Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Pinto de Magalhães - Um Homem do Porto.


No Porto sempre houve sentido de liberdade e memória. Sendo a cidade do Porto a capital liberal, de onde partiram revoluções e conquistas, mas também com memória de gratidão, ou não fosse por um apreço derivado que o rei D. João I veio casar na área do Porto, ele que foi o rei de Boa Memória, inclusive sendo no burgo portucalense que nasceu um seu filho dos mais ilustres rebentos da Ínclita Geração, o Infante D. Henrique. E como os portuenses sempre foram de fazer das tripas coração, é um orgulho ser o Porto que mereceu de D. Pedro IV o coração desse monarca liberal constitucionalista.  

Não admira, em todos os sentidos, que sendo o FC Porto o clube com o nome da cidade da liberdade, também no grande baluarte azul e branco sempre haja imperado o espírito reto, da boa memória. Sem esquecer quem nos fez e faz mal, como os Calabotes de antigamente e os elementos da arbitragem e conselhos dos anos recentes, quer o tal advogado Ricardo que tentou colocar o FC Porto no purgatório há anos, como depois uns talhantes e filhos de tasqueiros atuais, mais um Soares Dias traiçoeiro e os Fontelas das nomeações. Mas lembrando especialmente quem fez bem ao clube, dentro da edificação, no plano construtivo e progressivo. Como foi um caso que desta vez aqui recordamos.

Ora, entre os muitos e bons exemplos, um grande homem que ficou na história do FC Porto e, como tal, mereceu o devido apreço, sendo em seu tempo alvo da natural gratidão portista, foi o Presidente Afonso Pinto de Magalhães, antigo presidente da Direção nas gerências de 1967 a 1971, bem como elemento de diversas direções em variados cargos e funções. Um bom gestor, honrosamente agraciado como um dos nossos Presidentes Honorários. Pinto de Magalhães que teve direito a homenagem pública com a colocação de um monumento alusivo junto ao antigo estádio das Antas, no amplo espaço de entrada entre os acessos à cidadela desportiva das Antas.


Por essa homenagem ter acontecido em pleno Outono, corria o ano de 1970, vem agora à ideia tal ocorrência. Que assim é assaz pertinente recordar.


Pois Pinto de Magalhães foi um dos presidentes que marcou positivamente o clube Dragão. O que nos leva a procurar evocar sua memória também. A pontos que foi dado seu nome a duas das anteriores existências de salas-museus do FC Porto, primeiro ainda na antiga sede da Praça do Município, junto à Câmara Municipal do Porto, e por fim no museu do estádio das Antas, que, com a demolição do estádio, foi substituído pelo atual Museu do FC Porto, no Dragão.


Nascido a 30 de Março, no já longínquo ano de 1913, Afonso Pinto de Magalhães foi com efeito figura incontornável da História do F. C. Porto, seu clube desportivo do coração, que serviu em diversos cargos. Tendo chegado a desempenhar a presidência durante cerca de cinco anos, sucedendo a comissão administrativa em que também esteve incluído. Durante cujo mandato, de permeio, teve reconhecimento dos consócios da coletividade como um dos Presidentes Honorários. Apesar de não ter conseguido nenhum título de campeão nacional de futebol sénior durante esse período, mas havendo imprimido uma dinâmica que transportou o clube para um estado avançado em infraestruturas, mais instalações desportivas e sociais.

Ficou porém, e sobretudo, a sua presidência deveras assinalável pelo trofeu de maior relevo nacional conquistado pelo FC Porto durante a travessia sem títulos, como foi a Taça de Portugal conquistada em Junho de 1968 por aquela equipa onde pontificava a presença elástica de Américo, a segurança de Rolando, a genica de Atraca, a criatividade de Nóbrega, a omnipresença de Custódio Pinto, o carisma de Pavão, o físico de Valdemar, o faro pelo golo de Djalma, a velocidade de Jaime, técnica de Eduardo Gomes, prontidão de Bernardo da Velha, elegância de Sucena, jogo de pés de Malagueta, etc.


Apesar de constar na maioria das publicações alusivas como sendo natural do Porto, Afonso Pinto Magalhães nasceu em Arouca, no Distrito de Aveiro; embora depois haja sido batizado no Porto, tendo recebido o sacramento do batismo na igreja de S. Nicolau, da portuense freguesia da Sé, na cidade capital do distrito do Porto e sede episcopal da diocese Portucalense. Havendo, pela vida fora, sido um verdadeiro filho dileto da Invicta, servindo a mesma cidade da Virgem «nas mais diversificadas instituições de Assistência, de Indústria, do Comércio, de Benemerência, do Desporto. Por si mesmo criou inúmeras Empresas sendo, de forma indiscutível e inatacável, o maior investidor, industrial, comerciante, banqueiro e dirigente multifacetado» da geração desse tempo. Como está expresso num livrinho que em 1989 lhe foi dedicado pelo também antigo diretor do clube Mário Carvalho, aquando da passagem de cinco anos de seu desaparecimento físico, tendo falecido a 29 de Janeiro de 1984 – cujo frontispício dessa publicação ilustra o início deste artigo.

Dos pontos mais visíveis de sua presidência fala um resumo inserido na Fotobiografia do FC Porto, da lavra de Rui Guedes. 


Muito poderíamos aludir sobre este personagem ilustre e dinâmico presidente na vida clubista, bastando por ora, para não alongar a exposição, cingirmo-nos a algumas publicações que lhe dedicaram espaço de memorização. Entre outras edições histórico-literárias, além de alguns livros que já referimos noutras ocasiões.

- Chegada de Flávio ao aeroporto do Porto, perante grande afluência humana que foi esperar esse famoso craque, à chegada a Pedras Rubras.

Pinto de Magalhães, que em 1955 como diretor do futebol trouxe Yustrich, o homão treinador do título nacional de 1956 e em 1971, como presidente ainda, tentou reforçar melhor a equipa principal do FC Porto com a aquisição de Flávio, craque goleador da seleção brasileira, ao tempo, foi sempre verdadeiramente um Homem do Porto, ponto!

No Porto, por fim, jaz em descanso eterno de justo guerreiro, sepultado que está em jazigo de família no cemitério de Agramonte, no mesmo campo santo onde repousam Glórias do FC Porto no Mausoléu do clube, mandado edificar durante a presidência portista de Afonso Pinto de Magalhães.

Como ilustração, juntamos uma curta nota biográfica, do livro “100 figuras do futebol português”. Havendo, curiosamente, em sequência da sua continuidade como portista uma ilustrativa entrevista prestada à revista “Chuto” (edição da qual um exemplar está entre o material emprestado pelo autor destas linhas ao museu do FC Porto), em cujo número, nesse de Abril de 1979, se percebe algo de sua afeição clubista mesmo depois de ter deixado de ter ação direta no clube.


Fica assim aqui algo capaz de fazer avivar a memória desse grande timoneiro portista do passado, que para sempre será lembrado entre os portistas de boa memória e sentido de gratidão em azul vivo.

Armando Pinto

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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

"Estrela de Roma" - Américo, o primeiro Baliza de Prata português !


Não, não se trata de figura de cinema, lembrando que ficou célebre a cena de Mastroianni na Fontana di trevi, fonte monumental de Roma com ligações amorosas e artísticas. Mas sim, isso sim, no caso presente, de um epíteto de exaltação, a glorificar cintilação em momento marcante em Roma. Como por estes dias de Agosto aconteceu com o grande resultado que o FC Porto obteve no estádio olímpico da cidade eterna, diante do AS Roma (Associazione Sportiva Roma) a contar para o apuramento para a Liga dos Campeões europeus; e anos antes ocorreu com um dia de portentosa exibição do guarda-redes portista Américo, então em jogo com a camisola de seleção portuguesa.


O FC Porto, através da equipa principal do futebol azul e branco, já obteve por diversas vezes bons resultados em Itália e particularmente em Roma. Contudo o desfecho da pré-eliminatória bem presente ressalta acima ainda, mais pelos números, tal a categórica vitória por três golos sem resposta conseguida em Roma, que apurou o clube Dragão para a fase de grupos da Liga dos Campeões desta época. Acontecendo que mais brilho houve no firmamento romano, habituado em tempos áureos a ver passar em terra legiões triunfantes. Sendo que a estrela do acontecimento, desta feita, em 2016, foi a equipa portista no seu conjunto. Algo que duma vez anterior foi mais personalizado – tal como foi apelidado, no caso, o guarda-redes Américo, “Estrela de Roma”, em 1967. Tendo o Jornal de Notícias ido mais longe, ao considerá-lo "Águia de Roma", olhando aos seus vistosos voos (e na linha de anteriormente Virgílio ter sido celebrizado como "Leão de Génova", derivado a grande exibição também pela seleção, em jogo então disputado na cidade italiana desse nome). 


O tema traz assim à memória ter brilhado em tempos outra estrela portuguesa, quando Américo se cobriu de glória na defesa da baliza portuguesa, precisamente também no Estádio Olímpico de Roma, em plena semana da Páscoa de 1967.

Relembre-se que Américo, apesar de nesse tempo ser considerado o melhor guarda-redes português, não entrou em jogo durante o Mundial de 1966 por motivos da política desportiva do regime dessas eras. Passada essa saga dos Magriços de 66, e depois de no primeiro jogo a seguir ter acontecido mais do mesmo, com os mesmos resultados na defesa da baliza da equipa representativa da Federação Portuguesa de Futebol do sistema BSB, foi depois Américo finalmente chamado a defender a honra portuguesa, em Março de 1967, em jogo decorrido no estádio da antiga capital do império. E então Américo mostrou como era… e nesse ano e seguinte, até ter sofrido grave lesão que o obrigou a abandonar a carreira, Américo foi reconhecido com diversas distinções, comprovativas da sua grande categoria.


Em atenção disso, registamos aqui essa recordação, com recortes jornalísticos alusivos à exibição de Roma, mais algumas outras passagens documentais referentes a prémios com que foi agraciado à época, além da célebre primeira Baliza de Prata e primeiro trofeu Somellos-Helanca, entre os que já anteriormente havia recebido. Sendo no seu último ano de atividade até considerado o Desportista do Ano.


Então, em tempo de grande vitória portista em Roma, algo que leva o FC Porto a estar num interessante grupo na fase seguinte da mais importante prova europeia, já ao décimo sexto ano do século XXI, há que vincar que na década de sessenta, em pleno período musical dos Beatles, de estrelas de cinema como Marcelo Mastroianni e Sofia Loren, mais outros grandes nomes da história internacional, Américo foi considerado em 1967, no século XX, “Estrela de Roma”!


Armando Pinto

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