No sorteio oficial realizado esta segunda-feira, com vista à
4.ª eliminatória da Taça de Portugal de futebol destinada ao fim de semana de 21 e 22 de novembro, ficou a saber-se
que o início da prova para o FC Porto será no Estádio do Dragão, tendo como
visitante o União de Paredes, que calha vir jogar com o FC Porto para a
eliminatória em que entram na competição os clubes que disputam as provas
europeias.
Entretanto, «antes de marcar encontro com os Campeões
Nacionais, o conjunto primeiro classificado da Liga 3 afastou o Ermesinde 1936
(1-3), o SC Maria da Fonte (5-1) e o FC Famalicão (1-0) da prova rainha». Muito antes ainda, no tempo e na memória,
deitando olhos à história «o único jogo oficial entre FC Porto e USC Paredes
realizou-se a 4 de fevereiro de 1990, nos 16 avos de final da Taça de Portugal.
Nessa data, os Dragões de Artur Jorge venceram por 5-0 no Estádio Municipal das
Laranjeiras, com golos de Rui Águas (três), Paulo Pereira e Geraldão.
Em caso de vitória, os Dragões visitam o vencedor do duelo
entre a UD Leiria e o Leça FC nos oitavos de final, marcados para os dias 15,
16 ou 17 de dezembro. Em determinadas circunstâncias, os clubes envolvidos nas
competições europeias poderão jogar em datas alternativas.» - conf. “fcporto.pt”.
Ora esse jogo de 1990 teve a particularidade de, na ocasião,
o FC Porto ter homenageado António Araújo, antigo internacional do FC Porto que
se iniciara no Paredes e depois jogou no FC Porto, tendo rumado ao Porto por
interferência do Padre Marcelino da Conceição, ao tempo diretor do FC Porto -
como se ilustra com imagem da entrega duma estatueta dum Dragão de porcelana,
que Araújo recebeu das mãos de Jorge Nuno Pinto da Costa. Sendo de acrescentar que o Padre
Marcelino da Conceição, antes de ter vivido no Porto, foi um dos fundadores do
mesmo clube de Paredes, quando era pároco precisamente nessa então vila. Tal como
ficou ligado à mesma fundação um outro personagem comum aos dois clubes, como
foi Delfim Pinto da Costa, que mais tarde chegou a ser cronista no jornal O
Porto e ficou célebre como autor dum livro importante entre factos históricos
do FC Porto, o “Caravana da Saudade” (de narrativa, em género relatório, da
digressão da equipa de futebol do FC Porto a Angola, em 1949).
Pois então, nesta oportunidade e em vista da ocorrência da
próxima eliminatória da Taça de Portugal, recorde-se o anterior jogo, realizado
em fevereiro de 1990, em Paredes - através da respetiva reportagem publicada na
revista Dragões, incluindo imagens da homenagem da Direção do FC Porto a
António Araújo.
Posto isto, há que recordar que António Araújo foi um
futebolista lendário, deveras importante, que em seu tempo chegou a ser o único jogador do
FC Porto a jogar pela Seleção Nacional, à época, a pontos de então se dizer que
a chamada equipa das quinas era uma Seleção de Lisboa mais Araújo, tal como o
FC Porto era Futebol Clube do Porto de Araújo. Representou o FC Porto entre
1942 e 1952, sagrando-se melhor marcador do campeonato nacional em 1947/48 com
36 golos. Jogou no clube da Constituição e das Antas em 168 jogos oficiais pela
equipa principal e marcou 137 golos. Não tendo jogado mais por ter sido vítima
de prolongadas lesões, que provocaram longas paragens de inatividade desportiva.
Na seleção fez 9 jogos e marcou 6 golos, 2 dos quais na primeira vitória de
Portugal sobre a Espanha (4-1) em 1947, nesse tempo de poucos jogos internacionais.
Convém referir ainda que do concelho de Paredes são
também os mais recentes e históricos Valdemar Pacheco e Rui Barros, naturais de
Lordelo, mas de ligação ao Aliados de Lordelo na sua formação,
sem terem representado o clube da sede do seu concelho, União de Paredes. Ambos
já reportados neste mesmo blogue, anteriormente.
Acresce que, quanto aos 3 personagens do caso, da ligação do
Clube de futebol de Paredes ao FC Porto, sobre Araújo já aqui no blogue Memória
Portista está o mesmo referenciado num artigo, assim como Delfim Pinto da Costa
é referido na alusão à digressão de 1949 e sua obra da Caravana da Saudade, enquanto
o Padre Marcelino da Conceição será o próximo a ser evocado.
Armando Pinto
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