Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Ângelo Faria: o primeiro futebolista dos Açores no FC Porto - antecessor do primeiro reforço de 2026 - a propósito da aquisição do jovem guarda-redes açoriano João Afonso!

O FC Porto passa a ter um jovem açoriano nas fileiras azuis e brancas com a chegada de João Afonso, aquisição do guarda-redes contratado pelo FC Porto, de 19 anos, proveniente do Santa Clara. Em princípio para integrar a equipa B, em modo de ganhar experiência e mostrar-se mais e melhor, de forma a estar em permanente contacto e observação pela equipa principal. Sendo esse mesmo jovem já internacional português dos Sub-21 um reforço, que traz dos Açores a particularidade de ser continuador dos poucos açorianos que já tiveram o símbolo do FC Porto ao peito, em jogos oficiais de futebol. Numa linha iniciada com o avançado Ângelo nos finais da década dos anos 40, de 1947 a 1949, como mais tarde aconteceu de permeio, embora em ténue passagem, com o caso de Pauleta que jogou pela equipa de juniores do FC Porto, em 1990/91. Em cuja formação júnior Pedro Pauleta foi Campeão Nacional, antes de ter regressado ao CD Santa Clara para continuar a sua carreira no futebol sénior, rumando depois ao estrangeiro e por terras de Espanha e França ganhou galões de grande nome do futebol internacional, sem nunca ter chegado porém a jogar em Portugal no principal Campeonato Nacional. Até que agora um terceiro açoriano passa a integrar o futebol do FC Porto, o guardião João Afonso. Num trio em que o iniciador dos ares dos Açores chegados à Invicta merece pois ser recordado.

Ângelo, de nome completo Ângelo Vasconcelos Silveira Faria, nasceu na ilha Terceira, nos Açores. Aí começou por jogar no Lusitânia de Angra do Heroísmo e em 1947 rumou ao F.C. do Porto, tendo ingressado no plantel portista na temporada de 1947/48. Havendo-se estreado na equipa principal azul e branca no jogo inicial do campeonato dessa época, a contar para a 1.ª jornada do Campeonato Nacional no Campo da Constituição, em que os portistas receberam e venceram o Elvas C.A.F. por 4-0, a 16 de novembro de 1947 (em dia de "poquer" de António Araújo, autor dos 4 golos do jogo).

Depois disso, Ãngelo, como avançado que era e com muita concorrência pela frente dentro da equipa portista, tendo jogado a extremo direito e interior direito e esquerdo, conforme foi preciso, enquanto nesses lugares haviam jogadores como Lourenço, Sanfins e outros, não chegou a ter muitas oportunidades, sabendo-se como nesse tempo só podiam jogar os que iniciavam os jogos, sem haver substituições. Então Ângelo Faria representou o F.C. Porto durante duas temporadas, enquanto disputou oito partidas oficiais e marcou 3 golos, pela equipa principal (sem contar os jogos pelas Reservas/equipa B), tendo ajudado a conquistar a Taça Associação de Futebol do Porto em 1947/48.

Em jogos de carácter particular esteve presente a 19 de Outubro de 1947 no dia em que os Dragões foram a Espanha defrontar o Valência C.F., quando os portistas regressaram a casa com a taça correspondente de terem vencido os campeões espanhóis, como aconteceu por 1-0, golo de Virgílio, a carimbar tal triunfo na 2.ª Taça Ibérica, disputada entre os campeões dos dois países vizinhos.

Com efeito, Ângelo Faria esteve ligado a essa vitória ibérica de 1947, duma taça que teve duas versões, não oficiais mas jogadas, uma em Portugal, no Porto e outra em Espanha, em Valência. Na sequência de em tempos mais antigos ter havido a primeira edição dessa chamada Taça Ibérica em 1935, repetindo-se então outra em 1947, a segunda do tempo do Ângelo. Tendo a primeira sido ganha pelo FC Porto diante do Bétis, em jogo disputado a 7 de julho de 1935, no tempo do Pinga. Mais tarde, após a Segunda Grande Guerra, houve novo confronto ibérico com o mesmo fim, em 1947, esse com o Valência, para essa taça que o FC Porto voltou a vencer, aí por 1-0, através de um golo de Virgílio, em jogo realizado em Espanha, a 19 de outubro de 1947; e no qual, no onze portista entrado em campo, esteve Ângelo Faria, participante nessa taça por fim entregue ao capitão Vítor Guilhar.


Ora, após interregno motivado pelas vicissitudes da Segunda Grande Guerra mundial, voltaram-se a encontrar em jogo de futebol as primeiras equipas dos campeões dos dois países ibéricos. Tendo então, em 1947, havido novo jogo entre os campeões respetivos, dessa vez em Espanha, tendo o FC Porto se deslocado expressamente para jogar com o Valência, em território espanhol. Voltando o campeão português a triunfar, dessa vez por 1-0, com golo do então avançado portista Virgílio, estreante a nível internacional na ocasião (e que mais tarde se viria a destacar como defesa de grande porte, como evoca o epíteto de “Leão de Génova“ ganho em soberba exibição em Itália, volvidos tempos, na defesa da seleção portuguesa).

= Imagem do momento dos festejos pelo golo obtido, com Virgílio efusivamente vitoriado por todos os colegas =

Do jogo em Espanha, conhece-se um exemplo do que sempre foi o tratamento da imprensa nacional para com o FC Porto, podendo-se reparar nuns quadros com que nas duas semanas seguintes e números sucessivos a ocorrência mereceu, apenas, leves referências na revista lisboeta Stadium, em seus números de 22 e 29 de outubro, em 1947.



Ângelo Faria esteve então no FC Porto até ao final da época de 1949. Sendo desse período uma foto da equipa com ele incluído, de julho de 1948.

= Legenda - a contar da esquerda para a direita: em baixo - Virgílio, Ângelo Faria, Sanfins, Lourenço, Araújo, Correia Dias, Gastão e Catolino; em cima - Francisco Gonçalves (massagista), Guilhar, Joaquim, Romão, Carvalho, Vascheto (treinador), Chico, Alfredo Pais, Carlos Vieira, Marques e Barrigana.  

No final da época de 1949, Ângelo Faria deixou o F.C. Porto e regressou aos Açores onde ainda jogou no S.C. Lusitânia de Angra do Heroísmo.

= Ângelo Faria, depois de ter regressado à sua Ilha Terceira, com a camisola do Lusitânia de Angra do Heroísmo (foto captada e enviada por Hernâni Rocha).

Nota: Para estas informações, além do material angariado em publicações, contou aqui o autor com o que está publicado no blogue “Estelas do FCP” do amigo Paulo Moreira e especiais esclarecimentos do amigo Hernâni Rocha, da Fonte do Bastardo/Praia da Vitória, dos Açores.


Armando Pinto
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