Num período como este de verão no defeso do futebol de
competição e proximidade ao início da época seguinte, é sempre tempo de renovação
dos planteis das equipas com naturais entradas e saídas. Sendo assim normal
todos os anos, também, haver jogadores que se despedem, terminando suas
carreiras de futebolistas, no caso em apreço. Como aconteceu em 2001 com o adeus
do “Domingos do Porto” aos relvados, como futebolista. Tema que assim
vem a talhe de mais uma lembrança de evocação e homenagem, dando motivo para
homenagear memorialmente esse avançado goleador que substituiu na linha avançada
do FC Porto o Bibota Gomes e também chegou a ser Bola de Prata de melhor
goleador do Campeonato Nacional, em termos de oficialização do jornal que atribui
o prémio (troféu), embora uma vez só porque no jornal A Bola lhe retiraram outra, que
ele devia ter ganho (mas porque não lhe atribuíram outro golo que ele marcou
houve outro beneficiado, obviamente dum clube de Lisboa, que foi do Benfica,
mas podia ser do Sporting se fosse algum de Alvalade a estar à bica…) como se
sabe.
Ora, passando nesta data a efeméride da despedida de
Domingos, quando ele subiu ao relvado das Antas já apenas para se despedir do
público portista, não se pode esquecer que Domingos foi um dos avançados mais
carismáticos do FC Porto. Um daqueles que se fosse do tempo dos livrinhos da “Coleção
Ídolos do Desporto”, como de uma seguinte série de livros de bolso dos “Ídolos”,
com as biografias dos craques da bola nacional, teria tido um livro a historiar
sua carreira. Aquele mesmo Domingos que, além da importância que teve dentro
dos campos em que jogou pelo FC Porto, indiretamente teve uma outra ligação de
realce, como foi de haver sido admirado enquanto jogador do FC Porto pelo então
jovem André Villas-Boas e em sequência disso ter havido o caso do envio duma
missiva ao então treinador portista e seu vizinho de residência, Bobby Robson, numa
iniciativa demonstrativa como Villas-Boas sempre teve caráter e pautou o destino
à medida de bons sonhos. No feliz argumento da história bem conhecida que,
afinal, despoletou todo o futuro que se seguiria e mesmo o presente do FC
Porto.
Ora… «Neste dia, em 2001, Domingos Paciência pendurava as
chuteiras, mas dava seguimento ao legado de azul e branco. Após 12 épocas ao
serviço do FC Porto, pelo qual marcou 143 golos em 381 jogos e conquistou sete
Campeonatos Nacionais, cinco Taças de Portugal e seis Supertaças, o goleador
começava a carreira de treinador enquanto adjunto da equipa B, ao lado de
Ilídio Vale. O amor pelo Clube vinha desde pequeno e a história de Dragão ao
peito tinha começado em 1982, com apenas 13 anos.» Como bem é lembrado na rubrica "Aconteceu" da newsletter
Dragões Diário. Num percurso que está também memorizado nalguns blogues
portistas, que dão jeito para aqui e tornam desnecessário extensivamente fazer outras narrativas.
Assim em “Estrelas do FCP” (estrelas-do-fcp.blogspot.com),
do amigo Paulo Moreira” é assim biografado o Domingos:
«Domingos José Paciência Oliveira nasceu no dia 2 de Janeiro
de 1969 em Leça da Palmeira.
Começou por jogar futebol no Académico de Leça e aos 13 anos
chegou ao Futebol Clube do Porto para jogar nos juvenis.
Na temporada de 1987/88 estreou-se na equipa principal dos
Dragões, treinada por Tomislav Ivic.
A sua estreia com a camisola dos azuis e brancos aconteceu
no dia 21 de Novembro de 1987 no Campo Maria Vitória em Moura, onde os
portistas venceram o Moura A.C. por 2-0, numa partida a contar para a 3.ª
eliminatória da Taça de Portugal de 1987/88.
Domingos jogou no F.C. Porto durante 12 temporadas. Ao longo
de todos esses anos, Domingos sagrou-se Campeão Nacional 7 vezes, venceu a Taça
de Portugal em 5 ocasiões e conquistou a Supertaça Cândido de Oliveira por 6
vezes. Foi ainda o melhor marcador do Campeonato Nacional na temporada de
1995/96.
Em 1997/98 transferiu-se para o C.D. Tenerife, e por lá
ficou duas épocas. Disputou 50 jogos oficiais e marcou 6 golos.
No início da temporada de 1999/00 estava de regresso ao F.C.
Porto para jogar mais duas épocas.
No final da temporada de 2000/01 terminou a sua brilhante
carreira futebolística.
Nas 12 temporadas que Domingos fez de Dragão ao peito,
disputou 378 jogos oficiais, marcou 144 golos e conquistou 18 Títulos.
Domingos também vestiu a camisola da Selecção Nacional por
34 vezes e esteve presente no Campeonato da Europa de 1996 onde disputou 3
partidas e apontou 1 golo.
Na temporada de seguinte 2001/02, começou a desempenhar as
funções de treinador nas camadas jovens do F.C. Porto, e passou depois a
treinador da equipa b portista.
Em 2006/07 estreou-se como treinador na equipa principal do
U.D. Leiria. Na temporada seguinte orientou a Académica de Coimbra. Em 2009/10
transferiu-se para o S.C. Braga e esteve perto de levar o clube da cidade dos
arcebispos ao título de campeão, conseguiu um inédito 2.º lugar e levou os
bracarenses pela primeira vez na sua história à Liga dos Campeões. Na temporada
seguinte conduziu o clube do Minho à final da Liga Europa onde viu a sua equipa
cair aos pés do Futebol Clube do Porto. Em 2011/12 treinou o Sporting C.P. mas
por apenas seis meses, já que foi demitido devido aos maus resultados dos
leões. Teve depois uma breve passagem pelo R.C. Deportivo Coruña, mas não foi
feliz e abandonou o clube espanhol ainda antes do final da temporada. Passou
depois pelos turcos do Kayserispor. Em 2014/15 assumiu o comando do V. Setúbal
mas esteve à frente dos sadinos apenas até Dezembro de 2015. Em Maio de 2015
rumou ao Chipre para orientar o APOEL mas apenas permaneceu em Nicósia três
meses. Em Abril de 2017 regressa ao campeonato português para comandar a equipa
técnica do C.F. Belenenses, cargo que ocupou até Janeiro de 2018.
Palmarés
7 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (Portugal)
5 Taças de Portugal
6 Supertaças Cândido de Oliveira »
Tal como em “Dragão Penta Campeão 2” (dragaopentacampeao2.blogspot.com)
do amigo Rui Anjos:
« GOLEADORES PORTISTAS - Nº 6
DOMINGOS PACIÊNCIA - goleador Nº 6
Apontou 142 golos nos 378 jogos disputados com a camisola do
FC Porto durante as 12 épocas ao seu serviço.
Domingos foi um verdadeiro ponta-de-lança mas
simultaneamente um jogador de notável qualidade técnica, de grande velocidade
com a bola dominada, que lhe permitia jogar nas alas quando necessário. Possuía
drible fácil e estonteante, muita criatividade, excelente sentido de
posicionamento, bom jogo de cabeça, remate espontâneo e colocado e uma
fulminante rapidez de reflexos (pensava e executava em limitada fracção de
segundos).
Natural de Leça da Palmeira, chegou ao FC Porto aos 13 anos
de idade para completar a sua formação. De corpo franzino mas dotado de elevado
apuro técnico, quiçá dos mais evoluídos de sempre entre os jogadores
portugueses da sua idade, foi alvo de um intenso trabalho, submetido pelos
departamentos médico e técnico do FC Porto, para a obtenção de massa muscular e
estrutura física, para colmatar de algum modo essa enorme debilidade.
Percorreu os escalões de formação de forma brilhante e
prometedora, acabando por se estrear na equipa sénior em 15 de Agosto de 1987,
em Itália, num jogo particular frente ao Fóggia. A sua estreia oficial na
equipa principal aconteceu porém três meses mais tarde, mais precisamente no
dia 21 de Novembro de 1987, no Campo Maria Vitória, frente ao Moura, na 3.ª
eliminatória da Taça de Portugal. Domingos foi titular na vitória portista por
0-2.
Nas doze épocas em que jogou pelo FC Porto, tornou-se num
dos principais goleadores, ainda que não tivesse conseguido ser um titular
indiscutível em algumas épocas. Depois de em 1990/91 ter marcado 24 golos no
campeonato nacional e ter perdido a Bola de Prata para Rui Águas, do Benfica,
só porque o Jornal A Bola, organismo que instituiu o prémio para o melhor
marcador, lhe sonegou um golo que apontou contra o Beira-Mar, atribuindo-o a um
defesa aveirense, lá conseguiu na época de 1995/96 o seu melhor registo no
campeonato, com 25 golos em 29 jogos (6 dos quais incompletos), ganhando
finalmente o troféu, bem como o prémio de melhor jogador desse campeonato. Por
curiosidade refira-se que foi até aos nossos dias o último atleta nascido em
Portugal a vencer a Bola de Prata.
Em 1996/97, a chegada do brasileiro Mário Jardel ao FC
Porto, levou Domingos a rumar ao Tenerife, nas Ilhas Canárias. Tinha então já
vestido a camisola da Selecção nacional por 32 vezes a apontado 8 golos. Pelo
clube espanhol somou mais duas internacionalizações e mais um golo.
No regresso a Portugal, em 1999/2000, chegou a ter aparente
acordo com o Sporting, mas acabou por optar pelo FC Porto, não conseguindo
atingir o brilhantismo anterior. Domingos coleccionou nos Dragões um palmarés
invejável, com 18 títulos nacionais, a Bola de Prata de 1995/96 e ainda foi
destingido com o «Dragão de Ouro» em 1988, como «Atleta do Ano» e em 1990, como
«Futebolista do Ano».
Pôs fim à carreira de jogador no final da época 2000/01 para abraçar a carreira de treinador.
Palmarés ao serviço do FC Porto (18 títulos):
7 Campeonatos nacionais (1987/88, 1989/90, 1991/92, 1992/93,
1994/95, 1995/96 e 1996/97)
5 Taças de Portugal (1987/88, 1990/91, 1993/94, 1999/2000 e
2000/01)
6 Supertaças Cândido de Oliveira (1990/91, 1992/93, 1993/94, 1995/96 e 2000/01)
Fontes: Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar
Publicada por Rui Anjos »
Atualmente Domingos Paciência exerce o cargo de
Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Anteriormente assumiu
a função de Diretor Técnico Nacional (DTN) e, mais tarde, passou a ser o elo de
ligação e diretor responsável pela Seleção Nacional A junto do presidente da
FPF, Pedro Proença.
Armando Pinto
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Parabens e obrigado.
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