Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Como Pinto da Costa e Pedroto iniciaram sua ligação… segundo testemunho de Alberto Teixeira !

Por um artigo publicado há já uns anos no jornal O Jogo, veio a público uma curiosidade, ao correr duma entrevista com o antigo futebolista Alberto Teixeira, dando para ficar a saber como Pedroto e Pinto da Costa travaram conhecimento pessoal. 

Claro que se deduz que Pinto da Costa eventualmente conheceria Pedroto de leves contactos, ao género de passagem, enquanto diretor das modalidades amadoras do FC Porto que andava pela cidadela desportiva das Antas, além de como adepto o ter visto jogar e treinar quando ele dirigiu a equipa principal do FC Porto durante os primeiros anos da presidência de Afonso Pinto de Magalhães. Mas foi mais tarde, já quando Pedroto saíra do FC Porto e após sua célebre passagem pelo Setúbal, estava a treinar o Boavista, ao tempo que a equipa do Bessa passava o período conhecido por Boavistão, que Pinto da Costa foi apresentado a Pedroto. Sendo que então o defesa Alberto era um dos futebolistas da camisola aos quadrados, também depois de ter estado no FC Porto como júnior e sénior, e por abordagem de seu amigo Jorge Nuno, o apresentou ao treinador José Maria Pedroto.

= Alberto (em baixo, ao lado do guarda-redes) na Equipa Júnior do FC Porto de 1964/65, junto com Pavão (com a bola), Victor Cruz, Rendeiro, Lázaro e tantos outros das Promessas desse tempo

Ora, Alberto Teixeira, defesa central, foi um dos juniores campeões nacionais treinados pelo Mestre Artur Baeta, tendo feito parte da equipa que venceu em 1966 a final de Juniores, através de trunfo por 3-2 sobre o Benfica, em Leiria conquistando o Campeonato Nacional de 1965/1966.

=  Nos Juniores do FC Porto Vice-Campeões Nacionais da categoria em 1964/65. Da “Formação” de jovens futebolistas que sempre teve tradição no FC Porto. Sendo a escola portista uma realidade comprovada, desde tempos distantes, até então já sob auspícios de Artur Baeta, Virgílio Mendes e respetiva equipa...


= Uma das equipas de juniores portistas que jogaram ao longo da época em que o FC Porto venceu o Campeonato Nacional de 1965/66.

Após isso, tendo subido a sénior, fez parte do plantel do FC Porto durante 3 épocas, de 1966/67 a 1968/69, havendo sido utilizado em 5 jogos oficiais de cariz nacional, além de jogos de Reservas da Associação de Futebol do Porto e outras Associações.

= Alberto na Equipa B do F C Porto que venceu a Taça do Norte de Reservas em 1968

Pois «Alberto Teixeira, o defesa central do FC Porto e Boavista que conquistou três Taças de Portugal, ajudou a mudar a face do futebol português ao apresentar José Maria Pedroto a Pinto da Costa…» como foi referido na peça jornalística d’ O Jogo.

Alberto fizera parte dos escalões de formação do futebol do FC Porto, tendo inclusive sido campeão nacional em Juniores. De permeio foi também atleta de hóquei em patins do FC Porto, tendo aí tido oportunidade de se tornar conhecido e amigo de Jorge Nuno Pinto da Costa. Mas o melhor é seguir passo a passo a narrativa que deu a conhecer melhor o caso:

«Estávamos em 1962, a guerra colonial alastrava em Angola. Ele tinha 14 anos e, como de costume, foi ao campo de treino das Antas ver os juniores e os juvenis. Morava perto, na rua Honório de Lima. Só que desta vez, Pinga, então o treinador dos miúdos, reparou nele. Mirou-o de alto a baixo, gostou do que viu e fez a pergunta que lhe mudou a vida: “Queres equipar-te e treinar?” “Eu era alto para a idade”, explica Alberto, que já era um atleta, pois jogava hóquei em patins no Vigorosa, desde os 11 anos. O hóquei era o outro dos seus dois amores, cultivado pelo pai, que o levava a ver a seleção nacional jogar no Palácio de Cristal. Jogava no Vigorosa mas era já portista encartado. O seu herói era Jaburu (“Era um ídolo, a imagem dele saía como brinde no bolo rei. Tinha um remate fortíssimo, foi um dos jogadores que mais me marcou”), o ponta de lança brasileiro que Yustrich trouxe para a equipa do FC Porto campeã nacional em 1955/56 (tinha ele oito anos) e onde alinhavam Pedroto (que viria a ser seu treinador no Porto e Boavista), Hernâni (“uma figura de proa”) e Miguel Arcanjo (“um tipo muito simpático com os miúdos”). Contra a promessa solene de que não iria nunca deixar que o desporto lhe prejudicasse os estudos, o pai, diretor fabril na Raione, fê-lo sócio do FC Porto, habilitando-o assim a ir ver os treinos às Antas. No hóquei, transferiu-se para o FC Porto, onde foi treinado pelo economista e jornalista Correia de Brito e se cruzou com um seccionista que “tinha uma piada fabulosa e tinha uma grande facilidade no relacionamento com as pessoas”, chamado Jorge Nuno Pinto da Costa. Acumulou o hóquei e o futebol até que teve de escolher e o FC Porto o obrigou a descalçar os patins, o que fez com alguma pena.»

= Pedroto, em 1967/68

«Como o pai morreu novo, Alberto tornou-se adulto mais cedo ao ver-se na contingência de ajudar a mãe, que com o seu magro salário de empregada na Companhia dos Telefones tinha de sustentar os quatro filhos e a sogra. “Eu meti na cabeça que era capaz de ser futebolista e continuar a estudar”, conta, acrescentando que ficará para sempre em dívida com o futebol por lhe ter pago os estudos e permitido licenciar-se em Economia. No percurso pelos iniciados, juvenis e juniores – onde Artur Baeta era a alma mater - foi tendo colegas que se tornaram lendas do nosso futebol, como Artur Jorge, que passou a sénior no ano anterior ao dele, e Pavão. “Lembro-me perfeitamente do dia em que ele chegou às Antas, vindo de Chaves e com a fama de ter estado a treinar no Benfica. Estávamos no estádio principal e ele entrou a substituir-me no jogo-treino. Foi como se tivesse chegado alguém do outro mundo. Com ele, a bola parecia mais redonda. Era um jogador tipo Deco, box to box”, recorda Alberto, acrescentando que João Alves foi o único colega de equipa que teve cujo talento se aproximava do de Pavão. Alberto cobriu-se de glória na sua última época como júnior, a de 1965/66. Enquanto os Magriços se preparavam para fazer um brilharete no Mundial de Inglaterra, ele foi campeão nacional e conquistou o Torneio de Limoges, feito rijamente festejado na Baixa do Porto, que se encheu num S. João antecipado. “Na altura a cidade contentava-se com pouco”, refere. Foi “um sonho, uma alegria, uma maravilha” fazer parte daquele reduzidíssimo lote de juniores que foram escolhidos por José Maria Pedroto para ficarem nas Antas no ano em que foram promovidos a seniores. Hernâni era então o responsável pelo departamento de futebol. O presidente era o banqueiro Afonso Pinto de Magalhães. Começou a receber dois mil escudos por mês, o que lhe permitiu logo no segundo ano de profissional, comprar o seu primeiro carro, um Simca 1000, enquanto os estudantes franceses faziam o seu Maio. Tratava por “senhor” os mais velhos. Era senhor Américo para aqui, senhor Custódio Pinto para acolá. Mesmo não sendo titular, era frequentemente convocado.»

= Alberto Teixeira

«Estreou-se a lateral direito (fazia todas as posições na defesa, se bem que central fosse a favorita), a substituir o magriço Festa, num jogo em que o Porto perdeu 2-0 com a Sanjoanense. “O Eusébio era diferente de todos os outros, e o Benfica tinha melhor equipa do que nós – mas era muito favorecido pelas arbitragens. Como não havia televisão, em jogos fora éramos quase sempre roubados”, recorda. A esperteza de Pedroto ajudava a equilibrar um pouco os pratos da balança. “Quem sabia era ele. Organizava muito bem e era inteligente no que fazia. Era aquele tipo de pessoa que teria sucesso em tudo quanto se metesse”.»

= Imagem de um cromo de caderneta de coleção (com impressão desfocada) - Equipa do FC Porto da época 1968/69. De pé da esquerda para a direita: Alberto, Bernardo da Velha, Atraca, Pavão, Valdemar e Américo. Agachados: Lisboa, Djalma, Custódio Pinto, Gomes e Nóbrega.=

«No final da sua terceira época como sénior, após uma digressão a Angola (de onde o FC Porto trouxe Séninho), Alberto foi emprestado ao União de Lamas, que estava na 2.ª Divisão e era dirigido pelo comendador Henrique Amorim, e treinado por Américo. Na época seguinte, 1970/71, volta a ser emprestado, mas desta vez ao Boavista onde voltará a encontrar Pedroto como treinador, conquistará duas Taças de Portugal e um 2º lugar no campeonato. Esteve no Boavista até ao precoce final da sua carreira, com uma parêntesis em Cabora Bassa, Moçambique, em cuja equipa jogou nos tempos deixados livres da sua atividade de oficial de artilharia do exército português. “A tropa ajudou-me muito a crescer”, garante Alberto, que andava pelo Norte de Moçambique, de arma na mão, quando Pavão morreu nas Antas e se deu o 25 de Abril.»

= Nos festejos da conquista da Taça de Portugal do FC Porto em 1968, no regresso da caravana vitoriosa à cidade Invicta!

«Regressou ao Bessa, onde foi treinado por Jimmy, José Maria Pedroto e Mário Wilson (“a diferença entre eles era da água para o vinho”). Não precisa de pensar um segundo sequer para eleger Pedroto como o melhor de todos: “Nós acreditávamos religiosamente em tudo quanto ele nos dizia no balneário. Sabia ver futebol como ninguém. Falou-se muito do 3x3x4 na passagem do Co Adriaanse pelo FC Porto. Mas, quando estávamos a perder nas Antas, o Pedroto já usava esse sistema, mudando o Bernardo da Velha de defesa direito para ponta de lança”. Aos 28 anos acabou o curso de Economia (onde teve como colegas Daniel Bessa e Teixeira dos Santos) e arrumou as botas, não aceitando o convite de Pedroto para regressar ao Porto, onde quebraria o jejum de 19 anos sem títulos. “Tenho para mim que devemos sair enquanto as pessoas nos querem – e não empurrados”, explica. No entanto, antes de arranjar o seu primeiro emprego como economista, dera um valioso contributo para a hegemonia atual dos portistas. 

= Época de Alberto no União de Lamas (que por acaso não ficou nesta foto), em que na mesma equipa estavam também outros ex-jogadores do FC Porto como o guarda-redes Domingos, o defesa Barrigana, mais Ismael, Lázaro, Rui Ernesto, etc, com Américo a treinador (na única época em que o antigo guarda-redes portista exerceu esse cargo técnico, a pedido do clube da sua terra, que conseguiu então salvar da descida da 2ª Divisão Nacional). Antes de Alberto rumar ao Boavista...

Num jogo do Boavista no Estádio do Mar, apareceu lá Pinto da Costa e pediu-lhe para ser apresentado a Pedroto. Alberto explicou ao treinador que Jorge Nuno estava a tentar reerguer o Porto. Os dois homens apertaram as mãos – e foi o início de uma bela amizade que mudou o rumo do nosso futebol.»

Começara a dupla Pedroto-Pinto da Costa. O destino esteve assim presente e juntou, por meio desse portista que mais tarde se tornou cabeça da empresa depois também responsável pelo “catering” em todo o Estádio do Dragão. E aquele primeiro encontro pessoal de Pinto da Costa com Pedroto, dando início a sua confiança amiga, permitiu que se juntassem dois homens que conseguiram nos anos 70 lutar contra o sistema reinante e colocaram o FC Porto no lugar há muito merecido, durante um bom período de tempo. 

 Até (já depois de Pedroto ter falecido) a corrupção ter voltado a reinar a partir da capital do antigo império… como vem acontecendo de há anos a esta parte, novamente, e sucede escandalosamente com o Campeonato da Liga na atualidade, em 2021!

Armando Pinto

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Lembrando Custódio Pinto – o Cabecinha de Diamante do FC Porto nos anos 60 e Capitão da Taça de 1968!

 

A 9 de fevereiro de 1942 nasceu Custódio João Pinto, futebolista que do Montijo rumou ao Norte do país e depressa se tornou iconizado como o “Pinto do Porto”. O Custódio Pinto que na data desta lembrança completaria 79 anos.

Chegou ao FC Porto em 1961/62 e rapidamente impôs o seu génio com os 14 golos que marcou em 29 jogos, logo na época inicial. Manteve-se no grande clube das Antas até 1970/71, vivendo momento alto na final da Taça de 1967/68 quando, sendo capitão, subiu à tribuna do Estádio do Jamor para receber e levantar o troféu após o triunfo sobre o Setúbal (2-1), em momento épico que mexeu com tantos sentimentos até ali abafados durante anos pelo sistema reinol do regime nacional.

Nascido a sul, no Montijo, foi no clube da sua terra natal, o CD Montijo, que deu os primeiros passos como futebolista antes de se mudar para o FC Porto em 1961. Estreou-se de azul e branco no dia 29 de Outubro de 1961, no Estádio das Antas, numa vitória por 1-0 sobre o vizinho Salgueiros em partida a contar para o Campeonato Nacional da 1ª Divisão.

Custódio Pinto, mais conhecido apenas por Pinto quando ingressou e durante os primeiros anos no FC Porto, chegou às Antas como avançado, tendo ficado famosa a dupla formada com o brasileiro Azumir nos primeiros tempos. Depois foi-se tornando mais um jogador polivalente a evoluir e ocupar espaços de todo o campo, de modo que mesmo como médio era ainda um dos melhores goleadores.  Sendo um organizador de jogo primoroso com enorme inteligência técnica e tática. Formou uma dupla dinâmica e demolidora no meio campo com Pavão e foi durante vários anos capitão da equipa principal de futebol do FC Porto.

Nas dez temporadas em que vestiu de azul e branco, num tempo de menor realização de jogos de competições oficiais, Pinto disputou 326 jogos e marcou 105 golos (9 dos quais em provas europeias), ocupando um lugar no top 15 dos jogadores mais utilizados pelo FC Porto.

 *****

O FC Porto é no século XXI o clube português com melhor historial nas provas europeias de futebol, possuindo o melhor palmarés desde que ainda no século XX começou a somar títulos e a ganhar prestígio, posicionando-se presentemente como um dos grandes, com mais presenças na Liga dos Campeões, além de entre portugueses ter mais títulos a nível europeu e mundial.

= Pinto já na equipa principal do FC Porto, nos seus primeiros tempos de azul e branco.  Em cima, a partir da esquerda: Américo, Arcanjo, Paula, Festa,  Ívan e Virgílio; em baixo, pela mesma ordem: Carlos Duarte, Pinto, Serafim, Perdigão e Jaime.

Antes ainda do FC Porto ser também o único clube português vencedor da Supertaça Europeia e da Taça Intercontinental, na anterior versão do Mundial de Clubes que o FC Porto venceu por duas vezes, anteriormente a isso, recordamos, enquanto o clube azul e branco foi conseguindo apenas alguns bons momentos nas participações em provas europeias de antanho, alguns elementos do clube foram tendo salientes prestações, como foi o caso de Custódio Pinto, alguém que enquanto jogou pelo FC Porto era detentor da melhor soma de golos do FC Porto no plano internacional.     

Custódio Pinto, apelidado de “ Cabecinha de Ouro”, como “de Diamante”, pelo seu bom jogo de cabeça, era um futebolista que durante os jogos corria pelo campo todo, tendo ficado na memória portista também como o “Capitão” que levantou a Taça de 1968 para o F. C. Porto. Normalmente conhecido por “Pinto do Porto”, como mais popularmente era chamado, até para o distinguir ao tempo de seu irmão (Manuel Pinto) que jogava a defesa do Guimarães, passou depois a ser também referido por Custódio Pinto, quando já em finais dos anos sessentas teve o irmão a seu lado pela seleção nacional.

= Custódio Pinto em foto "à civil", autografada, e com a camisola da Seleção A portuguesa

Ilustrando a afirmação, de ser considerado "Cabecinha", foi de um desses epítetos elogiosos uma coluna jornalística do ano de 1968, que respigamos como exemplo, por meio dum recorte d’ “O Porto”.


Esse Pinto, de nome completo Custódio João Pinto, foi então um valor de alto coturno dentro da mística Portista de outrora, na sensibilidade clubista há umas décadas recuadas, quando chegou a ser recordista de golos em competições oficiais das provas europeias. Pois, aquele antigo ariete do F. C. Porto, mantendo-se ainda na lista dos melhores goleadores ao longo da História do F C Porto, também teve um recorde de golos ao nível internacional, num tempo em que o clube acabava por disputar menos jogos em pugnas europeias.


Efetivamente, até há alguns anos atrás, Custódio Pinto foi recordista de golos marcados pelo F. C. Porto nas competições da UEFA, como se pode ver em caixa incluída no Palmarés Internacional do FCP até aos finais dos anos setentas - conforme publicação no primeiro dos dois pequenos livros intitulados “A Vida do Grande Clube Nortenho” (escrito por Luís César, através de edição publicada em 1978 pelas “Selecções Desportivas”).


Entretanto Custódio Pinto ficara ligado à saga dos Magriços, como um dos representantes do F. C. Porto na campanha do Mundial de 1966 disputado na velha Albion, junto com Américo e Alberto Festa, embora sem ter jogado na fase final (por na altura o FC Porto também não ter nos órgãos federativos quem defendesse os interesses do clube e olhasse pelos seus elementos, como acontecia com os outros nesses tempos do sistema BSB, com os presidentes da Federação a serem, em mandatos à vez, só do Benfica, Sporting e Belenenses)…


Com a mão na massa de exaltação da representatividade do Pinto na ambiência Portista, não se pode deixar escapar qualquer ensejo de recordar bem o feito maior desse tempo, a conquista que mais encheu de júbilo a nação Portista, como foi a Taça de Portugal conseguida em Junho de 1968. Na qual Custódio Pinto esteve de corpo e alma, tal como mostra a histórica fotografia do levantar da taça em plena tribuna de honra do Jamor, perante o feliz orgulho do Presidente Pinto de Magalhães.


Custódio João Pinto, como era seu nome completo, veio do sul e arreigou-se ao Porto. Nascido a 9 de Fevereiro de 1942, no Montijo, começou a jogar futebol no clube de sua terra, C.D. Montijo, até que em 1961/62 foi contratado pelo Futebol Clube do Porto e logo se revelou um bom avançado, tendo dividido os golos da equipa principal com o goleador brasileiro Azumir, colega que na época foi o melhor marcador do campeonato nacional. Depois teve uma carreira distinta que o levou a ser considerado das melhores referências do clube. Tendo entretanto vestido a camisola azul e brancas durante dez temporadas, entre 1961/62 a 1970/71. Pelo FC Porto venceu por 5 vezes a Taça Associação de Futebol do Porto (em 1961/62, 1962/63, 1963/64, 1964/65 e 1965/66) e a Taça de Portugal de 1967/68. Havendo, apesar de tudo, jogado 13 vezes pela Seleção A de Portugal, além de uma anterior pela seleção de Promessas e algumas outras pela seleção B, como também pela seleção Militar.


De permeio esteve algumas vezes perto de ajudar o clube a vencer o campeonato, coisa impossível nesse tempo da travessia da ponte mais roubos de igreja do sistema das arbitragens a mando BSB… Algo porém que em 1968/69 esteve mesmo muito perto de ser alcançado, como o autor recordará para sempre, enquanto jovem adepto ainda sem conhecer o título nacional, que se escaparia então pelo caso de Pedroto versus Custódio Pinto, Américo Lopes, Eduardo Gomes e Alberto Teixeira.


Até que, em 1971, antes do início da época de 1971/72, por decisão do treinador desse tempo, António Teixeira, o “Pinto do Porto” foi dispensado do plantel portista. Então Custódio Pinto rumou ao Vitória de Guimarães, onde passou a jogar mais com o irmão e teve ainda ensejo de ser dos melhores expoentes do clube vimaranense e mesmo dos maiores referenciais do campeonato português. Pondo por fim final à carreira de futebolista no fim da temporada de 1974/75.


Durante a sua permanência no FC Porto, onde era um autêntico símbolo, entre diversos factos esteve presente na noite da primeira vitória oficial do FC Porto em provas europeias, quando a 16 de Setembro de 1964 brilhou com dois golos e uma exibição de luxo na partida em que o F.C. Porto venceu o Olimpique de Lyon por 3-0, então para a Taça dos Vencedores das Taças (mais tarde extinta e com direitos de participação dos respetivos vencedores das taças, na Taça UEFA, atual Liga Europa).


Mais tarde pôde regressar ao FC Porto, numa justa reabilitação clubista, havendo integrado os quadros técnicos portistas. Foi então mesmo campeão nacional,  como treinador principal dos juniores do FC Porto.

Faleceu a 21 de Outubro de 2004.

= Plantel de Juniores do FC Porto da Época 1986/87. Em cima, da esq. p/ dta: Joaquim Carvalho, Vítor Baía, Oliveira, Fernando Couto, Zé Nuno Azevedo, Best, Zé Luis, Sérgio, Lai, Telmo Lopes e Custódio Pinto (Treinador). Em baixo pela mesma ordem: Fernando, Jorge Couto, João Paulo Tomás, Tozé Santos, Cabral, Domingos Paciência, Carlos Secretário e Zé Nando.

Merecedor de figurar em lugar de realce na História do FC Porto, Custódio Pinto justifica exaltação como nome importante do clube e do futebol nacional, conforme em apoteose recordamos com uma imagem de quadro pessoal, mais a sua ficha da galeria dos Internacionais do FC Porto (em trabalho histórico-literário de Rodrigues Teles, em 1968).  

Armando Pinto

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Editorial na revista "Dragões" de fevereiro 2021: -“Não nos vergam”!

Mais palavras para quê…?!

Apenas fica a noção geral que, se houver algo para lá da vida e da morte, esses pulhas batoteiros e ladrões terão muito que penar um dia… já que andam impunes no mundo atual, deste país da corrupção centralista e elitista que é Portugal nos dias que correm…

AP

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Basquetebol – FC Porto vence Taça Hugo dos Santos, derrotando por 72-68 o Sporting na final (após vitória sobre o Benfica na meia-final)!

Como aqui (basquetebol) não há penaltis a roubar, nem foras de jogos de centímetros inventados (como está a acontecer no futebol do sistema português)… quem é melhor venceu!

«O FC Porto conquistou a Taça Hugo dos Santos. Depois de afastarem o Benfica na meia-final, este domingo os Dragões venceram o Sporting (72-68) e ergueram a oitava Taça da Liga/Hugo dos Santos do palmarés, prémio merecido pela resposta a um primeiro período mal conseguido. Eric Anderson foi o melhor marcador do encontro com 18 pontos e ainda liderou a tabela dos ressaltos (10), arrecadando o prémio de jogador mais valioso da final em Sines.

Taça Hugo dos Santos, final - FICHA DE JOGO

SPORTING-FC PORTO, 68-72

7 de fevereiro de 2021 - Pavilhão Multiusos de Sines

Árbitros: Fernando Rocha, Sérgio Silva e José Gouveia

SPORTING: Travante Williams (12), Diogo Ventura (10), João Fernandes (7), Cláudio Fonseca (12) e James Ellisor (10)

Suplentes: Francisco Amiel, Jorge Embaló, Shakir Smith (7), Jeremias Manjate, Diogo Araújo, Pedro Catarino (8) e Micah Downs (2)

Treinador: Luís Magalhães

FC PORTO: Brad Tinsley (3), Francisco Amarante, Miguel Queiroz (6), Larry Gordon (8) e Eric Anderson Jr. (18)

Suplentes: Jalen Riley (13), João Torrie, Vlad Voytso, Pedro Pinto (5), Tanner McGrew (11), João Soares (8) e Ricardo Neves

Treinador: Moncho López

Ao intervalo: 39-32

Parciais: 23-9, 16-23, 13-20 e 16-23


Reviravolta do FC Porto frente ao Sporting (72-68) garante a conquista do troféu em Sines

Entrou melhor na final a equipa do Sporting, conseguindo criar uma vantagem larga no marcador muito por força de Travante Williams, com três triplos convertidos, e do trabalho do poste Cláudio Fonseca junto ao cesto. A equipa lisboeta defendia bem e complicava os ataques portistas, situação que resultou em apenas nove pontos no primeiro período. No segundo, os Dragões surgiram em melhor forma e conseguiram reduzir a desvantagem no marcador, muito graças ao acerto nos lançamentos de três pontos por parte de João Soares e de Jalen Riley. O FC Porto acabou por vencer o parcial e ir para os balneários com uma desvantagem de dez pontos, ao invés dos 14 do primeiro período.

No regresso à quadra continuou a exibição em crescendo do FC Porto, com Riley a ser cada vez mais preponderante nos pontos, juntamente com Eric Anderson Jr. nos ressaltos. Nesse sentido, os Dragões conseguiram passar para a frente do marcador pela primeira vez a cerca de 2 minutos do final do terceiro período. Com tudo em aberto no derradeiro quarto, Shakir Smith voltou a adiantar os leões no marcador. Só que os Dragões não desistiram e voltaram a operar a reviravolta nos instantes finais e não tremeram nos lances livres. Já Travante Williams falhou a oportunidade de empatar e os portistas geriram os últimos segundos de forma a erguerem a oitava Taça da Liga/Hugo dos Santos do palmarés.

“Dedico esta vitória aos adeptos portistas que estão sempre connosco apesar da não presença física no pavilhão. O terceiro período é muito bom e na parte final nós tivemos a capacidade de marcar os lances livres e atingimos uma diferença que nos permitiu controlar o jogo nestes 40 segundos de loucura”, salientou Moncho López no final da partida.» (fcporto.pt)

Armando Pinto

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Efeméride evocativa – Título de Campeão Nacional de Ciclo-Cross ganho por José Azevedo em 1968

4 de fevereiro de 1968 - Campeonato Nacional de Ciclo-Cross. Prova disputada na zona do Porto, ao longo de 21 Km. Participaram 19 ciclistas de diversos clubes.

Classificações:

1ª José Azevedo (FC Porto), 1h 7m 22s;

2ª Alberto Carvalho (FC Porto), 1h 8m 8s;

3º Joaquim Leão (FC Porto), 1h 9m 40s.

Na ocasião, foi guardado um minuto de silêncio em homenagem a Alfredo Baptista, antigo dirigente da Federação Portuguesa de Ciclismo, entretanto falecido.

Armando Pinto 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Outorga dos Trofeus Pinga de 1968

O trofeu Pinga (antecessor do Dragão de Ouro), instituído em 1963/64 com o nome desse ícone do futebol portista e português, Artur de Sousa “Pinga”, após a sua morte em 1963, homenageando assim tal referencial portista de grande valor nos atletas vindouros que na honra do FC Porto sucederiam através dos tempos, teve em 1968 a respetiva terceira edição. Tendo então havido anteriores entregas de dois em dois anos, em inícios de 1964 e 1966, houve à terceira vez oportunidade de galardoar o futebolista que havia sido “Magriço” utilizado, ou seja dos futebolistas que estiveram no verão de 1966 na caravana dos “Magriços”, no lote dos 22 presentes no Mundial de Inglaterra, o único que tivera possibilidades de jogar, num “furo” possível ao sistema BSB que foi evidente em demasia…  

Vem o tema a talhe por nesta data, em 1968, o jornal “O Porto” ter registado a sessão solene dos trofeus Pinga desse ano. Então, a 3 de fevereiro de 1968, o jornal semanal do clube dava destaque aos Troféus Pinga. Entre os nove galardoados atletas do FC Porto estava Alberto Festa, o defesa que foi eleito o Futebolista do Ano, sucedendo a Hernâni e Américo nessa distinção.

Ao tempo, na relação dos galardoados, no jornal O Porto, o internacional Festa era referenciado com atividade até 1967, por entretanto haver tido lesão grave que o afastou da atividade em 1968 (em longo afastamento que posteriormente levou à saída da competição ao mais alto nível, apenas havendo regressado muito mais tarde para jogar no Tirsense, clube da sua terra).

Na cerimónia em apreço, culminando a entrega dos trofeus Pinga (além de Festa, também a Mário Gouveia do andebol, Manuel de Sousa do atletismo, José Assunção do basquetebol, Cosme Oliveira do ciclismo, Carlos Monteiro do hóquei em campo, Joaquim Leite do hóquei em patins, Aníbal Pereira da pesca desportiva e José Martins do voleibol), foram ainda homenageados com medalhas comemorativas os seccionistas que serviram o clube até essa data, entre os quais estava Jorge Nuno Pinto da Costa, nessa altura responsável pela secção de hóquei em campo.

Armando Pinto

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Curiosidades Memoriais do Hóquei Patinado Portista – Primeiras vezes: Estreia e 1º golo em jogo oficial... Homenagem ao 1º Internacional… e 1ª Festa do Dia do Hóquei do Clube!

O Hóquei em Patins, após uma curta primeira experiência em 1944, calçou definitivamente os patins no FC Porto em 1955, tendo iniciado a competição oficial em 1956. Sendo essa uma das curiosidades pioneiras, entre factos de ocorrências primeiras. Como já foi e está explanado nalguns artigos anteriores neste blogue. Havendo obviamente sido em 1956 marcado o 1º golo oficial, logo no 1º jogo disputado ao mesmo nível. Tendo depois em 1957 havido também a honra do FC Porto passar a contar com o 1º internacional da modalidade, quando um hoquista do FC Porto foi representar Portugal na seleção nacional. Anos volvidos, com tudo já bem enraizado, em 1971 houve até um Dia do Hóquei, mediante uma festiva jornada de confraternização sugestiva da evolução.

Ora, então dessas primeiras vezes, a estreia do recomeço definitivo foi em jogo disputado a 2 de julho de 1956, num encontro diante do CDUP, com vitória portista por 9-1.

Tendo aí acontecido o 1º golo em competições oficiais, marcado por Malheiro – como do caso deu conta o jornal O Porto.

Passados tempos, tendo o guarda-redes de futebol do FC Porto Acúrcio, que já praticara hóquei em Moçambique, passado também a integrar a equipa de hóquei em patins portista como avançado, em 1957 foi chamado à seleção nacional e como tal se tornou o 1º hoquista internacional do FC Porto.

Essa ditosa honra foi então devidamente assinalada. Havendo, após a sua participação ao serviço de Portugal no Torneio de Montreux, na Suíça (e antes da seguinte participação no Campeonato Europeu e extensiva inclusão na Seleção do Resto do Mundo que disputou um jogo com a Espanha), sido Acúrcio devidamente homenageado, em jornada que englobou um jogo com o Académico do Porto, no rinque do Lima (do Académico, onde o FC Porto triunfou por 6-1). Disso igualmente se pode recordar a celebração pelo relato impresso ao tempo no jornal O Porto – conforme notícia e crónica  n’ O Porto de 22 de maio de 1957, sobre a festa acontecida a 17 de maio.

Passados anos, já com o hóquei no FC Porto devidamente implantado e bem-sucedido, depois de alcançados títulos no Campeonato Regional, mais um no Campeonato Metropolitano de Seniores e um no Nacional de Juvenis, até aí (pois mais tarde com o decorrer dos tempos foi havendo muitíssimos mais, como se sabe), além de ter passado a ter mais internacionais quer juniores como seniores Campeões Europeus, toda essa envolvência teve corolário num dia festivo, em finais de 1971. Havendo no feriado e dia santo de 8 de dezembro desse ano se realizado a 1ª Festa do Dia do Hóquei em Patins do Clube. De cuja realização ficou também reportagem registada no jornal O Porto, com algumas curiosidades acrescidas, inclusive nos trofeus colocados em disputa, dentro dum diversificado programa.

Armando Pinto

Obs.: Recortes de jornais da extensa coleção do amigo Paulo Jorge Oliveira, amavelmente enviados entre nossas "trocas e baldrocas" de confrades colecionadores portistas.

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