Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Lembrando… de vez em quando…. ATRACA - um Algarvio que foi “Jogador à Porto”, de garra portista!

 

Neste dia, de julho ainda sem futebol a sério com as sagradas camisolas do FC Porto em campo, é dia propício para recordar um valor do futebol portista de outros tempos, a propósito de ser data correspondente como efeméride de seu nascimento - tal o caso de Atraca, antigo futebolista do FC Porto nos anos 60, nascido em 1940 a 10 de julho. Um futebolista que era tido verdadeiramente como “jogador à Porto”, tal a forma como jogava, com raça a marcar em cima os opositores, a ponto de, apesar da sua pequena estatura física, se elevar bem alto sobre quaisquer adversários altos que lhe aparecessem pela frente na proximidade ou dentro das áreas do FC Porto. Como ficou célebre por seus duelos com o bom gigante Torres do Benfica, que Atraca suplantava normalmente (e por isso originava que esse alto avançado benfiquista se via muitas vezes a tentar fugir por outros lados onde Atraca não estivesse). 


Como ponto alto de sua carreira, Atraca foi um dos futebolistas da inesquecível vitória da Taça de Portugal de 1968. 

E, apesar de ter falecido novo, em 1973, esse raçudo Atraca é dos jogadores desse tempo mais recordado nas boas memórias desses futebolistas que passaram com a camisola do FC Porto a fase mais acirrada do sistema BSB.

De nome completo João Eleutério Luísa Atraca, com nome de ficha futebolística como Atraca, conforme era e ficou mais conhecido, nasceu no dia 10 de Julho de 1940 no Algarve, em Faro. Iniciado nas lides da bola de futebol na sua região, em plena juventude de sua carreira desportiva começou por ser conhecido no futebol, verdadeiramente, quando em 1961/62 abandonou o SC Farense e ingressou no Futebol Clube do Porto. Tendo passado a evoluir na equipa de Reservas (atualmente Equipa B), em adaptação e integração no plantel, contando que por esse tempo apenas jogavam os 11 que entravam de início nos jogos, sem haver substituições de jogadores de campo (apenas podendo ser substituído o guarda-redes em caso de lesão). Depois Atraca teve estreia oficial na equipa principal com a camisola dos Dragões a 26 de Maio de 1963, no Campo de Santana em Matosinhos, em jogo que o FC Porto venceu em casa do rival Leixões por 2-0, a contar para a 2.ª mão da 3.ª eliminatória da Taça de Portugal da época de 1962/63. E, após sucessivos anos que contam na memória dos anais azuis e brancos, como resistência às manobras de bastidores que iam sendo feitas pelo mandão regime facioso do sistema BSB, em 1968 Atraca fez parte da histórica equipa do FC Porto que conquistou a Taça de Portugal de 1967/68, vencendo na final do Jamor o Vitória de Setúbal por 2-1. Enquanto, de permeio, conquistou ainda também a Taça Associação de Futebol do Porto por quatro ocasiões, de 1962/63 até 1965/66.

Atraca esteve incluído nos trabalhos de preparação da Seleção dita nacional para a ida ao Mundial de 1966, como um dos 7 do FC Porto que estiveram no estágio de pré-convocatória (Atraca, Almeida, Jaime, Nóbrega, Festa, Pinto e Américo, mas dos quais apenas os 3 últimos foram na caravana dos 22 escolhidos e depois simplesmente Festa jogou… Como na memória ficou, por exemplo, que com Américo na baliza Portugal teria feito muito melhor que o 3.º lugar alcançado… qual sina que teima de acontecer com a dita Seleção Portuguesa ao longo dos tempos). Enquanto, com essas e outras, Atraca apenas chegou a ser Internacional pela Seleção Militar (existente pelos anos 50 e 60 com torneios internacionais, sobretudo entre países da NATO), pois, apesar de ter por diversas vezes estado nos treinos dos trabalhos da Seleção principal, nunca teve chances de jogar oficialmente pela tal Seleção Nacional A.

No fim de contas, conforme consta dos números conhecidos, em jogos da equipa principal do FC Porto, nos oito anos que Atraca esteve no FC Porto, disputou 170 jogos oficiais pela equipa principal, marcou 3 golos e venceu 5 Títulos (1 nacional, a Taça de Portugal, e 4 regionais da Associação de Futebol do Porto). Tendo por fim em 1969/70 voltado ao Farense, passando depois ao Odemirense, clube que representava quando em 1973 faleceu, vítima dum acidente de viação.

Armando Pinto

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