Foi na época quaresmal de 1978, em tempo invernoso da
transição do inverno para a primavera, que no estádio das Antas e sob chuva torrencial se iniciou, na
quarta-feira 1 de março de 1978, o jogo entre as equipas do FC Porto e dos
belgas do Anderlecht, da 1.ª mão dos quartos-de-final da então existente Taça
das Taças, na época de 1977/78 (prova percursora da unificação com a também antiga Taça das
Cidades com Feira, depois transformada numa só como Taça UEFA e atual Liga Europa).
Jogo que devido a tanta chuva que caiu durante o tempo de jogo decorrido, com o
campo completamente encharcado de água, a pontos de a bola nem correr, só se
disputou em meio tempo. A chuva, caía então quanto Deus a dava… e lá estava também
o autor daqui desta lembrança, todo encharcado, a tiritar, não de frio mas com os nervos de ver que a bola não entrava na baliza dos belgas, apesar
dos jogadores portistas fazerem grande pressão no meio campo dos adversários e
sobre a baliza deles, com bolas pelo ar porque de modo rasteiro a bola
ficava presa no relvado alagado de água. E assim ficamos à espera que o jogo recomeçasse, depois da ida para o descanso.
Contudo, após o tempo do intervalo, já ninguém regressou dos balneários, ficando adiada para o
dia seguinte a respetiva continuação, que foi de reptição do jogo.
Foi então na quinta-feira, dia 2 de março, repetido o jogo. Durante o dia foram lançadas pazadas de areia sobre o relvado, na
tentativa de o secar e fazer com que a bola rolasse, ante o seu estado enlameado.
E então, jogou-se em fracas condições, de modo que os jogadores
do FC Porto nem conseguiram desenvolver as jogadas de forma normal, tendo mesmo
assim ainda conseguido marcar um golo, com o jogo a terminar com a vitória do
FC Porto por 1-0, perante o golo apontado pelo goleador Fernando Gomes, aos 36 minutos.
O FC Porto, sob o comando de José Maria Pedroto, estava ao tempo bem encaminhado para a conquista
do Campeonato Nacional de futebol que faltava há muitos anos (e que finalmente foi alcançado, em junho seguinte), enquanto na campanha europeia
haviam sido ultrapassados nas eliminatórias anteriores o Colónia da Alemanha e
o Manchester United da Inglaterra. Aparecendo nos quartos-de-final o Anderlechet,
ao tempo uma autêntica multinacional com jogadores de muitos países, enquanto o
FC Porto jogava só com portugueses e alguns brasileiros, que nessa noite até foi só um,
por acaso um que nem era costume jogar, mas dado o estado do terreno foi mandado
lá para dentro quase no fim do jogo, ainda para se tentar alguma sorte… como foi o
caso do Metralha, entrado aos 86 minutos, já - na tentativa de aumentar a vantagem para a 2.ª mão (que, como se sabe, um só golo não bastava e não foi suficiente, diante dos 3 que a equipa belga marcaria em casa, depois).
Dessa inesquecível jornada ficou guardado o bilhete do jogo,
tal como ficou aí, rasgado como eram todos os bilhetes usados e assim validados à entrada.
Armando Pinto
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