segunda-feira, 24 de abril de 2017

Jorge Amaral: Antigo guarda-redes e comentador assumidamente Portista


No mundo do desporto atual, e mesmo de anos não muito distantes, já não há na massa adepta grande convicção nem admiração, na grande maioria dos casos, sobre a simpatia clubista dos desportistas, entre atletas das diversas modalidades, que vestem uma camisola e fora do campo têm outra preferência de cores ou símbolos especialmente. Com maior importância no futebol pelo sentido público do desporto-rei. Sobrepondo-se a função, quase naquela máxima de que primeiro está a obrigação e depois a devoção. Ou então que amigo é outra coisa (mas isso, metendo outros interesses, já levaria até às arbitragens, com nomeações encomendadas e roubos autênticos, tantos os erros cometidos pelos árbitros contra o Porto na enorme maioria dos casos... acrescendo o faciosismo e desonestidade dos detentores do poder, como quem afastou Brahimi de jogo na fase decisiva do campeonato em curso, ou há anos retiraram o Hulk com a inventona do túnel, etc. e tal). Contudo, quanto aos que andaram e andam dentro do campo de jogo, ainda há casos de profissionais que têm o distintivo da camisola bem apertado ao coração, tal como houve outros que estão ou ficaram agarrados à camisola que envergam ou vestiram. Tal o facto desta vez merecedor aqui de atenção, com referência ao futebol, como se passa com Amaral, antigo guarda-redes e atual comentador televisivo, cujo Portismo demonstrado vale muito em nossa simpatia portista.


Amaral foi um guarda-redes de boa estampa e com presença forte diante das balizas, que quando jogou no FC Porto teve nossos olhos e sentidos na sua elasticidade e segurança. Porém, também, por não ter jogado durante muitos anos com a camisola do FC Porto, bem como por ter tido outras origens e um percurso clubístico muito diversificado, não nos dava ideia concreta sobre sua preferência clubista. Mas agora, das poucas ocasiões em que o autor destas linhas o ouviu na televisão (não muitas vezes, porque sinceramente não gosto do canal em que ele comenta e raramente passo no comando a respetiva tecla), tem sido uma agradável surpresa e uma boa referência. Admirando sobretudo a sua paciência em aturar aqueles fulanos fanáticos pelos clubes de Lisboa, algo prepotentes por saberem ter retaguarda à sua medida, que estão ali a seu lado quase que a faísca-lo…  Enquanto ele, indiferente e certinho, é dos melhores defensores do FC Porto diante de locutores e comentadores afetos aos clubes rivais, sendo muito superior a alguns dos que aparecem noutros canais hipoteticamente com intuitos idênticos. Contando Amaral, naquele painel, estar num canal que procura a polémica, atuando ele assim mais em campo adverso, até em casa praticamente dos adversários.


Pois Jorge Amaral, bom guarda-redes oriundo da zona de Cascais e que passou pelas camadas jovens do Benfica, ganhou notoriedade mais tarde ao serviço do Vitória de Setúbal e do FC Porto, tendo no grande FC Porto sido Campeão Nacional e ainda estado no lote dos Campeões Europeus de 1986/87, havendo feito parte de fichas de jogo como suplente nalguns jogos das eliminatórias que levaram à final de Viena.


Amaral, um dos bons guarda-redes portugueses, teve uma longa carreira de futebolista, em cujo escalão sénior fez percurso ao serviço do Marítimo, Vitoria de Setúbal, FC Porto, Farense e Penafiel, na divisão principal portuguesa. Enquanto, num dos períodos de maior impacto de sua carreira, o mesmo guarda-redes Amaral chegou inclusive à Seleção Nacional, tendo no início da década de oitenta defendido a baliza da Seleção A nacional em duas oportunidades.


Natural da cidade de Lisboa, onde nasceu a 20 de Junho de 1955, António Jorge Rodrigues Amaral, tal é o seu nome completo, começou pela época de 1970/71 na equipa de juvenis do Dramático de Cascais. Depois passou a integrar as equipas de formação do Benfica. Ao ascender à categoria sénior, após breve paragem nas reservas do Benfica e passagem pelo Sintrense, rumou à ilha da Madeira para passar a defender o Marítimo, como principal guarda-redes da equipa insular que na temporada de 1976/77 venceu o Campeonato Nacional da 2ª Divisão, levando a que na época seguinte jogasse no campeonato primodivisionário, em que Amaral se tornou figura de proa recrutado sucessivamente por diversos clubes. Havendo então ingressado em 1979/80 no Vitoria de Setúbal, clube onde conheceu boa projeção nacional, a pontos de ter sido selecionado para os trabalhos da seleção portuguesa, alinhando em dois jogos, um como suplente utilizado e outro a efetivo.


Até que em 1982, com o regresso do treinador Pedroto às Antas, Amaral ingressou no FC Porto, passando a jogar com o emblema do FC Porto a partir de 1982/83. Tendo então no FC Porto cumprido bem num período de quatro anos consecutivos integrado no plantel azul e branco.

Na primeira época no Estádio das Antas dividiu a baliza do FC Porto com Zé Beto e Fonseca. Sendo tal a valia dos três que houve rotatividade, pelo que Amaral atuou em 13 jogos pelo FC Porto no Campeonato Nacional da 1ª Divisão, mais 1 na Taça de Portugal e 4 na Taça UEFA, o que afinal resultou em ter sido então o guarda-redes mais utilizado pela turma portista no campeonato dessa época.

 = Amaral no FC Porto na época de 1982/83 =

Contudo, nas épocas seguintes Amaral esteve como suplente de Zé Beto, que passava por período de grande fulgor, enquanto a equipa portista ia ganhando alicerces que levaram à entrada na alta roda internacional. De permeio com uma cedência temporária, para poder jogar regularmente, devido ao plantel do FC Porto contar em 1984 com um punhado de guarda-redes idênticos, tais como eram, além do titular Zé Beto e o suplente Amaral, também Borota, Matos e Barradas. Assim sendo, Amaral foi cedido ao Farense na época de 1984/85, durante a qual foi totalista da baliza da equipa algarvia ao longo de todo o Campeonato Nacional da 1ª Divisão. E no final dessa temporada regressou aos quadros do FC Porto, aí sob o comando técnico de Artur Jorge.


Por esse tempo, além da concorrência de Zé Beto, Amaral passara também a ter a companhia do internacional polaco Mlynarczyk, em tempo áureo de nova conquista do Campeonato Nacional da 1ª Divisão de 1985/86 e o grande feito alcançado da obtenção da Taça dos Campeões Europeus na época de 1986/87, com o guarda-redes Amaral no plantel do FC Porto.

= Grupo do FC Porto com as faixas de campeão nacional em 1985/86 =

Terminada por fim a ligação ao FC Porto, de seguida, Amaral prosseguiu a sua carreira no FC Penafiel, até 1988/89, seguindo-se depois passagens por clubes que militavam nas divisões secundárias, como Varzim, Águeda e Louletano, pondo de lado as luvas em 1992/93.


A partir dali, colocado um ponto final na sua carreira de futebolista, enveredou pelas funções de treinador de futebol, conhecendo seguidamente o banco dos responsáveis no Tirsense, Vizela, e Penafiel, clube a que regressou como técnico e dali passou à orientação do Maia, transitando depois para o comando técnico do Feirense e Oriental de Lisboa, para seguidamente ter sido responsável do Paredes, que com ele acabaria por sagrar-se campeão nacional da 3ª Divisão. Seguiu-se nova viagem, então passando a comandar os destinos do Vila Real, onde repetiu a dose, acabando novamente campeão nacional na 3ª Divisão. O prestígio granjeado em Trás-os-Montes levou-o a treinar de seguida o Bragança, na 2ª Divisão Nacional “B” e, posteriormente, o FC Penafiel na 2ª Liga Nacional. Volvidos tempos, na temporada de 2003/04 teve passagem em Guimarães, integrando a equipa técnica liderada por Jorge Jesus quando treinou o Vitória minhoto nessa época.

 = Amaral entre colegas antigos, na sessão de Homenagem do FC Porto aos Campeões Europeus de 1987, em que também recebeu uma miniatura da taça europeia conquistada. =

Mais recentemente e voltando à condição de treinador principal, Amaral passou pelo Chaves, depois o antigo clube da AD Lousada, então na 2ª Divisão Nacional “B”. No mesmo escalão comandou seguidamente o FC Maia, após uma passagem pelo South China, um clube da Republica Popular da China, na sua única experiencia no estrangeiro. Continuando seu périplo com regresso ao Lousada, seguindo-se o Amarante.


Perante tão multifacetado percurso e passando por período sabático de afastamento do banco do sofrimento, Jorge Amaral aceitou convite para ser comentador desportivo em programas de televisão e rádio, atividade que desenvolve ainda atualmente. Sendo dos poucos cidadãos integrantes de painéis televisivos que, em representação de seus clubes, assume sua simpatia e se mantém fiel aos verdadeiros princípios de ética desportiva. Mostrarndo seus conhecimentos das diversas áreas do futebol jogado dentro do campo, além de saber discernir as evidentes jogadas de bastidores que há quem pratique fora. Demonstrando ser boa pessoa e honesto personagem da vida pública do desporto português. Motivos que levam a esta apreciação.

Armando Pinto
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2 comentários:

  1. Quem como eu teve a oportunidade de viver bem perto das quatro linhas, (diga-se fomos muitos) amiúde assistíamos a cenas de toda a índole que mostram o quanto o futebol pode transformar as pessoas, sejam os intérpretes, jogadores de campo, assistentes, árbitros incluídos, ou até, foi o caso, policias; Esta passou-me comigo e, confesso desde já, em nada me dignificou, ante pelo contrário ainda hoje me interrogo como fui capaz de tomar atitude tão asquerosa, não, aquilo não aconteceu comigo, mas a verdade aconteceu: Foi no Estádio do Varzim, publico bastante aguerrido, que por norma dava muito trabalho as forças policiais, mas o jogo em si que dá origem a esta minha história nada tinha de importante, estava-se em fim de época, princípios dos anos 90, ambas as equipas tinham já seus lugares assentes na classificação e tudo se encaminhava para um final para as forças policiais sem problemas, (o que digo esta história, felizmente para mim não alterou) o jogo acabou mesmo com esta história, sem o rebolisse que era previsível por aquelas bandas. Então é assim; O g/redes do Varzim era o Amaral (não fora o caso e certamente não me lembrava agora da cena) o Varzim a poucos minutos do fim ganhava por 1 a 0, dominava o jogo remetendo a frágil adversário à sua defensiva, creio, não estou bem certo, o Amares, perto do fim num daqueles pontapés para a frente sem nexo, a defensiva do Varzim é apanhada em contrapé e o avançado adversário corre no encalço da bola, bola essa que diga-se morreria nas mãos do Amaral, mas o defesa faz falta sobre o adversário, o arbitro, lembro-me bem, Rosa Santas de Beja aponta para penalty, Amaral chateado com o seu companheiro, dispara “puta que te pariu” na altura eu ouvia bem, (hoje nem tanto) até pensei que ele estava a dirigir o impropério ao arbitro, mas não, pela cena que se seguiu ele, Amaral ficou fulo foi com o seu campainheiro da defesa.
    Ora enquanto a demora da marcação do penalty, apercebo-me que um adepto corria desenfreadamente da bancada lateral que ocupava, para a bancada atrás da baliza, estrategicamente então desocupada, daí não perdi mais de vista o sujeito, acresce que eu estava colocado a uns dois, três metros da baliza do Amaral, entre a rede separadora dos espectadores e a linha de fundo, então o tipo já maduro na casa dos 30 anos, numa atitude enraivecida, agarrado e abanando a rede, atira com uma série de impropérios dirigidos ao arbitro, tudo normal pró caso, como normal foi a minha reação, virado para ele, com ar de riso, atirei mais palavra menos palavra com isto;« Êh pá, deixa lá isso, ele já marcou nada há a fazer;» o tipo atira-me com esta que jamais eu esperaria;…Que queres ó “Filho da Puta”, também estás aqui a mamar à nossa custa; Bem como disse não sei o que me passou pela cachola, sei é que se apoderou de mim uma raiva incontrolável e de tal modo que levo a mão ao cassetete, mas a rede impedia-me de atingir, (hoje digo ainda bem), o tresloucado, então rapo de um “escarro” e zás, atinjo o fdp na cara. Para meu espanto que esperava uma reação do artista, este como que paralisado fica estupefacto mirando-me e abandona o local proferindo outros mais impróprios que não ouvi de tão impercetíveis que foram. E terminada a história apenas o meu obrigado ao Amaral por me fazer lembrar esta história pois é sinal que o Alzheimer ainda não me atacou.

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  2. Tantas memórias mais agradáveis por certo mas... enfim!

    Das dezenas de jogos assistimos no citado Estádio do Varzim para ver o nosso... FC Porto. O mais emblemático terá sido o jogo disputado em 1975 ou 1976, sob uma chuva torrencial e impiedosa durante todo o jogo. Perderíamos (0-1, golo de Ibrahim) em que o Cubillas durante todo o jogo não tocou na bola. Um jogo também não de muito boa recordação e memória mas... mais higiénico.

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