Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

domingo, 2 de agosto de 2026

FC Porto vence a Supertaça de 2026, a 25.ª Supertaça Cândido Oliveira do historial portista e passa a somar 88 provas totais - mais 2 que o Benfica, contrariamente ao que os do regime mentem, querendo juntar uma oficiosa…! Sendo a diferença atual verdadeira de 88 para 86!

FC Porto vence a Supertaça de 2026, a 25.ª Supertaça Cândido Oliveira do historial portista e passa a somar 88 provas totais - mais 2 que o Benfica, contrariamente ao que os do regime mentem, querendo juntar uma oficiosa…! Sendo a diferença atual verdadeira de 88 para 86!

O FC Porto é o vencedor da Supertaça Cândido de Oliveira de 2026. Na final de início da nova época entre os vencedores do Campeonato da 1.ª Liga e da Taça de Portugal da época anterior. Vencendo na final o Torreense, que estava ali por ter derrotado o Sporting na final da Taça.

Com esta vitória o Presidente André Villas-Boas em dois anos de presidência junta 2 Supertaças e 1 Campeonato da Liga no futebol sénior. Com Faroli a juntar já a duas provas por uma vez, de cada uma.

Conseguiu assim a equipa do FC Porto superiorizar-se na final e superar as manobras mais uma vez acontecidas, como com o relvado do estádio em péssimas condições, sabendo-se que isso prejudicaria a equipa mais tecnicista. Sendo de tal modo que o resultado por um golo pode considerar-se satisfatório por ter sido jogado num campo cheio de buracos de falta de relva e erva solta. Sendo assim, por mais que haja quem não goste, os SUPER CAMPEÕES - como está na página oficial do FC Porto:

FC Porto venceu o SCU Torreense (1-0) e juntou a 25.ª Supertaça ao 31.º título nacional

O FC Porto venceu o SCU Torrense por 1-0 e juntou a 25.ª Supertaça Cândido de Oliveira ao 31.º título nacional. Em Coimbra, onde já haviam erguido o troféu por três vezes, os Campeões Nacionais bateram os detentores da Taça de Portugal com um golo de Victor Froholdt e isolaram-se ainda mais como o mais titulado dos clubes portugueses: a partir de agora, passam a ser 88 os troféus expostos no Museu FC Porto.

Francesco Farioli promoveu duas alterações na equipa titular no jogo de apresentação - Diogo Costa rendeu Cláudio Ramos, Alberto Costa rendeu Alan Varela e Pablo Rosario subiu para o meio-campo -, mas foi a formação de Torres Vedras quem entrou melhor, ao visar a baliza portista em duas ocasiões nos primeiros instantes do encontro - Diogo Costa travou ambas as tentativas.

Alertados para os perigos da oposição e do relvado, os Dragões partiram para cima do adversário e responderam de imediato, criando três oportunidades flagrantes nos 20 minutos seguintes: na primeira, André Silva cabeceou à figura de Adriel Ramos; na segunda, Alberto Costa cruzou e o avançado internacional português não deu a melhor sequência; na terceira, Pepê serviu William Gomes de forma exímia, só que o camisola 7 atirou por cima com o pior pé.

As ameaças concretizaram-se antes do intervalo. Na sequência de um lance construído desde trás, Pepê tirou mais um cruzamento perfeito e Victor Froholdt marcou de cabeça o primeiro golo da temporada (1-0). Em cima do descanso, Diogo Costa voltou a dizer “presente” e fechou os caminhos da sua baliza com uma mancha decisiva.

Jan Bednarek apresentou queixas logo ao sexto minuto e acabou substituído por Alan Varela ao intervalo, depois de sofrer um estiramento no joelho direito devido ao mau estado do “relvado” do Estádio Cidade de Coimbra. À passagem da hora de jogo, André Silva viria a testar novamente os reflexos de Adriel Ramos na cobrança de um livre direto, antes de sair por troca com Deniz Gül juntamente com William Gomes, que deu a vaga a Borja Sainz.

Inbeom Hwang rendeu Gabri Veiga aos 73 minutos, Martim Fernandes fez o mesmo a Alberto Costa aos 83 e o internacional sul-coreano esteve perto de fazer o gosto ao pé nos derradeiros instantes do encontro, quando rematou de longa distância com o pé esquerdo e obrigou o guardião torreense a intervir. Após o apito final de André Narciso, a festa fez-se pelos 20 mil portistas que pintaram as bancadas de azul e branco.

VICTOR FROHOLDT ELEITO MVP DA SUPERTAÇA

Médio dinamarquês assinou o golo da vitória do FC Porto contra o SCU Torreense (1-0) e foi considerado o HOMEM DO JOGO.

Victor Froholdt, autor do golo na vitória do FC Porto frente ao SCU Torreense (1-0), foi eleito o Melhor Jogador da Supertaça Cândido de Oliveira.

O médio internacional dinamarquês junta o galardão entregue pela Federação Portuguesa de Futebol aos prémios de MVP e de Jovem do Ano da Liga Portugal 2025/26.

Com este triunfo o FC Porto aumenta a diferença do total de tótulos alcançados nofutebol sénior.

Eis a lista de vencedores da Supertaça Portuguesa, conforne consta na página da FPF, indicando o FC Porto com 25, o Benfica com 9 oficiais, tal como o Sporting com 9, o Boavista 2 e o Vitória SC de Guimarães 1. Havendo 2 não oficiais, ou oficiosas, 1 do Boavista e 1 do Benfica, que obviamnte são oficiosas, não contam. Portanto é abusivo e desonesto o que aparece em certos locia desinformativos, pelos que andam a querer somar mais uma ao Benfica.



VENCEDORES

Supertaça Cândido de Oliveira

2026       FC Porto

2025      SL Benfica

2024      FC Porto

2023      SL Benfica

2022      FC Porto 

2021      Sporting CP

2020      FC Porto

2019      SL Benfica

2018      FC Porto

2017      SL Benfica

2016      SL Benfica

2015      Sporting CP

2014      SL Benfica

2013      FC Porto

2012      FC Porto

2011      FC Porto

2010      FC Porto

2009      FC Porto

2008      Sporting CP

2007      Sporting CP

2006      FC Porto

2005      SL Benfica

2004      FC Porto

2003      FC Porto

2002      Sporting CP

2001      FC Porto

2000      Sporting CP

1999      FC Porto

1998      FC Porto

1997      Boavista FC

1996      FC Porto

1995      Sporting CP

1994      FC Porto

1993      FC Porto

1992      Boavista FC

1991      FC Porto

1990      FC Porto

1989      SL Benfica

1988      Vitória SC

1987      Sporting CP

1986      FC Porto

1985      SL Benfica

1984      FC Porto

1983      FC Porto

1982      Sporting CP

1981      FC Porto

1980      SL Benfica (prova oficiosa)

1979      Boavista FC (prova oficiosa)

Armando Pinto

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sábado, 1 de agosto de 2026

Lembrando: Jogo de estreia de EURICO com a camisola do FC Porto - entre jogos de pré-época, em 1982 (a 1 de AGOSTO: Vitória SC, 1-FC Porto, 2 - em Guimarães)!

 

Em pleno período preparatório para a época de 1982/83 que se avizinhava, ao tempo, houve no fim-de-semana do sábado final de julho e domingo primeiro de agosto, de 1982, uma amostra aos adeptos da equipa sénior do futebol portista em jogos de preparação com alguns dos reforços. Tendo assim, no domingo 1 de agosto, acontecido a estreia do defesa Eurico a jogar pelo FC Porto, então ainda em jogo particular. Ele viera do Sporting junto com Inácio, estreando-se primeiro pelos ares do Norte em representação do grande clube nortenho. 

= Eurico entre as aquisições do FC Porto no defeso de 1982, incluindo o regresso de Gomes, para 1982/83.

Eurico, que antes havia jogado no Benfica e no Sporting, com cujas camisolas já tinha sido campeão por ambos, ingressava então no FC Porto (onde também seria depois campeão, em 1985, de modo que iria ficar como único futebolista campeão pelos 3 grandes clubes portugueses). Tendo então, na sua entrada no FC Porto, em 1982, começado por vestir a camisola em jogo vitorioso, em Guimarães.

Desse mesmo jogo, em crónica a englobar os dois desafios desse fim-de-semana, registou o jornal O Porto informações, através das quais se revê a constituição da equipa portista na estreia de Eurico, a 1 de agosto de 1982:  Vitória S.C. Guimarães, 1-F.C. Porto, 2 -  em Guimarães!

Depois, já no início do campeonato, ocorreu a sua estreia oficial pelos Dragões no dia 21 de Agosto de 1982, em jogo no Campo do Portimonense, em Portimão, com a equipa portista a vencer por 2-1, na 1.ª jornada do Campeonato Nacional de 1982/83. Seguindo-se a caminhada que levou à ida à final da Taça das Taças de 1984 e a Taça de Portugal ganha com a camisola azul e branca nesse mesmo ano, para em 1985 ter contribuído para o seu primeiro título de Campeão Nacional pelo FC Porto, no campeonato ganho ao terceiro ano da presidência de Pinto da Costa, repetindo-se a dose na época seguinte com o segundo campeonato pelo FC Porto, mas sem ter podido jogar muito, por de permeio se ter intrometido grave lesão, sofrida logo na jornada inaugural em jogo com o Benfica, que o FC Porto venceu, mas perdendo esse grande defesa (que com Lima Pereira ao lado, mais João Pinto e Inácio, formou a célebre linha defensiva que foi ao Europeu de França pela Seleção Nacional).

Eurico ainda recentemente foi anfitrião, em seu atual restaurante, de dois encontros, em anos diferentes, dos almoços do grupo dos colaboradores do antigo jornal O Porto - sendo de uma dessas ocasiões a oportunidade havida dele ter autografado um calendário de bolso, que o autor deste blogue tinha há muito tempo guardado. 

Armando Pinto

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Lembrando a conquista da 1.ª taça internacional de provas oficiais: a Taça das Taças da Europa de Hóquei em Patins em 1982.

31 DE JULHO DE 1982  Taça das Taças da Europa de Hóquei em Patins: - o primeiro título internacional do FC Porto, com cunho da equipa de hóquei em patins chegou finalmente na época desportiva de 1981/1982. 

Naturalmente fruto do trabalho anterior, também, em que estiveram envolvidos grandes dirigentes como Sampaio Motta, João Baldaia e Ilídio Pinto, na presidência do Dr. Américo Sá, entre quem formou a equipa desde a época iniciada anteriormente. Culminando já com Pinto da Costa a Presidente, a 31 de Julho, em 1982.

Como foi deveras importante a reformulação da secção de hóquei com a revitalização operada através de boa fornada de reforços na equipa principal, convirá recordar que foi em 1981 o grande passo de patins para o sucesso. Com o regresso de José Fernandes, a contrabalançar experiência com a juventude que estava a chegar, como foram os casos de Vitor Bruno, Vitor Hugo, Alves e outros, para fortalecer a equipa em que sobressaíam Castro, Domingos, Vale, Reis, etc. Mais a entrada de João de Brito como treinador, em retorno ao clube onde antes foi guarda-redes internacional. 

Com efeito, no dia 31 de Julho de 1982 o FC Porto alcançou o primeiro troféu internacional de todas as modalidades do Clube, através do hóquei em patins a nível de provas europeias de clubes na história do FC Porto, ao bater o Sporting na final da Taça das Taças por 20-12 no conjunto das duas mãos.

Ora, no último dia do mês de Julho do ano da primeira gerência presidencial de Jorge Nuno Pinto da Costa, em 1982, o FC Porto foi a Lisboa e ao pavilhão da (antiga) nave de Alvalade defrontar o Sporting, em jogo a contar para a 2.ª mão da final da Taça das Taças da Europa, mas jogando então “descansado” perante o resultado obtido na 1.ª mão, no Porto. Onde, no pavilhão as Antas, o FC Porto havia infligido uma goleada por 13-4. 


Então, sem deixar o adversário pôr patim em ramo verde, descontraidamente aconteceu um jogo de parada e resposta, sem deixar o resultado desnivelar-se, acabando numa derrota pela margem mínima, de 8-7, naturalmente vantajosa para as cores azuis e brancas, pois o total agregado de 20-12 favorável aos hoquistas do FC Porto não deixou margem para quaisquer dúvidas. Tendo os Dragões conquistado o primeiro título da história do hóquei em patins portista e primeiro internacipnal em provas oficiais do palmarés do ecletismo do grande FC Porto.


Entrava então finalmente o hóquei patinado portista no caminho dos êxitos mais salientes, depois das transformações operadas por Sampaio Motta como Seccionista, sobremaneira com autêntica refrescadela que trouxe para o plantel gente jovem que se revelaria importante, junto com Ilídio Pinto na chefia da Secçãonuma obra depois continuada após a chegada a presidente de Pinto da Costa.


Dessa primeira conquista testemunha o feito uma camisola de um hoquista dos que conquistaram esse feito: camisola esta que donairosa enriquece a riqueza pessoal guardada pelo autor deste blogue. Tal como uma medalha das que na época foi possível obter (e está colocada, no escritório do autor, junto a um setique dum dos Campeões Europeus da Seleção Nacional de juniores de 1969). 


Era então, aquando da conquista da Taça das Taças da Europa, a equipa do hóquei em patins orientada pelo treinador João de Brito, antigo guarda-redes internacional, sendo o plantel constituído pelo eterno guarda-redes José Castro, acompanhado por Domingos Guimarães, Vale, Fanã e David Reis, vindos de anteriores temporadas, mais José Fernandes, e ainda os jovens António Alves, Vítor Bruno e Vítor Hugo, que haviam entrado no clube provindos do Valongo e Académica de Espinho, respetivamente.


De tão apreciável e sobretudo histórica conquista do FC Porto ficou esse feito registado no jornal O Porto, em sua edição de publicação seguinte – de cujas páginas para aqui se transpõe a imagem de primeira página (mais acima) e pequena reportagem correspondente.


Também de um outro jornal, no caso externo e com redação em Lisboa, o Gazeta dos Desportos, ao tempo existente, se recortam algumas imagens e uma crónica, mais declarações na cabine portista.


De tão apreciada conquista do FC Porto, quão apetível vitória, ficaram algumas recordações possíveis também na posse do portista entudiasta do hóquei azul e branco que agora recordo este facto histórico. 


Armando Pinto
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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Na calha do aniversário de Pinga: Uma taça desaparecida mas que existiu... a Taça Ibérica de 1935 - a primeira das duas realizadas competições não oficiais entre os campeões de Portugal e Espanha.

Por estes dias quentes de finais de JULHO, em que no calor do interesse portista vem à lembrança o aniversário natalício do primeiro fenónemo da Madeira, como foi Artur de Sousa "Pinga"; e como anda na ordem do dia o tema do FC Porto ser o clube com mais títulos oficiais de futebol sénior, contra a campanha dos que querem associar ao Benfica títulos não oficiais; acrescido do facto de por estes dias haver um artigo publicado sobre uma taça não oficial do FC Porto, cujo trofeu está invisível às gerações presentes, não se podendo ver na atualidade, por assim dizer (porque em tempos desapareceu do museu e do património portista, fosse quando e como fosse)... convém frisar que, embora não contando entre títulos oficiais, esse título e a taça respetiva existiram mesmo e constam dos dados históricos conhecidos. Isto porque a imagem do FC Porto tem de sempre ser salvaguardada e entre nós portistas não há invenções, nem taças de cartões. Muito menos se juntam taças não oficiais, tanto desta primeira Taça Ibérica, de 1935, como da segunda de 1947 (havendo desta mesmo o troféu correspondente e patente no Museu do FC Porto). Vindo a propósito relembrar a existência dessa 1.ª Taça Ibérica porque foi ganha no tempo do Pinga e porque a imagem do FC Porto tem de ser defendida justificadamente. Como, por exemplo, está referido até num livro publicado pelo jornal A Bola e mais recentemente também na revista Dragões. 

Assim sendo, na pertinência da ocasião, reforça-se o facto.


Ora, foi isso no ano de 1935 – em que no dia 7 de Julho o FC Porto, então também campeão nacional, venceu o Bétis de Sevilha, campeão espanhol, num amigável considerado como "Taça Ibérica". Tinha o FC Porto uma equipa de grandes valores, como Pinga, Carlos Nunes, António Santos, Valdemar Mota, Soares dos Reis, Avelino, Pocas, Carlos Pereira, Jerónimo, Carlos Mesquita, João Nova, Castro e C.ª, em que praticamente quase todos foram à seleção nacional, o que era e é caso raro; porque como é sabido, para um portista ser chamado à equipa da Federação Portuguesa de Futebol tem de ser mesmo muito bom, não bastando mais, mas sim ter de ser muitíssimo superior aos outros.


Pois esse facto e tal feito ocorreu então nesse dia que em 1935 foi a um domingo. O caso tem sido ainda bem lembrado pela efeméride do dia 7 de julho, na rubrica Aconteceu, em "Dragões Diário”, relatando isso: «Domingo, 7 de julho de 1935: o Porto é hoje a capital do futebol da Península. No Campo do Ameal estão 15 mil espectadores, autoridades civis, militares e consulares, para assistir à primeira edição da Taça Ibérica, a prova que opõe o campeão de Portugal ao de Espanha. O FC Porto joga com o Bétis e chega ao intervalo a ganhar por 1-0, com um golo de Pocas, médio em estreia absoluta na equipa de Szabo. No reatamento, Pinga eleva rapidamente a marca para 3-0, os andaluzes ainda reduzem, com dois golos em dois minutos, mas não conseguem parar Pinga nem evitar que ele estabeleça o 4-2 final. Aplausos para o primeiro campeão ibérico, recém-consagrado campeão da I Liga, que também era o primeiro vencedor do Campeonato de Portugal e que depois conquistaria o primeiro Campeonato Nacional da I Divisão e ainda a primeira edição oficial da Supertaça. Sempre o primeiro.»


Tamanha ocorrência, para o tempo, merece mesmo ser relembrada, de modo a que seja conhecida. Como noutros tempos até era, mas não na comunicação social comandada pelo clube do regime... Embora num livro editado há anos pelo jornal A Bola, pela pena do grande jornalista e igualmente investigador António Simões, haja referência a isso mesmo - como recortamos para aqui, a dar efeito da justa rememoração.

Assim, ilustra-se o tema com esta lembrança alusiva, através de recorte da parte respeitante ao FC Porto na obra publicada pelo jornal A Bola, "Glória e Vida de 3 Gigantes".


Também, igualmente sobre o mesmo assunto foi publicado em 2014 um texto muito completo na rubrica “Os Imortais”, da edição de abril desse ano da Revista “Dragões”, publicação mensal oficial do FC Porto. De onde para aqui transpomos o mesmo artigo, em reforço desta jornada gloriosa do FC Porto:


« TRÊS GOLOS DE PINGA, UMA GOLEADA E A PRIMEIRA TAÇA IBÉRICA

A 7 de julho de 1935, o FC Porto venceu o Bétis e a primeira prova que opôs os campeões de Portugal e de Espanha

Por Victor Queirós

O imortal FC Porto de Szabo acumulou registos impressionante através da bravura de equipas preparadas para atacar: O Real Bétis Balompié e outros campeões espanhóis acabaram vergados ao poder de linhas atacantes constantemente renovadas e com uma capacidade ímpar para marcar. Só Pinga fez três dos quatro golos da vitória na primeira edição da Taça Ibérica, disputada em 1935.

Historicamente, foi o FC Porto quem desbravou os caminhos de todas as principais competições regionais e nacionais. Desbravou-as e conquistou-as. Essa queda especialíssima para vencer todas as primeiras edições das provas prioritárias criadas em Portugal estendeu-se à Taça Ibérica, prova de referência em que a capacidade dinamizadora do FC Porto do século XX esteve sempre presente.


É com um orgulho natural que o FC Porto olha para a História e se revê vencedor do primeiro Campeonato de Portugal (1922), do primeiro Campeonato da I Liga (1935), do primeiro Campeonato Nacional da I Divisão (1939) e da primeira edição oficial da Supertaça (1980/81). E, ao alargar das fronteiras, da primeira edição da Taça Ibérica, a 7 de Julho de 1935.

A vocação para fazer história resume essa rara qualidade do FC Porto, capaz de se impor em qualquer circunstância, mesmo desconhecendo em rigor o real valor dos adversários, como era o caso do Real Bétis Balompié, o campeão espanhol que defrontou o campeão português na primeira edição da Taça Ibérica, sendo de notar que, por esses tempos, Espanha era vista como uma das maiores potências europeias e “sovava”, regularmente, a selecção portuguesa em goleadas que chegaram a atingir os 9-0…

Um dos grandes méritos do FC Porto ao longo de mais de um século de existência foi essa invulgar capacidade de rasgar fronteiras, como voltou a ficar provado no triunfo sobre o poderoso Bétis, com os temíveis goleadores Simon Lecue e Victorino Unamuno. O último transferiu-se, mais tarde, para o Atlético Aviación (hoje Atlético de Madrid), marcando golos atrás de golos no campeonato espanhol.


Mas o FC Porto de Szabo, o primeiro campeão da I Liga, já era uma equipa do mundo. Desde 1930, adquirira a boa prática de abater os melhores conjuntos europeus e mundiais e, na coleção particular de vítimas de primeira grandeza, estavam os campeões da Hungria, da Checoslováquia, da Áustria, ou o invencível Vasco da Gama de 1931.

Entre 1930, após a entrada de Pinga, e 1935, com a fusão do trio Waldemar-Pinga-Acácio, ninguém escapou ao poder de fogo deste trio infernal e a primeira edição da Taça Ibérica seria, com alguma naturalidade, marcada por mais uma poderosa demonstração de superioridade do FC Porto e, em particular, de Pinga, autor de três dos quatro golos que derrotaram o campeão espanhol.

Num Ameal superlotado de público e de autoridades civis, militares e consulares, o FC Porto chegou ao intervalo a vencer por 1-0, com um golo fortuito, raro e feliz, de área a área, obtido por Pocas, médio transmontano em estreia absoluta. No reatamento, Pinga elevou rapidamente a marca para 3-0.

Um breve lapso de evasão, associado à qualidade da equipa espanhola, permitiu que Caballero e Unamuno, no espaço de apenas dois minutos, reduzissem para 3-2. Sentindo o perigo, Pinga sacou do seu inesgotável arsenal mais uma diabrura e bateu Urquiaga para estabelecer o 4-2 final, muito mais concordante com a realidade do jogo e, ainda assim, vagamente lisonjeiro para o Bétis.

Estava encontrado o primeiro campeão ibérico. Pena que a eclosão da Guerra Civil espanhola tenha congelado a prova e perturbado a realização dos campeonatos espanhóis, cujos vencedores não foram reconhecidos durante o período (1936-1939) em que o conflito não deu tréguas.

O facto de as autoridades desportivas espanholas não terem atribuído oficialmente o título nesses três anos impediu que se colasse ao jogo o rótulo formal de segunda Taça Ibérica. Mas que houve taça, lá isso houve… E mesmo sem Taça Ibérica oficial (só reatada em 1984), a tradição ainda se manteve por alguns anos.


O FC Porto era o alvo preferido dos campeões espanhóis e, além de derrotar várias vezes o orgulhoso Real Madrid nos anos 1940 e 1950, seria uma vez mais a primeira equipa portuguesa a bater, em Espanha, um campeão espanhol: o Valência, em Outubro de 1947.

Este Valência, que dominou a década de 1940 (três títulos e duas Taças do Rei) era um brutal ministério de atacantes comandado pelos imortais Edmundo Suárez e Epifanio Fernández, dupla de área que ganhou o apelido de “ataque eléctrico”, ainda assim incapaz de eletrocutar o FC Porto do argentino Eladio Vaschetto, também ele um colossal ex-avançado da escola do River Plate, com centenas de golos espalhados pelo Rive, pelo Colo-Colo (Chile) e pelo Puebla (México), três dos grandes sul-americanos do século XX.

FC Porto-Bétis, 4-2
Campo do Ameal, no Porto
7 de Julho de 1935 (15h00)
Assistência: 15.000 espectadores
Árbitro: José Pereira (Coimbra)

FC PORTO: Soares dos Reis; Avelino Martins, Jerónimo; Nova, Pocas, Carlos Pereira; Waldemar Mota, Pinga, António Santos, Carlos Nunes, Carlos Mesquita
Jogaram ainda: Álvaro Pereira, Raul e Castro
Treinador: Joseph Szabo

BÉTIS: Urquiaga; Arego, Aêdo; Peral, Gomez, Lecue; Saro, Adolfo, Unamuno, Caballero, Valera.
Jogaram ainda: Timimi, Espinosa e Fernandez
Treinador: Joseph O’Connell

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Pocas, Pinga (3); Caballero e Unamuno

Quando Jerónimo pagou a viagem a Szabo

Nos oito excecionais primeiros anos em que comandou o FC Porto (1 Campeonato de Portugal, 1 Campeonato da I Liga, 7 Campeonatos do Porto), Szabo, médio internacional húngaro que foi jogador e treinador do FC Porto nos dois primeiros anos (1928 e 1929), viveu muitas vezes longe da família, já que a esposa preferia ter os filhos na Hungria. Mas, à altura, nem os mais reputados técnicos de então ganhavam o suficiente para se permitirem ao luxo de viagens regulares aos países de origem. Sem fundos para ir conhecer o último filho, que nascera seis meses antes em Budapeste, a prenda de Szabo pela conquista da Taça Ibérica foi o mais singelo acto de amizade: Jerónimo, defesa internacional portista gerado no seio de numa família de posses, pagou a viagem ao treinador em nome da equipa.

985 golos com Szabo no banco

O primeiro período de Joseph Szabo no FC Porto (1928 a 1935) foi o mais produtivo da história do FC Porto. Golo era o credo de Szabo e, nesses oito anos, a sua equipa marcou 509 golos! Uma barbaridade que se explica de forma objetiva: dispunha de atacantes como Pinga, Waldemar Mota, Acácio Mesquita, Norman Hall, Simplício, Balbino, Lopes Carneiro, Carlos Mesquita, Carlos Nunes e António Santos, jogadores com lugar em qualquer passeio da fama de qualquer grande clube mundial. Noventa anos depois, Szabo ainda é o treinador com mais golos na história do FC Porto: 985, em 306 jogos oficiais. Contabilizados os jogos particulares (790 golos), a conta atinge os 1775 golos. Brutal. »

Armando Pinto
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Aniversário do nascimento de Pinga, o célebre Artur de Sousa “Pinga”…!

30 de julho - data que foi e é do aniversário natalício de Artur de Sousa “PINGA”, nascido em 1909 nesse dia que foi numa sexta-feira. Sendo desde então esse o dia celebrativo de seu nascimento, acontecido na ilha da Madeira, na cidade do Funchal, onde tem uma rua com seu nome. Esse astro do mundo do futebol dos anos 30 e 40, que (como lembra o jornalista António Simões) «Cândido de Oliveira considerou-o o melhor jogador português da primeira metade do século 20 e só a custo companheiro pôs Eusébio a seu nível…»

(«...Algures por 1945 (com ele a caminho do adeus), numa das primeiras edições de A BOLA, Cândido de Oliveira escreveu artigo a vacilar na dúvida sobre se o Melhor Jogador Português de Todos os Tempos era Artur José Pereira ou era Pinga – e escolheu Pinga. E, estando-se já em 1984, Carlos Nunes (seu companheiro no FC Porto) afiançou-o a Carlos Pinhão (numa entrevista em A BOLA):

— Nunca houve outro jogador como Pinga!

Pinhão, intrigado, retorquiu-lhe:

— Nem Eusébio?

e Carlos Nunes condescendeu (mas só um pouquinho…):

— Bom, na verdade, comparável ao Pinga só mesmo o Eusébio. Houve e há outros grandes jogadores, como o Tamanqueiro e o Carlos Alves, dos meus tempos, como agora o Chalana, mas o Pinga e o Eusébio foram apenas foras-de-série. Eu jogava ao lado dele, mas, às vezes, até me dava vontade de parar a admirá-lo. Nunca vi um jogador assim, a dominar a bola em velocidade, a dominar para a frente e sempre com a bola controlada. Era esse o seu segredo, a sua técnica. Quando arrancava assim ou passava mesmo ou era falta, só em falta podia ser parado

e, depois, sobre tudo isso, Pinga ainda tinha um drible que era magia, um remate que era pólvora. E tinha mais, também, fora das quatro linhas – e foi à conversa com Carlos Pinhão que Carlos Nunes soltou de si outra confidência:

— Era uma personagem fantástica, o senhor Cândido. Quando esteve preso pela PIDE, antes de o mandarem para o Tarrafal, eu e o Pinga chegámos a ir vê-lo a Caxias, por influência do capitão Maia Loureiro. Ficámos muito impressionados, estava numa cela miserável. Depois, quando o senhor Cândido veio treinar o FC Porto, já nos anos 50, foi buscar o Pinga para seu adjunto, por aquele sentimentalismo que nunca perdia. Quis fazer-lhe bem, talvez lhe fizesse mal, o Pinga tinha pouco jeito, bebia muita cerveja e morreu novo, daquela terrível doença no fígado…

… morreu a 12 de julho de 1963, quando o FC Porto o tinha posto a tratar da sua Escola de Jogadores.»)

= Pinga na equipa do FC Porto - em 1938

Mais conhecido por Pinga, o cidadão Artur de Sousa, madeirense que depois faleceu no Porto no dia 12 de Julho de 1963, com 56 anos e a poucos dias de completar 57 no mesmo mês, estando sepultado no Mausoléu do Futebol Cube do Porto, no cemitério de Agramonte, campo santo junto à rotunda da Boavista, na cidade do Porto, é assim um dos símbolos portistas e grande nome do futebol português que é constante recordação.

Tal como aqui, neste blogue, se têm sucedido artigos em sua memória, como se pode recordar por alguns dos diversos exemplos (clicando) em:

- https://memoriaporto.blogspot.com/2021/07/112-anos-do-nascimento-de-artur-pinga.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2015/11/recordando-pinga-proposito-da-efemeride.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2025/12/efemeride-do-golo-200-de-pinga-em.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2022/12/quando-pinga-foi-tentado-com-um.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2020/06/selo-do-pinga-no-porto-nos-museus-do-fc.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2023/07/efemeride-despedida-de-pinga-como.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2023/07/homenagem-pinga-na-passagem-de-60-anos.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2015/11/do-trofeu-pinga-ao-dragao-de-ouro.html

- https://memoriaporto.blogspot.com/2022/12/efemeride-memoravel-gala-de-entrega-dos.html

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Armando Pinto