O FC Porto, com boa exibição, reduziu o forte Sporting de
Braga a uma mera equipa defensiva, mas a bola não havia meio de entrar… até
que, já no período de descontos, o jovem Rui Pedro, que havia entrado para
reforçar o ataque, marcou o golo que estava fadado.
Parecia até haver algo surreal, qualquer coisa maldita, qual
maldição de bruxaria, mesmo que mental de quem fazia figas para que o FC Porto
ficasse longe dos lugares cimeiros, fosse como fosse. Depois de tantas
roubalheiras das arbitragens, estava a interiorizar-se que se sucederia a fase
dos empates, com a bola a não entrar nas balizas dos adversários, tal o estado de ansiedade e falta de
discernimento que a equipa azul e branca patenteava. Eram remates ao poste, guarda-redes e seus defensores a meter o corpo quase em cima do risco, empurrões, ao jeito das famosas placagens à sistema limpinho, limpinho... de tudo acontecia. Mas de tanto teimar, o golo surgiu, enfim.
Felizmente, Rui Pedro conseguiu quebrar o enguiço, destruir
defumadouros psíquicos e voltar a dar alento às Hostes Portistas que tanto ansiavam
esta vitória.
Ficam desconsolados os que já esfregavam as mãos, pensando
no que iam escrever e dizer sobre mais um empate, mas desta vez a bola entrou
mesmo. Era demasiado injusto que tanto ataque à baliza contrária não surtisse
efeito. Porque, pese o que se pense cá fora, a mensagem interna tem sido forte,
como se nota no facto da equipa não sofrer golos há bom tempo e desenvolver
jogadas dirigidas ao reduto do outro lado do campo, mas estava a faltar a bola
entrar, em golo validado pela arbitragem, finalmente. O que já havia sucedido antes, em mais golos anulados, desta vez um por inventada falta e outro por pretenso fora de jogo à lupa, tal como havia
acontecido no jogo anterior num fora de jogo duvidoso. Qal o caso de na dúvida o FC Porto ser sistematicamente prejudicado. Só que neste caso, este sábado, a jogada decisiva nasce num bom
passe, a rasgar a defesa, e Rui Pedro surgiu de trás, por entre os defensores bracarenses, senão
teria havido mais algum fora de jogo tirado ao milímetro de olhos vesgos.
Mérito também no desenrolar do prélio para o guarda-redes bracarense que, além de antes da marcação da penalidade se ter mexido à farta, teve sorte de se ter atirado para o lado que o André Silva rematou, no penalti não
convertido pelo FC Porto, mas depois acabou por realizar uma daquelas exibições que alguns guarda-redes costumam fazer muito quando defrontam equipas grandes,
estando naturalmente mais em ação e com o passar do tempo ganharem confiança.
O caso, se bem que sem ter tanto a ver, nesse aspeto, dá
oportunidade para, num espaço também de memória como este, lembrarmos um
guarda-redes que noutros tempos foi grande no futebol português ao serviço,
precisamente, quer do FC Porto como do Braga – o guardião Armando. Esse mesmo Armando
Silva que defendia muitos penaltis, não tanto por acaso, mas com frequência,
sendo como era isso uma das suas especialidades. Puxamos assim aqui para nós a
recordação desse bom guarda-redes de outrora, o sr. Armando Pereira da Silva que
admiramos e temos como amigo de longa data, a propósito deste embate entre o FC
Porto e o Braga, evocando uma das vezes em que o mesmo se exibiu à altura num
jogo entre as suas duas equipas – como se pode ver em duas imagens, com duas
das suas intervenções.
Agora, regressando à atualidade, o FC Porto volta a
aproximar-se dos lugares da frente, em fim de semana que o Benfica perdeu
porque desta vez não teve árbitros a ajudar. Ficando a sensação que, se a
equipa portista passar a atuar com serenidade e confiança, tudo será sempre
possível.
Armando Pinto
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