Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

domingo, 19 de julho de 2026

Homenageando Rui Barros - a propósito da efeméride da despedida de sua carreira de jogador diante do público das Antas

No verão de 2000, a 19 de julho, já durante a pré-epoca da temporada que se seguiria, despediu-se Rui Barros do público do estádio das Antas, sendo muito aplaudido pelos presentes numa sentida e emocionante homenagem que a família portista prestou então ao simpático quão histórico futebolista. O Rui Barros das grandes e rápidas jogadas de contra-ataques, em velozes avançadas direcionadas às balizas adversárias, que levaram a que ficasse conhecido por "rato atómico" e “Speedy González” (“popularmente “Spid Gonzales”) - à imagem do figurante personagem de desenhos animados assim chamado, esperto e muito veloz, conhecido pelas suas frases antes de sair de sua correria, disparando: "Arriba, arriba!". Figura que o pequeno-grande Rui Barros parecia transmitir quando suas jogadas tinham sucesso e saltava para junto dos colegas, de sorriso abertamente malandro e satisfação humilde, de alegria.

Rui Barros era normalmente referido por pequeno-grande jogador e essa feição ajustava-se por ele ser de pequena estatura física mas muito grande em valor futebolístico. Ficando célebre por suas arrancadas, correspondendo aos passes de colegas a “rasgar” defesas adversárias, como aconteceu no primeiro golo da final a duas mãos da Supertaça Europeia, em 1987, quando no jogo da 1.ª mão, em casa do Ajax, a passe de Fernando Gomes desde o meio campo e a ultrapassar os defesas da equipa campeã holandesa, Rui Barros fez o golo com que o FC Porto venceu por 1-0, ficando em vantagem para a conquista dessa super competição entre os vencedores das duas competições mais importantes da Europa, ao tempo (Taça dos Campeões e Taça das Taças). 


= Ajax-FC Porto: jogo da 1.ª mão da Supertaça Europeia!

Seguiu-se, nesse primeiro ano na equipa principal do FC Porto, uma muito rápida ascensão e repentina atenção, que depressa o fez ser cobiçado pela Juventus, grande equipa italiana para a qual se transferiu surpreendentemente em rápido acordo de conversações entre os clubes envolvidos. E assim como foi, também volvidos anos voltou, quase de surpresa, terminando a carreira no FC Porto, sempre como um dos mais admirados artistas da bola no mundo do FC Porto.

= Ajax-FC Porto!

Ora, Rui Barros, de nome completo Rui Gil Soares de Barros, nascido a 24 de Novembro de 1965, em Lordelo, do concelho de Paredes e distrito do Porto, havia começado a jogar no clube de sua terra, Aliados de Lordelo, aos 12 anos; e seguidamente ainda passou pelo Rebordosa, clube de terra vizinha, como depois também pelo Paços de Ferreira já como júnior. Em cuja idade de escalão foi então contratado pelo Futebol Clube do Porto e aí foi Campeão Nacional de juniores. Quando saiu dos Juniores, segundo se dizia, esteve em vias de ser definitivamente dispensado, o que só não aconteceu por Feliciano, mestre dos escalões de formação nesse tempo, ter interferido afirmando-se contra a dispensa dum jogador de sua qualidade e possível futuro auspicioso.

Após isso, na época de 1984/85 Rui Barros passou a sénior mas, por o plantel ter muitos já consagrados à sua frente, foi emprestado ao Sporting da Covilhã. Continuando assim nas temporadas de 1985/86 e 1986/87, de novo emprestado mas desta vez ao Varzim, clube onde foi Campeão da Zona Norte da 2.ª Divisão Nacional. Até que em 1987/88 foi integrado no plantel do F.C. Porto e passou a fazer parte da equipa principal, que pouco tempo antes havia conquistado a Taça dos Campeões Europeus. E logo Rui Barros na pré-época se exibiu a ponto de agarrar o lugar durante os jogos realizados (tendo feito primeiro jogo a 6 de junho num particular ganho por 1-0 ao Flamengo, em Paris). Dando nas vistas sobretudo em prestigiados torneios europeus, com destaque para o “Trofeo Joan Gampar”, de Barcelona, em agosto de 1987, que o FC Porto venceu derrotando na final o Bayern de Munique por 2-0, depois de na meia-final ter eliminado o anfitrião Barcelona por 2-1, marcando posição nessa pré-época de estreia de Rui Barros na equipa principal do FC Porto.

= Torneio “Trofeo Joan Gampar”, de Barcelona, em 1987, que o FC Porto venceu derrotando na final o Bayern de Munique por 2-0, depois de na meia-final ter eliminado o anfitrião Barcelona por 2-1, na pré-época de estreia de Rui Barros na equipa principal do FC Porto. 

Iniciando depois o Campeonato Nacional como titular, a estreia de Rui Barros em jogos oficiais aconteceu no mesmo mês, envergando a camisola dos Dragões no dia 26 de Agosto de 1987 no Estádio das Antas, em jogo que o FC Porto como visitado venceu o Belenenses por 7-1, na 1.ª Jornada do Campeonato Nacional de 1987/88. Continuando firme na primeira equipa, de modo que à chegada do outono também alinhou nas competições europeias, fazendo sua estreia internacional com o primeiro jogo oficial europeu a 16 de setembro desse ano de 1987 no estádio das Antas, a contar para a 1.ª mão da 1.ª eliminatória da Taça dos Campeões Europeus de 1987/88, vencendo por 3-0 o Vardar. E em novembro seguinte teve momento alto da sua então ainda curta carreira no F.C. Porto, quando na 1.ª mão da Supertaça Europeia marcou o golo da vitória com que a equipa azul e branca foi a Amesterdão vencer o Ajax por 1-0, deveras importante para a conquista dessa taça europeia (consumada posteriormente no jogo da 2.ª mão, no estádio das Antas, com nova vitória dos Dragões por 1-0). E, mantendo o ritmo, ele e a equipa, em Dezembro também de 1987, esteve em campo na final de Tóquio da Taça Intercontinental/Mundial de Clubes que os portistas ganharam, no célebre jogo sobre relvado coberto de neve, vencendo diante do Peñarol do Uruguai por 2-1. Tudo isso e mais num período repleto de títulos, culminando a época de 1987/1988, nesse seu ano de estreia ao mais alto nível, a sagrar-se Campeão Nacional pelo FC Porto e, por fim, contribuindo para a vitória do FC Porto na Taça de Portugal, ao derrotar no estádio do Jamor o Vitória de Guimarães por 1-0.

= Final de Tóquio!

Então, esse seu primeiro ano com a camisola azul e branca despertou o interesse da Juventus, acabando por antes ainda do começo da época seguinte ter ido para a Itália vestir a camisola listada de azul e preto de Turim. Aí ficou durante duas temporadas e venceu a Taça UEFA e a Taça de Itália. Continuando um périplo europeu depois, no verão de 1990 passou a jogar no Mónaco, no qual conquistou a Taça de França e foi finalista da Taça dos Vencedores das Taças em 1992 (que perdeu frente ao Werder Bremen). Seguindo-se na época de 1993/94 ter sido transferido para o Olympique de Marselha (clube francês em que teve Paulo Futre como companheiro de equipa). Até que em 1994/95 regressou ao Futebol Clube do Porto. Passando mais uns bons tempos no clube do coração, tanto que nas 6 temporadas seguintes no FC Porto foi Penta-Campeão Nacional, venceu mais 2 Taças de Portugal e 5 Supertaças Cândido de Oliveira. Terminando depois a carreira na época de 1999/2000, despedindo-se em beleza dos relvados, com a camisola do FC Porto vestida, na final da Taça de Portugal em que Deco e Clayton marcaram os golos da vitória frente ao Sporting por 2-0.

= FC Porto-Ajax: 2.ª mão da Supertaça Europeia, nas Antas!

Ao serviço do F.C. Porto, Rui Barros, segundo dados conhecidos, em jogos oficiais pela equipa principal, jogou durante 7 temporadas, conquistou 16 Títulos (6 Campeonatos Nacionais, 3 Taças de Portugal, 5 Supertaças nacionais, 1 Taça Intercontinental/Mundial de Clubes e 1 Supertaça Europeia), ao longo de 247 jogos oficiais e contando 56 golos marcados (nas duas fases passadas no FC Porto, enquanto no total, somando com os números nos outros clubes em que esteve, fez 592 jogos e marcou 115 golos). Enquanto, de permeio pela Seleção Nacional foi internacional por 36 vezes e marcou 4 golos com a camisola das quinas (num palmarés a que se juntam mais 1 Taça UEFA, 1 Taça de Itália, e 1 Taça de França, pelos outros clubes que representou. E mais tarde, como treinador episódico, somou no palmarés 1 Supertaça Cândido de Oliveira, no FC Porto, ainda).

Em 2006/07 passou a integrar a equipa técnica do F.C. Porto, ano em que treinou temporariamente a equipa principal portista na Supertaça Cândido de Oliveira, que o FC Porto venceu trunfando sobre o Vitória de Setúbal por 3-0, e assim ficou Rui Barros a ser o primeiro técnico portista vencedor dessa prova como treinador e jogador. Continuou entretanto a fazer parte das várias equipas técnicas que passaram pelos Dragões e em Janeiro de 2016 foi de novo chamado a comandar a equipa principal em cinco partidas. Na temporada de 2018/19 assumiu o comando técnico da equipa B do FC Porto, cargo que ocupou até Fevereiro de 2021. Continuando depois no Clube em funções de “Scouting” e de representatividade clubista.

Pois, entre tudo isso, Rui Barros havia-se despedido publicamente nas Antas a 19 de Julho, ao correr do verão de 2000, num dos encontros de pré-época nas Antas, recebendo da família portista justa e significativa homenagem. Dois meses depois de ter pendurado as chuteiras na final da Taça de Portugal conquistada frente ao Sporting (2-0). Passando aí o testemunho como antigo camisola 8 do FC Porto. Facto de que deu conta a revista Dragões numa entrevista a dizer: “Rui Barros Obrigado”!

Armando Pinto

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1 comentário:

  1. Um ano apenas esteve Rui Barros nas Antas. Ganhava, então, 400 contos por mês, 10 vezes mais do que aquilo que lhe deram ao assinar o seu primeiro contrato de sénior, para que fosse emprestado ao Covilhã. Ao ser transferido para a Juventus passou a arrecadar... 5000, mas, com prémios e contratos de publicidade, os seus ganhos anuais ficaram logo estimados em 80 mil contos!
    A fortuna não lhe mudou o ser, não o envaideceu. Antes pelo contrário. Por exemplo, antes de se casar com Luísa, que conheceu quando ainda era operária têxtil, todo o dinheiro que ganhava era dado à mãe, «para que a família toda vivesse sem que nada lhe faltasse, que para privações já bastara o que bastara...»
    Com a sua transferência para a Juventus, decidida num dia pardacento de Julho de 1988 em que Quinito se apresentara nas Antas como sucessor de Tomislav Ivic, em negócio que envolveu cerca de um milhão de contos, o F. C. Porto arrecadou mais de 600 mil. Quando Rui Barros partiu, abruptamente, para Turim, levou consigo dois... salpicões, obrigado pela mãe. Alugou, de imediato, um apartamento de quatro assoalhadas para viver com os pais e com Luísa, que ainda só era namorada, pagando de renda 250 contos por mês. Comprou um Lancia Turbo de 16 válvulas e um Fiat Tipo para... «desenjoar da grande máquina» e 1500 metros quadrados de terra, em Lordelo, porque era aí que tinha raízes o rapaz pobre que fora tentado pela vecchia signora e assim, como num lance de mágica, se fizera rico, muito rico.
    Na Juve o talento de Rui Barros depressa se espalhou, de tal modo que, apesar de se considerar ainda um rapaz de aldeia, em Outubro de 1988 dizia, de coração aberto, que ninguém lhe podia levar a mal que sonhasse com a coroa de Maradona, que era o seu ídolo e só tinha mais oito centímetros que ele! E, precatando-se, dois meses volvidos segurou as suas pernas em 150 mil contos, pagando de prémio anual... mil contos. Ganhou a Taça UEFA, a Taça de Itália, Dino Zoff, que o viera buscar às Antas, encantado, não parava de dizer que Rui Barros era «um vulcãozinho sempre em ebulição».
    Mas em Agosto de 1990 foi cedido ao Mónaco, continuando, contudo, a ganhar muito, vivendo em mansão de luxo. Falhou o título de campeão de França, ganhou a Taça, foi finalista da Taça das Taças. Entre uma lesão que se foi arrastando, verdejaram-lhe as saudades de Portugal, dos «bons ares de Lordelo». Foi enviando de lá para cá sinais disso, o Sporting entrou na corrida, o F. C. Porto também, mas como nenhum desses clubes quis despender 400 mil contos pelo seu passe internacional, em Julho de 1993 assinou pelo Marselha, a lesão continuou a ensarilhá-lo, Rui tratou-se nas Antas, voltou a estar com um pé em Alvalade, Cintra até se fez fotografar com ele, mas, em Agosto de 1994, decidido estava já que o F. C. Porto seria, de novo, o seu destino. Deixara de cobrar ordenado mensal de 5000 contos, retornara às Antas, sobretudo por sentimentalismo, para fechar a carreira no clube que lhe abrira o caminho, fulgurante, para a conquista do eldorado. Cinco títulos consecutivos ganharia.

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