Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Recordando... a Festa de Despedida do guarda-redes "Baliza de Prata" Américo - a 2 de setembro de 1969

Entrado setembro no calendário, passa no dia 2 a efeméride da despedida oficial de Américo, ocorrida ao segundo dia do nono mês do ano, em 1969. Memória que tem pertinência de ser lembrada, neste mesmo mês de setembro de 2024 em que dia 22 faz um ano que faleceu esse mesmo que foi o grande guarda-redes Américo Lopes.

A 2 de setembro de 1969, na transição do verão para o outono desse ano de despedida da década dos anos românticos de 60, despediu-se Américo dos relvados e de estar diante da baliza a defender a sua dama, como guarda-redes do FC Porto. Com a saudação ao público, de braços levantados, como era seu costume, que mais tarde foi modo de ficar como está representado figurativamente no atual Museu do FC Porto.

= Anúncio anterior da realização da festa de homenagem, em despedida a Américo

Américo foi guarda-redes do FC Porto entre 1950/51 a 1969. Primeiro nos juniores portistas e a partir de 1952/53 nos seniores. Tendo no plantel principal inicialmente estado como suplente de Barrigana, com o serviço militar pelo meio a interomper a carreira por dois anos em que não jogou, voltando depois para jogar nas Reservas (equipa B), de permeio com uma época emprestado no Boavista, e depois voltando como suplente de Acúrcio; até que em 1961/62 ganhou o lugar principal e desde aí ficou como guarda-redes nº 1 do FC Porto. Tendo acabado a carreira em 1969 por motivo de forte lesão num joelho.



Como ilustração resumida de sua carreira pode juntar-se duas fichas publicadas nas respetivas épocas (com a curiosidade de conter referida sua data de nascimento pelo registo oficial de 3 de Março, embora tenha nascido a 27 de fevereiro, dia em que festejava seu aniversário). 

= Américo em seus primeiros tempos de titular do FC Porto

= Américo já na época de 1968, quando foi titular da equipa que venceu a Taça de Portugal.

Pois então a 2 de setembro de 1969, após internamento hospitalar e período de recobro, Américo teve de colocar um ponto final na sua brilhante carreira em que foi "Baliza de Prata" do Campeonato português, em 1964...


... e vencedor do "Prémio Somelos Helanca" (com trofeu grandioso), de melhor jogador da época em 1968, entre os diversos e sucessivos exemplos de reconhecimento de seu valor.


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O joelho que o traíra aos 36 anos, permitiu-lhe apenas um minuto na baliza do FC Porto no jogo da festa de despedida (que o Porto perdeu por 3-0, com Aníbal na baliza). Das bilheteiras levou 300 contos – e não, nessa tarde, Américo não teve, consigo o Eusébio (foi a sua única «desolação»). Ele, o Eusébio, andava, ainda, em arrastadas negociações com Borges Coutinho, o presidente benfiquista – e em A BOLA do dia 4 de setembro de 1969 (onde se travava em óbvio destaque a «homenagem a Américo») a manchete fez-se com Eusébio...»

Da festa de homenagem final ficou registo pessoal, do autor destas linhas e seu admirador, sendo Américo o meu ídolo-mor de infância portista. Conforme depois juntei em quadro que lhe pude oferecer, um dia em que visitei pessoalmente seu museu particular (onde desde então passou também a figurar a moldura com a imagem do conjunto original, do qual para aqui se transpõe cópia).


Com efeito, a 2 de Setembro de 1969 viveu o mundo portista, em noite de ambiente clubista no estádio das Antas, uma ocasião especial, num misto de reconhecimento e consagração, como gratidão reconhecida, no adeus ao guarda-redes Américo. Despedia-se então Américo Lopes do futebol, em virtude de contusão impeditiva da continuidade de tão brilhante carreira. Devido a lesão contraída durante o seu ofício de guardião das balizas e agravada pelos anos de seu percurso futebolístico.


= Imagens dum quadro particular do autor

Nessa noite de 2 de Setembro, Américo Ferreira Lopes, o grande Américo do Porto, disse adeus ao futebol jogado e sobretudo aos adeptos portistas, contando aí com tributo merecido de muitos admiradores que o aplaudiram fortemente pela última vez, enquanto outros ouviam em casa pela rádio dos emissores do Norte Reunidos tudo o que Ilídio Inácio e José Barroso conseguiram transmitir. Como depois, quando os jornais desportivos apenas saíam a público duas vezes por semana, na edição seguinte do jornal O Norte Desportivo se leu o que os redatores descreveram, no devido registo em letra de forma; assim como o discurso de elogio lido no estádio pelo diretor do mesmo jornal, Joaquim Alves Teixeira, transcrito a preceito no órgão informativo nortenho. 


Como volvidos alguns dias, mais, o jornal O Porto narrava da forma que se mostra, em recortes elucidativos.


Disso, também, entre material guardado em arquivo próprio e de modo pessoal pelo autor destas linhas, junta-se algumas imagens, como ilustração, do que sentiram olhos que aquilo viram.


O dia 2 de setembro ficou assim como data de algo duma recordação misturada de nostalgia e apreço, pelo que ali o acontecimento encerrou, mas também significava. Sendo assim, passados estes largos anos, já, uma efeméride que apraz registar.

= Américo, com sua camisola amarela, como guarda-redes titular, na equipa da grande vitória na Taça de Portugal de 1968!

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Efeméride, conforme a origem latina, indica lembrança, qual memorial diário, ao género de calendário recordatório, de um em cada dia. Havendo ainda noção de efemérides astronómicas, transportando ao termo usado por magos astrónomos, perante possibilidade de ocorrências. Ora nessa noite por certo os astros estavam em posição acabrunhada, enquanto tristes estavam os admiradores do astro que levantou os braços em última saudação desde o relvado das Antas.

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A época seguinte, da primeira temporada sem Américo na baliza, o FC Porto passou por tempos de difícil transição, tendo nessa época imediata de 1969/70 passado pela baliza do FC Porto cinco guarda-redes (Aníbal, Rui, Vaz, Antenor e Frederico), à vez e sucessivamente, tendo o clube tido a pior classificação de sempre, quedando-se em inédito 9.º lugar final.


Entretanto, após o final de carreira, estando por esses dias o clube da sua terra a passar situação difícil e em perígo de descida, tendo-lhe sido pedida ajuda, Américo correspoondeu ao apelo e esteve como treinador do União de Lamas até ao final dessa época, ajudando à manutenção do clube na 2ª Divisão Nacional em que estava, ao tempo. Desse período ficou de tal sua experiência como treinador o registo de pose da equipa, estando Américo como treinador ao lado do guarda-redes Domingos, que fora em tempos um dos seus suplentes no FC Porto e então foi encontrar no clube de sua terra natal (assim como, nessa época de 1969/70, estavam também nessa equipa treinada por Américo outros antigos futebolistas que passaram pelas camadas jovens do FC Porto, como o defesa Barrigana, o Ismael de Fafe que tinha sido colega de Pavão nos juniores, mais Romão e Rui Ernesto, o Fontes da geração de Oliveira e outros, etc.).


Como já anteriormente fizera pela vida, assegurando o futuro com iniciativas concretizadas de negócios empresariais, pós ter deixado definitivamente o futebol já Américo era um bem sucedido empresário com duas lojas de material de desporto, a Casa Magriço, na Batalha e em Santo Ildefonso, na cidade do Porto. 

= Capa de calendário com anúncio da Casa Magriço...

Mais tarde, por fim, teve a Clínica Boa Hora, em S. Paio de Oleiros.

E em casa criou e teve um museu pessoal impressionante... no qual tive entretanto a bela oportunidade de visitar e ter sido fotografado a seu lado.


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Por sua vontade, o seu espólio, todo o material que ele guardara ao longo de sua carreira e tinha em seu museu particular, foi doado ao Museu do FC Porto, para ficar em exposição pública no mesmo. Havendo na ocasião em que os técnicos do museu foram inventariar e levantar esses seus objetos, ficado combinado de antes ainda ser feita uma exposição periódica a assinalar o primeiro ano de seu falecimento. 
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Particularidades da vida de Américo Ferreira Lopes:

- Nacionalidade Portuguesa.

- Natural de Santa Maria de Lamas, do concelho nesse tempo chamado Vila da Feira e hoje Santa Maria da Feira, nasceu a 27 de fevereiro de 1933 (embora fosse e ficasse registado como nascido a 3 de março – conforme foi assim indicado e anotado oficialmente, por via de não pagamento de multa, como ao tempo acontecia quando se procedia ao registo civil fora de prazo legal).

- Filho de Manuel António Lopes e D. Saladina Ferreira de Melo.

- Irmãos: 3 raparigas e um rapaz.

- Casado com D. Arminda Ferreira Couto.

- Clubes representados: União de Lamas (no início de carreira), FC Porto (nos juniores desde 1951, tendo jogado ainda parte da época 1950/51 e já toda a de 1951/52; e a partir de 1952, desde a época de 1952/53, já nos seniores), depois Boavista, de permeio (1 época, por empréstimo, em 1957/58 - continuando a pertencer ao FC Porto), e de novo e por fim o FC Porto (até 1969, terminando ao final da época de 1968/1969

- Vida profissional: Em jovem trabalhou com o pai, que tinha uma fábrica de cortiça. Depois, além do futebol, Américo teve ainda no início da carreira futebolística uma sociedade em estabelecimento de venda de motos, no Porto, com António Teixeira, José Pedroto e Carlos Vieira, colegas futebolistas mais velhos. Depois teve uma confeitaria em Espinho e uma fábrica de pastelaria. Mais tarde, já após o Mundial de 1966, estabeleceu-se com a Casa Magriço, de artigos desportivos, com duas lojas no Porto. E por fim fundou e dirigiu a Clínica Boa Hora, na terra de sua residência, em São Paio de Oleiros (concelho de Santa Maria da Feira). 

Títulos conquistados: Nos seniores e equipa de honra de FC Porto - 1 Campeonato Nacional da 1ª Divisão (de 1958/1959); 1 Taça de Portugal (1967/1968); 7 Taças Associação de Futebol do Porto (Anos 60), mais alguns torneios, como por exemplo o Trofeu Luis Otero, em Pontevedra, e o Trofeu Corpus Christi em Ourense, ambos na Galiza-Espanha. E quando junior no FC Porto - 2 Campeonatos Regionais de Juniores.

- Internacionalizações: Foi "Internacional" 16 vezes pela chamada Seleção Nacional, sendo 1 na B e 15 na A (além das diversas vezes que foi selecionado mas esteve como suplente não utilizado). Havendo jogado pela seleção B contra a Bélgica e pela A com a Suíça, Bélgica, Argentina, Inglaterra, Brasil (2 vezes), Roménia (2), Itália, Suécia, Noruega (2), Bulgária (2) e Grécia. Isso em tempo de poucos jogos das seleções portuguesas (quão só por uma vez houve apuramento para fases finais e tal aconteceu para o Mundial de 1966 - em cuja fase em Londres Américo ficou de fora, pela proteção aos do sistema BSB – tendo mais tarde o selecionador reconhecido o erro, pois com Américo Portugal poderia ter conseguido muito mais que o 3º lugar obtido).

- Distinções Desportivas: Baliza de Prata” (da Agência Portuguesa de Revistas, por ser o guarda-redes com menos golos sofridos no Campeonato Nacional de 1963/64, “Óscar da Quinzena” (da RTP), em 1964; “Prémio do jornal O Porto”, 1965; “Troféu Pinga”, em 1966 (máximo galardão do FC Porto, antecessor do Dragão de Ouro); “Medalha de Ouro Ao Mérito” da Federação Portuguesa de Futebol (por ter feito parte dos 22 Magriços na campanha do Mundial de 1966); “O Melhor do Ano” (escolha do programa radiofónico “Escolha o seu Ídolo”), em 1967; “O Melhor Desportista do Ano”, do jornal O Norte Desportivo, 2 vezes, em 1967 e 1968; "Prémio Imprensa", da Casa de Imprensa de Lisboa; “Prémio Somelos-Helanca”, do jornal A Bola, em 1968; “Dragão de Ouro-Recordação”, em 2017.

- É uma das lendas do grande clube FC Porto, com placa alusiva no passeio da fama junto ao pavilhão Dragão Arena...


- ... e está imortalizado no Museu do FC Porto por uma estátua no cimo do autocarro da AT "Destino: Vencer".

 

Como teve oportunidade de ainda ver, estando representado  no Museu do FC Porto através duma sua camisola numa vitrina também. 


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- Cidadania e Distinção Social: Depois de acabar a carreira de Desportista, como cidadão foi Presidente da Junta de Freguesia de São Paio de Oleiros (concelho da Feira), sua terra de residência (desde 1957), escolhido em 1976 como 1º Presidente eleito, ou seja após o 25 de Abril de 1974, e depois reeleito, tendo exercido como responsável autárquico o cargo de representante máximo dessa freguesia durante dois mandatos, em 6 anos  (sendo que ao tempo cada Exercício era de 3 anos). Sucedendo mais tarde ter sido distinguido por seus serviços com a  Medalha de Mérito da Vila de São Paio de Oleiros - Grau Máximo - Medalha de Ouro, na respetiva edição de 2015.

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Na página informática do FC Porto, fcporto.pt, fica registado: « No FC Porto, clube que ajudou a conquistar uma edição da Liga portuguesa e outra da Taça de Portugal, foi galardoado com o Troféu Pinga, em 1966, e com o Dragão de Ouro de recordação do ano, em 2017. Pela seleção de Portugal, participou em 15 jogos e integrou o plantel que participou no Mundial de 1966, em Inglaterra.

Em casa, era “tudo azul” como confessou numa entrevista ao Maisfutebol, em 2017. Até a chupeta que usava quando era bebé, não fosse o clube que viria a representar com enorme devoção “o maior amor” da vida: “A minha chupeta era azul e branca (risos). O meu pai tinha uma empresa de cortiças e já era portista. Portanto, está a ver, não tive hipóteses. O FC Porto é o maior amor da minha vida, juntamente com a minha esposa”.

Realista e terra-a-terra, era reconhecedor do próprio talento e do percurso imaculado que havia cumprido de azul e branco. “Olho para trás e sei que era bom”, referiu na mesma ocasião, antes de fundamentar: “Era corajoso, mergulhava aos pés dos avançados, metia a cabeça onde eles metiam as botas. Fui um dos melhores da minha geração, se calhar o melhor”.»

E era mesmo!

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Até sempre amigo senhor Américo ! 

- Armando Pinto

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Efeméride da conquista do Campeonato Metropolitano de Hóquei em Patins em 1969


A 30 de novembro der 1969 o FC Porto conquistou o Campeonato Metropolitano de Hóquei em Patins, o primeiro título de nível nacional obtido pelo hóquei patinado portista. Feito alcançado na noite desse domingo, último dia de novembro, em plena véspera do feriado da comemoração da Restauração da Independência de Portugal. Conseguida a vitória total ao cabo dos jogos finais realizados na área de Lisboa, como ao tempo se jogava a Fase Final da prova em jornada dupla entre os finalistas do Norte e Sul (depois de à quarta-feira ser entre os dois apurados do Norte, no Norte, e no Sul entre os do sul; seguindo-se nos sábado e domingo os do Norte com os do Sul, respetivamente, primeiro num lado e depois no fim de semana seguinte no outro).  

Então, nesse 30 de novembro de 1969, na última jornada do campeonato, o FC Porto conquistava o cetro de Campeão Metropolitano, título que assim finalmente veio para o FC Porto em 1969 – o primeiro título de grande monta, do hóquei em patins portista. Sendo que o Campeonato Metropolitano era nesse tempo o Campeonato Nacional da Metrópole, havendo depois uma fase final do Campeonato Nacional com os representantes das províncias ultramarinas, como eram Angola e Moçambique, onde o hóquei patinado estava evoluído.


Para a chegada à fase decisiva do Metropolitano, houve antes a fase de apuramento, em cujo percurso o FC Porto, além do grupo base constituído por João Brito, José Castro, Alexandre Magalhães, Joaquim Leite, Hernâni Martins, Cristiano Pereira e José Ricardo, utilizou outros valores como António Júlio, Rui Caetano, Joel Pinto, Luís Caetano, Segadães, Sobral, Graça e Orlando.


Chegada por fim a fase final, a disputa dos jogos desenrolou-se inicialmente com jogo inicial entre as duas equipas apuradas de cada zona (no Norte FC Porto e Carvalhos, no sul a CUF e o Paço de Arcos), para depois num fim de semana se ter disputado jornada dupla no Norte entre os do Norte e do Sul, e seguidamente ao contrário, vice-versa na semana seguinte, até acontecer o final em Lisboa (na véspera do feriado do 1º de Dezembro) com os nortenhos a jogarem no reduto dos sulistas da área de Lisboa.

E a 30 de novembro, desse ano de 1969, disputou-se o último e decisivo jogo, ao fim do qual, após emotivos contornos, o FC Porto venceu e convenceu, tornando-se Campeão Metropolitano.


Eis os resultados, em números e nomes, da parte do FC Porto, na caminhada de campeão:

Com Carvalhos – 2-2 e 5-1 (empate e vitória)
Cuf – 2- 0 e 1-5 (vitória e derrota)
Paço D’Arcos – 2-1 e 2-1 (duas vitórias)

Marcadores dos Golos:
Cristiano – 9
Ricardo – 4
(e 1 do Paço d’Arcos na própria baliza, no jogo final; em que também o golo do Paço de Arcos foi em autogolo da parte do FC Porto)

Jogadores utilizados na fase final:
Brito, Magalhães, Hernâni, Cristiano, Ricardo, Leite, Castro e Júlio.

Classificação:
1º - F C Porto
2º - CUF
3º Carvalhos
4º Paço de Arcos


E o FC Porto conseguiu então ser assim Campeão Metropolitano, obtendo pela primeira vez um título de âmbito nacional.


Dessa grande epopeia pode reter-se algo mais através do que ficou registado, nesse tempo, pelo punho do autor destas linhas, ao tempo ainda jovem adepto entusiasta do hóquei azul e branco, por entre o que sentia no portismo que corria nas veias e saía pelos poros da pele. Embora, no caso dos registos anotados, naturalmente ressalvando as condicionantes da época e a erosão do tempo. Por meio de cujas páginas, então retiradas dos cadernos escolares e metidas em pasta de argolas, se avivam sensações e quase que ainda se consegue conviver com protagonistas (então conhecidos apenas de nomes e fisionomias pelas imagens dos jornais e acompanhamento pelos relatos radiofónicos, pois só mais tarde houve conhecimentos pessoais) mais acontecimentos vividos intensamente, numa linha cronológica que acompanha a alegria sentida, também.


Campeões: Laurentino Soares (treinador) e os jogadores Brito, Castro, Alexandre Magalhães, Leite, Hernâni, Cristiano, Ricardo, Júlio, Rui Caetano, Joel, Luís Caetano, Segadães, Sobral, Graça e Orlando.

Foram depois, então, todos os Campeões alvo de louvor oficial da Associação de Patinagem do Porto.

Nota Bene: - Para comemorar a recordação desse feliz acontecimento de novembro de 1969, tem havido todos os anos, desde o cinquentenário,  um jantar entre os hoquistas Campeões Metropolitanos, no próprio dia em que em 1969 se sagraram campeões. Evento concretizado para assinalar o caso e anualmente realizado por iniciativa dos mesmos, contando com jogadores que tiveram ação direta e indireta na caminhada para o título então alcançado.

Armando Pinto
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domingo, 3 de janeiro de 2021

Recordando: Jogo com o Guimarães (também) na transição de anos, em 1969… com célebre lesão de Gualter

O FC Porto terminou há dias ainda o ano com recente jogo diante do Vitória de Guimarães, na terra tradicionalmente considerada como berço do rei fundador da Portugalidade. Também, entre outros possíveis casos, há umas décadas houve um outro encontro entre as equipas principais dos dois clubes ao findar de um ano, em 1969, mas na Invicta cidade que deu o nome a Portugal.

Então, tal como no termino de 2020, também em 1969 o FC Porto venceu, e igualmente pela margem mínima, num resultado importante perante a dificuldade que sempre se deparou no confronto dos dois emblemas de Entre Douro e Minho.

Agora, passados alguns dias do recente encontro e após entrado já o novo ano 2021, calha a propósito recordar o embate de 1969, correspondente à época de 1969/1970, através de respigos de reportagem do jornal O Porto de 3 de janeiro de 1970. Sendo assim uma efeméride dessa publicação, dando notícia do que na ocasião sucedeu com Gualter, vítima de um choque que lhe fez perder os sentidos e o obrigou a sair do terreno em maca, transportado ao hospital, onde ficou internado para exames clínicos, seguindo-se paragem de algum tempo (e apenas regressando à equipa em março seguinte).

Ora, se desta vez recente o jogo do Guimarães com o FC Porto foi a 29 de dezembro de 2020, com vitória do FC Porto por 3-2 (2-3 como visitante, naturalmente), em resultado de 2 golos de Taremi e 1 de Luis Díaz; em 1969 foi a 28 de dezembro, tendo o FC Porto vencido por 1-0, na qualidade de visitado, por via de 1 golo de Séninho. Enquanto, visto o prélio recente ter sido à noite, o de há meio século antes foi numa tarde cinzenta de domingo, em que o pouco sol dessa fria tarde alternou com nevoeiro no andamento das horas e da resolução do jogo, como se viu o golo da vitória acontecido lá para o final.

Ilustrando isso que se recorda, assim, juntam-se imagens de recortes do jornal O Porto, das partes que mais ficaram para a história.

Armando Pinto

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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Recordando a notícia da despedida de Américo… em 1969


Para quem começou por conhecer os “jogadores do Porto” pelos cromos de rebuçados, fixando a fisionomia de Américo por essas pequenas gravuras de coleção, era especial mesmo a admiração por quem tão bem “defendia pelo Porto”, depois de tanto ouvir o nome dele pelos relatos, sempre de atenção expetante pelo que saía do rádio que estava junto à cama de minha avozinha (ela paralítica na cama e a sofrer na certa também pela cara do neto enquanto aquilo tudo se desenrolava; e eu que tanto gostava de estar à beira dela a ouvi-la contar-me histórias, nessas ocasiões só tinha cabeça para imaginar ouvindo o que se passava onde os jogadores do Porto andavam).


Ora, sendo especial mesmo essa admiração pelo guarda-redes que tão bem “defendia pelo Porto”, foi com mágoa que, já jovenzinho, depois dele ter defendido à grande na vitória da Taça de Portugal de 1968, soube a meio de 1969 que ele ia ter de acabar a sua carreira. Devido a lesão que não dava para debelar, após ter durante anos superado diversas mazelas sofridas, como destemido guarda-redes que era.

Ora, a notícia chegou pelos jornais. Tendo na ocasião sido a reportagem do jornal A Bola, graças ao bom desempenho do correspondente no Porto desse periódico, que mais sensibilizou a atenção do adepto entusiasta, que era o autor destas linhas também. Sendo a triste notícia difundida na edição de 7 de Junho de 1969, precisamente no dia em que no Porto havia eleições do F C Porto para o biénio de 1969/1970.

Desse número do jornal de Lisboa, ao tempo ainda trissemanário, chegou um destes dias aqui a meus olhos uma imagem, inserta num arquivo de hemeroteca digital, que fez recuar o tempo a esse tempo.


Estava então Américo internado numa clínica médica que havia na Avenida dos Aliados, no Porto. Ainda essa grande avenida era bonita e preenchida, cheia de espaços ajardinados, com árvores e flores a compor o solo atapetado de relva vedada em formas harmoniosas por sebes, etc. e tal. Ou seja ainda não tinha chegado ao coração da cidade os efeitos da cheia de um rio sem água… que meteu água. E foi então à procura da noticia até ali o jornalista portuense d’ A Bola, Justino Lopes. Saindo da escrita desse mestre da narrativa jornalística que “Américo não joga mais…»

Descrevia dali Justino Lopes que tal era notícia com qualquer coisa de dramática, e era realmente. Descrevendo ele que, entrado no quarto 5 (dessa clínica), se lhe deparara o guarda-redes do FC Porto como «um mocetão paciente, curtido nas duras andanças do jogo…» Estando assim «Américo Ferreira Lopes mais a sua perna engessada», que lhe disse: «-Cheguei ao fim». Contando depois que se havia chegado à conclusão de ter de acabar a carreira. Estando ali engessado, por já mais não conseguir, até cair depois de tanto se ter levantado. Recordando e justificando-se: «- Sou de boa carnadura. As minhas recuperações têm causado surpresa aos médicos. “Soldei” um pulso sem gesso num instante. Pois houve um médico que me disse que eram precisos cerca de seis meses para uma pessoa qualquer ficar bom. E pontapés nas canelas, “pitões”, marcados nas pernas…» descrevendo o que levou e aguentou. Resumindo depois que «São as medalhas que levo…».

E assim ali, de perna engessada fora do alvo lençol, Américo afiançava: «-Vim para aqui com vergonha, convencido de que, quando me abrissem o joelho, chegassem os médicos à conclusão de que eu nada tinha que justificasse o golpe. E afinal foi o que se viu. Dizia-se que eu treinava muito com medo de perder o lugar. Mas não era essa a verdade. Treinava muito porque gostava muito de jogar. E ninguém pode jogar bem sem se treinar muito. Uma receita que aconselho aos novos. É uma questão de temperamento? Talvez. A verdade é que nunca me dei bem com manhas. Eu só não me treinava quando não podia de todo em todo. Algumas vezes as amígdalas me atraiçoaram. Mas, afinal, não viriam a ser elas a razão de ser do meu ponto final… Saio como um mártir, mas com a consciência tranquila de que este martírio não é senão fruto da honestidade com que me entreguei ao futebol e ao Futebol Clube do Porto em dezoito anos quase ininterruptos. Estou agora a recordar-me que a paragem mais prolongada foi motivada por uma lesão num cotovelo ocorrida no pelado da CUF. No resto tem sido sempre dedicação ao clube e ao futebol». Acabando por concluir que o futebol para ele foi também um curso de vida, pelas amizades e tudo o que viveu no mundo da bola.


Estava-se então no defeso, acabada que havia sido aquela época em que o FC Porto estivera muito perto de ser campeão, mas não fora… dessa vez mais por outros motivos. E na ocasião em que Justino Lopes anotava a conversa com Américo, apareceram a visitá-lo os novos treinadores da equipa, Schewartz e seu adjunto Vieirinha (tendo depois aquele técnico estrangeiro sido vítima também de doença, que o levou a ter de deixar cedo o lugar), levando o caso a terem ficado na fotografia que teve lugar na capa desse jornal – como acima damos conta, na imagem cimeira.

= Américo como guarda-redes titular na equipa principal do FC Porto, ainda no tempo de Hernâni, Virgílio, Miguel Arcanjo e Carlos Duarte, da geração dourada dos anos cinquentas, e já em transição da era de renovação com ele próprio, mais Custódio Pinto e outros. Foto da época de 1962/63, ultima de Serafim no FC Porto e primeira de Joaquim Jorge com a camisola azul e branca. Reportando a um jogo em que a equipa principal do FC Porto posou junto com a equipa adversária. Dos jogadores do FC Porto pode legendar-se, desde o cimo e a partir da esquerda para a direita: em cima - Hernâni, Serafim, Mesquita, Joaquim Jorge, Arcanjo, Virgílio  e Amérco; em baixo - Carlos Duarte,  Pinto, ...?, e Paula.

Depois disso, volvido algum tempo, antes ainda do início da época seguinte teve lugar uma festa de homenagem e despedida a Américo. Como aqui já descrevemos em anterior oportunidade, aquando da data da respetiva efeméride. 

Tendo então, ao início de setembro de 1969, já com as folhas da natureza a cair, Américo se despedido do futebol como guarda-redes, diante do público das Antas, erguendo os braços ao modo das árvores que morrem de pé.

Armando Pinto

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Nota: Relembrando a festa de despedida acima referida e uma outra ainda anterior também de homenagem, recorde-se (clicando em):

e

A. P.