Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Esforço heroico de Martim Fernandes no exemplo de João Pinto e Acúrcio!

No já inesquecível jogo Porto-Benfica da marcante noite do dia 14 de janeiro de 2026, em que o FC Porto eliminou o Benfica da Taça de Portugal desta época futebolística de 2025/2026, derrotando a sobranceria e arrogância de Rui Costa & Mourinho, ficou para a história também o facto do portista Martim Fernandes ter jogado com o nariz partido quase até ao fim do jogo. Numa boa prova de profissionalismo, mas sobretudo de alma portista e superação do jovem que teve seu sangue a cair sobre a camisola, a pontos de ter mudado várias vezes de camisola… a sua, do FC Porto.

O jovem defesa lateral-direito logo nos momentos iniciais do jogo sofreu forte choque com o benfiquista Lopes Cabral, resultando que ele, o jogador do FC Porto, fraturou o nariz, sangrando abundantemente. Contudo, após ter recebido assistência da equipa médica dos Dragões, em pleno relvado durante cerca duns cinco minutos, Martin decidiu prosseguir em campo. Sendo depois necessário trocar de camisola por diversas vezes, levando à ação rápida do roupeiro Jardel, sempre atento às situações e com camisolas prontas para as necessárias mudanças.

O caso levou até que após a partida e através das redes sociais, foi pelos meios informáticos do FC Porto destacada a resiliência do jogador de 19 anos: «Quando é pelo FC Porto, um nariz partido não passa de um mero detalhe.»

Com efeito, Martim Fernandes foi o herói mais recente do futebol do FC Porto, ao ter jogado grande parte do jogo entre o FC Porto e o SL Benfica com o nariz partido, tendo-se mantido em campo até perto do final do encontro, sendo substituído apenas na reta final por Alberto Costa. Na sequência do choque e consequente fratura, Martim Fernandes foi obrigado a trocar de camisola pela primeira vez ao reentrar em jogo, seguindo-se, ao longo da primeira parte, ter utilizado um total de quatro camisolas diferentes, devido às sucessivas manchas de sangue, pois voltou a mudar de equipamento ao minuto 26 e novamente aos 40 minutos, aproveitando uma interrupção do jogo.

Ora, o caso de Martin Fernandes fez avivar um anterior exemplo do João Pinto, o capitão portista de Viena que, ainda tempos antes de se ter tornado o lendário capitão do FC Porto, jogou com um dedo do pé partido, num dos episódios mais icónicos da sua carreira, tendo feito um buraco na chuteira para aguentar a dor e pintar a meia de preto para disfarçar, mostrando uma enorme superação e dedicação ao clube. Como ele próprio já contou e é um facto conhecido das histórias significativas do futebol portista.

Assim sendo, na pertinência do ocorrido no Porto-Benfica que fez o Estádio do Dragão viver uma grande noite de gala, o exemplo de João Pinto foi lembrado e bem.

Mas, além desses casos, também houve um outro anterior, que por ser mais antigo não tem sido tão lembrado. Tal o que se passou em 1958 quando o guarda-redes Acúrcio jogou com um braço partido num jogo em casa do Belenenses, curiosamente no mesmo jogo em que antes havia marcado um golo de baliza a baliza.

Efetivamente, a 23 de março de 1958 o guarda-redes Acúrsio, então titular da baliza do FC Porto, fez história como primeiro guarda-redes de futebol a marcar um golo em provas oficiais em Portugal.  Ganhando aí estatuto de protagonista mais saliente e por mais que uma razão.

Pois então: «Acúrcio assumiu-se como a grande figura do FC Porto na vitória sobre o Belenenses, por 3-1, no Estádio do Restelo. O guarda-redes marcou um golo de baliza a baliza e ainda aguentou uns bons minutos entre os postes com o braço partido, pois na altura não havia substituições.» (Só meses depois daí começou a haver guarda-redes suplente com lugar no banco, para essa eventualidade de lesão do titular, única substituição que foi permitida ainda durante mais alguns anos). E, dessa vez, ainda, em vez de ir para a baliza um outro colega de equipa, enquanto a própria equipa ficaria com menos um, ele aguentou entre os postes até ao fim. 

= A equipa do FC Porto que na época  de 1957/58 alinhou no jogo do Restelo celebrizado pelo golo de baliza a baliza e pela célebre lesão de Acúrcio. Campeonato Nacional da 1ª Divisão da Época 1957/1958, à 26ª última jornada, a 23/03/1958. Estádio do Restelo, CF Os Belenenses, 1 - FC Porto, 3. Golos do FC Porto obtidos por Acúrcio (no remate de baliza a baliza), Pedroto e Mário Paz (em autogolo, ao tentar anular  lance enviado com um enviesado efeito dado à bola por Osvaldo), sendo o golo do Belenenses através de Vicente Lucas. Na foto da pose: em cima e da esquerda para a direita - José Pedroto, Barbosa, Miguel Arcanjo, Ângelo Sarmento, Virgílio Mendes e Acúrcio; em baixo, pela mesma ordem - Carlos Duarte, Gastão, Jaburu, Osvaldo Silva e Hernâni. 

Armando Pinto
((( Clicar sobre as imagens )))

Sem comentários:

Enviar um comentário