Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sábado, 25 de abril de 2020

Vermelhinho: herói surgido do nevoeiro de Aberdeen


Se em 1974 alegremente ficamos a saber, eu e todos os mancebos em idade de incorporação militar, que já não íamos para a guerra, visto que o 25 de abril iria acabar com a guerra colonial… em 1984, eu e todos os portistas como eu, pelo menos, tivemos a grata alegria de saber que íamos à final da Taça das Taças da Europa. Após ter sido eliminado o campeão escocês Aberdeen – forte conjunto do panorama do futebol europeu desse tempo. Com a certeza obtida no célebre jogo da 2ª mão das meias-finais em que o FC Porto foi a essa cidade portuária de ligação às plataformas petrolíferas do Mar do Norte, e, em noite de forte nevoeiro a encobrir a visão televisiva (como os que acompanhamos esse jogo conseguimos ver de olhos ainda mais atentos ao pouco que se podia vislumbrar, tentando adivinhar o resto…), e ali foi obtida ligação direta à final dessa então segunda prova mais importante do futebol europeu. Graças a mais um boa exibição de toda a equipa portista, culminada no célebre golo de Vermelhinho, num longo “chapéu” que desfez as cortinas da penumbra em que até aí o futebol do Futebol Clube do Porto tinha estado encoberto a nível internacional.


Com efeito, em 1984 aconteceu isso (como é sintetizado na newsletter Dragões Diário, a lembrar o acontecimento da data, a 25 de abril de 2020, quando passam 36 anos dessa épica jornada): «Dez anos depois da revolução, contra os vermelhos de Aberdeen que eram treinados por Alex Ferguson, futuro manager dos vermelhos de Manchester, Vermelhinho correu pelo campo fora e marcou esse golo. O FC Porto venceu por 1-0, o mesmo resultado que tinha alcançado nas Antas, e qualificou-se para a final da Taça das Taças ao eliminar os detentores do troféu.»


Pois então a data de 25/04/1984 ficou na história do FC Porto, perante o resultado do jogo da 2ª mão da meia-final Aberdeen 0 - FC Porto, 1, no Estádio Pittrodie em Aberdeen / Escócia, com golo de Vermelhinho!


E assim Vermelhinho, nome de guerra e apelido desportivo de Carlos Manuel da Silva, extremo esquerdo que do lado direito do campo, em Aberdeen, marcou o golo da passagem à final da Taça das Taças de 1984, ficou celebrizado por esse momento inesquecível. Numa carreira em que até ainda foi Campeão Nacional com o FC Porto em 1984/85 e 1985/86, bem como ganhou a Taça de Portugal em 1983/84 e 1985/86, mais a Supertaça portuguesa em 1982/83 e 1983/84. Currículo que não constava ainda na totalidade quando foi publicada a ficha que aqui juntamos, referente à época do título nacional de 1985.


Armando Pinto
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quinta-feira, 23 de abril de 2020

FC Porto 1º Campeão Nacional de futebol - Vencedor do 1º Campeonato Nacional da 1ª Divisão / Época de 1938/1939


O dia 23 de abril na História do FC Porto tem diversas marcas assinaláveis. Entre as quais, nesse dia, ao correr do ano de 1911, ainda nos primeiros tempos de atividade futebolística, o FC Porto recebeu a primeira equipa francesa a jogar em solo português: o Vie au Grand Air du Médoc. E, largos anos volvidos, no mesmo dia da numeração do calendário, mas em 1939, o FC Porto alcançava o título de Campeão de Portugal, no primeiro Campeonato Nacional disputado com esse figurino. Bem como, muitíssimos anos depois, nessa data de 1982 Jorge Nuno Pinto da Costa tomou posse para a primeira gerência da sua Presidência e em 2009 foi inaugurado o Dragão Caixa, o pavilhão atualmente chamado Dragão Arena.

Ora como destes mais recentes casos já em anos anteriores aqui se assinalaram esses momentos históricos, desta vez lembra-se o primeiro Campeonato da 1ª Divisão Nacional de futebol.

Cromos – Coleção da caderneta “Futebolistas de Portugal - equipa do “Football C. do Pôrto, 1939”

Com efeito, a 23 de abril de 1939 o FC Porto sagrou-se vencedor da primeira edição do Campeonato Nacional da Primeira Divisão, em resultado de como terminou a prova no último jogo, ao empatar 3-3 com o Benfica perante os 25.000 adeptos que enchiam o Campo da Constituição, tendo ficado cerca de 10.000 do lado de fora, segundo os relatos da época. Com esse resultado (nessa era e por muitos mais anos em que as vitórias correspondiam a 2 pontos) foi mantida a distância sobre Sporting e Benfica, de 1 e 2 pontos respetivamente.

= Equipa do FC Porto da Época 1938/39: campeões nacionais!
Em cima, da esquerda para a direita - Miguel Siska (treinador), Soares dos Reis, Sacadura, Guilhar, Manuel dos Anjos “Pocas”, Carlos Pereira, António Baptista, Reboredo, Rosado e Francisco Gonçalves (massagista); em baixo pela mesma ordem - Castro Ferreira, Lopes Carneiro, António Santos, Costuras, Artur de Sousa “Pinga” e Carlos Nunes.

Depois de na jornada anterior o FC Porto, em deslocação ao vizinho estádio do Lima, ter conquistado a maior vitória fora de casa da sua história, como aconteceu aí na penúltima jornada do campeonato dessa edição de estreia do atual formato, com os portistas a venceram o Académico FC por 12-1 (com cinco golos de Costuras, quatro de Carlos Nunes, dois de António Santos e um de Reboredo), chegava depois assim à conquista do Campeonato.

= O goleador António Santos, autor de dois golos no jogo do título !

De tal modo, nesse jogo final e decisivo, no Campo da Constituição, os azuis e brancos treinados por Mihaly Siska empataram a três com o Benfica e confirmaram a conquista do primeiro dos 28 títulos nacionais nesta versão da competição, na conta oficial até aos dias que correm.

Foi isso, então, a 23 de abril de 1939, à 14ª e última jornada do Campeonato da 1ª Divisão Nacional, conforme a partir dessa época passou a chamar-se a prova principal do calendário do futebol português. Em jogo realizado no Campo da Constituição, sob arbitragem de Henrique Rosa, de Setúbal. O FC Porto alinhou com Soares dos Reis, Sacadura, Guilhar, Anjos “Pocas”, Carlos Pereira, Reboredo, Lopes Carneiro, António Santos, Costuras, Pinga e Nunes. Marcaram os golos da parte do FC Porto António Santos, 2 e Costuras 1. Numa marcha de marcador em que António Santos fez logo de início o 1-0, mais tarde Costuras repôs a vantagem ao colocar o resultado em 2-1, quase no fim do primeiro tempo; e já na segunda parte António Santos, de novo voltou a dar vantagem ao colocar o resultado em 3-2, sempre com o FC Porto na frente e o Benfica à procura do empate, que voltou a conseguir por fim.


Além dos jogadores que alinharam no último jogo, também jogaram ao longo do campeonato e foram Campeões Baptsta, Castro e Rosado.

= Soares dos Reis !

Assim sendo, recuando a 1939, ressalta nas atenções históricas o facto de então, mais de 50 anos após o primeiro jogo de futebol em Portugal, se ter registado a estreia do Campeonato Nacional, prova que desde aí assumiu dimensão de mais importante competição. O FC Porto, treinado por Mihaly Siska, célebre ex-guardião portista, com uma equipa que girava em torno da genialidade de Artur Sousa (Pinga), venceu essa primeira edição, conforme sucedera no Campeonato de Portugal e na I Liga.

Primeiros Campeões - Painel de homenagem referencial aos primeiros Campeonatos, sempre ganhos pelo FC Porto: 1º Campeonato de Portugal, em 1921/22; 1º Campeonato da Liga, em 1935 e 1º Campeonato Nacional em 1938/39 (atualmente já com novo nome de 1ª Liga). Com imagem da equipa principal dos Campeões de 1939. 

= Em homenagem aos primeiros campeões, eis a equipa base dessa época, conforme imagem ao tempo fixada à posteridade em separatas e livros. Campeões Nacionais do FC Porto da Época 1938/39 - de cima para baixo: Soares dos Reis, Sacadura, Carlos Pereira, Manuel dos Anjos Pocas, Reboredo, António Baptista, Carlos Nunes, Artur Pinga, Costuras, António Santos e Lopes Carneiro. 

Reparando-se no que é transmitido pela imprensa, entre os totalistas, no grupo dos jogadores mais utilizados no FC Porto, sobressaía Artur de Sousa “Pinga”, um dos maiores talentos de sempre do futebol luso. Bem como Carlos Pereira, António Santos, Carlos Nunes e José Monteiro “Costuras”, este o melhor marcador, também estiveram em todos os jogos. Enquanto Soares dos Reis apenas num jogo foi substituído por Rosado.

= Artur de Sousa "Pinga" 

Depois disso, houve um festival de consagração realizado no Campo da Constituição, dias depois, a comemorar festivamente esse feito, em "Homenagem aos Campeões", sendo-lhes na ocasião atribuídas medalhas alusivas. 

= Festa de Homenagem do clube aos Campeões Nacionais no Campo da Constituição. Pose dos Campeões, jogadores, porta-estandarte e outros antigos jogadores simbólicos, mais elementos da comissão organizadora do evento. Em cima da esquerda para a direita - Carlos Nunes, Manuel Silva (Comissão Organizadora), António Teixeira (Comissão Organizadora), José Moreira (Comissão Organizadora), Ferreira (Comissão Organizadora), Jerónimo Faria, Joaquim Moreira Júnior (Atleta de atletismo), Valdemar Mota (1º Olímpico do FCP, com a bandeira do clube), Álvaro Sequeira (atleta eclético), José Carlos Gouveia (Comissão Organizadora), Cândido Flórido (Comissão Organizadora), António Figueiredo (Comissão Organizadora) e Sacadura. Em baixo pela mesma ordem - Carlos Pereira, António Santos, Soares dos Reis (guarda-redes titular), Rosado (guarda-redes suplente), Manuel dos Anjos "Pocas", Costuras, Vítor Guilhar, António Baptista e Reboredo.

Armando Pinto
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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Revista “Dragões” e crónica d’ A Bola em tempo de Pandemia


Já está em espaço informático mais uma edição da revista Dragões. Que brevemente deverá chegar também à caixa de correio caseira dos assinantes, além naturalmente de ficar à disposição dos interessados nas lojas do clube.

Quem desta vez já recebeu esta edição da Dragões com data de março são os Sócios do FC Porto com mais de 70 anos de idade, ou seja os que estão no chamado grupo de risco da pandemia do Covid-19.


Ora com o conhecimento de já estar “cá fora” esta mais recente edição da revista oficial do FC Porto, houve também notícia de o Presidente Pinto da Costa ter enviado uma revista destas a cada sócio da referida faixa etária, junto com uma carta explicativa, mais a oferta dum cachecol. E além disso ser difundido na internet, pelas redes sociais, foi também dado nota nalguma imprensa sobre a referida carta. Como no caso do jornal A Bola, que não compramos nem lemos por norma, mas de cujo número houve conhecimento vasto por via duma notícia referente à candidatura de Nuno Lobo às próximas eleições do FC Porto, que tem circulado pelo Facebook.

Assim sendo, em tempo de confinamento, enquanto temos de estar em casa por causa da pandemia do Covid/Coronavírus, e com quase tudo parado, incluindo o futebol e restantes modalidades desportivas, ainda há coisas a mexer e que nos fazem despertar para o mundo do FC Porto que nos interessa.

Pois então, porque nisto de período de retiro também há a aproximação às eleições que também têm estado em espera, colocamos tudo isto neste espaço de memorização, porque tudo o que respeite ao FC Porto nos merece atenção.


Assim: A Revista “Dragões”-2020-nº 400, datada de março e chegada agora a público em abril, tem referência do próprio Presidente na já habitual "Página do Presidente, quanto ao mesmo facto da carta enviada. Na qual, escrita à mão aos sócios com mais de 70 anos, Jorge Nuno Pinto da Costa afirma «Venceremos», como frase forte em texto a tranquilizar os adeptos mais velhos, nesse envio de mensagem de força para esta luta.

Como tal, enquanto se pode dizer que o mundo está parado e o futebol também, no emblema azul e branco vai havendo sinais de movimentações, conforme se nota.

Não conhece o autor deste blogue o teor total da missiva, pois não tenho ainda essa idade, embora já não falte muito para apanhar tal escalão, contudo pelo que se tem lido na comunicação pública, o gesto simbólico é interessante e deve servir de exemplo para que os sócios sejam mais lembrados, sempre.


Disso mesmo faz eco então também o jornal A Bola, encimando artigo a seguir dedicado ao também candidato Nuno Lobo, nos seguintes termos:


«Nuno Lobo é candidato à presidência do FC Porto, juntando-se a Pinto da Costa, no cargo há 38 anos, e José Fernando Rio na corrida eleitoral. Em contacto com Matos Fernandes, presidente da Assembleia Geral, o empresário do setor da restauração, de 50 anos, licenciado em Ciências Históricas, ficou ontem a saber que deve entregar a 4 de maio - primeiro dia útil após o fim do estado de emergência que vigorará até dia 2 - as 300 assinaturas previstas nos estatutos como mínimo indispensável para poder ir a votos. Recorde-se que as eleições estiveram inicialmente marcadas para o passado sábado, mas a pandemia de Covid-19 obrigou a um adiamento para data a definir.

«No atual contexto, conforme todos perceberão, foi um esforço brutal para conseguirmos as assinaturas. Até ao dia da entrega, contamos reunir ainda mais», revelou A BOLA, Nuno Lobo, decidido a esclarecer que a «candidatura agora apresentada não é contra a figura de Pinto da Costa», ponto de partida para criticar o passado recente de um «trajeto glorioso» iniciado em 1982: «Vivemos um pesadelo de 19 anos sem ganhar um campeonato [de 1959 a 1978], esse período ficou perdido no tempo com inúmeras vitórias, mas nos últimos seis anos só ganhámos uma liga. Isto é o retorno a um passado triste. Não queremos viver com aquele espírito do Benfica das conquistas do passado, essas ainda a preto e branco. Não sou anti-Pinto da Costa, se ganhar até gostaria que fosse presidente honorário, gosto muito de Reinaldo Teles, mas chegou a hora de mudar.»


Natural de Angola, mas desde os nove anos a viver na Invicta, após dois em Lisboa, Nuno Lobo é um «adepto doente do FC Porto, no melhor sentido da palavra».

Integrou os Dragões Azuis, primeira claque do clube, esteve envolvido na criação dos Super Dragões - «aproveito para destacar o papel das nossas claques, os Super e o Coletivo» - e até fundou o Movimento Portuense, já extinto.

 «Mal-habituado por tantos triunfos», estranha o «enfraquecimento constante do plantel», socorrendo-se de exemplos: «Como é possível ter deixado sair a custo zero Herrera e Brahimi? E não ter acautelado a situação do Alex Telles, com contrato só até 2021? Sem nada ter contra ele, o Marcano saiu a custo zero e um ano depois pagámos quatro milhões por ele.»

***
Posto isto, registando o que vivemos dentro de casa, como se diz e no caso é mesmo verdade, mas com a cabeça mais ao longe, até ao mundo do Dragão, nesta temporada difícil destes tempos mais difíceis da nossa existência coletiva, não deixamos de ter presente o FC Porto.

Armando Pinto
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terça-feira, 21 de abril de 2020

Troféu Pavão


Na calha da rememoração sobre a homenagem póstuma prestada a Pavão em 1975, vem à memória a correspondente taça que ficou a perpetuar essa ocorrência, então, ostentando figuração alusiva, com nome de Trofeu Pavão.

Esse galardão de homenagem ao simbolismo de Pavão no mundo portista foi taça que depois disso ficou exposta na antiga Sala-museu Afonso Pinto de Magalhães, na antiga sede social, na ao tempo chamada Praça do Município. E consta da coleção de cromos comemorativa do Centenário do FC Porto – 1893-1993.


Armando Pinto
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domingo, 19 de abril de 2020

Recordando: Homenagem a Pavão, com um busto inaugurado e um jogo – na efeméride dessa realização


Pavão, falecido em pleno relvado do estádio das Antas, a jogar ao serviço do FC Porto, e ficado depois imóvel ainda com a camisola do FC Porto vestida, em Dezembro de 1973, não mais saiu do afeto portista. E, passados tempos, em abril de 1975, foi justamente homenageado com a colocação dum monumento junto ao estádio onde tombara para sempre, cuja inauguração dessa coluna teve lugar aquando dum jogo em sua memória. A 19 de Abril de 1975, data a assinalar na passagem da respetiva efeméride.


Fernando Pascoal Neves, mais conhecido por Pavão (nascido em Chaves a 12 de Agosto de 1947 e falecido então no Porto a 16 de Dezembro de 1973), foi importante jogador de futebol do Futebol Clube do Porto, clube que representou em juniores, categoria em que foi campeão nacional, e depois em seniores, com uma Taça de Portugal conquistada, sempre com a camisola do FC Porto vestida. Um valoroso futebolista que, além disso, tendo sido um dos grandes ídolos da família portista, morreu em plena partida de futebol no Estádio das Antas. Ocorrência triste e inesquecível, acontecida ao minuto 13 da 13ª jornada da época de 1973/74, durante um jogo do Futebol Clube do Porto com o Vitória de Setúbal no Estádio das Antas. Aí esse célebre Pavão (assim conhecido por fintar os adversários de braços abertos), caiu no relvado, depois de ter feito um passe ao então jovem colega de equipa Oliveira, indicando-lhe de braços abertos para avançar, dizendo-lhe: «- Vai, miúdo!». Caído depois, já inanimado foi levado para o Hospital de São João, mas apesar de todas as tentativas de reanimação, não foi possível salvá-lo.



Ora, passados tempos, já com Cubillas como figura da equipa principal do FC Porto, para cuja vinda Pavão também contribuíra, num plantel em que evoluíam jovens valores como o referido Oliveira, mais Rodolfo, também já Fernando Gomes, etc., foi organizado um jogo para homenagear em campo o eterno Pavão, como pretexto para a inauguração dum monumento erigido em sua memória. Tendo o descerramento dessa coluna, com um medalhão contendo o respetivo busto esculpido, acontecido em cerimónia antecedente ao jogo de cartaz do correspondente programa. Com a filha de Pavão, Maria Alexandra, menina de tenra idade, a ter a honra no ato, sendo por sua mão que foi puxada a bandeira que cobria o obelisco, assim descerrado e ficado à vista. Na presença de dirigentes e intervenientes convidados para o jogo, que opôs a equipa do FC Porto com a Seleção Nacional, sendo árbitro o mesmo, Porém Luís, que apitara no fatídico jogo em que Pavão faleceu. 


Cerimonial esse que se relembra através de fotos do momento, vendo-se Fernando Gomes (entre o benfiquista Humberto Coelho e o setubalense Rebelo) com a camisola da equipa dos selecionados, por o "Gomes do Porto" ter sido escalado para essa representatividade.


Após a inauguração do monumento dedicado ao Pavão, as atenções de momento viraram-se para o interior do estádio, tendo o jogo sido antecedido com a presença da viúva de Pavão a fazer as honras do cerimonial, na distribuição de medalhas alusivas aos intervenientes no desafio de futebol. 


Logo de seguida a mesma entregou um simbólico ramo de flores ao capitão de equipa Rolando, em agradecimento aos antigos colegas do marido, na companhia da filha, que foi fotografada junto com a equipa, na pose de conjunto.


Na ocasião houve ainda a entrega, por parte de representantes do jornal Mundo Desportivo, de dois galardões de Prémios que Pavão conquistara aquando de inicativas desse jornal, tendo esses prémios sido depositados nas mãos da filha de Pavão. Assim como, na oportunidade, outro prémio do mesmo jornal (então existente) e que fora ganho por Rolando, foi entregue ao nesse tempo capitão do FC Porto.


Quanto ao jogo, que serviu de chamariz (F. C. Porto, 1 -  Seleção Nacional, 1), sob arbitragem de Porém Luís, o FC Porto alinhou com: Tibi, Leopoldo, Rolando (capitão), Vieira Nunes, Gabriel, Rodolfo, Peres, Cubillas, Oliveira, Júlio e Laurindo. E a Seleção Nacional com: Damas, Rebelo, Humberto Coelho (capitão), Alhinho, Barros, Octávio, João Alves, Fraguito, Marinho, Toni e Fernando Gomes. O resultado final cifrou-se num empate a um golo para cada lado, sendo marcadores Oliveira e João Alves. 


Desse jogo pode recordar-se ainda o mesmo através de imagem dum dos bilhetes, no caso dum convite – como mostra do prélio que assinalou a homenagem, com resultado terminado num empate de 1-1 entre o FC Porto e uma Seleção de Internacionais portugueses.


Um bilhete-convite do mesmo jogo está exposto na vitrine dedicada a Pavão, no museu do FC Porto.


Também, de tal acontecimento nessa noite, ficou a mesma homenagem assinalada com a medalha distribuída pelos jogadores, árbitro e seus auxiliares, da qual mais exemplares foram colocados à venda e alguns estão em mãos de colecionadores. 


O monumento, da autoria do escultor Baltazar Bastos, ficou assim no espaço de saída do departamento de futebol, no terreiro que continha também um monumento erigido pelo Conselho Cultural do FCP ao Presidente Honorário Afonso Pinto de Magalhães (e mais tarde, largos anos depois, passou a ter também mais uma edificação de estatuária com o busto do entretanto também falecido Rui Filipe; monumentos esses, do Pavão e Rui Filipe, que passaram para uma zona nobre do interior do estádio do Dragão, com o desaparecimento do antigo estádio; junto com uma lápide e anexo medalhão de homengem a José Maria Pedroto, que estava no hall de entrada da  área social do estádio das Antas, onde também havia o painel de azelejos com o poema Aleluia (o qual  passou a figurar no atual museu). Enquanto o monumento a Pinto de Magalhães desapareceu da vista publica, até agora.


Fernando Pascoal Neves, mais conhecido e celebrizado por Pavão, falecido na cidade do Porto e no coração do FC Porto a 16 de Dezembro de 1973, foi assim celebrizado monumentalmente a 19 de abril de 1975. Ficando algo a recordar publicamente esse que foi dos melhores jogadores nacionais, e se mais não foi reconhecido em seu tempo isso entende-se pela trama portuguesa perante representantes do FC Porto, clube com cuja camisola azul e branca vestida ele conseguiu ser Campeão Nacional de juniores e vencedor da Taça de Portugal, já em seniores. Tal como tinha a faixa de capitão da equipa principal do FC Porto, além de ter envergado ainda a camisola da seleção nacional – não tantas vezes como merecia ser chamado a representar Portugal, sabendo-se que era o melhor no seu lugar, mas como jogava no FC Porto, atendendo ao sistema BSB que privilegiava tudo o que fosse de Benfica, Sporting e Belenenses, as poucas vezes que conseguiu superar isso demonstra como era mesmo bom… e superior à concorrência!


Pavão está sepultado no Mausoléu do Futebol Clube do Porto, no cemitério de Agramonte, onde jazem Estrelas do FC Porto. E uma sua camisola está preservada, emoldurada devidamente, em recanto domicilário do autor destas linhas escritas.

Armando Pinto
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sábado, 18 de abril de 2020

Efeméride do Título Nacional do Voleibol Portista em 1975 e extensivo historial da secção no clube


A propósito da passagem do 45º aniversário da conquista de mais um título nacional do FC Porto através da antiga equipa masculina de voleibol, calha desta vez uma boa oportunidade de ser evocado o historial dessa modalidade dentro do Futebol Clube do Porto.

Ora, como é bem lembrado na newsletter oficial Dragões Diário, nesta data: - «O universo do FC Porto parou, há 45 anos, para acompanhar com tensão e atenção o jogo que podia valer a reconquista do campeonato de voleibol. No Pavilhão das Antas, frente ao Benfica, os Dragões venceram por 3-0 e confirmaram um título que teve a marca de José Moreira, então jogador-treinador e hoje responsável pela equipa feminina de uma modalidade que ganhou nova vida no clube.»


Foi, com efeito, a 18 de abril de 1975, ainda no período de mudança após o 25 de abril do ano anterior, que o FC Porto em Voleibol Sénior masculino se sagrou campeão nacional nesse cenário entusiasta e perante tal panorama competitivo.

Essa era então a primeira época como treinador do então jovem atleta José Moreira, acumulando ainda e logo com apenas 22 anos a dupla missão de jogador e treinador.

Recordando essa alargada vitória, homenageamos também o regresso da modalidade ao clube acontecido esta época, evocando tudo por junto, na pertinência da lembrança desse início de carreira do que é hoje responsável da equipa feminina. Por meio do qual e através dele, mais do empenho do dirigente e Provedor dos sócios Rodrigo Afonso Barros, bem como na área técnica também de Rui Moreira, hoje o voleibol faz novamente parte das atenções portistas, agora com olhos na equipa feminina.

Assim, fixamos sentidos olhares de memória na equipa que venceu esse título portista de Campeão Nacional, em 1975:

Campeões Nacionais de 1975 - Em Cima, a partir da esquerda: ERNESTO COSTA (Chefe de Secção). MANUEL MOREIRA (Orientador), ALVIM (Massagista), Atletas GUILHERME PEDROSA, ERNESTO COSTA, EDUARDO MONTERROSO, SÁLVIO NORA, JOSÉ MOREIRA (Treinador/Jogador) CARLOS MARQUES, AVELINO SIMÕES (Seccionista), Em baixo, pela mesma ordem: ÁLVARO MARTINS, TITO CONRADO, EDUARDO TENTÚGAL, FRANCISCO COSTA, ARTUR GOMES E MÁRIO RUI.

Recorde-se (conforme foi referido na página oficial do clube, aquando da inclusão do voleibol feminino no seio portista, e se atualiza) que «o voleibol azul e branco nasceu em 1941/42, sob a orientação do treinador Fernando Rodrigues Castro, que ajudou a criar as bases da modalidade no clube. Foi no Campo dos Aliados, no qual também jogava a equipa de basquetebol, que se começou o caminho vitorioso, uma vez que os Dragões não precisaram de muito tempo para conquistar o primeiro troféu. Logo na época seguinte, sagraram-se campeões regionais em primeira categoria. Eduardo Moreira de Almeida, já na década de 50, juntamente com Noronha Feio, ajudou a desenvolver a modalidade.» Com Manuel Puga ao leme, o FC Porto continuou a somar conquistas. Depois, José Moreira continuou o legado deixado pelo pai do agora médico dos Dragões. Hoje em dia, decorre já um novo desafio, unindo a Academia José Moreira ao FC Porto, juntamente com Pedro Violas, dono da Cotesi e patrocinador principal da equipa .»

Entre diversos momentos históricos da existência do Voleibol jogado durante muitos anos por homens no FC Porto, ficou a participação na Taça dos Campões Europeus em 1969/70, com momento bem disputado na eliminatória com o Atlético de Madrid em Janeiro de 1970.



Até que, em 2019, o vólei voltou ao FC Porto, com a presença que se faz notar da equipa feminina.


Entretanto, sendo a nível de alta competição esta época a primeira vez que o FC Porto tem voleibol feminino, já a nível experimental houve um anterior ensaio. Tendo existido então, embora de curta duração, uma equipa experimental, que não chegou a ter continuidade. Como se pode ver por uma foto de inícios da década de setenta.

= Equipa do FC Porto de Voleibol Feminino da época de 1970/71:
 Em cima, a partir da esquerda para a direita - Maria Fátima Marinho, Maria de Fátima, Maria Emília, Filomena Braga e Maria Adelaide; em baixo, pela mesma ordem - Fernanda Maria (Capitã), Maria Paula, Maria Francelina, Maria Antonieta e Maria Joaquina. Treinador Álvaro Martins.

= Taça de Portugal do Voleibol Masculino, uma das diversas conquistas do FC Porto até três décadas atrás...

«Com nove campeonatos nacionais e seis Taças de Portugal no palmarés, a secção de voleibol encerrou na temporada 1989/90. 30 anos depois, uma nova era da modalidade começou, em 2019, sempre de azul e branco.»

Agora, na pertinência atual: Associando todo um passado rico de história e memórias, extensivamente damos uma volta pelo historial da secção, deitando mão ao que está registado nalgumas publicações de cariz azul e branco.

Como complemento, neste género de périplo pelas versões que estão impressas, começa-se pela publicação que teve lugar na revista “A VIDA DO GRANDE CLUBE NORTENHO (2)”, Especial Seleções Desportivas, de 1978:


De seguida, continua-se com a revista oficial comemorativa do aniversário do clube (pela antiga data), publicada em 1981, sob título “75 ANOS AO SERVIÇO DA JUVENTUDE E DESPORTO”.


E termina-se com o que ficou a constar no “ANUÁRIO 2004 – O DRAGÃO NO MUNDO – delegações e filias”, de publicação do Conselho Cultural do FC Porto em 2004. 


Armando Pinto
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Obs.: As fotos com marcas personalizadas são do arquivo pessoal do autor. As restantes são de jornais de arquivo do amigo Paulo Jorge Oliveira. Além naturalmente da foto oficial colorida da atual equipa feminina, que é de partilha informática.

A. P.