Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Histórias de ciclismo sobre os irmãos Moreira de Sá: contadas pelo Dr. Silva Peneda (antigo Ministro do Governo Português) com muita honra partilhadas neste espaço de Memória Portista!

Na sequência do artigo sobre o antigo ciclista Luciano Moreira de Sá, na celebração de seus 96 anos de vida, vem a calhar bem partilhar um feixe de memórias conhecidas por um senhor ilustre como é o Dr. Silva Peneda, que foi Ministro Português. Alguém que desportiva e familiarmente é conhecedor do fenómeno do ciclismo, como genro do grande ciclista Fernando Moreira de Sá, vencedor da Volta a Portugal de 1952 e Campeão Nacional, assim como sobrinho por sua mulher do outro grande ciclista da família, que foi Luciano Moreira de Sá, bi-campeão da clássica Porto-Lisboa e também Campeão Nacional. Em ambos os casos ciclistas do Futebol Clube do Porto, nos tempos áureos do ciclismo. Histórias essas muito interessantes, que merecem ser conhecidas e por isso mesmo aqui contadas, com muita honra. Sentindo-se o autor deste blogue muito honrado por as poder partilhar neste espaço de Memória Portista, com a devida aprovação de quem de direito. Sendo assim um grande gosto pessoal, como apreciador da história portista e das memórias do ciclismo azul e branco, além de grande admirador dos dois irmãos Moreiras de Sá. E extensivamente à família do vencedor da Volta de 1952 Fernando Moreira de Sá, da filha D. Fernanda Moreira de Sá Peneda, e seu marido Dr. José Silva Peneda, mais a filha destes e neta do ciclista campeão, Dr.ª Marta Moreira de Sá Peneda.

Eis então esse belo naco de prosa memoranda, como pedaço grande apresentado em boas fatias de memórias dignas de ficarem guardadas pelo seu valor histórico e sentimental.

«HISTÓRIAS DE FERNANDO E LUCIANO MOREIRA DE SÁ

O meu nome é José Silva Peneda, casado com uma das filhas de Fernando Moreira de Sá, de nome Maria Fernanda e sobrinha do Luciano Moreira de Sá.

Ouvi muitas histórias de ciclismo dos tempos deles e convivi com algumas glórias da época, tais como Onofre Tavares, Alves Barbosa, Sousa Santos, Sousa Cardoso, Carlos Carvalho, Joaquim Sá, Emídio Pinto, Amândio Cardoso e Alberto Cerqueda, entre outros, e ouvi cenas relatadas por eles e com muita piada. 

Vou contar algumas:

O Luciano venceu dois Porto-Lisboa e, numa das vitórias, o pelotão circulava compacto até à chegada da temível Calçada da Carriche que antecedia a chegada ao Estádio José Alvalade. Foi então que Luciano pegou no bidão da água, molhou o cabelo, e começou a pentear-se, dizendo bem alto, para todos ouvirem: “É para a fotografia na meta". E não é que venceu a prova! O Luciano para além de ser um grande atleta sempre teve, e ainda tem, um sentido de humor muito apurado.

= Luciano Moreira de Sá

Outra história envolve um ciclista do Benfica que andava de relações cortadas com Fernando Moreira de Sá. Foi no ano em que ele ganhou a Volta. Numa das etapas teve um furo, o carro de apoio vinha longe e o benfiquista tirou a roda da sua bicicleta e deu-a a Moreia de Sá. Na altura, esta atitude era penalizada e foi, embora o F.C. do Porto tivesse assumido tal encargo. Mas como o benfiquista não era parvo e como a notícia correu, numa chegada ao Estádio do Lima ele, de propósito, atrasou-se em relação ao pelotão e acabou por ter, segundo disse, a maior ovação da sua carreira. Chamava-se Império dos Santos, pai do treinador do Boavista José Santos. Nós, portistas, sabemos ser gratos.

A terceira história passou-se em pleno Alentejo, na etapa Setúbal-Loulé em estradas de macadame e com temperaturas a rondar os 40º. Em qualquer equipa havia os chamados aguadeiros, que enchiam os bidões nas fontes na berma das estradas para distribuir pelos colegas de equipa. Na equipa do Porto um deles era um jovem, também maiato, de nome Joaquim Cerqueda, que só teve coragem de contar esta cena dezenas de anos depois, o que revela de respeito pelo então chefe de equipa, Fernando Moreira de Sá. A fonte em causa só vertia umas pinguinhas e o nosso aguadeiro pensou que nunca mais encheria os bidões e provavelmente não chegaria ao pelotão. Estavam umas cabeças de gado a beber do tanque para onde a fonte brotava escassas gotas de água. Então, o nosso aguadeiro resolveu o problema: deu um berro ao gado, que se afastou. Mergulhou os bidões na água e, num ápice, estava de regresso ao pelotão. Fernando Moreira de Sá, muito sabido, achou estranha tanta rapidez e perguntou-lhe: “Já estás aqui? Encheste tudo”? Ao que o Alberto respondeu: "estou a andar muito bem".

A quarta história passa-se na serra da Arrábida, numa etapa que ligava Setúbal a Lisboa incluída na Volta a Portugal, que Fernando Moreira venceu, em 1952. Os restaurantes de Setúbal para homenagear Fernando Moreira de Sá confecionaram bacalhau, não à Gomes de Sá, mas sim à Moreira de Sá. Na subida para o alto da Arrábida o nosso Fernando começou a sentir- se mal, a vomitar e chegou a pôr a hipótese de desistir. A acompanhá-lo ficou o Amândio Cardoso que, qual psicólogo procurava estimular por todas as formas o doente, dizendo para respirar fundo, não forçar a pedalada, andamentos lentos na subida e teve a frase certa para dizer a um campeão. E atirou-lhe: “Fernando, se chegares lá acima na Serra tens todas as qualidades para apanhar o pelotão, antes da chegada à meta, em Lisboa”. E assim foi. Fernando Moreira de Sá descia muito bem e o contrarrelógio era uma das suas especialidades, a ponto de vários jornalistas espanhóis e portugueses o considerarem o maior contrarrelogista da Península Ibérica.

= Fernando Moreira de Sá

A quinta história foi-me contada por Onofre Tavares, um dos maiores sprinters de todos os tempos. Numa etapa da Volta a Portugal, Onofre sentiu-se mal e foi ter com Fernando Moreira de Sá dizendo que ia abandonar. Fernando, com ar sério, lembrou-lhe que, nesse dia, era o primeiro aniversário do falecimento do pai do Onofre que era um grande adepto do filho. E disse-lhe: “Lembra-te que o teu pai está na meta à espera que ganhes a etapa”. O Onofre contou-me que sentiu os cabelos dos braços a eriçarem-se, foi para a frente do pelotão, partiu tudo e ganhou a etapa. A lição aqui fica. A palavra dita no momento certo remove montanhas. 

A sexta história envolve o Presidente Pinto da Costa. Quando Moreira de Sá faleceu a nossa família não esquece a permanência contínua no velório do nosso Presidente, na Igreja da Maia. A certa altura, abeira-se de mim dizendo que gostava de ter no Museu do Futebol Clube do Porto qualquer coisa que perpetuasse a memória de Fernando Moreira de Sá. Lembrei-me logo da bicicleta com que ele tinha ganho a Volta de 1952, que me ofereceu para dar umas pedaladas na sua companhia e que tinha gravado no quadro o seu nome. Consultei a minha mulher que de pronto anuiu à ideia. Pedi ao Joaquim Leite, também antigo ciclista do F.C. do Porto, que reparasse a bicicleta para ficar exatamente como era em 1952. Com alguma dificuldade ele fez um trabalho excelente e a bicicleta lá está num local de destaque do nosso Museu. Depois, Pinto da Costa disse-me que quando o F.C do Porto tinha equipa de ciclismo ela fazia questão de ir ao local onde estava a dita bicicleta e fazia uma preleção recordando Moreira de Sá que nunca envergou outra camisola que não fosse a do F. C. do Porto.

A sétima e última história passou-se no final de uma prova que ligava Madrid ao Porto, em que participavam os melhores dez ciclistas de Portugal e de Espanha. Na última etapa, com chegada ao Porto, Moreira de Sá estava, na classificação geral, em segundo lugar, a escassos segundos do primeiro. Alguns adeptos do Porto tiveram a ideia de, na subida da Rua João IV, derrubarem o espanhol. Isso chegou aos ouvidos de Moreira de Sá e, de imediato, fez saber que se isso acontecesse ele ficaria apeado ao lado do ciclista espanhol. Chama-se a isto grandeza de carácter.

 Março 2026»

Histórias interessantes que merecem mesmo ser conhecidas e como tal com muito gosto aqui ficam partilhadas.

Armando Pinto


quinta-feira, 19 de março de 2026

No tradicional, histórico e terno Dia do Pai - uma passagem da figura paternal no sentimento portista... a lembrar também o pai do Presidente do FC Porto!

Dia 19 de MARÇO é o Dia do Pai, numa data comemorativa que homenageia anualmente os pais. Cuja tradição está enraizada e tem contornos deveras afetivos nos laços familiares. Ocasião em que a descendência mostra ao progenitor sua afeição, de variados modos naturalmente, enquanto um pai sente que vive plenamente a paternidade, na história sentimental da família. Ora, transpondo ao caso do Futebol Clube do Porto, no sentimento de ligação ao grande clube desportivo que faz parte de nossa vida e da vida de muita gente, há certas afinidades relacionadas com a história portista, desde o fundador e o refundador. Sendo naturalmente a figura paternal associada ao fundador, António Nicolau de Almeida, o criador da existência portista...

... e também ao refundador, José Monteiro da Costa, como o segundo pai na mesma existência, pela ação que possibilitou continuidade. 

Mas também mais, dentro do prisma da figura paternal, como são vistos os pais dos atletas, jogadores e jogadoras (neste momento especial em que o futebol feminino, no seu segundo ano, se apura para a final da Taça de Portugal!), mais grandes homens que  foram gerindo o FC Porto ao longo dos tempos. E como tal, na atualidade, neste dia o portismo que anda no sangue azul portista lembra o pai do Presidente André Villas-Boas, na ocasião do Dia do Pai.  

É assim aqui o tema deste dia, nesta ocasião. Tal como pessoalmente, na vida particular, tenho o meu pai como meu herói, desde que me lembro e continuarei a lembrar pelos tempos fora. Tanto que desde pequeno me recordo de ficar orgulhoso quando ouvia dizer que ele criara uma sirene melhor e muito diferente de quaisquer outras, para a empresa em que trabalhava, quão (a sirene da Metalúrgica da Longra, em Felgueiras) era uma referência para toda a vasta região onde chegava a longa distância, a pontos que servia inclusive como sinal de previsão meteorológica, conforme fosse ouvida. E extensivamente ainda me orgulho dele ter sido distinguido com o Prémio da Associação Industrial Portuense, galardão com que foi o único felgueirense assim reconhecido. Tal como sou pai e sei como é ser visto pelos meus filhos. Num sentimento que transportando para aqui, como espaço de memorização portista, tem outro sentido, na amplitude do significado ser Porto, de ser pelo FC Porto. Vindo a talhe, com justiça, na visão pessoal, uma homenagem ao pai do Presidente do FC Porto.

Para o caso, não é necessário muito mais palavreado escrito, pois desde que vi o pai de André Villas-Boas na apresentação da sua candidatura para as eleições do FC Porto, como entretanto numa das conversas em que estive presente na sede da mesma candidatura, e depois na tomada de posse de Villas-Boas como 32.º Presidente do FC Porto, senti simpatia por esse senhor, humilde na sua grandiosidade de pessoa culta e bem formada, mas simples a ponto de quase passar despercebido, em modo de ser discreto. Mas sendo dele que descende o grande timoneiro do FC Porto, o Presidente que tem conseguido levar o FC Porto para o bom caminho.

Ora o pai de André Villas-Boas é um senhor de boas famílias, como se diz popularmente. Descendente dos Viscondes de Guilhomil. De cuja linhagem vem obviamente a família Villas-Boas do Porto. Engenheiro licenciado que até já foi Professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, além de ter tido sociedades em diversas firmas industriais, é assim a figura pública que merece homenagem portista, neste caso, pelo menos de um Portista que escreve esta transmissão de sentimento portista. E no orgulho de pai e filho, aqui se regista o pai, no dia do pai, dirigindo as atenções da Memória Portista para o senhor Engenheiro Luís Filipe do Vale Peixoto de Sousa e Villas-Boas. Cidadão nascido a 29 de fevereiro de 1952 (pouco mais velho que eu, que sou do ano em que o FC Porto foi vencer a Lisboa na inauguração do anterior estádio da Luz…). Natural da freguesia de Ramalde, da cidade do Porto. Portuense ilustre, com a honra maior de ser dele que veio ao mundo André Villas-Boas, o atual Presidente do Futebol Clube do Porto. Lembrança que vem a propósito no dia do Pai. E, eu que sempre pensei que não há pai como o meu pai, no dizer popular de que "não há pai pró meu pai", também dou apreço aos pais de quem admiro e fazem parte de sentimentos mútuos e comuns. Como com cada coisa em seu lugar, aqui é sítio do sentimento Portista.

Armando Pinto 

quarta-feira, 18 de março de 2026

LUCIANO MOREIRA DE SÁ - Ciclista bicampeão da histórica clássica Porto-Lisboa!

 

Nascido a 18 de março de 1930, na Maia, em Friães-Silva Escura, Luciano Moreira de Sá, antigo ciclista do F C Porto, perfaz agora 96 anos de vida!

Luciano Moreira de Sá formou com o irmão, Fernando Moreira de Sá, uma dupla destacável no pelotão do ciclismo nacional, em parte dos anos 40 e 50 do século XX. Dos dois, naturalmente Fernando distinguiu-se ao ter sido vencedor de uma Volta a Portugal, a prova mais importante do ciclismo português que ele, Moreira de Sá mais velho, venceu em 1952. Mas igualmente Luciano Moreira de Sá foi também um ciclista da melhor categoria, tendo sido Campeão Nacional de Fundo e por duas vezes venceu a grande prova clássica Porto-Lisboa, enquanto na Volta a Portugal sempre alcançou lugares classificativos entre os melhores.

Sobre Luciano de Sá e sua carreira muito há que contar, tal a importância de seu excelente currículo. Contudo, porque sobre ele, como também sobre o irmão, haverá proximamente um trabalho já escrito, para uma publicação que aparecerá a público daqui a tempos, para já e para não repetir, aqui apenas queremos assinalar, na pertinência do aniversário em apreço, a longevidade do aniversariante, na robustez de sua existência, como ele corria com energia de vencer. À imagem como em 1952 Luciano Moreira de Sá venceu a grande clássica portuguesa Porto-Lisboa; feito que depois repetiu em 1953, ao bisar a vitória na mesma grande ligação, num só dia, entre a capital do Norte e a capital do País.

Nascido em 1930, Luciano Moreira de Sá está então a festejar 96 anos de vida, neste dia 18 de março de 2026, como que a dar continuidade no tempo à sua genica de ciclista. Merecendo bem os parabéns de um Portista, aqui do autor destas  linhas - que nunca o vi correr, naturalmente, mas conheço e aprecio a sua história de ciclista, como do ciclismo do FC Porto, a modalidade desportiva que pelos anos 50 e 60, e até mais, dava mais alegrias ao mundo azul e branco.

Abraço de Parabéns senhor Luciano Moreira de Sá!

Armando Pinto

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segunda-feira, 16 de março de 2026

Guilhar: o Capitão do FC Porto que ergueu a Taça Ibérica de 1947 !

Nos anais eternos do FC Porto, além das competições e respetivas taças conquistadas, sempre terão lugar especial as imagens dos capitães de equipa a levantarem as taças mais célebres de futebol. Como nos casos de João Pinto na Taça dos Campeões Europeus de 1987 e Gomes na Taça Intercontinental do Mundial de Clubes, em dezembro de 1987 e na Supertaça Europeia em janeiro de 1988; bem como Jorge Costa e Baía na Taça UEFA de 2003 e Liga dos Campeões de 2004, mais Costinha na Intercontinental do Mundial de Clubes de 2004 e Helton na Liga Europa de 2011. Mas antes disso alguns casos houve de efeito especial, como foi quando Pinga recebeu a Taça Ibérica de 1935 e Vitor Guilhar recebeu em mãos a Taça Ibérica de 1947. Prova que o FC Porto venceu por duas vezes, com anos de distância entre uma e outra, mas sem estas duas Ibéricas serem incluídas na soma de títulos oficiais. Sendo que as provas desses lustros de outrora não foram consideradas oficiais, como eram de tempos em que nem existiam provas internacionais organizadas por entidades europeias e mundiais (tal como outras mais, como a Taça Latina, nunca poderão ser contabilizadas em termos de títulos obtidos oficialmente pelos clubes que as venceram, por exemplo). E então, entre as referidas Ibéricas, ficou para a história a Taça Ibérica nas mãos do então capitão do FC Porto, Guilhar.

Com efeito, houve uma edição da Taça Ibérica em 1935 e depois outra em 1947. A primeira ganha pelo FC Porto diante do Bétis, em jogo disputado a 7 de julho de 1935, no velho campo do Ameal, na cidade invicta, em que o FC Porto bateu o clube andaluz por 4-2, com 3 golos de Pinga e 1 de Pocas, para conquistar a primeira edição da Taça Ibérica e garantir ao futebol português o primeiro troféu de alcance além-fronteiras. Mais tarde, após a Segunda Grande Guerra, houve novo confronto ibérico com o mesmo fim, em 1947, esse com o Valência, para essa taça que o FC Porto voltou a vencer, aí por 1-0, através de um golo de Virgílio, em jogo realizado em Espanha, a 19 de outubro de 1947.

Vitor Guilhar foi então o capitão que levantou a Taça ganha pelo FC Porto na segunda disputa da Taça Ibérica. 



Ecoando ainda na memória dos tempos, andava na transmissão popular a grandiosa vitória sobre o Bétis de Espanha, em 1935, que dera honra de triunfo na primeira Taça Ibérica, quando, após interregno motivado pelas vicissitudes da Segunda Grande Guerra mundial, se voltaram a encontrar em jogo de futebol as primeiras equipas dos campeões dos dois países ibéricos. Tendo então, em 1947, havido novo jogo entre os campeões respetivos, dessa vez em Espanha, tendo o FC Porto se deslocado expressamente para jogar com o Valência, em território espanhol. Voltando o campeão português a triunfar, dessa vez por 1-0, com golo do então avançado portista Virgílio, estreante a nível internacional na ocasião (e que mais tarde se viria a destacar como defesa de grande porte, como evoca o epíteto de “Leão de Génova “ ganho em soberba exibição em Itália, volvidos tempos, na defesa da seleção portuguesa).

= Instantâneo do ato protocolar da troca de recordações. Sendo a imagem legendada na História do FC Porto, por Rodrigues Teles, assim: « Em 1947, era o Valência campeão da I Liga de Espanha. A nossa equipa deslocou-se ao país vizinho onde, em tarde brilhantíssima, venceu por 1-0 o categorizado clube espanhol. Fôra, até aquele ano, o F. C. do Porto o primeiro grupo português que conquistou, além-fronteiras, uma victória em prélios com clubes de Espanha. Nesta fotografia vemos Victor Guilhar, capitão da nossa equipa, oferecendo uma caravela ao capitão do Valência, que este retribuiu entregando o galhardete do seu clube. Um acto tradicional que é sempre rodeado dum ambiente de simpatia e fidalga cordialidade.»

Como reflexo histórico dessa façanha, evocamos desta feita essa estrondosa vitória, em Outubro de 1947, juntando excertos de reportagem constante num dos volumes da História do FC Porto, escrita por Rodrigues Teles – mostrando imagens e página inteira alusiva, da qual para melhor leitura se juntam retalhos separados:


= Imagem da página e do momento dos festejos pelo golo obtido, com Virgílio efusivamente vitoriado =


Como exemplo do que sempre foi o tratamento da imprensa nacional para com o FC Porto, pode-se reparar nuns quadros com que nas duas semanas seguintes e números sucessivos a ocorrência mereceu, apenas, leves referências na revista lisboeta Stadium, em seus números de 22 e 29 de outubro, em 1947.



Ainda no mesmo seguimento, como complemento, no sentido de melhor ficar a narrativa completa, anexa-se também, de seguida, um apontamento memorial publicado no antigo jornal O Porto, num artigo do então colaborador Custódio Castro, em ilustração à posteridade.


Em anos seguintes, dentro da mesma década, houve ainda outros jogos com o Valência, um dos quais disputado em Lisboa no estádio do Restelo, sem ser para a mesma competição, como é referido numa peça de esboço do currículo desportivo de Guilhar, na revista Crónica Desportiva, de Lisboa, em seu número de 20 de outubro de 1957, ou seja já uns anos depois dele ter acabado a carreira - que se aproveita para completar com a narativa da carreira de Guilhar, o capitão que levantou a referida Taça Ibérica em 1947 e anos depois se despediu do futebol em 1950.


Vitor Guilhar foi em seu tempo o 14.º futebolista do FC Porto a ser chamado a jogar pela Seleção Nacional. Como  consta do trabalho historiador de Rodrigues Teles sobre os Internacionais do FC Porto.


Armando Pinto
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domingo, 15 de março de 2026

FC Porto vencedor da Taça de Portugal de Voleibol feminino/2026 - feito pela 1.ª vez alcançado pelo FC Porto como equipa só do clube (e 6 anos depois da anterior vitória ainda como parceria AJM/FC Porto)!

 

O FC Porto venceu a Taça de Portugal de 2025/2026 de Voleibol feminino, na final disputada no Algarve entre as equipas principais do FC Porto e do Sporting de Braga, as duas melhores equipas portuguesas da atualidade do Vólei Feminino e primeiras duas classificadas da fase do respetivo Campeonato Nacional entretanto já disputado. Enquanto os 2 rivais de Lisboa, Sporting e Benfica, se contentam a bolar em lugares imediatamente secundários.

Consegue assim o FC Porto conquistar essa segunda prova do calendário português, a chamada prova rainha, que ainda não tinha sido vencida pelo FC Porto como equipa apenas do Clube. Passados 6 anos da anterior vitória, obtida ainda enquanto existia a parceria AJM/FC Porto - com que regressara essa modalidade ao clube, anteriormente desaparecida em homens e mulheres e depois regressada na equipa feminina no tempo da presidência de Pinto da Costa. Agora já na atualidade da Presidência de André Villas-Boas com outra dinâmica e melhores condições, como as próprias atletas reconhecem.

Tal grandiosa vitória merece bem ficar registada e gravada aqui neste espaço de Memória Portista. Como, para o efeito, se respiga a crónica respetiva do jornal O Jogo, de sua edição de hoje, domingo, dia seguinte a esta grande vitória, que enche de mais orgulho ainda o Peito Ilustre Dragoniano.


Mais uma história verdadeira que aqui continua e assim continuará a ser contada pelos tempos além!

Armando Pinto

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sábado, 14 de março de 2026

Amílcar Mendes: Colaborador do Jornal O Porto, Basquetebolista do FC Porto e Homem da Cultura Cénica!


Hoje é dia de homenagear um amigo do Grupo de Colaboradores do jornal O Porto. Lembrando-o nesta data, a 14 de março, em virtude de ser um seu dia especial. Vindo a toque da escrita precisamente este mesmo dia, em atenção à correspondente ocorrência havida em tal data de há uns bons anos, reportando a 1940. Porque foi então, a 14 de março de 1940, o "dies natalis" de Amílcar Mendes - o aniversariante do dia, neste dia.

Dando graças pelo dom da vida, aqui se homenageia assim mais um amigo, em modo de lembrar (melhor dizendo, ir lembrando…) os colaboradores do antigo jornal O Porto que se sabe estarem vivos, no conhecimento dos elementos do grupo a que pertencemos, dos COLABORADORES DO JORNAL O PORTO. 

Calha então desta feita trazer a público o Amílcar Mendes, alto e grande em tamanho e qualidades, além da suprema virtude de ser um homem do universo do FC Porto. Um Portista já ligado ao FC Porto pelo menos desde os inícios dos anos 60, quando integrou o Grupo de Teatro do FC Porto criado em 1962 e depois com estreia de palco em 1963. Bem como mais tarde foi atleta de Basquetebol, secção a que seguidamente ficou ligado e de permeio interligado ao jornal O PORTO.

O amigo Amílcar Mendes entrou-me no conhecimento pessoal pelas portas do convívio portista, como pessoa ligada ao Basquetebol do FC Porto e colaborador do jornal O Porto que via em sua imagem de alta figura a fazer entrevistas aos basquetebolistas do FC Porto, além de seu nome ser assinatura das reportagens sobre a atividade basquetebolística do ecletismo portista. Enquanto, na atenção do estudo da história do Clube me fui apercebendo que foi ator de um Grupo de Teatro que fez parte das atividades do FC Porto. Algo de que eu não me recordava, pois à época ainda eu estava em idade infantil, sensivelmente nos meus primeiros tempos de escola primária; mas já lia o jornal O Porto que o meu irmão mais velho recebia como assinante. Porém nesse tempo ainda tinha mais olhos para as imagens do Américo, do Pinto, dos Hernâni, Virgílio, Arcanjo e outros desses que eu conhecia de nome e de cara por os ver ao longe, além das gravuras dos jornais. Até que agora já o conheço bem e admiro seu porte de respeito, mais sua veia de declamador e atento confraternizador. Enquanto, com este artigo, aqui fica escrito meu envio de um abraço de parabéns e sincero desejo que continue a declamar por muitos anos.

Residente no Porto, o Amílcar é contudo natural de São Silvestre-Fogueira/Sangalhos, do concelho de Anadia e distrito de Aveiro. Nessa região de Sangalhos com fama por seus laços ao ciclismo. Onde ele nasceu a 14 de março de 1940 - a data cronológica verdadeira de seu nascimento. Sendo este o dia em que festeja e considera ser o de seu aniversário, ou seja do dia em que nasceu, porque a data oficial, de registo, é 19 de Abril, por ter sido assim que foi registado oficialmente no “civil” (devido ao que antigamente acontecia quando os registos eram feitos fora de tempo e prazo). Sendo agora aposentado, como “Reformado bancário/Actor quando calha”.

Ora, já que não ficou oficialmente indicado o dia verdadeiro de seu nascimento no ato passado na Repartição do Registo Civil, no assento escrito no livro respetivo, exara-se aqui e agora um memorando de seu currículo, como seu percurso merece ficar em letra de forma:

CURRÍCULO

Amílcar Mendes - Actor e Dizedor

Natural de Sangalhos/Anadia. Nascido a 14 de MARÇO de 1940.

DESPORTO:

Atleta de Basquetebol do FC Porto nos anos 60, em cuja Secção continuou depois como colaborador, juntando seguidamente atividade como colaborador/redator do jornal O Porto, ao tempo órgão oficial do FC Porto .  

TEATRO:

Começou como amador, participando em vários grupos (entre os quais o Grupo de Teatro do FC Porto, nos anos 60).

Participou em várias peças dos grupos profissionais: Cair-TE, Sociedade Guilherme Cossoul e Teatro Art’Imagem.

Assistente de Encenação em Amor de Perdição de Romeu Correia (EDMV),Vermelha é a Rosa, de Orlando Barros e História duma boneca abandonada de Alfonso Sastre (Cooperval).

TELEVISÂO:

Participou em episódios das séries televisivas Os Andrades, Clube Paraíso, Major Alvega, Garrett, Sete dias sete noites (infanto-juvenil) todos da RTP, e O olhar da serpente, da SIC.

- Mini curso de Dobragem e dobrador em Vigo.

CINEMA:

Participação no filme francês Lagardére, de Henri Helman.

AUDIO-BOOK:

Participou na gravação de 4 histórias de Sherlock Holmes para a Filvox.

POESIA:

Como dizedor fez a solo e em colectivo dezenas de recitais por quase todo o país.

Realizou recitais em Escolas do Ciclo e Secundárias.

Colabora em apresentações de livros de poesia.

Foi responsável (2000/2002) pelas noites de poesia do mítico Pinguim, no Porto.

Responsável pelas noites de poesia do Púcaros Bar-Porto - no Porto.

Integra os Colectivos Onda Poética Anthero Monteiro com residência na Biblioteca Municipal de Espinho e Magnólia com residência na Biblioteca de São Paio de Oleiros.

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Nota Bene - AGRADECIMENTOS: As notas curriculares, sobre o homenageado aniversariante, deram que fazer ao autor daqui do texto… Pois não tinha elementos suficientes e não os vislumbrava em páginas de acesso. Tanto que para a descoberta (como o Amílcar é homem do teatro e de eventos culturais que metem declamações de poemas) lembrei-me de pedir informações a uma amiga felgueirense com ligações ao meio cénico da região; e através dessa consegui contacto de outra, por sinal amiga comum das três partes ligadas, porque também já a conhecia antes e somos amigos. Assim sendo: Grato fica o autor à Rita Campos, pelo trabalho de pesquisa e envio do currículo, e à Cristiana Rodrigues, pelo encaminhamento informativo. Sem a intervenção das quais não teria sido possível completar a ideia desta homenagem. Cuja intenção - na pertinência de parabenizar o aniversariante - se alarga para lembrar quem foram alguns colaboradores do antigo jornal O PORTO.


Abraço de Parabéns amigo Amílcar !

do

Armando Pinto

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quinta-feira, 12 de março de 2026

Mais um disco para a coleção… pessoal - de teor portista!

 

Chegou aqui hoje um disco antigo de vinil, de temática musical portista, um que faltava e vem assim aumentar o acervo angariado e cá guardado. 

Passou então este a ser mais um com história da coleção portista. Um LP gravado de um conjunto portuense, datado de 1988. Havendo chegado hoje aqui, em dia de jogo, como que a dar bom augúrio para o que ao final do dia de bom aconteceu: A vitória do FC Porto na Alemanha, por 2-1 em casa do Estugarda, esta quinta-feira, na primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa de 2025/2026.

E tal como a vitória do FC Porto, este disco também já cá canta!

Armando Pinto

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