Continuando na boa maré de aniversariantes, por estes dias, espraiando-se em mar azul ondas de lembranças descritivas sobre
confrades colaboradores do antigo jornal O PORTO, calha nesta data lembrar mais
um bom amigo, na pertinência de ser aniversariante do dia - o Armindo Vasconcelos.
Esse mesmo que foi redator e depois Chefe de Redação interino do jornal O Porto.
Ao qual, aqui para o blogue “Memória Portista”, estava há muito reservado um lugar
de honra descritiva que andava na ideia do autor deste espaço, com respeito a
ser referência no que representou o jornal O Porto até seus últimos anos de existência
na vida do FC Porto. Motivo que desta vez vem a propósito, como homenagem ao
mesmo Armindo Vasconcelos, assim lembrado e homenageado no dia de seu aniversário
(quando se publica esta alusiva comemoração escrita). Que, sendo alguém com algo de jeito,
ao jeito de filho de algo no Portismo que nos corre nas veias, qual fidalgo
portista, se deve acrescentar ser assim mais: Armindo de Vasconcelos!
O Armindo, tal como eu, é Felgueirense, natural do concelho de Felgueiras. Mas só nos conhecemos pessoalmente por o FC Porto ser um grande elo de ligação, no caso através do jornal O Porto. Tanto que eu o conhecia apenas de nome, pelo que ele assinava em seus escritos no jornal do FC Porto, pelos finais dos anos 70. Depois sim, encontramo-nos uma tarde em que no estádio das Antas pela primeira vez fui para um local da imprensa. Colaborador como eu era desde 1974 do jornal O Porto, só em 1980 recebi um cartão correspondente, que fui buscar a casa do Zé Viana no dia do Porto-Sporting, terminado num empate 1-1, porque o Garrido não assinalou um primeiro penalti, e só mais tarde assinalou outro, pois era demasiado roubar dois... E então, nessa tarde domingueira, indo com o Viana, estava lá também o Armindo num dos sítios dos jornalistas, onde estavam também redatores do jornal do FC Porto. E conheci aí o Armindo Vasconcelos. Longe até de imaginar, como soube então, que ele era familiar de um meu colega de emprego, ao tempo, por encabação ” (não sendo direto, mas por ter casado com uma prima e entrado assim na família dele). Esse por sinal um benfiquista “aferroado”, com quem eu me dava bem no trabalho enquanto não falássemos de desporto, mas com quem sempre mantive boa colaboração laboral e natural amizade extra-desportiva. Contudo deixando-o sempre algo lixado quando eu recebia correspondência portista, pois eu indicara como endereço postal o local de trabalho, para receção de correio (que obviamente era distribuído pelos carteiros em horários em que eu estava fora de casa). E então em tudo que chegava, fosse o jornal O Porto, ou cartas e encomendas com remetente contendo símbolos e o nome FC Porto, lá vinha: Armando Pinto - Posto Clínico da Longra… como ao tempo era referido oficialmente o Centro de Saúde da região. E então, quando eu soube que o Armindo o conhecia, imaginei logo como seriam as conversas entre eles…
Pois então o Armindo de Vasconcelos nasceu em terra de Felgueiras, na
freguesia de Revinhade (como eu soube depois), com laços familiares também em Margaride, na então vila e hoje cidade de Felgueiras, sede do concelho. Mas desde muito novo demandou
outras paragens, tendo ido estudar para Braga. Onde andou na escola Colégio de
Montariol. Depois foi para a cidade do Porto, e aí frequentou o Curso de Filologia Românica na
Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Entretanto foi cumprir o serviço militar obrigatório e na tropa rumou a Moçambique,
mobilizado que foi para a guerra colonial naquela província do Ultramar então
português. E no regresso fixou-se na cidade Invicta seguindo rumo profissional,
enquanto ganhou amizades, entre as quais de amigos portistas. E um desses era redator
do jornal O Porto. Estava feita a encomenda que traçaria esse destino. Tendo
desse modo para o FC Porto contribuído de forma desinteressada, ou seja pro
bono, durante vários anos.
Então o Armindo de Vasconcelos foi redator d’ O
PORTO, jornal oficial do FC Porto, que serviu mais tarde na função de “Chefe de
Redação Interino”, quando o anterior desse lugar, o histórico José Viana,
passou para Diretor Interino, à saída do anterior Diretor Interino, Carvalho
Couto, que antes também tinha sido Chefe de Redação. Todos esses e outros daqueles de tarimba, como ao longo do tempo, de meu tempo de género correspondente à distância, havia por lá uns Almeida e Sousa, Carvalho Brochado, etc. Sendo os lugares interinos, assim, porque havia nomeações da Direção, por
vezes demoradas até à respetiva oficialização. Mas também porque os que
trabalhavam (escreviam, faziam reportagens e publicavam) eram mesmo os
redatores, depois com funções de nomeação interina, porque os diretores de
cadeiras diretivas eram mais de nome que outra coisa.
Desse labor clubista serve de exemplo uma crónica publicada na
revista do aniversário do FC Porto, em 1981.
Entretanto, eu deixara de escrever para o jornal no princípio
da década de 80, ainda com toda a equipa do jornal em funções, até que tempos
depois soube que o Armindo Vasconcelos, mais o José Viana, e outros saíram mais
tarde.
= Homem do jornal do Clube presente na vinda do futebolista
Jacques Pereira para o FC Porto, em 1981.
Então, passados tempos, depois das mudanças operadas no
clube em 1982, saindo toda a gente que antes fazia o jornal O Porto, o Armindo, o Lopes de Almeida e
o Viana fundaram um jornal diferente, "O Vento Norte", que foi uma lufada profunda no ambiente regional. Enquanto ele e outros redatores do antigo O
Porto passaram a escrever numa outra publicação desportiva periódica, a revista "Bancada".
~~~ ***** ~~~
Ora, um percurso de vida assim merece uma melhor ordenação curricular. Quão, para acertar o passo, se coloca de fio a pavio:
Nascido a 24 de Fevereiro de 1951, em Revinhade
(Felgueiras), cresceu em Meixomil (Paços de Ferreira), frequentou aí a Escola
Primária Antero de Figueiredo, tendo sido aluno de um vulto local, o Professor
Manuel Vieira Dinis, que lhe incutiu um gosto para a vida: a história e a
arqueologia.
Frequentou, então, o Colégio Franciscano de Montariol
(Braga), «vindo desse período a definitiva ligação ao portismo, por obra e graça
de uma velha glória, o Senhor Hernáni Ferreira da Silva, que vi jogar num
amigável com o Braga e que me conquistou pela sua classe, apesar de já estar na
parte final da carreira» - como ele conta.
= Como nos filmes, o artista distingue-se sempre pela diferença que marca...
Seguiram-se dois anos como aluno externo e
trabalhador-estudante, frequentando o Colégio Universal no Porto para terminar
o curso complementar dos liceus. Ainda como trabalhador-estudante, andou pela
Faculdade de Letras, curso de Filologia Românica, corria o ano de 1970.
Numa época em que a guerra colonial era uma espada sobre a
cabeça de uma geração, interrompeu o curso e não pediu o terceiro adiamento de
incorporação, indo parar a Mafra, ao curso de oficiais milicianos. Minas e
armadilhas foi o desafio seguinte, após o qual foi para a Moçambique, já depois
do 25 de Abril de 1974, onde participou na descolonização.
No regresso, reencetou uma participação contínua nos
diversos palcos do clube. Desde os infantis aos seniores no futebol,
acompanhando hóquei em campo e em patins, basquetebol e automobilismo, os fins
de semana eram uma barriga cheia de FCP, tantas vezes à boleia.
Em determinada altura, decidiu apresentar uma candidatura ao
Jornal O Porto, começando como colaborador, seguindo para redactor, e
terminando como Chefe de Redacção Interino, em 1982, altura em que pediu a
demissão.
Como memória da bancada, um isqueiro ST Dupont que lhe caiu
na cabeça quando Duda marcou o seu primeiro golo num célebre jogo com
Manchester United, deixando-o a coçar o sítio do impacto, com o galo a cantar à
meia-noite…
Como memória marcada na pele até hoje, um empurrão do João
Pinto e do Jaime Magalhães para a água, numa fase final vencida, pensa que de
juvenis, em Leiria, com o azarado raspar da canela na beira da piscina.
Ou a dimensão enorme, como portista e como dirigente do
basquetebol, do Velho Eduardo Casimiro de Matos Pacheco, com quem partilhou
momentos incríveis, sobretudo quando o Professor Jorge Araújo passou pelo
clube. Como companheiro de luta, neste enorme espaço portista, o saudoso José
Viana, que recorda todos os dias.
Hoje, apenas adepto, doente como sempre, tem assistido à
história ímpar do clube, muito mais a partir de Braga, cidade onde se fixou há
17 anos, do que no estádio. Mas não diminuiu esta paixão enorme. O reencontro
com antigos colaboradores do jornal do clube foi para si reviver memórias,
amizades e um espírito que só se sente, sendo portista.
Para além do jornal do clube, foi colaborador em inúmeros jornais: O Jogo, Notícias da Tarde, Jornal de Notícias, Comércio do Porto, O Primeiro de Janeiro, A Bola, Revista Bancada, e o projecto editorial mais louco do Lopes de Almeida, que também foi colaborador do nosso jornal, O Vento Norte.
Posteriormente, mantendo-se ligado ao desporto, o Armindo Vasconcelos
correspondeu a um apelo que lhe foi dirigido e passou a ser Presidente da FPH-Federação Portuguesa de Hóquei (em Campo). Onde deixou sua pegada, ao longo
de cinco anos, desde 2017 até 2022, pelo meio incluindo as dificuldades surgidas com o
aparecimento da pandemia Covid-19. Deixando contudo uma folha de serviço bem cheia, em
objetivos conseguidos.
Já com mais acalmia no dia-a-dia, tem havido oportunidade de
nos juntarmos, pertencendo o Armindo Vasconcelos também ao Grupo dos Colaboradores do Jornal O PORTO, como um dos que temos estado em todos os
convívios já realizados.
Desde Sobrado, passando por S. Mamede de Infesta, pelo Porto... e até novamente Sobrado!
Atualmente o Armindo de Vasconcelos escreve num blogue chamado AVATAR. Mantendo
identidade própria, qual icónica forma de misticismo, ele que sempre foi verdadeiro,
frontal e direto com sua boa disposição, escrevendo sem papas na língua,
da fala escrita. Em estilo com seu quê de algo próprio, em boa forma, de mente
sã em corpo são.
~~~ ***** ~~~
E assim... eis aqui esta homenagem de apreço ao amigo Armindo.
Não tanto como inicialmente pensara desenvolver, porque a narrativa se foi
alongando e muito ficou por dizer (escrever). Ficando porém a ideia de fazer lembrar
gente que em tempos serviu o FC Porto, como no caso. Dando a conhecer antigos
colaboradores do jornal O PORTO. Como é este exemplo do Armindo de Vasconcelos.
A quem, sendo aniversariante nesta data, remeto aqui por escrito meus Parabéns, com
esta prendazita alusiva à nossa amizade pessoal e clubística, de ligação
Portista.
Armando Pinto
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