Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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sábado, 18 de novembro de 2023

Efeméride de mais uma grande vitória em casa do Benfica de Eusébio e C.ª (1-2), em ocasião de homenagem do clube ao “homem da bandeira grande do FC Porto” – em 1962 !

A 18 de novembro de 1962 o FC Porto foi ao antigo estádio da Luz vencer o “clássico” Benfica-Porto da temporada de 1962/1963. Em cuja ocasião, marcando ainda mais essa grande vitória em casa do rival Benfica, antes do inicio de jogo foi entregue ao sócio do FC Porto Manuel Pina, então muito conhecido e admirado “Homem da bandeira grande do FC Porto”, uma nova bandeira, em homenagem à sua dedicação e grande portismo, porque a anterior estava muito desgastada pelo uso e constantes deslocações no acompanhamento da principal equipa portista. Sendo esse senhor natural de Torres Novas, depois residente com a família em Lisboa, na zona da Estefânia, costumava assistir aos jogos do FC Porto no sul, mas também pelo resto do país e com frequência no estádio das Antas. 


(Nota Bene: Na sequência dessa homenagem e pela dimensão atingida, o associado do FC Porto Manuel Pina, o "Homem da bandeira grande do FC Porto", depois recebeu uma oferenda também valiosa. Tendo recebido a «oferta pelo sr. António Mota, de Lisboa, de um distintivo do Clube com pedras finas, no valor de 500$00» - conforme foi transmitido pelo próprio "Homem da bandeira grande" ao jornal O Porto, dando «largas à sua satisfação pela dádiva valiosa recebida». 
Manuel Pina faleceu em Fevereiro de 1973 e levou consigo a Bandeira do Futebol Clube do Porto.)

Ocorrências, em suma, dignas de registo, na calha desse encontro a contar para o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, disputado no (anterior) Estádio da Luz, à 4ª jornada da prova dessa temporada, terminado com mais uma marca histórica: SL Benfica, 1- FC Porto, 2; através de 2 golos de Azumir pelo FC Porto e 1 de Eusébio para o Benfica.

Foi então tal o apreço portista por essa significativa vitória, alcançada em casa do Benfica, que a chegada dos jogadores ao Porto revestiu-se dum banho de multidão, em autêntica manifestação de regozijo, qual mar azul de entusiasmo.

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Então... Estava-se em pleno verão de São Martinho quando no outono de 1962 o FC Porto se deslocou à capital do império para defrontar a equipa que havia ganho ainda meses antes a Taça dos Campeões Europeus pela segunda vez. E o FC Porto passava por fase de transição, ainda com a equipa a formatar-se, após os bons tempos dos campeonatos dos anos de 1956 e 1959 (e mais não foram pelos habituais roubos do sistema, algo que só quase por milagre foi conseguido superar no campeonato do caso-Calabote). E então, nessa tarde domingueira de tempo soalheiro, a meio de novembro de 1962, enquanto o sol dourava a luz do dia, o conjunto da equipa principal do futebol portista deu um ar de sua graça, numa bela exibição coroada em remates certeiros do avançado Azumir, que não esteve com cerimónias nem mesuras diante dos levanta-braços do regime. Tendo o craque brasileiro do FC Porto sido ali autor de dois golos, a cuja soma um de resposta de Eusébio apenas reduziu a desvantagem lisboeta e foi insuficiente para impedir que os dois pontos da vitória ficassem com os homens das sagradas camisolas das duas listas azuis. 

Passa assim neste dia a efeméride desse sucesso conseguido em 1962, do FC Porto ter ido derrotar no Estádio da Luz uma das melhores equipas da história do Benfica, tendo ficado para a história e na memória portista o resultado final de 2-1 para os Dragões, mais a gravação memorial do brasileiro Azumir ali ter marcado um golo em cada parte, quão foi grande figura desse triunfo hercúleo do FC Porto. Pois nunca é demais relembrar que nesses tempos, durante os 48 anos de salazarismo, só em quatro ocasiões foi "permitido" aos azuis e brancos saírem vitoriosos do Estádio da Luz em jogos a contar para o campeonato.

Esta lembrança, na calha de tal efeméride de boa memória, traz à recordação pessoal este jogo acontecido em tempo de 2ª classe da escola primária do autor deste blogue. Pois, não mais esquece, embora já houvesse boa escola de portismo embrionário através do que eu ia conseguindo imprimir em quem gostava de brincar comigo, havia um ou outro colega do contra, dos poucos que não sabiam que o jogo da bola não era jogado com chancas e iam pelo paleio de outros… E assim, ao chegar o último dia da semana antecedente a esse jogo, houve apostas de quem ganhava e quem iria perder, metendo na questão aposta de “macacos” dos que saíam com rebuçados, como chamávamos nesse tempo por aqui aos cromos para as coleções de cadernetas de jogadores, cujas pequenas gravuras de papel ficavam empenhadas, desse modo, para entrega a quem ganhasse (e assim os vencedores teriam mais alguns para ajudar a completar a coleção).

Ora, ao tempo e não só, conforme se sabe, só não valia tirar olhos para o Benfica ganhar, e assim pairava quase certeza que o Porto perderia. Mas eu é que não ia nisso, gostei sempre de pensar pela minha cabeça. E com que prazer, então, no final da tarde de domingo, eu soube que o Porto venceu em Lisboa!

Pelos comentários do relato tadiofónico, mas duma emissora do Porto (penso que do "Norte Reunidos), soube que o Azumir foi aí o homem-golo, a concretizar à sua maneira jogadas em que intervieram Jaime, Hernâni, Serafim e Pinto...tal como Américo fez uma portentosa exibição.

Falou-se na altura que o árbitro desse jogo não era muito conhecido, não tendo tido interferências demasiadas como tantos outros de outras vezes  – e por alguma coisa não foi dos de longa carreira… depois.

Pois então, com que ansiedade e prazer na segunda-feira imediata acordei cedo e fui todo feliz para a escola (coisa rara, em que nunca se sabia quando se ia ao quadro, etc. e tal…)!

Desse jogo, sendo eu nesse tempo pequeno aluno ainda a aprender a escrever e contar, tenho pouca coisa guardada, além da inesquecível boa sensação tida em tal boa ocasião. Mas como isto merece ser lembrado, deitando olhos ao que ainda há registado, recordamos o acontecimento com algumas imagens públicas, da equipa que alinhou, e os dados do mesmo jogo.

A 18 – 11 – 1962, no (antigo) Estádio da Luz, em Lisboa. Para o Campeonato Nacional da I Divisão de 1962/63 – 4ª Jornada, sob arbitragem de Virgílio Baptista, da Associação de Setúbal.

Benfica, 1 (golo de Eusébio) – FC Porto, 2 (golos de Azumir)

FICHA DE JOGO

BENFICA - Costa Pereira, Ângelo, Germano, Cavém, Humberto Fernandes, Mário Coluna, Fernando Cruz, José Augusto, José Águas, Eusébio (1 golo, aos 79') e António Simões. Treinador: Fernando Riera (Chile)

F C PORTO - Américo, Alberto Festa, Miguel Arcanjo, Joaquim Jorge, Mesquita, Paula, Custódio Pinto, Jaime Silva, Hernâni, Azumir (2 golos, aos 27' e 60') e Serafim. Treinador: Jenő Kalmár (Hungria).

= Azumir: Autor dos golos da vitória !

Desse jogo “recorta-se” do jornal O Porto, da época, uma interessante crónica.

Armando Pinto

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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Troféu Luís Otero – Objeto duplamente histórico na memória museológica portista


Tal como noutros tempos houve alterações profundas na sociedade perante mudanças estruturais, como foi em Portugal no período de transição da Monarquia à República, entrado o século XX (para não recuar demasiado na cronologia) diante do desaparecimento de antigos dinheiros como eram as moedas de Reis até à entrada do Escudo, mais a mudança das cores nacionais do azul e branco da realeza para o verde e vermelho do Partido Republicano Português e seus movimentos associados, como à entrada do século XXI surgiu a moeda Euro que substituiu pela metade o Escudo, também no futebol tudo se tem alterado ao longo dos tempos e talvez até mais depressa. Acontecendo, no caso do futebol, como desporto rei, que o facto se evidencie demasiado na repentina situação das transferências e grandes somas envolvidas. Contudo, antes disso ainda, o panorama foi sendo modificado em variados aspetos menos agressivos, como eram em tempos distantes as provas do início de época, através de torneios famosos que eram possíveis por não existirem ainda pré-eliminatórias de acesso às competições europeias, nem os campeonatos nacionais começarem em pleno período de verão, havendo inclusive férias grandes, como era chamado a esse período de veraneio alongado.


Pois então, enquanto pelos idos de quarenta e inícios de cinquenta, do século XX, ainda não existiam provas internacionais oficializadas, foram decorrendo jogos de permutas entre equipas de diversos países, tendo o FC Porto tido jogos famosos com receções vitoriosas diante do Vasco da Gama do Brasil, Arsenal de Londres, Portuguesa do Rio, Fluminense, o Real Madrid, Vazas, Valência, etc, cuja repercussão se refletia em tais momentos terem sido distinguidos com publicações de coloridas separatas de publicações da especialidade, à época, em género de “posters” médios ilustrados. Gravuras essas que se viam nesse tempo, como embelezamento, por exemplo, coladas ou pregadas a forrarem tapamentos de locais públicos, quais divisórias de tábuas de madeira em tascas e similares estabelecimentos de comes e bebes nessas eras, quando não em quadros emoldurados a decorarem lojas de comidas e casas de pasto, como em tempos idos se chamava aos restaurantes tradicionais de aspeto singelo ou clássico, respetivamente. Para depois, quando começaram as provas europeias oficiais, iniciadas a partir do Outono, os períodos de verão antecedente aos jogos de campeonato eram precedidos de torneios internacionais organizados por clubes, que se foram tornando famosos.

Então, pelos anos sessentas, em plena década que o FC Porto em Portugal não conseguia mostrar sua valia pelas manobras dos bastidores federativos, foi conseguindo desforrar-se no estrangeiro, onde foi sendo possível fazer coisas bonitas e ganhar provas importantes. Tal o caso do famoso torneio espanhol do Troféu Luís Otero, anualmente organizado em Pontevedra, na Galiza.


Eis o atraente trofeu que agora, em Setembro de 2017, é o “Objeto do Mês” de amostra no espaço público de acesso à Loja do Dragão e ao Museu do FC Porto: o Troféu Luís Otero, de 1964. Sendo esse o segundo, como importa sempre recordar, pois que tal torneio e consequente troféu foi conquistado por duas vezes pelo FC Porto, a primeira em 1962 e por fim em 1964.

Com efeito, como é descrito na relação correspondente, a propósito, «ao longo da história, o FC Porto marcava presença em importantes torneios de verão, autênticos festivais futebolísticos que ajudavam a preparar as épocas desportivas, a encantar plateias nacionais e estrangeiras e, também, a depositar factos e objetos memoráveis no património do clube.


É o caso do Troféu Luís Otero, conquistado pela segunda vez pelo FC Porto em 1964 com uma equipa onde emergia Rolando, um dos históricos capitães azuis e brancos, e o jovem Artur Jorge. A taça, erguida em Pontevedra (Espanha), e outras curiosidades sobre este torneio descobrem-se no Hall do Museu, área de circulação livre, onde todos os meses há uma revelação da diversidade e riqueza da coleção do clube, colocando a história ainda mais ao alcance de todos » - para todas as idades e com entrada livre, no Hall do Museu.
                                                                                                     Rolando »»»

Assim sendo, apraz avivar o facto ao quadrado, recordando a vitória dupla conquistada, através de alguns dos dados relacionados com essa participação em tal torneio, da primeira vez realizado entre três competidores, e à segunda dois, sempre com o FC Porto em jogo.

= Azumir e Valdir =

Em 1962, os participantes foram o Pontevedra CF e Real Betis, de Espanha, mais o FC Porto, de Portugal. Tendo o FC Porto tido o seguinte programa

- Meia-final, a 24 de Agosto de 1962 - FC Porto, 2 - Real Betis, 1 [golos: 1-0 por Hernâni, aos 40´; e 2-0 por Azumir, aos 44´; 2-1 pelo espanhol Luís, aos 87´]´,
Alinhando as equipas com
FC Porto: Rui; Virgílio, Miguel Arcanjo, Mesquita, Atraca, Paula, Carlos Duarte, Pinto, Azumir, Hernâni e Serafim.
Real Betis: Corral; Colo, Ríos, Arieta, Lasa, Bosch, Senekovic, Luís, Ansola, Cortés, Portilla.

- Final, no seguinte 26 de Agosto - Pontevedra CF, 0 - FC Porto, 2 [golos: 0-1 por Azumir, aos 52´, e 0-2 por Serafim, aos  58´]
Alinhando os finalistas assim
Pontevedra CF: Gato (Estévez); Firi, Calleja, Cholo; Pastor, Bea (Guillermo);Recalde, Vallejo, Tucho, Cerezuela, Ferreiro.
FC Porto: Rui; Virgílio, Arcanjo, Mesquita; Festa, Paula; Carlos Duarte, Pinto, Azumir, Hernâni e Serafim.


Chegados os elementos da comitiva portista ao Porto no dia seguinte, houve receção apoteótica que, a propósito, foi também ainda há um ano recordada globalmente. Incluída tal lembrança que foi nas efemérides referidas diariamente na página informática do Museu FC Porto e extensivamente partilhada na pública carta de mensagens e novidades do clube, “Dragões Diário”, relembrado a 27 de Agosto, que nessa data fazia anos que «em 1962, a equipa do FC Porto regressava a casa com o Trofeo Luis Otero, de futebol, conquistado em Pontevedra (Espanha). Vários jogadores históricos, como o guarda-redes Américo, faziam parte do plantel nesse ano». Os quais, entre mais, se podem recordar visitando o Museu para conhecer melhor os ídolos perpetuados na memória do clube.


Por acaso Américo não chegou a alinhar em nenhuma das vezes em que o FC Porto venceu esse torneio, por estar lesionado. Contudo fazia parte do plantel obviamente, tendo de ambas as vezes depois alinhado logo de início no campeonato português, ele que era e foi o guarda-redes nº 1 desse valioso grupo, do qual se recorda uma das formações contemporâneas.


Volvidos dois anos (com interregno de um ano em que só participaram o Bétis e o anfitrião Pontevedra, com o visitante sevilhano saindo vencedor), em 1964 o FC Porto voltou a ser convidado, sendo participantes o Pontevedra CF, de Espanha, e o português FC Porto:

- Final, a 6 de Setembro de 1964 - Pontevedra CF, 0 - FC Porto, 2 [golos:0-1 por Bernardo da Velha, aos 32´, e 0-2 por Nóbrega, aos  75´]
Alinhando
Pontevedra CF: Fermín; Azcueta, Batalla, Cholo; Martín Esperanza, Roldán I; José Luis (Recalde), Cerezuela (Roldán II), Vallejo, Neme, Odriozola.
FC Porto: Rui; Festa, Almeida, Joaquim Jorge; Carlos Baptista, Paula; Jaime (depois Artur Jorge), Bernardo da Velha, Valdir, Pinto (Rolando) e Nóbrega.


Armando Pinto
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