-anos.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2015/11/do-trofeu-pinga-ao-dragao-de-ouro.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2022/12/efemeride-memoravel-gala-de-entrega-dos.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2022/07/efemeride-falecimento-de-pinga-12-de.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2019/07/efemeride-do-falecimento-de-artur-de.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2025/07/exposicao-temporaria-artur-sousa-pinga.html

Armando Pinto

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

60.º aniversário do final da participação portuguesa no Mundial de futebol de 1966 - do 3.º lugar em Inglaterra contra a URSS - Com FESTA a titular e AMÉRICO e PINTO não utilizados… entre os "Magriços"!

A 28 de JULHO de 1966 a Seleção Portuguesa disputou o último jogo da participação no Campeonato Mundial de futebol, diante da Rússia para atribuição do 3.º e 4º lugares. Defrontando então a URSS, a União Soviética (que era mais conhecida por Rússia, embora essa fosse a mais conhecida das repúblicas que compunham ao tempo a chamada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Depois de no anterior dia 26 a Seleção Portuguesa ter sido afastada da final ao ter perdido na meia-final com a Inglaterra, por 2-1, por fim jogou também no estádio do Wembley o chamado jogo de consolação, com a URSS, tendo vencido por 2-1 e desse modo ficado com o 3.º lugar da classificação final. Com Festa em campo, tendo sido mesmo dele o centro de que resultou o 1.º golo do jogo, marcado por Torres (sendo o 2.º de penalti, apontado por Eusébio). Encerrando-se assim a campanha dos "Magriços" de 1966, como foram chamados os componentes da embaixada portuguesa dessa fase final do Campeonato do Mundo de Seleções.

Recorde-se que o nome Magriços dado então aos jogadores integrantes do lote dos 22 elementos da seleção A de Portugal, que disputou o Campeonato do Mundo de Futebol de 1966, se baseou no episódio d’ Os Doze de Inglaterra, descrito por Camões no canto VI d’ Os Lusíadas. E, mais concretamente no apelido do chamado Magriço (Álvaro Gonçalves Coutinho, mais conhecido como Grão Magriço ou simplesmente o Magriço), o mais famoso desses 12 cavaleiros da era do rei D. João I, fidalgos guerreiros que viajaram até Inglaterra para participarem num torneio em defesa de 12 damas… como é da história romântica. Associando-se oficialmente aquela “ideia na medida daquilo que o Grão Magriço representa, o belo episódio que Luís de Camões canta n’Os Lusíadas”, quão aquele antepassado significava para a ocasião, por assimilação dum autêntico desportista ido a Inglaterra... “

= "Magriços de 1966" em Inglaterra - estando Festa à direita, em pé; e, em baixo, Américo (o mais próximo da frente) e Pinto (em penúltimo da segunda fila da imagem) respetivamente, também à direita, do primeiro plano.

Então nesse Mundial/66 Alberto Festa foi o único que jogou do FC Porto, entre os Magriços, como jogador utilizado, enquanto Américo e Custódio Pinto, que também integraram a caravana portuguesa, não jogaram, injustiçados pelo poder do sistema reinol desse tempo, quão exemplos paradigmáticos do que acontecia por esse tempo do sistema BSB, das presidências federativas circunscritas aos 3 clubes de Lisboa – Benfica, Sporting e Belenenses… dos quais foi a molhada dos jogadores utilizados na velha Albion.

Enquanto isso o FC Porto apenas teve mais um representante além do trio dos jogadores, porque na comitiva oficial, entre os dirigentes, também foi o Eng.º Paulo Tavares, que era um dos vice-presidentes da Federação, único lugar destinado a representantes de clubes de fora da capital, na FPF. 


Alinhou então nesse último jogo Alberto Festa, o defesa-direito único portista a jogar na fase final, intrometido entre os protegidos do regime, nesse tempo do sistema BSB... 

= Equipa do jogo de atribuição do 3.º lugar no Mundial de 1966, obtido por Portugal após vitória por 2-1 com a Rússia, tendo Festa feito assistência para um dos golos portugueses, centrando para a cabeça de Torres (tendo o outro sido de penalti, com que Eusébio marcou a Lev Yashin)

Festa fez 3 jogos dos 6 que a seleção da camisola das quinas disputou nesse Mundial, ao passo que o guarda-redes Américo, que até tinha a camisola n.º1 dos 22 Magriços, e durante a época havia recebido prémios oficiais por seu valor, foi posto de lado para jogar José Pereira do Belenenses, de modo a que a presidência do Belenenses tivesse melhor representação por junto com Vicente... E Custódio Pinto idem aspas, ele que até era polivalente, também ficou no banco para jogarem médios e atacantes de Sporting e Benfica... Tudo na linha BSB. Com o cúmulo do único utilizado sem ser do sistema, ou seja de Benfica, Sporting e Belenenses, de Lisboa, e além do único do FC Porto que teve essa possibilidade, haver sido um do Vitória de Setúbal, Jaime Graça, porque então estava já adquirido pelo Benfica).

(Festa foi agraciado com uma medalha por ter jogado, como os restantes utilizados, e depois também outra com que foram agraciados todos os que incluíram o lote dos 22 Magriços, mais os que haviam participado em jogos da fase de apuramento, entre os quais esteve também o defesa portista Miguel Arcanjo, que entretanto já terminara a carreira.)

Curiosamente, no último jogo de preparação, antecedente à ida para Inglaterra, tinham jogado os 3 do FC Porto no Portugal-Roménia que a Seleção portuguesa venceu por 1-0, com Américo em destaque, a pontos de lhe terem atribuído o n.º1 das camisolas. Só que depois outros interesses contaram mais.

Eram os três de tal modo distintos que conseguiram ter lugar nos livros da famosa "Coleção Ídolos do Desporto", em grande maioria dedicados a atletas de Benfica, Sporting e Belenenses, não só de futebol mas também de várias modalidades, enquanto do FC Porto poucos futebolistas foram incluídos e de outros desportos só 2 ciclistas constaram na coleção. Mas a Américo e Pinto foram dedicados 2 livros, com intervalos de alguns anos entre um e outro... o que foi sintomático.

Foi assim Alberto Festa, como único que teve possibilidades de jogar, o Grão Magriço do FC Porto nessa saga duma das lanças portistas no tempo do sistema BSB...!  

= Américo e Pinto, na caravama dos 22 selecionados...

Faz agora 60 anos, em 2026, que isso se passou em 1966.

Armando Pinto

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Lembrando... o ingresso do avançado brasileiro DJALMA no FC Porto - em JULHO de 1966.

Em tempo de transferências do mundo do futebol, no período inicial de nova época desportiva, vem a toque de bola lembrar uma transferência ocorrida com uma aquisição feita pelo FC Porto, enquanto decorria o Mundial de futebol de 1966, em Inglaterra, com a seleção portuguesa a passar a fase em que o selecionador Luz Afonso e o treinador Otto Glória erraram em deixar a baliza da equipa das quinas à mercê dos ingleses - mas isso é outra história, aqui apenas aflorada como enquadramento no tempo. Interessando que nesse ínterim o FC Porto por cá ia procurando fazer pela vida para a nova época, sem contar com o que na Velha Albion se passava na equipa com as camisolas portuguesas, apenas incluindo do FC Porto o defesa Festa, que conseguiu furar a linha BSB, do regime presidencial de Benfica, Sporting e Belenenses (com a baliza a ter ficado escancarada diante da Coreia, valendo a reviravolta acontecida, mas depois já com resultado negativo à frente da seleção inglesa de Charlton e C.ª)…

Então, a 27 de JULHO, em 1966, foi noticiada a transferência de Djalma, brasileiro que na anterior época de 1965/66 dera nas vistas na linha avançada do Vitória de Guimarães e se salientara como goleador, levando a que o FC Porto o adquirisse para reforço da época de 1966/67. Numa transferência que se revestiu de contrapartidas, envolvendo idas para o Guimarães do defesa Joaquim Jorge e do avançado Lázaro, além da soma de dinheiro da parte do contrato.

Ao tempo o setor atacante do FC Porto estava enfraquecido, apenas contando com o avançado-centro Manuel António, adquirido na temporada anterior à Académica, mas sem confirmar o valor que demonstrara anteriormente com o equipamento preto da academia coimbrã, acrescido do outro avançado, o “ponta de lança” Amaury, ter regressado ao Brasil.

O caso é assim referido no livro do jornal A Bola, “História de 50 anos do Desporto Português”:

Tal como no livrinho da “Coleção Ídolos do Desporto”, dedicado ao Djalma, está pormenorizada a transferência:


Djalma teve depois grande influência na boa campanha da equipa portista de 1966/67 a 1968/69, tendo tido ponto alto com a conquista da Taça de Portugal em 1968, para cuja ida à final contribuiu com 4 golos marcados ao Benfica nos dois jogos da meia-final (empate 2-2 na Luz com 2 golos seus e vitória nas Antas por 3-0 com mais 2 dele e 1 de Pavão), bem como na final foi ele que marcou o canto de que resultou o golo da vitória, por 2-1 sobre o Vitória de Setúbal.  

Ganhou fama, a par com os dotes de goleador, com sua maneira de responder às agressões dos adversários. Tendo, depois de o FC Porto ter perdido o Campeonato de 1968/69 por casos internos na parte final, sem ele ter estado envolvido, entenda-se, saído para o Belenenses em 1969/70.

Armando Pinto

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domingo, 26 de julho de 2026

V Encontro de Colaboradores do antigo jornal O Porto

 

- 25 de julho/2026 - Realizado mais um Encontro do Grupo de Colaboradores do antigo jornal O Porto, o quinto desde que se criou um grupo para o efeito, contando com antigos colaboradores do antigo órgão jornalístico oficial do FC Porto, entre os que se tem conhecimento de ainda estarem vivos. Contando com os que escreveram no jornal e dois convidados, um como filho de um antigo membro do jornal e outro como colecionador de jornais O Porto.


Estiveram então presentes 9 (indicando por ordem alfabética): Amílcar Mendes, Armando Pinto, Armindo Vasconcelos, Carvalho Brochado, Carvalho Couto, Domingos António Cabral, Gomes da Rocha, José Amaro Viana e Paulo Jorge Oliveira. Não puderam estar presentes desta feita 4 dos elementos do grupo, dois por motivos de sua vida particular e os outros dois por estarem em recuperação de casos clínicos, que foram lembrados e a quem se deseja bom restabelecimento.

Foram distribuídas pelos presentes duas ofertas: um íman turístico (conhecido popularmente por íman de frigorífico) alusivo à região do ofertante, Amílcar Mendes; e exemplares da “Revista da Maia”, que tem um artigo do aqui também autor deste blogue ("Ligações históricas entre o Futebol Clube do Porto e a Maia”), por, embora felgueirense, ter sido convidado a fazer essa crónica historiadora respeitante ao respetivo concelho maiato. Tendo também o autor deste apontamento sido portador da oferta de um porta-chaves enviado pelo Telmo Esteves para o antigo chefe de redação e diretor interino Carvalho Couto.

Do mesmo encontro - para memória, sendo este espaço de memória portista - regista-se as presenças à mesa de convívio, e uma foto de grupo, no final.

Como nota final, o autor agradece ao amigo Armindo a boleia prestada, para como sempre ter podido estar presente.

Armando Pinto

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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Artigo “Ligações Históricas entre o Futebol Clube do Porto e a Maia” na "Revista da Maia 2026 - Revista Cultural da Câmara Municipal da Maia"!

Na anual publicação de uma revista cultural da Câmara Municipal da Maia, este ano intitulada “Revista da Maia 2026”, de seu ano XI, consta um artigo escrito aqui pelo autor deste blogue, em género de crónica ou pequeno memorial, a historiar resumidamente algumas das “Ligações Históricas entre o Futebol Clube do Porto e a Maia”. Sendo essa revista, algo interessante e como não há muitos municípios a fazer e ter, prestando missão dum bom repositório de recolha de memórias e curiosidades identificativas das terras e gentes do Concelho da Maia. E como tal a ligação desportiva de cariz portista tem razão de ser, tendo mesmo muita história.

= O editor da revista com o autor deste artigo em equação - onde foi escrito o texto...

Para se perceber melhor o contexto, como se diz, atente-se numa crónica publicada no jornal “maiahoje”, em sua edição do passado dia 17.

Obviamente a mesma publicação abarca diversos e variados assuntos, incluindo ser dedicada a alguém que foi importante precisamente na historiografia maiata, o entretanto falecido senhor que foi inclusive principal dinamizador, mentor intelectual e editor fundador da mesma revista, o Dr. José Augusto Maia Marques, que por sinal foi um grande portista. Sendo por meio do atual editor da mesma revista, o historiador Rui Teles de Menezes, também portista dos bons, que o artigo pessoal teve razão de existir. Estando na revista desde a página 80 até à 101 - como se pode vislumbrar, aqui e agora, por imagens relativas à publicação, em modo de captação fotográfica, para obviar de digitalizar essa totalidade de folhas.











Armando Pinto

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