Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sábado, 26 de outubro de 2024

Exposição temporária sobre o eterno guarda-redes AMÉRICO – na sala Multiusos exterior ao Museu do FC Porto

Abriu e está patente ao público a exposição “Américo”, junto ao museu do FC Porto, em homenagem evocativa ao icónico guarda-redes portista Américo Lopes. Como autêntico ícone da representatividade azul e branca da era difícil em que bem defendeu a baliza do FC Porto.


Uma exposição que Américo bem merece e justifica apreciação. Tendo ele ficado no imaginário como guardião heroico na defesa do baluarte nortenho ante as arremetidas do sistema futebolístico BSB desse tempo. Como se dizia que Américo, com arreganho nas suas defesas destemidas e elasticidade a voar para onde aparecesse a bola vinda dos adversários, conseguia valer por muitos e enchia a área da baliza. Nesse tempo em que o futebol no FC Porto não conseguia ser muito vitorioso, mas mesmo assim se elevava o valor do guarda-redes, salientando-se por seu valor. Mérito e respeito que leva a que na passagem de 11 anos desde a abertura do Museu FC Porto BY BMG, sirva a preceito esta exposição como símbolo que representa a mística consubstanciada no significado museológico do Dragão.

Está pois aberta ao público desde este sábado, dia 26 de outubro, essa exposição. Desde então, aberta publicamente no dia comemorativo de 11 anos em que o Museu abriu portas a toda a gente. Depois de na véspera ter sido inaugurada pelo presidente André Villas-Boas, junto com familiares do homenageado e pessoas ligadas ao mesmo.

Com efeito, foi inaugurada na sexta-feira, dia 25, na sala multiusos do Museu do FC Porto, a exposição temporária dedicada a Américo, guarda-redes “Baliza de Prata”, campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal pelos dragões. Alvo agora desta exposição, Américo, falecido em 2023, que em seu tempo de jogador do FC Porto recebeu um Louvor do Estado e foi agraciado com as mais altas distinções do clube, com destaque para o Troféu Pinga e o Dragão de Ouro. Em cuja cerimónia de inauguração marcaram presença André Villas-Boas, presidente do FC Porto, a viúva e a afilhada de Américo, bem outros membros da família e ainda convidados da própria família, mais outros elementos da Direção do FC Porto e também a diretora do Museu, Mafalda Magalhães, mais o curador da exposição, Maurício Pinto.


Também ali o autor deste blogue esteve, então. Havendo podido estar presente a convite da esposa do sr. Américo, D. Arminda Couto, de sua afilhada, D. Isabel Leite e também da filha desta, Ana Albergaria, que tem em mãos um livro biográfico sobre Américo, já pronto, mas à espera de possibilidade de publicação.


- Ali tendo eu assim marcado presença afetiva, com muita honra e satisfação, mesmo, por ser o fã n.º 1 do guarda-redes Américo do Porto, como disse um familiar. Tendo aí, na manhã de quinta-feira, revivido momentos que me transportaram a tempos do meu portismo inicial de infância, do tempo do guarda-redes Américo. Por amável convite da família, em reconhecimento do que me tem sido possível fazer por sua memória, com enfoque no meu blogue "Memória Portista". Podendo ter estado presente na abertura da exposição em sua memória, no Dragão (espaço da sala polivalente exterior ao museu do FC Porto). E ali então também pude conviver com a adorável senhora esposa do meu amigo sr. Américo e toda a sua família, de modo especial com a D. Isabel, mais seu marido e filha Ana, a autora do possível livro sobre o nosso Baliza de Prata. E toda a família e amigos, naturalmente. Tal como pude mais uma vez estar com o nosso Presidente, que é alguém muito especial. E ainda os vice-presidentes Francisco Araújo e João Borges, mais o assessor da Direção Fernando Pereira, como também Bárbara Borges, assessora do presidente, além de outras pessoas de funções diversas no clube. Disso tudo resultando a boa sensação pessoalmente sentida, quão então ficou registado num desses bons momentos por uma fotografia alusiva, junto com a família e o presidente.

A exposição reflete a imagem de Américo, em grande, mesmo como as grandes fotos expostas, além de tantas medalhas, taças, e tudo o mais ali patente, Com saliência para a sua Baliza de Prata, o trofeu Pinga e o Dragão de Ouro, e logo ao lado as salvas recebidas de homenagens em vida, também. E ainda a Medalha do Governo e outra da Federação, e ainda diplomas de louvores.Tal como a grande "Taça Somelos-Helanca, de melhor da época" (que ganhou em 1968 e desde então sempre esteve nas antigas versões do museu, na Sala-museu Afonso Pinto de Magalhães, da antiga sede e depois nas Antas). Mais a Medalha da terra efetiva e de residência, São Paio de Oleiros, etc. E diversas fotografias e recortes de jornais, de seus álbuns. Numa disposição apelativa. Naturalmente sem conter todo o acervo legado por Américo, faltando algumas peças que estavam no museu de sua casa, facto que se entende para não preencher demasiado o espaço.

Está, contudo, bem conseguida a exposição, contendo boa parte do espólio legado por Américo, do que ele recebeu durante sua carreira ao serviço do FC Porto e da Seleção Nacional, quão guardou e por fim ofereceu ao FC Porto.



Américo ainda é o quarto guarda-redes mais utilizado de sempre na história do FC Porto, tendo efetuado 272 jogos pela equipa principal, fora os jogos pela equipa de Reservas (tendo ganho 7 vezes a Taça da Associação de Futebol do Porto, campeonato regional de reservas, atualmente equipas B), mais jogos particulares. Isso mesmo, em seu tempo, quando havia menos equipas no campeonato nacional, por exemplo, como menos participações do FC Porto em provas europeias oficiais e consequentemente menos jogos. 


Na sessão inaugurativa, o Presidente André Villas-Boas fez as honras da casa e salientou:

«Foi o quarto guarda-redes mais utilizado de sempre na história do clube [272 jogos], sendo uma pessoa que deixará saudade aos adeptos, particularmente aos que o viram jogar sem luvas, a sua marca de distinção, apesar de termos ali umas luvas que utilizava em jogos à chuva e que, ao lado das do Diogo Costa, refletem bem a evolução dos tempos». 

Analisando ainda Villas-Boas a realização como «Uma homenagem sincera, só possível com a generosidade do Américo e da família, o respeito pelo FC Porto e que dignifica a história do clube e do Museu». «Uma homenagem que só é possível com a grande ajuda da família e do Américo, que em vida decidiu doar todo o espólio ao FC Porto. A Mafalda [diretora do Museu] conta-me que foi um espólio bastante grande e que obrigou à invasão da privacidade da família do Américo, que recebeu de braços abertos o Museu, permitiu a recolha de todos os objetos que aqui estão e tornou possível esta grande homenagem a alguém que dignificou o nome do FC Porto. Uma homenagem sincera, que dignifica a história do Clube e do Museu.»

Acrescentou ainda o Presidente Villas-Boas: «Agradecimento eterno a Américo e à família. Acabámos de ouvir o relato sincero da sua afilhada, Isabel, que conta que o único arrependimento do Américo era não ter sangue azul nas suas veias. É bem personificada a sua dignidade e generosidade nesta doação ao Museu. Estamos imensamente orgulhosos de receber a sua coleção. É a primeira grande figura do FC Porto que doa a coleção ao Museu e esperamos que mais se sigam neste ato de generosidade que nos dignifica enquanto clube e dignifica a nossa história. Vamos guardar este ato no nosso coração e queremos agradecer à família todo o seu esforço.”»






A exposição, aberta ao público este sábado, dia 26 de outubro, fica na área de entrada livre do Museu, na sala polivalente, até 28 de fevereiro de 2025.


~~~ ***** ~~~

No epílogo, da homenagem ao homenageado guarda-redes internacional Américo Ferreira Lopes, tive a grata surpresa de ter sido presenteado com uma amável oferta da esposa do meu amigo e saudoso senhor Américo. Tendo então recebido das mãos da D. Arminda Ferreira Couto uma caneta de tinta permanente que foi do uso pessoal de seu marido, que ele recebera em tempos e tem inclusive seu nome, em escrita espanhola (A. Lopez), por ter sido correspondente a uma oferta algures num país de língua castelhana. Uma especial recordação que passou pelas mãos dele e agora está já no meu local de objetos portistas de estimação.



~~~ ***** ~~~

A terminar a manhã da homenagem em beleza, todos nós, os participantes na inauguração da exposição de Américo, tivemos uma visita guiada ao Museu, percorrendo todos os corredores e recantos da exposição permanente do Museu do FC Porto. Pousando os olhos também na estátua que lá está de Américo, em sítio alto, sobre o autocarro da vitória...




Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Efeméride da sintomática vitória por 3-0 sobre o Sporting no arranque para o Título Nacional de 1977/78!

A 23 de outubro de 1977, um bom domingo de outono, estava um dia de sol aberto, nessa tarde soalheira (curiosamente como hoje, aqui, onde e quando são escritas estas anotações recordatórias), quando em pleno estádio das Antas o FC Porto recebia o Sporting para mais um jogo do Campeonato Nacional de futebol maior, em maré de forte esperança pela prova que a equipa portista estava a demonstrar.

Por acaso nesse dia não fui às Antas. Estando casado ainda de fresco, aproveitei para dar um passeio numa caminhada serena, a usufruir da amena temperatura e ambiente panorâmico de cores, na roupagem da natureza outonal. Muito bem acompanhado em tudo. Mas levava comigo um transístor (pequeno rádio portátil como se usava e que ainda tenho guardado), enquanto com ele ligado fui acompanhando o relato do jogo. E logo para ficar mais bem-disposto, ainda, cedo o Porto começou a ganhar!

Então o FC Porto continuou a boa caminhada que em campo ia sucedendo, para finalmente podermos chegar ao título nacional há tantos anos esperado e assim acabar com o sentido jejum que durava a passar de 18 anos, indo já em 19. E o Porto venceu o Sporting, por 3-0, nessa tarde, concludentemente, com uma perna às costas, por assim dizer. Ia o campeonato na sexta jornada «do mais épico dos campeonatos». Tendo Octávio Machado feito o primeiro e segundo golos, só precisando de pouco mais que um quarto de hora de jogo para abrir o resultado e outro tanto para bisar, bem como depois Duda fechou o resultado no início da segunda parte. Derrotando o Sporting que até tinha uma frente de ataque composta por Manuel Fernandes e Jordão, cuja dupla afinal nunca causou calafrios nessa tarde a Fonseca, Gabriel, Freitas, Simões, Murça e Rodolfo - os pupilos de Pedroto na retaguarda. Ficava assim mais perto o objetivo, juntando-se mais espirais de fé na obtenção do título que escapava há quase duas décadas de anos. E, mais tarde, já na transição da Primavera para o Verão, viria a ser conquistado esse Campeonato pela diferença de 15 golos, pois que o Benfica somou os mesmos 51 pontos, menos 25 golos marcados e dez sofridos. Numa conta em que Fernando Gomes teve saliência, sagrando-se então pela segunda vez o melhor marcador da prova.

Ilustrando isso tudo, evoca-se a recordação através de respigos de duas publicações da época, cujas capas se intercalam entre a narrativa e imagens das crónicas respetivas.

Foi então, felizmente, essa uma boa época, em suma, quer pessoal como portísticamente. Então não é que, nessa temporada, além de finalmente ter visto e sentido finalmente o FC Porto ser Campeão Nacional de futebol, também de seguida, já no Verão, em 1978, veio a nascer o meu filho! E curiosamente – soube muito mais tarde, mas felizmente bem a tempo de tudo – ainda em 1977 e dias antes desse Porto-Sporting, nascera também o que veio a ser e é o atual Mui Digno Presidente do FC Porto!

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Recordando: a homenagem a Yustrich em outubro de 1987 e verificação de lapsos que geram confusões…

Em Outubro de 1987 Yustrich veio ao Porto, para uma homenagem que lhe foi prestada. Não muito consensual, pelo que se viu. Regressando assim às Antas passados muitos anos de suas célebres passagens pelo FC Porto, uma vitoriosa com a conquista do Campeonato Nacional em 1956, mas acabada mal com a imediata digressão que se seguiu pelo Brasil e Venezuela; como depois outra, passado pouco tempo, entretanto, terminada sem glória e novo despedimento, mais consensual a sua saída, por fim. Permanecendo entretanto nas lembranças pela sua rigidez, também. Contudo a deixar uma aura que legou no imaginário popular algo mais que a controvérsia que gerou, mesmo assim. A ponto que, volvidos uns bons anos, então em 1987 teve oportunidade de ver como era lembrado, pelo menos, através de uma homenagem que lhe foi proporcionada com sua vinda ao Porto e subida ao relvado do estádio das Antas. Embora a maioria dos presentes no estádio só dele tivessem ouvido falar, possivelmente, sem o terem visto em jogos no tempo dele à frente da equipa portista.  Tendo aí nas Antas Yustrich recebido forte ovação do público presente nas bancadas, em pleno dia de um jogo para o Campeonato Nacional da então 1.ª Divisão - na tarde do domingo do Porto-Portimonense, que até nem foi um grande jogo, terminado com a vitória portista por 1-0, perante um auto-golo dum defesa do clube algarvio. 

E à noite Yistrich foi homenageado com um jantar em sua honra, a que, além de membros da Direção do Clube e alguns simpatizantes portistas que se associaram, compareceram também alguns dos jogadores que treinara no FC Porto, mas sem a presença de alguns outros, com relevância para a ausência de Hernâni, que, como se sabe (por testemunhos escritos e imagens), tinha sido vítima das atitudes do antigo treinador.

Ora, aqui entre nós e falando na primeira pessoa: - Estive a verificar qual o dia dessa homenagem ao Yustrich, realizada então na tarde de domingo do jogo Porto-Portimonense, em outubro de 1987. No “Almanaque do FC Porto 1893-2011”, de Rui Miguel Tovar e com a chancela de “© FC Porto Produto Oficial Licenciado”- de Junho 2011, é indicado dia 17, enquanto a revista “Dragões”, edição do mês seguinte, indica dia 13, quanto ao regresso, e o dia 17 da homenagem. Mas a confusão para mim, nesses casos, é que o jogo foi a um domingo de tarde, e o dia 17 foi a um sábado, enquanto o dia 13 foi numa terça-feira, nesse mês de outubro de 1987. Por fim no livro de Manuel Dias "F. C. Porto Campeão dos Campeões Álbum 87/88" é colocado o jogo no dia 11. E esse dia foi realmente um domingo. Mas... Curiosamente, nesse livro do Manuel Dias, o jogo anterior está com data de dia 12. Uma confusão completa, mais uma, neste caso. Assim sendo, deve ter sido certamente no dia 18, domingo, mais próximo às datas mais referidas.  E deve ter havido enganos na Dragões e no Almanaque. Mas, com essas confusões, sem certeza absoluta, deixa-se ainda margem de espera duma melhor confirmação. Como será com acesso a jornais diários desse tempo, quando possível.

Com estas e outras, verifica-se que tem de haver comparação entre as diversas fontes, por isso mesmo. Não faltando lapsos impressos que induzem em erro, por vezes e que, até por fim, passam como erros acumulados que vão vingando como se fossem certezas.

Armando Pinto

Post Scriptum: Já depois de publicado o artigo, por mensagem enviada pelo autor da página (de Facebook) "FC Porto-Recordações", que muito agradeço, junta-se imagens comprovativas (de ambos os lados) do bilhete do jogo desse dia 18. Estando no mesmo a indicação da data, colocada pelo próprio na ocasião. Fica assim reforçado o tema.

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

sábado, 19 de outubro de 2024

Efeméride da vitória do FC Porto no 1.º Benfica-FC Porto pós 25 de abril – a 19/10/1974

Perfaz agora meio século, de 1974 a 2024, que o FC Porto foi vencer ao antigo estádio da Luz, em jogo para o Campeonato Nacional da 1.ª Divisão. Facto então muito apreciado por ser algo que já não acontecia há anos, já a passar duma boa dúzia de anos em jogos oficiais. 

Assim se propicia rememorar esse jogo e tal vitória com que o F C Porto conseguiu ultrapassar a malapata que se abatia sobre a equipa, conseguindo então vencer enfim o clube do regime, nos jogos em Lisboa.

Essa é pois uma boa memória que já tem 50 anos (agora, em 2024): O primeiro Benfica-FC Porto pós 25 de abril, jogado na noite de sábado 19 de outubro de 1974, no antigo estádio da Luz.  

= Cubillas, autor do golo, posando junto a Eusébio, para a posteridade.=

Então o FC Porto venceu na Luz por 1-0, com golo de Cubillas. Curiosamente esse jogo marcou também a estreia de Fernando Gomes em clássicos contra o Benfica, tendo entrado a substituir Abel na 2.ª parte, aos 71 minutos de jogo.

= Uma caixa sobre o jogo em apreço, de 1974, inserta num dos livros da coleção Ídolos (de Henrique Parreirão) – com a curiosidade da imagem ter sido impressa ao contrário (como se pode ver pela numeração da camisola do então defesa do F C Porto Gabriel). =

Triunfo esse, retumbante por ser como foi, resultante ainda dentro do período de longa espera por vitórias no campeonato, mas já numa aragem ambiental de prenúncio de mudança, como haveria de acontecer, no seguimento do 25 de Abril que se havia dado meses antes. Sucedendo essa saborosa vitória através do golo de Cubillas, corria a temporada em pleno Outono, dentro da época futebolística de 1974/75, sendo treinador o brasileiro Aimoré Moreira. E o F C Porto alinhou com Tibi, Murça, Alexandre Alhinho, Carlos Simões e Gabriel; Rodolfo, Vieira Nunes, Adelino Teixeira e Cubillas; Oliveira (depois Ailton) e Abel (depois F. Gomes).

= Foto da equipa inicial do F C Porto da vitória de 1974 no antigo estádio da Luz  =

Fica a recordação, por então ter surgido depois de tantos anos em que nem nos lembrávamos do F C Porto vencer no recinto desportivo de Carnide, às portas de Lisboa. Mas finalmente aconteceu,.

Armando Pinto

((( Clicar nas imagens, para ampliar )))

Américo “Baliza de Prata”, “Trofeu Pinga”, "Louvor da DGD" e “Dragão de Ouro” em exposição temporária na Sala Multiusos do espaço exterior ao Museu do FC Porto

 

Américo e sua aura de grande guardião da baliza do FC Porto – reconhecido com os galardões “Baliza de Prata”, “Trofeu Pinga” e “Dragão de Ouro”, entre outros prémios, além de ter recebido uma distinção do Estado Português mediante atribuição dum Louvor da Direção Geral dos Desportos – vai ser tema de homenagem patente em exposição no estádio do Dragão, na Sala Multiusos exterior ao Museu do FC Porto.

Faltam poucos dias, já, quando são escritas estas linhas, para a abertura da exposição sobre o eterno Guarda-redes Américo. Uma exposição que promete ser fora do normal, visto esta ser à base de “coisas” que foram do próprio homenageado da exposição, em boa quantidade e qualidade, com recordações pessoais dele, como também "relíquias" e objetos de estimação que ele guardou e legou de sua carreira. 

Com efeito, a partir de 26 de outubro, a vida do lendário guarda-redes será partilhada através de uma sensacional coleção doada pelo antigo jogador ao Museu do Futebol Clube do Porto.

Assim sendo, atente-se na apresentação noticiosa entretanto difundida pelo Porto Canal e algumas agências de notícias:

«A nova exposição temporária do Museu Futebol Clube do Porto é uma oportunidade única e inédita de revisitar Américo (1933-2023), o seu percurso e a sua marca profunda no clube, através do contacto com peças de coleção e outras raridades colecionadas pelo próprio jogador. Dos sonhos de juventude à grandeza dos deuses, o guarda-redes protagonizou uma história de genuíno amor ao FC Porto e à profissão de futebolista, construindo uma imagem inspiradora que prevalece no imaginário azul e branco. Bravura, superação, ambição, respeito e companheirismo, tudo qualidades de um lendário das balizas que jogou e viveu em sintonia com a família, o FC Porto e as causas do FC Porto.

Campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal pelos Dragões, Américo recebeu um Louvor do Estado e foi agraciado com as mais altas distinções do clube, com destaque para o Troféu Pinga e o Dragão de Ouro. Dentro e fora dos relvados, levantou troféus, juntou alegrias e muitas lembranças preciosas da forma como representou e viveu o clube e o desporto, cumprindo-se a vontade de, após a sua morte, ser doada ao Museu FC Porto a sensacional e diversificada coleção de objetos e documentos que foi reunindo, sobretudo, ao longo da carreira desportiva.

Na Sala Multiusos (entrada livre), com abertura ao público anunciada para 26 de outubro e a decorrer até 28 de fevereiro de 2025, a exposição temporária Américo parte de um álbum de fotografias – e de um outro de recortes de jornais – para partilhar o mundo do antigo guardião, sem deixar de o enquadrar na longa linha do tempo da existência do clube, entre os lendários como ele e outros guarda-redes, talvez menos óbvios, chamados à baliza da equipa principal do FC Porto, desde a fundação do clube, em 1893.»

(Texto: Porto Canal / Agências)

Ora, Américo foi o meu grande ídolo de infância, de quando eu comecei a interessar-me pelos jogadores que saíam embrulhados em rebuçados baratos, para colecionar em cadernetas (vulgo cromos), quando especialmente comecei a gostar do meu Porto e o Américo era o “Américo do Porto”, quem lá atrás na baliza defendia o que podia para evitar golos contra o Porto. E como ele defendia! 

Depois, muito mais tarde, quando passei a escrever no mundo digital da blogosfera e fiquei a ter um blogue meu, houve contacto virtual logo no meu primeiro “blog” (que depois foi anulado por adeptos de clubes adversários, que o conseguiram tirar da Internet, por lhes fazer comichão à mania do sistema…). Tendo eu logo passado a narrar aspetos da carreira de Américo e por extensão acabamos por ficar amigos, com ele a imprimir as minhas crónicas (como eu soube e vi mais tarde, ainda), incluindo ter chegado a pedir-me mesmo envio de imagens fotográficas, das que eu tinha colecionado. Continuando ainda a ter acompanhado o meu segundo e atual blogue, este de Memória Portista. Até que um belo dia estive em seu museu, em sua casa, junto com um grupo de amigos ganhos também com nossa convivência através de blogues portistas e também encontros de adeptos. Havendo então tido diante dos olhos o seu espólio, o acervo físico que tanto representava emocionalmente. Algo que agora poderei também rever, quando já não é possível haver os contactos que fomos mantendo. Desaparecido entretanto do mundo dos vivos, como me pude despedir dele há pouco mais de um ano, mas contudo sempre lembrado. Voltando com a exposição a sentir sua presença e o que ele representava e significará sempre.

Por isso esta próxima exposição será também especial para mim. Mas não só…!


~~~ ***** ~~~
Além de desportista e portista, Américo foi cidadão exemplar e com ativa cidadania. Como se sabe por ter sido eleito Presidente da Junta de Freguesia de São Paio de Oleiros, onde residia, e mais tarde reconhecido com a Medalha da Vila de São Paio de Oleiros. 


Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens )))