Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

90.º Aniversário natalício de Hernâni Ferreira da Silva, o General do futebol portista e “senhor Hernâni” do futebol português!

 

No dia 1 de Setembro de 1931 nasceu Hernâni Ferreira da Silva, avançado e Capitão da equipa principal do FC Porto nos anos 50 e até aos inícios da década de 60. Grande jogador que, como um dos mais valiosos futebolistas do FC Porto, consideramos autêntico General do esquadrão das Antas; o qual posteriormente também foi  diretor do departamento de futebol. 

Homem, futebolista e dirigente durante toda a sua carreira sempre fiel ao FC Porto e que como tal apenas vestiu outras camisolas por motivos excecionais – como foi o caso de ter jogado um ano no Estoril Praia enquanto cumpria o serviço militar em Lisboa, assim como fez parte duma comitiva do Sporting numa digressão ao Brasil no defeso de 1953, a pedido do clube lisboeta como forma de então reforçar assim momentaneamente a equipa leonina diante dos adversários estrangeiros; e duma outra vez em que fez um jogo pelo Nacional da Madeira, também a pedido do clube insular, em jogo contra uma equipa espanhola (o Desportivo Las Palmas); além, naturalmente, das camisolas das seleções que representou, desde a seleção militar, em que foi campeão do Torneio Internacional Militar de 1958 (de nações da NATO) e obviamente da Seleção A e antes também na B. Em cujas prestações ao serviço das seleções, pelo respeito que metia, tal a predominância pelo seu alto valor, Hernâni era tratado pelos colegas por “senhor Hernâni”, como alguns companheiros da equipa das quinas contavam e inclusive Eusébio referiu em entrevistas públicas.

Todo esse percurso de Hernâni, sempre muito importante para o FC Porto e para com as equipas que episodicamente ajudou (o que demonstra sua valia reconhecida na generalidade, sendo desejado por todos) levou a causar certas invejas e animosidades, como aconteceu com uma invenção do jornalista Carlos Pinhão, que num livro da coleção Ídolos do Desporto escreveu que Hernâni havia simpatizado com o Benfica tempos antes, o que era redondamente falso... quando Hernâni sempre foi portista. 


Hernâni Ferreira da Silva foi sempre grande no futebol, como demonstra ter começado logo em grande no FC Porto. Havendo tido mesmo uma estreia em grande, a 11 de outubro de 1953 em dia de clássico em que o FC Porto recebia e vencia o Sporting por 1-0 na segunda jornada da I Divisão de 1953/54; tendo o golo sido da autoria precisamente  de Hernâni, que ali fazia a estreia no (então) novinho Estádio das Antas, inaugurado em Maio do ano anterior, numa altura em que Hernâni representava o Estoril, como solução de recurso  após ter sido chamado a cumprir serviço militar em Lisboa. (Regressando de seguida Hernâni Silva ao FC Porto passada essa temporada de ausência por um ano.) O virtuoso médio-ofensivo, que no mês seguinte era chamado pela primeira vez à seleção nacional, marcou 14 golos nessa época e foi o terceiro melhor goleador dos azuis e brancos. E logo aí começou a ganhar influência na equipa para depois se tornar um dos ídolos da nação portista e passar a ser conhecido como “Furacão de Águeda”.


Hernâni, na linha de Pinga, Valdemar Mota, Siska, Soares dos Reis, Araújo, Virgílio, Américo, Festa, Custódio Pinto, Pavão, Rolando, Fernando Gomes, João Pinto, Vítor Baía, Jorge Costa, é um dos expoentes do imaginário portista, entre os que ao longo de uns bons anos tiveram considerável carreira e foram influentes na auto-estima portista. Juntando ainda outros futebolistas com mais ou menos anos de serviço como jogadores de importante contributo, tal como Costuras, Correia Dias, António Santos, Carlos Nunes, Barrigana, Arcanjo, Pedroto, Ângelo Carvalho, Carlos Duarte, Monteiro da Costa, Nóbrega, Valdemar, Djalma, Lemos, Cubillas, Ademir, Domingos, Sérgio Conceição, Madjer, Juary, Futre, Deco, Derlei, Pedro Emanuel, Kelvin, etc. Com mais ou menos longevidade, mas de vincada celebridade, por quanto ficaram na memória histórica.


Assim, Hernâni Ferreira da Silva, General das tropas do título de Campeão Europeu de Seleções Militares que Portugal ficou a ostentar em 1958, o senhor Hernâni para sempre fica no coração memorial do FC Porto por toda a aura de seu excecional percurso, aqui por diversas vezes aflorado e desta feita recordado com mais um lembrete de recordação.


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Olha o Hernâni ! Dizíamos nós, os miúdos do meu tempo de infância, quando víamos o Hernâni nos jornais e nos “bonecos” dos rebuçados, em cromos de papel mole para colecionar em cadernetas, que juntávamos para gáudio de apreço… Tal a simpatia com que Hernâni era apreciado. Apesar de nesse tempo, no meu tempo de menino e moço, ele, o senhor Hernâni, já estar quase a abandonar o futebol, antes ainda do meio da década dos anos sessentas.



Ora Hernâni, o grande futebolista que os próprios “jogadores” de seu tempo tratavam por Sr. Hernâni, completaria ao início de Setembro mais um aniversário natalício. Passando agora, nesta data, noventa anos desde seu nascimento.


Hernâni Ferreira da Silva vive para sempre no coração da história do F C Porto e de todos os que conhecem e apreciam esse passado venerando, confiam no presente esperançoso e o futuro promissor do nosso grande F C Porto é em tons de azul vivo. Com todo o passado histórico consubstanciado em fiéis e dignos representantes, como Hernâni, no topo.


Curvando-nos diante de sua memória, prestamos homenagem a esse General do F C Porto através de algumas imagens de arquivo e recortes alusivos respigados do livro “FCPorto figuras & factos / 1893-2005”, de J. Tamagnini Barbosa e Manuel Dias.

Conforme consta em diversas publicações, ele «foi um dos mais famosos jogadores de futebol da História do Futebol Clube do Porto, clube onde iniciou em 1950 e terminou em 1964 a carreira (tendo ainda representado o Estoril uma época, na fase de serviço militar em que teve de estar fora da cidade do Porto, em 1952/53). Em 277 jogos para o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, marcou 136 golos, alguns deles a revelar a arte e a superior capacidade com que driblava em velocidade, sempre em direção à baliza. Além disso, vestiu a camisola da Seleção por 28 vezes, nas quais marcou seis golos. Era conhecido pelo “furacão de Águeda” numa alusão à sua naturalidade.» Pela seleção militar cobriu-se também de glória, tendo sido goleador e capitão da seleção representativa das forças armadas que venceu o Torneio Internacional Militar, em 1958.


Anos depois de ter deixado de jogar, serviu ainda o FC Porto como diretor, ficando famosa a sua posição de não pactuar com as "roubalheiras arbitrais" do sistema, levando a ter sido forçado a abandonar o cargo pelas perseguições de que foi alvo, ainda em meados dos anos sessentas. Porém deixando marca, como no caso da reorganização acontecida no futebol do clube após a fraca época de 1969, sendo com seu cunho que se deu o regresso do guarda-redes Armando e os ingressos de Abel e Manhiça, em 1970.
 
A sua carreira está também resumida no trabalho de Rodrigues Teles sobre os "Internacionais do F. C. Porto":


Se fosse vivo Hernâni fazia agora 90 anos, neste dia 1 de setembro de 2021.

Faleceu no dia 5 de Abril de 2001, então com 69 anos, com a aura popular de ter sido um dos mais importantes jogadores de futebol da nossa história. Ficando Hernâni Ferreira da Silva como um grande nome do futebol e dos maiores de sempre do FC Porto.

Algo está escrito sobre Hernâni, mas não tanto como merecia, sobretudo na comunicação oficial emanada de Lisboa. Contudo neste espaço de Memória Portista tem sido evocado e está deveras historiado. E assim como tem sido recordado diversas vezes aquando de efemérides de datas marcantes, e quantas vezes em ocasiões pertinentes de triunfos a que seu valor esteve ligado, desta feita curvamo-nos diante de sua memória na lembrança também de seu desaparecimento físico do número dos vivos, atendendo às referências de vida que são o nascimento e a morte. Passando a ser mais uma estrela no firmamento azul, cintilando no infinito como brilhou e continua presente no sentimento portista.


Desse passamento juntamos imagens das páginas da revista Dragões, alusivas à despedida desse grande Vulto do FC Porto.


Nesta ocasião aqui dedicamos uma homenagem evocativa, qual romagem de saudade à memória do senhor Hernâni Ferreira da Silva, o “Hernâni do Porto”!

Armando Pinto
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sábado, 1 de setembro de 2018

Efeméride: "Aniversário Sentimental" de Hernâni Ferreira da Silva


A 1 de Setembro de 1931 nasceu Hernâni, o popular “Hernâni do Porto”. Nome carregado de simbolismo portista, sendo, junto com Pinga, Araújo, Valdemar Mota, Soares dos Reis, Virgílio, Américo, Fernando Gomes e Vítor Baía, dos maiores símbolos referenciais do FC Porto, no rol dos maiores ídolos onde cabem natural e felizmente muitos mais jogadores, desde Siska, Carlos Mesquita, António Santos, Correia Dias, Barrigana, Arcanjo, Ângelo Carvalho, Carlos Duarte, Monteiro da Costa, Acúrcio, Pedroto, Custódio Pinto, Alberto Festa, Francisco Nóbrega, Jaime Silva, Pavão, Rolando, Oliveira, Rodolfo, Duda, Freitas, Jorge Costa, Deco, Paulinho Santos, Bruno Alves, Lucho, etc. etc. etc.

Passa assim nesta data, quando aqui escrevemos e publicamos esta refrência memorial, a conta de 87 anos desde que Hernâni Silva nasceu. Perfazendo mais um ano no aniverversário sentimental que sua memória transporta, fazendo lembrar esta data do nascimento de Hernâni, ele que continua vivo no afeto dos portistas que têm os que melhor serviram e personificam o FC Porto como familiares pelo coração portista.


Hernâni dispensa muitas apresentações, por ter sido dos que permanecem como ícones do futebol portista, embora a nível nacional, apesar de ter sido dos grandes valores do futebol português, não seja lembrado como merece, por quanto sua aura representou na iconografia portuguesa, obviamente por ter sido representante do FC Porto e os meios informáticos lusos estarem por costume ao serviço dos clubes de Lisboa e com maior incidência a mando do clube do sistema encarnado.

No dia em que ocorre a data de nascimento de Hernâni Silva, justifica-se assim esta remembrança evocativa, como homenagem a esse grande nome do mundo azul e branco que personifica os melhores valores portugueses. Tal como os nobres da região do Condado Portucalense tiveram grande ação na criação da nação portuguesa, também enobrece os portistas serem fiéis à gesta da nacionalidade, sendo que do Porto houve nome Portugal.


Ora, Hernâni Ferreira da Silva nasceu no dia 1 de Setembro de 1931 em Águeda. Tendo começado a jogar futebol no Recreio de Águeda e desde cedo despertou interesse dos grandes clubes portugueses, com o Futebol Clube do Porto a levar Hernâni para a cidade Invicta, através de ação do então diretor Soares dos Reis, antigo guarda-redes internacional do clube.

Representou sempre o F.C. Porto, tendo só uma curta incursão pelo G.D. Estoril Praia na época de 1952/53, quando foi obrigado a cumprir o serviço militar na zona de Lisboa, mas com a condição de não defrontar os portistas. Além de um efémero empréstimo do FC Porto ao Sporting, para reforçar a equipa leonina de Lisboa numa digressão ao Brasil...


... E ainda também num jogo pelo Nacional da Madeira, a reforçar aquela equipa insular num jogo contra a equipa espanhola de Las Palmas, por empréstimo momentâneo pedido pela equipa madeirense ao FC Porto...


Tal era o seu valor, que fazia com que todas e quaisquer equipas, ainda que episodicamnte, o quizessem em suas fileiras!

Jogador polivalente em todo o campo, era distribuidor de jogo e transportava a bola para levar a equipa sempre para a frente, tanto jogando a meio campo como jogava no ataque. Marcou mais de centena e meia de golos, perto dos duzentos, em toda a sua carreira e deu muitos a marcar, havendo feito parte da geração dourada dos anos cinquentas, pois foi de um tempo em que nas equipas do FC Porto sobressaíam nomes como Virgílio, Carlos Duarte, Barbosa, Pedroto, Miguel Arcanjo, Monteiro da Costa, Jaburu, Noé, Luís Roberto, Gastão, Teixeira, Perdigão, etc.

Venceu dois Campeonatos Nacionais, em 1955/56 com o técnico brasileiro Yustrich e em 1958/59 com o húngaro Bela Gutmann. Tendo Hernâni apontado 10 golos no primeiro título e 15 no segundo. Conquistou ainda duas Taças de Portugal (1955/56 e 1957/58), sempre com golos seus nas respetivas finais; e a Taça Associação de Futebol do Porto por sete vezes. A nível de seleções, além das vezes que jogou pela seleção nacional A e B, em tempo de fraca realização de jogos, foi também internacional pela seleção militar, tendo sido Campeão Europeu Militar com a seleção portuguesa das forças armadas em 1958 (em equipa que também incluiu os portistas Miguel Arcanjo e António Barbosa).


Além das suas qualidades invulgares como futebolista, Hernâni tinha também um forte caráter e, como tal, era porta voz dos interesses do clube, diante das prepotências do sistema BSB reinante no futebol português.  

Por esse tempo, estando ligado ao exército português, foram também conhecidos os «problemas que tinha com o treinador Yustrich no FC Porto, que chegaram mesmo a confrontos físicos, quer junto ao banco dos suplentes e responsáveis, na linha lateral do campo, como à entrada para os balneários (ainda por trás da baliza da superior sul do Estádio das Antas) em 1958. O chefe do exército, Santos Costa, ordenou então que Hernâni se apresentasse sempre nas Antas fardado, e assim foi... a farda era o escudo de Hernâni contra os maus humores de Yustrich. Ainda num Sporting CP-FC Porto marcou um grande golo que foi anulado pelo árbitro por, segundo tentou dizer, já ter apitado para o… intervalo (o árbitro um tal de Inocêncio Calabote, mais tarde irradiado), e então Hernâni furioso chamou-lhe de tudo o que lhe veio à cabeça, tendo valido uma rápida intervenção do colega Pedroto, mais o receio do árbitro perante alguma opinião pública, para não ser expulso.»

Entre momentos marcantes da história da evolução do futebol em Portugal e com maior incidência no FC Porto, sendo do tempo da transição à chegada do profissionalismo do futebol e entrada das equipas nacionais em provas internacionais oficialmente criadas, Hernâni foi um dos jogadores titulares na equipa portista que se estreou nas competições europeias ao defrontar os espanhóis do Athletic Club Bilbao para a 1ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus na época de 1956/57.

Hernâni que jogou nos Dragões durante 13 temporadas, disputou 332 partidas oficiais, marcou 187 golos e conquistou 11 Títulos.


Vestiu ainda a camisola da Seleção Nacional com a qual disputou 28 partidas, tendo apontado 5 golos, pela seleção A, mais uma vez e com 1 golo pela seleção B, ao que soma nove vezes que jogou pela seleção Militar com marca de 4 golos. Foi ainda capaitão da Seleção Nacional A e da Militar.

Retirou-se da carreira de futebolista em 1964, e quando José Maria Pedroto foi convidado para ser o treinador do FC Porto em 1966/67 exigiu que Hernâni fosse o diretor de futebol. Mais tarde continuou ligado ao F.C. Porto em cargos diretivos.


Entre frases máximas que fizeram memória, Hernâni disse um dia: «Até Eusébio tinha grande admiração por mim, tratava-me por "Senhor Hernâni"». E o próprio Eusébio, em diversas entrevistas, também referiu isso, dizendo que o via diante de si como alguém superior.

Hernâni estava “de bem com a vida”, em agradável ambiente familiar e social, quando a morte o levou, a 5 de Abril de 2001. Ficando sepultado, por fim, em jazigo-capela de família no cemitério da Lapa, campo santo de grande valor patrimonial na ambiência da cidade Invicta.

Sua biografia mereceu dois livros da coleção Ídolos do Desporto, em 1956 e 1963 (cujas imagens das capas ilustram o cimo deste artigo). Para além de diversas publicações, em seu tempo que o desporto colhia atenções de iniciativas editoriais. Assim como já depois de haver falecido ficou a constar na Enciclopédia do Desporto, edição Quidnovi, no seu volume 6 publicado em 2003 – conforme aqui juntamos recortes da correspondente entrada.

O seu falecimento foi ainda devidamente assinalado na revista oficial do FC Porto, de cujo número da Dragões relembramos o que ficou impresso na sua edição de Abril de 2001.



Palmarés

2 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (Portugal)
2 Taças de Portugal
7 Taças Associação de Futebol do Porto

Sobre Hernâni já por diversas vezes aqui ficaram artigos a ele dedicados – como se pode rever e recordar através de um compacto

(clicando no link)





Armando Pinto







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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Reforço da abertura de inverno: Hernâni - de nome histórico!


Na reabertura do mercado de transferências, qual entreaberta de Inverno e, precisamente no último dia de inscrições, de surpresa (numa das admiradas surpresas e por causa das possíveis cócegas), o F C Porto assegurou a vinda para o Dragão de um novo futebolista, com vista a reforçar o plantel dirigido em campo por Lopetegui.

Eis então a novidade surgida ao princípio da noite de segunda-feira, dia 2 de Fevereiro, primeiro dia útil da semana e último do prazo de inscrições na Liga Portuguesa de Futebol, ainda em pleno dia de Nossa Senhora das Candeias. Com certa admiração, na dúvida do porquê de mais um extremo, nesta fase, mas com confiança, também. Sabendo-se que o F C Porto tem quem o saiba gerir e guiar, com clareza como as candeias alumiavam os caminhantes, em tempos.

Com efeito, segundo informação oficial constante na página informática do clube, Hernâni, extremo português, de 23 anos, foi contratado ao Vitória de Guimarães, sendo assim o mais recente reforço do FC Porto. Chegando ao Porto a título definitivo, tendo rubricado um contrato válido até Junho de 2019 com uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros. Depois de ter atuado no Vitória de Guimarães nas últimas três épocas, Hernâni vai integrar o plantel azul e branco, como novo dono da camisola número 17 dos Dragões.

Este Hernâni Santos começou a sua formação no Cova da Piedade, mas foi lançado no futebol profissional pelo Atlético, tendo ainda passado pelo Mirandela, antes de ser contratado pelo Vitória de Guimarães, em 2012/13, onde começou a dar nas vistas na equipa B. Na época passada, marcou nove golos pela formação secundária, mas foi na atual que se destacou, já na equipa principal, pela qual realizou 18 jogos e apontou quatro golos, sendo considerado uma das revelações da Liga.

Bem vindo, Hernâni!

Hernâni, este, que é mais um Hernâni que esperamos passar a admirar com razão de ser, com fé que possa rubricar também um bom serviço em representação do F C Porto. Tal como dois outros do mesmo nome, anteriormente, pois Hernâni é nome com tradições dentro do F C Porto.

 Como foi o caso do Senhor Hernâni do futebol, o capitão-General da equipa de futebol da década de cinquenta e primeiros anos da década de sessenta, ao tempo da geração formosa que englobou também Pedroto, Virgílio, Arcanjo, Monteiro da Costa, Carlos Duarte, Perdigão, Acúrcio, etc. Hernâni Ferreira Da Silva, esse, por sinal com folha militar como capitão da seleção militar portuguesa que em 1958 venceu o Europeu Militar, e se tornou campeão nacional por duas vezes, tantas como foram as vitórias possíveis na Taça de Portugal, perante o panorama do antigo regime e proteção aos clubes do regime… 
Hernâni que foi um dos melhores futebolistas portugueses de sempre.

É esse nome assim um histórico ícone dentro da história do F C Porto. Mas não só no futebol, Pois... além desse, outro houve, numa modalidade de pergaminhos no país e no clube.

Efetivamente outro caso de relevo foi, também, o Hernâni do hóquei em patins: Fernando Hernâni Martins, componente da equipa portista vencedora do Metropolitano de hóquei patinado em 1969 e um elemento de real valor nos tempos de afirmação do hóquei sobre patins na Constituição e nas Antas. Colega de Cristiano, Magalhães, Leite, Brito, Ricardo e outros do tempo em que Nuno Pinto da Costa foi diretor na secção e nas modalidades amadoras.

Curiosidades, estas, em torno de um nome, assim. Desejando-se que continue na mesma linha, a bem do F C Porto.

Armando Pinto

domingo, 10 de setembro de 2017

“Jogo de Experiências” da estreia de Hernâni e reaparecimento de Araújo


Foi em 1950, numa curiosa jornada, à entrada dessa década que ficou assinalada por uma Ínclita Geração de grandes valores do futebol portista, que se deu, como que uma passagem de testemunho, a estreia de Hernâni com a camisola do FC Porto, quase que para substituir em carisma – como foi, afinal – o emblemático António Araújo.

Nesses inícios da década recheada de bons valores entre futebolistas do FC Porto que marcaram épocas, desde Barrigana, Virgílio, Carvalho, Joaquim Machado, José Maria, Carlos Vieira, Pedroto, de permeio com grande realce para Hernâni, mais Monteiro da Costa, Carlos Duarte, Miguel Arcanjo, Perdigão, etc. etc. até outros então a despontar para brilhantes carreiras, como Américo, irmãos Sarmentos, Barbosa, etc. etc. qual geração grandiosamente histórica, estava a começar o grande Hernâni e em fim de carreira o famoso Araújo. Então, depois de longo afastamento devido a grave lesão, Araújo reaparecia a jogar, enquanto ao mesmo tempo aparecia Hernâni, em jogo que o FC Porto realizou antes ainda do início do campeonato da época de 1950/51, corria o ano de 1950 com o mês de setembro entrado no dia 11. Encontro esse que, como tal, foi apelidado de “Jogo de Experiências”, diante do Estoril, no campo-estádio da Constituição.


Jogava-se na Constituição, já com o futuro estádio das Antas no horizonte, estando o anfiteatro das Antas em construção – como se pode reavaliar e recordar por reportagem da mesma época. Sendo que nessas eras quaisquer obras eram muito demoradas, acrescidos os trabalhos com a angariação de verbas para o seu desenvolvimento, já a menos de dois anos da sua inauguração.


Assim sendo, aconteceu isso em 1950, quando se estreou com a camisola do FC Porto o mítico Hernâni, que ficou conhecido como “o furacão de Águeda”, no mesmo jogo que serviu de homenagem a Araújo, a que se associou o clube sulista Estoril Praia. Enquanto Araújo depois ainda foi fazendo alguns jogos pelo FC Porto, já mais como referencial do clube, quão respeitado nome no ambiente da equipa, servindo até de bandeira, no significado da sua presença, em jogos festivos de amistosas visitas do FC Porto a diversas terras de onde chegavam convites.  


Nessa tarde de setembro, do então primeiro jogo de Hernâni como jogador portista, o FC Porto alinhou inicialmente com Barrigana, Virgílio, Vasco, Carvalho, Joaquim, Romão, Baptista, Araújo, Vital, José Maria e Vieira; tendo no decorrer do jogo, entrado em substituições, também, Hernâni, Sanfins, Fragata e Monteiro da Costa. Havendo Hernâni contribuído decisivamente com um golo na vitória por 4-3, depois do Estoril ter estado a vencer por 3-0, resultado a que o FC Porto conseguiu dar a volta para um tom mais consentâneo ao acontecimento, sendo os golos portistas apontados por José Maria, Monteiro da Costa (2) e Hernâni.


Hernâni foi depois um digno sucessor de António Araújo, o tal que em seus tempos áureos era único portista nas seleções, a pontos da equipa representativa de Portugal nessas épocas ser popularmente conhecida por Sport Lisboa e Araújo. Passando por fim Hernâni Silva a seguir na linha de Pinga, Valdemar Mota, Araújo e outros dessa categoria que ultrapassa a visão do tempo. Ao longo duma carreira briosa de 14 temporadas ao serviço dos Dragões, em que Hernâni Ferreira da Silva disputou 335 jogos oficiais pelo FC Porto, marcou 183 golos e venceu dois Campeonatos e duas Taças de Portugal.

Armando Pinto
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quarta-feira, 5 de julho de 2023

Recordando: Últimos jogos da carreira de Hernâni Silva como futebolista

A 5 de julho de 1964 Hernâni Ferreira da Silva, um dos melhores futebolistas portugueses de todos os tempos, jogou pela última vez em jogos oficiais com a camisola do FC Porto, seu e nosso clube do coração. Tendo Hernâni sido autenticamente um fabuloso senhor General do futebol portista e português, de tal modo que foi o motor do título europeu de seleções militares obtido na vitória de Portugal no Torneio Internacional Militar em 1958, de Nações da NATO. Bem como foi o grande senhor da geração dourada dos anos 50 que deram ao FC Porto os títulos portistas de Campeões Nacionais de 1955/1956 e 1958/1959, mais as Taças de Portugal ganhas em 1956 e 1958, além da célebre vitória em 1954 na inauguração do antigo estádio da Luz e vitórias internacionais em diversos jogos com equipas europeias e sul-americanas durante essa década de anos.

Admirado por muita gente, desde seus contemporâneos e quem ainda o viu jogar ou acompanhou sua carreira por relatos escritos e falados, Hernâni é também especialmente recordado até por quem apenas dele ouviu falar, pelo que dele se diz, mas também pelas poucas imagens conhecidas ainda. Estando para ser publicado um livro sobre ele mesmo, pelo gestor da página informática que tem seu nome. Dele dizendo: Hernâni «era um líder dentro do campo, tendo sido capitão do FC Porto, da Seleção Nacional e da Seleção Militar. A sua figura carismática virou personagem do romance «Alma», de Manuel Alegre.» (Como refere o amigo Carlos Martins, que tem em mãos essa atrativa e difícil tarefa, pela dimensão de tal ídolo do futebol azul e branco!)

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A grande carreira de Hernâni Silva merecia um bom final, a nível oficial, mas naquele tempo, com o sistema BSB a vigorar no máximo do faciosismo do regime fascista, era impossível outro desfecho que não fosse um mau final, tendo acontecido em jogo com o Benfica, por acaso na final da Taça de Portugal de 1964, mas se fosse noutra ocasião era para dar no mesmo. Assim, infelizmente, no último jogo oficial de Hernâni aconteceu mais uma autêntica roubalheira, mas dessa vez ainda por números mais concludentes tal a diferença colocada em campo, com o FC Porto desde cedo reduzido, por expulsão dum jogador portista, após reclamação perante um penalti inexistente. Para se ter ideia disso, basta ver como numa publicação do jornal A Bola, no volume “História de 50 Anos do Desporto Português”, nos 50 anos desse jornal lisboeta e benfiquista até à medula dos seus donos e senhores, acabou por “passar” um pouco do ocorrido. Como se dá à estampa, em digitalização dessa sua parte.

Do mesmo jogo, atente-se também na crónica do jornal O Porto, embora em crónica algo "macia", atendendo a ser "Visado pela Censura", do regime... como eram os jornais nesse tempo. Mas, mesmo assim ainda conseguindo furar entre as trevas algumas verdades. Motivo que leva a merecer atenção, porque, apesar de ter sido jogo de tarde infeliz de vários contendores, conforme se vê, não se pode deixar esquecer mais esse “roubo de igreja”, como dizia Pedroto.


Atente-se que, mesmo assim e apesar de tanta contrariedade, Hernâni acabou em grande, como a legenda do jornal traduz, tendo sido o jogador do FC Porto em mais evidência. Do FC Porto, pois do Benfica foi o árbitro, obviamente...

Antecedendo esse jogo final, melhor aconteceu dias antes, no penúltimo jogo de Hernâni. Tendo o FC Porto ido a Espanha vencer o Torneio de Orense, na Galiza, vencendo o “Trofeo Corpus Christi". Como se pode recordar pela reportagem do jornal O Porto, também. Sendo que aí não havia árbitros portugueses, pelo menos.


 E lá estava também Hernâni, entre os melhores...

Então, assim se passaram os últimos jogos da carreira de Hernâni, conhecendo as duas situações antagónicas. Enquanto a nível de seleções, ainda foi chamado a representar Portugal na Seleção A cerca de três semanas antes, em Maio, em jogo diante da Inglaterra, entrado a substituir o colega de equipa Pinto, que junto com Festa, também alinhou nesse encontro de aniversário (das "bodas de ouro") da Federação Portuguesa de Futebol, em Lisboa.

Armando Pinto

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