Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Castro – Guarda-redes carismático do hóquei portista e hoquista mais internacional madeirense


Como vêm da ilha da Madeira as estrelícias, flores naturais com imagem de requinte, apropriadas a eventos refinados (associando-se essa flor à Madeira, embora de origem sul-africana, mas dando-se bem com a aragem madeirense, sendo espécie muito cultivada na ilha); bem como o vinho Madeira, também de classe comprovada; mais as saborosas bananas, muito apreciadas; entre características que lhe dão o epíteto de Pérola do Atlântico; também da Madeira brota de sua espécie humana bons valores, entre gente saliente nos diversos campos da sociedade. E, dentro de tal galeria, igualmente no desporto, desde Ronaldo e Pinga, no futebol de agora e antes, como no hóquei José Ricardo, geralmente considerado o melhor, mais José Castro, guarda-redes histórico do hóquei em patins.


Ora, como tal e atestando bem o lugar que representa, Castro, que um dia veio para o continente português e durante anos representou o F C Porto, teve uma carreira desportiva de realce, em que se salienta ser o mais internacional hoquista oriundo da Madeira, detendo o maior número de chamadas à seleção portuguesa, somando internacionalizações na seleção júnior e na sénior.

José Manuel Castro nasceu a 17 de Março de 1950, na Freguesia de S. Pedro – Funchal, em plena ilha da Madeira, ao largo do território português banhado de todos os lados pelo Atlântico. Em cujas entranhas telúricas desde cedo se dedicou a jogar sobre patins, tendo começado logo aos 8 anos a praticar hóquei em patins nas camadas principiantes do Marítimo. Mas (conforme o próprio contou um dia numa entrevista ao jornal O Porto) como sempre desejou ser guarda-redes e o equipamento era muito pesado, teve de interromper essa sua atividade (de permeio com outros desportos, tendo também corrido em atletismo e jogado futebol nas camadas jovens) para depois haver regressado ao hóquei pelos 13 anos. Ali no Marítimo do Funchal se manteve durante quatro épocas, principiando em 1963, já a guarda-redes (numa equipa em que alinhava também Jorge Câmara a médio, colega mais novo e que anos depois o voltou a encontrar no Porto).

Conta o amigo Jorge Câmara: «O Castro também praticou atletismo e futebol com a camisola do maior clube desportivo das Ilhas (Marítimo), modalidades que abandonou, para se dedicar em exclusivo ao hóquei em patins. Era necessário arranjar espaço, para que depois das aulas fossemos para a Quinta Bianchi, que vulgarmente era chamada de Quinta Vigia. Havia por ali três quintas, separadas por pequenos caminhos (Quinta Vigia, Quinta Pavão e Quinta Bianchi). Onde dava para treinar com bolas de ténis, durante horas da tarde, sensivelmente das 15 às 18 horas, debaixo das ordens do nosso treinador particular Agostinho Zacarias (Fôfo) o homem dos sete instrumentos, roupeiro, mecânico, massagista, treinador e cozinheiro privado. Até que chegou o ano de 1967 e o Sr. Gil Câmara, decidiu convocar o Castro para a seleção sénior da Madeira para defrontar a Seleção de Lisboa, relegando assim Ricardino Jasmins para o banco de suplentes.»

= Principiantes do C.S.Marítimo, do início de carreira de Castro (em cima, primeiro à direita da foto; estando em baixo Jorge, também à direita). Acompanhados pela grande figura Agostinho (Fofo) o homem dos sete instrumentos. =

Entretanto Castro subira ao escalão de juniores, numa ascensão que levou a que chamasse as atenções, a pontos de, ainda com idade de júnior, em 1967, ter sido escolhido então para a Seleção da Madeira que, em representação da Associação do Funchal, defrontou a Seleção de Lisboa. 

= No jogo da Seleção da Madeira com a congénere de Lisboa =

Até que em 1968, com 17 anos, veio para o F C Porto junto com Ricardo, respondendo afirmativamente a convite para reforçar a equipa portista. E logo no mesmo ano, já como hoquista do F C Porto, e ao lado do colega de equipa Cristiano, foi chamado à Seleção Nacional de Juniores que representou Portugal no Europeu, disputado em Vigo (classificando-se a equipa portuguesa no 2º lugar em igualdade pontual com a formação espanhola, com quem Portugal empatou e apenas ficou no 2º posto por diferença do total de golos).

Cristiano e Castro, ambos da equipa sénior azul e branca, embora com idade para a seleção júnior, foram assim os primeiros internacionais juniores do hóquei em patins do F C Porto.

= Aspeto da homenagem que foi prestada a Castro e Cristiano pela Associação de Patinagem do Porto e pelo F C Porto, no rinque da Constituição. Vendo-se, em representação do clube, o capitão de equipa Alexandre Magalhães. =

Volvido um ano, Castro voltou à seleção portuguesa de juniores e a disputar novamente o Europeu da categoria, outra vez na companhia de Cristiano, e então com mais dois outros colegas hoquistas do F C Porto, Fernando Barbot e António Júlio, conseguindo enfim o título. Sendo os juniores portugueses desse campeonato de 1969 Campeões Europeus. 


Bem como, a nível de competições nacionais, Castro obteve com a equipa sénior do F C Porto o Campeonato Regional da Associação de Patinagem do Porto e o Campeonato Metropolitano (de campeão da metrópole), ficando depois em 2º lugar no Nacional, em fase final disputada com equipas das então províncias ultramarinas. Tal como seguidamente obteve mais títulos, nas edições seguintes do Regional e no Campeonato de Reservas da APP, assim como na fase da Zona Norte do Metropolitano, em 1970 e 1971. Até que o serviço militar, em tempo da guerra colonial, veio interromper essa auspiciosa carreira, sendo Castro mobilizado para ir para Angola.


De tal facto, ilustramos a ocasião com (imagens de) recortes jornalísticos, extraindo d’ O Porto uma crónica do jogo que serviu de despedida temporária e duma entrevista correspondente ao momento:


Durante a prestação da comissão de serviço militar Castro representou o F C de Luanda, ao tempo filial principal do F C Porto em Angola. Após o regresso, Castro foi finalmente chamado a representar a seleção principal de Portugal, fazendo então parte da equipa das quinas vencedora do Campeonato Europeu de seniores em 1975.

= Apontamento do jornal O Porto de 24-7-1975 =


Assim como mais tarde, já entrada a década dos anos oitenta, Castro incluiu a equipa do F C Porto que obteve o primeiro título internacional do F C Porto, com a conquista da Taça das Taças da Europa, em 1982, que então era também a primeira taça europeia da presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa.


Castro, com uma assinalável permanência nos quadros do hóquei patinado do F C Porto tornou-se um guarda-redes emblemático, um referencial na história do F C Porto.


Numa carreira brilhante e recheada de medalhas, placas, salvas e trofeus, contando correspondentes taças de guarda-redes menos batido do Campeonato da Europa dos Juniores de 1968 e guarda-redes menos batido no Torneio do Árbitro Internacional Carlos Bica, em 1981; mais os troféus de guarda-redes menos batido do Torneio de Nova Lisboa (Angola)-1973 e o de menos batido do Torneio Internacional de Espinho-1979 (veja-se as imagens da sua coleção pessoal), o seu currículo desportivo fala por si.


Palmarés:

- Pelo C. S. Marítimo
> Campeão Regional da Madeira de Juvenis - 1966.

Pelo F C Porto
> Campeão Regional do Porto - 1969
> Campeão Metropolitano 1969
> Campeão da Europa de Seleções de Juniores 1969.
> Campeão Regional do Porto 1970
> Campeão Regional de Reservas 1970
> Campeão Regional do Porto 1971
> Campeão Regional de Reservas 1971
> Campeão da Europa de Seleções Seniores 1975
> Vencedor da Taça das Taças 1981/1982
> Campeão Nacional 1982/83
> Vencedor da Taça de Portugal 1983
> Campeão Nacional 1983/1984
> Vencedor da Supertaça 1982/1983
> Vencedor da Supertaça 1983/1984.


Alguns "recortes" dignos de registo: 


ARMANDO PINTO
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domingo, 10 de abril de 2016

Homenagem ao antigo guarda-redes Armando Silva, Glória do F C Porto



Numa apreciável iniciativa da Casa do Futebol Clube do Porto de Rio Tinto, realizou-se na tarde deste domingo a anunciada homenagem ao antigo guarda-redes Armando, senhor que defendeu as balizas do F C Porto e do Braga, especialmente, além de outros clubes. Ato justíssimo, que teve lugar no salão nobre da Junta de Freguesia de Rio Tinto, contando com muitos adeptos portistas e sócios da instituição organizadora, mais diversos convidados e aderentes.


Foi uma tarde de emoções, vendo-se caras conhecidas do universo dos apoiantes portistas, entre gente que se quis associar a esse justo preito ao sr. Armando Pereira da Silva, o “Armando do Porto”, guarda-redes também de tempos difíceis do futebol portista, que sentia bem o emblema que teve ao peito e continua a sentir o Portismo que nos corre nas veias.


Foi uma satisfação para o autor destas linhas poder rever o amigo sr. Armando e reparar como as gentes Portistas sabem ser gratas aos seus grandes defensores. Como ocorreu então, graças a essa justíssima realização da Casa do F C Porto de Rio Tinto, na primeira das homenagens que vai continuar a organizar regularmente a nomes Gratos do F C Porto. E as fotografias do evento, em que fiquei ao lado do amigo sr. Armando e seus familiares, ficarão para sempre no meu álbum pessoal (de fotos impressas, que continuo a guardar).

As imagens que se juntam ajudam a ilustrar a descrição da ocorrência, abrilhantada pelas presenças de pessoas queridas deste mundo portista. Com especial relevância para a presença da muita estimada D. Cecília Pedroto, esposa do saudoso Mestre Pedroto, que fez a entrega ao homenageado duma recordação do reconhecimento da Casa do F C Porto de Rio Tinto. Assim como a dissertação alusiva esteve bem na palavra de Paulo Bizarro, conhecido portista dos estudos da blogosfera, com a mesa composta ainda com entidades locais e anfitriões representantes da instituição responsável. De destaque, na sala estiveram presentes antigos craques do F C Porto, como Albertino, Eduardo Luís e Eurico, mais o antigo dirigente sr. Jorge Vieira, que foi o último chefe da secção de futebol do tempo em que Armando esteve como guarda-redes no F C Porto. Bem como conhecidos publicistas e artistas da imagem fotográfica, como os senhores José Lacerda e José Carlos Silva, o cantor Nelo Silva, etc.

Armando Pinto

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Momento mais esclarecedor do F C Porto


Eu continuo com Pinto da Costa, sendo sócio do F C Porto e Portista. Não fazendo vénia de louvaminha, de adulação e elogio bajulador, mas sim na convicção que continua a ser o melhor timoneiro para o F C Porto. Não só por ser o Presidente português mais ganhador e no F C Porto ter vencido dezenas de títulos, nestes já 34 anos de presidência, enquanto os antecessores poucos conseguiram em anteriores largas décadas, mas também por saber como é, por não ter sido já a primeira vez que teve momentos de faltas de vitórias em campeonatos e ter conseguido ultrapassar e superar isso.

Fiquei ciente, depois da entrevista, da noite desta quinta-feira ao Porto Canal, que Pinto da Costa continua capaz e em condições normais conseguirá proporcionar ao mundo portista novas alegrias e mesmo em condições não tão normais, como na atualidade. Porque o desporto português está minado, como se sabe pelos casos de artimanhas, que levam às habilidades de bastidores, notórias nas nomeações de árbitros e arbitragens mais que tendenciosas. E agradou-me esta entrevista por ver que Nuno Pinto da Costa volta a ver quão necessário é haver contacto com a massa adepta, e com os sócios especialmente. Até para esclarecimentos e clarificações. Para que não continue a acontecer, como tem ocorrido, de boa parte dos simpatizantes se deixarem enganar pela comunicação social, à falta de comunicação desde o interior do clube. Não foi por acaso que ainda na noite anterior houve a tal ocorrência dumas tarjas que só estiveram colocadas num muro durante cerca duns escassos minutos, já noite dentro, e delas terem aparecido fotografias em três jornais, que obviamente terão alguma coisa a ver com isso. Ou então terão de explicar bem, se forem de bem, como isso foi possível e aconteceu, de verdade. Já para não falar se haverá desta feita investigação a sério, oficialmente.

Ah, e sobre as tais comissões, porque aparece isso só no que toca ao F C Porto?  Todos pagam, têm de pagar e nem bufam, e só o F C Porto é que é referido? Pinto da Costa esclarece: "O FC Porto é vítima da transparência". "Nós pagamos com transparência (...) e pomos nas nossas contas porque queremos e não porque somos obrigados"… Um mero exemplo, mas sintomático!

Em suma, a comunicação de Jorge Nuno Pinto da Costa deixa no ar confiança em melhores dias. Não sendo este o melhor momento para ser mais incisivo. Mas com sinais de retoma. Com os devidos acertos, pois tal como a seguir às saídas de Mourinho e Villas Boas houve crises, que foram ultrapassadas, também agora isso poderá voltar a ser possível.

A mim o que me interessa é o que eu penso. E como não tenho comprometimentos nem nada mais, apenas pensando no clube de que gosto, continuo na minha. Claro, como muita gente reconhece, a massa adepta do F C Porto é diferente das dos outros clubes, mas também porque os meios são outros, não tendo o F C Porto uma escala de comunicação social a lavar cérebros, como das outras partes.

Posto isto, na esperança que o que falta desta época seja mesmo rampa de lançamento da próxima, de forma a capacitar a estrutura de quem tem estofo e pode formar a futura equipa com caracter, continuo, aqui o autor destas linhas e autor e gestor deste blogue, que tem rosto (nome, identificação), continuo apoiante do Presidente dragão.

Armando Pinto 
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terça-feira, 5 de abril de 2016

Armando – Guarda-redes histórico do F C Porto


Armando, guarda-redes formado no F C Porto e que como sénior representou o FC Porto em finais dos anos cinquentas e depois novamente nos primeiros anos da década de setenta, é agora alvo de justa homenagem, através duma entidade de ligação ao F C Porto, por iniciativa da Casa do FC Porto de Rio Tinto.


Armando foi e é uma das minhas referências futebolísticas, nas memórias pessoais de atento adepto do FC Porto. A par do Américo, meu grande ídolo por assim dizer, pois foi já com Américo na baliza do Porto que comecei a sentir mais esse sentimento que é gostar muito do F C Porto. Armando jogara inicialmente ainda o autor destas linhas era criança de pouca idade. E haviam passado lá pelas balizas, como eu ouvia, também Pinho, Acúrcio, etc. 
E até o Roldão, que fora internacional júnior mas depois seguiu outro rumo. Mais tarde apareceu o Rui, que foi eterno suplente do Américo, e ainda outros, como o Norberto, o José Domingos, todos guarda-redes que não conseguiram subir mais perante o valor do indiscutível Américo. Enquanto isso, Armando seguia seu caminho, pois que devido à tropa, como era chamado popularmente o serviço militar obrigatório, teve de seguir um percurso alternativo por outros clubes, até que assentou posição na frente das redes do Braga, com grande sucesso. Mas sem nunca esquecer o seu e nosso Porto. Tanto que, após Américo ter saído do seu posto, devido a grave lesão, e a época seguinte ter sido de grande alternância na baliza do F C Porto, tendo defendido Rui, Aníbal, Vaz, Antenor e Frederico, havendo sido convidado Armando a regressar, de imediato aceitou, possibilitando assim que passasse também a ser o referencial que é nas memórias portistas.

= Armando, na equipa principal do F C Porto, em 1970 / 71, junto com (a partir da esquerda, em cima:) Pavão, Manhiça, Vieira Nunes, Albano, Gualter e (em baixo) Abel, Custódio Pinto, Chico Gordo, Bené e Eduardo Gomes. =

Armando Pereira da Silva nasceu no dia 11 de Outubro de 1938, na cidade do Porto. Depois de ter passado pelas escolas do Futebol Clube do Porto, Armando estreou-se na equipa principal portista na temporada de 1957/58. Logo nessa época esteve presente (como guarda-redes suplente), na Final da Taça de Portugal em que o F.C. Porto venceu o S.L. Benfica por 1-0. Depois, mantendo-se no plantel principal, Armando representou os Dragões nas duas temporadas seguintes, tendo vencido por duas vezes a Taça Associação de Futebol do Porto, fazendo equipa com outros nomes consagrados, como Pedroto, Osvaldo Silva e outros (conforme a foto abaixo), mas no final do Campeonato Nacional de 1959/60 deixou as Antas para cumprir o serviço militar e entretanto ingressou no Gil Vicente. Foi depois obrigado a seguir para a guerra colonial em Angola, onde representou o Ferroviário de Malange.

= Uma das equipas em que Armando alinhou em jogos da Taça Associação de Futebol do Porto. =

No regresso a Portugal, vestiu a camisola do Salgueiros em 1963/64. Na temporada seguinte transferiu-se para o Sporting de Braga tendo-se mantido na cidade dos arcebispos por cinco temporadas e onde venceu a sua segunda Taça de Portugal em 1965/66, havendo então sido titular na vitória sobre o Vitória de Setúbal. Em 1970/71, Armando regressou ao F.C. Porto para defender a baliza portista e substituir o antigo guardião Américo, que acabara a carreira devido a lesão. Nesse período, Armando manteve-se nas Antas até ao final da temporada de 1972/73. Até que na época de 1973/74 voltou ao S.C. Braga onde ainda jogou durante mais duas temporadas, para depois ter terminado a carreira no final de 1974/75. Armando representou ainda a Seleção Nacional Militar, a Seleção B Nacional e a Seleção A onde foi suplente em cinco partidas. Mais tarde passou a assumir o cargo de treinador em equipas dos distritais da área do Minho, inclusive tendo promovido o Grupo Desportivo de Terras de Bouro, alcançando com esse clube o título de Campeão da 2ª Divisão Distrital, na época 1983/84.. Foi agraciado com a Medalha de Exemplar Comportamento da Federação Portuguesa de Futebol, em virtude dos seus 391 jogos feitos sem qualquer castigo.


Armando foi um guarda-redes conhecido, entre a massa associativa portista, como um afeiçoado adepto da coletividade das Antas, e que passou pelo seu clube sem conhecer mais êxitos, como merecia, sendo reconhecido por seus pares como dos melhores valores dessas eras. Ele era um guardião «não espalhafatoso, mais eficiente do que artista voador». Guarda-redes que na Seleção A foi suplente, primeiro de Américo e depois de Damas, durante três anos em que foi escolhido como nº 2 na turma das quinas. Teve a curiosidade de ter chegado a ser considerado especialista a defender penaltis, especialmente do Eusébio, como em seu tempo era deveras referido nessa curiosa peleja com o pantera negra, que não o conseguiu bater de pontapé da penalidade máxima. Detendo nessa sua característica o recorde mundial de penaltis defendidos consecutivamente (4 seguidos) no jogo F C Porto x Celta de Vigo, em Caracas (Venezuela) no verão de 1971.


Com um currículo detentor da conquista de duas Taças de Portugal, uma pelo F C Porto como suplente e outra pelo Braga na qualidade de efetivo, o percurso deste carismático guardião merece maior desenvolvimento. Estando historicamente na linha de grandes guarda-redes como Américo, Vítor Baía, Barrigana e Siska, bem como Tibi, Fonseca, Zé Beto, Mlynarczyc, Helton e Casillas, entre outros obviamente.


Armando Pereira da Silva, nome completo do guarda-redes conhecido por Armando e também referenciado na comunicação social como Armando Silva e até Armando Pereira, formou-se no FC Porto, nas camadas jovens que evoluíram no Campo da Constituição, a partir das escolas e seguiu natural ascensão. Tendo então feito parte da Seleção de Juniores da Associação de Futebol do Porto, cuja formação incluía também, nesse tempo, um jovem defesa portuense que atuava no Infesta… e dava pelo nome de Jorge Nuno (Pinto da Costa). Então o jovem guarda-redes continuou pelos juniores, em cujo último ano, em 1958, na transição para sénior, foi escalado para suplente do jogo da final da Taça de Portugal, no Jamor, conquistada pelo FC Porto através de saborosa vitória sobre o Benfica por 1-0, com célebre golo de Hernâni. Logo a seguir, foi com a equipa principal em digressão a Angola e Moçambique, e durante dois anos fez parte do plantel sénior, tendo mesmo jogado três jogos na 1ª equipa e ainda sido suplente de Acúrcio, em 8 jogos. Com incorporação no serviço militar pelo meio, acabou por ser dispensado, em 1960, ingressando então no Gil Vicente, de Barcelos, para logo de seguida ter sido mobilizado para a guerra colonial, indo para Angola, onde ainda chegou a representar o Ferroviário de Malange, ajudando a conquistar o título provincial.


Após o regresso à vida civil, representou durante um ano o Salgueiros, para depois ingressar no Braga. Aí conquistou o seu maior triunfo como titular, ao serviço do Sp. de Braga, quando a turma arsenalista do Minho ganhou a final da Taça de Portugal, em 1966, por 1-0, contra o Setúbal.


= Foto da equipa inicial do jogo Vasco da Gama, 0 - FC Porto,1, com golo de Flávio, em 1971, no Brasil, sendo treinador Paulo Amaral.
Em cima (da esquerda para a direita): Rolando, Pavão, Valdemar, Leopoldo, Gualter e Armando; em baixo (da esq. p/ d.ta): Seninho, Bené, Flávio, Abel e Ricardo. =

Dez anos depois de ter saído das Antas, em 1970, regressou ao FC Porto, no início da temporada de 1970/71 (após a saída do Américo e, da transição da época 1969/70, em que o clube experimentou diversos guarda-redes). Tendo começado como titular, viveu diversas fases, até que acabou por regressar a Braga três anos depois, para ali acabar a carreira.

= Formação do F C Porto da época de 1972 / 73 - Em cima, a partir da esquerda para a direita: Armando Silva, Manhiça, Valdemar, Manuel Guedes, Dr. José Santana (Médico), Celso, Gualter, José Rolando, Rui Teixeira e Jorge Vieira (Diretor - chefe do departamento de fut.). Em baixo pela mesma ordem: Costa Almeida, Flávio, António Oliveira, Ricardo, Abel, Pavão, Malagueta e Hélder Ernesto. =

Entretanto, durante a sua carreira, havia sido selecionado para diversas formações representativas, como foi o caso de, além de ter representado a Seleção Júnior da Associação de Futebol do Porto, também ter  jogado pela Seleção Militar do Norte (em desafio contra a do Sul), como também pela Seleção da Associação de Braga (contra a do Porto), em seniores. E, internacionalmente, jogou pela Seleção B Nacional (diante da França B), até que na Equipa A foi suplente contra a Roménia (em Lisboa), Suíça (Lisboa e Berna), Roménia (Bucareste), Grécia (Antas-Porto) e México (Lisboa).


Após o abandono do futebol, como se referiu, foi reconhecido pela Federação Portuguesa de Futebol com a Medalha de Comportamento Exemplar. De permeio, nos últimos tempos de futebolista do FC Porto, começou a embrenhar-se no mundo dos negócios, no ramo do vestuário. Por fim, em Braga, seguiu novos rumos profissionais, tendo durante algum tempo exercido funções de treinador em diversas equipas, entre as quais teve enorme sucesso no Grupo Desportivo de Terras de Bouro, tendo levado este clube ao título de Campeão da 2ª Divisão Distrital de Braga, na época 1983/84, promovendo-o ao 1º Escalão da Associação de Futebol de Braga. Até que, na continuidade duma vida de bem, concluiu seu percurso profissional com a aposentação, já merecedor do descanso de guerreiro.

Armando Pinto

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= Para rever: 

Recorde-se anteriores artigos sobre Armando, em

(clicando nos links)


e

A. P.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Homenagem a Armando, antigo guarda-redes e Glória do F C Porto – Feliz iniciativa da Casa do F C Porto de Rio Tinto – dia 10 de Abril, às 15 H 00


Numa louvável e totalmente feliz iniciativa, vai ser prestada uma homenagem ao antigo guarda-redes portista Armando Silva, aquando da inauguração das novas instalações da Casa do F C Porto de Rio Tinto. Indo assim realizar-se uma homenagem, como há tempos lembramos no blogue pessoal, na página do grupo portista Memória FC Porto, na página Puro Portista e outros locais informáticos. Recebendo agora a agradável surpresa da iniciativa e dum convite, ao qual naturalmente procuraremos corresponder, indo marcar presença em tal evento para levar um abraço ao amigo senhor Armando Pereira da Silva, além de obviamente ir poder conviver com gente do F C Porto que sempre admiramos.

A propósito, logo que possível vamos aqui no blogue fazer uma resenha biográfica do Sr. Armando Pereira da Silva, e entretanto deixamos imagem do convite, que gostosamente partilhamos como divulgação à família portista.


ARMANDO PINTO

domingo, 3 de abril de 2016

Equipa Portista “W52 - FC Porto - Porto Canal” 1ª Classificada por equipas na 56ª Vuelta Ciclista a La Rioja


Em prova disputada neste domingo inicial de Abril, a equipa ciclista do F C Porto, como naturalmente é mais referida a formação de ciclismo "W52 - FC Porto - Porto Canal", esteve presente em terra de Espanha na disputa da tradicional corrida da Volta a Rioja, a Vuelta a La Rioja. 

E venceu coletivamente, classificando-se no 1º lugar por equipas. Enquanto a nível individual Samuel Caldeira foi 4º, Daniel Freitas 5º  e Juan Perez 10º (os três melhores na contagem de tempos para a classificação coletiva).

Assim sendo, como noutros tempos, ao menos em ciclismo, modalidade onde não há árbitros (embora havendo juízes de meta, mais decisivos quando na necessidade do foto-finish…), sempre vão havendo sucessos, subindo as camisolas azuis e brancas ao pódio vitorioso - como se regista na imagem do momento da consagração.  

« Samuel Caldeira, do W52-FC Porto-Porto Canal, terminou este domingo no quarto lugar da Volta à Rioja em bicicleta, completando a prova de 157,4 quilómetros com o mesmo tempo (3h47m20s) do vencedor, o australiano Michael Matthews, da Orica-GreenEdge. Houve mais dois portistas no top 10 da prova, com a duração de apenas um dia: Daniel Freitas foi 5.º e Juan Ignacio Pérez décimo. Os Dragões triunfaram na geral coletiva, com o mesmo tempo de outras nove equipas (11h22m00s), incluindo as outras duas portuguesas que participaram, a Radio Popular-Boavista e o Louletano-Hospital de Loulé.
Matthews impôs-se no sprint final, em Logroño, ao russo Sergey Shilov, da seleção russa, e ao espanhol Carlos Barbero, da Caja Rural-Seguros RGA, segundo e terceiro classificados, respetivamente. Refira-se ainda que João Rodrigues foi oitavo na classificação geral Sub-23, com o mesmo tempo do vencedor, Daniel López (Burgos BH).»


Classificação geral
1.º - Michael Matthews (Orica-GreenEdge), 3h 47m 20s
2.º - Sergey Shilov (seleção russa), mt
3.º - Carlos Barbero (Caja Rural-Seguros RGA), mt
4.º - Samuel Caldeira (W52-FC Porto-Porto Canal), mt
5.º - Daniel Freitas (W52-FC Porto-Porto Canal), mt
(...)
10.º - Juan Ignacio Pérez (W52-FC Porto-Porto Canal), mt
(...)
28.º - Rafael Reis (W52-FC Porto-Porto Canal), mt
(...)
40.º - João Rodrigues (W52-FC Porto-Porto Canal), mt
(...)
55.º - Raúl Alarcón (W52-FC Porto-Porto Canal), mt
(...)
62.º - Rui Vinhas (W52-FC Porto-Porto Canal), a 13 segundos
(...)
109.º - Ángel Rebollido (W52-FC Porto-Porto Canal), a 2m e 06s 

ARMANDO PINTO

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sábado, 2 de abril de 2016

Quo Vadis...?


O F C Porto está a passar por uma fase negativa como há muito se não sentia. Agora mais evidente com o que se tem passado nas modalidades amadoras, a juntar à época menos condizente que tem tido o futebol. Mas, não pode haver mal que sempre dure. Tal como diz um provérbio: "Não há mal que sempre dure, nem bem que se não acabe". O que é preciso é que haja bom senso e remédio, e que o bom senso seja um bom remédio.

Ora, andam por aí portistas descontentes com tudo e mais alguma coisa, quando o Porto não ganha?!  Mas que só aparecem publicamente quando alguma coisa não corre bem, pois quando o Porto ganha se calam e nem chus nem mus… Afinal se não gostam do Porto porque não mudam de clube, para algum que ganhe sempre e onde tudo seja sempre bom? E se a Direção atual está gasta, porque não aparece ninguém mais…? Para falar mal e procurar destruir ou desanimar, já basta os adversários.

Claro que o F C Porto precisa de uma revisão quase total. Há por ali peças a precisarem de substituição. E a direção atual e futura tem de parar para pensar, no sentido de se sentarem em torno duma mesa de reuniões e analisarem tudo bem e tomarem decisões. Mas também que sejam decisões bem aplicadas, não como quando se mudam jogadores por outros ainda menos capazes… assim como devem discernir no que deixam entrar no clube.. não só no futebol, entenda-se. Como é que hoquistas que o ano passado no F C Porto não davam meia e agora noutras equipas se esmeram e mostram serviço? Como é que outros, como andebolistas por exemplo, noutras equipas davam o litro e chegados ao Porto parece que desaprenderam? Como é que os basquetebolistas vão do oitenta ao oito, tanto fazendo um grande jogo em que ganham aos melhores e depois, quantas vezes, perdem com equipas de menor potencial?

Estávamos habituados a ganhar quase sempre, nos últimos vinte e tal anos, pelo menos, acostumados a ter muitos dos melhores desportistas e com bons resultados diretivos. Ultimamente tem sido o que se vê e sente. Mas é preciso levantar a cabeça e agir. Tal como tem de ser feita maior e melhor frente às jogadas de bastidores que outros clubes estão a fazer, com as atitudes já sem vergonha de Federações, Liga e Arbitragem.

Para a frente é que é o caminho. Sem falsas demagogias, mas também sem dissimulações. Cada coisa em seu lugar. E, se houver melhor trabalho de casa, como se diz, pode ser que daqui a algum tempo sejam outros clubes, diretores e adeptos a ficarem na mesma posição.

Armando Pinto