Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Recordando: uma taça que o FC Porto conquistou na homenagem nacional a Vicente do Belenenses…

 

Uma história, essa da taça conquistada pelo FC Porto ao correr da época futebolística de 1966/67, num jogo inserido numa festa de homenagem nacional que englobou diversos jogos pelo País, será algo já pouco conhecido dos adeptos do futebol atualmente, mas aconteceu. Uma história que merece ser conhecida e como tal recordada, mas para isso tem de ser bem contada. Tendo sido o caso duma chamada homenagem nacional a Vicente Lucas, o então conhecido defesa Vicente do Belenenses. No âmbito de ele ter abruptamente ficado impossibilitado de jogar, após um acidente. Isso pouco tempo depois dele ter sido um dos mais badalados jogadores portugueses da campanha dos apelidados Magriços no Mundial de 1966, por ter sido o defesa que anulou Pelé, em marcação cerrada mas correta (tendo sido outro que o lesionou, entenda-se), durante o jogo de Portugal com o Brasil nesse Campeonato do Mundo disputado em Inglaterra. Havendo então Vicente sido um dos dois jogadores do Belenenses utilizados na Seleção das quinas, entre a maioria de jogadores de Benfica e Sporting, nesse tempo do sistema BSB, em que a Federação Portuguesa de Futebol era presidida, à vez, só por representantes de Benfica, Sporting e Belenenses. E desses dois do emblema do clube do Restelo, enquanto depois o guarda-redes José Pereira depressa saiu do clube e foi jogar na 2.ª Divisão, já Vicente era jogador do Belenenses com que se contava ainda para mais algumas épocas.

Contudo, após o Mundial e na época que se iniciou passado pouco tempo, Vicente apenas jogou dois desafios pelo seu clube, para o Campeonato Nacional de 1966/67. Pois um acidente de automóvel afastou-o do futebol, num dia de Outubro quando se dirigia ao Estádio do Restelo e num embate com outro automobilista um vidro partido lhe cegou uma vista. Então, incapacitado como ficou, foi-lhe organizada uma festa de despedida, desenvolvida oficialmente em diversos jogos pelo país continental inteiro e por Angola e Moçambique, em janeiro de 1967. Para o efeito a Federação havia arranjado data, calhando entre os jogos da 1.ª e 2.ª mão duma eliminatória da Taça de Portugal, em que o FC Porto (depois de ter eliminado o Sporting, com 1 golo de Bernardo da Velha) jogou com a CUF e estava em vantagem feito o primeiro jogo. Assim de permeio houve o jogo de beneficência a favor do Vicente (antes do FC Porto voltar a entrar em campo na semana seguinte para eliminar a CUF para a Taça). Então, esse dia foi considerado o dia de Vicente, no dia de S. Vicente, a 22 de janeiro; e a festa considerada de homenagem nacional, com as receitas dos jogos a reverterem para o próprio Vicente. Tendo um desses jogos ocorrido no Porto, com um jogo FC Porto-Braga, que o FC Porto venceu por 3-1 e conquistou a Taça Vicente em disputa. Enquanto os jogadores intervenientes no encontro receberam medalhas alusivas. Ao passo que o produto, que envolveu a homenagem ao simpático jogador, o ajudou a iniciar sua nova vida daí para a frente.

Ora, o antigo jogador Vicente Lucas, irmão do famoso Matateu, o Vicente do Belenenses e “Homem que secou Pelé”, como ficou para a história, faleceu esta terça-feira 14 de Abril, aos 90 anos. Vindo assim à lembrança essa ligação, visto seu nome continuar também ligado ao FC Porto, por essa taça que o FC Porto conquistou e foi exibida pelo então capitão da equipa portista nesse jogo, Eduardo Gomes. Como testemunha um recorte guardado na ocasião e que agora ilustra esta história que merece ser conhecida e como tal aqui é contada.

Descanse em Paz, Vicente!

Armando Pinto

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1 comentário:

  1. Sem contestar essa homenagem ao Vicente do Belenenses, repara-se contudo como a Federação BSB fazia noutros casos. Passados poucos anos, em 1972/73 o defesa do FC Porto Armando Manhiça teve também um grave acidente de viação, do qual ficou impossibilitado para o futebol. E depois apenas o FC Porto lhe fez um jogo de despedida para angariação de receita, mas não houve homenagem nacional e o Manhiça também tinha sido internacional quando antes jogara no Sporting.

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