domingo, 5 de junho de 2016

Jorge Câmara: Um Hoquista valioso de tempos idílicos do Universo Portista


O F C Porto é um mundo, como sempre esteve na cabeça aqui (falando pessoalmente, o autor disto). E ainda bem, pois a vida, nas facetas boas e menos boas, precisa de circunstâncias que façam a vida valer mais, como na verdade acontece com o facto de haver um mundo que povoa vidas, quanto é o F C Porto. Conforme foi o clube simbolizado no mítico Dragão, afinal, que fez com que haja amizade e admiração com pessoas a que ficamos ligados pela afeição do denominador comum do F C Porto. Tal o caso dum antigo hoquista do F C Porto, o amigo Jorge Câmara, um senhor do mundo do hóquei e pessoa de grande valor humano.


Jorge Câmara, que veio um dia da Madeira para reforçar o plantel do hóquei do F C Porto na fase de expansão da modalidade no seio do nosso clube azul e branco, foi um bom valor que não chegou a poder explanar todo o seu potencial hoquístico, por diversas conjunturas que ocorriam nos tempos em que vestiu a camisola das duas listas azuis (tão bem combinadas com o fundo branco da pureza clubística da época), mas ficou para sempre associado ao fator mais fantástico do hóquei patinado portista, como foi esse período da implantação e maior incremento do hóquei no mundo azul e branco, bem patente nas amizades que perduram pelos tempos fora.


Damos então vez, nestas crónicas portistas, não saudosistas mas apologistas, para trazer à memória uma chamada evocativa da lembrança que mantemos por Jorge Câmara, entre pessoas que nos habituamos a admirar, das que passaram pelo F C Porto. Um referencial para nós, tal como temos uns quantos, entre referências no meio de diversos atletas que nos ornaram a auréola que fomos formando do F C Porto, passando por Américo, Hernâni, Pedroto, Virgílio, Arcanjo, Perdigão, Azumir, Custódio Pinto, Pavão, Rolando, Armando, Lemos, Cubillas, Gomes, Madjer, Deco, Baía, Lucho, Hulk, Casillas, etc, no futebol; mais Mário Silva, Sousa Cardoso, Artur Coelho, Onofre Tavares (no meu tempo já como treinador), Joaquim Leão, Alberto Carvalho, Gabriel Azevedo, Custódio Gomes, Cosme de Oliveira, etc., e agora António Carvalho, Rafael Reis, Alarcón, Gustavo Veloso, Joaquim Silva, etc. etc. no ciclismo; assim como alguns também no andebol e basquetebol… e… Cristiano, irmãos Barbots, Ricardo, Castro, Hernâni Martins, Brito, etc. etc. …e Jorge Câmara, no hóquei em patins de tempos idos, assim como depois Vitores Hugo e Bruno, Filipe Santos, Hélder Nunes, Gonçalo Alves, Reinaldo Garcia, Jorge Silva, Rafa, etc.


Ora, da ilha da Madeira, que dera ao universo portista o quase lendário futebolista Pinga, no meio do Atlântico de onde há tantas potencialidades magnéticas e verdadeiros produtos naturais, também resultou uma lava de valorosos hoquistas que vieram enriquecer o hóquei em patins do F C Porto, quando começou a evoluir no norte do país essa modalidade que sempre mais títulos deu a Portugal. Ficando então na galeria de hoquistas portistas os inesquecíveis José Ricardo, José Manuel Castro e Jorge Câmara.

Pois é Jorge Câmara a figura portista a merecer uma lembrança de homenagem memorial, como há muito estava alinhavado na cabeça aqui do cronista gestor deste blogue portista, também.

= Jorge na equipa principal de hóquei do F C Porto !

Jorge Manuel Pestana da Câmara, de seu nome completo, nasceu a 4 de Maio de 1952, na freguesia de Santa Maria Maior, Concelho e Distrito de Funchal.

Começou a sua atividade desportiva federada no C. S. Marítimo em 1963, tinha então 11 anos. Tendo logo ficado Campeão Regional nessa mesma época.

= Joge numa equipa da formação do Marítimo, junto com Castro, com quem mais tarde se veio a juntar no Porto...

De permeio, em 1968 experimentou a prática do Atletismo no desporto escolar, onde demonstrou queda para a sua prática, havendo então sido convidado a representar o C. S. Marítimo nessa modalidade igualmente, o que fez com resultado visível de ter sido Campeão Regional em 1969, tendo batido diversos recordes regionais, mesmo sem ter feito qualquer tipo de treino nas corridas, pois o hóquei em patins consumia quase todo o tempo disponível.

Entretanto, nos anos setentas e após ter tomado o gosto pela vitória no Campeonato Metropolitano, em 1969, no F. C. do Porto, quanto ao caso do hóquei em patins que começava a ganhar saliência evolutiva, começou a haver uma mais séria aposta na modalidade, pensando em reforçar o plantel. Então, depois de acertar a continuidade dos principais elementos da equipa vencedora de 1969, houve reforço do grupo com a vinda dum campeão europeu da seleção júnior, José Fernandes (que estivera junto dos hoquistas do F C Porto que se sagraram campeões em Vigo, Cristiano, Castro, Fernando Barbot e Júlio) e também Jorge Câmara, que despontara na ilha jardim madeirense e vinha para reforço da equipa de Juniores.

Assim sendo, a 6 de Março de 1970 chegava então Jorge ao Aeroporto do Porto, na companhia do José Ricardo, ali aguardados por José Castro e Sampaio Motta, seccionista do F. C. do Porto.

= Equipa de Juniores do F. C. do Porto que pela 1.ª vez se classificou para o Campeonato Nacional da categorial, em 1970. A partir da esquerda, em cima - Tavares (massagista), Fernando Barbot, Luís Barbot, Armindo, Feliciano, Adriano Ferreira e Lopes. Em baixo - Vítor Freitas, Vítor Machado, Jorge Câmara, José Manuel Coelho e Joel (roupeiro). =

Passadas as primeiras impressões, decorrido tempo inicial, em 1971 subia o Jorge Câmara a sénior, a fim de participar na fase final do Campeonato Distrital, do qual sairia o Campeão nortenho e mais três representantes à participação do Campeonato Metropolitano. A aposta, porém, quanto ao mesmo atleta, nunca chegou a passar muito disso, mesmo. Depois, em 1973 no clube foi decidido experimentar apostas na aquisição de hoquistas oriundos de outros clubes, indo buscar jogadores já feitos na tentativa de haver Campeões, visto os anos estarem a passar sem nesses tempos o FC Porto obter o título nacional sénior na modalidade. Os jogadores da formação foram sendo preteridos em favor de resultados imediatos, provocando dessa forma o desencanto e alguma desilusão dos jovens jogadores, que desse modo ficavam privados da hipótese de jogarem nos grandes palcos, onde poderiam evoluir de uma forma mais competitiva. Casos como Fernando Barbot, Luís Barbot, João Paulo Barbot, Luís Brandão, Rui Dias, etc. entre jovens hoquistas que foram Internacionais Juniores e outros igualmente promissores.

= Lembrança relacionada, do baú de recordações do autor...

Para melhor esclarecimento, sobre o que era e foi passado nessas eras, registamos uma narrativa do próprio Jorge, que em conversa nos elucida, a propósito, descrevendo na primeira pessoa:

- «Eu vi que estava a mais e que não auferia rendimentos, a não ser do meu trabalho, decidindo assim ir para outro clube onde os meus préstimos desportivos fossem apreciados. Por isso mudei-me para o Clube Desportivo e Coral de Fânzeres, onde fiz duas épocas, até que, a pedido dum grande Homem e dirigente do F. C. do Porto, de seu nome Jeremias Neves, que me solicitou o regresso ao F. C. do Porto, voltei a casa, ao Porto. Pelo treinador da altura foi-me aí dito que era necessário recuperar rapidamente a minha forma física (já que não terminei a época anterior, por ter contraído uma fissura do escafoide), conforme foi comunicado pelo departamento médico os exercícios que me deviam ser ministrados. Coisa que não foi feita (ainda hoje estou à espera que me sejam ministrados pela pessoa em questão). Mais uma vez esta situação levou-me a abandonar o F. C. do Porto, de seguida, para na época seguinte representar o Clube Desportivo do Candal, que juntaria mais sete jogadores formados no F. C. do Porto. O Candal subiria depois de divisão nessa mesma época de 1976/1977, havendo ainda participado na Taça de Portugal até aos oitavos de final. Na primeira divisão e com a saída do Sampaio Motta e com os problemas financeiros a virem ao de cima, a equipa acabou por se arrastar na parte final do campeonato, descendo de divisão. Recebido um convite para representar o Clube Infante de Sagres, morando eu na Avenida da Boavista, nem olhei para trás, ainda para mais que o treinador do Infante era um velho conhecido - nem mais nem menos que o Sr. Laurentino Soares, que antes treinara no F C Porto e dera início ao crescimento do hóquei no FC Porto. O romance durou até o Paço do Rei subir à 1.ª Divisão, comandado por Sampaio Motta, que me pediu para o ajudar; indo assim jogar para o Paço de Rei, ao que eu acedi, embora em má hora, pois o amigo sr. Sampaio Motta regressou à Secção de Hóquei em Patins do F. C. do Porto, para promover a grande revolução que deu a supremacia do hóquei nacional ao F. C. do Porto, que até perdurou durante décadas. Ali, no Paço de Rei lesionei-me gravemente, mas ainda regressei ao Infante de Sagres, onde ao fim de quatro meses dei por finda a minha carreira desportiva, por impossibilidade física.»

= Parte do espólio medalhístico-desportivo de Jorge Pestana Câmara!

Num percurso que deixou seu cunho bem vincado, como foi a carreira desportiva de Jorge Câmara, muitos foram os momentos dignos de registo. Em cujo encalço se pode fazer melhor ideia, anotando os títulos de permeio conquistados:

- Campeão Regional de Principiantes 1963 (C.S. Marítimo) – Hóquei em Patins
- Campeão Regional de Principiantes 1964 (C.S. Marítimo) – ‘’
- Campeão Regional de Juvenis 1966 (C.S. Marítimo) – ‘’
- Campeão Regional de Juvenis 1967 (C.S. Marítimo) – ‘’
- Campeão Regional de Juniores 1968 (C.S. Marítimo) – ‘’
- Campeão Regional de Juniores 1969 (C.S. Marítimo) – ‘’
- Campeão Regional de Atletismo 1969 (C.S. Marítimo) - Atletismo
- Vice-Campeão Regional Juniores 1970 (F.C. Porto) – ‘Hóquei em Patins
- Vencedor do Torneio de Abertura 1971 (F.C. Porto) – ‘’
- Campeão Regional Reservas 1971 (F.C. Porto) – ‘’
- Vencedor Torneio de Abertura II Divisão 1972/1973 (F.C. Porto B) – ‘’
- Campeão Regional de Reservas 1972/1973 (F.C. Porto) – ‘’
- Vice-Campeão Metropolitano 1972/1973 (F.C. Porto) – ‘’
- Vencedor do Torneio de Abertura Seniores 1976/1977 – ‘’
- Vice-Campeão Regional II Divisão 1976/1977 (C. D. do Candal) – ‘’
- Vencedor Torneio de Abertura I Divisão ( C. Infante de Sagres) – ‘’


= Aspeto interior do pavilhão Gimnodesportivo das Antas, posteriormente batizado de Pavilhão Américo Sá - onde o hóquei em patins portista deslizava sobre as rodas desse tempo... 

Depois de largar os patins e pousar o setique, Jorge Câmara, correspondendo a pedido de amigos da modalidade, ainda fez parte dos órgãos diretivos da Associação de Patinagem do Porto como Secretário da Assembleia Geral da APP, a meio da década dos anos oitentas – conforme se pode constatar pelo cartão respetivo de 1985/86.


Jorge foi assim um amigo de muita gente que de alguma forma teve ligação ao mundo do hóquei patinado, ficando para sempre associado e esse belo universo que é afinal o FC Porto, em tudo o que representa o sentimento Portista.

É pois de enaltecer, como lembrança e constante recordação, que o F C Porto é e continua através de pessoas como o antigo hoquista Jorge, aos olhos de apreço de amigos e adeptos como o autor desta narrativa.

Armando Pinto

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2 comentários:

  1. Jorge, um grande abraço de um antigo colega nos juniores.

    Júlio Giriante

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    1. Foi com enorme alegria que recebi o teu abraço. Fico grato ao nosso amigo Armando Pinto, autor destas linhas e mentor deste blogue que remomoria os feitos do Futebol Clube do Porto, e dos homens que ajudaram a engrandecer a história de um grande clube nacional, europeu e mundial.

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