O FC Porto passa a ter um jovem açoriano nas fileiras azuis
e brancas com a chegada de João Afonso, aquisição do guarda-redes contratado
pelo FC Porto, de 19 anos, proveniente do Santa Clara. Em princípio
para integrar a equipa B, em modo de ganhar experiência e mostrar-se mais e
melhor, de forma a estar em permanente contacto e observação pela equipa
principal. Sendo esse mesmo jovem já internacional português dos Sub-21 um
reforço, que traz dos Açores a particularidade de ser continuador dos poucos
açorianos que já tiveram o símbolo do FC Porto ao peito, em jogos oficiais de
futebol. Numa linha iniciada com o avançado Ângelo nos finais da década dos anos
40, de 1947 a 1949, como mais tarde aconteceu de permeio, embora em ténue passagem, com o caso de
Pauleta que jogou pela equipa de juniores do FC Porto, em 1990/91. Em cuja formação júnior Pedro
Pauleta foi Campeão Nacional, antes de ter regressado ao CD Santa Clara para continuar a sua carreira no futebol sénior, rumando depois ao estrangeiro e por
terras de Espanha e França ganhou galões de grande nome do futebol internacional,
sem nunca ter chegado porém a jogar em Portugal no principal Campeonato Nacional.
Até que agora um terceiro açoriano passa a integrar o futebol do FC Porto, o
guardião João Afonso. Num trio em que o iniciador dos ares dos Açores chegados
à Invicta merece pois ser recordado.
Ângelo, de nome completo Ângelo Vasconcelos Silveira Faria,
nasceu na ilha Terceira, nos Açores. Aí começou por jogar no Lusitânia de
Angra do Heroísmo e em 1947 rumou ao F.C. do Porto, tendo ingressado no plantel
portista na temporada de 1947/48. Havendo-se estreado na equipa principal azul
e branca no jogo inicial do campeonato dessa época, a contar para a 1.ª
jornada do Campeonato Nacional no Campo da Constituição, em que os portistas
receberam e venceram o Elvas C.A.F. por 4-0, a 16 de novembro de 1947 (em dia
de "poquer" de António Araújo, autor dos 4 golos do jogo).
Depois disso, Ãngelo, como avançado que era e com muita concorrência
pela frente dentro da equipa portista, tendo jogado a extremo direito e interior
direito e esquerdo, conforme foi preciso, enquanto nesses lugares haviam
jogadores como Lourenço, Sanfins e outros, não chegou a ter muitas
oportunidades, sabendo-se como nesse tempo só podiam jogar os que iniciavam os
jogos, sem haver substituições. Então Ângelo Faria representou o F.C. Porto
durante duas temporadas, enquanto disputou oito partidas oficiais e marcou 3 golos, pela equipa principal (sem contar os jogos pelas Reservas/equipa B), tendo ajudado a
conquistar a Taça Associação de Futebol do Porto em 1947/48.
Em jogos de carácter particular esteve presente a 19 de
Outubro de 1947 no dia em que os Dragões foram a Espanha defrontar o Valência C.F., quando os
portistas regressaram a casa com a taça correspondente de terem vencido os campeões espanhóis, como aconteceu por
1-0, golo de Virgílio, a carimbar tal triunfo na 2.ª Taça Ibérica, disputada
entre os campeões dos dois países vizinhos.
Com efeito, Ângelo Faria esteve ligado a essa vitória
ibérica de 1947, duma taça que teve duas versões, não oficiais mas jogadas, uma em Portugal, no Porto e outra em Espanha, em Valência. Na sequência de em tempos
mais antigos ter havido a primeira edição dessa chamada Taça Ibérica em 1935, repetindo-se então
outra em 1947, a segunda do tempo do Ângelo. Tendo a primeira sido ganha pelo FC Porto
diante do Bétis, em jogo disputado a 7 de julho de 1935, no tempo do Pinga.
Mais tarde, após a Segunda Grande Guerra, houve novo confronto ibérico com o
mesmo fim, em 1947, esse com o Valência, para essa taça que o FC Porto voltou a
vencer, aí por 1-0, através de um golo de Virgílio, em jogo realizado em
Espanha, a 19 de outubro de 1947; e no qual, no onze portista entrado em campo,
esteve Ângelo Faria, participante nessa taça por fim entregue ao capitão Vítor Guilhar.
= Legenda - a contar da esquerda para a direita: em baixo - Virgílio, Ângelo Faria, Sanfins, Lourenço, Araújo, Correia Dias, Gastão e Catolino; em cima - Francisco Gonçalves (massagista), Guilhar, Joaquim, Romão, Carvalho, Vascheto (treinador), Chico, Alfredo Pais, Carlos Vieira, Marques e Barrigana.
No final da época de 1949, Ângelo Faria deixou o F.C.
Porto e regressou aos Açores onde ainda jogou no S.C. Lusitânia de Angra do
Heroísmo.
= Ângelo Faria, depois de ter regressado à sua Ilha Terceira, com a camisola do Lusitânia de Angra do Heroísmo (foto captada e enviada por Hernâni Rocha).
Nota: Para estas informações, além do material angariado em publicações, contou aqui o autor com o que está publicado no blogue “Estelas do FCP” do amigo Paulo Moreira e especiais esclarecimentos do amigo Hernâni Rocha, da Fonte do Bastardo/Praia da Vitória, dos Açores.










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