Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Memória da origem da publicidade nas camisolas do futebol sénior do FC Porto e do contrato com a Revigrés


A 20 de JULHO de 1983 o FC Porto e a Revigrés assinaram o primeiro contrato que levou a que essa empresa passasse a ser o primeiro patrocinador do futebol sénior portista e como tal a ter o nome nas camisolas de futebol da equipa principal (equipa A) e das reservas (equipa B) do FC Porto, passando a haver ligação com essa empresa de cerâmica, sediada no concelho de Águeda. Tendo sido obreiro desse acordo o então Vice-presidente Alexandre Magalhães, que contactou diretamente com o dono da empresa, Eng.º Adolfo Roque, com quem nesse tempo tinha contactos por via de negócios entre as empresas de ambos. Obviamente o contrato depois foi assinado pelo presidente e pelo tesoureiro do FC Porto, mais pelo vice-presidente sr. Alexandre Magalhães, com a gerência da Revigrés, empresa patrocinadora representada pelo Eng.º Adolfo Roque, na presença de um dos sócios da empresa, o sr. Augusto Gonçalves, ainda vivo.

Até esse tempo a publicidade que ia havendo no desporto e em equipas era nas camisolas de algumas da modalidades ditas amadoras, mas não no futebol. Até que nos inícios da presidência de Pinto da Costa no FC Porto saiu legislação oficial a permitir o começo da publicidade nas camisolas do futebol profissional em Portugal. Tendo logo no início desse exercício presidencial Pinto da Costa nomeado Alexandre Magalhães como Vice-presidente substituto do Presidente, bem como Presidente do Conselho Cultural e Responsável pelos contratos. Então, como o FC Porto estava em má situação financeira, foi logo essa uma possibilidade vista de poder ajudar a melhorar a situação. Sendo na fase em que o FC Porto tinha dívidas com o antigo Banco Pinto de Magalhães e Alexandre Magalhães empreendeu a renegociação da dívida, ao tempo com a União de Bancos detentora da sucessão dessa firma. Tendo depois, correspondendo a pedido do Presidente da Direção para tentar arranjar um patrocinador para o futebol, Alexandre Magalhães se lembrado da Revigrés, empresa cliente da sua em certos negócios, pois que sua firma era fornecedora de materiais, como pigmentos e outros, necessários à indústria da cerâmica. E se bem pensou melhor o fez, ligando a seu amigo e num belo dia lá o conseguiu convencer, apesar da inicial relutância do Engenheiro Roque, que apesar de não ligar grande coisa ao futebol nessa altura, sabia porém que o FC Porto não ganhara nada ainda no futebol por esses tempos, retorquindo o amigo fornecedor que o Porto não ganhara ainda mas ia ganhar e seria mesmo conhecido internacionalmente. Tendo com essas e outras conseguido o que queria, inclusive com a proposta que apresentou achada muito elevada, mas por fim aceite. Tanto que quando Alexandre Magalhães telefonou ao seu compadre Pinto da Costa (sendo padrinho de batismo do seu filho) a dar a novidade de que conseguira onze mil contos (11.000... no conhecimento popular de dinheiro da época do escudo, correspondendo a 11.000.000 escudos), houve espanto do seu amigo Jorge, como ele tratava Pinto da Costa. E foi assim, mesmo. Isso tempos antes da assinatura do contrato, visto o dono da empresa se ter de ausentar do país em viagem de negócios na ocasião, ficando a assinatura legal para depois, mas ficando o acordo selado com palavra e aperto de mãos, e a pedido de Alexandre Magalhães, pela necessidade premente da tesouraria no clube, o dinheiro foi para a conta do FC Porto muito antes de terem sido colocadas as assinaturas no papel.   

Esse acordo do FC Porto com a Revigrés, mediado e conseguido obter por Alexandre Magalhães, teve porém uma condição do responsável pelo acordo, que foi de a partir daí, embora mantendo naturalmente a amizade, deixaria de haver negócios de Alexandre Magalhães com a empresa de Adolfo Roque, para não haver misturas, coisa que o dono da Revigrés não queria mas acabou por entender. Isso então em 1983. E em 1984 Alexandre Magalhães conseguiu ainda um acréscimo para o FC Porto, aquando da ida à final da Taça das Taças em 1984, demonstrando ao amigo que o que dizia saiu certo e o Porto passava a andar na alta-roda europeia, tendo o Eng.º Roque prometido e depois dado um prémio chorudo de 5.000 contos de aumento da soma publicitária.

Tudo isto mesmo também afirmou e confirmou o Eng.º Adolfo Roque numa entrevista à revista Dragões, no número especial antecedente à final da Taça dos Campeões Europeus de futebol em 1987.

Histórias da história do FC Porto, que como nem sempre tem sido contada, verdadeiramente, deve ser reposta. Sendo de fixar na memória a ação do histórico dirigente Alexandre Magalhães, antigo atleta do Hóquei em Patins do FC Porto, desde os primeiros tempos mesmo capitão da equipa, entre 1958 até 1970, no tempo em que Jorge Nuno Pinto da Costa foi seccionista e depois diretor das modalidades. Seguindo-se Alexandre Magalhães ser Vice-presidente da Direção entre 1982 até 1988, com especial responsabilidades em melhoramentos, como no caso dos painéis eletrónicos e dos torniquetes no estádio das Antas. Assim como foi quem, em Lisboa conseguiu convencer o Futre a vir para o FC Porto, fazendo acordo com o jogador, na presença de seu irmão e seu pai, numas caves em frente ao Bingo do Belenenses. Tal como, quando era Presidente do Conselho Cultural criou o galardão Dragão de Ouro. Sendo hoje ainda um dos Sócios Honorários vivos, nos seus oitenta e tal anos pujantes e de grande portismo.

= Alexandre Magalhães quando Vice-presidente do FC Porto.

Assim sendo, o primeiro contrato do FC Porto com a Revigrés foi assinado a 20 de julho de 1983, tornando-se a Revigrés na primeira empresa portuguesa a patrocinar um clube de futebol na Primeira Divisão. Esta parceria deu origem ao primeiro equipamento do clube com publicidade na camisola, em plena temporada de 1983/84.

Graças a essa ação iniciada e concretizada em 1983, a publicidade ainda inédita até então, passou a ser exibida nas camisolas, à época com uma faixa a meio sobre as listas azuis e brancas, tornando-se um ícone dos equipamentos históricos da primeira parceria e da realidade das últimas décadas na vida do FC Porto. Tanto que hoje em dia vendem-se réplicas dessas camisolas na loja do FC Porto, FC Porto Store.

Armando Pinto

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1 comentário:

  1. Visto isto e a recolha da revista Dragões confirma, a senhora representante da Revigrés na entrega do Dragão de Ouro não contou a verdade como foi, ou não sabia ou esteve mal informada. E num programa em que Pinto da Costa enquanto presidente falou sobre o mesmo contrato, não falou verdade.

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