Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Tempos de magra memória…


Esta época futebolística de 2013/2014 foi má de mais para as cores azuis e brancas do F. C. Porto, com um comportamento algo estranho da equipa principal, mais escolha de treinador inicial que se mostrou péssima, ao que adveio substituição menos conseguida também. E tudo numa planificação da época deveras abaixo do habitual, inclusive com uma organização aquém do que era apanágio do clube. Chegando-se ao ponto de alguns futebolistas terem passado o tempo a pensar neles, em vez dos interesses coletivos, como se notou nas constantes mensagens para o exterior, com padecimento do interior da estrutura, além de outros que tais. Num panorama que todos os Portistas, por fim, mesmo sem andarmos muito por dentro desse mundo dos bastidores, acabamos por nos aperceber, tais as evidências, diante das consequências visíveis.

Perante isto, apenas resta esperar que o campeonato acabe, antes que haja mais desastres nos resultados; e que, sobretudo, para o ano, como se costuma dizer, a situação melhore, com melhores reforços e fixações. Bem como será de lembrar à Direção do F. C. Porto e extensiva SAD que façam um exame de consciência, lembrando como encontraram o clube em 1982, quando foi prometido devolver o clube aos sócios, quando afinal até nem os equipamentos foram respeitados, entretanto. E, porque o F. C. Porto é uma espécie de religião, também, há que reparar que no F. C. Porto, que é o que nos interessa, no caso, não pode acontecer como em certas organizações religiosas, segundo se sabe pela história, cujos membros nos inícios nem podiam andar de cavalo, por votos de contenção, e hoje se fartam de andar de carro, barco e avião…

Porém, porque este espaço é dedicado mais à memorização, fixamos, de permeio, um vislumbre retrospetivo de âmbito histórico, pois que ainda assim esta não foi a pior temporada, de que temos memória pessoal. Sabendo-se que houve um ano, corria a época de 1969/70, em que estranhamente o F. C. Porto se quedou num modesto 9.º lugar no campeonato nacional.

= Equipa do F.C. Porto  - 1969/70 (em cima): Aníbal, Sucena, Pavão, Vieira Nunes, Valdemar e Gualter; (agachados) Lisboa, Salim, Custódio Pinto, Rolando e Nóbrega.

Por isso, porque normalmente dos fracos momentos não reza a história, poucas réstias desse tempo sobreviveram em nossos arquivos. Recordando-nos de havermos tido um poster gigante, distribuído com uma edição da revista Flama, com grande imagem da equipa do F. C. Porto que iniciou a época no verão de 1969… mas depois, por não ter deixado boas recordações, não chegamos a guardar aquilo, como com outros exemplos. De modo que agora, para ilustrar este arrazoado, nos socorremos duma fotografia da mesma formação (que encima o artigo), retirada, com a devida vénia, do blogue “dragãodoporto”. Equipa essa do F. C. Porto, de 1969/70, em cuja pose ficaram (e se pode ver ao cimo): A partir da esquerda e em 2º plano, de pé - Vaz, Acácio, Rolando, Vieira Nunes, Valdemar, Pavão, Sucena e Aníbal; em 1º plano, agachados – Rubens Salim, Seninho, Chico Gordo, Ronaldo, Eduardo Gomes, Custódio Pinto e Nóbrega.

Proveio aquela acidentada época após o ano em que o campeonato de 1968/69 foi perdido quase na reta final. E como o guarda-redes Américo teve de abandonar o futebol, devido a grave lesão num joelho, ao passo que o seu substituto Rui esteve indisponível no início da época que se seguia, por lesão passageira, começou o campeonato com a guarda da baliza entregue ao então jovem  Aníbal, a quem se seguiu Vaz; e depois, porque o regresso de Rui também não foi muito auspicioso, ainda foram utilizados mais os guarda-redes Antenor e Frederico. Tal qual no resto do plantel se sucederam os jogadores utilizados, na maioria dos casos jovens com pouca prática e quase à experiência, de tal forma que os mais rodados e de valor firmado pouco conseguiram fazer.

Pois sim, mas nem só atrás houve raridades tais, já que no ataque apareceu um brasileiro, de nome Ronaldo, que vinha rotulado de goleador, mas como não marcava golos foi recuado para defesa, mais tarde; e, enfim, depois houve aquisição de Rubens Salim, que nem de selim sabia aparecer para marcar golos… passando de avançado a médio, ou onde fosse preciso. Motivando que na maior parte dos jogos a equipa alinhou sem avançado-centro, como por esses tempos eram denominados os homens de área, com especialidade de marcadores de golos.


Desse ano, como exemplo, colocamos outra imagem duma formação em que alinhou de início um dos tais guarda-redes do quinteto utilizado, através duma foto que, também com a devida vénia, tem créditos do blogue “Memória Azul”. Na qual se incorporaram (a partir da esquerda, e em cima): Antenor, Rolando, Valdemar, Vieira Nunes, Sucena e Gualter; e em baixo – Chico Gordo, Pavão, Custódio Pinto, Eduardo Gomes e Nóbrega.

Nesse período a equipa portista, vá lá, conseguiu uma participação na prova europeia, em que esteve, não muito diferente de anos anteriores, como o que por norma ocorria, pois o máximo que era conseguido costumava ser até passar à 2.ª eliminatória, ou pouco mais. Tendo-se revelado então o jovem Helder Ernesto com um aparecimento prometedor, contudo sem continuidade, à posteriori. Tendo depois a carreira internacional da equipa, nesse ano, derrapado diante dos ingleses do Newcastle – a que se reporta a gravura seguinte (esta guardada entre as papeladas de arquivo do autor, por algumas curiosidades, como o caso do equipamento todo branco, quando nesse tempo o alternativo tradicionalmente histórico consistia de camisola branca e calção azul).


Fica assim este bosquejo que não é muito agradável mas convém sempre recordar, pois nem só de bons momentos é feita a história duma grande coletividade, como o F C Porto, obviamente. E as lições do passado devem sempre servir para o futuro.

Assim sendo, como dizia o poeta: Como não pôr no Porto uma esperança…?!

Armando Pinto
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