Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Um jogo com histórias (6-1 ao Feirense, em 1977)… a propósito de efeméride particular!


Estávamos em 1977, ainda com efeitos recentes da mudança social saída do 25 de Abril de 74. Entrado já o Outono, num sábado de tempo de vindimas de vinho verde pela região de Entre Douro e Minho. Tendo de manhã estado um dia chuvoso e a partir do meio dia começado a raiar um sol vistoso, a durar pela tarde adiante e a dourar até à noite, chegada sob temperatura agradável.

Nesse dia, a 24 de Setembro de 1977, o FC Porto tinha jogo nas Antas, à noite. E durante o dia, esse foi um dia em que isso não andou na cabeça do autor destas linhas, pois foi dia de casamento próprio, do autor também desta vivência que dá para recordar. Com cerimónia religiosa ao início da tarde, na igreja paroquial onde os dois noivos iam à missa e fizeram suas comunhões, e por fim nas redondezas a boda da praxe com familiares, amigos e convidados, a entrar pela noite dentro. O fotógrafo de serviço à reportagem devida foi o fotógrafo do jornal O Porto, o amigo sr. Fernando Timóteo. Por esse motivo, nessa noite ele teve de chegar tarde ao jogo das Antas. E só então o caso do Porto jogar nessa noite veio à ideia, quando ele se teve de despedir apressado (e já lá chegaria tarde, quase para o final, apesar dos jogos nesse tempo começarem sempre pelas nove e meia da noite). Assim como, enquanto os convivas ainda ficaram a fazer festa, no interior do distrito do Porto, os noivos rumaram mais longe para o litoral até um hotel; e ao passarmos em frente ao estádio das Antas (sendo como era por aí a entrada principal da cidade, anos-luz antes de haver por ali autoestradas e via de cintura citadina), com todo aquele frenesim e o céu brilhantemente luminoso pelos focos das torres de iluminação do recinto, ecoou um brado vindo de dentro, que ressoou fora, na hora em que o Porto marcara um golo, mais um golo.


Com efeito, nessa noite e nesse jogo foram até vários os golos, tendo o FC Porto vencido por 6-1. O adversário era o Feirense, que equipava de camisola toda azul. E aí, a equipa comandada por José Maria Pedroto, de camisola branca e calções azuis, como era norma ao tempo no equipamento alternativo, consumava a terceira vitória em quatro jogos do campeonato, rumo à conquista do título que escapava desde 1959. Tendo o triunfo por 6-1 sido construído com um hat-trick de Duda, a que se juntaram outros três golos distribuídos por Gomes, Murça e Oliveira, sendo deste o último por sinal, o ouvido à passagem do autor destas linhas, nessa noite em que o céu por ali estava iluminado.

Esse ano foi especial e o dia inesquecível, obviamente.

O senhor Timóteo depois fez a surpresa de, passados dias, ter feito publicar no jornal O Porto uma foto alusiva, dando nota da passagem para o grupo de casados do colaborador do jornal desse tempo. Fazendo imprimir no jornal do clube foto com um grupo de convidados que haviam sido hoquistas do FC Porto, até. Enquanto se esmerou no álbum fotográfico do casamento, mediante um modelo raro à época, com as fotos a fazerem de páginas, em género de livro próprio…


Quanto ao campeonato, tal como esta época agora em curso, também então o FC Porto vencera em casa o Setúbal, mas perdera de seguida no Estoril. Ao jeito deste ano com o que sucedeu na terra do galo, com o Gil Vicente. Podendo acontecer que, tal como em 1977/78 quando a tal derrota foi mãe de vitórias e não mais sucedeu qualquer desaire total, também esta temporada a dose se repita. E, depois, a meio de Junho seguinte, o FC Porto acabou por conseguir ser campeão.

Ufff… Como tudo isso ficou para sempre gravado na memória!

Ora esse foi assim um jogo dos jogos da vida, no caso mesmo sem o ter presenciado com os olhos, mas com o coração.

E já se passaram 42 anos.

Armando Pinto
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