Este é um espaço com alcance
do que é aqui do autor. E que partilho com correligionários – porque o F C
Porto é como uma religião, em que cremos e assumidamente professamos. Sendo a
existência Portista algo especial.
Ora a História do F C Porto
mistura-se com nossa vivência, sendo muito de nossos dias passados a pensar no que
é para nós o F C Porto, a acompanhar tudo o que respeita ao F C Porto, a seguir
o dia a dia portista. Como tal, aqui a memória Portista associa-se à vida do F
C Porto, como memória personalizada… de quão intercalamos a vivência do mundo
azul e branco com o quotidiano pessoal… passando a recordar o percurso paralelo
vivido.
Claro que primeiro que tudo está a honra do F C Porto ser um clube desportivo muito antigo, com um glorioso historial. Fundado em 1893, é o clube de futebol presentemente mais antigo de Portugal - por muito que os adversários não gostem de reconhecer a verdade.
(Estas memórias
personalizadas foram inicialmente descritas no anterior blogue pessoal, sendo
esse artigo um dos "posts" que levaram adeptos mouros a atacar “virolentamente”o
mesmo blogue, o “Lôngara - Actividade Literária e Memória Alvi-Anil”, com ameaças e por fim violação da publicação através de vírus, de modos que conseguiram anular a respetiva existência no espaço da blogosfera. O que nos
leva aqui e agora, com mais palavra ou menos fraseado, a repor esta mesma
narrativa, neste blogue sucessor!)
Assim sendo, começamos pelo
ano de nascimento do autor… a remexer nos arcanos da memória.
1954 – Dobrado o meio do passado século XX, foi tempo
de nascimento dum Portista. Cujo ano foi também tempo em que, entre outros
exemplos, foi colocada na Praça da Liberdade, no Porto, a estátua de Almeida
Garrett, escritor portuense, lutador por um ideal de política social no país,
recuperador de memórias pátrias e impulsionador do teatro português, um
verdadeiro personagem da história nacional. Nesse mesmo ano de 1954
realizara-se no Porto uma católica Marcha de Silêncio, em solidariedade às
Igrejas de Leste, dentro das Igrejas que sofrem, no caso a reivindicar cidadania
e liberdade religiosa ante a política antidemocrática da Polónia, ao tempo, num reflexo dos
novos ventos que começaram a soprar, com a entrada de D. António como Bispo do
Porto. Tendo, depois da famosa carta a Salazar, mais propriamente Pró-Memória
de 1958, então sido entendida aquela manifestação anterior, da marcha, como uma
inicial abordagem contra o regime do Estado Novo – embora na época a oposição
democrática, conforme posição escrita de uma fação, tivesse entendido aquilo ao
contrário, atendendo ao facto de haver ideia política de que as cúpulas eclesiais estavam
comprometidas, nesse tempo...
E, ao mesmo tempo, em 1954 a equipa de futebol principal do Futebol Clube do Porto integrava, com maior utilização, o guarda-redes Frederico Barrigana, famoso “mãos de ferro”, o defesa Virgílio Mendes, o Leão de Génova e durante muitos anos recordista português de internacionalizações na Seleção A (em tempo de escassos jogos disputados, a nível de Seleções), mais Miguel Arcanjo, Vale, Carvalho, Porcel, Albasini, Eleutério, Henrique Monteiro da Costa, José Maria, António Teixeira, o famoso Hernâni Silva, Carlos Duarte, Fernando Perdigão e José Pedroto; como também Osvaldo Cambalacho, Dell Pinto, Sarmento, Vieira e Romeu.
E, ao mesmo tempo, em 1954 a equipa de futebol principal do Futebol Clube do Porto integrava, com maior utilização, o guarda-redes Frederico Barrigana, famoso “mãos de ferro”, o defesa Virgílio Mendes, o Leão de Génova e durante muitos anos recordista português de internacionalizações na Seleção A (em tempo de escassos jogos disputados, a nível de Seleções), mais Miguel Arcanjo, Vale, Carvalho, Porcel, Albasini, Eleutério, Henrique Monteiro da Costa, José Maria, António Teixeira, o famoso Hernâni Silva, Carlos Duarte, Fernando Perdigão e José Pedroto; como também Osvaldo Cambalacho, Dell Pinto, Sarmento, Vieira e Romeu.
Nessa época o
F. C. Porto não foi campeão nacional de futebol (o que veio a ser de seguida em 1955/56 e depois em 1958/59),
mas sim, nesse ano de 54, em Andebol de Onze, modalidade em voga ao tempo, na
qual foi campeoníssimo com títulos a eito, anos a fio. E em Andebol de Sete,
variante que era recente no país, nesse tempo. Mas, porém, no futebol sénior,
naquele ano, o FCP venceu a taça de inauguração do estádio do Benfica, pois foi a Lisboa vencer o Benfica, em futebol de primeiras, como
se denominava à época as formações de honra, na inauguração do então ainda
chamado Estádio de Carnide, o depois (antigo e originalmente) denominado
Estádio da Luz, trazendo para as Antas o artístico trofeu em disputa (na permuta,
relativamente à presença do Benfica na inauguração do Estádio das Antas, em
1952).
Não se pode
escamotear, porém, que, conforme até “disse” a imprensa, o F. C. Porto só não
venceu o campeonato de 1954, como noutras ocasiões, aliás, por fatores por
demais estranhos ao próprio jogo. Repare-se, a título de exemplo, do que veio
(em edição impressa muitos anos volvidos) ainda, pasme-se, numa publicação do
jornal A Bola, de Lisboa, in “50 Anos do desporto português”: «1954-Janeiro-30
- Jogo de importância transcendente na luta pelo título, em Alvalade:
Sporting-Porto... com vitória do Sporting por 2-1. Muito polémico o 2º golo do
Sporting, por Vasques..» Curiosamente, do mesmo “lapso”, o Jornal de Notícias,
do Porto, publicou na ocasião uma foto a mostrar o “crime”, de quando o mesmo
avançado leonino se antecipou e enfiou a bola nas redes com um soco...Tendo,
por isso, o JN sido impedido de entrar em Alvalade durante uns tempos...!
Ainda, segundo a anteriormente referida publicação d’ A Bola, por ironia estranha
também, «o árbitro era Inocêncio Calabote, que algum tempo depois mais
tragicamente famoso ficaria...» (com o célebre prolongamento escandaloso de
inesquecível jogo SLB-CUF, na tentativa de o Benfica marcar os golos que
precisaria para poder suplantar o F.C. Porto no desempate por golos, em 1959).
Por esses e outros tempos, tem de se ter em conta essas particularidades que enfermaram o país em eras passadas, de que naturalmente ficaram resquícios pelos tempos fora. Anote-se, ainda da mesma publicação, anteriormente referida, como meros exemplos de reforço, as seguintes passagens: «1948-Setembro-15 – Em nome de outros valores, a Direção Geral dos Desportos autorizou Capela e Castela a transferirem-se do Belenenses para a Académica por, no pedido, terem alegado a condição de estudantes. Mas com uma limitação que haveria de fazer doutrina. No caso de saírem da Associação Académica de Coimbra, teriam de regressar ao antigo clube, equiparando-se a situação à do serviço militar. Com essa decisão do ministro da Educação (em tempo de Salazar e Estado Novo) se terá frustrado a verdadeira intenção de Castela se transferir para o F. C. Porto...». E «1956-Fevereiro-12 - «O F. C. Porto saiu da décima oitava jornada do “Nacional” com o mesmo ponto de vantagem sobre o Benfica, simplesmente porque, em Évora, o árbitro Jacques Matias, de Setúbal, permitiu que o benfiquista Ângelo marcasse o golo da vitória já vários minutos para além da hora, ignorando por completo, durante todo esse lapso de tempo, os sinais do seu fiscal de linha, indicando-lhe o final do tempo regulamentar. Os benfiquistas marcaram e, então, sim, deu o jogo por findo...»!
Por esses e outros tempos, tem de se ter em conta essas particularidades que enfermaram o país em eras passadas, de que naturalmente ficaram resquícios pelos tempos fora. Anote-se, ainda da mesma publicação, anteriormente referida, como meros exemplos de reforço, as seguintes passagens: «1948-Setembro-15 – Em nome de outros valores, a Direção Geral dos Desportos autorizou Capela e Castela a transferirem-se do Belenenses para a Académica por, no pedido, terem alegado a condição de estudantes. Mas com uma limitação que haveria de fazer doutrina. No caso de saírem da Associação Académica de Coimbra, teriam de regressar ao antigo clube, equiparando-se a situação à do serviço militar. Com essa decisão do ministro da Educação (em tempo de Salazar e Estado Novo) se terá frustrado a verdadeira intenção de Castela se transferir para o F. C. Porto...». E «1956-Fevereiro-12 - «O F. C. Porto saiu da décima oitava jornada do “Nacional” com o mesmo ponto de vantagem sobre o Benfica, simplesmente porque, em Évora, o árbitro Jacques Matias, de Setúbal, permitiu que o benfiquista Ângelo marcasse o golo da vitória já vários minutos para além da hora, ignorando por completo, durante todo esse lapso de tempo, os sinais do seu fiscal de linha, indicando-lhe o final do tempo regulamentar. Os benfiquistas marcaram e, então, sim, deu o jogo por findo...»!
Por essas e
por outras, ficou então célebre aquela tirada do Hernâni, o malabarista da bola
e senhor do futebol (que era ao tempo o “Capitão”, como autêntico General do
Porto), de que ao F. C. Porto não bastava só ter uma equipa tão boa ou melhor
que a dos outros, mas sim teria de ser muitíssimo superior, para poder lutar
contra as arbitragens e os jogos de bastidores, pelo que um campeonato ganho
pelo Porto valia, na realidade, por dez dos adversários rivais... E, como dizia
Alves Teixeira amiudadas vezes no antigo jornal “O Norte Desportivo”, o grande
goleador Artur de Sousa “Pinga”, famoso ídolo dos anos trinta e quarenta, do
séc. XX, só não tem sido considerado o melhor futebolista português de todos os
tempos porque jogou com a camisola do Porto!
= Troféu Pinga, antecessor do Dragão de Ouro, foi dentro do F C Porto galardão de reconhecimento clubista com o nome do mais famoso futebolista portista de tempos antigos =
No ano de 1954
estava como Presidente do F. C. Porto o Dr. José Carvalho Moreira de Sousa; o
Pároco de Rande era o Padre João Ferreira da Silva; era Papa Pio XII; a
Patriarca da Igreja portuguesa estava o Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira;
o Bispo do Porto era o mítico D. António Ferreira Gomes; o Presidente da
República de Portugal era o Gen. Francisco Craveiro Lopes; enquanto Presidente
do Conselho de Ministros obviamente o Dr. António Oliveira Salazar.
Por esses
tempos, dos inícios de frequência pública local, por volta de 1960
quando já ia à “doutrina” (catequese) e principiei a interessar-me por ouvir
falar do Porto, quem venceu a Volta a Portugal em bicicleta foi o ídolo Sousa
Cardoso, do F.C.Porto, em tempo em que ainda corria com a camisola azul e
branca o ciclista Felgueirense Artur Coelho.
Tal qual quando então passei a colecionar cromos, os “macacos” de ases da bola, a equipa de futebol principal do F. C. Porto era composta por uns Américo Lopes, Virgílio, Arcanjo, Mesquita, Barbosa, Paula, Ivan, Luís Roberto, Monteiro da Costa, Carlos Duarte, Serafim, Jaime Silva, Custódio Pinto, Azumir, Hernâni... E Azumir, artista no ataque, foi o melhor goleador do campeonato em 1961/62, conquistando o galardão da Bola de Prata.
Os referidos
cromos, de gravuras dos jogadores de futebol, vinham embrulhados em rebuçados
baratos, a tostão, ou seja um centavo (em tempo de moeda do Escudo) – coisa que
agora, com a moeda em Euros já não tem equivalência, pois a mais baixa unidade,
de 1 cêntimo, corresponde a dois antigos escudos. Recordando-se que um escudo
andava à volta de cem centavos ou tostões, como se dizia popularmente, num
enquadramento aos tempos que correm, da primeira década do século XXI, em que
um Euro equivale a duzentos escudos de antigamente (1 E = 200$00 arredondados,
mais precisamente 200, 482 escudos, na ocasião da entrada da moeda Euro, em
2002). E, naquele tempo, nos anos sessentas, com um tostão até se comprava bem
mais coisas, também, bastando saber que com uma coroa, de cinco tostões
(centavos), já se comprava um doce na padaria (equivalente aos pastéis de hoje
em dia, que custam em média oitenta cêntimos, cerca de cento e sessenta escudos
antigos), para o que servia a coroa que se ganhava em ir na “Cruzada” aos
enterros... como se passava na ida aos funerais que iam havendo pela
localidade, integrando o grupo da Cruzada Eucarística local.
= Pinto e Festa - dois dos ´grandes representantes do futebol portista em meados dos anos 60´s =
Depois,
enquanto memorização dos inícios da década de sessenta do século XX, entre
jogatanas no recreio da escola e andanças pelos caminhos da Longra, apareceram
aos ouvidos, nas conversas sobre futebol, os nomes de uns Festa, Nóbrega,
Almeida, Alípio, Joaquim Jorge, Valdir, Atraca, Vasconcelos, Rolando... dos que
foram passando a envergar a linda camisola azul e branca. Enquanto o grande
ídolo desse tempo, o guarda-redes Américo, ganhou em 1963/64 a primeira “Baliza
de Prata”, trofeu então instituído para premiar o guardião mais regular, sendo
ele o menos batido (havendo sofrido só 17 golos em 25 jogos, enquanto Carvalho
do Sporting encaixou 19 em 23 jogos e Costa Pereira do Benfica 24). Ao passo
que na Volta a Portugal, na sequência desses anos, se sucederam vitórias por
Mário Silva, José Pacheco e Joaquim Leão, ciclistas de azul e branco vestidos.
= Américo, ao receber o troféu Baliza de Prata =
Nesses tempos
o fenómeno desportivo despertava já atenções, pese as diferenças, porque o
futebol não atingira as proporções atuais e no seio dos grandes clubes
desenvolvia-se ainda o ecletismo, que levou a que no F C Porto o ciclismo
dominasse muitas preferências, nessas eras. Algo hoje visto com outras
dimensões, em tempos de SAD’s. Porém sempre sendo das coisas de que se gosta,
de matéria relacionada a um atrativo na vida. Pois... Como escreveu o poeta Rui
Belo: «Quer-nos parecer que começa a ser tempo de o intelectual ou o artista
irem perguntando a si próprios por que motivo o público que lhes falta esgota
as lotações dos estádios...» Coisa que, atualmente, já se terá de acrescentar o muito público que se prende às transmissões televisivas de jogos de futebol
e lê jornais desportivos, por quanto as enchentes nos estádios acontecem
presentemente mais nos chamados jogos “clássicos”, embora nomeadamente por culpa do
custo de vida, sobretudo.
= Plantel do futebol sénior do F C Porto em 1968 =
Por esses
lustros, chegou-se a viver, em 1966, uma oportunidade excecional do futebol
português, que antes se sentia diminuído ante os estrangeiros. No Mundial de
Inglaterra (em que do F. C. Porto só jogou Alberto Festa, enquanto Custódio
Pinto e Américo fizeram parte do lote dos 22 convocados, mas não foram
utilizados), aí, Portugal obteve um inesperado 3º lugar; e só não foi mais além
por determinados erros, o mais grave dos quais a teimosia de não ter sido posto
a jogar o melhor guarda-redes português desse tempo, só porque era o Américo do
Porto... Então o resultado esteve à vista: Primeiro nos três golos sofridos
perante a Coreia do Norte, nos quartos-de-final, mas então ainda valeu a
cavalgada de Eusébio, que deu a volta à situação para a vitória obtida, por
5-3. Depois nos dois golos sofridos, de forma estranha, no 1-2 diante da Inglaterra
nas meias-finais, originando choro desconsolado... Como depois o próprio
guarda-redes Costa Pereira (guardião benfiquista, então em fim de carreira), no
seu papel de comentador na televisão, reconheceu, indicando que José Pereira,
do Belenenses, «não esteve à altura dos acontecimentos e o valor de Américo
garantia outra confiança»...! Acontecendo tal dislate porque imperava o sistema BSB (das presidências reservadas apenas a representantes de Benfica, Sporting e Belenenses), e ao tempo o presidente federativo era do Belenenses. E a evidência é que, depois de mais um jogo após
o Mundial/ 66 com nova e concludente prova dos nove, a partir de então Américo
passou a titular da seleção portuguesa, durante todos os jogos da equipa das
quinas em 1967 e 1968, até ter sofrido lesão que o afastou dos campos de
futebol.
= Américo e Pinto no apoteótico regresso do Mundial de Londres, na caravana que andou no meio da multidão lisboeta...
(Relativo ao
caso, de Américo e do Mundial/66, vem na “Enciclopédia do Desporto”, volume 1,
da edição de 2003 da Quidnovi, que Américo, «após ter revelado uma regularidade
notável, foi com alguma surpresa que não foi utilizado... O futuro
encarregou-se de revelar o seu devido valor, quando o selecionador nacional,
passados alguns anos, confessou que o seu grande erro em Inglaterra foi não o
ter colocado na equipa em vez de José Pereira, quando retirou o sportinguista
Carvalho... E, para culminar a sua carreira, ainda na temporada de 1968,
Américo venceu a primeira classificação de regularidade alguma vez instituída
em Portugal, o Prémio Somelos...», a premiar o melhor atleta da época.)
Entretanto
também, em futebol, o F. C. Porto venceu em 1968 a Taça de Portugal, com
triunfo diante do Vitória de Setúbal por 2-1, na Final disputada no Jamor,
através de golos de Valdemar e Nóbrega, sendo a restante equipa composta com
Américo, Bernardo da Velha, Atraca, Rolando, Pavão, Jaime Silva, Custódio
Pinto, Eduardo Gomes e Djalma.
=Equipa vencedora da final da Taça de 1968 =
Essa vitória
na Taça de Portugal/68 teve ainda um entusiasmo especial, que foi do F. C.
Porto haver eliminado o Benfica nas meias-finais, fase que se jogava então em
dois jogos (a duas mãos): tendo o Porto ido à Luz impor um empate a dois golos
e na resposta depois a equipa encarnada haver perdido nas Antas por 3-0, com a
equipa das Antas a assegurar a passagem à final, numa eliminatória em que nem
Eusébio valeu perante a supremacia azul e branca. Do lote que alcançou a ida ao
Jamor, para o desafio da entrega da Taça no estádio chamado nacional, sito em
Oeiras, formação essa orientada por José Maria Pedroto, apenas o defesa Sucena
não disputou a Final depois, sendo aí substituído por Bernardo da Velha. Então
o Benfica, ao que constou, tentou seduzir o vitorioso treinador Pedroto, e,
como isso não foi conseguido, lançaram boato de que o Porto pensara numa
transferência de Eusébio – como se isso enganasse alguém com os neurónios
todos, ou seja, sabendo-se de antemão que não era possível nesse tempo, quando
Eusébio fora considerado por Salazar um património do Estado, no endeusamento
do regime diante da política colonial (até pelo que aconteceu aquando da sua
vinda para Lisboa em que foi praticamente tirado ao Sporting, para o entregar
ao clube do regime, conforme toda a gente com noções mínimas de história sabe). E estando-se ainda em período do Estado Novo, mantinha-se o estatuto.
De permeio
começara o autor a despertar atenção para o hóquei patinado, onde despontava
um jovem ídolo que dava pelo nome de Cristiano. Ora o Porto surgia mais acentuadamente no panorama
hoquístico, onde antes, nessa modalidade tão querida pelos títulos ganhos pelas
seleções portuguesas, pontificavam quase exclusivamente equipas do sul. Então,
começando a transformar-se o ambiente, em 1969 o F. C. Porto conquistou o
“Metropolitano” de hóquei em patins (como se denominava à época o campeonato
nacional do Continente, pois havia depois uma fase final junto com equipas das
Províncias Ultramarinas). E começou uma forte ligação com o hóquei em patins
portista, ganhando amigos na secção e na equipa em que sobressaíam, além do
Cristiano Pereira, também o Alexandre Magalhães, o Joaquim Leite, mais Hernâni,
Ricardo, Brito, Castro, tal como, mais tarde, o Zé Fernandes, Júlio, irmãos
Barbot, Jorge Câmara, Augusto, etc.
= António José Lemos =
Entretanto,
entre tantas recordações, nunca mais poderá ser esquecido que, apesar do
poderio da organização do desporto estar em Lisboa, com tanto facciosismo
decisivo, em tempo de ditadura do Terreiro do Paço, de vez em quando o F. C.
Porto ia conseguindo contrariar as injustiças e, quantas vezes, impor-se mesmo,
em futebol jogado... Como aconteceu com uns célebres 4-0 ao Benfica, nas Antas,
com quatro golos de António Lemos, na tarde soalheira do domingo que era último
dia de Janeiro de 1971.
Só para que
conste e não se pense em mania de perseguições ou favoritismos como desculpas
(conforme há quem queira fechar os olhos), por esses tempos e seguintes o
ambiente era de tal forma, que mais tarde, muito tempo depois obviamente, houve
revelações surpreendentes: Assim, por exemplo, no programa de televisão da TVI
“Bwin Liga, Jornada, Casos e Forum”, na sua edição de 10 de Setembro de 2006, o
antigo árbitro Jorge Coroado (que até é conhecido por ser anti-Porto), deixou
escapar, relativamente à década de 70, que «antigamente, no tempo em que
Humberto Coelho era “capitão” do Benfica, conforme o mesmo confessara depois de
abandonar o futebol, bastava ele, porque era o capitão do Benfica, dar dois
passos à frente e levantar o braço para ser assinalado fora-de-jogo aos
adversários». Tal como, no mesmo programa, o treinador Jorge Jesus recordou
que, «uma vez, em que a equipa em que jogava foi muito prejudicada, tendo
reclamado no fim do jogo junto do árbitro, a resposta foi só: querias ganhar a
um grande de Lisboa?!»
Assim, visto
em futebol o Porto então ter andado a marcar passo, em virtude do que é por
demais conhecido do tempo do Portugal de Lisboa e do resto ser paisagem, ainda
nos idos de setenta, serviu de escape, entre outros casos, o entusiasmo que se
gerou em torno do basquetebol na era de Dale Dover, o homem-espetáculo que deu
ao F. C. Porto o título nacional de basquete mais mediático, por essas épocas
de romantismo e música ligeira a cair no ouvido.
Pese as
diferenças de tratamento da comunicação social, que influenciam sobremaneira
muita gente, o F. C. Porto teve sempre bons adeptos, especialmente, de simpatizantes e até associados, em número que
foi crescendo significativamente com a evolução social da população. Nesses
tempos, começou finalmente a haver também transmissões de jogos do Porto na
televisão, coisa que até meio da década de setenta, do século XX, era só a
contemplar os clubes do sul... Um exemplo, somente, do que faz jus aos que
sabem pensar por sua cabeça, sem influências orquestradas, sabendo fidelizar-se
ao que seja de afeição representativa da própria região.
Diferenças de
tratamento que inclusive ocultavam o faciosismo reinante. Repare-se numa
passagem do livro “Horizontes Fechados” de Raúl Rego, onde aquele antigo diretor
do jornal República, de Lisboa, refere a dado passo, em capítulo “A Censura À
Imprensa” (na página 23 da correspondente 3ª edição, de tal recolha de
crónicas, escritas durante os anos 60 e censuradas, isto é cortadas pela
censura vigente ao tempo, pelo que foram reunidas em livro editado em 1974,
depois do 25 de Abril): «...tempo houve
– e estão aí muitos jornalistas desportivos que o podem testemunhar – em que o
diretor da Censura era o Diretor Geral dos Desportos, tenente-coronel Salvação
Barreto. Dezenas de vezes vimos cortar apreciações críticas ao trabalho do
árbitro nos desafios de futebol, só porque a crítica era desfavorável. A esse
ponto chegou em Portugal o endeusamento da autoridade...»
Qualquer
pessoa, para mais numa região do interior do país de brandos costumes, andava
então totalmente a leste de ideias e situações políticas. E, afinal, como no
decurso dos anos já vividos se tem constatado, embora sendo a política social
coisa para se andar minimamente a par, atendendo às intenções e interesses,
como que para não se andar no mundo só por ver os outros andarem, é, porém,
como um mundo à parte que cada vez se revela mais, origem de menor apologia de
convicções.
Antes, o tempo
foi passado como ouvinte e atento leitor por todo o período histórico que meteu
a guerra do ultramar, a morte de Salazar (que, na altura, teve repercussão porque,
durante os respetivos dias de luto nacional, impediu transmissões diretas, na
rádio, de notícias da Volta a Portugal em bicicleta...), passando pela
primavera do regime antigo e todo um manancial de ocorrências, do que se ouvia
nos noticiários e se podia ler, até aos alvores do 25 de Abril de 1974... Ao
passo que a guerra do Vietname era apenas um tema que se ouvia nas notícias do
Telejornal, mas já o golpe militar do Chile, pelas consequentes atrocidades
cometidas, foi coisa que mexeu com a sensibilidade, segundo o que foi possível
saber-se.)
= Uma das formações do hóquei em patins do F C Porto que alinhou durante o Metropolitano de 1969 =
Por esses
tempos, o autor destas linhas teve bons amigos no mundo azul e branco, dentro
do ambiente do Futebol Clube do Porto, sobretudo o guarda-redes de futebol
Armando Silva (que nos inícios da década de setenta dividiu com Rui Teixeira a
guarda às balizas portistas), como no hóquei o grande diretor sr. Sampaio Mota
e os atletas Cristiano, José Fernandes, irmãos Barbot, Jorge Câmara, etc. (que
até lhe dedicaram uma vitória, conforme “caixa” vinda no jornal “O Porto” de 27
de Maio de 1972).
Já escrevia artigos também regularmente, o autor, com alguma colaboração publicista, inclusive no jornal “O Porto” (do F. C. Porto), além de colaboração em periódicos regionais; e, por esses tempos, andava já a recolher dados sobre a história da freguesia natal e da região concelhia, começando a alinhavar hipótese de escrita de uma monografia local, bem como para procurar elevar a mística local, através da preservação da memória coletiva.
= Guarda-redes Armando Silva =
Pelo meio,
dessa sucessão da evolução afetiva, e na sequência das modificações havidas no
país depois do “25 de Abril”, o F. C. Porto venceu a Taça de Portugal em 1976 e
sagrou-se Campeão Nacional de futebol sénior em 1977/78 (a 11 de Junho), com
mestre Pedroto a treinador - era já tempo do goleador Fernando Gomes, mais tarde
bi-Bota d’Ouro da Europa, como de toda uma geração de campeões. Para trás
ficavam longos anos em que só os outros ganhavam campeonatos, e, pela primeira
vez, desde que a idade permitia memória (já que do título de 1959, ou seja com
cinco anos, não havia recordação real), passava-se então, em 1978, a conhecer a
alegria de sentir o Porto também Campeão Nacional. Logo no ano em que a esposa
estava grávida e, depois, nasceu o primeiro filho!
No ano
seguinte, repetiu-se o título de campeão nacional, obtendo-se o Bi-campeonato
de 1978/79, algo especial para quem estivera tantos anos sem quase nada. Na
inversa em 1980 aconteceu a perda do que seria o Tri, o terceiro campeonato
consecutivo dessa sequência, devido a um auto-golo de Manaca, então defesa do
Guimarães mas anteriormente atleta do Sporting, o qual com esse lance decidiu o
campeonato a favor do clube leonino. Pelas imagens televisivas ficou toda a
ideia que houve intenção, com o rodar de cabeça a meter a bola na sua própria
baliza como se fosse um avançado... E o certo é que, conforme constou na
imprensa, chegou a haver um desaguisado entre colegas da equipa do Vitória de
Guimarães, tendo Tozé culpado Manaca do golo propositado na própria baliza,
como depois na imprensa estrangeira houve comentários a atribuir jogadas de
bastidores na oferta desse título, em tal época. Depois, pairou desânimo no
período do “verão quente das Antas” (e disso, mais tarde, bem se referiu o Dr.
Sardoeira Pinto no seu livro “Dragão de Causas”), quando o Dr. Américo Sá se
envolveu na política e, para ser deputado nacional na Assembleia em Lisboa,
subalternizou o representante-mor do Norte aos interesses do Sul, poderosamente
saudoso de velhos processos. Originando daí o afastamento do técnico Pedroto,
como do então Chefe do Departamento de Futebol, Pinto da Costa, tal qual ainda
o goleador Fernando Gomes teve sua primeira saída do clube. E sobreveio desinteresse pessoal nos tempos seguintes, o que particularmente esteve na base da desistência de
colaboração para o jornal “O Porto”... Até que soprou a Primavera de Abril de
1982, ascendendo Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa à presidência do F. C.
Porto, como logo regressou o treinador José Maria Pedroto mais o futebolista
Fernando Gomes, a Direcção passou a ter gente acima de tudo Portista, como
Alexandre Magalhães, Pôncio Monteiro, Rui Baptista, Álvaro Pinto, etc. E o
colosso voltou a empertigar-se.
Já com essa nova
aragem de progresso, o F. C. Porto triunfou finalmente no Nacional de hóquei em
patins, obtendo o primeiro da seguinte longa série de títulos de campeão, que
tem colecionado felizmente nessa modalidade em que, também, conquistou a Taças
das Taças da Europa, em 1982 e novamente em 1983, para de rajada ter triunfado
nas seguintes provas de Portugal e na Europa – com realce para a Taça CERS
(equivalente, no hóquei patinado, à da UEFA no futebol); e em 1986, com o
antigo grande hoquista Cristiano no comando técnico, alcançou a Taça dos
Campeões Europeus também sobre patins. Título ainda repetido em 1990, com o
amigo José Fernandes. Ao que se seguiu depois mais. Tendo o Porto, também, tido
uma atleta campeã mundial, com os títulos ganhos por Aurora Cunha em Mundiais
de Estrada de Atletismo.
Daí em diante,
com o Presidente Nuno Pinto da Costa ao leme, foi sempre a subir... em tudo e
no futebol. Sendo, por conseguinte mais que sóbria a glória, afirmada
popularmente, de que o «Porto é uma Nação»!
Entre mais,
antes ainda, houve destaque às ditosas alegrias quando o Futebol Clube
do Porto foi Campeão Europeu de futebol em 1987, a 27 de Maio (na tal Final do
“calcanhar” de Madjer e daquele golo de Juary, cujo filme da retina íntima nem
tem explicação); e o super FCP foi Campeão do Mundo, vencendo a Taça
Intercontinental sobre neve a 13 de Dezembro, com golos de Fernando Gomes e
Madjer; tal como depois vencedor da Supertaça Europeia, em Janeiro de 1988, com
golos de Rui Barros e António Sousa, divididos pelos dois jogos realizados.
Algo mais tarde reavivado com a conquista da Taça UEFA em 2003 e repetido com
novos títulos Europeu e Mundial em 2004. E, quem viveu tanta enchente
de peito, esteve ainda presente na inauguração do Estádio do Dragão, a 16 de
Novembro de 2003, com os olhos rasos da imensidão sentida de tamanho espetáculo
ao vivo, culminando no jogo de estreia do novo estádio, sensibilizado em
vitória por 2-0 perante o Barcelona, com o golo inicial a sair dos pés de
Derlei, o herói do prolongamento da final histórica que dera a Taça UEFA,
momento extravasado como todos os que antes se ansiava mesmo saber como seria.
E, de permeio, houve ainda a medalha de ouro conquistada pela Fernanda Ribeiro,
nos 10.000 metros de Atletismo dos Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados
Unidos da América, em 1996; como antes a mesma atleta do F. C. Porto
conquistara, em 1995, a medalha de Campeã do Mundo de 10.000 metros em
Gotemburgo-Suécia, mais, entretanto, as medalhas de Vice-campeã Mundial de
5.000m também em Gotemburgo e de 10.000 m em Atenas, respetivamente nos anos de
1995 e 1997, a Medalha de Bronze Olímpica nos Jogos de Sydney, outra de Campeã
da Europa de 3.000 m em pista coberta no Europeu de Estocolmo em 1996, etc,
etc.
Tempos
ditosos, sentidos no acompanhamento apaixonado clubista, apenas de nota menor
verificada na alteração acontecida nos equipamentos oficiais do F. C. Porto,
contra os próprios Estatutos, ao que se verificou na passagem do Clube
desportivo a sociedade-SAD. Deixando aí de poder haver uma eterna identificação
à sagrada camisola de duas verticais e largas listas azuis sobre fundo branco,
conhecida das sucessivas gerações de adeptos e que era imagem de marca dentro e
fora de portas, como foi durante tantas e tantas décadas de anos. Apego nada
conforme às mudanças que se passaram a verificar anualmente, afinal, em infeliz
ocorrência, ainda que das poucas, mas vincada, do duradouro e glorioso mandato
de Pinto da Costa. Embora, como o clube se elevou até patamar só tornado
possível com alguém que sente e respira o clube, ainda possa voltar a haver
total identificação do passado ilustre ao porvir ansiado, quando voltar a ser
imposta verdadeira mística e deixar de se sobrepor o fator económico (de
interesse comercial de vendas de camisolas diferentes todos os anos).
Enquanto isso
e o mais, menos mal em sonhos, mas não materialmente para fazer face às
dificuldades de manutenção das intenções culturais e associativas, à falta de
apoios, felizmente não se pensava tanto noutros assuntos sempre que o Porto foi
sendo campeão e se ouvia, no apogeu, o tema “We are the champions”, dos Queen.
Algo que se deseja sempre repetir, ano após ano, como no efeito de encher o
peito ao ouvir “Somos Campeões” em plena erupção do estádio do Porto, tal como
a expansão pelos ares que transmite instantâneo trautear mental da ode musical
dos “Filhos do Dragão”.
Filho da
nação, mas do mundo Dragão, ansioso por saber da salvação de próximas horas
ou dias de boa disposição, como sempre que o Porto ganha, o ego foi cada vez
subindo mais até o F. C. Porto ter passado a ser o clube português com mais
títulos a nível europeu e mundial, em plena entrada no século XXI; como, além
de ser o clube de futebol de primeiro plano mais antigo em Portugal, o glorioso
e grandioso baluarte azul e branco também ser detentor de mais Supertaças
nacionais, por ser prova disputada apenas em regime democrático (numa edição
das quais, em 18 de Setembro de 1996, com célebre 5-0 ao Benfica, mesmo no
antigo Estádio da Luz); ao invés de Campeonato e Taça onde, na soma de títulos
conquistados, há pecúlios vindos de tempos de ditaduras; como ainda sentindo-se
orgulho em Vítor Baía, guardião do FCP, haver atingido posição de futebolista
com maior número de títulos nacionais e internacionais, no mundo. Etc. etc.
Boas motivações,
essas e outras vividas, a par com quaisquer instantes menos apreciados,
como de em 2004 a seleção representativa de Portugal ter perdido, em casa para
cúmulo, o Europeu de futebol de séniores disputado em Portugal, por “manias” de
tiros nos pés. Só porque os senhores da Federação mandaram vir do outro lado do
Atlântico um selecionador que se prestou a fazer o disparate de tirar da equipa
o guarda-redes português mais vitorioso... Qual fantochada da vontade de
determinados sectores. Acrescido do facto, só não importante para os
adversários do Porto dentro do país, de Baía ter sido eleito pela UEFA o Melhor
da Europa (conforme título dos jornais de 20 de Julho de 2004). E, com essas
manobras, mais uma vez os resultados depois ficaram à vista, repetindo-se a
história. De pouco valendo as prestações de uma boa parte dos outros
componentes da equipa, entre os quais estiveram integrados diversos jogadores
do F. C. Porto, como Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Maniche,
Costinha e Deco, mais Postiga (que regressava então temporariamente ao clube e
depois voltaria para o estrangeiro, até novo retorno, mais tarde). Não sendo
pela representação do F. C. Porto que, mais uma vez, o gato foi às filhós, pois
desta feita tiveram forçosamente de ser convocados atletas portistas em número
razoável, atendendo ao seu valor e ao percurso que o clube obtivera pouco antes
na Europa. Mas, contudo, além do afastamento escandaloso de Vítor Baía, para
provocar, até num jogo da fase de apuramento foi convocado o então (pasme-se)
terceiro guarda-redes do Porto, ao tempo jovem guardião da equipa B do F. C.
Porto, Bruno Vale, só por essa vez, entenda-se. Curiosamente, porque não se
pode deixar de reparar e refletir, a chamada do luso-brasileiro Deco à seleção
teve grande resistência dos dirigentes, jogadores, jornalistas e adeptos dos
clubes de Lisboa e mesmo do sul, porque representava o F. C. Porto. Volvido um
ano, depois de ter passado a representar o Barcelona de Espanha, passou a ser
considerado imprescindível...
Coisas que não
têm explicação, entre gente inteligente.
Antes e pelo
meio disso, acontecera entretanto, de novo a nível da Seleção, outras que tais
atoardas voltadas a suceder no Mundial de 2006. Aí, com a chamada geração de
ouro do futebol português e quando nunca esteve tão acessível a esse nível o
lugar supremo do pódio, dessa feita calhou a terminação do 4º lugar menos
desejado... Em cuja campanha, ironicamente, ou talvez não, entre duas dezenas
de convocados, apenas foi escolhido um (Ricardo Costa) então suplente da equipa
que dias antes se sagrara campeã nacional, além de Postiga, mas esse porque
estivera emprestado (não envergando a camisola do Porto ao tempo da
convocatória), enquanto o que fora considerado por toda a comunicação social
como melhor do ano (Ricardo Quaresma) ficou de fora... andando-se a brincar com
os símbolos nacionais, como a bandeira e a camisola de Portugal.
Contudo, de modo sintomático, passando um autêntico
atestado, no fim da época o Sindicato de Jogadores Profissionais nomeou Vítor
Baía o Melhor Guarda-redes Português da época 2005/2006, referindo ter havido
em conta, para essa escolha, «rigor e prémio à excelência». Com a
particularidade de, nessa eleição, pelos valores atribuídos perante o
desempenho respetivo ao longo da época, o guarda-redes da seleção, Ricardo, ter
ficado em quarto lugar, atrás dos guardiões de Porto, Braga e Benfica...
Pormenores
esses, que são o que são, sempre. Como outros antes e depois, já a nível ainda
mais clubista, de novo. Acrescendo, noutro exemplo de que as coisas por vezes
ultrapassam as marcas, em ter havido casos como aquele facto de que, enquanto a
questão do dirigente Veiga do Benfica ter ficado impune na sua ligação ao
Estoril, que muito ajudou o Benfica em 2004/05 a sair da travessia de onze anos
em jejum, se propagandeou entretanto um tal “caso apito dourado”... Que, mais
tarde, sofreu forte cambalhota logo que se soube que o presidente Vieira do SLB
estava meio ou mais que envolvido... E, a seguir a Veiga ter sido penhorado e
quando Vieira foi noticiado que fora constituído arguido no “caso da
transferência de Mantorras”, logo apareceu uma editora a lançar à pressa um
livro de afirmações lançadas à toa, sem provas, de uma antiga acompanhante de
Pinto da Costa... a qual, não sabendo falar nada de jeito, ao que se notou na
metralhadora campanha da comunicação “sulista e elitista”, e como de certeza
menos ainda saberia escrever o que fosse em forma, teve que ter outrem a
escrever de encomenda...Tal qual, no chamado “caso Mateus”, em que o Gil
Vicente, clube de Barcelos, do Norte, foi prejudicado (sendo despromovido)
porque do outro lado da barricada estava o Belenenses, de Lisboa, que havia
descido mas assim foi repescado... E não é que, na época 2006/07, um golo
ilegal do Sporting no Nacional da Madeira, precedido de falta, foi esquecido na
comunicação social, enquanto, uma semana depois, um golo também falso, mas do
Paços de Ferreira, em Alvalade, foi falado insistentemente toda a semana
seguinte e referido longo tempo na TV e jornais... E, particularmente, logo no
primeiro “clássico” dessa mesma temporada, o Sporting-Porto que teve lugar em
Alvalade com empate a 1-1, com cujo resultado, contra as expectativas
imperialistas, o Porto se manteve no comando da Superliga, aconteceu isto: Ao
intervalo, quando os leões venciam por margem mínima, pelo menos dois canais
televisivos deram a notícia, à boca cheia... Depois, como o F. C. Porto impôs a
igualdade no marcador, no final não houve nada para ninguém... Ou melhor, quem
ficou à espera de ouvir o resultado (já que o jogo fora transmitido em canal
codificado), como enfim ver imagens ou apreciar comentários, teve de se aguentar
até horas tardias, para um apressado programa a descarregar opiniões de
jornalistas e agentes comprometidos... E na semana seguinte, na aproximação à
vinda do Benfica ao Dragão, foi enorme a cobertura mediática duma lamentável
campanha benfiquista, a tentar desviar atenções de mau momento da equipa e a
tentar jogar nos bastidores para o confronto que se aproximava, que mais
parecia que os dirigentes encarnados eram donos e senhores de toda a
comunicação social... Para, no apogeu do interesse, depois de o Porto ter
vencido o Benfica por 3-2 num prélio interessante, acontecer mais uma
estranheza de bradar aos céus: Pois, tendo um benfiquista atirado para o
estaleiro com o jovem talentoso Anderson, de forma a fazer sair do campo o
então melhor futebolista azul e branco, saído de maca com o perónio partido, a
comunicação social sediada a sul logo tentou encobrir a agressão, como a manha
de mais um árbitro que, na jogada à margem das leis, nem falta marcou e muito
menos admoestou o agressor, bem se sabendo porquê... Não se podendo esquecer
que o mesmo atleta, depois, continuou a jogar e a prestar serviço ao seu clube,
enquanto o ariete do Porto ficou afastado, impossibilitado de contribuir para a
sua equipa largo tempo (durante cerca de cinco meses!). Não servindo de nada
antecedentes, decididos pelos órgãos superintendentes do futebol, como de
quando, na década de cinquenta o Virgílio do Porto, que estivera numa jogada de
que saiu lesionado um tal Caiado do Benfica, esteve de castigo, sem jogar,
enquanto o adversário se não recompôs. Não sendo lembrada essa pena quando os
infratores são outros, como numa agressão do Toni do Benfica a acabar com a
carreira do brasileiro Marco Aurélio do Porto, em finais dos anos setenta.
Contudo, na inversa até já houve repetição da história, já na década de
noventa, com um castigo a Paulinho Santos, do Porto obviamente. Enquanto de
outras vezes, e daquela última referida ocorrência de Katsouranis do Benfica,
não foi aplicada tal sanção, como sempre quando o F. C. Porto é o clube lesado. Coisas?!
Algo que só
prova que quando os fracos não conseguem superiorizar-se de forma limpa, não
olham a meios para atingir fins, ainda que tenham de usar processos matreiros e
subterrâneos... E todas as campanhas, de imprensa e quejandos, mais não são que
tentativas de distrair e iludir a opinião, tal qual modos de pressão a procurar
manter poderes instituídos... Pois, tudo isso só demonstra, como em todos os
clãs agarrados ao poder, haver jogadas para tentar abater quem ameace
privilégios e apareça a sobrepor-se... O que, afinal, comprova o F. C. Porto
ser mesmo grande, invejado e temido.
Senão, porque
é que a comunicação contrária, com os canais televisivos na primeira fila,
quando sucede um desaire do F. C. Porto (felizmente escassos nas últimas décadas),
abrem telejornais, iniciam blocos informativos e o mais que tiverem à mão, com
ares esbaforidos, sem conseguirem disfarçar a surpresa de alegria que tanto
ansiavam... tal qual os jornais mais faciosos dão destaque em primeiras
páginas... como se uma notícia bombástica haja acontecido...?! Acontecendo que,
em tais situações, mas quando é com outros... metem o rabo entre as pernas,
apresentando as respetivas notícias intrometidas banalmente, senão mesmo
arranjando diferentes focos de atenção, de notícias de chamariz alternativo,
que façam esquecer seus deslizes... Porque será?! Ora, porque o F. C. Porto é
mesmo o melhor – logo como os mais fracos sempre detestaram os fortes...!
Tal qual,
sequencialmente, não se entende mesmo a superpromoção dada na comunicação dita
nacional ao Benfica, sobretudo, como ao Sporting, mas a esse mais quando os
encarnados estão em baixa... Ao invés do restante panorama. Repare-se, por
exemplo, como ainda em 2006 o Braga não teve direito a qualquer transmissão
direta dos seus jogos, em qualquer dos canais televisivos, durante a sua
campanha na Taça UEFA, enquanto jogos do Benfica num torneio particular no
Dubai foram transmitidos, para cúmulo em tardes de semana, ou seja em horários
laborais... Enfim!
Mas... Os
exemplos são mais que muitos, tornando-se desnecessário prolongar a sequência
infindável... Bastando, do que está mais fresco ainda, registar ao calha o que
aconteceu no princípio de 2007, com o favor prestado a um futebolista do
Benfica, o brasileiro Luisão, o qual depois de ter sido apanhado embriagado a
conduzir seu automóvel, a altas horas da madrugada, sendo presente a tribunal acusado
de uma taxa elevada de álcool, foi ilibado com uma pena irónica de 40 horas de
prestação de serviços cívicos – porque era quem era, na ocasião... Ao passo
que, por exemplo, segundo notícias vindas nalguns órgãos de comunicação, um
serralheiro, apanhado no mesmo dia mas com dose inferior, viu ser-lhe retirada
a carta de condução e foi condenado efetivamente... Como veio n’O Jogo de
14/01/2007, em “Sistema 2”: «Depois dos casos João Pinto, Mantorras e Luisão,
vou começar a acreditar no Luís Filipe Vieira... Quando ele fizer aquelas
previsões a respeito do apito dourado. Nenhum clube conhece os tribunais por
dentro como o Benfica...»!
Razão tinha um
(F.C.R.) leitor do JN, que na “Página do Leitor” do Jornal de Notícias de
21/01/2007 questionava: «...E o “apito encarnado” não irá ser investigado? De
certeza absoluta que o senhor Procurador-geral da República não se esquecerá,
também, de destinar alguém para tratar do caso Mantorras, manhosamente retirado
do domínio público, e do obscuro caso João Pinto/José Veiga! Nestes dois
últimos casos estão em causa mais de cinco milhões de Euros de fuga ao Fisco!
Já agora, para que tudo possa ficar muito claro, não seria interessante que a
CGD desse a conhecer os contornos em que se desenvolveu e fixou o contrato
sobre o campo de treinos da equipa do regime, no Seixal?...» Anormalidades que, depois, atingiram as raias
do grotesco, quando uma escandalosa arbitragem derrotou o Porto em Leiria, no
início da 2ª volta da Liga 2006/07 (nitidamente para evitar o distanciamento
classificativo do Porto para com o Benfica e o Sporting) e tendo o treinador do
F. C. Porto pedido uma investigação da atuação de tal trio de arbitragem por
demais comprometido, na evidência da “roubalheira” praticada diante dos olhos
de toda a gente, as instâncias devidas fizeram orelhas moucas... mais parecendo
que em Portugal o crime compensa, quando é para tentar destronar ou desmoralizar
o F. C. Porto.
– Mas então o
Porto nunca foi ou é beneficiado?! Terá sido e pode ser numa ou outra ocasião,
mas nada que se pareça a atitudes premeditadas. Porquê? Ora... É tal a campanha
pública e eterna... Que: Como quando algum árbitro, na dúvida, não apita contra
o F. C. Porto, lhe cai logo em cima e durante longo tempo tudo o que tem poder
na opinião pública, acontece mais o contrário... Pois, na dúvida, é mais cómodo
aos árbitros e comentadores serem contra o Porto, em Portugal...!!!
É também tal a
lavagem ao cérebro geral, nos órgãos de influência pública, por exemplo, até na
televisão dita nacional, inicialmente a única e de monopólio estatal e depois
todos os canais existentes, que mesmo em casos como a morte há facciosismo:
Então não é que da morte de Fernando Pavão, falecido em pleno Estádio das
Antas, pouquíssimas imagens há da correspondente ocorrência, enquanto que da
morte do benfiquista Feher foram transmitidas mil e tal horas de imagens, em
horas consecutivas de reportagens televisivas, incluindo o funeral em direto
(conforme está registado na comunicação social desses dias)... E, enquanto de
antigos futebolistas do F. C. Porto não tem havido lugar televisivo a notícias
de falecimentos nem muito menos evocações, como aconteceu aquando do
desaparecimento do Custódio Pinto e mais recentemente de Fernando Perdigão, Hernâni, e outros. Ao
passo que (e logo a seguir ao falecimento do Perdigão), já da morte do Bento do
Benfica houve mesmo reportagens em direto, programas biográficos, etc. e tal...
Para não bater na mesma tecla com o sucedido em 2014, aquando do falecimento de
Eusébio, que mais parecia ter sido uma figura de estado… Só não sendo referido
que o Benfica não tem ainda um mausoléu para homenagem eterna aos seus valores,
ao invés do Porto que o tem já há muito tempo (desde 1969, mais precisamente).
Metendo dó tanto descaramento enervante, na diferença de tratamentos, como se
todo o povo tivesse ainda os olhos fechados...?!
Com essas e
outras… porque Jorge Nuno Pinto da Costa, com seu carisma e apetência para
liderar a defesa do F. C. Porto, conseguiu combater esse situacionismo, dentro
do possível, transformando o representante nortenho num portentoso clube, é que
o Presidente do Porto, Pinto da Costa, começou a ser contestado pelos adeptos
do contra (quanto à diferente situação, mas simpatizantes a favor de antigos
protecionismos e favoritismos), sendo hostilizado e até difamado... Porém, a
melhor resposta aconteceu na votação dos Maiores Portugueses de sempre, na
eleição nacional (através de votos dos portugueses que se quiseram manifestar,
por essa via), efetuada durante 2006 e anunciada em Janeiro de 2007. Em cujo
certame, organizado pela RTP, entre as 100 Personalidades mais admiradas da
História de Portugal (tendo sido votados quase três mil nomes), Pinto da Costa
figurou em 17º lugar, à frente inclusive de muitas figuras famosíssimas nas
mais diversas áreas de intervenção, competência e heroicidade... E nenhum nome
de dirigente do Benfica ou Sporting teve lugar nos primeiros cem!
Em suma, além
do F. C. Porto ser um símbolo representativo da capital do Distrito do Porto, a
que Felgueiras pertence, como de ser embaixador do Norte e do País, afinal, o
mesmo fenómeno é algo especial. Como escreveu o grande escritor transmontano
Dr. João de Araújo Correia, quanto ao amor à Invicta, «Só não ama o Porto quem
não o conhece...»!!!
Referimos
factos de há alguns anos, porque os mais recentes ainda estão bem presentes na
memória geral. Deixadas correr as águas já passadas sobre as pontes, sempre com o minuto 92 na cabeça, pois foi quando Jesus, o treinador do Benfica, personalizando todo o universo encarnado, ajoelhou em pleno relvado do estádio do Dragão...
Haja agora
o futuro, sempre atento ao porvir, entre afetos e atenções.
Armando Pinto
((( CLICAR SOBRE AS IMAGENS, para AMPLIAR )))
Não admira que a mourama não goste desta exposição tão completa e com tantas verdades. Saúdo a recolocação e vou imprimir antes que os gajos tentem outra surripadela. Nunca vi um artigo tão explícito. É do melhor que conheço na Web. O nosso Porto é grande em adeptos conhecedores de factos históricos.
ResponderEliminarPena que no museu não temos uma base de dados sobre antigas personalidades das varias modalidades do clube. Um trabalho que era obrigação do clube em fazer mas que são os adeptos anónimos a fazê-lo apenas por dedicação e amor ao clube.
ResponderEliminarAbraço
Só uma referencia aquela foto em que está o Gomes ladeado pelo André e pelo Inácio, os três de braço erguido com o Quim a agarrar o Gomes, essa foto é uma das mais belas que já vi sobre o F.C. Porto.
ResponderEliminarBelo artigo!!
ResponderEliminarContinue por muitos anos sempre a descrever com rigor e qualidade de escrita nesta cruzda contra os Mouros!!
Forte abraço!!
Era preciso haver muitos mais assim quem fizesse ver ao mundo o que os mouros sempre fizeram. Bem contado o que conhecemos em parte, mas muita gente não. Continue e nunca lhe doa a escrita.
ResponderEliminarEste ano a roubalheira contra o Porto está a passar das marcas, o colinho aos outros está a ser de mais. A Direcção do FCP tem de se fazer ouvir mais, mas parece que o povo tem de começar igualmente a mostrar descontentamento!
ORGULHOSAMENTE PORTISTA DESDE TENRA IDADE!
ResponderEliminar