No já inesquecível jogo Porto-Benfica da marcante noite do
dia 14 de janeiro de 2026, em que o FC Porto eliminou o Benfica da Taça de
Portugal desta época futebolística de 2025/2026, derrotando a sobranceria e
arrogância de Rui Costa & Mourinho, ficou para a história também o facto do
portista Martim Fernandes ter jogado com o nariz partido quase até ao fim do jogo. Numa boa prova de profissionalismo, mas
sobretudo de alma portista e superação do jovem que teve seu
sangue a cair sobre a camisola, a pontos de ter mudado várias vezes de
camisola… a sua, do FC Porto.
O jovem defesa lateral-direito logo nos momentos iniciais
do jogo sofreu forte choque com o benfiquista Lopes Cabral, resultando
que ele, o jogador do FC Porto, fraturou o nariz, sangrando abundantemente.
Contudo, após ter recebido assistência da equipa médica dos Dragões, em pleno
relvado durante cerca duns cinco minutos, Martin decidiu prosseguir em campo.
Sendo depois necessário trocar de camisola por diversas vezes, levando à ação
rápida do roupeiro Jardel, sempre atento às situações e com camisolas prontas
para as necessárias mudanças.
O caso levou até que após a partida e através das redes
sociais, foi pelos meios informáticos do FC Porto destacada a resiliência do
jogador de 19 anos: «Quando é pelo FC Porto, um nariz partido não passa de um
mero detalhe.»
Com efeito, Martim Fernandes foi o herói
mais recente do futebol do FC Porto, ao ter jogado grande parte do jogo entre o
FC Porto e o SL Benfica com o nariz partido, tendo-se mantido em campo até
perto do final do encontro, sendo substituído apenas na reta final por Alberto
Costa. Na sequência do choque e consequente fratura, Martim Fernandes foi
obrigado a trocar de camisola pela primeira vez ao reentrar em jogo, seguindo-se,
ao longo da primeira parte, ter utilizado um total de quatro camisolas
diferentes, devido às sucessivas manchas de sangue, pois voltou a mudar de
equipamento ao minuto 26 e novamente aos 40 minutos, aproveitando uma
interrupção do jogo.
Ora, o caso de Martin Fernandes fez avivar um anterior
exemplo do João Pinto, o capitão portista de Viena que, ainda tempos antes de
se ter tornado o lendário capitão do FC Porto, jogou com
um dedo do pé partido, num dos episódios mais icónicos da sua carreira, tendo
feito um buraco na chuteira para aguentar a dor e pintar a meia de preto para
disfarçar, mostrando uma enorme superação e dedicação ao clube. Como ele próprio já contou e é um facto conhecido das histórias significativas do futebol
portista.
Assim sendo, na pertinência do ocorrido no Porto-Benfica que fez o Estádio do Dragão viver uma grande noite de gala, o exemplo de João Pinto foi lembrado e bem.
Mas, além desses casos, também houve um
outro anterior, que por ser mais antigo não tem sido tão lembrado. Tal o que
se passou em 1958 quando o guarda-redes Acúrcio jogou com um braço partido num
jogo em casa do Belenenses, curiosamente no mesmo jogo em que antes havia
marcado um golo de baliza a baliza.
Efetivamente, a 23 de março de 1958 o guarda-redes Acúrsio, então titular da baliza do FC Porto, fez história como primeiro guarda-redes de futebol a marcar um golo em provas oficiais em Portugal. Ganhando aí estatuto de protagonista mais saliente e por mais que uma razão.
Pois então: «Acúrcio assumiu-se como a grande figura do FC Porto na vitória sobre o Belenenses, por 3-1, no Estádio do Restelo. O guarda-redes marcou um golo de baliza a baliza e ainda aguentou uns bons minutos entre os postes com o braço partido, pois na altura não havia substituições.» (Só meses depois daí começou a haver guarda-redes suplente com lugar no banco, para essa eventualidade de lesão do titular, única substituição que foi permitida ainda durante mais alguns anos). E, dessa vez, ainda, em vez de ir para a baliza um outro colega de equipa, enquanto a própria equipa ficaria com menos um, ele aguentou entre os postes até ao fim.







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