Memória Portista
Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis
Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis
Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.
A. P.
quarta-feira, 4 de março de 2026
De vez em quando: uma recordação num postal colecionável
terça-feira, 3 de março de 2026
Evocação de um Porto-Sporting disputado em Coimbra no ano de 1937 (final do Campeonato de Portugal de 1936/37) numa crónica de um Lousadense desse tempo - publicada em 1953 no Jornal de Lousada e hoje na página on-line do jornal O Louzadense
Com grande apreço, dá-se notícia de um relato literário de teor memorial-futebolístico referente à jornada vivida em 1937 por um literato natural de Lousada, como assistente que foi entre a multidão presente ao Porto-Sporting disputado em Coimbra no ano de 1937, na final do Campeonato de Portugal de 1936/37. Cujo resultado de 3-2 então verificado, a favor da equipa azul e branca, atribuiu ao FC Porto o título de Campeão de Portugal nesse ano.
O autor da crónica era pessoa da cultura da vila e do concelho de Lousada, e chegou a trabalhar como escriturário no concelho de Felgueiras, na então povoação da Longra, hoje vila, na fábrica do Largo da Longra, a Móveis de Ferro-MIT de Américo Martins (antecessora da Metalúrgica da Longra), inclusive com intervenção local como ensaiador responsável do Grupo de Teatro José Xavier, da Associação Pró-Longra, pelos anos 30 do passado século XX. Havendo, por outro lado mais recente, ainda também ligação pessoal aqui do autor destas linhas, por ter estudado algum tempo em Lousada, no histórico Externato Eça de Queirós e em Lousada ter tido um dos meus melhores amigos, o Zé Vieira, mais tarde advogado e personagem histórico da cidadania lousadense, assim como mais alguns outros, conforme lembro o Jorge Magalhães, o Teles, o Zé Alberto, etc. e profissionalmente também o médico Dr. Afonso Magalhães. Tal como muitos anos depois também acabei o percurso profissional por lá, quando o agrupamento dos centros de saúde de Sousa e Tâmega teve sede em Lousada. Com tantas afinidades, juntando ao sentimento portista, a narrativa memoranda vem a propósito. Tendo essa crónica sido entretanto publicada no Jornal de Lousada, em 1953, e agora (03-3-2026) dada a público no sítio informático do atual jornal O Louzadense. De cuja página, com a devida vénia, aqui se partilha:
Crónica de António Gorgel sobre um jogo entre estes dois clubes
portugueses em Coimbra, ocorrida em 1937. Um grupo de Lousadenses assistiu a
esse jogo e disso deu conta o célebre cronista do antigo Jornal de Lousada:
Um jogo da bola na Coimbra dos doutores
por António Augusto de Castro Gorgel (1902-1979)
( Crónica do Jornal de Lousada de 12-03-1953, sobre factos
de 04-07-1937)
«Com umas dúzias de fixes Lousadenses, éramos dos ferrenhos
do grupo azul e branco. Jogava-se uma final do campeonato em Coimbra, entre o
Sporting e o nosso Porto. Eu, o Dr. Magalhães [notário do Cartório de Lousada,
Dr António José de Sousa Magalhães], seu filho Afonso [à época dos factos
jogador do Lousada Foot-Ball Club], Heitor Cunha e Manuel Mota, para lá
abalamos, no carro do Ambrósio [de Oliveira, taxista.].
Fervilhava em nós o regionalismo. Viagem óptima e, por horas do almoço estávamos na Lusa Atenas [Coimbra]. Compramos os bilhetes e toca a arranjar restaurante para almoçar. Começou então o nosso calvário. Multidão imensa, de Lisboa e do Porto, ida em comboios especiais, carros e camionetas, deambulando pelas ruas da princesa do Mondego, antes do desafio a realizar no velho Campo do Arnado. Lá encontramos vaga num restaurante. Sala cheia. Sentamo-nos a uma mesa, junto da janela e ao lado de outra onde estava um casal. Cansados de esperar que fossemos servidos, vimos que o tal casal da mesa ao lado saiu deixando uma travessa quase cheia de arroz de frango. Num abrir e fechar d’olhos transferimos o pitéu para a nossa mesa. Lançamos os ossos pela janela fora para não haver vestígios. Mal nos tínhamos servido do cozinhado entretanto pedido, quando inesperadamente entram pela sala meia dúzia de indivíduos, em mangas de camisa, chefiados por um brutamontes de bigodes grandes, pêlo retorcido nos queixos, de guardanapo ao peito e talheres nas mãos. Este diz para o ar: “Quem foi o malandro que nos estragou a refeição, deitando-nos em cima dos pratos ossos de frango e restos de comida?” Era gente que comia pelo lado de baixo da nossa janela. Gera-se grande burburinho e no meio da confusão mudamo-nos para a outra mesa, mais afastada da janela… Lá passamos despercebidos.
Fomos para o campo. Ganhou o Porto e, por consequência, o campeonato de Portugal. Nas ruas era um delírio. Desde o “Santa Cruz” até uma tasca onde encontramos vinho verde, fomos nós e os outros, ao colo dos entusiastas, numa multidão louca e delirante, aos vivas ao Porto e abaixo o Sporting. Em dado momento, o nosso carro ultrapassa um dos muitos grupos no qual topamos com o tal brutamontes dos bigodes, o qual, colérico, dava vivas ao Sporting e morras ao Porto. Então, ágil, o Heitor abre a porta e, de pé no estribo do carro, assenta dois valentes “cachaços” no peludo alfacinha, dizendo: “Já que não almoças-te, come agora, seu bigodeira d’arame!” O Ambrósio acelerou, raspando pela estrada fora.
Jantou-se no Porto e, de madrugada, de regresso a Lousada, parou de repente o carro, junto ao Luís Cantoneiro. Acabou a gasolina. A pé, sonolentos e cansados, dizia sarcasticamente o Mota: “Castigo de Deus pelos ossos e pelos ‘cachaços’ no homem!”.»
«Esta imagem, da equipa do FC do Porto desse jogo, é de uma fotografia original que nos enviou Armando Pinto, da Vila da Longra, leitor do jornal O Louzadense .»
segunda-feira, 2 de março de 2026
Efeméride do jogo FC Porto-Anderlecht disputado em dois dias a 1 e 2 de MARÇO de 1978…
Foi na época quaresmal de 1978, em tempo invernoso da
transição do inverno para a primavera, que no estádio das Antas e sob chuva torrencial se iniciou, na
quarta-feira 1 de março de 1978, o jogo entre as equipas do FC Porto e dos
belgas do Anderlecht, da 1.ª mão dos quartos-de-final da então existente Taça
das Taças, na época de 1977/78 (prova precursora da unificação com a também antiga Taça das
Cidades com Feira, depois transformada numa só como Taça UEFA e atual Liga Europa).
Jogo que devido a tanta chuva que caiu durante o tempo de jogo decorrido, com o
campo completamente encharcado de água, a pontos de a bola nem correr, só se
disputou em meio tempo. A chuva, caía então quanto Deus a dava… e lá estava também
o autor daqui desta lembrança, todo encharcado, a tiritar, não de frio mas com a humidade ambiental misturada aos nervos de ver que a bola não entrava na baliza dos belgas, apesar
dos jogadores portistas fazerem grande pressão no meio campo dos adversários e
sobre a baliza deles, com bolas pelo ar porque de modo rasteiro a bola
ficava presa no relvado alagado de água. E assim ficamos à espera que o jogo recomeçasse, depois da ida para o descanso.
Contudo, após o tempo do intervalo, já ninguém regressou dos balneários, ficando adiada para o
dia seguinte a respetiva continuação, que foi de reptição do jogo.
Foi então na quinta-feira, dia 2 de março, repetido o jogo. Durante o dia foram lançadas pazadas de areia sobre o relvado, na
tentativa de o secar e fazer com que a bola rolasse, ante o seu estado enlameado.
E então, jogou-se em fracas condições, de modo que os jogadores
do FC Porto nem conseguiram desenvolver as jogadas de forma normal, tendo mesmo
assim ainda conseguido marcar um golo, com o jogo a terminar com a vitória do
FC Porto por 1-0, perante o golo apontado pelo goleador Fernando Gomes, aos 36 minutos.
O FC Porto, sob o comando de José Maria Pedroto, estava ao tempo bem encaminhado para a conquista
do Campeonato Nacional de futebol que faltava há muitos anos (e que finalmente foi alcançado, em junho seguinte), enquanto na campanha europeia
haviam sido ultrapassados nas eliminatórias anteriores o Colónia da Alemanha e
o Manchester United da Inglaterra. Aparecendo nos quartos-de-final o Anderlechet,
ao tempo uma autêntica multinacional com jogadores de muitos países, enquanto o
FC Porto jogava só com portugueses e alguns brasileiros, que nessa noite até foi só um,
por acaso um que nem era costume jogar, mas dado o estado do terreno foi mandado
lá para dentro quase no fim do jogo, ainda para se tentar alguma sorte… como foi o
caso do Metralha, entrado aos 86 minutos, já - na tentativa de aumentar a vantagem para a 2.ª mão (que, como se sabe, um só golo não bastava e não foi suficiente, diante dos 3 que a equipa belga marcaria em casa, depois).
Dessa inesquecível jornada ficou guardado o bilhete do jogo,
tal como ficou aí, rasgado como eram todos os bilhetes usados e assim validados à entrada.
Armando Pinto
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domingo, 1 de março de 2026
3.º Aniversário do falecimento de Mário Silva - célebre ciclista olímpico e vencedor da Volta a Portugal de 1961…
Passam 3 anos, nesta data de 1 de março de 2026, que
faleceu o antigo ciclista Mário Silva, o vencedor da Volta a Portugal de 1961 e
herói do ciclismo que na minha infância era o desporto em que o FC Porto mais
ganhava e sobretudo fazia os dias de verão bem quentes no portismo que nos
corria no suor alegre, a escorrer de nossas caras felizes, com a Volta a
Portugal e Grandes Prémios de ciclismo.
Mário Pereira da Silva, célebre ciclista do FC Porto, faleceu
então a 1 de março de 2023, com 83 anos - ele que havia nascido a 05 de outubro
de 1939, em Caldas de S. Jorge, concelho de Vila da Feira (atualmente Santa
Maria da Feira). Tendo assim acabado a última etapa de sua vida, depois de antes
ter vencido etapas e prémios nas provas de ciclismo em que se salientou, com
destaque para a sua grande vitória na Volta a Portugal de 1961 - precisamente a primeira em
que participou, em 1961. Assim como um ano antes, ainda na categoria de Amador, havia estado na primeira representação portuguesa de ciclismo nos Jogos Olímpicos (nas Olimpíadas de Roma, em 1960), tal como depois com a camisola da seleção nacional correu
na Volta a França do Futuro ("Tour d’ Avenir", de Esperanças, atualmente sub-23),
e mais tarde esteve a representar Portugal pela Seleção Nacional em diversos Mundiais
de Estrada para profissionais, etc. etc.
Representou o FC Porto desde 1959 até 1969, com muitas vitórias
em diversas provas, incluindo vitórias coletivas do clube, quer nas
classificações por equipas na Volta a Portugal, como em campeonatos nacionais
de montanha, estrada e pista. Depois de deixar de correr com a camisola do FC
Porto, em 1969, ainda fez um ano pela equipa da Fagor, de Moçambique, em 1970. Após
isso ainda também regressou ao FC Porto como treinador, no cargo de diretor
técnico.
Lembrando-o assim na passagem do terceiro aniversário de seu
falecimento, curvamo-nos diante da memória desse antigo nosso ídolo, que tanto admirávamos
de o ver com a camisola do FC Porto nas corridas de bicicletas que detinham muito
encanto de popularidade nesses tempos. E, nesta data, recordamos o que aqui foi publicado em 2023, aquando
da sua morte, em
https://memoriaporto.blogspot.com/2023/03/falecimento-de-mario-silva-historico.html
Armando Pinto
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Lembrança de saudade: Américo - na data que era de seu aniversário!
Américo, o grande guarda-redes Américo Lopes, se fosse vivo faria
93 anos, agora em 2026. Sendo que nasceu há 93 anos, em Santa Maria de Lamas,
do concelho da então Vila da Feira (atualmente Santa Maria da Feira). Havendo sido figura pública em boa parte de sua vida passada diante das balizas do FC Porto e com a camisola n.º 1 do grande clube dragão cingida ao corpo, numa longa vida como a sua entretanto vivenciada com a família em São Paio de Oleiros, onde residiu e repousa no descanso eterno.
Américo foi um dos melhores guarda-redes do futebol do FC
Porto e de Portugal. Fazendo parte da lista de guardiões de excelência no FC
Porto, cuja galeria comporta uns tais valores como Siska, Soares dos Reis,
Barrigana, Acúrcio, Américo, Armando, Rui, Tibi, Fonseca, Zé Beto, Mlynarczyk, Vítor
Baía, Helton, Casillas, Diogo Costa e Cláudio Ramos, entre outros. E naturalmente Américo
junto com Diogo Costa, Baía, Barrigana, Soares dos Reis e Siska num pedestal de
popularidade histórica.
Pois a lembrança da data em que Américo nasceu é ocasião de
o evocar, mais uma vez, ele que entretanto faleceu em 2023, com 90 anos, mas continua bem
presente na Memória Portista. Aguardando-se ainda a publicação de um livro
sobre ele, elaborado e concluído há muito por pessoa amiga, cuja publicação
está prometida há anos.
Sobre Américo, como ao longo do tempo ele tem sido alvo de diversos
artigos que aqui lhe foram e estão dedicados, lembra-se a sua figura desta vez
através de mais imagens, com história.
Recordando então esse que foi grande ídolo de infância e
juventude aqui do autor destas linhas, curvamo-nos diante de sua memória. E
como sinal de mais uma homenagem pessoal, recordam-se imagens de sua carreira
no vislunbre de diversas fotos históricas.
Armando Pinto
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Efeméride do 1.º jogo internacional das competições europeias no Estádio do Dragão: FC Porto, 2-Manchester United, 1 - para a Liga dos Campeões 2003/2004
A 25 DE FEVEREIRO DE 2004 o Estádio do Dragão teve o primeiro jogo internacional de caráter oficial. Tendo então, na noite dessa quarta-feira, o ainda novíssimo Estádio do Dragão, recentemente inaugurado em novembro anterior (de 2003) e com jogos oficiais há 18 dias antes, desde o dia 7 do mesmo mês, foi então pela primeira vez local de um encontro para as competições europeias.
Então, em jogo a contar para a Liga dos Campeões Europeus, o FC Porto recebeu como oponente de honra o Manchester United, ao tempo poderoso clube da equipa orientada por “sir” Alex Ferguson, e com jogadores como Roy Keane, Paul Scholes, Ryan Giggs, Ruud van Nistelrooy, Diego Forlán e Cristiano Ronaldo, num lote de adversários que não tiveram outro remédio senão sair do Porto com uma derrota comprometedora.
Pois
quem mais brilhou nessa noite de estrelas foi o portista sul-africano McCarthy,
autor dos dois golos do FC Porto, no resultado que suplantou o único golo da
equipa inglesa, marcado por um outro sul-africano, Quinton Fortune. De modo que
os então detentores do título português e da Liga Europa da ápoca anterior derrotaram
o também campeão inglês, por 2-1, na primeira mão dos oitavos de final da Liga
dos Campeões de 2003/04 - dando um passo importante para o que depois aconteceu
lá, na velha Albion, onde o Porto dessa colheita fez história, depois, como se
sabe.
Assinalando o acontecimento, ilustra-se esta evocação com recordações
histórico-literárias alusivas, primeiro com a capa e primeira página duma brochura
anterior ao jogo, e por fim com a ficha constante do livro “2004 ANO OURO ”de
final desse ano, em edições do jornal O Jogo.
Armando Pinto
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Armindo de Vasconcelos: Figura importante do antigo jornal O Porto numa vida sorridente...!
Continuando na boa maré de aniversariantes, por estes dias, espraiando-se em mar azul ondas de lembranças descritivas sobre
confrades colaboradores do antigo jornal O PORTO, calha nesta data lembrar mais
um bom amigo, na pertinência de ser aniversariante do dia - o Armindo Vasconcelos.
Esse mesmo que foi redator e depois Chefe de Redação interino do jornal O Porto.
Ao qual, aqui para o blogue “Memória Portista”, estava há muito reservado um lugar
de honra descritiva, que andava na ideia do autor deste espaço, com respeito a
ser referência no que representou o jornal O Porto até seus últimos anos de existência
na vida do FC Porto. Motivo que desta vez vem a propósito, como homenagem ao
mesmo Armindo Vasconcelos, assim lembrado e homenageado no dia de seu aniversário
(quando se publica esta alusiva comemoração escrita). Que, sendo alguém com algo de jeito,
ao jeito de filho de algo no Portismo que nos corre nas veias, qual fidalgo
portista, se deve acrescentar ser assim mais: Armindo de Vasconcelos!
O Armindo, tal como eu, é Felgueirense, natural do concelho de Felgueiras. Mas só nos conhecemos pessoalmente por o FC Porto ser um grande elo de ligação, no caso através do jornal O Porto. Tanto que eu o conhecia apenas de nome, pelo que ele assinava em seus escritos no jornal do FC Porto, pelos finais dos anos 70. Depois sim, encontramo-nos uma tarde em que no estádio das Antas pela primeira vez fui para um local da imprensa. Colaborador como eu era desde 1974 do jornal O Porto (e entrava no estádio com o cartão de sócio, como em dia de clube pagava bilhete) só em 1980 recebi um cartão correspondente, que fui buscar a casa do Zé Viana no dia do Porto-Sporting, terminado num empate 1-1, porque o Garrido não assinalou um primeiro penalti, e só mais tarde assinalou outro, pois era demasiado roubar dois... E então, nessa tarde domingueira, indo com o Viana, estava lá também o Armindo num dos sítios dos jornalistas, onde estavam também redatores do jornal do FC Porto. E conheci aí o Armindo Vasconcelos. Longe até de imaginar, como soube então, que ele era familiar de um meu colega de emprego, ao tempo, por encabação ” (não sendo direto, mas por ter casado com uma prima e entrado assim na família dele). Esse por sinal um benfiquista “aferroado”, com quem eu me dava bem no trabalho enquanto não falássemos de desporto, mas com quem sempre mantive boa colaboração laboral e natural amizade extra-desportiva. Contudo deixando-o sempre algo lixado quando eu recebia correspondência portista, pois eu indicara como endereço postal o local de trabalho, para receção de correio (que obviamente era distribuído pelos carteiros em horários em que eu estava fora de casa). E então em tudo que chegava, fosse o jornal O Porto, ou cartas e encomendas com remetente contendo símbolos e o nome FC Porto, lá vinha: Armando Pinto - Posto Clínico da Longra… como ao tempo era referido oficialmente o Centro de Saúde da região. E então, quando eu soube que o Armindo o conhecia, imaginei logo como seriam as conversas entre eles…
Pois então o Armindo de Vasconcelos nasceu em terra de Felgueiras, na
freguesia de Revinhade (como eu soube depois), com laços familiares também em Margaride, na então vila e hoje cidade de Felgueiras, sede do concelho. Mas desde muito novo demandou
outras paragens, tendo ido estudar para Braga. Onde andou na escola Colégio de
Montariol. Depois foi para a cidade do Porto, e aí frequentou o Curso de Filologia Românica na
Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Entretanto foi cumprir o serviço militar obrigatório e na tropa rumou a Moçambique,
mobilizado que foi para a guerra colonial naquela província do Ultramar então
português, já no seu final. E no regresso fixou-se na cidade Invicta seguindo rumo profissional,
enquanto ganhou amizades, entre as quais de amigos portistas. E um desses era redator
do jornal O Porto. Estava feita a encomenda que traçaria esse destino. Tendo
desse modo para o FC Porto contribuído de forma desinteressada, ou seja pro
bono, durante vários anos.
Então o Armindo de Vasconcelos foi redator d’ O
PORTO, jornal oficial do FC Porto, que serviu mais tarde na função de “Chefe de
Redação Interino”, quando o anterior desse lugar, o histórico José Viana,
passou para Diretor Interino, à saída do anterior Diretor Interino, Carvalho
Couto, que antes também tinha sido Chefe de Redação. Todos esses e outros daqueles de tarimba, como ao longo do tempo, de meu tempo de género correspondente à distância, havia por lá uns Almeida e Sousa, Carvalho Brochado, etc. Sendo os lugares interinos, assim, porque havia nomeações da Direção, por
vezes demoradas até à respetiva oficialização. Mas também porque os que
trabalhavam (escreviam, faziam reportagens e publicavam) eram mesmo os
redatores, depois com funções de nomeação interina, porque os diretores de
cadeiras diretivas eram mais de nome que outra coisa.
Desse labor clubista serve de exemplo uma crónica publicada na
revista do aniversário do FC Porto, em 1981.
Entretanto, eu deixara de escrever para o jornal no princípio
da década de 80, ainda com toda a equipa do jornal em funções, até que tempos
depois soube que o Armindo Vasconcelos, mais o José Viana, e outros saíram mais
tarde.
= Homem do jornal do Clube presente na vinda do futebolista
Jacques Pereira para o FC Porto, em 1981.
Então, passados tempos, depois das mudanças operadas no
clube em 1982, saindo toda a gente que antes fazia o jornal O Porto, o Armindo, o Lopes de Almeida e
o Viana fundaram um jornal diferente, "O Vento Norte", que foi uma lufada profunda no ambiente regional. Enquanto ele e outros redatores do antigo O
Porto passaram a escrever numa outra publicação desportiva periódica, a revista "Bancada".
~~~ ***** ~~~
Ora, um percurso de vida assim merece uma melhor ordenação curricular. Quão, para acertar o passo, se coloca de fio a pavio:
Nascido a 24 de Fevereiro de 1951, em Revinhade
(Felgueiras), cresceu em Meixomil (Paços de Ferreira), frequentou aí a Escola
Primária Antero de Figueiredo, tendo sido aluno de um vulto local, o Professor
Manuel Vieira Dinis, que lhe incutiu um gosto para a vida: a história e a
arqueologia.
Frequentou, então, o Colégio Franciscano de Montariol
(Braga), «vindo desse período a definitiva ligação ao portismo, por obra e graça
de uma velha glória, o Senhor Hernáni Ferreira da Silva, que vi jogar num
amigável com o Braga e que me conquistou pela sua classe, apesar de já estar na
parte final da carreira» - como ele conta.
= Como nos filmes, o artista distingue-se sempre pela diferença que marca...
Seguiram-se dois anos como aluno externo e
trabalhador-estudante, frequentando o Colégio Universal no Porto para terminar
o curso complementar dos liceus. Ainda como trabalhador-estudante, andou pela
Faculdade de Letras, curso de Filologia Românica, corria o ano de 1970.
Numa época em que a guerra colonial era uma espada sobre a
cabeça de uma geração, interrompeu o curso e não pediu o terceiro adiamento de
incorporação, indo parar a Mafra, ao curso de oficiais milicianos. Minas e
armadilhas foi o desafio seguinte, após o qual foi para a Moçambique, já depois
do 25 de Abril de 1974, onde participou na descolonização.
No regresso, reencetou uma participação contínua nos
diversos palcos do clube. Desde os infantis aos seniores no futebol,
acompanhando hóquei em campo e em patins, basquetebol e automobilismo, os fins
de semana eram uma barriga cheia de FCP, tantas vezes à boleia.
Em determinada altura, decidiu apresentar uma candidatura ao
Jornal O Porto, começando como colaborador, seguindo para redactor, e
terminando como Chefe de Redacção Interino, em 1982, altura em que pediu a
demissão.
Como memória da bancada, um isqueiro ST Dupont que lhe caiu
na cabeça quando Duda marcou o seu primeiro golo num célebre jogo com
Manchester United, deixando-o a coçar o sítio do impacto, com o galo a cantar à
meia-noite…
Como memória marcada na pele até hoje, um empurrão do João
Pinto e do Jaime Magalhães para a água, numa fase final vencida, pensa que de
juvenis, em Leiria, com o azarado raspar da canela na beira da piscina.
Ou a dimensão enorme, como portista e como dirigente do
basquetebol, do Velho Eduardo Casimiro de Matos Pacheco, com quem partilhou
momentos incríveis, sobretudo quando o Professor Jorge Araújo passou pelo
clube. Como companheiro de luta, neste enorme espaço portista, o saudoso José
Viana, que recorda todos os dias.
Hoje, apenas adepto, doente como sempre, tem assistido à
história ímpar do clube, muito mais a partir de Braga, cidade onde se fixou há
17 anos, do que no estádio. Mas não diminuiu esta paixão enorme. O reencontro
com antigos colaboradores do jornal do clube foi para si reviver memórias,
amizades e um espírito que só se sente, sendo portista.
Para além do jornal do clube, foi colaborador em inúmeros jornais: O Jogo, Notícias da Tarde, Jornal de Notícias, Comércio do Porto, O Primeiro de Janeiro, A Bola, Revista Bancada, e o projecto editorial mais louco do Lopes de Almeida, que também foi colaborador do nosso jornal, O Vento Norte.
Posteriormente, mantendo-se ligado ao desporto, como adepto, ao fim de muitos anos a acompanhar o hóquei e andando ele pelos jornais a escrever sobre muita coisa, mas também de hóquei, foi “empurrado” pelo Prof. Alípio de Oliveira para funções de dirigente dessa modalidade olímpica na respetiva Associação distrital. Tendo começado por vogal, depois secretário, vice-presidente, subindo os degraus na direcção da então Associação de Hóquei do Porto. Para seguidamente ter passado ao organismo superior, tanto que pelo ano 2000 já tinha acumulado dois mandatos como vice-presidente da Federação, executivos liderados pelo Prof. Alípio, um dos maiores dirigentes da modalidade, que foi vice-presidente do COP e liderou a embaixada portuguesa aos jogos olímpicos de Atenas, depois de ter liderado a comitiva aos Jogos Mundiais da Juventude, em Moscovo. Após ter saído de sua anterior função na Federação, no final das contas, o Armindo Vasconcelos correspondeu a mais um apelo, aliás mais pois foi de 2 clubes e do Prof. Alípio. Ora, diante disso que lhe foi dirigido, candidatou-se para presidir à Federação, e, ganhando as eleições, passou a ser Presidente da FPH-Federação Portuguesa de Hóquei (em Campo). Onde deixou sua pegada, ao longo de cinco anos, desde 2017 até 2022, pelo meio incluindo as dificuldades surgidas com o aparecimento da pandemia Covid-19. Deixando contudo uma folha de serviço bem cheia, em objetivos conseguidos.
Já com mais acalmia no dia-a-dia, tem havido oportunidade de
nos juntarmos, pertencendo o Armindo Vasconcelos também ao Grupo dos Colaboradores do Jornal O PORTO, como um dos que temos estado em todos os
convívios já realizados.
Desde Sobrado, passando por S. Mamede de Infesta, pelo Porto... e até novamente Sobrado!
Atualmente o Armindo de Vasconcelos escreve num blogue chamado AVENTAR. Mantendo
identidade própria, qual icónica forma de misticismo, ele que sempre foi verdadeiro,
frontal e direto com sua boa disposição, escrevendo sem papas na língua,
da fala escrita. Em estilo com seu quê de algo próprio, em boa forma, de mente
sã em corpo são.
~~~ ***** ~~~
E assim... eis aqui esta homenagem de apreço ao amigo Armindo.
Não tanto como inicialmente pensara desenvolver, porque a narrativa se foi
alongando e muito ficou por dizer (escrever). Ficando porém a ideia de fazer lembrar
gente que em tempos serviu o FC Porto, como no caso. Dando a conhecer antigos
colaboradores do jornal O PORTO. Como é este exemplo do Armindo de Vasconcelos.
A quem, sendo aniversariante nesta data, remeto aqui por escrito meus Parabéns, com
esta prendazita alusiva à nossa amizade pessoal e clubística, de ligação
Portista.
Armando Pinto
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