Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

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domingo, 23 de agosto de 2015

O F C Porto no Mundo - Exemplo da Casa do F C do Porto de Caracas


Costuma-se dizer que o longe se faz perto, quando há paixão e interesse verdadeiro; e que longe da vista, perto do coração - como define bem a voz popular, em ditames de convicções. Tal o caso de quão apaixonante é o sentimernto Portista por todo o universo, havendo Portistas espalhados pelos quatro cantos do mundo. Algo que deveria ser bem pensado por muito mais gente, perante tudo o que se passa na esfera desportivo-clubista e tudo o que seduz tanta gente residente à roda do esférico terrestre.

Ora, um bom exemplo disso tudo é a realidade da Casa do F C Porto em Caracas, uma delegação azul e branca que engloba uma comunidade portuguesa e portista de grande valor. A pontos que ainda agora mereceu honras nas páginas dum jornal diário de grande expressão, como é o Jornal de Notícias. Tendo o JN dedicado honra de realce à mesma casa do FCP internacional em sua edição de sábado, dia 22 do mês corrente de Agosto deste ano 2015, à página 3 do caderno-suplemento Ataque, na rubrica "Dossiê", sob o lema " Sofrer a milhares de quilómetros de distância" e título particular de "Ponto de encontro para matar a saudade e saborear as tripas".


Tome-se pois o sabor a isso, aqui, através de recorte dessa narrativa ilustrada, onde ressalta o bom trabalho de dedicação portista do amigo sr. Alvarinho Moreira e todos os outros bons portistas que o acompanham nessa bonita existência.


Armando Pinto

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quarta-feira, 12 de março de 2014

Duda: um dos exemplos de “Jogador à Porto”…


Tem estado presente, nesta época ainda em curso, perante o menor desempenho da equipa principal de futebol do F C Porto, uma determinada realidade consequente, através de consubstanciadas considerações sobre a postura de alguns futebolistas dos que atualmente envergam as camisolas de listas azuis e brancas. Fazendo isso recordar alguns outros, dos que noutros tempos deram “o litro”, como se costuma dizer, de seu suor… Daqueles cantados no poema Aleluia, de Pedro Homem de Melo:

« DERAM TUDO POR NÓS ESSES ATLETAS
SEU TRAJO TEM A COR DAS PRÓPRIAS VEIAS
E A BRANCURA DAS ASAS DOS POETAS… »!

Ora, então para melhor se definir um desportista-Portista, entre os que representaram ou ainda desempenham a  interpretação do carácter do clube-Dragão a grande nível, nos cenários de jogo e em plena luta pela defesa das cores azuis e brancas, costuma-se dizer que tais atletas, dos nossos, são jogadores à Porto. Por simbolizarem a mística Portista, pondo em campo todo o empenho e amor à causa.


Pois um dos exemplos, assim, por quanto se esforçou e deu de seu melhor pela camisola das duas listas azuis que vestiu, foi o brasileiro Duda – aquele polivalente e abnegado Duda do tempo do treinador Pedroto, um dos que se cobriu de glória na conquista do tão ambicionado título nacional que fugia há cerca de 19 anos e foi finalmente alcançado em 1977/78, além de ter ainda estado também no Bi-campeonato de rajada conseguido em 1978/79.


Duda, nome de guerra de José Francisco Leandro Filho, era um futebolista que não dava muito nas vistas mas ocupava o campo quase todo, senhor de garra aliada à técnica, como se salientava. Numa noite internacional inesquecível, contra o Manchester United, nas Antas e para as competições europeias, mais precisamente na então existente Taça das Taças, marcou três golos na goleada de 4-0 que ficou célebre. Depois, volvidas duas épocas, em 1979/80 contra o Milão, para a Taça dos Campeões Europeus, calou o estádio de S. Siro com um monumental golo de livre a grande distância. Contra o Benfica não se fez rogado  e, entre casos vários, fez o gosto ao pé com um golo que emudeceu o antigo estádio da Luz, na tarde em que um benfiquista partiu a perna ao portista Marco Aurélio. E contra o Sporting por várias vezes fez das suas, contribuindo com exibições e golos para a série dos bons resultados nos confrontos com os leões, em seu tempo de “jogador à Porto”.

Ficou dentro do F C Porto detentor de especial folha de bons serviços, como polivalente, tanto sendo médio como avançado. Em cinco épocas, de 1976/77 a 1980/81, foi duas vezes campeão e ganhou uma Taça de Portugal, em 1976/77, em cujo período disputou 112 jogos (segundo dados normalmente referidos), tendo ainda marcado 35 golos.


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Armando Pinto

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Luís Pinto – Exemplo de “Promessa” Portista d’Outros Tempos…


Seis anos depois da mais recente inclusão duma equipa secundária no mundo do futebol principal do F. C. Porto, ressurge uma Equipa B num patamar competitivo superior, dentro da estrutura profissional dos Dragões. O que acontece depois que as equipas Bês foram retiradas dos campeonatos, quando antes disputavam a chamada 2ª Divisão B, reassumindo agora de novo o papel de transição formativa na passagem dos jovens futebolistas ao escalão sénior, a partir desta época na Divisão de Honra (2ª Liga). Dando um outro alento a essa fase, que em tempos mais recuados se circunscreveu a equipas de reservas, disputando entre formações congéneres, dos outros clubes, também, provas restringidas a essa categoria (curiosamente em eras ainda mais remotas outrora chamadas equipas de segundas categorias).


Ora, naquelas eras da existência das equipas de reservas, evoluíram pelos campos muitos atletas de gabarito, à espera de oportunidade de subirem à equipa principal, meta conseguida por alguns, dentre inúmeros casos de maior ou menor sucesso. Tal a quantidade de valores, perante os lugares e posições disponíveis no plantel principal. E, no meio de tantos, recordamos um exemplo dum jovem que foi campeão pela equipa júnior do F. C. Porto, ao lado de nomes como Artur Jorge, Sucena e outros, tendo chegado a enfileirar no plantel principal e inclusive disputado alguns jogos na primeira equipa; mas depois, naturalmente, pelas vicissitudes do fenómeno futebolístico, continuou sua carreira noutros clubes. Referimo-nos a Luís Pinto, então um jovem em ascensão, nascido a 25 de Novembro de 1945, em Moçambique. O qual teve em si depositadas esperanças dos adeptos.

Particularmente esse nome ficou-nos na memória, além do mais, pelo seu apelido, pois à época, sendo o autor um adepto ainda na escola primária, tinha especial predileção pelos que tinham o apelido Pinto – daí gostar de entre os colegas das brincadeiras ser indicado por Pinto (como havia o Custódio Pinto a brilhar com a sagrada camisola das duas listas azuis, como aparecia nos cromos dos rebuçados) e nos juniores o Luís Pinto - pois que o ídolo maior era o guarda-redes Américo e andar pelo campo a jogar e marcar golos contava mais nesses renhidos jogos de mudar aos três e acabar aos seis.


Estava-se em plena aura dos anos sessentas, quando na música surgiam os Beatles, nas artes apareciam valores que conseguiam fintar a censura e no ambiente popular se respirava uma pacata acomodação e apareciam vanguardistas que muita gente não entendia, nem podia… Enquanto o futebol português estava no sistema BSB e ao Porto pouco era permitido. Porém, onde não havia árbitros, como no ciclismo, o F. C. Porto pedalava na dianteira, enquanto nas camadas jovens do futebol iam aparecendo jovens valores, que despertavam no pelado da Constituição e só pisavam o relvado das Antas nos jogos finais do campeonato nacional de juniores, cujo título era conquistado depois numa final em campo neutro.

Foi assim que na época de 1963 / 1964 os juniores do F. C. Porto foram disputar a final e, numa formação com um lote de apreciados valores, tais jovens arietes conheceram importante êxito e paralelamente uma grande alegria, coroando um comportamento apreciável, tendo a equipa azul e branca conquistado a vitória. Desempenhava nessa equipa um dos postos da defesa o luso-africano Luís Pinto, a pontos de não ter deixado nenhuma bola ultrapassar a sua jurisdição, sagrando-se campeão nacional da categoria ao ter ajudado a bater o Sporting por 1-0, naquela renhida final disputada em Leiria. 

Assinalando esse acontecimento, um dos livros da coleção Ídolos do Desporto, dedicado a Sucena (outros dos campeões), recordou mais tarde (em 1970) essa saborosa conquista:


Nesse tempo evoluíam na equipa sénior alguns ídolos dos mais jovens, tais como Hernâni, Perdigão e Serafim, por exemplo, com quem esse Luís Pinto já não se iria cruzar no escalão maior, mas lá estavam também nomes que ainda ombrearam durante um ano, pelo menos, com o jovem defensor, quando este subiu aos seniores. 

Luís Pinto integrou, com efeito, o conjunto principal do FCP na época de 1965/66, e, como corolário, alcançou a primeira equipa, escalado pelo treinador brasileiro Flávio Costa, ainda que apenas em três jogos, o que não era para qualquer um.


Tendo feito sua estreia na equipa principal em Janeiro de 1966, ao voltar-se o calendário para a segunda volta do campeonato, em jogo disputado nas Antas, com uma vitória sobre Leixões, por 1-0, alinhou ao lado de Américo, Alípio Vasconcelos, Atraca, Pavão, Valdemar, Jaime, Ernesto, Manuel António (marcador do golo), Pinto e Nóbrega. Depois disso, para o campeonato e novamente como titular, voltaria ainda em nova vitória, dessa vez perante o Braga, por 4-2; e, por fim, para a prova europeia disputada nesse tempo, foi chamado para entrar em campo na 1ª mão da 2ª eliminatória da Taça das Cidades com Feira, não conseguindo evitar que o guarda-redes Rui, também chamado à equipa inicial nessa noite europeia, na Alemanha, fosse buscar por cinco vezes a bola dentro da baliza (em jogo, terminado com um resultado de 5-0, a favor do Hannover, que não viria a permitir qualquer recuperação, no Porto).


Na sua curta permanência como efetivo da equipa portista, em 1965/66, Luís Pinto teve como colegas Américo, Atraca, Festa, Paula, Valdemar, Almeida, Alípio Vasconcelos, Rolando, Sucena, Bernardo da Velha, Ernesto, Carlos Manuel, Pavão, Carlos Batista, Eduardo Gomes, Jaime, Valdir, Naftal, Custódio Pinto, Amaury, Manuel António, Nóbrega (os que foram utilizados na equipa principal em oficiais jogos nacionais e internacionais, além obviamente de outros jovens que disputaram apenas encontros de reservas). 

Desse percurso, juntamos diversas imagens condizentes, algumas de nosso arquivo (incluindo as dos juniores) e outras gentilmente cedidas por seu cunhado e nosso amigo sr. Abílio Faria (um grande Portista, colecionador de fotografias de equipas do F. C. Porto, além de conhecido no mundo artístico como cantor Monte Cristo, sendo como é um cançonetista portuense de prestigiada carreira nos palcos, sobretudo no norte do país).


Viria depois Luís Pinto a seguir a carreira ao serviço do Tirsense, onde esteve acompanhado de diversos outros valores que também integraram equipas do F C Porto, como Ferreirinha, Acácio, Carlos Manuel, Naftal, Silva e Ernesto. Equipa valorosa, aquela, que fez uma primeira parte da época deveras curiosa, mas acabou por não conseguir a manutenção na divisão principal; e, em cujo decurso, tal formação do Tirsense ficou ligada a um resultado pouco vulgar, verificado no relvado das Antas (que nos fez guardar recortes desse prélio), que foi no caso do F. C. Porto ter tirado a barriga de misérias quando recebeu aqueles “jesuítas” das camisolas negras, vencendo por 9-0 numa tarde domingueira em que os brasileiros Djalma e Valdir marcaram por três vezes, cada, e Lisboa fez o gosto ao pé em dois remates, além de um auto-golo que ajudou à festa.


Não esteve o Tirsense, porém, muito tempo na divisão secundária, porque em 1969/70 essa equipa de Luís Pinto, junto com Festa e outros, alcançou o título de Campeão da 2ª divisão e assim retomaria seu lugar na divisão cimeira.

Luís Pinto veio depois a ingressar no União de Coimbra, além de ainda haver disputado jogos em França e ter vindo a largar as chuteiras na sua terra de Moçambique. Mantendo, de permeio, sempre sua chama Portista, como adepto atento ao seu clube de coração. Acabando, mais tarde, por falecer prematuramente. 

Fica a memória de um futebolista que foi um valor prometedor, qual promessa futebolística, enquanto teve a ditosa honra de envergar as cores do F. C. Porto, sabendo sempre dignificar o desporto praticado, como exemplo duma carreira que escolheu e o faz permanecer na memória de entusiastas Portistas e nos anais do desporto português. 

Armando Pinto 

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