Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Custódio Pinto – “Cabecinha” das participações europeias do FC Porto de tempos antigos e “Capitão” da Taça de 1968!


O FC Porto é no século XXI o clube português com melhor historial nas provas europeias de futebol, possuindo o melhor palmarés desde que ainda no século XX começou a somar títulos e a ganhar prestígio, posicionando-se presentemente como um dos grandes, com mais presenças na Liga dos Campeões, além de entre portugueses ter mais títulos a nível europeu e mundial.

= Pinto já na equipa principal do FC Porto, nos seus primeiros tempos de azul e branco.  Em cima, a partir da esquerda: Américo, Arcanjo, Paula, Festa,  Ívan e Virgílio; em baixo, pela mesma ordem: Carlos Duarte, Pinto, Serafim, Perdigão e Jaime.

Antes ainda do FC Porto ser também o único clube português vencedor da Supertaça Europeia e da Taça Intercontinental, na anterior versão do Mundial de Clubes que o FC Porto venceu por duas vezes, anteriormente a isso, recordamos, enquanto o clube azul e branco foi conseguindo apenas alguns bons momentos nas participações em provas europeias de antanho, alguns elementos do clube foram tendo salientes prestações, como foi o caso de Custódio Pinto, alguém que enquanto jogou pelo FC Porto era detentor da melhor soma de golos do FC Porto no plano internacional.     

Custódio Pinto, apelidado de “ Cabecinha de Ouro”, como “de Diamante”, pelo seu bom jogo de cabeça, era um futebolista que durante os jogos corria pelo campo todo, tendo ficado na memória portista também como o “Capitão” que levantou a Taça de 1968 para o F. C. Porto. Normalmente conhecido por “Pinto do Porto”, como mais popularmente era chamado, até para o distinguir ao tempo de seu irmão (Manuel Pinto) que jogava a defesa do Guimarães, passou depois a ser também referido por Custódio Pinto, quando já em finais dos anos sessentas teve o irmão a seu lado pela seleção nacional.

= Custódio Pinto em foto "à civil", autografada, e com a camisola da Seleção A portuguesa

Ilustrando a afirmação, de ser considerado "Cabecinha", foi de um desses epítetos elogiosos uma coluna jornalística do ano de 1968, que respigamos como exemplo, por meio dum recorte d’ “O Porto”.


Esse Pinto, de nome completo Custódio João Pinto, foi então um valor de alto coturno dentro da mística Portista de outrora, na sensibilidade clubista há umas décadas recuadas, quando chegou a ser recordista de golos em competições oficiais das provas europeias. Pois, aquele antigo ariete do F. C. Porto, mantendo-se ainda na lista dos melhores goleadores ao longo da História do F C Porto, também teve um recorde de golos ao nível internacional, num tempo em que o clube acabava por disputar menos jogos em pugnas europeias.


Efetivamente, até há alguns anos atrás, Custódio Pinto foi recordista de golos marcados pelo F. C. Porto nas competições da UEFA, como se pode ver em caixa incluída no Palmarés Internacional do FCP até aos finais dos anos setentas - conforme publicação no primeiro dos dois pequenos livros intitulados “A Vida do Grande Clube Nortenho” (escrito por Luís César, através de edição publicada em 1978 pelas “Selecções Desportivas”).


Entretanto Custódio Pinto ficara ligado à saga dos Magriços, como um dos representantes do F. C. Porto na campanha do Mundial de 1966 disputado na velha Albion, junto com Américo e Alberto Festa, embora sem ter jogado na fase final (por na altura o FC Porto também não ter nos órgãos federativos quem defendesse os interesses do clube e olhasse pelos seus elementos, como acontecia com os outros nesses tempos do sistema BSB, com os presidentes da Federação a serem, em mandatos à vez, só do Benfica, Sporting e Belenenses)…


Com a mão na massa de exaltação da representatividade do Pinto na ambiência Portista, não se pode deixar escapar qualquer ensejo de recordar bem o feito maior desse tempo, a conquista que mais encheu de júbilo a nação Portista, como foi a Taça de Portugal conseguida em Junho de 1968. Na qual Custódio Pinto esteve de corpo e alma, tal como mostra a histórica fotografia do levantar da taça em plena tribuna de honra do Jamor, perante o feliz orgulho do Presidente Pinto de Magalhães.


Custódio João Pinto, como era seu nome completo, veio do sul e arreigou-se ao Porto. Nascido a 9 de Fevereiro de 1942, no Montijo, começou a jogar futebol no clube de sua terra, C.D. Montijo, até que em 1961/62 foi contratado pelo Futebol Clube do Porto e logo se revelou um bom avançado, tendo dividido os golos da equipa principal com o goleador brasileiro Azumir, colega que na época foi o melhor marcador do campeonato nacional. Depois teve uma carreira distinta que o levou a ser considerado das melhores referências do clube. Tendo entretanto vestido a camisola azul e brancas durante dez temporadas, entre 1961/62 a 1970/71. Pelo FC Porto venceu por 5 vezes a Taça Associação de Futebol do Porto (em 1961/62, 1962/63, 1963/64, 1964/65 e 1965/66) e a Taça de Portugal de 1967/68. Ao longo de 242 jogos que disputou no campeonato e 80 golos marcados. Havendo, apesar de tudo, jogado 13 vezes pela Seleção A de Portugal, além de uma anterior pela seleção de Promessas e algumas outras pela seleção B, como também pela seleção Militar.


De permeio esteve algumas vezes perto de ajudar o clube a vencer o campeonato, coisa impossível nesse tempo da travessia da ponte mais roubos de igreja do sistema das arbitragens a mando BSB… Algo porém que em 1968/69 esteve mesmo muito perto de ser alcançado, como o autor recordará para sempre, enquanto jovem adepto ainda sem conhecer o título nacional, que se escaparia então pelo caso de Pedroto versus Custódio Pinto, Américo Lopes, Eduardo Gomes e Alberto Teixeira.


Até que, em 1971, antes do início da época de 1971/72, por decisão do treinador desse tempo, António Teixeira, o “Pinto do Porto” foi dispensado. Então Custódio Pinto rumou ao Vitória de Guimarães, onde passou a jogar mais com o irmão e teve ainda ensejo de ser dos melhores expoentes do clube vimaranense e mesmo dos maiores referenciais do campeonato português. Pondo por fim final à carreira de futebolista no fim da temporada de 1974/75.


Durante a sua permanência no FC Porto, onde era um autêntico símbolo, entre diversos factos esteve presente na noite da primeira vitória oficial do FC Porto em provas europeias, quando a 16 de Setembro de 1964 brilhou com dois golos e uma exibição de luxo na partida em que o F.C. Porto venceu o Olimpique de Lyon por 3-0, então para a Taça dos Vencedores das Taças (mais tarde extinta e com direitos de participação dos respetivos vencedores das taças, na Taça UEFA, atual Liga Europa).


Mais tarde pôde regressar ao FC Porto, numa justa reabilitação clubista, havendo integrado os quadros técnicos portistas. Foi então mesmo campeão nacional,  como treinador principal dos juniores do FC Porto.
Faleceu a 21 de Outubro de 2004.

= Plantel de Juniores do FC Porto da Época 1986/87. Em cima, da esq. p/ dta: Joaquim Carvalho, Vítor Baía, Oliveira, Fernando Couto, Zé Nuno Azevedo, Best, Zé Luis, Sérgio, Lai, Telmo Lopes e Custódio Pinto (Treinador). Em baixo pela mesma ordem: Fernando, Jorge Couto, João Paulo Tomás, Tozé Santos, Cabral, Domingos Paciência, Carlos Secretário e Zé Nando.

Merecedor de figurar em lugar de realce na História do FC Porto, Custódio Pinto justifica exaltação como nome importante do clube e do futebol nacional, conforme em apoteose recordamos com uma imagem de quadro pessoal, mais a sua ficha da galeria dos Internacionais do FC Porto (em trabalho histórico-literário de Rodrigues Teles, em 1968).  

Armando Pinto

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3 comentários:

  1. FICOU-NOS NA RETINA UM GOLO QUE MARCOU AO FCP DUAS ÉPOCAS A SEGUIR A SUA DISPENSA PELO V GUIMARÃES QUE DEU DERROTA POR 1-2 ÀS NOSSAS CORES E EM QUE DE IMEDIATO DEITOU AS MÃOS À CABEÇA.

    lEMBRA-SE? FOI EM 29.10.1972.

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  2. O caro "anónimo" do costume enviou por estes dias diversos comentários, anónimos obviamente. Publico este, que é menos provocador, e por isso mesmo, mas não só. Também para referir que, como tenho avisado, não aceito comentários anónimos. Ou se começa a identificar ou então não... Aliás não entendo porque continua a insistir, pois na blogosfera portista toda a gente se lhe refere há muito e uns vão informando outros de quem se trata; e todos o deixam de aceitar como tal. Como até admiro o seu portismo, embora não concordando com as críticas, que se notam ser de quem não gostou de alguma atitude de dirigentes, tenho sempre interesse nas suas opiniões, quando comedidas e realistas, mas não assim. Ok?! E já agora o clube deve estar sempre acima de tudo, pelo menos eu penso deste modo.
    Armando Pinto

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  3. Novamente o amigo consócio anónimo enviou comentários, dos quais, além de anónimos, não publico: quer pelo motivo principal e tantas vezes repetido, além de não concordar com afirmações de remunerações (sendo que hoje em dia em todos os clubes grandes, e não só, todos os presidentes ganham ordenados). Mais, por tal como sabe, a data da fundação do FC Porto, de 1893, ser mesmo a verdadeira e aliás a que foi oficialmente aprovada em Assembleia Geral, soberana pela vontade dos sócios que estiveram presentes e se manifestaram. Acrescendo até que a tal data inventada de 1906 nem corresponde a dia nem nada do que se dizia e escrevia, além de haver a carta comnprovativa, que como deve saber foi inclusive descoberta por um jornal do sul. Aliás, já nos anos cinquenta o jornal O Porto confirmava isso, com papeladas coevas, apenas que como já estava escrita a história em livros não houve então coragem da devida reposição, felizmente levada a cabo nos anos oitentas. Mais informo que adeptos do Sp. de Braga, por exemplo, têm provas da fundação do clube bracarense ser anterior à que vigora, mas a atual direção ainda não teve coragem de repor a verdade... Logo há muitos casos do género. Porque nesses tempos pouco era escrito, para constar, como se sabe.
    Foi pena ter intercalado frases que não dão para publicar, por ferirem as minhas convicções (e o blogue é meu, em favor de como sinto o FC Porto), pois o caso do antigo dirigente que refere até me é simpático.
    Assim sendo, repito, não custa nada identificar-se e deixar de meter sempre ataques ao mesmo, pois assim não passa... porque aqui não se aceitam ataques aos interesses portistas, ok.
    Armando Pinto

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