domingo, 24 de julho de 2016

Álbum sobre ciclismo – a propósito de caderneta colecionável


Antecedendo o sinal de partida da Volta a Portugal em bicicleta, um jornal diário de implantação nacional saiu para a rua com o lançamento duma caderneta colecionável sobre ciclistas que se salientaram ao longo dos tempos nas edições da Volta a Portugal já realizadas. Numa iniciativa de fidelizar leitores durante o período mais próximo ao decorrer da corrida maior portuguesa. Sendo interessante a ideia, mas não tanto a concretização, mal se viu a caderneta, entretanto já entregue (para colagem de imagens, ao género de cromos autocolantes, de distribuição diária com o jornal). Atendendo a diversas incorreções que ressaltam e vários esquecimentos incompreensíveis.

Não se entende como não foram lembrados diversos nomes dos mais conhecidos e sempre recordados, entre os considerados heróis da estrada, no sentido de notáveis ciclistas que ficaram sobremaneira na memória da Volta. Especialmente vendo que figuram intercalados alguns que não foram vencedores da mesma prova, enquanto ficaram esquecidos autênticos expoentes, tais como uns Eduardo Lopes, Aniceto Bruno, Dias dos Santos, Onofre Tavares, Moreira de Sá, Artur Coelho, Mário Silva, Sousa Santos, pai e filho (vencedor da Volta), Alberto Carvalho, Joaquim Leão, Joaquim Andrade… Para só referir alguns dos ases de outros tempos, uns mais antigos e outros menos, dos que ainda são referidos como uns senhores no ciclismo, ídolos de gerações e com palmarés que falam por si, mesmo mais salientes que um ou outro dos que foram colocados… Inclusive com currículo desportivo de nomeada, como (ao lado) relembramos o de Mário Silva, que até venceu o trofeu Roda de Ouro em seu tempo.

Podia e devia tal realização, da seleção e explanação contida na caderneta em apreço, ter sido melhor cuidada, e não feita de modo aligeirado, houvesse isso sido com mais atenção. Bastando ver como até em dados estatísticos houve distração, tal o caso de ter havido desconhecimento que, por exemplo, Marco Chagas entre as Voltas que venceu só uma foi pelo FC Porto e não como aparece na lista da mesma caderneta; assim como Carlos Carvalho venceu o Prémio da Montanha por quatro vezes, e não três.

Ora, a passo de corrida tal, é praticada autêntica injustiça perante nomes daqueles, que mais parece terem sido mandados para o carro vassoura da história, no caso da caderneta em questão, vendo que assim ficou um álbum incompleto. Referindo-se o facto para em possíveis edições futuras poder haver documentação mais completa, porque edições destas têm interesse. E como são publicações para guardar, sendo assim induzirão em erro no decurso do tempo, se não registarem tudo como deve ser.


Procurando dar ao pedal contra esse esquecimento, lembramos alguns nomes, incluindo gravuras de três desses em sobreposição à imagem da capa. E acrescentando fotos de dois dos ciclistas que mais admiramos, Mário Silva e Joaquim Leão, com as coroas de louros de vencedores das suas Voltas, como grandes vencedores das edições de 1961 e 1964, respetivamente.

ARMANDO PINTO

((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

4 comentários:

  1. O JN está a saque. está entregue a bandidadem(lamps)
    Halves

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  2. É mais um livrinho para colecionar e assim sendo é pena que não esteja completo, com os melhores. Mais, sendo como é um produtoi com aprovaçaõ da federação, como está no site oficial:
    Na qualidade de jornal oficial da Volta a Portugal em Bicicleta, o Jornal de Notícias vai recordar os Heróis da Estrada. A partir do próximo dia 24 de Julho será distribuída uma caderneta em forma de camisola com autocolantes com os momentos históricos e figuras mais emblemáticas do ciclismo português.

    “Dos lendários duelos entre José Maria Nicolau e Alfredo Trindade, dos quais nasceu a rivalidade entre o Benfica e o Sporting, até às estrelas da actualidade, como Gustavo Veloso, passando por outros nomes míticos, como o portista Fernando Moreira, ou por outras lutas inesquecíveis, como as travadas na estrada entre Alves Barbosa e Ribeiro da Silva, Joaquim Agostinho e Fernando Mendes”, promete o título do Global Media Group sobre a coleção que incluirá ainda pequenos textos biográficos das lendas do desporto português, acompanhados por curiosidades da Volta e por imagens de equipamentos como bicicletas e capacetes, luvas e bidons, que mostram como a prova evoluiu ao longo dos anos. Haverá ainda dados estatísticos, designadamente o palmarés da competição, sendo esta uma colecção com a chancela da Federação Portuguesa de Ciclismo.

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  3. Ainda bem que há pessoas atentas e competentes para reparar (e denunciar) anomalias deste jaez. Leio o JN desde os 12 anos e para o ter andava três km (ida e volta) a pé ao sol e à chuva. Hoje, ainda o faço. Sem prazer e, até, com algum desgosto. Já não o sinto "o meu jornal". Definha a cada número, percorrendo o caminho do CM...

    DRAGÃO, SEMPRE!

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  4. O JN está passado a vender a sul e procura com estas e outras retirar importância a vitórias nortenhas. Tristes que não vêm que se perdem leitores do norte vão acabar como outros que desapareceram. É lamentável não colocarem Mário Silva, que o AP lembra muito bem em tantos posts, e também os outros que refere neste lembrete, Dias dos Santos que venceu duas voltas, o Moreira de Sá que era dos melhores da sua especialidade da península Ibérica, etc. Enfim!

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