Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Falecimento de Fernando Barbot (1951-2026) - histórico hoquista do FC Porto Campeão Europeu com a Seleção Nacional de Juniores de 1969

   

Faleceu esta madrugada, às 4 horas da noite desta sexta-feira 2 de outubro, o antigo hoquista Fernando Barbot. Histórico nome do Hóquei em Patins do FC Porto, que foi internacional júnior e Campeão Europeu na Seleção Nacional de Juniores de 1969. Ainda chegou a integrar a equipa sénior do FC Porto. Era filho do também sr. Fernando Barbot, antigo dirigente do Hóquei em Patins do FC Porto e da Associação de Patinagem do Porto, da qual ele mesmo, o filho, mais tarde também pertenceu a seus quadros diretivos.

Como homenagem, partilhamos em sua memória um artigo que neste mesmo blogue Memória Portista foi publicado há anos.

Descanse em paz Nando Barbot.

Sentidas condolências à família, com um abraço solidário a seus irmãos e meus amigos Luís e João Paulo Barbot.

= O Velório será na capela do Foco a partir das 19, 30 h desta sexta-feira, até às 22,00 horas. E amanhã, sábado, abrindo a capela às 10,00 h, o funeral será pelas 14, 30 horas.

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Antigo hoquista, Fernando Barbot associa-se dentro da história do FC Porto e do hóquei patinado português. Bem como é identificado também por Fernando Barbot filho, como filho mais velho do senhor Fernando Barbot pai, histórico dirigente do hóquei portuense e portista – sendo como tal este herdeiro o primeiro dum trio de irmãos da lista honorífica de hoquistas do FC Porto.

Nascido no Porto a 11 de abril de 1951, Fernando Manuel Fernandes Barbot Costa perfez então em abril último seu 75.º aniversário natalício. Numa conta significativa de anos de história guardada na retina de suas memórias e no filme memorando das boas amizades ganhas ao longo de sua vida. Motivo que, aqui e agora, em preito de homenagem, do seu amigo autor deste blogue, leva a uma rememoração de seu percurso desportivo. Juntando numa só memoração algo de alguns artigos que entretanto aqui já lhe tinha dedicado.

Dele eu lembro-o sempre ao olhar para o stick que ele um dia me ofereceu, o mesmo que ele usou no Europeu de Juniores em Vigo-Espanha. Além de outras recordações físicas e memórias pessoais de amizade e admiração.

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Fernando Barbot é um nome de peso na memória do hóquei portista. Primeiro através do antigo dirigente da secção de hóquei em patins do FC Porto e da Associação de Patinagem do Porto, e depois pelo filho com o mesmo nome, que calçou os patins e de aléu nas mãos evoluiu em rinque com a camisola do F C Porto, tendo inclusive sido campeão europeu, pela seleção nacional de juniores na conquista do título europeu de 1969. 


De tal nome respeitado, os elementos dessa dinastia Barbot eram assim oriundos de uma família tradicionalmente ligada ao hóquei, pois além do patriarca dedicado à área administrativa e organizativa, jogavam hóquei em patins os filhos, Fernando, Luís e João Paulo, três irmãos Barbots. Havendo anos depois, já após ter guardado os patins e o stique (“stick”), o filho Fernando também desempenhado funções diretivas, na qualidade de dirigente da A.P.P.

Ora o Fernando Barbot campeão europeu é o personagem hoquista que desta vez aqui lembramos, com todo o merecimento pela sua dedicação ao hóquei e, na parte que nos toca mais, pela afeição ao nosso comum clube Dragão.


Pois o então jovem Fernando tinha assim nome próprio como seu pai, que foi Vice-Presidente da Direção da Associação de Patinagem do Porto, organismo ainda com a sua sede numa das salas do Clube Fenianos do Porto (era o Sr. Armando Ribeiro o Presidente, como figura grada do hóquei, de que mais tarde chegou a ser selecionador nacional), assim como depois foi mesmo Presidente, o sr. Fernando Barbot, tido então com grande respeito, tal o renome obtido no mais alto cargo representativo da Associação portuense. E como hoquista, o filho Fernando mereceu a honra de ter sido chamado à seleção nacional de juniores, havendo integrado a primeira fornada da patinagem da Constituição que obteve o título europeu nessa equipa representativa de Portugal, como hoquistas formados no F C Porto. Honra sobretudo para o clube, pois esses três, que eram Cristiano, Fernando Barbot e António Júlio, tornaram-se aí os primeiros atletas campeões da Europa formados nas Escolas do F C Porto em todas as modalidades. Saídos que foram da formação iniciada no antigo rinque da Constituição, cuja criação dava então frutos, a pontos de Cristiano, nesse tempo ainda com idade de júnior, já ser figura principal da equipa sénior. Num lote de campeões europeus juniores que, com honra e glória para o clube e para o país, era ainda reforçado com Castro, guarda-redes que viera da ilha da Madeira e de idade júnior também já ajudava na equipa sénior do F C Porto.


Ora, Fernando Barbot, filho, é o mais velho dos três herdeiros do senhor Fernando Barbot pai, que ao tempo era um associado já antigo do F C Porto, de nome completo Fernando Adelino de Azevedo Mavigné Barbot Ferreira da Costa (1924-1989), distinguido com a categoria de Sócio Honorário individual da Associação de Patinagem do Porto (enquanto o FC Porto é Sócio de Mérito coletivo). Sendo o filho de nome completo Fernando Manuel Fernandes Barbot Costa. Rapaz que foi para o hóquei praticamente pela mão de seu pai – como referiu ao jornal O Porto, na ocasião (em entrevista conjunta ao grupo portista que dignificou o F C Porto através da representação portuguesa em Vigo). Era o então jovem Fernando estudante do Colégio João de Deus, no Porto, descrito como “um moço aprumado e de maneiras pouco modernistas", estando à época com 18 anos, logo ainda com mais tempo na categoria júnior (jogando com seu irmão Luís, mais Jorge Câmara e outros prometedores hoquistas desse tempo). Acrescentando o próprio, naquela entrevista: «Quando pequeno, aí com uns três anos de idade, era ele (o pai) quem me levava a ver os jogos. Como adorava patinar de “stic” nas mãos, não demorou a fazer-me jogador…»

= Quarteto dos hoquistas que foram os primeiros campeões europeus do F C Porto (em pose no antigo espaço do campo da Constituição - a partir da esquerda:)  António Júlio, José Castro, Fernando Barbot e Cristiano  =

Campeão Europeu com a camisola da seleção portuguesa que venceu o Campeonato da Europa de juniores, disputado em Vigo entre 10 e 14 de Setembro de 1969, Fernando Barbot faz parte da galeria de internacionais de hóquei do F C Porto. De cuja equipa, em que esteve incluído, há apenas uma fotografia de conjunto, numa pose coletiva feita durante a viagem rumo à Galiza, na paragem para almoço, motivo porque estão todos de fato de treino. Isso porque naquele tempo para cada jogo só eram escalados oito elementos, dos dez do lote escolhido, originando assim que só se equipavam os que constavam na ficha do encontro.

= Seleção Nacional de Juniores que se sagrou Campeã Europeia de 1969, da qual faziam parte quatro hoquistas e um massagista do F. C. do Porto. Além de alguns mais que depois também vieram para o F C Porto. Em pé, da esquerda para a direita: José Fernandes (então da CUF, mas que depois ingressou no F C Porto), Dinis, Leitão (ambos do Parede), António Júlio (F C Porto), Fernando Barbot (F C Porto), Rui Monteiro (guarda-redes, Paço d´Arcos) e Joaquim Lopes (massagista e também do F C Porto). À frente, de cócoras: Vítor Orênsio (Parede), António Vale (Valongo) - estes dois, mais tarde transferidos para o F C Porto, Cristiano (F C Porto) e José Castro (guarda-redes, F C Porto).=

Dessa campanha, entre curiosidades e recordações, Fernando Barbot guardou o regulamento (que era entregue a todos os selecionados, com diretrizes de comportamento). Outros tempos, outras regras…


A participação da equipa portuguesa nessa prova foi seguida com grande entusiasmo e natural esperança, em virtude de na época anterior a seleção junior, já com Cristiano e Castro, do F C Porto, ter feito um brilharete no Europeu de 1968 também disputado em Espanha, tendo ficado com os mesmos pontos da seleção anfitriã, que venceu por diferença de golos. A ponto que, na jornada decisiva de Setembro de 1969, foram diversas personalidades do hóquei nortenho até Vigo, devido à proximidade, mas também ao interesse entusiasta, com saliência para alguns dirigentes do F C Porto e para o capitão da equipa principal do F C Porto, Alexandre Magalhães, entre pessoas que foram levar um abraço de estímulo aos jovens hoquistas portugueses.


Desse campeonato junta-se aqui também o frontispício do livro, devidamente autografado por todos os membros da comitiva. Sendo interessante anotar a respetiva identificação das assinaturas:
- Do lado esquerdo e de cima para baixo – Rui Monteiro, António Vale, Victor Orêncio e António Júlio; do lado direito e no mesmo sentido: Amílcar Fernandes (diretor da Federação), Welson Marques (Adjunto do selecionador), Guilhermino Rodrigues (Selecionador nacional), José Manuel Castro, Fernando Barbot, Joaquim Pedro Dinis, José Fernandes, Cristiano e Leitão.

= Capa do livro oficial do Campeonato Europeu de Juniores – 1969 (IX campeonato de europa de hockey sobre patines junior)

No regresso sucederam-se algumas justas homenagens, a nível oficial e também particular. 


De uma dessas ocasiões é a captação fotográfica que se junta, a seguir, reportando a homenagem da Associação de Patinagem e do próprio F C Porto em cerimónia realizada no rinque da Constituição. Vendo-se, no instantâneo desta foto, Cristiano, Barbot e Castro, no momento em que era entregue a Fernando Barbot uma placa alusiva com que a APP homenageou os Campeões Europeus de sua jurisdição. Na imagem está, à direita, o então diretor Dr. José Eduardo Pinto da Costa (ainda sem as  barbas brancas que tornam hoje mais conhecido o Doutor Pinto da Costa). 


Deste título, que foi acompanhado nesse tempo pelo autor destas linhas à distância mas com grande apreço e entusiasmo clubista de jovem entusiasta portista, é o "stick" usado pelo campeão europeu júnior Fernando Barbot, a que se reporta esta imagem, aqui. Aléu este que me foi depois então oferecido pelo mesmo meu amigo Fernando Barbot... e guardo bem.


Havendo entretanto Fernando Barbot continuado no escalão júnior, junto com seu irmão Luís Barbot, Armindo, Jorge e demais dessa época, Fernando ajudou a formação júnior do F C Porto a classificar-se para a fase final do "Nacional", facto inédito até então. (Enquanto o irmão mais novo era peça importante da equipa do escalão a seguir, sagrando-se campeão nacional como integrante da equipa que venceu o Campeonato Nacional de Juvenis, também ocorrência conseguida pela primeira vez nessa categoria em tal grau dos jovens portistas.)

= Equipa de Juniores do F. C. do Porto que pela 1.ª vez se classificou para o Campeonato Nacional, decorria o ano de 1970. Em pé: Tavares (massagista) Fernando Barbot, Luís Barbot, Armindo, Feliciano, Adriano Ferreira e Lopes. De cócoras: Vítor Freitas, Vítor Machado, Jorge Câmara, José Manuel Coelho e Joel (roupeiro).=

Fernando Barbot subiu depois à categoria sénior em 1971, tendo feito parte da equipa portista que venceu a fase Norte do Campeonato Metropolitano. 


Havendo então alinhado ao lado de Cristiano, que durante anos foi referência do hóquei portista, de José Ricardo, possivelmente o melhor hoquista português nascido na Madeira, de Joaquim Leite, grande valor do hóquei patinado e que entretanto foi internacional de hóquei em campo, mais do guarda-redes internacional sénior João Brito, do Hernâni que era nome certo nas seleções do Norte e da Associação de Patinagem do Porto e, como outros, só não foi à seleção A da FPP por ser de onde era… etc. e tal.


Entretanto Fernando Barbot havia recebido um convite para jogar pelo Boavista, mas não chegou sequer a equacionar essa possibilidade, preferindo manter-se entre os seus amigos de longa data, em vez de ir representar o clube do Bessa, que nesse tempo também tinha equipa de hóquei e com diversos contactos mútuos através de jogos da equipa B do FC Porto, como em jogos de torneios de reservas - a que se reporta o exemplo de uma imagem coeva (vendo-se na apresentação dum encontro Fernando Barbot a capitanear a equipa portista, enquanto os hoquistas da zona da Boavista pareciam muito descontraídos, em sinal do seu clube não ter grandes aspirações na modalidade, ao tempo).


Intrometendo-se a chamada para a tropa, como nesse tempo era e de longa duração o serviço militar obrigatório, acrescido à situação da equipa senior do F C Porto ter recebido alguns reforços vindos de outras equipas, Fernando Barbot solicitou a Jorge Nuno Pinto da Costa (ao tempo responsável desse setor no clube) que lhe fosse permitida a saída para um outro clube da cidade, para se manter a jogar com regularidade. Porque tinha contrato assinado com o F C Porto por mais tempo (sendo os contratos de três anos, à época), apesar de não ganhar dinheiro algum, como aliás nunca recebeu qualquer vencimento enquanto atleta. Tendo então passado a jogar no pavilhão do Lima, pelo Académico do Porto, oficialmente como emprestado pelo F C Porto, mas com a carta na mão, já. Carta essa, como era chamada, que consistia no documento de filiação clubista e inscrição associativa e federativa, efetivamente. Fez então parte da última equipa da camisola branca academista que esteve presente numa fase final do Campeonato Nacional, em 1974/75. Nessa altura tirou o primeiro grau do curso de treinadores, junto com Cristiano e outros, numa interessante experiência (pois esse curso era abrangente em diversas áreas de técnica e tática, tendo por mestres nomes sonantes do desporto nesse tempo, desde o conhecido treinador e jornalista Correia de Brito, o Prof. Manuel Puga, que era grande preparador físico em várias modalidades, além de ter sido conceituado treinador de voleibol e representante na cidade do Porto da Direção Geral dos Desportos, até ao árbitro internacional Afonso Cardoso e ao especialista de medicina desportiva Dr. Sousa Nunes, incluindo mesmo parte de dirigismo desportivo com um federativo como Vaz da Silva, etc.).  Passado então um período de três anos no clube alvi-negro, recebeu convite para representar o Candal, ainda.


Passou então Fernando Barbot a representar o Candal, de 1976 a 1978, numa equipa formada por hoquistas oriundos do F C Porto, especialmente porque o treinador havia sido pessoa importante do hóquei portista, Alfredo Sampaio Mota, antigo chefe de secção do hóquei em patins das Antas. Tendo então Fernando Barbot, junto com Jorge Câmara, Rui Caetano, Januário, Domingos Ferreira, José Manuel e seu irmão João Paulo Barbot (todos ex-F.C. do Porto), levado essa equipa de equipamento azul a ter subido de divisão, ingressando na 1ª Divisão nessa altura. Tendo Fernando Barbot ficado também assinalado nesse plantel histórico daquela zona de Gaia, tanto que ainda constam quadros emoldurados dessa equipa em cafés e outros locais públicos da localidade.

Depois disso, dando continuidade à linha de seu pai como dirigente associativo, Fernando Barbot exerceu também funções diretivas na Associação de Patinagem do Porto. Tendo então, nessa qualidade, sido dirigente que andou mais próximo à equipa da Seleção da mesma Associação. Como, por exemplo, ocorreu já em princípios da década dos anos oitenta, ter estado numa representação associativa da Seleção do Porto que foi em digressão à África do Sul, a Joanesburgo, em 1983, a convite do Malhanga Roller Hóckey, equipa derivada do antigo clube F C Malhangalene, filial do F C Porto. Cuja deslocação dessa embaixada portucalense levou um abraço das gentes do hóquei nortenho aos amigos compatriotas então radicados em Joanesburgo e que haviam rumado àquele país do sul de África depois da descolonização de Angola e Moçambique. Havendo servido de cicerone, durante a estada dos hoquistas da APP naquele país, o antigo hoquista e futebolista portista Acúrcio Carrelo, à época também residente naquelas paragens.

= Com a Seleção da APP.  A partir da esquerda para a direita: em cima - Fernando Barbot (Dirigente da Associação), João de Brito (selecionador/treinador), Alves (FC Porto), Fanã (FCP), Gentil (Oliveirense), Vítor Bruno (FCP) e Adão Castro (Vice-pres. da APP e chefe da embaixada); em baixo – Vítor Hugo (FCP), Quim Silva (guarda-redes do Valongo), ? (guarda-redes da Sanjoanense) e Licínio (Sanjoanense). Também se deslocou David Reis (FCP) que não se equipou.

Por fim, afastado das lides hoquísticas, Fernando Barbot sempre que possível foi marcado presença em encontros e convívios de antigos hoquistas, bem como de mais gente ligada ao hóquei em patins. Como tem acontecido, por exemplo, em almoços e jantares comemorativos de vitórias alcançadas com a camisola da seleção nacional e do FC Porto (conforme neste blogue tem sido referido em diversas crónicas).

= Irmãos Barbots, junto com Cristiano, num convívio de Gente do Hóquei Portista.

= ... E com o autor destas linhas, simples adepto do hóquei portista e amigo também, especialmente !


= No jantar de convívio comemorativo do 50.º aniversário da conquista do Campeonato Metropolitano de 1969, assinalado pelos Campeões em dezembro de 2019. 

Para a história, com o nome de Fernando Barbot na memória portista, permanece nos anais do hóquei em patins aquela grande vitória que foi o Europeu conquistado em Espanha, na Galiza, corria o ano de 1969. Cujo acontecimento foi assinalado entretanto quando perfez 45 anos, em 2014, através dum jantar de convívio entre alguns desses campeões europeus que puderam estar presentes. Como neste blogue demos nota, conforme se pode rever 

(clicando sobre os links) em

e

Como mais tarde, volvido tempo devido, também os 50 anos, e dessa vez mesmo em Espanha, como igualmente foi registado neste espaço de Memória Portista... 

(clicando) em



ARMANDO PINTO

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Rememorando: eliminatória europeia com o Cardiff salva num penálti defendido por Américo nos minutos finais…

 

A 2 de OUTUBRO, em 1968, Américo vestiu a capa de super guarda-redes ao ser decisivo na primeira ronda da Taça das Taças da época de 1968/69. Duas semanas depois de um empate a duas bolas no País de Gales, o FC Porto voltou a medir forças com o Cardiff City, então no Estádio das Antas, e levou a melhor graças aos golos de Djalma e de Custódio Pinto. Contudo, para isso, aos 88 minutos, com o resultado em 2-1, Américo defendeu um penálti cobrado por John Toschack e manteve intactas as ambições europeias, nesse tempo em que o FC Porto poucas vezes conseguia ultrapassar a primeira eliminatória das competições europeias.

Estava-se no início de outubro, ao correr do outono de 1968, quando o FC Porto defrontou pela segunda vez o Cardiiff, na decisão da eliminatória inicial da Taça das Taças da época de 1968/69, a então existente prova europeia da taça dos vencedores de taças, para a qual o FC Porto se apurara como vencedor da Taça de Portugal da época de 1967/68.

À chegada do segundo jogo, o FC Porto vinha de ter conseguido no País de Gales um bom resultado, através de um empate a dois golos. Perante uma grande recuperação, visto ter estado a perder por 2-0, respondendo depois com dois golos do “capitão” Pinto, o “ Cabecinha de Ouro” que fixou o resultado em 2-2.

Com dois golos marcados fora de casa, à luz dos regulamentos das provas internacionais, o FC Porto estava em vantagem. Bastava assim no jogo das Antas um empate desde que fosse a zero ou por um golo para cada lado, se não fosse possível a vitória, mas esteve quase a acontecer outro empate a dois golos (com o FC Porto a vencer pela diferença mínima), não fosse uma portentosa defesa de Américo perante a marcação dum penálti, quase no expirar do tempo regulamentar…

(À época se isso acontecesse, havendo empate na eliminatória, depois poderia suceder algo mesmo de lotaria, visto haver desempates por moeda ao ar… como o FC Porto fora já eliminado em outubro de 1966 para a então existente Taça das Cidades com Feira, diante do Bordéus…)

E Américo, que já fizera grande exibição em Cardiff (jogo a que se refere a imagem seguinte), cobriu-se de glória nas Antas, como herói do jogo.


Então, a 2 de outubro de 1968, em jogo disputado no Porto, em pleno Estádio das Antas, a contar para 2.ª mão da 1.ª eliminatória da Taça das Taças em futebol, disputou-se esse jogo entre o Futebol Clube do Porto e o Cardiff, decisivo para a passagem à eliminatória seguinte. Nessa noite, que era até de estreia do técnico José Maria Pedroto  como treinador nas provas da UEFA, o FC Porto recebeu e bateu o Cardiff, eliminando-o da Taça das Taças, com resultado feito por meio de um golo de Djalma e outro de Custódio Pinto, a suplantar um único golo adversário. Mas, com o resultado assim, aos 87 minutos o árbitro apitou para um penálti contra os dragões... E com muita gente a nem querer olhar, tal penalti acabou defendido pelo guardião portista Américo. Batia o relógio os 88 minutos de tempo regulamentar de jogo. Uff… Assim Américo tornou-se herói do jogo, depois de ter voado e desviado a bola para canto! Em remate bem apontado por John Toshack, que havia sido marcador do golo da sua equipa durante o jogo (e anos volvidos veio para Lisboa treinar o Sporting nos anos 80).

Resumindo, Pinto foi autor de três golos na eliminatória, Pavão fez uma grande exibição, como toda a equipa e Djalma concretizou o outro golo. Sendo de anotar que nalguns registos posteriores sobre o mesmo jogo aparece atribuído o primeiro golo como tendo sido de Pavão, mas foi do avançado Djalma, como no jornal O Porto ficou impresso ter sido o goleador brasileiro autor do 1.º golo do encontro desse desafio da 2.ª mão, nas Antas.

Pois então, já com noite cerrada nesse fim de dia, em 1968, Américo ao defender esse penálti já em tempo final do jogo, ajudou decisivamente o FC Porto a qualificar-se para a eliminatória seguinte da então oficial Taça das Taças.

Armando Pinto

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Rememorando - Ao tempo de finais da II Grande Guerra: curioso anúncio dum rebate falso sobre Pinga pendurar as botas...

 

A 1 de outubro, em 1945, pouco tempo depois do término da II Guerra Mundial, houve notícia pública de Artur de Sousa “Pinga” anunciar o final da sua carreira como futebolista. Contudo essa novidade acabou por soar a rebate falso, à época, visto o mesmo Pinga apenas se ter despedido no ano seguinte, em julho de 1946. Sendo Pinga o grande craque desse tempo e considerado historicamente “Primeira Pérola da Madeira”, como grande futebolista madeirense, sem ter precisado de fazer birras. Embora sem atualmente ser muito falado, por ter vivido num tempo de menor impacto do futebol e ter sido jogador do FC Porto, mesmo havendo em seu tempo sido o grande expoente da Seleção Nacional dos anos 30 e 40, nesse período de poucos jogos internacionais.

Ora, repondo a verdade desse tempo, dias depois, ainda dentro do mesmo mês de outubro de 1945, era anunciado que Pinga ainda jogaria mais algum tempo - conforme publicação que se lembra e regista, da revista lisboeta Stadium do seguinte dia 25 do mesmo mês.

«O avançado madeirense, que chegara ao FC Porto proveniente do Marítimo, em 1930, representou os Dragões durante 15 anos, ergueu 16 troféus - entre os quais três Ligas Portuguesas e dois Campeonatos de Portugal - e revelou-se um verdadeiro “matador” em frente às balizas: em 331 jogos de azul e branco, marcou uns impressionantes 314 golos.»

Armando Pinto

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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Minha presença no Porto Canal - no programa “Especial FC Porto” do dia do 133.º Aniversário do meu Clube!

Ainda um pouco nas nuvens azuis do universo portista e apreciando como é bom ser Portista, pois só como Portista poderia viver dias como os que se têm passado, calha desta vez de escrever algo mais pessoal. De tanto descrever e memorizar sobre factos e pessoas que estão na História do FC Porto, agora atrevo-me a anotar impressões pessoais, na calha da surpresa e grande satisfação de ter sido reconhecido pelo Futebol Clube do Porto entre os nomeados deste ano para o Dragão de Ouro do Ano. E mais particularmente, no caso, por ter sido convidado a participar num programa televisivo azul e branco e assim haver estado no Porto Canal.

Atendendo a essa experiência, quero registar neste meu blogue "Memória Portista" tal minha presença no Porto Canal, algo que ficará na memória pessoal, quão foi a primeira vez que estive num estúdio de televisão e logo na televisão do FC Porto. Ocorrência, desse acontecimento, de que ficam aqui algumas imagens que ilustram o texto, embora sem transmitir tudo o que cá dentro transpirou e ainda paira no sentimento.

Com efeito, ainda na linha de como desde que recebi a notícia da nomeação fiquei absorto e contínuo sem saber explicar devidamente tudo o que pula e mexe desde a cabeça até ao coração, pois isto do FC Porto não se explica, mas sente-se, foi ao chegar dentro das instalações do Porto Canal que me senti mesmo na pele de nomeado para o Dragão de Ouro. Eu até nem estava para ir, pois quando recebi o convite fiquei sem saber como reagir. Incluindo, sobretudo, a minha dificuldade de deslocação, vivendo eu longe e com a particularidade de não conduzir para longas distâncias desde que tive o meu enfarte do miocárdio. Daí que ao receber o telefonema me desculpei com essa situação e inicialmente deixei pendente a resposta. Embora, ouvindo a voz muito agradável de quem me contactou ficasse com ideia de fazer o possível para ir, pois só podia ser uma voz da mística portista a chamar-me. De modo que falei com o meu filho e combinamos dele me levar, numa viagem que agradeço, a ele e à minha nora, como dos momentos em que fui e vim sem quase me aperceber do percurso onde passamos, desde a minha Longra até ao Porto e vice-versa.

Pois então, estive mesmo dentro das instalações do Porto canal. Eu e restantes presentes, vimos e visitamos as diversas dependências e recantos do canal televisivo do FC Porto, apreciando como tudo é diferente de como vemos em casa. Ali onde o FC Porto é filmado, então tem outro sentido.  E por fim fomos entrevistados, falamos e vivemos esses momentos.

Tudo decorreu lindamente, sem comparação com o que ansiosamente eu esperava. Desde a simpatia da Natacha Lobo, a da voz melodiosa que me cativou desde o primeiro contacto (só podendo mesmo ser representativa do FC Porto, de verdade!), passando por toda a gente com quem contactei e com quem me cruzei sem ter fixado nomes, evidentemente nesses momentos, até à Alexandra Oliveira, locutora apresentadora, que tão bem, até melhor dizendo excelentemente, conduziu o programa. Cujo seu sorriso de conversa inicial e seguinte apresentação diante das câmaras foram palavras adoçantes para acalmar o meu estado e me ter colocado à vontade, mais até que o costume. Eu que nem gosto de falar em público, preferindo antes escrever para comunicar como gosto, consegui assim dizer alguma coisa do que é para mim o FC Porto.  

Acresce a tudo isso, o facto de ali ter estado, no caso dos Dragões de Ouro, afinal, como representante dos Portistas do interior do país e o primeiro colaborador do antigo jornal O Porto a receber essa honra. 

Só o estar ali, dentro do Porto Canal, onde já estiveram tantos de nossa admiração, conta muito. Alguns dos quais tenho coisas comigo em que tocaram. Como tenho no escritório caseiro, que vale por meu espaço de memorização, onde escrevo e tenho minhas coisas de estimação, entre gratas ofertas recebidas, guardo também peças que foram tocadas por Soares dos Reis, Américo, Pavão, Cristiano, Fernando Barbot, Zé Fernandes, Jorge Nuno Pinto da Costa e André Villas-Boas, além de diversificado material com autógrafos de outros, evidentemente. E ali dentro, ao sentar-me diante das câmaras do Porto Canal, senti que realmente estava a ser verdade eu ser um dos possíveis Dragões de Ouro.

Posto isto, mais nem vale a pena dizer, por quanto o que anda aqui dentro vai da terra até ao céu, apenas aqui se regista isto, no âmbito das nomeações para os Dragões de Ouro, o galardão máximo do nosso FC Porto.

 O F C Porto é mesmo um mundo, muito mais que um simples clube. É o meu Clube!





Armando Pinto

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