O Futebol Clube do Porto, dentro de sua imponência
memoranda, teve sempre seres humanos salientes em suas dedicações clubistas,
entre sócios e adeptos, desde tempos remotos, cujos nomes e perfis merecem ser lembrados
e devidamente perpetuados. Como noutros tempos foi por vezes reconhecido com a
atribuição de louvores na categoria dos eleitos como Sócios Honorários. Antes
ainda e depois também da existência dos galardões de honra, como o Troféu Pinga
e sucessor Dragão de Ouro. Tal foi o caso do Padre Marcelino da Conceição,
figura marcante do Futebol Clube do Porto pelos anos 40 e 50, sobretudo, para
além de ter sido personagem importante da cidade portucalense como diretor do
Colégio Escola Académica do Porto. Quão ainda por sua oratória nos altares, mas
também nas tribunas da comunicação social, como era voz ouvida como comentador
e entrevistado em diversas emissoras de rádio e foi colaborador do jornal O
Porto. De permeio com sua aura, conhecido como “grande propagandista e
doutrinário do desporto”.
O Padre Marcelino, natural do concelho de Penafiel e com
vida pública iniciada como Pároco em Paredes, onde foi um dos fundadores do
clube de futebol local, e por essas bandas teve influência na ida para o FC
Porto do famoso avançado Araújo, teve maior protagonismo desde que depois
passou a residir na cidade do Porto, chegando a desempenhar funções de
Dirigente do FC Porto como integrante dos órgãos diretivos, ao género de
diretor de retaguarda e colaborador, enquanto no âmbito diocesano foi professor
e diretor do Colégio Escola Académica do Porto. Tendo nessa qualidade de professor
e diretor do referido colégio colaborado também com o Clube através de apoio a
jovens futebolistas do clube, a exemplo
de Miguel Arcanjo quando veio para o Porto nos inícios dos anos 50, entre
outros casos, de modo a lhes ter sido permitindo assim continuar os estudos
enquanto representavam o FC Porto, antes de terem passado a integrar a equipa principal
do FC Porto.
Com efeito, o Padre Marcelino era diretor da Escola
Académica, na rua do Pinheiro, quando, ainda nos inícios da década dos anos 50,
chegou em 1952 ao FC Porto o defesa de futebol Miguel Arcanjo, jovem que nesse
tempo também ainda foi frequentador da mesma Escola, onde o referido padre era Diretor,
além de bem conhecido como um grande portista. Tendo-se revelado um dos sócios
mais ativos na campanha de angariação de fundos para pagamento das obras de
construção do Estádio das Antas.
Como preito de sua vida pública, além de ter sido agraciado
com o título de Sócio Honorário do FC Porto, está também o Padre Marcelino honrado
na toponímia citadina de Paredes com seu nome atribuído numa rua, como figura
histórica local ligada ao desporto e à comunidade de Paredes, figurando entre
os fundadores do União Sport Clube de Paredes, criado em 1924. Quando, antes de
tudo mais, foi Pároco de Paredes, na Paróquia de Castelões de Cepeda.
Marcelino Francisco da Conceição, de seu nome completo,
nasceu a 01-06-1894, em Sebolido, freguesia das terras de Penafiel. Teve Ordenação
Sacerdotal a 22-10-1916 e menos de dois anos volvidos recebeu Nomeação Paroquial a
06-02-1918, como pároco de Paredes, paróquia urbana de Castelões de Cepeda. E
poucos anos passados já estava envolvido na criação do clube de futebol com nome do
concelho, após unificação num clube só de três que ao tempo existiam, de modo que
o novo clube ficou chamado de União, o União Sport Club de Paredes, fundado então
pelo Padre Marcelino da Conceição, junto com Delfim Pinto da Costa e Evaristo
Soares, a 13 de dezembro de 1924. Desse triunvirato, anos depois, quer o Padre
Marcelino, como Delfim Costa, viriam a ter fortes ligações ao FC Porto e inclusive
os dois foram diretores do clube e de permeio colaboradores do jornal O Porto. Entretanto
o Padre Marcelino esteve como pároco em Paredes até 1930. Já na cidade do
Porto, por fim, foi Reitor da Ordem da Trindade e professor e depois Diretor da
Escola Académica do Porto, colégio que sob sua direção ganhou muito prestígio
no ensino portuense. Enquanto, ainda por sua ligação de «Padre, Reitor da Ordem
da Trindade e orador sacro», foi condecorado, por «Proposta do Ministro do
Interior, de 19 de dezembro de 1934, para condecoração no grau de Oficial da
Ordem da Benemerência». Distinção Honorífica que recebeu a 12 de Abril de 1935.
Entre suas ações distintas no Clube Azul e Branco, ainda no
tempo do Campo da Constituição e até à época da edificação do Estádio das Antas,
o Padre Marcelino esteve à frente de uma importante campanha de angariação de
verbas para ajudar ao pagamento da respetiva construção, através de uma iniciativa
que ficou conhecida por “Campeonato do Padre Marcelino”, durante o período de
1950 a 1952 publicada nas páginas do jornal O Porto a puxar pelo Portismo dos
adeptos portistas. Como se ilustra com exemplos de recortes jornalísticos
coevos.
Após isso, o Padre Marcelino da Conceição foi nomeado Sócio
Honorário do FC Porto em Assembleia Geral de 23 de Dezembro de 1952.
Faleceu a 10 de Maio de 1965.
Em 2024, nas comemorações do Centenário do União de Paredes,
o Padre Marcelino foi evocado, junto com os dois outros seus colegas fundadores.
Armando Pinto
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