Está na ordem do dia a paixão e fidelidade dos Portistas, capazes
de suportar antigamente longos anos em secura de vitórias na modalidade
considerada desporto-rei, quando o F. C. do Porto passou pelas travessias do
deserto como foram os tais 16 e 19 anos de tempestades de areia aos olhos pelo
regime vigente nesses tempos, sem se poder conhecer a alegria da conquista do
principal campeonato nacional de futebol durante esses longos períodos… como
depois fomos compensados na fartura de títulos que se seguiu, nomeadamente nos recentes
25 anos entretanto já passados… e agora correspondemos ao apelo clubista de
contribuição para a preservação memorial, ajudando a tornar realidade o
enriquecimento estimativo do Museu do F C Porto…
Com efeito, o que dá vida a uma instituição coletiva é a
existência de pessoas seguidoras e interessadas na existência da respetiva
organização. Como se verifica perante a realidade dos simpatizantes duma
coletividade e, no caso, se concretiza no apoio a uma agremiação que, assim, é
engrandecida. Tal sucede naturalmente com o F C Porto na relação com a
imensidão de apoiantes, quer associados ou normais adeptos e simpatizantes. Num
universo a que se chama massa associativa no âmbito dos sócios e no cômputo
geral será mais indicado definir como massa Portista.
Massa humana esta que, noutros termos, temos para nós também
como Família Portista. Pela afinidade e empatia que se sente entre elementos com
o mesmo denominador comum, quanto é o F C Porto. Havendo naturalmente certa
ligação, simpatia relacionada, sintonia de compreensão, entre Portistas.
Conforme sentimos sempre que sabemos de mais alguém como nós, Portista.
Ganhando-se sempre mais amigos em tal conformidade, como bons exemplos que
estes meandros vão proporcionando, sejam quais forem… Manuel, Tiago, Paulo,
Pedro, Fernando, Bruno, Eduardo, Sérgio, Vítor… e por aí fora, de maior ou menor experiência
de vida, mas Portistas.
Ora, um destes dias, num grupo de Portistas, a que honrosamente
pertence o autor, e onde por vezes conversamos por via informática, veio esse
tema à baila, precisamente. Dando azo ao que tínhamos em mente transmitir,
aqui, sem necessitarmos de expandir muito mais ideias próprias, a modos de bastar
retermos a corrente base, através de palavras escritas por alguns desses nossos amigos
e correligionários Portistas.
Assim sendo, fixemo-nos neste mote, na certeza que apoiante
produz algo como cimento afetivo que suporta a estrutura central do clube e
obviamente da respetiva equipa de futebol. Sendo que está generalizado já o
termo estrangeirado "supporter", ou seja, aquele que suporta,
derivado de na Inglaterra essa palavra designar o conjunto dos apoiantes. Também
por isso o F. C. Porto sempre foi e sempre será grande. Honra para a sua
singular e insuperável massa apoiante, a sua primeira substância nutritiva e
principal força motora.
Neste pé vem a propósito, por arrasto, a questão semântica e
real de adepto. Porque entusiastas, como nós, não somos simples adeptos de um
clube, mas sempre apoiantes. Consoante a própria palavra inglesa quer dizer,
"apoiante". Embora existam adeptos, como na prática, por exemplo,
qualquer um é adepto dum movimento, contra uma desumanidade de alcance público
e até de qualquer existência relativa. Sem contudo haver implicação demasiada,
pois um adepto é especialmente espectador não ativo. Enquanto um apoiante, apoia,
faz força e segura e assegura.
Nesta transcrição adaptada do que expressavam, como referimos,
os nossos amigos, vinha a talhe de foice a constatação que no passado o F. C.
Porto beneficiava do facto das pessoas portistas serem 101% APOIANTES, fossem
ou não sócias, a pontos que o nosso estádio das Antas fazia a equipa dos nossos
adversários passar mal. E o chamado Tribunal intimidava até os nossos próprios
jogadores!
Questão esta que está na ordem do dia. A massa de
simpatizantes, adeptos casuais, espectadores, é hoje em dia superior aos
adeptos apoiantes, sócios ou não, numa proporção já muito relevante. E isso tem
reflexos concretos no nosso estádio do Dragão, em cujas cadeiras de notam
alguns descontentes sempre com qualquer coisa, dos chamados pipoqueiros. Intrometendo-se,
por vezes, alguns simples espetadores, daqueles que recebem convites dos que
são atribuídos a empresas de parceria comercial, entre diversificadas
ocorrências.
Vem então a preceito uma interrogação: Será que os clubes, por muito dinheiro que
possam ter ou gerar, serão capazes de se manter, se não forem suportados pelos
apoiantes? Há opinião, por um lado, que se for feita uma aposta em quem paga, poderá
ser que sim. Havendo casos em que obviamente isso foi feito, tal qual um exemplo
como é o do Barcelona, que será um dos mais emblemáticos, enquanto associação que afinal é o Barça, bem como ainda é o F C Porto. Por outro lado pode isso já não ser
muito viável. Contudo, tirando a alma a um clube, ele acaba por morrer, porque
quem lá está por dinheiro, rapidamente desaparece quando não se ganhar. Se o F.
C. do Porto na década de sessenta e até mais de meio dos anos setentas fosse um
clube sem os seus apoiantes, e então esse tempo já fosse em período de SAD's,
provavelmente não teria sobrevivido a tanto insucesso e a tantas angústias. Sendo
antes um Dragão adormecido, que a partir de 1976/77 e especialmente desde
1982/83 despertou. Detendo há já uns bons anos a marca de estatuto
internacional.
Na razão afirmativa, repare-se em como uma publicação
oficial do F C Porto honrava em 1988 a multidão dos apoiantes, em pleno crescimento.
Agora parte integrante também do palco dos sonhos do estádio do Dragão, do aconchego
vibrante do Dragão Caixa e do deslumbramento possível no Museu. Em espirais de
incenso, qual fumo das claques e emoções pulsadas nos corações ardentes dos apoiantes.
Armando Pinto
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