Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Guilhar: o Capitão do FC Porto que ergueu a Taça Ibérica de 1947 !

Nos anais eternos do FC Porto, além das competições e respetivas taças conquistadas, sempre terão lugar especial as imagens dos capitães de equipa a levantarem as taças mais célebres de futebol. Como nos casos de João Pinto na Taça dos Campeões Europeus de 1987 e Gomes na Taça Intercontinental do Mundial de Clubes, em dezembro de 1987 e na Supertaça Europeia em janeiro de 1988; bem como Jorge Costa e Baía na Taça UEFA de 2003 e Liga dos Campeões de 2004, mais Costinha na Intercontinental do Mundial de Clubes de 2004 e Helton na Liga Europa de 2011. Mas antes disso alguns casos houve de efeito especial, como foi quando Pinga recebeu a Taça Ibérica de 1935 e Vitor Guilhar recebeu em mãos a Taça Ibérica de 1947. Prova que o FC Porto venceu por duas vezes, com anos de distância entre uma e outra, mas sem estas duas Ibéricas serem incluídas na soma de títulos oficiais. Sendo que as provas desses lustros de outrora não foram consideradas oficiais, como eram de tempos em que nem existiam provas internacionais organizadas por entidades europeias e mundiais (tal como outras mais, como a Taça Latina, nunca poderão ser contabilizadas em termos de títulos obtidos oficialmente pelos clubes que as venceram, por exemplo). E então, entre as referidas Ibéricas, ficou para a história a Taça Ibérica nas mãos do então capitão do FC Porto, Guilhar.

Com efeito, houve uma edição da Taça Ibérica em 1935 e depois outra em 1947. A primeira ganha pelo FC Porto diante do Bétis, em jogo disputado a 7 de julho de 1935, no velho campo do Ameal, na cidade invicta, em que o FC Porto bateu o clube andaluz por 4-2, com 3 golos de Pinga e 1 de Pocas, para conquistar a primeira edição da Taça Ibérica e garantir ao futebol português o primeiro troféu de alcance além-fronteiras. Mais tarde, após a Segunda Grande Guerra, houve novo confronto ibérico com o mesmo fim, em 1947, esse com o Valência, para essa taça que o FC Porto voltou a vencer, aí por 1-0, através de um golo de Virgílio, em jogo realizado em Espanha, a 19 de outubro de 1947.

Vitor Guilhar foi então o capitão que levantou a Taça ganha pelo FC Porto na segunda disputa da Taça Ibérica. 



Ecoando ainda na memória dos tempos, andava na transmissão popular a grandiosa vitória sobre o Bétis de Espanha, em 1935, que dera honra de triunfo na primeira Taça Ibérica, quando, após interregno motivado pelas vicissitudes da Segunda Grande Guerra mundial, se voltaram a encontrar em jogo de futebol as primeiras equipas dos campeões dos dois países ibéricos. Tendo então, em 1947, havido novo jogo entre os campeões respetivos, dessa vez em Espanha, tendo o FC Porto se deslocado expressamente para jogar com o Valência, em território espanhol. Voltando o campeão português a triunfar, dessa vez por 1-0, com golo do então avançado portista Virgílio, estreante a nível internacional na ocasião (e que mais tarde se viria a destacar como defesa de grande porte, como evoca o epíteto de “Leão de Génova “ ganho em soberba exibição em Itália, volvidos tempos, na defesa da seleção portuguesa).

= Instantâneo do ato protocolar da troca de recordações. Sendo a imagem legendada na História do FC Porto, por Rodrigues Teles, assim: « Em 1947, era o Valência campeão da I Liga de Espanha. A nossa equipa deslocou-se ao país vizinho onde, em tarde brilhantíssima, venceu por 1-0 o categorizado clube espanhol. Fôra, até aquele ano, o F. C. do Porto o primeiro grupo português que conquistou, além-fronteiras, uma victória em prélios com clubes de Espanha. Nesta fotografia vemos Victor Guilhar, capitão da nossa equipa, oferecendo uma caravela ao capitão do Valência, que este retribuiu entregando o galhardete do seu clube. Um acto tradicional que é sempre rodeado dum ambiente de simpatia e fidalga cordialidade.»

Como reflexo histórico dessa façanha, evocamos desta feita essa estrondosa vitória, em Outubro de 1947, juntando excertos de reportagem constante num dos volumes da História do FC Porto, escrita por Rodrigues Teles – mostrando imagens e página inteira alusiva, da qual para melhor leitura se juntam retalhos separados:


= Imagem da página e do momento dos festejos pelo golo obtido, com Virgílio efusivamente vitoriado =


Como exemplo do que sempre foi o tratamento da imprensa nacional para com o FC Porto, pode-se reparar nuns quadros com que nas duas semanas seguintes e números sucessivos a ocorrência mereceu, apenas, leves referências na revista lisboeta Stadium, em seus números de 22 e 29 de outubro, em 1947.



Ainda no mesmo seguimento, como complemento, no sentido de melhor ficar a narrativa completa, anexa-se também, de seguida, um apontamento memorial publicado no antigo jornal O Porto, num artigo do então colaborador Custódio Castro, em ilustração à posteridade.


Em anos seguintes, dentro da mesma década, houve ainda outros jogos com o Valência, um dos quais disputado em Lisboa no estádio do Restelo, sem ser para a mesma competição, como é referido numa peça de esboço do currículo desportivo de Guilhar, na revista Crónica Desportiva, de Lisboa, em seu número de 20 de outubro de 1957, ou seja já uns anos depois dele ter acabado a carreira - que se aproveita para completar com a narativa da carreira de Guilhar, o capitão que levantou a referida Taça Ibérica em 1947 e anos depois se despediu do futebol em 1950.


Vitor Guilhar foi em seu tempo o 14.º futebolista do FC Porto a ser chamado a jogar pela Seleção Nacional. Como  consta do trabalho historiador de Rodrigues Teles sobre os Internacionais do FC Porto.


Armando Pinto
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