No dia em que se assinala o Dia Internacional da Mulher,
tendo nos sentidos as nossas mulheres, mas no sentido do historicismo portista que
norteia este espaço, é ocasião de uma visão por algumas mulheres do universo portista, como alguém que toca muito nossa
sensibilidade.
Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis
Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis
Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.
A. P.
segunda-feira, 8 de março de 2021
Mulheres Portistas – A talhe do Dia Internacional da Mulher
sábado, 6 de março de 2021
Data do Registo Civil de Américo
No dia 6 de Março de 1933 foi registado, na Conservatória do Registo Civil da então Vila da Feira, um recém-nascido a quem foi dado o nome de Américo Ferreira Lopes. Nascido dias antes em Santa Maria de Lamas, daquele concelho da terra mais tarde instituída como Santa Maria da Feira. Ficando ele assim oficializado com essa data de nascimento de 6 de março, mas comemorando seu aniversário a 27 de fevereiro, a data verdadeira em que nasceu. Tal o caso de Américo, um dos melhores guarda-redes da história do FC Porto.
Passa pois a 6 de março a ocasião em que o histórico guarda-redes do FC Porto e do futebol português recebe parabéns institucionais e por quem desconhece essa história particular. Sendo que antigamente os registos de nascimentos tinham prazos curtos de efetivação e para não haver pagamentos de multas, em muitos e bons casos, era então indicada outra data na passagem a escrito no livro dos registos de nascimentos, como foi o facto.
Embora aqui tenha já sido devidamente evocado o aniversário do Américo Lopes no dia 27 de fevereiro, o tema dá azo a mais uns exercícios visuais de memória sobre o mesmo guardião das balizas portistas ao longo de toda a década dos anos sessentas. Com visualizações do mesmo na sua juventude, ao início da carreira, e depois na evolução natural.
= Américo, de fato oficial com o emblema do clube, tal
como os colegas, na comitiva portista à saída para digressão à Venezuela,
em 1963. Junto com Carlos Duarte, Azumir, Joaquim Jorge, Hernâni, Festa, Miguel
Arcanjo, Paula, Rui, Custódio Pinto, Carlos Batista, Jaime, Atraca, Jorge Gomes
e Mesquita, mais treinador, massagista e diretores, no tempo da presidência de
Nascimento Cordeiro.
Armando Pinto
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sexta-feira, 5 de março de 2021
Evocação de Pedro Homem de Melo, Homem do "Aleluia" Portista – na efeméride de seu desaparecimento físico…
A 5 de março de 1984 falecia no Porto o grande poeta Pedro
Homem de Melo, o Homem do poema Aleluia que eleva o FC Porto a alturas de
incenso.
Pedro Homem de Melo, natural da cidade do Porto, embora com
nome já feito na literatura portuguesa desde a década dos anos 30, por via de reconhecimento
com alguns prémios a obras suas, tornara-se conhecido popularmente do cidadão
comum por um programa televisivo que teve na Radiotelevisão Portuguesa, ainda
nos primeiros tempos de transmissão da RTP, então com um só canal por muito
tempo e a preto e branco igualmente por muitos anos a fio. Tendo esse programa,
transmitido aos finais de tarde dos domingos, sido deveras apreciado por ser
dedicado ao folclore, algo do agrado popular nesse tempo de simplicidade
romântica e curiosamente em horas que antigamente o povo folgava, como foi
hábito as danças de roda populares em tardes domingueiras. Havendo Pedro Homem
de Melo, com sua voz pausada de entoação declamadora, através desse programa,
dado a conhecer grupos e modas de danças e cantares do típico folclore
português.
Após isso, conhecido por sua voz e fisionomia, passou a ser
também conhecido por seus poemas em livros e sobretudo por algumas páginas
literárias que era uso e costume haver em certos dias nos jornais diários
nacionais. Acrescido do facto de alguns de seus versos servirem então de letras
a alguns fados cantados por Amália. Até que, como cereja no topo do bolo, em
finais dos anos 60, fez um poema dedicado ao Futebol Clube do Porto, sob título
de Aleluia, poema épico esse que logo ganhou honras de figurar em espaço nobre
do interior do estádio das Antas, num quadro de azulejos emoldurados, bem como a
respetiva letra foi declamada em disco gravado, incluindo conjunto de gravação
em vinil junto com o Hino do clube, no tempo da gerência do dinâmico Presidente
de Afonso Pinto de Magalhães, em 1969/1970.
Desse labor literário, de apenas um poema que ficou a valer
por milhares de letras, foi depois historiado algo sobre ele num artigo da
autoria do Dr. Paulo Pombo publicado no jornal O Porto, na página de divulgação
cultural que houve nos inícios da década de 70, ao tempo do mesmo Dr. Paulo
Pombo a diretor daquele que era o jornal oficial do clube.
~~~ ***** ~~~
Ora então a 5 de Março de 1984 morreu, aos 79 anos, PEDRO
HOMEM de MELO. De nome completo Pedro da Cunha Pimentel Homem de Melo, nascido a
6 de setembro de 1904, no Porto, faleceu também no Porto. Eternizado como poeta
e ensaísta de obra literária reconhecida, de permeio dedicara-se ao mister de
professor liceal, apesar de sua formação como advogado.
«Formado em Direito pela Universidade de Lisboa, foi diretor
da escola Comercial Mouzinho da Silveira, no Porto. Com o livro “Segredo” (1939) obteve o
“Prémio Antero de Quental” e menção especial da Academia das Ciências de
Lisboa. P. H. M. é sem dúvida dos maiores representantes da nossa tradição
lírica, na linha que, saindo de D. Dinis, passa por Bernardim, Rodrigues Lobo, Garrett,
Antero, João de Deus e Carlos Queirós. Constrói o poema sobre requintes de
sensibilidade ática e meio pagã, não apenas com a luz e mágicas sombras da
paisagem da sua terra, mas com a pungência do seu próprio sentir e os ritmos e ansiedades
do povo, com quem gosta de conviver. Daí também o seu interesse pelo folclore
português, que estimulou quanto pôde, até através das câmaras de televisão, em programas
dedicados aos cantares e danças populares. Especialmente do Minho, sua terra de
adopção» - como consta na “Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura”.
É também descrito e com mais pormenor na página “Torre do
Tombo e a história” como «um advogado que se consagrou como poeta e folclorista
de nomeada, com um papel notável na sua divulgação em livros, bem como em
programas radiofónicos e televisivos, na RTP, que se tornaram famosos e lhe
mereceram uma assinalável popularidade e simpatia, permanecendo na memória coletiva
até ao presente.
Pedro da Cunha Pimentel Homem de Melo nasceu e morreu no
Porto. Formou-se em Direito, advogou, foi magistrado e professor liceal. Foi
também autor premiado, vindo a tornar-se especialista do cantar e das danças
populares, com reconhecimento enquanto dedicado folclorista.
Nasceu em 1904 e estreou-se em 1934 com o livro de versos
'Caravela ao Mar'. Pertence à geração de poetas presencistas e é autor de uma
obra poética extensa, com cerca de 30 volumes de poesia.
Surpreende pela consistência de características métricas,
temáticas e retóricas que mantém, quase da mesma forma, de livro para livro.
Anda à volta do tema da revolta, do desafio da lei ou da repressão moral, mitificando
assim a figura de Povo. Segundo Joaquim Manuel Magalhães, os poemas de Pedro
Homem de Mello aglomeram-se em dois grandes grupos: aquele em que alguma
realidade da paisagem humana e natural do norte minhoto ao centro litoral
irrompe e se destaca e um outro em que a densidade conflituosa das paixões se
regista numa manifestação lírica, quase confessional.
Paralelamente à obra poética, é notória a paixão pelo
folclore português, temática que o interessou e sobre a qual escreveu vários
ensaios e desenvolveu programas de rádio e de televisão.
Foi distinguido com o Prémio Antero de Quental (1940) e o
Prémio Nacional de Poesia (1973). A sua obra poética encontra-se compilada em
Poesias Escolhidas (1983). Como estudioso do folclore nacional, escreveu A
Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português (1941) e Dança de Portugal
(s/d).
[texto partilhado da série 'RTP ensina']
Na página oficial do ICS da universidade de Lisboa, pode
ler-se:
"Pedro Homem de Melo (1904-1984) foi um poeta e
folclorista português, pertencente à fidalguia de província, que trabalhou a
maior parte da sua vida como professor do ensino técnico e comercial no Porto.
Entre 1934 e 1983 publicou 29 livros de poesia (incluindo
duas antologias) e três obras sobre danças e cantares populares (principalmente
do Noroeste de Portugal).
Alguns dos seus poemas foram adaptados para fados cantados
por Amália Rodrigues.
Este facto, somado aos programas televisivos que conduziu
entre finais dos anos 60 e inícios da década de 1970, fez com que o seu nome se
tornasse bem conhecido em Portugal até à atualidade. Contudo, a sua vida e a sua
obra foram ainda muito pouco estudados. O objetivo deste projeto consiste
precisamente em realizar esse estudo, e considerou-se que a produção de uma
monografia biográfica constitui a melhor forma de alcançar este objetivo.
O género biográfico dirige obrigatoriamente a pesquisa para
a reconstrução de uma história de vida, mas simultaneamente requer um
conhecimento aprofundado dos cenários sociais, culturais e institucionais que a
envolveram e moldaram.
Com a produção de uma obra biográfica sobre Pedro Homem de
Melo, esperamos dar voz e nova luz não só à sua vida e ao seu trabalho, mas
igualmente a diversos traços da sociedade portuguesa no seu tempo".
Amália Rodrigues imortalizou alguns dos seus poemas,
nomeadamente os títulos “Povo que lavas no rio”, “O rapaz da camisola verde”,
“Havemos de ir a Viana” e “Fria Claridade”, hoje temas incontornáveis no Fado.
Chegou a criar e a patrocinar alguns ranchos folclóricos do
Minho e colaborou com o Orfeão Universitário do Porto no âmbito de recolhas
etnográficas para os seus grupos folclóricos.
Afife (Viana do Castelo) foi a sua terra de adoção. Ali
viveu durante anos num local paradisíaco, no Convento de Cabanas, junto ao rio
com o mesmo nome, onde escreveu parte da sua obra, "cantando" os
costumes e as tradições de Afife e da Serra de Arga.
A Câmara Municipal de Lisboa homenageou o poeta dando o seu
nome a uma rua em Chelas.
A 24 de Agosto de 1985, foi agraciado, a título póstumo, com
o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.»
A sua letra de “Havemos de ir a Viana”, na musicalidade do
popular fado de Amália, serviu de tema popular aquando da ida do FC Porto à final
da Taça dos Campeões Europeus de futebol, em 1987, cantando-se como “havemos de
ir a Viena”, na ida a Viena de Áustria.
O quadro de azulejo com seu poema Aleluia, retirado aquando da demolição do estádio das Antas e passagem da atividade do clube para o estádio do Dragão, está atualmente patente no Museu do FC Porto.
Eis assim Pedro Homem de Melo, Portista e grande poeta do
enorme poema Aleluia. Que se evoca deste modo na passagem da data de seu
passamento da vida física para a eternidade.
Armando Pinto
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quarta-feira, 3 de março de 2021
Sem título…
Nesta época pandemicamente incompreensível, o FC Porto está
eliminado da Taça de Portugal, perante a derrota em casa da equipa principal do
futebol portista, na 2ª mão da meia-final. Numa noite infeliz de vários
setores. Dando mais uma vez razão a quem não gosta de ver mexidas na equipa em
jogos da taça, algo que normalmente tem sido nefasto para o nosso clube em anos
mais ou menos recentes.
Está pois acabada mais uma das possibilidades de algum sucesso.
Estando também para já muito duvidosa a classificação no Campeonato da Liga. Parecendo
antever-se, infelizmente (quem dera que nos enganemos…) que esta época se vai resumir
à vitória conseguida na Supertaça.
Nem vale a pena acrescentar nada, pois já se sabe que nada
do que se escreve a desabafar poderá resolver alguma coisa. Apenas valerá dizer
que se espera que os erros do passado sirvam de lição ao futuro.
Obviamente que os portistas verdadeiros é que estão e ficam
a sofrer, sem andarem em manchetes das redes sociais. Entre quem gosta do clube
sem interesses que não sejam as vitórias do clube. Alguns dos que por norma têm
lugares em festas e eventos, esses agora, em momentos destes, estão-se marimbando,
enquanto os que gostam a sério do clube ficam assim, a remoer sempre que o
Porto tem momentos infelizes, como no tempo que passa. Tal como não se pode
considerar bons portistas os que só comentam e se mostram nas derrotas.
O Porto é grande e voltará a ser grande, mas é preciso que
haja um exame de consciência dos responsáveis. À equipa pede-se que ergam a
cabeça, cerrem os dentes e ponham a inteligência a funcionar, bem como ao treinador
e sua equipa técnica se pede soluções, de modo que ainda possa haver alguma
melhoria, no restante da época. E à Direção que se lembrem do que podia ter
sido feito de melhor maneira, porque quem sabe não pode ter desaprendido.
O Porto honremos, que o Porto nos contempla!
Armando Pinto
segunda-feira, 1 de março de 2021
Um exemplo Portista de antanho !
Nestes dias que correm de horas difíceis, desde a infelicidade que se abateu no mundo portista com o falecimento do grande guardião andebolista Alfredo Quintana, acrescido das injustiças que se têm verificado perante a batota do sistema do futebol português que está a voltar ao regime Benfica-Sporting de tempos da ditadura (até nas modalidades de pavilhão), nada porém verga o Portismo verdadeiro. Algo que agora vem mais acima, entre portistas de verdade e não de conveniência nem passagem, apenas. Na linha do Portismo de sempre, de que não faltam exemplos. Porque o FC Porto é um clube especial, um mundo de bem e algo diferente de quaisquer arremedos.
Vem a propósito evocar um caso, já de longa data. Como foi o relatado no jornal O Porto em 1957, em sua edição de 30 de janeiro desse
ano. Referente a ocorrência noticiada com datas dos anteriores dias 14 e 16, conforme foi
antes reportado na imprensa nacional. Cuja narrativa para aqui se transpõe, em
recortes ajustados para melhor leitura, e na forma como teve publicação no jornal
nesse tempo oficial do clube.
À época ainda se não usavam cachecóis (os "cascóis"), com cores e símbolos dos clubes de eleição. Simplesmente nos recintos desportivos os adeptos se identificavam e apoiavam as equipas com pequenas bandeiras, de modo que era uso e uma honra usar um emblema na lapela do casaco, que também era usual nesses tempos fazer parte da indumentária normal. Sendo tais distintivos normalmente de chapa esmaltada, algo que no caso portista era em formato côncavo na parte da bola, num belo conjunto com desenho do símbolo portista, o nosso brasão abençoado.
Armando Pinto
















































