Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Padre Marcelino da Conceição (1894-1965): histórico Sócio Honorário do Futebol Clube do Porto

 

O Futebol Clube do Porto, dentro de sua imponência memoranda, teve sempre seres humanos salientes em suas dedicações clubistas, entre sócios e adeptos, desde tempos remotos, cujos nomes e perfis merecem ser lembrados e devidamente perpetuados. Como noutros tempos foi por vezes reconhecido com a atribuição de louvores na categoria dos eleitos como Sócios Honorários. Antes ainda e depois também da existência dos galardões de honra, como o Troféu Pinga e sucessor Dragão de Ouro. Tal foi o caso do Padre Marcelino da Conceição, figura marcante do Futebol Clube do Porto pelos anos 40 e 50, sobretudo, para além de ter sido personagem importante da cidade portucalense como diretor do Colégio Escola Académica do Porto. Quão ainda por sua oratória nos altares, mas também nas tribunas da comunicação social, como era voz ouvida como comentador e entrevistado em diversas emissoras de rádio e foi colaborador do jornal O Porto. De permeio com sua aura, conhecido como “grande propagandista e doutrinário do desporto”.

O Padre Marcelino, natural do concelho de Penafiel e com vida pública iniciada como Pároco em Paredes, onde foi um dos fundadores do clube de futebol local, e por essas bandas teve influência na ida para o FC Porto do famoso avançado Araújo, teve maior protagonismo desde que depois passou a residir na cidade do Porto, chegando a desempenhar funções de Dirigente do FC Porto como integrante dos órgãos diretivos, ao género de diretor de retaguarda e colaborador, enquanto no âmbito diocesano foi professor e diretor do Colégio Escola Académica do Porto. Tendo nessa qualidade de professor e diretor do referido colégio colaborado também com o Clube através de apoio a jovens futebolistas do clube, a exemplo de Miguel Arcanjo quando veio para o Porto nos inícios dos anos 50, entre outros casos, de modo a lhes ter sido permitindo assim continuar os estudos enquanto representavam o FC Porto, antes de terem passado a integrar a equipa principal do FC Porto.

= Miguel Arcanjo com o Padre Marcelino...

Com efeito, o Padre Marcelino era diretor da Escola Académica, na rua do Pinheiro, quando, ainda nos inícios da década dos anos 50, chegou em 1952 ao FC Porto o defesa de futebol Miguel Arcanjo, jovem que nesse tempo também ainda foi frequentador da mesma Escola, onde o referido padre era Diretor, além de bem conhecido como um grande portista. Tendo-se revelado um dos sócios mais ativos na campanha de angariação de fundos para pagamento das obras de construção do Estádio das Antas.

Como preito de sua vida pública, além de ter sido agraciado com o título de Sócio Honorário do FC Porto, está também o Padre Marcelino honrado na toponímia citadina de Paredes com seu nome atribuído numa rua, como figura histórica local ligada ao desporto e à comunidade de Paredes, figurando entre os fundadores do União Sport Clube de Paredes, criado em 1924. Quando, antes de tudo mais, foi Pároco de Paredes, na Paróquia de Castelões de Cepeda.

Marcelino Francisco da Conceição, de seu nome completo, nasceu a 01-06-1894, em Sebolido, freguesia das terras de Penafiel. Teve Ordenação Sacerdotal a 22-10-1916 e menos de dois anos volvidos recebeu Nomeação Paroquial a 06-02-1918, como pároco de Paredes, paróquia urbana de Castelões de Cepeda. E poucos anos passados já estava envolvido na criação do clube de futebol com nome do concelho, após unificação num clube só de três que ao tempo existiam, de modo que o novo clube ficou chamado de União, o União Sport Club de Paredes, fundado então pelo Padre Marcelino da Conceição, junto com Delfim Pinto da Costa e Evaristo Soares, a 13 de dezembro de 1924. Desse triunvirato, anos depois, quer o Padre Marcelino, como Delfim Costa, viriam a ter fortes ligações ao FC Porto e inclusive os dois foram diretores do clube e de permeio colaboradores do jornal O Porto. Entretanto o Padre Marcelino esteve como pároco em Paredes até 1930. Já na cidade do Porto, por fim, foi Reitor da Ordem da Trindade e professor e depois Diretor da Escola Académica do Porto, colégio que sob sua direção ganhou muito prestígio no ensino portuense. Enquanto, ainda por sua ligação de «Padre, Reitor da Ordem da Trindade e orador sacro», foi condecorado, por «Proposta do Ministro do Interior, de 19 de dezembro de 1934, para condecoração no grau de Oficial da Ordem da Benemerência». Distinção Honorífica que recebeu a 12 de Abril de 1935.

Entre suas ações distintas no Clube Azul e Branco, ainda no tempo do Campo da Constituição e até à época da edificação do Estádio das Antas, o Padre Marcelino esteve à frente de uma importante campanha de angariação de verbas para ajudar ao pagamento da respetiva construção, através de uma iniciativa que ficou conhecida por “Campeonato do Padre Marcelino”, durante o período de 1950 a 1952 publicada nas páginas do jornal O Porto a puxar pelo Portismo dos adeptos portistas. Como se ilustra com exemplos de recortes jornalísticos coevos.

Após isso, o Padre Marcelino da Conceição foi nomeado Sócio Honorário do FC Porto em Assembleia Geral de 23 de Dezembro de 1952.


Faleceu a 10 de Maio de 1965.

Em 2024, nas comemorações do Centenário do União de Paredes, o Padre Marcelino foi evocado, junto com os dois outros seus colegas fundadores.

Armando Pinto

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